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EDO (1ª,2ª e 3ª) ORDEM
Tipologia: Notas de estudo
1 / 110
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EquaçõEs difErEnciais para licEnciatura Em matEmática
Universidade Federal de Minas Gerais Reitor: Clélio Campolina Diniz Vice-Reitora: Rocksane de Carvalho Norton
Pró-reitoria de Graduação Pró-Reitora: Antônia Vitória Soares Aranha Pró-Reitora Adjunta: Carmela Maria Polito Braga Coordenador do Centro de Apoio à Educação a Distância: Fernando Fidalgo Coordenadora da Universidade Aberta: Ione Maria Ferreira Oliveira editora UFMG Diretor: Wander Melo Miranda Vice-Diretora: Silvana Cóser
Conselho editorial Wander Melo Miranda (presidente) Flávio de Lemos Carsalade Heloisa Maria Murgel Starling Márcio Gomes Soares Maria das Graças Santa Bárbara Maria Helena Damasceno e Silva Megale Paulo Sérgio Lacerda Beirão Silvana Cóser
ASSISTÊNCIA EDITORIAL Eliane Sousa e Euclídia Macedo EDITORAÇÃO DE TEXTOS Maria do Carmo Leite Ribeiro REVISÃO E NORMALIZAÇÃO Alexandre Vasconcelos de Melo REVISÃO DE PROVAS Alexandre Vasconcelos de Melo PROJETO GRÁFICO E CAPA Eduardo Ferreira FORMATAÇÃO Sérgio Luz PRODUÇÃO GRÁFICA Warren Marilac
editora UFMG Av. Antônio Carlos, 6.627 - Ala direita da Biblioteca Central - Térreo Campus Pampulha - 31270-901 - Belo Horizonte - MG Tel.: + 55 31 3409-4650 - Fax: + 55 31 3409- www.editora.ufmg.br - [email protected]
© 2010, REGINALDO J. SANTOS © 2010, EDITORA UFMG Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização escrita do Editor.
Santos, Reginaldo J. Equações diferenciais para licenciatura em matemática / Reginaldo J. Santos. – Belo Horizonte : Editora UFMG, 2010. 109 p. : il. (Educação a Distância)
ISBN: 978-85-7041-847-
CDD: 512. CDU: 519.
S237e
Elaborada pela DITTI – Setor de Tratamento da Informação Biblioteca Universitária da UFMG
PrÓ-reitoria de GradUaÇÃo Av. Antônio Carlos, 6.627 - Reitoria - 6º andar Campus Pampulha - 31270-901 - Belo Horizonte - MG Tel.: + 55 31 3409-4054 - Fax: + 55 31 3409- www.ufmg.br - [email protected] - [email protected]
Este livro recebeu apoio financeiro da Secretaria de Educação a Distância do MEC.
Ao se falar em Educação a Distância (EAD), é preciso ressaltar a possi-
bilidade que essa modalidade de ensino promove de inserção social
pela disseminação de meios e processos de democratização do conheci-
mento. A meta é não só elevar os índices de escolaridade, mas também
oferecer uma educação de qualidade, disponibilizando uma formação
inicial e/ou continuada, em particular, a professores que não tiveram
acesso a esse ensino.
Não se pode ignorar que é fundamental haver, sempre, plena conexão
entre educação e aprendizagem. A modalidade a distância é um tipo
de aprendizagem que, em especial na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), já está concretizada como um ensino de qualidade.
Hoje, a aprendizagem tornou-se, para todos os profissionais dessa
universidade envolvidos no programa de Educação a Distância, sinô-
nimo de esforço e dedicação de cada um.
Este livro objetiva desenvolver conhecimentos essenciais para o seu
estudo. Os alunos estudarão o material nele contido e muitos outros,
que lhe serão sugeridos em bibliografia complementar. É importante
terem em vista que essas leituras são de extrema importância para,
com muita dedicação, avançarem em seus estudos.
Cada volume da coletânea está dividido em aulas e, em cada uma delas,
trata-se de determinado tema, que é explorado em diferentes formas
ções ou orientações para atividades a serem realizadas pelos alunos. Os
objetivos propostos em cada uma das aulas indicam as competências e
habilidades que os alunos, ao final da disciplina, devem ter adquirido.
Espera-se que, assim, eles se tornem autônomos, responsáveis, críticos
e decisivos, capazes, sobretudo, de desenvolver a própria capacidade
intelectual. Os alunos não podem se esquecer de que toda a equipe
de professores e tutores responsáveis pelo curso estará, a distância ou
presente nos polos, pronta a ajudá-los. Além disso, o estudo em grupo,
a discussão e a troca de conhecimentos com os colegas serão, nessa
modalidade de ensino, de grande importância ao longo do curso.
