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Escoamento Laminar - Relatório de Mecânica dos Fluidos - PME2230 e PME2237
Tipologia: Notas de estudo
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Esta experiência visa o estudo de escoamentos em regime laminar de um fluido em conduto cilíndrico horizontal e as grandezas ou efeitos envolvidos. Deste modo analisaremos as perdas de carga distribuída ocorridas ao longo de uma tubulação para diversas vazões através da construção de gráficos das linhas piezométricas e de energia. O estabelecimento do regime laminar foi feito tal como a experiência de Reynolds, ou seja, com a injeção de um líquido colorido em qualquer ponto da secção de entrada de modo que este formasse um filete reto ao longo do conduto.
Este trabalho tem como seu principal objetivo o estudo do escoamento de um fluido (água) em um tubo de vidro em regime laminar. Para isto, iremos: -Traçar a linha piezométrica e a de energia para cada vazão, indicando a perda de carga; -Determinar a perda de carga distribuída em função da vazão ( hf = hf (Q) ); -Traçar o gráfico de f = f (Re) em papel dilog; -Traçar o diagrama de velocidades para a instalação do laboratório e determinar a velocidade máxima, sendo o número de Reynolds igual a 1000.
Escoamento laminar é definido como aquele no qual o fluido se move em camadas (lâminas), uma escorregando sobre a adjacente havendo somente troca de quantidade de movimento molecular. Qualquer tendência para instabilidade ou turbulência é amortecida por forças viscosas de cisalhamento que dificultam o movimento relativo entre camadas adjacentes. No escoamento turbulento as partículas fluidas estão dotadas de agitação turbulenta, e possuem componentes transversais à corrente principal. Osborne Reynolds, estudando a semelhança entre os dois escoamentos, descobriu que o adimensional ρVD/μ (onde ρ é a massa específica, V a velocidade característica, D um comprimento característico e μ a viscosidade) deveria ser igual para caracterizar dois escoamentos dinamicamente semelhantes. Reynolds injetou na corrente líquida transparente um filete de líquido colorido e de mesma densidade na seção de entrada do conduto de vidro circular horizontal. Para vazões pequenas o filete de tinta era uma linha reta em todo o tubo, indicando regime laminar. Com o aumento da vazão, ou seja da velocidade do fluido, o adimensional, hoje denominado número de Reynolds, aumenta e chega-se a uma condição onde o filete de tinta ondula e subitamente desaparecia, difundindo-se totalmente no tubo. Neste caso, há o rompimento do movimento ordenado do escoamento laminar devido ao violento intercâmbio da quantidade de movimento, tornando-se turbulento. Em tubulações industriais, quando o número de Reynolds é inferior a 2000, considera-se escoamento laminar. Analisaremos a seguir um escoamento laminar em um tubo cilíndrico. Consideremos as seguintes hipóteses: -escoamento isotérmico, laminar, permanente e dinamicamente estabelecido; -fluido incompressível; -tubo horizontal de secção constante e propriedades uniformes;
-ausência de máquinas e singularidades no sistema. Sejam as seções 1 e 2 do tubo:
Figura 01: Trecho da tubulação.
Da equação da continuidade: Q 1 = Q 2 ==> ρV 1 S 1 = ρV 2 S 2 ==> V 1 = V 2 onde: Q - vazão em massa; V - velocidade média; S - área da secção.
Aplicando a equação de Bernoulli entre as secções 1 e 2: H H Q
1 2 V dV H H VC
− = m ⋅
(^1) ⋅ (^) ∫ (^1) ⋅ ⋅ ⋅ − + 2
(^2) 1 2
t
onde: H 1 - carga total média em 1; γ - peso específico do fluido; H 2 - carga total média em 2; ρ - massa específica do fluido; H m - carga devido à máquina; V - velocidade; ΔH1,2 - perda de carga entre as secções.
Pelas hipóteses, não temos máquina e o regime é permanente. Deste modo, teremos: H 1 - H 2 = ΔH1, H P^ V g
1 1 1 1 z
2 1 2
g
2 2 2 2 z
2 2 2
onde: p 1 - pressão estática em 1; α 1 - coeficiente da energia cinética em 1; p2 - pressão estática em 2; α 2 - coeficiente da energia cinética em 2; V 1 - velocidade média em 1; z 1 - cota em 1; V 2 - velocidade média em 2; z 2 - cota em 2. g - aceleração gravitacional;
Como V 1 = V 2 , e z 1 = z 2 : Utilizando a equação do cálculo universal de perda de carga distribuída: ΔH f^ L V 2 g D
2 1 2, = ⋅^ ⋅ ⋅ ⋅ onde: ΔH1,2 = hf - perda de carga; f - coeficiente de perda de carga distribuída; L - comprimento do tubo; V - velocidade média no conduto; g - gravidade;
Com estes dados podemos traçar a linha piezométrica e de carga ou de energia. (Figura 02).
