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Uma análise do aumento do consumo de energia elétrica no brasil, discutindo o papel do programa nacional de conservação de energia elétrica e as implicações econômicas e ambientais. O texto inclui informações sobre a redução de consumo obtida desde 1998, a inter-relação entre o desenvolvimento econômico e o consumo de energia, e os maiores consumidores de energia elétrica no país.
Tipologia: Notas de estudo
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Derivados de Petróleo | Capítulo 7
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Capítulo 7 | Derivados de Petróleo
Box 2
A expansão acentuada do consumo de energia, embora possa refletir o aquecimento econômico e a melhoria da qualidade de vida, tem aspectos negativos. Um deles é a possibilidade do esgotamento dos recursos utilizados para a produção de ener- gia (ver capítulos 3 a 9). Outro é o impacto ao meio ambiente produzido por essa atividade. Finalmente, um terceiro são os elevados investimentos exigidos na pesquisa de novas fontes e construção de novas usinas.
Uma das maneiras mais modernas e utilizadas no mundo para conter a expansão do consumo sem comprometer qualidade de vida e desenvolvimento econômico tem sido o estímulo ao uso eficiente. No Brasil, no que concerne à energia elétrica, esse estímulo tem sido aplicado de maneira sistemática desde 1985, quando o Ministério de Minas e Energia (MME) criou o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), de âmbito nacional e coordenado pela Eletrobrás.
Além disso, a legislação também determina que as distribuido- ras de eletricidade destinem 0,25% de sua receita operacional líquida a programas e ações que se caracterizem pela eficiência energética. Para serem implementados, esses programas de- vem ser aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em abril de 2008, a Aneel havia aprovado 279 deles, apresentados por 61 distribuidoras e que, envolvendo investi- mentos de R$ 261 milhões, permitiriam a redução anual de 369 GWh. Com isso, a redução total do consumo obtida com esses programas desde 1998 será de 5.597 GWh por ano, segundo informações divulgadas em setembro de 2008 pela Aneel.
As práticas para estimular o uso eficiente da eletricidade se divi- dem em dois grupos principais: ações educativas da população e investimentos em equipamentos e instalações. As primeiras, também desenvolvidas individualmente pelas distribuidoras, marcaram o início da atuação do Procel, caracterizada pela publicação e distribuição de manuais destinados a orientar os consumidores de diversos segmentos, como residências,
comércio, indústria e setor público, conforme registra o estudo Análise Retrospectiva, constante do Plano Nacional de Energia 2030, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Além disso, o Procel também desenvolveu programa pedagó- gico junto às escolas do ensino fundamental e iniciou projetos e cursos técnicos, com o objetivo de formar profissionais com competência específica em eficiência energética.
Em 1993, em colaboração com o Programa Brasileiro de Eti- quetagem (PBE), coordenado pelo Instituto Nacional de Metro- logia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), foi lan- çado o selo Procel, concedido anualmente para reconhecer a excelência energética do equipamento em relação aos demais disponíveis. O selo Procel ganhou expressividade a partir do racionamento de 2001, quando os consumidores foram obri- gados a se adequar a quotas de consumo mensal. A eficiência energética transformou-se, então, em elemento de marketing da indústria de eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
As distribuidoras também destinam parte dos 0,25% da receita operacional líquida para esses programas educativos. Outra par- te é utilizada na implantação de projetos de eficiência energética. Uma ação que tem sido usual é a doação de lâmpadas eficientes e, em menor escala, a substituição de geladeiras antigas por mo- delos mais novos junto à população de baixa renda durante pro- gramas de regularização das ligações clandestinas. Estas últimas chegam a registrar eficiência até 48% superior à das primeiras.
Uma outra vertente adotada pelas distribuidoras para a aplica- ção compulsória dos recursos é o desenvolvimento de ações específicas para clientes de maior porte. É comum, por exem- plo, essas companhias desenvolverem projetos de iluminação para clientes do poder público e comércio, ou para aplicação na linha de produção no caso da indústria de porte médio (vis- to que os grandes consumidores, ou consumidores eletroin- tensivos, possuem projetos permanentes nesta área, a fim de reduzir o custo dos insumos).
