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Livro que trata de design thinking
Tipologia: Esquemas
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(^22) ▶ EI! ENSINO INOVATIVO^ ▶ VOLUME ESPECIAL^ ▶^2015
O design thinking tem feito enorme sucesso no mundo dos negócios, principalmente na indústria de tecnologia, devido à sua orien- tação para atender às expectativas e desejos dos clientes. Sua influência também se ex- pandiu para ONGs e projetos que têm o obje- tivo de sanar problemas sociais de países em desenvolvimento. Uma rápida busca na in- ternet é suficiente para encontrar inúmeras histórias de sucesso envolvendo essa técnica. Com o mesmo entusiasmo, o design thinking chegou à área da educação e muitas universida- des têm adotado o método visando centrar seus
processos de ensino no aluno, fomentando sua criatividade e habilidade de resolver problemas. Mas, afinal, como funciona essa estratégia que traz tantos benefícios, especialmente ao seg- mento da aprendizagem? Definir design thinking não é uma tarefa fácil, visto que é um conceito vago e até mesmo con- traditório. Entretanto, esboçando uma resposta inicial para essa pergunta, considera-se que a metodologia consiste em uma forma de estru- turar o pensamento, por meio de um conjunto de princípios que podem ser aplicados em di- ferentes contextos, com o objetivo de resolver problemas. Pode-se complementar, afirmando
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que é uma estratégia baseada em co-cria- ção, isto é, uma criação elaborada em conjun- to, por uma equipe, e organizada em torno de um projeto. É importante ressaltar que, apesar de ser uma maneira de pensar sobre o problema e buscar uma solução, essa abordagem não segue um raciocínio linear. Pelo contrário, é interativa, irregular e, de certa forma, até indisciplina- da, já que consiste fundamentalmente em um processo exploratório, como diria Tim Brown, evangelizador do método e CEO da IDEO, em- presa de design no Vale do Silício idealizadora do design thinking for educators. Dessa forma, muitos devem estar se pergun- tando: “Então, qual é a diferença entre essa es- tratégia e a aprendizagem por meio de proble- mas?”. Recorrendo novamente a Tim Brown, pode-se dizer que o design thinking é centrado no ser humano, uma vez que procura definir o problema e interagir com ele a partir da reali- dade dos atores envolvidos (sejam eles consu- midores ou cidadãos). Ou seja, o desafio não é apenas resolver a adversidade de maneira viá- vel, mas, principalmente, buscar alto valor per- cebido por parte do público-alvo. Além disso, a metodologia apresenta uma abordagem por projeto e não por problema. Portanto, ela se desenvolve a partir de uma lógica de começo, meio e fim, sendo justamente essas etapas que a aderem melhor à realidade e ao contexto da questão proposta, permitindo o estabelecimen- to de objetivos claros, metas e prazo. Considerando que essa estratégia foca priori- tariamente pessoas, é possível deduzir que, no contexto do ensino, ela precisa ser centrada nos alunos, os quais devem possuir autonomia para conduzir seu trabalho e administrar suas expec- tativas. Obviamente, pela mesma razão, duran- te o desenvolvimento do projeto, os estudantes também devem entrar em contato e interagir
com seu público-alvo, de modo a buscarem a melhor solução a partir da perspectiva do clien- te ou do cidadão. Assim, o design thinking estabelece três mo- mentos para a resolução do problema:
Mas quais as etapas necessárias para que es- ses momentos sejam concretizados da melhor maneira possível?
As etapas exigidas por esse método podem ser distribuídas ao longo da disciplina. Por exem- plo, o professor escolhe uma delas ou realiza uma imersão em cada aula. Essa decisão depen- de do planejamento e dos objetivos de aprendi- zagem que o docente estabelece para a ativida- de e para o curso. A primeira etapa é a empatia : para compreen- der o problema é necessário que o aluno se co- loque no lugar do outro, pois é a melhor forma de entender o contexto em questão e criar raí- zes para a solução. Nesta etapa, os estudantes devem observar, mergulhar na experiência e se imaginar no lugar do público-alvo. A segunda é a definição , na qual os alunos de- vem interpretar a situação a partir das análi- ses realizadas na fase da empatia, definir seus objetivos e expressar qual problema preten- dem atacar. Segundo a explicação de Holly Morris e Greg Warman no artigo Using design thinking in higher education , publicado pela re- vista EDUCAUSE review , três perguntas devem ser respondidas nesta fase:
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questão apresentada. O estudante vira protago- nista da disciplina na medida em que interage com o público-alvo e que sua imersão em um de- terminado contexto do problema pode lhe pro- porcionar aprendizados que não estavam previs- tos no formato do curso. Nesse método, o professor não é mais deten- tor único do conhecimento. Seu papel é dire- cionar a disciplina e conduzir o aprendizado do aluno – de forma que este absorva o conteú- do da maneira mais prática e eficaz possível, conferindo-lhe independência e o estimulando a buscar respostas para os dilemas encontra- dos. O docente deve, portanto, facilitar e orien- tar essa descoberta. Apesar da relevância dos benefícios citados, algumas pessoas apontam que a principal con- tribuição do design thinking para o processo de aprendizagem é proporcionar aos discentes a oportunidade de estarem em contato com uma situação que lhes permita escutar, dialogar e aprender com o raciocínio dos demais mem- bros de sua equipe, o que possibilita a co-cria- ção, essencial nessa abordagem. Além disso, a imersão vivida na etapa da empatia pode propi- ciar uma experiência prática ampla e profunda, que vai além da transmissão do conhecimento.
Essa estratégia também traz desafios que re- querem atenção especial para a sua aplicação. O primeiro é o planejamento. Apesar de as ati- vidades muitas vezes adquirirem um caráter lú- dico, isso não significa que basta formar grupos e jogar um problema para os alunos resolverem. Ao contrário, é necessário que o professor dese- nhe cuidadosamente como esse procedimento se relaciona com o conteúdo do curso e prepare as atividades com antecedência para que o design thinking seja um método eficaz na aprendizagem. O segundo está ligado à definição do problema, o qual precisa ser amplo o suficiente para que os
estudantes tenham espaço para criar e interpre- tar a situação. Caso seja muito restrito, o tema não permitirá o desenvolvimento adequado da atividade e, consequentemente, não será possí- vel atingir o objetivo de ensino esperado. O terceiro e mais importante desafio refere-se à avaliação. A metodologia exige grande reflexão e planejamento para identificar o que e de que forma deve ser avaliado. Além disso, o aprendi- zado não reside apenas em qual grupo propôs a “melhor” solução, mas principalmente no pro- cesso, no caminho percorrido pelos alunos até a escolha da ideia mais apropriada para sanar o problema, o que também deve ser considerado na avaliação. Daí a importância da etapa da evo- lução, a qual pode ser uma aliada, visto que cria espaço para os próprios estudantes refletirem a respeito de seu aprendizado. Obviamente, a de- cisão sobre o que avaliar varia conforme os ob- jetivos da disciplina, determinados pelo profes- sor no início do curso.
Saiba mais Change by design: how design thinking transforms or- ganization and inspires innovation. Tim Brown. New York: HarperCollins. 2009. Design thinking for educators. IDEO. 2012. Disponível em: designthinkingforeducators.com/DTtoolkit_ v1_062711.pdf Design thinking in the classroom: free inspiration from the ad award winners. Ashley Nahornick. Eduto- pia. 2013. Disponível em: edutopia.org/blog/design- thinking-free-inspiration-ashley-nahornick Design thinking para educadores. Instituto Educadigi- tal_._ IDEO_._ 2013. Disponível em: dtparaeducadores.org.br/site/?page_id= How to apply design thinking in class, step by step. MindShift. 2013. Disponível em: kqed.org/mindshift/2013/06/26/how-to-use-design- thinking-in-class-step-by-step/ Using design thinking in higher education. Holly Morris e Greg Warman. 2015. Disponível em: educause.edu/ero/article/using-design-thinking- higher-education