Figura 02: Distribuição dos piezômetros e as linhas piezométricas e de energia. Num escoamento laminar pode-se provar que: f 64 Re
= onde: Re - número de Reynolds.
2 g D
2 g D
2 1 2 2 , = 64 64 ⋅ ⋅ ⋅^
Como ν, L, D, g são constantes, ΔH1,2 varia linearmente com a velocidade, e consequentemente com a vazão. A perda de carga distribuída também é indicada por hf.
Distribuição de velocidades : Pode ser provado que a distribuição de velocidades em um escoamento laminar obedece:
v(r) V r R
= má x − ⎛⎝⎜ ⎞⎠⎟
2
onde: V (^) máx - velocidade máxima; r - raio variável de 0 a R; R - raio do conduto.
A velocidade média é então: V 1 S
v(r)dS S
= (^) ∫ dS = r.dθ.dr S = π.R^2
v 1- r R
rd dr = v R
1- r R 2 má x rdr
R (^2) má x 2
⋅
(^1) ∫ ∫ 0 2 ∫ ⋅ 2 0 0
2 π
θ π
π
π π
V 2 v R
r 2
r 4 R
2 v R
v 2
má x 2
2
0
R (^4) 2 0
R má x 2
(^2 2) má x = ⋅^ − ⋅
O coeficiente de energia cinética será:
π = ⎛⎝⎜ ⎞⎠⎟ =
v V
dS 1 S
v 1 r R v 2
dS =^1 S
r R
dS = 8 R
r R
rd dr
3
S
má x
2
S má x S^2
R 2
3 2 3 2 3 2 1 0 1
r R
rdr = -^16 R
u R r
rdu = -8u
u = 1- r R
du = - 2 r R
dr dr = - R r
du
2
R 2
3 2 4
2 2 2
2
2 3 0 1
0 1
0
Portanto, α = 2.
O equipamento utilizado é constituído por: (Figura 03) -um reservatório contendo água a nível constante; -um recipiente contento tinta; -uma agulha injetora de tinta; -uma tubulação de vidro horizontal de diâmetro (7,01 ± 0,05) mm; -quatro piezômetros graduados ao longo do tubo de vidro; -um registro regulador de vazão na extremidade de saída do fluido; -uma proveta; -uma régua para medir a distância entre os piezômetros.
Figura 03: Esquema do equipamento utilizado.
T - tempo gasto para recolher o respectivo volume de água.
A partir dos dados obtidos experimentalmente calculamos as vazões, a velocidade da água, a altura cinética, a perda de carga, o coeficiente f e o número de Reynolds (Tabela 03), para o levantamento dos gráficos hf = hf (Q), f = f (Re) e as linhas piezométricas e de energia (Ver Gráficos). Dados: g = 9,78622 m/s^2 ; D = (7,01 ± 0,05)10 -3^ m; ν = 10 -6^ m^2 /s; L = (363.90 ± 0,09)10-2^ m; C = 64.
Cálculo da Vazão Q:
Q t
σ Q = Q σ σ t t
Cálculo da Velocidade V:
(^2 ) V Q S
onde a área da seção S é dada por:
S = D
S = (7,01 10^ )
2
-3 2
σ^ σ
σ
S = (3,86 ± 0,06) 10 -5^ m^2
Cálculo da Energia Cinética:
2 g
2 = ⋅ ⋅
= ⋅ onde : α = 2
Cálculo da Carga Experimental hf:
onde: h 1 - altura manométrica em 1; h 4 - altura manométrica em 4;
Coeficiente de Perda de Carga Distribuída Experimental f:
h h
f f
f 2 g D h L V
f = (^2)
Fórmula teórica da Perda de Carga hf':
h ' f ' L V 2 g D
f
2 = ⋅^ ⋅ ⋅ ⋅ onde f 'é a perda de carga distribuída teórica:
f ' 2 g D h ' L V
f = (^2)
σ f' f σD σ σ σ D
h ' h '
f f
f ' também pode ser dado por:
f ' C Re
então: h ' C Re
2 g D
f
2 = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
h ' C^ L 2 g D
f = ⋅^ ⋅^ ⋅ 2 ⋅ ⋅
υ V σ h ' h σD σ σ D
f = f' ⎛⎝⎜ 2 ⋅ ⎞⎠⎟ + ⎛⎝⎜ ⎞⎠⎟ + ⎛⎝⎜ ⎞⎠⎟
2 2 2
Número adimensional de Reynolds Re:
σ Re = Re ⎛⎝⎜ σ^ D⎞⎠⎟ + ⎛⎝⎜ σ ⎞⎠⎟ D
2 2 Re = V D⋅
Tabela 03 Medida Q(10-^6 m^3 /s) V(10-^3 m/s) (^) αV 2 /2g(10-^3 m) hf (10-^2 m) f(10-^2 ) Re hf' (10-^2 m) f '(10-^2 ) 1 5,00±0,11 129,5±3,4 1,71±0,09 3,20±0,07 7,2±0,4 908±25 3,14±0,10 7,0±0, 2 3,67±0,10 95,0±2,9 0,92±0,06 2,00±0,07 8,4±0,6 666±21 2,30±0,08 9,6±0, 3 2,20±0,09 57,0±2,5 0,332±0,029 1,20±0,07 13,9±1,5 400±18 1,38±0,06 16,0±1, 4 1,33±0,09 34,5±2,3 0,122±0,016 0,80±0,07 25,3±4,1 242±17 0,84±0,06 26,4±4, 5 0,80±0,09 20,7±2,3 0,044±0,010 0,40±0,07 35,1±9,9 145±16 0,50±0,06 44±
a) Gráfico 1 Linha de energia obtida pelas alturas manométricas de h 1 e h 4. Descontando da linha de energia a energia cinética α.V^2 /2.g , obtém-se a linha piezométrica. A perda de carga hf se encontra na tabela 03.
b) Gráfico 2 O gráfico da função hf = hf (Q) obtido através dos dados da tabela 03 é uma curva retilínea o que se pode ser justificado através de uma comparação com a curva de hf '= hf '(Q). Como hf ' varia linearmente com a velocidade e a área do conduto é constante, hf 'será proporcional a Q.
h ' C^ L V 2 g D
2 g D S
f = ⋅^ ⋅^ ⋅ 2 ⋅ ⋅
υ υ (^) onde C, ν, L, D, São constantes.
Este experimento permitiu verificar o escoamento em regime laminar em condutos forçados para Re<800, uma vez que o valor 769 foi o maior valor do número de Reynolds que registramos para que o filete de tinta permanecesse uma reta, sem turbulência aparente. Com o auxílio dos piezômetros conseguimos observar o decréscimo de carga ao longo da tubulação horizontal de vidro com o tempo para uma determinada vazão fixa. Foi possível também estudar as curvas dos gráficos hf = hf (Q), f = f(Re) e do perfil de velocidade do fluido na tubulação. No gráfico de hf = hf (Q), verificamos que a perda de carga distribuída varia diretamente proporcional à vazão em volume. Certas condições experimentais, tais como: -não ter uma boa precisão na escala de leitura dos piezômetros, visto que erros de milímetros poderiam acarretar vários erros facilmente. -dificuldade na leitura dos piezômetros, pois esses não se apresentavam muito transparentes, dificultando a determinação do menisco. -má precisão na leitura dos piezômetros que não se encontravam muito próximos da escala (régua). Prejudicaram a coleta dos dados e portanto a obtenção dos valores propostos não foram de boa qualidade. Construímos também um novo gráfico de hf = hf (Q), com a perda de carga sendo calculada pela fórmula teórica para fins de comparação. No gráfico de f = f(Re), no papel dilog verificamos que f varia inversamente proporcional ao número de Reynolds segundo uma expressão do tipo f = C/Re. Quanto ao gráfico do perfil da velocidade, obtivemos uma parábola também segundo às nossas expectativas visto que a equação geral é do segundo grau.
-Streeter, Victor Lyle / Evan Benjamin, Wylie; Mecânica dos Fluidos; 7ª ed.; McGraw Hill; São Paulo; 1982.
-Fox, Robert W. / McDonald, Alan T.; Introdução à Mecânica dos Fluidos; 3ª ed.; Ed. Guanabara S.A.; 1988.
-Bydlowski, Jayme/ Nagata, Minoro/ Tavares, Miriam/ Oliveira Jr., Silvio de; Guia de Laboratório - Mecânica dos Fluidos; Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.