Capítulo 2 | Consumo
da International Energy Agency (IEA), compara os anos de 1973 e 2006. Nesses 33 anos, o consumo mundial aumentou 73% ao passar de 4.672 milhões de tep para 8.084 milhões de tep.
Os números apresentados e os períodos abordados pela BP Global e pela IEA são bastante diferentes entre si. No entanto, as tendên- cias que eles refletem são as mesmas: acentuada expansão, esti- mulada principalmente pelo crescimento econômico dos países em desenvolvimento, particularmente da Ásia e América Latina.
Ao final de 2008, não está claro com que intensidade os seto- res produtivos irião se ressentir da crise que eclodiu no mer- cado financeiro durante o segundo semestre do ano. Assim, a dimensão dos problemas ainda não está suficientemente para permitir projeções mais específicas sobre o nível de atividade econômica e o comportamento do consumo de energia.
Em outubro de 2008, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou uma aguda desaceleração da economia mundial, par- ticularmente nas nações mais desenvolvidas, que teriam cres- cimento próximo a zero pelo menos até meados de 2009. Nas economias em desenvolvimento, como da América Latina, a variação ainda seria positiva, mas recuaria de algo próximo a 5% para a casa dos 3%. No mesmo mês, a IEA também reduziu suas estimativas a respeito do consumo do petróleo. Pelas no- vas projeções da entidade, na média de 2008 esse consumo seria de 86,5 milhões de barris diários (240 mil barris diários a menos que na última estimativa) e, em 2009, de 87,2 milhões de barris diários (440 mil barris diários a menos).
Como ocorre historicamente, em 2007 e 2008 o petróleo res- pondia pela maior parte do consumo primário (fonte a ser transformada em energia mecânica, térmica ou elétrica) de energia do mundo. Em 2007, segundo a BP Global, a aplicação do recurso correspondeu a 3.952 milhões de tep, imediata- mente seguido por carvão (3.177 milhões de tep), gás natural
Tabela 2.1 - Consumo mundial de energia por combustível em 2007 Combustível Mtep Petróleo 3.952, Carvão 3.177, Gás natural 2.637, Hidráulica 709, Nuclear 622, Total 11.099, Fonte: BP, 2008.
(2.637 milhões de tep), hidráulica (709,2 milhões de tep) e nu- clear (622 milhões de tep), como mostra a Tabela 2.1 a seguir.
Tabela 2.2 - Consumo mundial de energia por setor em 2006 (Mtep)
Fontes e consumo (^) MineralCarvão Petróleo Derivados dePetróleo Gás Natural EnergiaNuclear HidrelétricaEnergia Biomassa (^) fontesOutras Total*
Indústria 550,57 4,19 325,35 434,28 - - 187,83 678,24 2.180, Transportes**** 3,78 0,01 2.104,85 71,28 - - 23,71 22,80 2.226, Outros setores 114,21 0,32 471,39 592,90 - - 828,57 930,22 2.937, Usos não energéticos 29,69 6,55 568,72 134,99 - - - - 739, () Outras fontes incluem: Geotérmica, solar, eólica etc. (*) Inclui bunkers marítmos. Fonte: IEA, 2008.
O setor de transportes continuava a responder pelo maior volume consumido de derivados de petróleo (60,5% do total em 2006, segundo as últimas estatísticas da IEA), enquanto a indústria demandava a maior parte da produção de carvão (78,8%). Já o gás natural era utilizado principalmente por residências, agricultura, comércio e serviço público, que em 2006, juntos responderam por 48,1% do consumo mundial total, diante de um consumo industrial de 35,2%. O conjunto desses setores também respondeu pela absorção do maior volume de energia elétrica no período (56,7%), imediatamen- te seguido pela indústria (41,6%).
Quando considerado o volume total de energia fornecido, qual- quer que seja a fonte, o grupo formado por residências, agricultu- ra, comércio e serviço público se constitui no maior consumidor, responsável pela absorção de 2.937 milhões de tep em 2006. Na seqüência vêm transportes, com 2.226 milhões de tep, e indústria, com 2.180 milhões de tep, como mostra a Tabela 2.2 abaixo.
