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de pré-esplenectomia, dez tinham uma esferocitose ... Palavras-chave: Esferocitose Hereditária, anemia hemolítica, proteínas da membrana do eritrócito ...
Tipologia: Provas
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R E S U M O / S U M M A R Y
Serviço de Hematologia Clínica. Hospital de S. João. Porto. Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Porto. Serviço de Hematologia. Centro Hospitalar de Coimbra. Coimbra. Serviço de Hematologia. Hospital de Matosinhos. Matosinhos. Serviço de Medicina Interna. Hospital de Viana do Castelo. Viana do Castelo
- PREVALENCE OF ERYTHROID
Key Words: Hereditary Spherocytosis, haemolytic anaemia, red-cell membrane protein, SDS-PAGE, protein deficiency.
Recebido para publicação: 07 de Janeiro de 2002
ELISA GRANJO et al
Palavras-chave: Esferocitose Hereditária, anemia hemolítica, proteínas da membrana do eritrócito, SDS-PAGE, défice proteico.
A Esferocitose Hereditária (EH) é a anemia hemolítica congénita mais comum dos Caucasianos. Resulta de alterações quantitativas e/ou qualitativas das proteínas da membrana do eritrócito. Caracteriza-se por uma anemia de gravidade variável, com icterícia intermitente, presença de esferócitos no esfregaço de sangue periférico, fragilidade osmótica aumentada, esplenomegalia e com uma resposta favorável à esplenectomia-SPL^1. As proteínas do esqueleto proteico interagem com a bicamada lipídica e com as proteínas transmembranares fornecendo assim à membrana do eritrócito rigidez e integridade (Figura 1). Alterações de determinadas proteínas da membrana como a anquirina, espectrinas, banda 3 e proteína 4.2 estão na origem da diminuição da resistência osmótica dos esferócitos. A microvesiculação destas células resulta na perda de área de superfície sem qualquer redução substancial de volume celular. Os esferócitos perdem resistência, elasticidade e capacidade de deformação, reduzindo a sua capacidade de atravessar os orifícios entre as células endoteliais, assim como as células que formam a parede dos cordões esplénicos e da
polpa vermelha dos seios esplénicos, verificando-se uma congestão acentuada desta última. A descida do pH, glicose e ATP, bem como a elevada concentração de radicais livres produzidas pelos macrófagos adjacentes agravam a lesão da membrana dos eritrócitos. As alterações moleculares subjacentes à doença são muito heterogéneas. A anquirina é a proteína que promove a ligação do esqueleto proteico à bicamada lipídica através de interacções com a proteína transmembranar banda 3. O defeito mais comum nos indivíduos com EH deve-se a alterações nesta proteína. Nos défices de anquirina podem existir reduções secundárias de espectrinas e proteína 4.2, sendo o padrão de hereditariedade autossómico dominante o mais frequente^2. A banda 3 medeia interacções dentro do esqueleto membranar via ligação com as proteínas 4.2 e 4.1 e com a anquirina pelo terminal amino do domínio citoplasmático. Indivíduos com défice de banda 3 têm reduções proteicas na ordem de 20 a 40%, com défices secundários de proteína 4.2. O padrão de transmissão é dominante e o quadro clínico é de uma anemia ligeira ou moderada. Nos portadores de deficiência de banda 3, observam-se no esfregaço de sangue periférico, alguns eritrócitos com a forma de “cogumelo”. Estes eritrócitos são muito específicos neste subgrupo da esferocitose hereditária e desaparecem pós- esplenectomia. Deficiências de proteína 4.2 e espectrinas são mais raras, sendo o padrão de hereditariedade autossómico recessivo e dominante, respectivamente2,4. Do ponto de vista fenotípico, a expressão da EH é também muito heterogénea, podendo variar de formas Fig. 1 - Proteínas da membrana do eritrócito. assintomáticas até situações clínicas de anemia grave,
anemia grave. As alterações moleculares subjacentes à doença são também muito heterogéneas. A correlação das alterações proteicas, que ocorrem na membrana do eritrócito, com o fenótipo clínico em pacientes estudados pré-esplenectomia é referenciado no Quadro III. Nos
Défice proteico
Esferocitose leve (hemólise não compensada)
Esferocitose leve (hemólise compensada)
Esferocitose moderada
Anquirina^9 1
Banda 3 5 2 3
Proteína 4.2 1 - -
Quadro III - Correlação do défice da proteína da mem- brana do eritrócito e o fenótipo clínico.
Fig. 2 - Défice de banda 3. Gel linear - Laemmli (A), Gel-exponencial - Fairbanks (B). Ctr - Controlo; 1 - Propósito (défice de 22% de banda 3); 2,3 - filhas do propósito (défice de 22 a 19% respectivamente); 4 - esposa do propósito (sem alterações das proteínas da membrana).
Fig. 3 - Défice de proteína 4.2 (12%). Gel linear - Laemmli (A). Prop.- Propósito; Ctr - Controlo.
Quadro IV - Prevalência do défice da proteína da mem- brana do eritrócito nos doentes estudados pós- esplenectomia.
Tempo pós-esplenectomia Défice proteico
1 ano e < 10 anos >10 anos
Anquirina 5 6
β- Espectrina 1 -
pacientes com défice de banda 3, verificou-se que apresentavam reduções primárias de 11 a 25% (Figura 2). Apenas foi analisado um único paciente com défice de proteína 4.2 com uma redução primária de 12% (Fig.3). Um paciente com défice de anquirina foi estudado numa situação de pré-esplenectomia e pós-esplenectomia (com uma redução primária de anquirina-28% e com reduções secundárias de espectrinas-24% e proteína 4.2- 5%). Doze doentes foram analisados na situação pós- esplenectomia (Quadro IV). Nos que apresentavam défice de anquirina, a redução desta proteína variou de 16 a 50 %, com reduções secundária de espectrina de 11-19% e proteína 4.2 de 4-31% (Fig.4). No único paciente analisado pós esplenectomia com défice de β-espectrina o défice encontrado foi de 11%.
DISCUSSÃO De forma a aprofundar mais o conhecimento sobre as doenças de membrana do eritrócito e a sua prevalência na região Norte de Portugal, estudaram-se 39 indivíduos pertencentes a 25 famílias, com EH. Foi utilizada a técnica de electroforese em gel de poliacrilamida para identificar as alterações quantitativas e/ou qualitativas das proteínas da membrana do eritrócito. A amostragem estudada é
Fig. 4 - Défice de anquirina. Gel linear - Laemmli (A), Gel exponencial - Fairbanks (B). Prop. - Propósito; Ctr - Controlo. Deficiência primária de anquirina (21%), secundárias de espectrinas (18%) e proteína 4.2 (11%).
ELISA GRANJO et al
Défice proteico Banda 3^ Anquirina^ β -espectrina^ Proteína 4. Modo de transmissão^ Dominante^ Dominante^ Recessivo^ Não provado^ Não provado^ Recessivo Famílias 5 16 1 1 1 1
Indivíduos 10 25 1 1 1 1
Quadro II - Padrão de hereditariedade na Esferocitose Hereditária
essencialmente de adultos com fenótipo clínico de Esferocitose leve que foram observados na consulta por complicações da doença: crises hemolíticas associadas a infecções, cálculos vesiculares e/ou renais, ou por estudo familiar do propósito. Neste grupo de indivíduos estudados verificou-se que o défice proteico mais comum foi de anquirina. O défice de anquirina é no entanto difícil de identificar, pela técnica de SDS-PAGE, nos indivíduos que não foram esplenectomizados, já que nesta situação é normal encontrar-se uma ligeira reticulocitose que é o bastante para mascarar o défice primário. Nestes casos, em que o défice primário está mascarado existem porém reduções secundárias das proteínas de ligação: proteína 4.2 e espectrinas, que são indícios de uma redução primária de anquirina. A confirmação do défice de anquirina é possível, pela mesma técnica, nos indivíduos que foram esplenectomizados. Nos doentes com défice de anquirina e reduções secundárias de proteínas 4.2 e espectrinas, estas revelaram-se mais acentuadas nos pacientes com quadro clínico de esferocitose moderada. Foram ainda encontradas, para além de reduções de anquirina, reduções de banda 3, proteína 4.2 e espectrinas. A prevalência dos défices, assim como o modo de transmissão hereditária encontrado, estão de acordo com estudos previamente publicados. Devido à amostragem ser muito pequena em cada grupo de défice proteico, não foi possível estabelecer uma correlação entre a percentagem do défice proteico e o fenótipo clínico. Porém a técnica utilizada neste estudo mostrou-se muito útil, como ferramenta de auxílio, em alguns casos de difícil diagnóstico^10.
CONCLUSÃO Os autores salientam que este estudo evidenciou que a deficiência proteica mais comum nos doentes com EH no Norte de Portugal é de anquirina, seguida de banda 3, proteína 4.2 e β-espectrina., o que está de acordo com a bibliografia11-14.
AGRADECIMENTOS Os autores agradecem a Letícia Ribeiro e a José Barbot a valiosa contribuição clínica e científica, a Helena Almeida, Sra. D. Umbelina Rebelo, Sr. Luís Relvas e Sr. Elísio Costa a
excelente colaboração técnica, e às Sras. D. Susana Catou e D. Ana David a preparação do manuscrito. O estudo das proteínas da membrana do eritrócito fo- ram realizados no laboratório da Unidade de Hematologia Molecular do Centro Hospitalar de Coimbra.
BIBLIOGRAFIA