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Ecologia Nutricional , Notas de estudo de Nutrição

Parasitologia e ecologia dos alimentos

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 13/02/2014

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franciele-marcela-8 🇧🇷

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EcologiaNutricionaldoHomem
Aula nº24
Data: 01/06/2010
Ana Catarina Morais, nº 36020
Ana Xavier, n.º 38514
Carmina Cabral, n.º 38523
Gerson Amaral, n.º 37229
Nuno Dias, n.º 39554
Patrícia Vicente, n.º 25954
Pedro Feliciano nº38636
Raquel Clemente, nº 36908
Ricardo Santos, n.º 38643
Sandro Santos, n.º 37864
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Ecologia Nutricional do Homem

  • Aula nº
  • Data: 01/06/
  • Ana Catarina Morais, nº
  • Ana Xavier, n.º
  • Carmina Cabral, n.º
  • Gerson Amaral, n.º
  • Nuno Dias, n.º
  • Patrícia Vicente, n.º
  • Pedro Feliciano nº
  • Raquel Clemente, nº
  • Ricardo Santos, n.º
  • Sandro Santos, n.º

Sumário

 Nutrição e Energia:  Macronutrientes, micronutrientes e valores calóricos;  Componentes do Ecossistema Nutricional  Factores sócio‐económicos, culturais, biológicos e ambientais;  Indicadores do estado nutricional:  Bioquímicos, dietéticos e antropométricos;  Aspectos evolutivos da nutrição das populações humanas:  Modificações anatómicas,  Práticas de obtenção de alimentos;  Modificações e processamento de alimentos;  Nutrição, doenças e evolução.

Palavraschave

Água, alimentação, análises bioquímicas, caçador‐recolector, crianças, doenças derivadas da alimentação, ecossistema nutricional, evolução, factores socioeconómicos, lípidos, indicadores nutricionais, macronutriente, malnutrição, hábitos culturais, medidas antropométricas, micronutriente, modificação de alimentos, modificações anatómicas, nutrição humana, nutriente, observações clínicas, obesidade, pirâmide dos alimentos, processamento de alimentos, proteínas, roda dos alimentos, saneamento básico, saúde, vitaminas.

Nutrição e Energia

A alimentação dos animais compreende quatro grupos principais de macronutrientes: os glúcidos (ou hidratos de carbono), as proteínas, os lípidos e a água, que diferem entre si em estrutura, função e conteúdo calórico, bem como micronutrientes como as vitaminas e os sais minerais.

A definição de uma dieta saudável sob o ponto de vista energético depende de cada indivíduo. Em primeiro lugar, deve procurar‐se um equilíbrio entre a ingestão de nutrientes e o gasto de energia em cada actividade, pois a energia é necessária para o crescimento e metabolismo. É importante ter então em conta os valores calóricos dos nutrientes, sendo as principais fontes de energia os hidratos de carbono (4,1 calorias por grama), os lípidos (9,45 calorias por grama) e as proteínas (5,65 calorias por grama).

Precisamos de proteínas não só como fonte de energia, mas também para reparação e crescimento tecidular. Dos vinte aminoácidos existentes no nosso organismo, o corpo humano é incapaz de sintetizar oito a felinalanina, a histidina, a isoleucina, a leucina, a lisina, a metionina, a treonina e a valina, os aminoácidos essenciais, que devem ser portanto incluídos na dieta. Os lípidos fornecem‐ nos também ácidos gordos, que desempenham um papel importante de suporte do tecido nervoso. Precisamos ingerir também vitaminas, que são essenciais em pequenas quantidades para vários processos metabólicos e que também não conseguimos sintetizar, bem como alguns elementos inorgânicos como o ferro e o zinco, em certas quantidades. ( Para mais informações sobre o papel dos ácidos gordos na saúde: http://www.endoclab.pt/UploadImages/Banners/PdfA4_AcidosGordos.pdf)

Componentes do Ecossistema Nutricional

Tabela 1 ‐ Lista de tipos de indicadores nutricionais

INDICADORES NUTRICIONAIS

Medidas antropométricas

Peso, altura, medida de várias zonas do corpo, medida do crescimento das crianças (medida da circunferência da cabeça). (Alterações de peso podem indicar a ocorrência de alguma doença ou desiquilibrio).

Análises bioquímicas Análises de nutrientes e metabolitos no sangue, urina e fezes (Despiste de infecções ou doenças).

Observação clínica Entre outras observações, a mudança na cor ou saúde da pele, textura do cabelo e na forma das unhas.

Avaliação dietética Análise de nutrientes e alimentos, que devem ser incluídos na alimentação do individuo.

Tabela 2 ‐ Medidas antropométricas efectuadas num indivíduo

MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS Medidas físicas do corpo

Altura

Deve ser medida cuidadosamente e regularmente (no bebé é medida horizontalmente). Existem tabelas de valores, de acordo com a idade e o sexo. Nos adultos, a altura vai diminuindo devido à curvatura e perda de tecido ósseo.

Peso

Deve ser medido regularmente; é uma medida crucial, entre as medidas antropométricas, na fase de crescimento das crianças; determina o índice de massa corporal.

Medida da circunferência da cabeça

Muito importante na avaliação do crescimento e do desenvolvimento normal das crianças, especialmente durante a fase de crescimento rápido que vai do nascimento até aos três anos de idade.

Medida da gordura subcutânea

Medida da gordura do corpo que se situa imediatamente debaixo da pele; é feita em várias zonas do corpo, por exemplo no antebraço, coxa, abdómen, anca, etc. ; muito útil na avaliação do estado físico nos atletas; prediz o risco do indivíduo sofrer desordens nutricionais; muito importante no caso de doentes internados; pode indicar qual a dieta mais indicada; é feita com instrumentos especiais;

Medida da circunferência em várias zonas do corpo

Medida feita em várias zonas do corpo como por exemplo braço, cintura, coxa, anca, etc; permite detectar excesso ou deficiência de gordura em cada porção do corpo.

OBSERVAÇÃO CLÍNICA

É realizado um exame clínico para determinar o estado de nutrição do paciente. Durante este exame, são procurados sintomas e sinais clínicos de alteração do estado nutricional. Esta prática é de uma importância enorme por ser simples e bastante económica, uma vez que consiste em avaliar as manifestações que podem estar relacionadas com uma possível alimentação inadequada, que se evidencie por alterações dos tecidos orgânicos ou de órgãos externos como a pele, mucosas, cabelos e olhos. Mudanças no tom de pele ou no brilho do cabelo podem indicar uma desnutrição, tal como a perda de peso em relação ao peso médio. No entanto, numa fase inicial de carências proteicas, torna‐se difícil a interpretação dos sinais presentes nos pontos abordados num exame clínico, o que limita esta prática, forçando a que seja impossível utilizá‐la como único meio de diagnóstico precoce da desnutrição.

AVALIAÇÃO DIETÉTICA

Realizada normalmente através de questionários sobre os hábitos alimentares e hábitos de consumo quotidianos; permite detectar outros factores de risco para uma má nutrição como por exemplo factores económicos.

Todos os indicadores nutricionais juntamente com a história familiar do indivíduo, a situação económica assim como outros factores revelam o estado geral de nutrição do indivíduo. Pode haver ajustamento de forma a atingir uma boa nutrição, por exemplo reduzir o colesterol no sangue ou aumentar o consumo de uma vitamina. Ou então pode chegar‐se à conclusão que o indivíduo encontra‐se com um bom estado de saúde nutricional.

Aspectos evolutivos da nutrição das populações humanas

MODIFICAÇÕES ANATÓMICAS

Mudanças na oferta de alimentos parecem ter influenciado fortemente os nossos ancestrais hominídeos. O Homem, para se adaptar a uma alimentação mais variada, teve de sofrer certas modificações anatómicas:  A expansão do nosso cérebro que possivelmente não teria ocorrido se os hominídeos não tivessem adoptado uma dieta suficientemente rica em calorias e nutrientes;  O bipedismo pode também ser visto como uma estratégia na evolução nutricional humana, já que é um padrão de movimento que reduz substancialmente o número de calorias despendidas na colecta de alimentos (o bipedismo é mais económico que o deslocamento quadrúpede em velocidade de marcha);  A extensão dos intestinos delgado e grosso , verificando‐se que o primeiro é relativamente mais extenso do que o segundo. Tais proporções revelam uma adaptação a uma dieta com elevada qualidade nutricional.