Consumo | Capítulo 2
Os 30 países desenvolvidos que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) 1 são, historicamente, os maiores consumidores mundiais de ener- gia. Sua participação no total mundial, porém, tem recuado ao longo do tempo. Já nos países em desenvolvimento, a
participação relativa, ainda que em alguns casos seja pouco expressiva, como na América Latina, registrou aumento acu- mulado superior a 100% nas últimas três décadas. A Figura 2. abaixo mostra os diferentes volumes de consumo de energia primária per capita nas diversas regiões do mundo.
consumo de energia elétrica per capita 2007 (tep) 0,0 a 1, 1,5 a 3, 3,0 a 4, 4,5 a 6,
6,
Figura 2.1 - Consumo de energia elétrica per capita em 2007. Fonte: BP, 2008.
Essa disparidade é explicada pela estrutura econômica e so- cial de cada um dos dois grupos. Os países que compõem o primeiro são caracterizados por uma economia relativamente estável, em que não há espaço para aumentos acentuados na produção industrial ou no consumo de bens que pressionam a absorção de energia, como automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Em sociedades mais estruturadas e ricas, a maior parte da população conseguiu adquiri-los ao longo da segunda metade do século XX.
Além disso, para a produção industrial, os países desenvolvidos tendem a utilizar, com maior freqüência, equipamentos ener- geticamente eficientes que, ao longo do tempo, passaram a
requerer menor volume de energia para se manter em opera- ção. Finalmente, eles também deixam, aos países em desenvol- vimento, a realização de atividades que consomem muita ener- gia, como é o caso da siderurgia e produção de alumínio (ou a chamada indústria energointensiva). As variações do consumo de energia, portanto, são suaves, quando não decrescentes.
Na França e Alemanha, por exemplo, o consumo total de ener- gia primária recuou, respectivamente, 2,1% e 5,6% entre 2006 e 2007, segundo o estudo da BP Global. No mesmo período, o PIB desses países teve evolução de 1,9% e 2,5%. Também na comparação entre 2006 e 2007, o consumo nos Estados Unidos aumentou apenas 1,7%, enquanto a economia cresceu 2,2%.
1 Os países da OCDE relacionados pela IEA são: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Coréia, Luxem- burgo, México, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, República Eslovaca, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
Consumo | Capítulo 2
2006
1973
%
0
10
20
30
40
50
60
11,
20,
Eletricidade
2,9^ 3, Biomassa
18,2^ 18,
Gás Natural
51,
56,
Petróleo
3,
10,
Carvão
0,8^ 1, Outros
Gráfico 2.2 - Participação das diversas fontes de energia no consumo (1973 e 2006). Fonte: IEA, 2008.
Gráfico 2.3 - Participação das diversas regiões do mundo no consumo de energia em 1973 e 2006. Fonte: IEA, 2008.
Países em desenvolvimento
Em 2007, a participação da China no mercado mundial de ener- gia aumentou 5,3%. Nesse ano, ao absorver 1.863 milhões de tep (aumento de 7,7% sobre o ano anterior), o país foi o segundo do ranking mundial, só superado pelos Estados Unidos. Segundo o estudo da BP Global, a China registra uma tendência ininterrupta de aumento do consumo energético desde 1998, quando absor- veu 917,4 milhões de tep. Isto significa que, em 10 anos, o consu- mo mais que dobrou, apresentando variação de 103%. A maior fonte de energia é o carvão, o que transforma a China em um dos grandes emissores mundiais de CO 2 e outros gases causadores do efeito estufa. O país tem buscado a diversificação da matriz, ao investir na expansão das usinas hidrelétricas (para detalhes, ver capítulo 3). Mas, entre 2006 e 2007, o volume do carvão con- sumido apresentou variação de 7,9%, ao passar de 1.215 milhões de tep para 1.311 milhões de tep.
Embora a China seja o exemplo mais expressivo em termos de crescimento do consumo de energia, outros países e regiões em desenvolvimento registraram comportamento semelhante ao longo dos últimos anos. A diferença é que, por serem econo- mias menores – e, portanto, absorverem um volume menor – as elevadas variações exercem menor pressão na oferta global. Em 2007, o Equador, por exemplo, registrou uma variação de 8% no consumo, mas, ainda assim, respondeu por apenas 0,1% do total mundial. O Brasil respondeu por 2% do consumo mundial.
Por regiões, a participação da Ásia, descontando-se a China, aumentou de 6,5% para 11,5% de 1973 a 2006, segundo a IEA. Na América Latina, a variação foi de 3,7% para 5,1%. A África também registrou um expressivo aumento de participação, de 3,8% para 5,6%, como mostra o Gráfico 2.3 a seguir.
2006
1973
%
0
10
20
30
40
50
60
70 60,
7,
47,
15 6,
11,5 12,5^ 8, 3,8 5,6^ 3,7 5,1^ 0,9 4,3^ 2,6 2,3 (^) 1,5 (^) 0,
Rússia Oriente Médio Países europeus fora da OCDE
China Ásia África América Latina marítimos
OCDE Bunkers
Capítulo 2 | Consumo
Dos chamados membros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e Chi- na), entre 2006 e 2007 apenas Rússia permaneceu com o volume consumido relativamente estável (0,6%, segundo a BP Global). Este país apresentou crescimento ininterrupto de consumo desde 2001, acumulando, até 2007, uma varia- ção de 9,7%. Na Índia, onde o consumo aumentou 55% em 10 anos, a variação entre 2006 e 2007 foi de 6,8%. No Brasil, de 6,2%, segundo o Balanço Energético Nacional de 2008, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (para de- talhes, ver tópico 2.3).
Quanto à modalidade de energético mais consumido, está diretamente relacionada à facilidade de acesso aos recursos primários em cada localidade. Na China e na Índia, o energé- tico mais consumido foi o carvão. Na Rússia, o gás natural. No Brasil, em 2007, a produção de usinas hidrelétricas e de- rivados de petróleo.
Além do desenvolvimento econômico, outra variável que de- termina o consumo de energia é o crescimento da população
Ainda assim, a tendência do consumo de energia no período foi de crescimento: 13,93%. A exemplo do que ocorre no mercado mundial, também neste caso o movimento pode, portanto, ser atribuído principalmente ao desempenho da economia. O Pro- duto Interno Bruto do país, no mesmo período, registrou um crescimento acumulado de 14,72%, conforme dados do Ipea.
A série histórica constante do Balanço Energético Nacional de 2008, do Ministério de Minas e Energia, mostra, aliás, que em todo o período que vai de 1970 a 2007, de uma maneira geral a tendência tem sido de expansão do consumo global de energia (o que abrange derivados de petróleo, gás natural, energia elé- trica, entre outros). De 1990 a 2007, o crescimento acumulado foi de 69%, com o consumo total passando de 127,596 milhões de tep para 215,565 milhões de tep.
Nem mesmo em 2001, ano marcado pelo racionamento de energia elétrica, o consumo global de energia registrou re- cuo: passou de 171,949 milhões de tep para 172,186 milhões de tep (aumento de 0,14%), acompanhando a taxa de cresci- mento do PIB nacional, de 1,3%. Mas, este comportamento foi beneficiado pela utilização de outros tipos de energia, visto que o consumo de energia elétrica registrou uma que- da de 6,6% em 2001.
De acordo com o BEN 2008, os derivados de petróleo eram os principais energéticos utilizados no país em 2007 – um com- portamento verificado ao longo dos últimos anos. Se somados óleo diesel, gasolina e GLP (gás liquefeito de petróleo), o con- sumo atingiu 76,449 milhões de tep, diante de um consumo total de 201,409 milhões de tep. Foi muito superior, portanto, ao da energia elétrica que, ao atingir 35,443 milhões de tep, registrou aumento de 5,7% em relação ao total de 2006, de 33,536 milhões de tep.
É interessante notar, porém, que enquanto gasolina automo- tiva registrou recuo de 1,0% entre um ano e outro, o consumo de etanol aumentou 34,7% ao passar de 6,395 milhões de tep para 8,612 milhões de tep. Etanol e bagaço de cana foram, in- clusive, os grupos a registrar maior variação no período, como mostram a Tabela 2.3 abaixo e o Gráfico 2.4 a seguir, o que justi- fica a consolidação da cana-de-açúcar como segunda principal fonte primária para produção de energia no país.
Tabela 2.3 - Consumo final energético por fonte (10^3 tep) Fonte 2006 2007 Variação % Eletricidade 33.536 35.443 5,7% Óleo diesel 32.816 34.836 6,2% Bagaço de cana 24.208 26.745 10,5% Lenha 16.414 16.310 -0,6% Gás natural 13.625 14.731 8,1% Gasolina*^ 14.494 14.342 -1,0% Álcool etílico 6.395 8.612 34,7% Gás liquefeito de petróleo 7.199 7.433 3,2% Outras fontes **^ 39.887 42.957 7,7%
Capítulo 2 | Consumo
Tabela 2.4 - Evolução do consumo final energético por fonte (10^3 tep) Identificação 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Gás natural 4.196 4.305 4.893 6.384 7.552 9.202 10.184 11.448 12.663 13.625 14. Carvão mineral 2.101 2.084 2.525 2.841 2.759 3.016 3.294 3.594 3.519 3.496 3. Lenha 12.919 13.296 13.500 13.627 13.699 14.390 15.218 15.752 16.119 16.414 16. Bagaço de cana 16.674 16.684 16.687 13.381 15.676 17.495 19.355 20.273 21.147 24.208 26. Lixívia 1.946 2.069 2.246 2.291 2.280 2.456 2.976 3.144 3.342 3.598 3. Outras recuperações 436 460 641 709 775 804 904 874 907 709 761 Gás de coqueria 1.382 1.320 1.155 1.247 1.219 1.178 1.259 1.342 1.328 1.289 1. Coque de carvão mineral 6.695 6.538 5.829 6.506 6.327 6.673 6.688 6.817 6.420 6.137 6. Eletricidade 25.333 26.394 27.144 28.509 26.626 27.642 29.430 30.955 32.267 33.536 35. Carvão vegetal 4.379 3.986 4.401 4.814 4.409 4.609 5.432 6.353 6.248 6.085 6. Álcool etílico 6.910 6.783 6.798 5.820 5.377 5.776 5.794 6.445 6.963 6.395 8. Outras secundárias - alcatrão 97 58 78 77 75 78 38 50 37 48 56 Subtotal derivados de petróleo 69.157 71.303 70.918 71.450 71.869 71.210 69.049 71.177 71.726 72.706 76. Óleo diesel 27.569 28.541 29.084 29.505 30.619 31.694 30.885 32.657 32.382 32.816 34. Óleo combustível 12.301 11.997 10.544 9.500 8.469 8.239 7.223 6.513 6.574 6.126 6. Gasolina 14.215 14.834 13.828 13.319 13.051 12.468 13.162 13.607 13.638 14.494 14. Gás liquefeito de petróleo 7.116 7.335 7.661 7.844 7.742 7.402 6.996 7.182 7.121 7.199 7. Nafta 4 4 4 4 4 4 0 0 0 0 0 Querosene 2.931 3.202 2.988 3.180 3.286 3.161 2.221 2.369 2.578 2.401 2. Gás canalizado 108 111 94 85 35 26 0 0 0 0 0 Outras secundárias de petróleo 4.914 5.279 6.715 8.014 8.664 8.216 8.562 8.848 9.433 9.670 10. Total 152.226 155.280 156.815 157.657 158.643 164.530 169.622 178.221 182.687 188.245 201.
Fonte: MME, 2008.
As diferenças regionais, principalmente relacionadas ao ritmo de atividade econômica – que, em alguns casos, provoca flu- xos migratórios – e à disponibilidade da oferta de eletricidade também interferiram nos volumes de energia elétrica absor- vidos no país. Assim, embora a região Sudeste/Centro-Oeste, mais industrializada e com atividade agropecuária bastan- te ativa, continue a liderar o ranking dos consumidores, nas demais regiões a evolução do consumo tem sido bem mais acentuada. A Figura 2.2 na página seguinte mostra o consu- mo de energia elétrica por região em 2007.
É possível constatar, pela série histórica produzida pelo ONS, que de 1988 a 2007 o volume absorvido pela região Sudeste/Centro- Oeste aumentou 83,71%. Na região Norte, porém, a variação foi de 184,51%, no Nordeste, de 130,79% e, no Sul, 128,53%.
O caso da região Norte ilustra como a oferta local é um ele- mento importante no impulso ao consumo. Segundo a EPE, a absorção de energia na região foi incrementada a partir dos anos 70, em função de dois fatos marcantes: a criação da Zona Franca de Manaus e a entrada em operação da usina hidrelétri- ca Tucuruí, no Rio Tocantins, em fins de 1985, o que favoreceu a instalação de indústrias de alumínio na região. Em 1970, essa região consumiu 466 GWh (gigawatts-hora). Em 1990, 12. GWh. Em 2007, 30.455 GWh.
Já o caso do Nordeste é ilustrativo do impacto da geração de ren- da no consumo de energia elétrica. Em maio de 2008, a EPE detec- tou que, pela primeira vez, o volume de energia elétrica requerido pelas residências dessa região (que abriga 28% da população na- cional) ultrapassou o da região Sul (15% da população nacional).
Consumo | Capítulo 2
evolução do número de domicílios atendidos, em função do Pro- grama Luz para Todos, também do Governo Federal.
Por setores, o industrial, como ocorre tradicionalmente, conti- nuou a liderar o ranking dos maiores consumidores de energia elétrica, com a aplicação de 192.616 GWh em 2007. Este setor se caracteriza, também, por ser o principal abrigo de uma ten- dência que tem evoluído nos últimos anos: a autoprodução de energia, ou investimentos realizados por consumidores de grande porte em usinas geradoras para suprimento próprio e venda do excedente em mercado. Conforme série histórica constante do BEN 2008, em 1992 essa atividade foi responsá- vel pelo consumo de 13.020 GWh. Em 2007, por 47.138 GWh. Em 15 anos, a variação acumulada foi, portanto, de 262%.
A linha divisória dessa expansão concentra-se nos últimos cin- co anos da década de 90, quando os investidores foram esti- mulados pela constituição do mercado livre de energia elétrica (ver capítulo 1), no qual poderiam negociar os excedentes – ou eletricidade produzida, mas não consumida. Em 1995, a quan- tidade produzida foi de 14.923 GWh, volume 14,6% superior ao de 1992. Em 1998, ano de constituição do mercado livre, atin- gia 20.583 GWh, volume 37,9% superior ao de 1995.
Outro setor que se destaca pelo volume absorvido aliado ao acentuado crescimento é o residencial. Em 2007, ele absorveu 90.881 GWh, quantidade muito inferior à registrada pela indús- tria, mas, ainda assim, o segundo maior do país. No setor comer- cial o consumo foi de 58.535 GWh, no público, de 33.718 GWh, agropecuário, 17.536 GWh, e transportes, 1.575 GWh, como mos- tra o Gráfico 2.6 abaixo. Nos últimos anos, o setor também tem se caracterizado pela acentuada variação dos volumes consumidos.
Consumo total: 435.684,43 GWh
30.455,45 GWh
63.480,58 GWh
270.203,96 GWh
71.544,44 GWh
Nos 12 meses concluídos em maio de 2008, o consumo residen- cial de eletricidade no Nordeste atingiu 15,4 mil GWh, enquanto na região Sul ficou em 15 mil GWh. A diferença, embora pequena, indica uma tendência consistente, que começou a se configurar no final do ano de 2007. Segundo a EPE, está alicerçada tanto na expansão do consumo médio por domicílios, em função do au- mento de renda e de programas sociais de transferência de recur- sos do Governo Federal (em especial o Bolsa Família) quanto na
Figura 2.2 - Consumo de energia elétrica por região em 2007. Fonte: ONS, 2008.
Gráfico 2.6 - Consumo de energia elétrica por setor no Brasil em 2007. Fonte: BEN, 2008.
0
50
100
150
200
250
300
350
400
(^450) 412,
Consumo final energético
17, Setor Energético
90,
Residencial
58,
Comercial
33,
Público
17, Agropecuário
1, Transportes
192,
Industrial
TWh