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Ethernet - Ethernet
Tipologia: Notas de estudo
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A imensa maioria das redes locais no mundo utiliza a tecnologia Ethernet. Inicia- mos a breve apresentação dessa tecnologia perguntando: qual é o problema que a Ethernet tenta resolver? Em 1973, quando Bob Metcalfe da Xerox inventou a Ether- net, sua motivação era conectar estações de trabalho avançadas entre si e com im- pressoras laser em alta velocidade. Nessa época, conexões entre computadores eram possíveis, mas utilizando apenas baixas taxas de transmissão. A revolução proporcionada pela invenção de Metcalfe foi permitir a comunicação em alta velo- cidade, a um custo relativamente baixo. Por “alta velocidade”, entende-se uma taxa de transmissão maior que 1 Mbps, considerada alta na época. Hoje, é corriqueiro utilizar Ethernet a velocidades de 100 Mbps e 1 Gbps (1000 Mbps) e a versão com velocidade de 10 Gbps está no forno. Por outro lado, o atributo de alta velocidade da tecnologia impôs uma restrição de alcance: só seria possível conectar equipamentos que estivessem distantes um do outro de, no máximo, algumas centenas de metros. Nascia a Rede Local.
Embora os princípios de operação sejam os mesmos, existem muitas variações da tecnologia Ethernet. Três necessidades levaram à existência dessas variações: maior velocidade , melhor facilidade de uso e padronização. Analisaremos mais detalhada- mente as variações da tecnologia Ethernet numa seção posterior; por enquanto, ex- pliquemos as forças que motivaram o aparecimento das variações. Três Mbps (a velocidade original da Ethernet de Metcalfe) era considerada uma velocidade alta em 1973, mas o crescimento do uso de redes fez com que velocida-
Entendendo Ethernet
des cada vez maiores fossem necessárias para carregar o tráfego de aplicações mo- dernas. Hoje em dia, usuários navegam na Internet, participam de videoconferênci- as, recebem fluxos de áudio etc., necessitando de maior velocidade nas redes locais. Um outro exemplo demonstra claramente a necessidade de redes locais de maior velocidade: a tecnologia de discos mudou muito de 1973 para cá. Há trinta anos, o acesso a um disco remoto teria como gargalo a velocidade do próprio disco. Hoje, os discos são muito mais rápidos e o acesso a um disco remoto satura uma rede de 10 Mbps, velocidade ainda largamente utilizada em redes locais. Ao longo das últi- mas três décadas, a tecnologia Ethernet tem sido oferecida em velocidades de 1Mbps, 3 Mbps, 10 Mbps, 100 Mbps e 1 Gbps (1000 Mbps). Parcialmente em con- seqüência do aumento de velocidade, várias mídias físicas têm sido utilizadas para carregar tráfego Ethernet: cabos coaxiais grossos, cabos coaxiais finos, vários tipos de pares trançados e fibra óticas.
A segunda força que impeliu mudanças na tecnologia Ethernet diz respeito à fa- cilidade de uso e custo. O Ethernet original usava um cabo coaxial grosso com duas desvantagens: primeiro, era de difícil instalação; segundo, o cabo coaxial corria de equipamento em equipamento, fazendo com que qualquer interrupção no cabo re- sultasse na parada total da rede inteira. Para mitigar esses efeitos, outras mídias fo- ram utilizadas. Primeiro o cabo coaxial fino, facilmente dobrável, resolveu a ques- tão de instalação. Segundo, para resolver a questão de interrupção na mídia, cri- ou-se um equipamento chamado repetidor, ao qual todos os equipamentos se co- nectariam através de um par trançado. Dessa forma, a interrupção de sinal em um par trançado só afetaria a comunicação com um equipamento e não na rede inteira. Para possibilitar velocidades mais altas, várias “categorias” de pares trançados po- dem ser utilizadas. Finalmente, a mídia de fibra ótica foi introduzida para permitir maiores distâncias, maiores velocidades e devido à sua imunidade a ruídos.
A terceira força motriz da mudança na tecnologia Ethernet é a padronização. A Xerox patenteou Ethernet em 1978. Porém, para promover seu uso mais massifica- do, a Xerox se aliou à DEC e à Intel em 1980 para formar o padrão Ethernet de 10 Mbps chamado “DIX”. Num esforço paralelo, o IEEE estava, na mesma época, pa- dronizando tecnologias de redes locais e metropolitanas sob o número 802. A tec- nologia Ethernet foi padronizada em 1985 pelo IEEE sob padrão número 802.3. Infelizmente, o padrão DIX e o padrão IEEE 802.3 são ligeiramente diferentes. Com o tempo, outros padrões foram criados para acomodar velocidades crescentes e mí- dias variadas. Numa seção posterior, discutiremos a questão das variações do Ethernet mais detalhadamente.
Esta seção descreve alguns princípios de operação da tecnologia Ethernet. Tais princípios serão de valia para o administrador de rede na sua tarefa diária de geren- ciar redes locais.
Entendendo Ethernet 2
64 bits 48 bits 48 bits 16 bits 46 a 1500 bytes 32 bits
Preâmbulo Endereço destino
Endereço de origem
Tipo Dados Sequência de verificação de quadro
FIGURA A1-1: O quadro Ethernet.
O conhecimento da organização do quadro não é importante para o adminis- trador de rede. Nosso objetivo é de destacar os seguintes pontos:
n (^) O quadro contém os endereços físicos (MAC) das estações de origem e de des- tino do quadro. Portanto, Ethernet estabelece comunicação quadro-a-quadro, sem necessidade de estabelecer conexões prévias entre as estações. n (^) Ao transportar pacotes IPv4, o campo “Tipo” receberá o valor hexadecimal 0x0800; para IPv6, o tipo é 0x86DD; para ARP, é 0x0806. Outros valores possíveis podem ser verificados em http://www.iana.org/assignments/ether- net-numbers. n (^) O tamanho mínimo do quadro (sem incluir o preâmbulo) é de 64 bytes e o ta- manho máximo é de 1518 bytes. n (^) O quadro possui um campo de verificação (chamado Frame Check Sequence - FCS ou Cyclic Redundancy Check - CRC), que permite que a estação destino detecte erros na transmissão. Ethernet utiliza um protocolo (MAC) do tipo “melhor esforço”, o que significa que, embora detecte erros, sua recuperação é deixada para protocolos de níveis superiores (TCP, por exemplo).
Conceitualmente, uma rede Ethernet simples consiste de um barramento único que todas as estações querem acessar para realizar suas transmissões.^2 Como esse meio é único e compartilhado, apenas uma estação pode transmitir (a comunicação é half-duplex ). Deve, portanto, haver uma forma de organizar os acessos tal que cada estação possa, eventualmente, transmitir um quadro. O protocolo que realiza esse controle chama-se Media Access Control (MAC). Ethernet usa um mecanismo bastante simples para realizar o acesso; esse meca- nismo recebeu o nome de Carrier-Sense Multiple Access with Collision Detection (CSMA-CD) ou Acesso Múltiplo Usando Detecção de Portadora e Detecção de Co- lisão e funciona da seguinte maneira: quando uma estação^3 quer transmitir infor- mação no meio compartilhado, ela espera até verificar que a portadora do meio está
Entendendo Ethernet 4
(^2) Discutiremos redes Ethernet mais complexas mais adiante neste capítulo. (^3) Na realidade, é a placa de rede, ou Network Interface Card – NIC, da estação que implementa o protoco- lo MAC.
ausente; isso indica que ninguém está transmitindo neste momento. Ela então ini- cia sua transmissão. Como outra estação pode ter tomado a mesma decisão, é possí- vel que haja uma colisão , em que as transmissões interferem uma com a outra, em- baralhando a informação no meio. Cada estação detecta a colisão e pára de transmi- tir. As estações esperam, então, um certo tempo aleatório antes de tentar novamen- te. Eventualmente, cada estação poderá transmitir sem interferência das demais. É importante observar que colisões são eventos absolutamente normais numa rede Ethernet, embora um excesso de colisões possa diminuir sensivelmente o de- sempenho da rede.
O protocolo CSMA-CD descrito na seção anterior permite acesso múltiplo ao meio, resultando em comunicação half-duplex : não há transmissões simultâneas no meio. Sob certas circunstâncias, é possível operar em modo full-duplex , com duas estações transmitindo simultaneamente. Isso é possível sempre que a configuração da rede permitir que no máximo duas fontes possam transmitir no meio ao mesmo tempo. A Figura A1-2 mostra situações como isso pode ser assegurado.
FIGURA A1-2: Comunicação full-duplex.
Nos três casos exibidos na figura, o enlace estabelece uma comunicação pon- to-a-ponto entre equipamentos. Observe que nenhum repetidor pode estar envol- vido, já que este permitiria que mais de uma estação transmitisse no meio com- partilhado.
5 Melhores Práticas para Gerência de Redes de Computadores
Estação de Trabalho Estação de Trabalho
Estação de Trabalho
Comutador
Comutador Comutador
Comunicação full-duplex
Devido à existência de hardware antigo, ocorrem casos em que um lado, diga- mos o lado A, oferece suporte à autonegociação enquanto o outro lado, digamos o lado B, não tem tal suporte. Nesse caso, A perceberá que B não está fazendo autone- gociação e passará a fazer detecção paralela. Neste mecanismo, A descobre a veloci- dade de B e obrigatoriamente escolhe o modo de operação half-duplex. Dois proble- mas associados à detecção paralela ocorrem na prática:
Vários sistemas de mídia têm sido padronizados pelo IEEE ao longo dos anos. Nem todos são usados na prática, mas pelo menos seis padrões diferentes são importan- tes numa rede típica. Os padrões variam de acordo com:
n (^) A velocidade da transmissão; n (^) O tipo de codificação do sinal utilizado; n (^) O tipo de mídia utilizado; n (^) O tipo de conector utilizado.
As velocidades em uso hoje incluem: n (^) 10 Mbps (Ethernet original); n (^) 100 Mbps (Fast Ethernet); n (^) 1000 Mbps ou 1 Gbps (Gigabit Ethernet).
As codificações do sinal incluem: n (^) Manchester; n (^) 4B/5B; n (^) 8B6T;
7 Melhores Práticas para Gerência de Redes de Computadores
n (^) 5B/6B;
n (^) 8B/10B;
n (^) 4D-PAM5.
As mídias incluem: n (^) Cabos coaxiais (raramente utilizados hoje, embora fossem comuns no início da vida da tecnologia Ethernet); n (^) Pares trançados de várias categorias, as mais comuns sendo Cat 3 ( Voice Gra- de – ou “feitos para voz”), Cat 5 e Cat5e. É o tipo de mídia mais comumente utilizado para chegar ao desktop ; n (^) Fibras óticas monomodo ou multímodo, mais comumente utilizadas na es- pinha dorsal ( backbone ) da rede.
Os conectores mais utilizados são: n (^) RJ-45, para par trançado;
n (^) ST e SC, para fibras óticas.
Podemos agora descrever brevemente os tipos mais comuns de tecnologias Ethernet padronizadas pelo IEEE.
Essas são as 2 tecnologias originais Ethernet, utilizando cabo coaxial. Funcionam a 10 Mbps e são consideradas tecnologias obsoletas. Não têm suporte ao modo full-duplex. Todas as outras tecnologias descritas a seguir permitem operação em modo full-duplex.
Essa é a tecnologia que popularizou o Ethernet. Utiliza velocidade de 10 Mbps e 2 pares de fios trançados de categoria 3, embora cabos de categoria 5 sejam mais largamente utilizados hoje em dia. Os cabos têm comprimento máximo de 100 metros.
Operando a 10 Mbps, o enlace é de fibra ótica multi-modo. É uma extensão de um padrão mais antigo chamado Fiber Optic Inter-Repeater Link (FOIRL). A fibra pode ter até 2000 metros de comprimento.
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