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A história do desenvolvimento da engenharia de projetos no brasil, a partir dos anos 70, quando surgiu a necessidade de atender a demanda crescente do mercado químico e petroquímico. Descreve o ambiente fértil que atraiu profissionais, principalmente da área de engenharia, e o consenso de que o brasil não podia se desenvolver sem uma engenharia competente e independente do exterior. Além disso, discute os desafios atuais da indústria, como a redução de custos que levou as indústrias a desfazer de seus profissionais de processo e a falta de sintonia entre contratante e contratado para realização de projetos básicos e de detalhamento.
Tipologia: Notas de estudo
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WBS GERENCIAMENTO E EMPREENDIMENTOS LTDA. Rua Frederico Simões, 98 – 16º andar, Ed. Advanced Trade Center – Pituba CEP: 41.820-774 Salvador – Bahia Fone: (71) 3273-7500 Fax: (71) 3273-
Ápice e queda da engenharia de projetos no Brasil A engenharia de projetos se desenvolveu no Brasil a partir dos anos 70, onde empresas como a Natron, Promon, Jaakko Poyry, Cenpes-Petrobras dentre outras, de forma a atender a crescente demanda do mercado químico, e em particular do mercado petroquímico, tiveram um ambiente fértil na atratividade de profissionais, principalmente das universidades. Havia o consenso nos setores empresariais de que o Brasil não poderia se desenvolver sem uma engenharia competente e sem independência do exterior. Aliás, nessa época comprar serviços de engenharia fora do Brasil era quase considerado um crime contra a nação. Os jovens “sentiam” que trabalhar em empresas de engenharia desenvolvendo projetos básicos e de detalhamento, era uma atividade nobre altamente valorizada pelo mercado. Contudo nessa época, e atualmente, o Brasil não adquiriu competência para desenvolver tecnologia, com raras e honrosas exceções, como Embraer, Emprapa e Cenpes-Petrobras. Normalmente os melhores alunos eram direcionados para projetos. Não havia barreiras para a entrada no mercado de trabalho para os jovens recém formados. Não era impedida a participação deles em projetos, quaisquer que fossem. Pelo contrário, havia incentivo. As empresas contratantes delegavam ao mercado a responsabilidade da capacitação dos traineers , que aprendiam com os profissionais seniors já treinados por outros. Engenharia de projetos somente se desenvolve em trabalho on-the-job. Foi assim comigo na Promon e com diversos colegas, a maioria hoje já prestes a saírem do mercado de trabalho desiludidos, ou fazendo juz a merecidas aposentadorias. Em paralelo as empresas estavam sendo criadas “dentro desse espírito”. Em particular, nos Pólos Petroquímicos que surgiam, o modelo era tripartite: governo (Petroquisa) + iniciativa privada, + sócio-estrangeiro). As empresas adquiriam tecnologia do sócio estrangeiro, que incluía treinamentos no know-how adquirido, que incluía estágios fora do Brasil. Por sua vez, a Petrobras anualmente selecionava estudantes nas universidades e investia em treinamentos específicos. Havia o consenso de que era fundamental o conhecimento do know-how , não somente para possibilitar alcançar a melhor performance operacional possível, como para permitir a otimização dos processos. Muitas empresas criaram plantas pilotos e centros de pesquisas para desenvolvimento e melhoramento de seus processos. Os jovens enxergavam o reconhecimento que era dado à engenharia, inclusive em termos salariais. A concorrência nos exames vestibulares era grande. A relação número de candidatos versos número de vagas era alta O ambiente criado era de respeito e de suporte técnico das empresas contratantes para com as empresas de engenharia de projeto. Ambas sabiam que dependiam uma da outra. Havia o reconhecimento pelos contratantes de um ranking quase que natural para as empresas de engenharia de projetos. Não passava pela cabeça de ninguém comprar engenharia de qualquer um. Havia o reconhecimento e a valorização da engenharia nos projetos. Cenário atual - Epílogo da engenharia de projetos no Brasil Atualmente o cenário é completamente diferente. Visando reduzir custos, as indústrias desfizeram de seus profissionais de processo, mantendo apenas alguns poucos como responsáveis para conduzir projetos de otimização, ou de ampliação, quase sempre sem o necessário preparo técnico sobre projetos. Passou a ser raro o envio de profissionais
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para estágios fora do País. Passou a ser raro o real entendimento do escopo para os projetos por parte dos contratantes. Em consequência, deixou de haver sintonia entre contratante e contratado para realização de projetos básicos e de detalhamento. As empresas contratantes, por não terem mais equipes para gerenciar os projetos, passaram a contratar projetos sem a necessária clareza do escopo, e cada vez mais com integração dos itens referentes a serviços. Tem sido cada vez mais comum licitações na modalidade EPC (Engenharia, Procurement e Construção), apenas com base em um projeto conceitual incompleto, e deixando para o contratante a definição do escopo do projeto. Como as empresas “epecistas” são quase todas montadoras, elas também não enxergam que recebem para cotação um escopo incompleto. No final a culpa pelos não cumprimentos de prazo, custo e qualidade são atribuídos á engenharia de projetos. Nas indústrias, poucas são aquelas que possuem engenheiros dedicados a otimizar os processos. Na maioria delas o foco de economia são as reduções de custos administrativos (telefonia, transporte, corte de pessoal, ou melhor de cabeças pensantes, etc). Hoje nos deparamos com uma situação que chega ao absurdo. Para as indústrias faltam engenheiros, e ao mesmo tempo nossos jovens não enxergam facilidades para um engenheiro entrar no mercado de trabalho. Não é fácil se conseguir vaga para estágios durante a graduação. Por sua vez, nas empresas de engenharia de projetos os engenheiros recém formados tem dificuldade para trabalhar em projetos para a Petrobras. As licitações da Petrobras exigem que, no mínimo, os profissionais possuam 2 (dois) anos de experiência, e em muitas licitações um tempo de experiência ainda maior. Como poderá ser o início de carreira de em engenheiro? Ninguém nasce com experiência. A engenharia se desenvolveu no Brasil na década de 70, porque houve ambiente propício, e não houve barreiras que impedisse a entrada e formação de mão de obra. Cabia às empresas contratantes montar seus quadros técnicos mesclando profissionais experientes com os jovens. Os jovens sabem das dificuldades de entrar no mercado de trabalho nas empresas de engenharia de projetos, e cada vez mais se desinteressam pela engenharia. Estamos no sentido inverso dos países em desenvolvimento. Segundo dados publicados na revista IEL Interação, ano 19, no^ 210, junho/julho/agosto 2010, no ano de 2007, de 120 mil estudantes que ingressaram nos cursos de engenharia no Brasil, somente 32 mil concluíram o curso, por diversas razões. Apesar de haver crescimento anual do número de engenheiros formados, há déficit crescente. Segundo o assessor da diretoria da Confederação Nacional da Indústria, Marcos Formiga, em artigo publicado nessa mesma revista, esse número precisaria ser de 60 mil engenheiros, considerando o crescimento da economia de 5% a 6%. Segundo o Censo da Educação Superior, e divulgado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (ver artigo publicado no jornal Folha de São Paulo no dia 15/07/2010, folha B2), em 1999 5,9% dos formandos eram engenheiros. Em 2008 esse número caiu para 5%. Segundo o MEC, o perfil da formação dos engenheiros no Brasil está mudando. Em 1999 setores tradicionais de engenharia (elétrica, civil, química, etc) concentravam 53% dos profissionais. Em 2008 a procura caiu para 31%. Esse mesmo artigo alerta que o Brasil ocupa a última posição na formação de engenheiros, conforme mostrado nas tabelas 1 e 2.