Agradeço aos autores e à equipe de produção pela competência, pelo
empenho e pelo tempo dedicados à preparação deste e dos demais
livros do EAD. Espero que cada um deles possa ser valioso para
os alunos, pois tenho a certeza de que vão contribuir muito para o
sucesso profissional de todos eles, em seus respectivos cursos, na área
da educação em geral, no País.
Ione Maria Ferreira de Oliveira
apresentação 9
pré-requisitos 11
aula 1 | Equações diferenciais de 1ª Ordem - 1ª parte 13 1.1 Introdução às Equações Diferenciais................................ 13 1.1.1 Classificação............................................ 15 1.1.2 Soluções de Equações Ordinárias............................ 16 1.1.3 Equações Ordinárias de 1ª Ordem............................ 16 Exercícios................................................... 19 1.2 Equações Lineares de 1ª Ordem................................... 20 1.2.1 Equações em que p ( t ) = 0................................. 20 1.2.2 Equações Lineares - Caso Geral.............................. 20 1.2.3 Como chegar ao fator integrante
1.2.3 Como chegar ao fator integrante μ (t) = e
∫
Vamos mostrar como podemos chegar ao fator integrante μ (t) = e
∫ p(t)dt.
Comparando-se as equac¸ ˜oes (1.7) e (1.8) na p´agina 21 vemos que o fator integrante μ (t) deve ser uma func¸ ˜ao que satisfaz a equac¸ ˜ao diferencial
d μ dt
= p(t) μ (t).
Esta ´e tamb´em uma equac¸ ˜ao linear, mas com q(t) = 0. Supondo-se μ (t) ̸= 0, vamos multiplicar esta equac¸ ˜ao por 1/ μ (t), obtendo a equac¸ ˜ao
1 μ (t)
d μ dt
= p(t).
Como (^) μ (^1 t) = (^) dd μ (ln | μ (t)|) , a equac¸ ˜ao anterior pode ser reescrita como
d d μ (ln | μ (t)|) d μ dt = p(t).
Mas pela Regra da Cadeia esta equac¸ ˜ao ´e equivalente a
d dt (ln^ | μ (t)|) =^ p(t),
que ´e uma equac¸ ˜ao do tipo (1.4) que pode ser resolvida simplesmente integrando-se ambos os membros obtendo
ln | μ (t)| =
∫ p(t)dt + C 1.
Aplicando-se a exponencial a ambos os membros e eliminando-se o valor absoluto, obtemos
μ (t) = ±e c^1 e
∫ p(t)dt (^) = Ce ∫ p(t)dt.
Como estamos interessados em apenas um fator integrante, podemos to- mar C = 1, e obtermos μ (t) = e
∫ p(t)dt.
?............ 24 Exercícios................................................... 25
aula 2 | Equações diferenciais de 1ª Ordem - 2ª parte 27 2.1 Equações Separáveis............................................ 27 Exercícios................................................... 33 2.2 Aplicações................................................... 34 2.2.1 Dinâmica Populacional.................................... 34 2.2.2 Datação por Carbono 14................................... 40 2.2.3 Misturas................................................ 41 2.2.4 Lei de Resfriamento de Newton.............................. 44 2.2.5 Juros.................................................. 45 Exercícios................................................... 50
aula 3| Equações diferenciais de 1ª Ordem - 3ª parte 53 3.1 Análise Qualitativa............................................. 53 3.1.1 Equações Autônomas..................................... 53 3.1.2 Campo de Direções....................................... 57 Exercícios................................................... 59 3.2 Existência e Unicidade de Soluções................................ 60 Exercícios................................................... 64
Exponenciais e Logaritmos
N ´umeros Complexos
{z} = a e {z} = b.
z 1 + z 2 = (a + c) + i(b + d), z 1 z 2 = (ac − bd) + i(ad + bc).
x1,2 =
−b 2 a
2 a
i.
Trigonometria
Deriva¸c˜ao
d dx
( α y(x) + β z(x)) = α
dy dx
dz dx
d dx
(y(x)z(x)) =
dy dx
z(x) + y(x)
dz dx
d dx
x n^ = nx n−^1.
d dx
sen x = cos x,
d dx
cos x = −sen x.
d dx
e u(x)^ =
du dx
e u(x).
1ª parte
ObjEtivOs
Ao terminar esta seção você deverá ser capaz de:
1.1 Introdu¸c˜ao `as Equa¸c ˜oes Diferenciais
Uma equac¸ ˜ao alg´ebrica ´e uma equac¸ ˜ao em que as inc ´ognitas s˜ao n ´umeros, enquanto uma equa¸c˜ao diferencial e uma equac´ ¸ ˜ao em que as inc ´ognitas s˜ao func¸ ˜oes e a equac¸ ˜ao envolve derivadas destas func¸ ˜oes. Numa equac¸ ˜ao diferencial em que a inc ´ognita ´e uma func¸ ˜ao y(t), t e a vari´´ avel indepen- dente e y e a vari´´ avel dependente. Vejamos alguns exemplos.
Exemplo 1.1. O movimento de um pˆendulo simples de massa m e compri- mento l e descrito pela equac´ ¸ ˜ao diferencial
d^2 θ dt^2
g l
sen θ = 0.
Nesta equac¸ ˜ao a inc ´ognita ´e a func¸ ˜ao θ (t). Assim, θ ´e a vari´avel dependente e t e a vari´´ avel independente.
14
EquaçõEs difErEnciais para licEnciatura Em matEmática 2 CAP´ITULO 1. EQUAC¸ OES DIFERENCIAIS DE 1˜ A.^ ORDEM - 1 A.^ PARTE
Figura 1.1 - Pˆendulo Simples
Figura 1.2 - Sistema massa-mola
Exemplo 1.2. Um sistema massa-mola composto de um corpo de massa m preso a uma mola com constante el´astica k, sujeita a uma forc¸a de re- sistˆencia Fr = − γ v = − γ dxdt e uma forc¸a externa Fext(t) = F 0 cos( ω t), ´e descrito pela equac¸ ˜ao diferencial
m d^2 x dt^2
dx dt
Nesta equac¸ ˜ao a inc ´ognita ´e a func¸ ˜ao x(t). Assim, x e a vari´´ avel depen- dente e t ´e a vari´avel independente.
Exemplo 1.3. Numa regi˜ao do plano em que n˜ao h´a cargas el´etricas o potencial el´etrico u(x, y) em cada ponto (x, y) da regi˜ao satisfaz a equac¸ ˜ao diferencial ∂^2 u ∂ x^2
∂^2 u ∂ y^2
16
EquaçõEs difErEnciais para licEnciatura Em matEmática 4 CAP´ITULO 1. EQUAC¸ OES DIFERENCIAIS DE 1˜ A.^ ORDEM - 1 A.^ PARTE
a 0 (t)y + a 1 (t)
dy dt
d^2 y dt^2
+... + a (^) n(t)
d n^ y dt n^
= f (t).
As equac¸ ˜oes diferenciais ordin´arias que n˜ao podem ser colocadas nessa forma s˜ao n˜ao lineares. As equac¸ ˜oes dos Exemplos 1.2, 1.3 e 1.4 s˜ao lineares, e a equac¸ ˜ao do Exemplo 1.1 ´e n˜ao linear.
1.1.2 Solu¸c ˜oes de Equa¸c ˜oes Ordin´arias
Uma solu¸c˜ao (particular) de uma equa¸c˜ao diferencial ordin´aria de ordem n em um intervalo I e uma func´ ¸ ˜ao y(t) definida no intervalo I tal que as suas derivadas de ordem at´e n est˜ao definidas no intervalo I e satisfazem a equac¸ ˜ao neste intervalo.
Exemplo 1.5. Considere a equac¸ ˜ao
ay′′^ + by′^ + cy = 0, com a, b, c ∈ R, a ̸= 0 tais que b^2 − 4 ac = 0.
Vamos mostrar que y(t) = e−^ 2 ba t^ e soluc´ ¸ ˜ao desta equac¸ ˜ao.
y′(t) = −
b 2 a
e−^ 2 ba t , y′′(t) =
b^2 4 a^2
e−^ 2 ba t .
Substituindo-se y(t), y′(t) e y′′(t) no primeiro membro da equac¸ ˜ao, obtemos
ay′′^ + by′^ + cy = a
b^2 4 a^2
e−^ 2 ba t^
b 2 a
e−^ 2 ba t
b^2 4 a
b^2 2 a
e−^ 2 ba t
−b^2 + 4 ac 4 a
e−^ 2 ba t^ = 0,
pois, por hip ´otese, b^2 − 4 ac = 0. Assim, y(t) = e−^
b 2 a t^ e soluc´ ¸ ˜ao da equac¸ ˜ao.
1.1.3 Equa¸c ˜oes Ordin´arias de 1 a^ Ordem
As equac¸ ˜oes diferenciais ordin´arias de 1 a.^ ordem s˜ao equac¸ ˜oes que podem ser escritas como F(t, y, y′) = 0. Vamos estudar equac¸ ˜oes de 1 a.^ ordem, que podem ser escritas na forma
dy dt
= f (t, y). (1.1)
17
aula 1
Uma solu¸c˜ao (particular) de uma equa¸c˜ao diferencial (1.1) em um inter- valo I e uma func´ ¸ ˜ao y(t) definida no intervalo I tal que a sua derivada y′(t) est´a definida no intervalo I e satisfaz a equac¸ ˜ao (1.1) neste intervalo. O problema (^)
dy dt
= f (t, y) y(t 0 ) = y 0.
e chamado´ problema de valor inicial (PVI). Uma solu¸c˜ao do problema de valor inicial (1.2) em um intervalo I e uma func´ ¸ ˜ao y(t) que est´a definida neste intervalo, tal que a sua derivada tamb´em est´a definida neste intervalo e satisfaz (1.2). Quando resolvemos uma equac¸ ˜ao diferencial ordin´aria de 1a.^ ordem obte- mos uma fam´ılia de soluc¸ ˜oes que dependem de uma constante arbitr´aria. Se toda soluc¸ ˜ao particular puder ser obtida da fam´ılia de soluc¸ ˜oes que encontramos por uma escolha apropriada da constante, dizemos que a fam´ılia de soluc¸ ˜oes ´e a solu¸c˜ao geral da equac¸ ˜ao.
Exemplo 1.6. A equac¸ ˜ao dy dt
= e^3 t
pode ser resolvida por integrac¸ ˜ao direta obtendo
y(t) =
∫ e^3 t^ dt =
e^3 t 3
que ´e a soluc¸ ˜ao geral da equac¸ ˜ao diferencial dada. Para encontrarmos a soluc¸ ˜ao do PVI
dy dt
= e^3 t y(1/3) = e/
substitu´ımos t = 1/3 e y = e/3 na soluc¸ ˜ao geral encontrada, obtendo C = 0. Assim, a soluc¸ ˜ao do PVI ´e
y(t) =
e^3 t 3
v´alida para −∞ < t < ∞, que ´e o maior intervalo em que a soluc¸ ˜ao e sua derivada est˜ao definidas.
19
aula 1
Exerc´ıcios
e y′^ + ty^2 = 0.
(b) y(t) =
r t^2 + 1
e y′^ − 2 ty^2 = 0.
(c) y(t) = r t^2 + 1
e y′^ − 6 ty^2 = 0.
(d) y(t) =
r t^2 + 2
e y′^ − ty^2 = 0.
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EquaçõEs difErEnciais para licEnciatura Em matEmática 8 CAP´ITULO 1. EQUAC¸ OES DIFERENCIAIS DE 1˜ A.^ ORDEM - 1 A.^ PARTE
1.2 Equa¸c ˜oes Lineares de 1 a^ Ordem
As equa¸c ˜oes (diferenciais ordin´arias) lineares de 1 a.^ ordem s˜ao equac¸ ˜oes que podem ser escritas como
dy dt
1.2.1 Equa¸c ˜oes em que p(t) = 0
Se a func¸ ˜ao p(t) = 0, a equac¸ ˜ao (1.3) torna-se
dy dt
= q(t), (1.4)
que ´e facilmente resolvida integrando-se os dois lados. Assim, a soluc¸ ˜ao geral desta equac¸ ˜ao ´e dada por
y(t) =
∫ q(t)dt + C.
Exemplo 1.7. A equac¸ ˜ao dy dt
= sen( 2 t)
pode ser resolvida por integrac¸ ˜ao direta obtendo-se a soluc¸ ˜ao geral
y(t) =
∫ sen( 2 t) dt = − cos( 2 t) 2
Na subsec¸ ˜ao 1.2.2 e na sec¸ ˜ao 1.3 veremos t´ecnicas de se encontrar soluc¸ ˜oes de equac¸ ˜oes de 1a.^ ordem que se baseiam em transformar a equac¸ ˜ao inicial em uma equac¸ ˜ao do tipo (1.4).
1.2.2 Equa¸c ˜oes Lineares - Caso Geral
Vamos considerar equac¸ ˜oes da forma
dy dt
ObjEtivOs
Ao terminar esta seção você deverá ser capaz de: