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Paulo crawford descreve como albert einstein, com apenas 26 anos, completou cinco trabalhos pioneiros em física em seis meses em 1905, revolucionando a física clássica e estabelecendo as bases da física moderna. Este documento aborda as teorias de relatividade restrita e geral, que transformaram nossa compreensão do mundo físico, e a igualdade entre massa inercial e gravitacional, que levou einstein a formular o princípio da equivalência.
Tipologia: Notas de estudo
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Resumo:
No ano de 1905, Albert Einstein então com 26 anos, termina cinco trabalhos notáveis em seis meses, 4 artigos e a uma dissertação de doutoramento, em três áreas distintas da física: os quanta de luz, o movimento browniano e a teoria da relatividade restrita. Desta forma completa o edifício da física clássica e lança as bases de toda a física moderna, influenciando de uma forma definitiva a física que irá ser construída no século XX e no princípio do século XXI.
Na sequência dos trabalhos de 1905, assistimos à criação das duas grandes teorias que revolucionaram a nossa descrição do mundo físico. A primeira destronou os nossos conceitos de espaço e tempo (absolutos), combinando-os naquilo que hoje designamos por espaço-tempo , e que a através da sua curvatura incorpora as propriedades omnipresentes e algo misteriosas do campo gravítico. A segunda, alterou completamente a maneira como compreendemos a natureza da matéria e da radiação, fornecendo-nos uma representação da realidade onde as partículas se comportam como ondas e as ondas como partículas, onde as nossas descrições físicas habituais ficam sujeitas a incertezas essenciais, e onde objectos individuais podem manifestar-se em vários lugares ao mesmo tempo. A primeira destas revoluções é hoje designada Teoria da Relatividade e, a segunda, Teoria Quântica. É notável que um único físico − Albert Einstein − tenha lançado as fundações das duas teorias revolucionárias no mesmo ano de 1905. Se a relatividade restrita pode ser considerada um trabalho com contribuições de vários cientistas, a relatividade geral foi essencialmente o resultado do trabalho de um só: Albert Einstein.
Em 1907, quando ainda trabalhava na Repartição das Patentes de Berna, Einstein teve “o pensamento mais feliz” da sua vida, como ele o designou mais tarde. A igualdade entre a massa inercial e a massa gravitacional só poderia ser uma indicação de uma conexão íntima entre a inércia e a gravidade. A esta conexão entre movimento acelerado e gravidade, Einstein chamou “princípio da equivalência”. Com base neste novo dado acreditou que seria capaz de construir uma teoria que substituiria a teoria da gravidade de Newton, o que só veio a acontecer no final de Novembro de 1915, depois de um mês de intenso trabalho na massacrada cidade de Berlim, onde a maioria dos físicos faziam então parte do esforço de guerra. Quando foram anunciadas em Londres, em Novembro de 1919, que as medidas do encurvamento dos raios luminosos rasando o Sol durante um eclipse solar confirmavam as previsões da teoria da relatividade geral, Einstein tornou-se de um dia para o outro, aos olhos da opinião pública, no maior e mais famoso cientista de sempre, com a popularidade de uma estrela do cinema, cujas opiniões científicas, políticas ou morais eram escutadas com respeito e admiração. E Einstein, que até então tinha tido um envolvimento político relativamente discreto, passou a usar a
sua celebridade nos anos que se seguiram na defesa de várias causas que lhe eram caras, como o pacifismo, o Sionismo e o desarmamento.
Por volta de 1920 Einstein volta-se para uma questão ainda mais ambiciosa: a construção de uma teoria clássica de campo, seguindo o modelo da relatividade geral, mas capaz de unificar o tecido do espaço-tempo (responsável pelos efeitos da gravidade) e o campo electromagnético de Maxwell-Lorentz. Nessa tentativa, em vez de reduzir a estrutura do espaço-tempo à matéria, Einstein procura mostrar como a matéria poderia emergir deste campo unificado. Esta é a tarefa que o absorverá quase em absoluto até ao fim da sua vida em 1955. Hoje reconhecemos que essas primeiras teorias unificadas de Einstein representaram avanços significativos no sentido da unificação que de alguma forma se reflectem nas teorias de supergravidade e de supercordas dos últimos 30 anos. Poderá perguntar-se porquê os trabalhos de Einstein sobre a unificação não tiveram maior sucesso? Alguns sugerem que Einstein teria deixado de seguir a sua intuição física, e teria sido seduzido pelas novidades formais da matemática. Outros admitem simplesmente que Einstein estava à frente do seu tempo, pois mesmo que tivesse seguido a física contemporânea mais de perto, a informação disponível antes da sua morte era claramente insuficiente para que pudesse fazer um progresso significativo no sentido da unificação da física. Einstein esperava que uma teoria unificada pudesse resolver todos os enigmas da teoria quântica. Embora o quadro acual seja muito diferente daquele que existia no tempo de Einstein, pode afirmar-se sem reserva que o seu trabalho realmente inspirou as modernas tentativas de unificação das interacções físicas.
Lisboa, 26 de Abril de 2005