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Este documento discute a illegality da venda de álcool a menores de 18 anos e sua relação com o alcoolismo. Além disso, explora a história da cocaína, seus tipos de preparação, efeitos, riscos de saúde e comparação com o crack. Os autores também discutem a dependência de drogas como uma doença mental.
Tipologia: Notas de estudo
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que na maior parte das vezes a idade do primeiro gole é aos 10 anos, e a do primeiro porre aos 13 anos. Apesar de não haver estudos anteriores a 1987, estima-se que nos anos 70 o primeiro gole acontecia entre os 13 e 15 anos. Segundo Pechansky, "está baixando a idade para o acesso a tudo: ao sexo, ao crime e ao álcool". O psiquiatra Jorge Gomes de Figueiredo complementa ao dizer que "é um erro brutal do governo colar a imagem do capeta na maconha e na cocaína e ignorar o álcool nessas campanhas (antidrogas)". A legalidade da droga, apesar da proibição de se vender álcool para menores de 18 anos, também é um dos fatores que empurram os jovens na direção do alcoolismo. "Os adolescentes abusam porque sabem que não vão ter uma overdose e existe a comodidade de que a bebida é legalizada", afirma o psiquiatra Jair de Mari, professor da Escola Paulista de Medicina. Cabe aos pais conscientizar-se de que a bebida na adolescência pode não ser um problema passageiro e tratar o uso abusivo como o problema médico que ele realmente é. Observar o comportamento dos filhos é o melhor método de avaliação. Os problemas escolares também podem ser bons indicadores dos sintomas do alcoolismo. São comuns entre os adolescentes que bebem demais as perdas de memória, capacidade de concentração e de raciocínios abstratos. Manias de perseguição e agressividade também surgem em alguns casos. A escola acaba tornando-se um verdadeiro fardo para o jovem alcoolista, e as repetências de ano acontecem porque ele perde a capacidade de associar. Como toda droga, o álcool também está cercado de mitos, e muitos deles dizem respeito sobre o que fazer quando alguém bebeu demais. A este respeito, reproduzimos abaixo uma série de orientações originalmente encontradas no livro Conversando sobre drogas: Leve-o para casa; não o deixe dirigir automóvel ou moto. Se estiver inconsciente (desmaiado) leve-o para um pronto-socorro. Não o deixe nadar. Passe um agasalho por seu corpo para mantê-lo aquecido; é prejudicial dar banhos frios. O uso de café forte não melhora a intoxicação. Não existem remédios que previnem os efeitos do álcool. Se estiver agitado, procure ajuda e não remédios calmantes. Se desmaiar deite-o de lado para evitar que aspire ("sufoque") caso vomite; se estiver consciente deixe-o sentado ou deitado de lado. O alcoolismo é uma doença incurável; pode apenas ser controlada como o diabetes, a hipertensão
e as artroses. A única maneira realmente eficaz de controlá-lo atualmente conhecida é parar de beber. No link Tratamentos já vimos como isto pode ser feito. No Brasil, apenas um antigo remédio, o Antabuse, tem sido recomendado em alguns casos para auxiliar no tratamento do alcoolismo, já que causa diversas reações aversivas como náuseas e vômitos em pacientes que insistem em beber. Assim mesmo questionado por vários médicos que não vêem eficácia alguma nestes desconfortos físicos, já que, segundo sua óptica, o principal seria o fator psicológico da doença. A possibilidade de riscos para a vida do paciente que se utiliza deste medicamento também é questionada. Mas nos Estados Unidos foi recentemente liberado pelo FDA, rigoroso órgão americano que controla alimentos e remédios, um novo medicamento que promete ajudar na recuperação de pacientes alcoólicos. Produzida em associação pelos laboratórios DuPont e Merck, a naltrexona, nome do princípio ativo do remédio (que já era usado na recuperação de dependentes de heroína), tem o efeito de impedir a sensação de euforia e bem-estar provocada por doses de bebidas alcoólicas, diminuindo o apetite para o álcool, sem contudo dispensar assistência psicológica. Nos testes que foram realizados, a naltrexona diminuiu os casos de pacientes que têm recaída depois de abandonar a bebida por algum tempo. No grupo que não tomou o remédio, 79% voltaram a beber. No grupo em que o medicamento foi utilizado, o índice caiu para 39%, e apenas 10% dos pacientes deste grupo apresentaram efeitos colaterais como náuseas, ansiedade, nervosismo, dores no estômago e na cabeça. "Não é uma pílula mágica", ressalva Enoch Gordis, diretor do Instituto Nacional para o Abuso de Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos. Comecializada sob o nome de Revia, a naltrexona pode ser importada pelos Correios com prescrição médica. 6.4.2. Tetra-Hidro-Carbinal (THC) É a substância psicoativa encontrada na maconha e no haxixe - delta-9- tetrahidrocannabinol. O THC é encontrado, também, em tipos mais potentes de maconha, como o skank, teor de até 33% de THC, enquanto os habituais não passam de 8% de teor de THC. O THC pode provocar alterações em várias áreas do aparelho psíquico: memória, atenção, concentração, ânimo, capcidade de realização, noção de tempo e espaço, percepção dos sentidos, etc. Se considerarmos as alterações na percepção dos sentidos, a visão , por exemplo, temos que a
de "químicas" e faz mal à saúde, é outra inverdade. O fato de ser natural não garante que seja bom, pois existem muitos menos que são naturais. Quando a ser artesanal, isso também não dá nenhuma garantia de equilíbrio de qualidade. 6.4.2.1. Cannabis Sativa - Maconha Derivada de um arbusto da família Moraceae que pode chegar a dois ou três metros de altura chamado Cannabis sativa, também conhecido como cânhamo, a maconha é a droga mais discutida atualmente em nosso país, fortalecendo e aumentando os mitos existentes em torno deste alucinógeno. Cresce praticamente em todos os tipos de solo e clima, e este é um dos motivos pelos quais esta droga tornou-se utilizada em culturas tão diferentes como a África do Sul, os Estados Unidos e o Brasil, entre dezenas de outros países. Planta dióica (ou seja, tem espécimes masculinos e femininos), sintetiza várias substâncias (chamadas coletivamente de canabinóides) dentre as quais os três principais são o canabinol, e uma substância conhecida como delta-9-tetrahidrocanabinol (ou simplesmente THC), que provocam alterações psíquicas importantes no usuário. Normalmente, a droga é fumada sob a forma de cigarros (conhecidos por diversos nomes como baseado, fino, fininho, finório, erva, pacau, charão, vela, etc.), mas também pode ser ingerida por via oral. Dependendo do tipo de preparo, muda a concentração de canabinóides na droga. Vejamos quais são eles: Na sua utilização mais comum, são fumadas as folhas e flores secas (algumas vezes também sementes), com um teor aproximado de 2% de canabinóides. Conhecida por marijuana, marihuana, diamba, liamba ou bangüê. Efeitos psíquicos: Sonolência, alterações na percepção, alucinações, dificuldades para concentração, compulsão, síndrome amotivacional, prejuízos de memória e atenção. Efeitos físicos: Conjuntivite crônica, relativa impotência sexual, insônia, taquicardia, sede e náuseas, boca seca. 6.4.2.2. Cannabis Indica - Haxixe A ganja ou sensimilla (sem sementes) é um subproduto de uma variedade conhecida como Cannabis indica. Resistente a temperatura baixas e atingindo pouca altura, é cultivada no Afeganistão e Paquistão. Obtida utilizando-se apenas das flores das plantas fêmeas, que são preparadas através de aparos de modo que uma maior concentração de THC ocorra nas inflorescências. Mais potente que o anterior (teor de 6% de canabinóides), também é fumada. O haxixe é um composto obtido por grande pressão nas inflorescências. Obtêm-se uma pasta semi-sólida, normalmente moldada sob a forma de bolotas, com alta concentração de canabinóides (cerca de 8%). É mascado ou fumado. 6.4.2.3. Erytroxylon cocal - Cocaína
Pó branco, normalmente inalado (cheirado) ou diluído em água para ser injetado nas veias (administração intravenosa). Quase sempre vendida em pequenas quantidades (aproximadamente 1 grama), embrulhada em pedaços de plástico ou papel alumínio, conhecidos como papelote. Em doses reduzidas ocorre euforia, excitação, inquietação, confusão, apreensão, ansiedade, sensação de competência e habilidade, diminuição da fome e da sede. O tempo de duração destes efeitos é de uma a duas horas. A cocaína é um alcalóide, substância com propriedades de base, extraído de uma planta originária da América do Sul e Central conhecida como Erytroxylon coca. Conhecida há cerca de sete mil anos entre os povos dos Andes, seu uso estava ligado à religiosidade, servindo ainda para combater a fadiga e a sensação de fome. Com a chegada dos conquistadores espanhóis foi levada para a Europa, onde se propagou seu consumo. Estes mesmos conquistadores disseminaram o uso da coca entre os índios escravizados, com o intuito de fazer-lhes trabalhar mais e comer menos. Masur e Carlini, em Drogas - Subsídios para uma discussão, assim referem-se a este período: "O vinho de coca, uma preparação feita à base da planta, foi considerado durante muito tempo uma bebida reconstituinte e reconfortante, que dotava os apreciadores de novas energias. Foi um verdadeiro modismo, elegante mesmo, o uso desse vinho. As mais altas autoridades da Europa, príncipes e reis, primeiros-ministros, nobres, etc., eram os principais apreciadores. Houve até um papa que agraciou com uma medalha o principal fabricante desse vinho." "E das folhas da planta, o químico alemão A. Niemann conseguiu extrair a cocaína, sob forma pura. Agora o mundo dispunha não mais de um vinho ou chá (onde as quantidades de cocaína não eram grandes), mas de um pó branco, muito ativo. Novamente, a Europa se vê maravilhada com a descoberta. Um dos mais famosos adeptos da cocaína foi Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Este ilustre médico participou das experiências mostrando que a cocaína era um anestésico local (isto é, tira a dor das mucosas, o que permitiu pela primeira vez um grande progresso na cirurgia dos olhos, por exemplo). Freud foi mais além! Ingerindo ele próprio cocaína, sentiu-se tomado de tal energia e vitalidade que passou a difundir seu uso entusiasticamente; escreveu artigos científicos sobre a cocaína, dizendo num deles que somente após passar a tomar cocaína é que 'se sentiu verdadeiramente um médico'. Chegou a dizer ainda
prontamente solúvel na membrana da mucosa nasal ou no sangue. Mas, como possui baixo ponto de vaporização, pode ser fumada, sendo que 84% se mantém após a combustão. Além de causar dependência, a cocaína afeta o sistema nervoso central, reduzindo a capacidade intelectual e o desempenho profissional, causando ainda paranóia e depressão. Seu uso contínuo perfura o septo nasal, causando hemorragia, dores de cabeça, problemas pulmonares e cardíacos. Em quantidades maiores, podem ocorrer tonturas, náuseas, vômitos e tremores. Em alguns casos podem acontecer convulsões, por causa do aumento da temperatura. A overdose acontece por superdosagem, ou seja, o usuário utiliza-se de uma dose maior do que a habitual ou adquire cocaína mais "pura" do que normalmente consome. Neste último caso, apesar de fisicamente parecer a mesma quantidade, ele está utilizando várias vezes a quantidade pretendida. Na overdose, o usuário passa a ter taquicardia, que evolui para uma fibrilação ventricular e à morte. Nos casos de superdosagem de cocaína, vale destacar para os profissionais da área os ensinamentos de Kaplan & Sadock, em Compêndio de Psiquiatria: "Para uma superdosagem aguda de cocaína, o tratamento recomendado é a administração de oxigênio (sob pressão, se necessário) com a cabeça do paciente para baixo, na posição de Trendelenburg, relaxantes musculares, se necessários e, se houver convulsões, barbitúricos intravenosos de curta ação (25 a 50 mg de pentotal sódico) ou diazepam (5 a 10 mg). Para a ansiedade com hipertensão e taquicardia, 10 a 30 mg de diazepam intravenoso ou intramuscular podem constituir um procedimento útil. Uma alternativa para esta finalidade, que parece ser um antagonista específico dos efeitos simpato-miméticos da cocaína, é o bloqueador b- adrenérgico propranolol (Inderal), 1 mg injetado intravenosamente a cada minuto, por até 8 minutos. Entretanto, o propranolol não deve ser considerado uma proteção contra doses letais de cocaína ou como tratamento para superdosagens graves." O risco de se adquirir AIDS ou hepatite é bastante alto entre os usuários de cocaína injetável, tornando-os um grupo de alto risco para estas doenças. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica - Divisão DST/AIDS de São Paulo em 1995 demonstrou que entre os casos notificados da doença naquela cidade, 32,12% dos que contraíram o vírus eram usuários de
drogas, seguidos pelos homossexuais (23,06%), heterossexuais (17,43%), bissexuais (9,9%), de mãe para filho (2,79%), transfusão de sangue (1,78%), hemofílicos (0,72%) e não identificados (12,2%).O ritual deste uso da droga muitas vezes inclui o compartilhamento de seringas, já que cuidados com a saúde não são uma constante entre os usuários, aliado ainda ao medo de passar por uma revista em uma batida policial e ser encontrado com material descartável no bolso. Pela lei de entorpecentes em vigor no país, distribuir seringa ao usuário de drogas injetáveis equivale a incentivar o consumo de tóxicos. Ainda assim, alguns médicos estão convencidos de que fornecer seringas é o modo mais eficaz de deter o avanço da AIDS. Outra doença, até então rara, que têm aparecido muito nos últimos anos com o grande aumento do uso de cocaína entre dependentes com problemas nos músculos esqueléticos é a rabdomiólise, um processo irreversível de degeneração destes músculos. Existem dúvidas se a cocaína desenvolve ou não tolerância no organismo, ou seja, se há ou não a necessidade de tomar doses cada vez maiores para que o usuário sinta os mesmos efeitos. Existem dúvidas ainda se a parada abrupta do uso continuado de cocaína leva a uma síndrome de abstinência, mas é certo que a fissura pela droga permanece durante algum tempo, variável de acordo com o paciente e o tempo de uso da droga. Além disto, observa-se neste primeiro período de abstinência muito sono, cansaço, aumento do apetite e depressão. As misturas que se fazem nesta droga também são responsáveis por vários danos ao organismo de quem as consome. Além das já citadas (açúcar, anestésicos locais, anfetaminas e cafeína), podemos acrescentar pó de giz, talco, reidratantes para crianças, vapor de mercúrio (o pó branco que existe dentro das lâmpadas fluorescentes), vidro moído (para dar brilho ao pó), etc. Alguns dos materiais que são utilizados no consumo da droga: pratos, espelhos, ou qualquer material com superfície dura e lisa (para colocar o pó, normalmente em carreiras); canudos de papel ou dinheiro, caneta esferográfica sem carga, ou qualquer outro tipo de tubo (utilizado para aspirar o pó, levando-o diretamente para dentro do nariz); giletes, cartões ou qualquer material duro e fino com formatos aproximados (para separar as carreiras); seringas; colheres com o cabo torto, sem cabo, pequenos copos ou qualquer outro tipo de material côncavo (para diluir a
Paulo, uma pedra de crack chega a custar 15 reais. Se o dependente fumar cerca de vinte pedras por dia, gastará 300 reais em um único dia. Os efeitos produzidos no usuário são basicamente iguais ao da cocaína, porém muito mais intensos. Causa irritabilidade, depressão e paranóia, algumas vezes levando o usuário a ficar violento. Afeta a memória e a coordenação motora, provocando um emagrecimento acentuado, debilitando o organismo como um todo. Atualmente, é a droga que mais causa devastação no organismo do usuário. O Dr. Içami Tiba, em 123 Respostas Sobre Drogas , assim discorre sobre as reações que esta droga provoca no organismo: "O crack leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos: forte aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular e excitação acentuada, sensações de aparente bem-estar, aumento da capacidade física e mental, indiferença à dor e ao cansaço." Mas se a droga leva apenas 15 segundos para chegar ao cérebro e começar a produzir estes efeitos, estes também tem um curto período de duração: cerca de 15 minutos. A cocaína endovenosa, por exemplo, produz as primeiras reações em 3 a 5 minutos, com duração que varia entre 30 e 45 minutos. Esta característica talvez explique o poder que esta droga exerce sobre seus usuários. Segundo Solange Nappo, bioquímica e pesquisadora do Cebrid, Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, "a compulsão para o uso do crack (o que os dependentes chamam de 'fissura') é muito mais poderosa que a desenvolvida pela cocaína aspirada ou injetada." Uma pesquisa do Grea, Grupo Interdisciplinar de Alcoolismo e Famacodependências do Hospital das Clínicas de São Paulo, apontou os intervalos de tempo entre o uso regular de álcool, cocaína em pó e crack e o aparecimento de problemas por causa disso. Veja o resultado no infográfico abaixo: O caminho entre a experimentação e a dependência é muito rápido. "Com o crack, não existe o chamado uso social ou recreativo", afirma o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade. Uma pesquisa do Cebrid com 25 usuários e ex-usuários da droga revelou que 52% deles faziam uso freqüente desta menos de um mês depois de experimentá-la. Conforme a mesma pesquisa, a idade de suas vítimas também é um fator preocupante: 52% dos consumidores têm entre 13 e 20 anos e 40% entre 20 e 30 anos.
O aumento da criminalidade entre os usuários desta droga também é assustador. A psiquiatra Sandra Scivoletto, coordenadora de um trabalho do Grea, diz que "todos os pacientes que faziam uso regular de crack praticaram roubos ou furtos e mais da metade deles foram expulsos da escola". Prossegue afirmando que "os usuários do crack se envolvem em atividades ilegais duas vezes mais do que os usuários de outras drogas". Esta pesquisa do Grea mostrou que 38,1% dos jovens que usavam crack haviam se envolvido em tráfico de drogas e 47,6% apresentavam antecedentes de envolvimento com polícia e prisão. Como a evolução da dependência com relação a esta droga é muito rápida, quando os familiares descobrem o usuário, na maioria das vezes, já está completamente dependente. Para auxiliar os pais, vale destacar o trabalho da jornalista Andréia Peres, publicado originalmente na revista Cláudia de outubro de 1995, conforme abaixo segue: Fatores de risco para o uso de crack - A Organização Mundial da Saúde considera mais propensa ao uso de drogas a pessoa mal informada sobre os efeitos, com saúde deficiente, insatisfeita, com personalidade deficientemente integrada e com fácil acesso às drogas. Traços que favorecem - O adolescente usuário de crack, segundo a psiquiatra Sandra Scivoletto, tem as mesmas características de quem procura estimulantes de um modo geral. Sente uma enorme melancolia, sem motivo aparente, e um grande vazio, devido à falta de uma atividade que lhe traga prazer e de perspectivas de vida de um modo geral. Os sintomas - O comportamento do usuário de crack, segundo o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, especializado em drogas pela Universidade de Londres, muda rápido e intensamente. Ele vai mal na escola (ou a abandona), tem um sono altamente perturbado, emagrece muito, isola-se dos outros e começa a apresentar sintomas de paranóia. Acha que está sendo seguido ou que caiu alguma pedra de crack no chão. Também fica apático, introvertido. A cocaína age ainda sobre as pupilas dos olhos, podendo dilatá-las. O tratamento - Depende do estado de cada paciente. Vai do tratamento ambulatorial até a internação domiciliar ou em clínicas especializadas. A sua principal dificuldade, segundo o dr. Ronaldo Laranjeira, é a "fissura", a vontade que o usuário sente de usar a droga. A fase inicial é a mais difícil, e dura, geralmente, uma semana. O jovem só é considerado totalmente reabilitado
necessitando de seringas e agulhas que para muitos constituem-se em violação ao próprio corpo; a não transmissibilidade do HIV pela via pulmonar; e os poderosos efeitos alcançados em segundos, são fatores preditivos de aumento cada vez maior do consumo desta droga em São Paulo, podendo transformar-se num problema emergente de saúde pública a curto prazo." "Os autores deste trabalho acreditam que as campanhas de prevenção ao abuso de drogas desenvolvidas para São Paulo, que em relação à cocaína tem enfocado apenas seu uso endovenoso, devem urgentemente ser revistas no sentido de que o crack também seja abordado, descaracterizando esse uso aparentemente inofensivo." 6.4.2.5. Papaver somniferum - Opináceas Entre a farta variedade de drogas de que o homem vem se servindo há milhares de anos, o ópio é uma das mais antigas de que se tem notícia. No quarto milênio a.C., os sumérios conheciam esse tóxico, obtido do látex das flores da papoula ( Papaver somniferum ), planta nativa da Ásia Menor. Também os egípcios e os gregos sabiam dos efeitos do ópio. Os médicos árabes utilizava- no para o tratamento de diarréias e tosses. E, através dos comerciantes árabes, a droga foi introduzida na Cinha. No começo da era cristã, apareceu, empregada terapeuticamente, como analgésico e sonífero. Na Renascença, o ópio era utilizado para tratamento de histeria, o que comprova a existência de conhecimentos sobre as influência psicológicas da droga. Até o século XIX, era consumida "terapeuticamente", misturada com uísque ou álcool (láudano). Poucos médicos - todos de reputação duvidosa - receitavam, e os grandes consumidores (além dos próprios médicos) eram intelectuais e artistas. Acredita-se que o ópio começou a ser fumado em cachimbos pôr volta do século XVII. Mas a Guerra do Ópio (1840 / 42), entre chineses e ingleses, constitui um pretexto para a abertura dos portos de Hong Kong, cidade que se tornou um dos maiores centros de tráfico. Morfina: É o primeiro derivado do ópio produzido em laboratório (1803). Isolada em 1805, recebendo esse nome pela associação com os poderes de Morfeu , deus grego do sono. Inicialmente, suas propriedades foram tão mal compreendidas que chegou a ser indicada para tratamento de opiômanos. E o vício do ópio era realmente curado: os pacientes transferiam sua depend6encia de uma droga para outra. A morfina está entre os mais eficazes analgésicos usados
pela medicina para o combate de dores de fraturas, queimaduras e na cirurgia. Pequenas doses produzem uma sensação de tranquilidade e em doses maiores verifica-se um estado geral de euforia, seguida de uma fase de sonolência e torpor físico e mental. O dependente apresenta como sintoma geral: sonolência, redução das atividades físicas, como contração das pupilas, depressão do ritmo respiratório. Em estágios mais avançados, podem registra-se náuseas e vômitos. O processo intoxicação-tolerância é rápido e de difícil cura, uma vez que a morfina leva a dependência física e psíquica. Heroína: Também criada em laboratório, durante a busca de substituto seguro para a morfina. Em 1898, o Laboratório Bayer, na Alemanha, anuncia ter encontrada a deacetilmorfina, três vezes mais potente que a morfina. Por sua potência, a Bayer dá à substância o nome de heroína. Hoje está provado que a heroína vicia ainda mais que a morfina. Geralmente injetada, a droga modera as emoções e provoca sensação temporária de bem-estar. A abstinência causa diarréias, vômitos fortes e leva ao risco de morte por desidratação. Codeína: é freqüentemente empregada para aliviar a tosse, já que age sobre uma zona do encéfalo de que depende essa manifestação. De todos os derivados do ópio, a codeína é a que tem menores possibilidades de criar o vício. ? ? 6.4.3. Alucinógenos 6.4.3.1. LSD - Ácido Lisérgico Dietilamida do ácido lisérgico, de fórmula C20H25N3O, principal alucinógeno entre os derivados indólicos. Obtido inicialmente através de síntese por F. Hofmann e A. Stoll em 1938, o LSD foi em seguida encontrado no esporão do centeio (deformação do grão causada pelo fungo Claviceps purpurea ). A absorção digestiva do alucinógeno é rápida e o indivíduo, em geral, sente três tipos de efeitos sucessivos: vegetativos (ligados à ação simpático-mimética da droga), que compreendem midríase, aceleração do coração, elevação da pressão arterial e da tensão muscular, problemas digestivos: perceptivos , que incluem distorções perceptivas que podem se transformar em alucinações, sobretudo visuais (as auditivas são mais raras); psíquicos , como distorção da apreensão do tempo, confusões no curso do pensamento, modificações no estado de espírito, estado de confusão onírica, sentimento de despersonalização. Estas modificações agudas podem provocar estados de pânico com impulsos auto ou heteroagressivos. O LSD, como outras drogas