PRÁTICAS DE OBTENÇÃO DE ALIMENTOS

Pensa‐se que o primeiro “verdadeiro” foi o Homo erectus. Há 100 000 anos, no Paleolítico, a maioria dos hominídeos viviam como caçadores‐recolectores; caçando animais de pequeno a grande porte, pescando e recolhendo frutos e raízes, entre outros produtos de origem vegetal e em pequenos

podem ser crónicas. A nutrição apesar de actuar sobre os dois tipos, tem um papel fulcral nas doenças crónicas, pois as nossas escolhas alimentares podem aumentar o risco de desenvolvimento de determinadas doenças. O nosso estilo de vida, como a prática de exercício físico e do tabagismo, bem como factores genéticos, podem também determinar quem adoece e quem permanece saudável numa sociedade. Exemplos de doenças causadas pelo excesso de calorias:  Diabetes tipo I e tipo II (deficiente acção da insulina no controlo da quantidade de glicose no sangue);  Problemas cardiovasculares (enfarte do miocárdio, a angina de peito, a aterosclerose e os AVC);  Problemas renais (má capacidade filtradora dos rins);  Colesterol elevado (aumento de colesterol na corrente sanguínea pode ocasionar entupimento de veias e artérias causando o enfarto e derrame);  Gastrite (inflamação na mucosa do estômago, que podemos classificar de aguda ou crónica);  Hipertensão (os níveis de pressão arterial encontram‐se acima dos valores de referência para a população em geral). Sabe‐se que a hipertensão está intimamente relacionada com o stress, em que o stress crónico pode provocar vasoconstrição e aumento do volume sanguíneo;  A obesidade é hoje reconhecida como um problema de saúde pública dominante. É um factor de risco para muitas populações actuais, principalmente dos países desenvolvimentos, no desenvolvimento de doenças como o cancro, doenças do coração, diabetes e hipertensão. De referir que o excesso de peso e a obesidade são definidos em termos dos valores do índice de massa corporal (BMI‐ body mass index), existindo por isso uma relação estreita entre as nossas escolhas alimentares e a propensão para determinadas doenças.

Figura 2 ‐ Relação entre a Hipertensão e o Stress.

Nos últimos anos, o conhecimento acerca da relação entre a genética e as doenças de que sofremos explodiu. De facto hoje sabemos que a maioria das doenças humanas ocorre devido a factores de interacções genéticas, influenciadas sobretudo por factores ambientais, nutricionais e de estilo de vida. Apesar disso, um estudo numa população de cerca de 45000 gémeos demonstrou que os factores ambientais contribuem mais para o desenvolvimento dos mais comuns tipos de cancro do que os factores genéticos. De facto, nos resultados do estudo, conclui‐se que os factores genéticos contribuem com cerca de 27% a 42% para a causa do cancro do intestino grosso, da mama e da próstata. Existem outras doenças potenciadas geneticamente e com influência na nossa nutrição como a deficiência em lactase. A partir de um determinado genótipo, muitos dos indivíduos com actividade reduzida da enzima lactase desenvolvem sistemas de intolerância, depois de consumirem 25 a 50g de lactose.

Finalmente, um facto de que muitos se parecem esquecer é que a nossa dieta influencia a expressão génica, ou seja, a produção de determinadas proteínas. Existem componentes na nossa dieta que podem inibir ou potenciar a expressão de determinados genes, aumentando ou reduzindo drasticamente a produção de determinadas proteínas.

Por isso, estando atentos ao evoluir da ciência e da tecnologia, acutilantes em perceber como os nossos genes podem influenciar o curso de determinadas doenças, aos nossos hábitos alimentares, que se traduzem em factores de excesso ou carência nutricional, pode ser possível prevenir as populações futuras tendo em conta os diversos factores que nos afectam, ao reduzirmos o risco do aparecimento de determinadas doenças e estabelecendo metas para a sua eliminação.