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Tipologia: Notas de estudo
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Notas do Curso de SMA-343 - Espa¸cos M´etricos
Prof. Wagner Vieira Leite Nunes
S˜ao Carlos 2.o semestre de 2008
Este trabalho poder´a servir como notas de aula para cursos cujas ementas tratam de espa¸cos m´etricos. Ser˜ao exibidos todos os conceitos relacionados com o conte´udo acima, bem como propriedades e aplica¸c˜oes dos mesmos. As referˆencias ao final das notas poder˜ao servir como material importante para o conte´udo aqui desenvolvido.
5.08.2008 - 1.a 7.08.2008 - 2.a
Come¸caremos com a:
Defini¸c˜ao 2.1.1 Seja M um conjunto n˜ao vazio. Diremos que uma aplica¸c˜ao d : M × M → R
´e uma m´etrica (ou distˆancia) em M se as seguintes condi¸c˜oes est˜ao satisfeitas:
(d1) d(x, x) = 0;
(d2) se x, y ∈ M e x 6 = y ent˜ao d(x, y) > 0 ;
(d3) d(x, y) = d(y, x) para todo x, y ∈ M ;
(d4) d(x, z) ≤ d(x, y) + d(y, z), para todo x, y, z ∈ M.
Observa¸c˜ao 2.1.
7
x
y
d(x, z) < d(x, y) + d(y, z) z
Com isto temos a:
Defini¸c˜ao 2.1.2 Se d ´e uma m´etrica em M ent˜ao o par (M, d) ser´a denominado espa¸co m´etrico.
Observa¸c˜ao 2.1.2 Quando n˜ao houver possibilidade de confus˜ao nos referiremos ao espa¸co m´etrico M (ao inv´es de (M, d)) deixando subentendido a m´etrica d a ser considerada.
Nota¸c˜ao 2.1.1 Se (M, d) ´e um espa¸co m´etrico, os elementos de M ser˜ao ditos pontos de M.
A seguir daremos alguns exemplos de espa¸cos m´etricos.
Exemplo 2.1.1 Seja M um conjunto n˜ao vazio. Consideremos a aplica¸c˜ao d : M × M → R dada por
d(x, y) =
0 , se x = y 1 , se x 6 = y
Afirmamos que d ´e uma m´etrica em M. De fato, as condi¸c˜oes (d1), (d2) e (d3) s˜ao verificadas facilmente e ser˜ao deixadas como exerc´ıcio para o leitor. Mostremos que (d4) ocorre. Se x = z ent˜ao temos que
d(x, z) = 0 ≤ d(x, y) + d(y, z)
independente de y ∈ M (pois d(x, y), d(y, z) ≥ 0 ). Se x 6 = z ent˜ao temos que
d(x, z) = 1 ≤ d(x, y) + d(y, z) (∗)
independente de y ∈ M (pois se y = z teremos d(x, y) = 0 mas como y = x 6 = z segue que d(y, z) = 1 assim (*) ocorrer´a; de modo semelhante se y = z). Portanto vale (d4), ou seja, d ´e uma m´etrica em M.
p
q
d(p, q)
A m´etrica d′^ nos d´a a distˆancia entre dois pontos do plano utilizando-se dos catetos de um triˆangulo retˆangulo determinado pelos pontos p e q (vide figura abaixo).
p
q
r æ -
6
?
Y
M
d′(p, q)
A m´etrica d′′^ nos d´a a distˆancia entre dois pontos do plano utilizando-se o comprimento do maior cateto de um triˆangulo retˆangulo determinado pelos pontos p e q (vide figura abaixo).
p
q
r æ - Y
d′(p, q)
Geometricamente, temos a seguinte configura¸c˜ao para as trˆes distˆancias acima:
p
q
d(p, q)
d′′(p, q)
æ -
æ -
6
?
9
M
d′(p, q)
Com isto temos a
Proposi¸c˜ao 2.1.1 Consideremos d, d′, d′′^ as m´etricas definidas no exemplo (2.1.4). Ent˜ao, para todo x, y, ∈ Rn^ temos
d′′(x, y) ≤ d(x, y) ≤ d′(x, y) ≤ n d′′(x, y).
Demonstra¸c˜ao: Observemos que para todo a, b ≥ 0 temos que: √ a + b ≤
a +
b (∗).
De fato, pois
[
a +
b]^2 = [
a]^2 + 2
a
b + [
b]^2 = a + 2
a
b + b ≥ a + b.
Portanto
a + b ≤
a +
b como afirmamos. Observemos que para todo x, y, ∈ Rn^ temos
d′′(x, y) = max 1 ≤i≤n |xi − yi|
[|a|= √ a^2 ] = max 1 ≤i≤n
(xi − yi)^2 ≤
∑^ n
j=
(xj − yj )^2
1 2 = d(x, y),
d(x, y) =
∑^ n
j=
(xj − yj )^2
1 (^2) (∗) ≤
∑^ n
j=
(xj − yj )^2 [ √ a^2 =|a|] =
∑^ n
j=
|xj − yj | = d′(x, y) e
d′(x, y) =
∑^ n
j=
|xj − yj | ≤
∑^ n
j=
max 1 ≤j≤n {|xj − yj |} = max 1 ≤j≤n {|xj − yj |}
∑^ n
j=
= max 1 ≤j≤n {|xj − yj |}.n = n.d′′(x, y)
d(f, g) = sup x∈X
{|f (x) − g(x)|} ≤ sup x∈X
{|f (x) − h(x)| + |h(x) − g(x)|}. (∗)
Sabemos que se A e B s˜ao limitados superiormente em R ent˜ao A + B ´e limitado superi- ormente em R e sup[A + B] ≤ sup A + sup B.
Aplicando isto ao lado direito de (*) obteremos
d(f, g) ≤ sup x∈X
{|f (x) − h(x)| + |h(x) − g(x)|} ≤ sup x∈X
{|f (x) − h(x)|} + sup x∈X
{|h(x) − g(x)|}
= d(f, h) + d(h, g),
mostrande que (d4) ´e verdadeira.
Deste completamos a prova que d ´e uma m´etrica em B(X; R).
Observa¸c˜ao 2.1.
6
1
1
f g
?
d(f, g) = |f ( 12 ) − g( 12 )| = 12 − 122 = (^14)
x
y
(^6) +
(^12)
= max 1 ≤i≤n |f (i)|, x ∈ X), ou seja, f ∈ B(X; R).
Logo podenos identificar f com a n-upla (x 1 , x 2 , · · · , xn) onde xi =. f (i), 1 ≤ i ≤ n. Portanto B(X; R) pode ser identificado com Rn. Neste caso a m´etrica d em B(X; R) definida no exemplo acima, induzir´a a m´etrica d′′^ em Rn, pois
d(f, g) = sup x∈X
|f (x) − g(x)| = max 1 ≤i≤n |f (i) − g(i)| = max 1 ≤i≤n |xi − yi| = d′′(x, y),
onde xi = f (i), yi = g(i), i = 1, · · · , n. Conclus˜ao, temos a seguinte identifica¸c˜ao: (B(X; R), d) = (Rn, d′′).
12.08.2008 - 3.a Para o pr´oximo exemplo precisaremos da:
Defini¸c˜ao 2.1.4 Seja E um espa¸co vetorial sobre R. Diremos que uma fun¸c˜ao ‖.‖ :→ R ´e uma norma em E se as seguintes condi¸c˜oes s˜ao verificadas:
(n1) Se ~x ∈ E ´e tal que ~x 6 = ~ 0 ent˜ao ‖~x‖ 6 = 0;
(n2) Se λ ∈ R e ~x ∈ E ent˜ao ‖λ ~x‖ = |λ| ‖~x‖;
(n3) Se ~x, ~y ∈ E ent˜ao ‖~x + ~y‖ ≤ ‖~x‖ + ‖~y‖.
Observa¸c˜ao 2.1.8 Suponhamos que ‖.‖ seja uma norma em E, espa¸co vetorial sobre R.
‖~ 0 ‖ = ‖ 0 .~x‖ (n2) = | 0 |‖~x‖ = 0 e ‖ − ~x‖ = ‖(−1).~x‖ (n2) = | − 1 |‖~x‖ = ‖~x‖ (∗).
0 = ‖~x + (−~x)‖
(n3) ≤ ‖~x‖ + ‖ − ~x‖ (∗) = ‖~x‖ + ‖~x‖ = 2‖~x‖.
Logo ‖~x‖ ≥ 0 , para todo ~x ∈ E.
Com isto temos a
Defini¸c˜ao 2.1.5 Um espa¸co vetorial normal ´e um par (E, ‖.‖) onde E ´e um espa¸co vetorial sobre R e ‖.‖ ´e uma norma definida em E.
A seguir exibiremos alguns exemplos de espa¸cos vetoriais normados.
Exemplo 2.1.6 Consideremos em Rn^ as seguintes fun¸c˜oes ‖.‖, ‖.‖′, ‖.‖′′^ : Rn^ → R dadas por
‖~x‖ =.
√√ ∑n
i=
x^2 i , ‖~x‖′^ =.
∑^ n
i=
|xi|, ‖~x‖′′^ = max. 1 ≤i≤n |xi|,
onde ~x = (x 1 , x 2 , · · · , xn) ∈ Rn. Deixaremos como exerc´ıcio para o leitor mostrar que as fun¸c˜oes ‖.‖′, ‖.‖′′^ acima s˜ao normas em Rn. Al´em disso ser´a deixado para o leitor a verifica¸c˜ao que ‖.‖ satisfaz as condi¸c˜oes (n1), (n2). Logo adiante mostraremos que ‖.‖ tamb´em satisfaz a condi¸c˜ao (n3) e portanto tamb´em ser´a uma norma em Rn.
Outro exemplo importante ´e
d(f, g) = ‖f − g‖
definida em B(X; R) (onde a norma ‖.‖ ´e a do exemplo (2.1.7)) ´e proveniente da norma da convergˆencia uniforme.
d(~x + ~a, ~y + ~a) = d(~x, ~y) e d(λ~x, λ~y) = |λ|d(~x, ~y),
para todo ~x, ~y, ~a ∈ E e λ ∈ R. No exerc´ıcio 4 da 1.a lista de exerc´ıcios o leitor ´e convidado a produzir um exemplo de espa¸co vetorial que possua uma m´etrica que n˜ao prov´em de nenhuma norma definida no espa¸co vetorial em quest˜ao.
Para considerar uma outra classe de exemplos precisaremos da
Defini¸c˜ao 2.1.6 Seja E um espa¸co vetorial sobre R. Diremos que a fun¸c˜ao < .,. >: E × E → R ´e um produto interno (ou escalar) em E se satisfas as seguintes condi¸c˜oes:
(p1) Para ~x, ~x′, ~y ∈ E temos
< ~x + ~x′, ~y >=< ~x, ~y > + < ~x′, ~y >;
(p2) Para ~x, ~y ∈ E e λ ∈ R temos
< λ~x, ~y >= λ < ~x, ~y >;
(p3) Para ~x, ~y ∈ E temos < ~x, ~y >=< ~y, ~x >;
(p4) Para ~x ∈ E, ~x 6 = ~ 0 temos < ~x, ~x >> 0.
Neste caso diremos que (E, < .,. >) ´e um espa¸co com produto interno (ou escalar).
Observa¸c˜ao 2.1.
< ~x, ~y + ~y′^ > (p3) = < ~y + ~y′, ~x > (p1) = < ~y, ~x > + < ~y′, ~x > (p3) = < ~x, ~y > + < ~x, ~y′^ >
e < ~x, λ~y′^ > (p3) = < λ~y, ~x > (p2) = λ < ~y, ~x > (p3) = λ < ~x, ~y >, (∗)
ou seja, < .,. > ´e linear em cada uma das suas entradas (denominada bilinear).
para todo ~x ∈ E e < ~x, ~x >= 0 se, e somente se, ~x = ~ 0. No curso de Algebra Linear dir´´ ıamos que a fun¸c˜ao < .,. > ´e bilinear, sim´etrica e positiva definida.
A seguir exibiremos alguns exemplos de espa¸cos com produto interno:
Exemplo 2.1.9 Seja E = Rn^ e definamos
< .,. >: Rn^ × Rn^ → R
por
< ~x, ~y > =. x 1 y 1 + · · · + xnyn =
∑^ n
i=
xi yi,
onde ~x = (x 1 , x 2 , · · · , xn), ~y = (y 1 , y 2 , · · · , yn) ∈ Rn. Ser´a deixado como exerc´ıcio para o leitor mostrar que a fun¸c˜ao < .,. > definida acima satisfaz as condi¸c˜oes (p1),(p2),(p3) e (p4), ou seja, < .,. > ´e um porduto interno em Rn.
Outro exemplo importante ´e:
Se ~x 6 = ~ 0 podemos definir
λ =. < ~x, ~y > ‖~x‖^2 e ~z =. ~y − λ~x.
Observemos que
< ~z, ~x > =< ~y − λ~x, ~x >=< ~y, ~x > −λ < ~x, ~x >=< ~y, ~x > − < ~x, ~y > < ~x, ~x >
< ~x, ~x >
=< ~x, ~y > − < ~x, ~y >= 0,
(isto ´e, os vetores em quest˜ao s˜ao ortogonais). Logo
‖~y‖^2 =< ~y, ~y >=< ~z + λ~x, ~z + λ~x >=< ~z, ~z > +λ < ~z, ~x > +λ < ~x, ~z > +λ^2 < ~x, ~x > [<~x,~z>=<~z,~x>=0] = ‖~z‖^2 + λ^2 ‖~x‖^2.
Logo λ^2 ‖~x‖^2 ≤ ‖~y‖^2 , ou seja, (^) [ < ~x, ~y > ‖~x‖^2
‖~x‖^2 ≤ ‖~y‖^2 ,
isto ´e, < ~x, ~y >^2 ≤ ‖~x‖^2 ‖~y‖^2 implicando a desigualdade acima, como quer´ıamos demonstrar.
‖~x + ~y‖^2 < ~x + ~y, ~x + ~y >=< ~x, ~x > + < ~x, ~y > + < ~y, ~x > + < ~y, ~y > = ‖~x‖^2 + 2 < ~x, ~y > +‖~y‖^2 ≤ ‖~x‖^2 + 2‖~x‖ ‖~y‖ + ‖~y‖^2 = (‖~x‖ + ‖~y‖)^2 ,
inplicando que ‖~x + ~y‖ ≤ ‖~x‖ + ‖~y‖, ou seja , vale (n3). Com isto temos que ‖.‖ ´e uma norma em E.
Observa¸c˜ao 2.1.
‖~x + ~y‖^2 + ‖~x − ~y‖^2 = 2[‖~x‖^2 + ‖~y‖^2 ],
para tod ~x, ~y ∈ E, que ´e conhecida como lei do paralelogramo.
Para concluir a se¸c˜ao temos o:
Exemplo 2.1.12 Sejam (M, dM ) e (N, dN ) dois espa¸cos m´etricos. Em M × N podemos considerar as seguinte fun¸c˜oes
d, d′, d′′^ : [M × N ] × [M × N ] → R
dadas por:
d(z, z′) =.
[dM (x, x′)]^2 + [dN (y, y′)]^2 ; d′(z, z′)
= dM (x, x′) + dN (y, y′); d′′(z, z′) = max. {dM (x, x′), dN (y, y′)},
onde z = (x, y), z′^ = (x′, y′) ∈ M × N. Ser´a deixado como exerc´ıcio para o leitor mostrar que d, d′, d′′^ s˜ao metricas em M × N.
Observa¸c˜ao 2.1.