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livro religioso ego transformado
Tipologia: Resumos
Compartilhado em 16/08/2023
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Não perca as partes importantes!




































TIMOTHY KELLER 1
VIDA NOVA
Tim Keller sabe que a liberdade individual só é encontrada quando nos enxergamos do ponto de vista da pessoa e da obra do Senhor Jesus Cristo. Leia este livro e experimente essa liberdade. Paul DavidTripp, presidente do ministério Paul Tripp Ministries
Neste proveitoso livrete, o dr. Keller traça um retrato insti- gante daqueles que são verdadeiramente humildes segundo o evangelho e que estão tão comprometidos com seu Senhor, que se libertaram da necessidade constante de pensar em si mesmos.' Fomos desafiados por essa mensagem e oramos para que o mesmo aconteça aos demais leitores. Christopher e Carolyn Ash, The Cornhill Training Course, Londres
Pequeno, porém grandioso! Um livro verdadeiramente liber tador para todos os que se preocupam com o que as pessoas pensam ou já se viram enredados em algum conflito. Você encontrará uma explicação para sua vida e depois passará a percorrer o caminho da liberdade. Tim Chester, criador e diretor de The Porterbrook Institute
Sumário
A liberdade resultante do autoesqueámento...........
A condição natural do ego h um ano .................... 15
A visão transformada do eu...................................
C om o alcançar uma visão transformada do eu ................................................. 39
Considerações eperguntaspara reflexão...................
A liberdade resultante
do autoesquecimento
Q
uais são as marcas de um coração radicalmente transformado pela graça de Deus? Se confiamos em Cristo, como deve ser o nosso coração? Não es- tou me referindo aqui apenas ao comportamento moral. É perfeitamente possível fazermos uma sé rie de ações moralmente virtuosas quando temos o coração cheio de medo, de orgulho ou de sede de poder. Tenho em vista corações que foram transfor- mados, na raiz, pela graça de Deus — e como isso se.concretizado dia a dia.. Vamos nos concentrar em um trecho da Pri meira Carta de Paulo aos Coríntios (3.21— 4.7).
Portanto, ninguém se jjlorie nos^homens, porque todas as coisas são vossas. Seja Paulo, seja Apoio, seia Cefas. seia o mun do. a vida, a morto, as roisas.presentes, as futuras: todas as coisas são vossas, e vós sois de Cristo, e Cristo, de Deus. Assim.
A UBERDADE RESDLTANTE DO AUTOESQUECIMENTO
Havia divisão em toda a igreja de Corinto, a qual fora fundada por Paulo. Mas, como perce bemos nas referências a Apoio e a Cefas, outros evangelistas estiveram mais tarde na cidade. Con sequentemente, diferentes pessoas desenvolveram vínculos com diferentes ministros de projeção. Assim, um membro da igreja havia sido guiado e discipulado por Paulo, outro havia sido discipula- do e nomeado como líder por Apoio (também um grande mestre) e assim por diante. Em vez de os coríntios se alegrarem por se relacionar com Paulo ou com Apoio, agora se valem desses relaciona mentos como trampolim para um jogo de poder. Surgiram facções, e essas divisões fragmentaram a igreja. Um reivindica o direito de ser líder porque foi discipulado por Paulo, o apóstolo por excelên cia; outro, por ser amigo íntimo de outro mestre importante. E assim por diante. Nessa passagem, Paulo mostra que a £âusa da divisão é o orgulho e a vanglória. Esse é o motivo dos desentendimentos, da falta de paz no mundo e das inimizades entre as pessoas. Observe: o versículo 21 já começa advertindo: “... ninguém se glorie...”. E o texto de 4.7 traz
EGO TRANSFORMADO
a pergunta por que te orgulhas...?”. Observe também o versículo 6, especialmente na adver tência para que ninguém se "... encha de orgulho em favor de um contra o outro”. “Nada de orgulho, nada de vanglória”, diz Paulo. Desse modo, a qualidade que buscamos é a humil- dad|. Isso nos leva a um tema bastante interessan te: o da autoestima. Até o século 20, as culturas tradicionais (assim como a maioria das culturas do mundo) sempre acreditaram que a autoestimq elevada demais era a causa de todos os males da sociedade. O que provoca a maior parte dos crimes e da violên cia? Por que as pessoas são maltratadas? Por que são cruéis? Por que cometem os erros que come tem? A resposta tradicional diria que a culpa era do hubns: palavra de origem grega que significa soberba ou autoestima.elevadã^demais. Tradicio nalmente, era assim que se explicava o mau com portamento das pessoas. No entanto, na sociedade ocidental de hoje, de senvolvemos um consenso cultural totalmente oposto. A base da educação contemporânea, a maneira de tratarmos os encarcerados, o funda
EGO TRANSFORMADO
sobre a autoestima, e todas chegam a essa conclu são. Como ela mesma disse, "... as pessoas com autoestima elevada são mais perigosas àqueles que as rodeiam do que as pessoas com baixa autoesti ma, e estar incomodado consigo mesmo não é a fonte dos maiores e mais sociais de nosso país”. Seria bem interessante explicar como isso acontece, por que acontece e assim por diante. M as, por enquanto, vamos simplesmente concor dar com Slater quando ela diz que precisaremos de muitos anos para aceitar esse fato. A ideia de que a falta de autoestima é motivo para o uso de drogas, para o crime, para o espancamento da própria esposa e coisas do tipo encontra-se pro fundamente arraigada em nossa psique. Slater afirma que levará uma eternidade para essa ideia deixar de existir. A questão, como você percebe, é que a “teoria do mau comportamento como resultado da baixa autoestima” é muito atraente. Não é necessário
!3 Feb. 2002.
A UBERDADE RESULTANTE DO AUTOESQUEGIMENTO
problemas da sociedade. Basta animar as pessoas e ajudá-las a se desenvolver. Nas culturas tradi cionais, para resolver esses problemas, as pessoas eram repreendidas, convencidas do erro e alerta das da sua maldade!* 123 O intrigante sobre esse texto de lCoríntios é que o apóstolo apresenta uma maneira de enten der a autovalorização, uma maneira de enxergar o eu e uma forma de vermos a nós mesmos que é completamente diferente da abordagem das culturas tradicionais e modernas/pós-modernas. Completamente diferente! Paulo revela três coisas nesse texto:
EGO TRANSFORMADO
para orgulho tem o sentido literal de superinfla- do, inchado, distendido além do tamanho normal. Está relacionada ao termo “fole”. É uma palavra bastante sugestiva. Lembra a imagem dolorosa de um órgão humano distendido após receber uma enorme quantidade de ar. Foi-lhe bombeado tanto ar, que o órgão está superinflado e prestes a explo dir. Está inchado, inflamado e expandido além de seu tamanho normal. Paulo afirma que essa é a
Por ser uma metáfora tão sugestiva e inte ressante, devemos analisar o quadro apresentado pelo apóstolo e o que Paulo pretendia ensinar. Tentarei explicar desta forma: a imagem sugere quatro verdades sobre a condição natural do ego humano. Ele é vazio, dolorido, atarefado e frágil.
Em primeiro lugar, vazio. A imagem revela que há um vazio no centro do ego humano. O ego enfatuado e superinflado não tem nada no centro. E oco. Soren Kierkegaard, em seu livro Sickness unto death [Doença que leva à morte], afirma que é normal o coração humano criar sua identida
A CONDIÇÃO NATURAL DO EGO HUMANO
de em torno de algo que não seja Deus.1 Orgulho espiritual é a ilusão de que temos competência, sem Deus, para conduzir a vida, desenvolver nosso pró prio senso de valor pessoal e descobrir um propósito grande o bastante para dar sentido à vida. Segundo Kierkegaard, o ego humano natural é fundamenta do em algo além de Deus. O ego busca algo que lhe dê senso de valor, de singularidade e de propósito, e nisso ele se apoia. E naturalmente, como somos sempre lembrados, se tentarmos colocar qualquer coisa no lugar reservado originaqianiente a Deus, vai sobrar muito espaço. Tudo que colocarmos fi cará chacoalhando lá dentro. Não nos esqueçamos, então, de que o ego humano é vazio.
Em segundo lugar, o ego humano é também dolorido. O ego distendido e superinflado dói. Você já reparou que, quando não há nenhum problema, não prestamos muita atenção ao nos so corpo? Quando fazemos nossas caminhadas, não pensamos em quanto os dedos dos pés estão
'N ew York: Penguin, 1989 [edição em português: O desespero humano (São Paulo: Ed. UNESP, 2010)].
A CONDIÇÃO NATURAL DO EGO HUMANO
Isso acontece porque existe algo muito errado com o ego. Algo errado .com minha identidade, com-a percepção que tenho do meu eu. O ego nunca se sente feliz. Vive chamando a atenção para si.
Assim, em primeiro lugar, o ego é vazio. Em segundo lugar, porque se assemelha a um estôma go dilatado, ele dói. E, em terceiro lugar, p ego é incrivelmente atarefado — ou seja, faz de tudo para ser notado. Vive ocupado tentando preencher o vazio. E é incansável sobretudo em duas tarefas: a comparação e a vanglória. Notamos as duas em ICoríntios. Observe que a frase não termina com a palavra “orgulho”. Paulo não diz “Nenhum de vós se encha de orgulho” e ponto-final. Não, ele diz: “Nenhum de vós se encha de orgulho em. fa- yor de um çontrgm.-outro”. Essa é a própria essên cia do que significa ter um ego humano normal. Na tentativa de preencher o vazio e lidar com. seu desconforto, o ego vive se comparando com outras pessoas. E faz isso o tempo todo. No livro Mere Christianity, C. S. Lewis escre veu um capítulo notável sobre o orgulho. Nele,
EGO TRANSFORMADO
Lewis ressalta que o orgulho é competitivo por definição. Competitividade é o que se acha no âmago do orgulho. -
O orgulho não se satisfaz em ter uma coisa, mas em tê-la em quantidade maior do que os outros. Dizemos que as pessoas se orgulham de ser ricas, espertas ou bonitas, mas isso não é verdade. Elas têm orgulho de ser mais ricas, mais espertas ou mais bonitas que os outros. Se todos fossem igualmente riços, ou inteligentes, ou bonitos, não existiria mo tivojde„ orgulho .■
Em outras palavras, temos orgulho apenas de ser mais bem-sucedidos, mais inteligentes ou mais bonitos do que os outros e, quandcTencontramos alguém mais bem-sucedido, mais inteligente e mais bonito do que nós, o que tínhamos perde a graça. Isso acontece porque não tínhamos alegria verdadeira nessas coisas. Tínhamos apenas orgulho delas. Como Lewis afirma, orgulho é o prazer de
2San Francisco: HarperSanFrancisco, 2001 [edição em português: Cristianismo puro e simples (São Paulo: Martin Fontes, 2005)].
EGO TRANSFORMADO
A resposta era a mesma: — Eu sei, querido, mas isso ia melhorar bas tante seu currículo estudantil. Portanto, durante meu tempo de escola, rea lizei uma infinidade de tarefas pelas quais não tinha o menor interesse. Estava simplesmente preparando um currículo. É isso o que o ego faz o tempo inteiro. Trabalhamos em coisas de que não gostamos, fazemos dietas que detestamos. Realizamos todo tipo de coisas, não pelo pra zer de realizá-las, mas apenas para construir um currículo que impressione. Quando nos compa ramos com os outros e tentamos nos sobressair, estamos nos vangloriando. Com isso, tentamos ser os melhores e desenvolver um currículo que aumente nossa autoestima, uma vez que estamos
to de impotência e vazio. O ego vive ocupado. Ocupadíssimo, o tempo inteiro. Por fim, assim como é vazio, dolorido e atare fado, o ego também í frágil. Isso acontece porque qualquer coisa superinflada corre perigo iminente de estourar: é como uma bexiga que alguém so prou demais e a deixou muito cheia.
A CONDIÇÃO NATURAL DO EGO HUMANO
Se estou dilatado com ar em vez de estar abaste cido com algo sólido, não faz nenhuma diferença se estou superinflado ou desinflado. Complexo de superioridade e complexo de inferioridade são basi camente a mesma coisa. Os dois resultam do fato de que a pessoa estava superinflada. A pessoa com complexo de superioridade está superinflada e corre o risco de ser desinflada; a pessoa com complexo de inferioridade já está desinflada. A pessoa com complexo de inferioridade declara aos outros que se odeia e declara isso também a si mesma. Pessoas assim estão desinfladas. Se a pessoa está desinflada, isso significa que ela já esteve inflada. Desinflado ou em perigo iminente de ser desinflado é a mesma coisa. E, portanto, fragiliza o ego. Vazio, dolorido, atarefado e, portanto, frágil. Tenho um ótimo exemplo disso. Minha inten ção não é, de forma alguma, destruir a imagem dessa artista. Na verdade, ela demonstra bastante autoconsciência, e tenho grande admiração por ela. Um trecho da entrevista que a Vogue fez com Madonna há algum tempo, em que a cantora fala de sua carreira, exemplifica perfeitamente o que estou dizendo: