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Este texto explora a evolução da escrita e da leitura, da era manuscrita à era digital. O autor aborda a ruptura entre o leitor tradicional e o leitor eletrônico, as operações acumuladas no ambiente digital, a função do autor na era digital, a propriedade literária e o domínio público, a multimídia e a construção do livro, e a leitura entre limitações e liberdade. O texto também discute a importância da leitura na sociedade, as sociedades de leitura e book clubs, a leitura como contemplação e meditação, e a revolução eletrônica.
Tipologia: Esquemas
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CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador: conversações com Jean Lebrun. São Paulo: Editora UNESP, 1998. Bianca Souza de Araújo Pinheiro (Vespertino) PRÓLOGO : A revolução das revoluções? a) Texto Manuscrito – Texto impresso (Invenção de Gutenberg) – Texto eletrônico ; Ruptura dos textos manuscritos com a letra romana; Edição a demanda (Texto impresso) Tela do texto eletrônico “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimrevolução nas estruturas do suporte material do escrito assim como nas maneiras de ler” (p.13)) b) O leitor Eletrônico: “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimEle é simultaneamente esses dois leitores. [...] O texto eletrônico lhe permite maior distância com relação ao escrito. [...] torna possível uma relação muito mais distanciada, não corporal” (p.13)-16) afastamento entre autor e seu texto. c) Modo de produção : Autor, editor, tipógrafo, livreiro: operações acumuladas no ambiente eletrônico; Crítico: Papel reduzido e ampliado – livre espaço de julgamento pessoal; Historiador: “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimO historiador deve poder vincular em um mesmo projeto o estudo da produção, da transmissão e da apropriação dos textos” (p.18) O autor entre punição e proteção “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimA escrita é inseparável dos gestos violentos que o reprimem” (p.23)) Ideia de texto – ideia de autor a) Leitura : Papiros e pergaminhos – Revolução eletrônica b) Autor oral : Pregador – “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assim[...] como se houvesse aí um gênero que só resistisse na e pela oralidade, a palavra viva” (p.26); Teatro – “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimé a priori ilegítimo separar o texto teatral daquilo que lhe dá vida: a voz dos atores e a audição dos expectadores” (p.27); Coreógrafo – “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assim[...] o texto é apenas um elemento [...] Isto faz cair as peças numa espécie de domínio público” (p.27); Ensino: [...] é uma palavra que se inscreve num lugar, num gestual, em modos de comunicação com o auditório que são irremediavelmente perdidos pela fixação escrita” (p.28) propriedade/controle e exatidão. c) Foucault – função do autor : compor e ser representado pelas imagens de uma obra Writer – Author / aquele que escreve – aquele que dá identidade e autoridade ao texto; Fauteur – evocador de textos anônimos – apropriação penal dos discursos. d) Censura : Étienne Dolet – Situação atual do Islã – Autor como pensionista virtual: “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimEle não escreve o livro, mas a intenção do livro estava já no seu espírito” (p.40); Séc. XVII: aprovação do poder real – monárquica – tácita; “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assim[...] para os autores de hoje, o perigo de perder seus direitos é, de fato, mais difundido que o de perder sua liberdade” (p.45)
O texto entre autor e editor Séc. XVIII: A figura do ‘autor-proprietário’ é moldada pelos editores, que deixam permanecer a essência da obra. “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimo copyright não deixa de definir de modo original a criação literária, cuja identidade subsiste qualquer que seja o suporte de sua transmissão.” (p.49) em que é questionado os fundamentos da apropriação individual dos textos nas possibilidades de reestruturação no texto eletrônico atual. a) Livreiro-editor x editor atual 183)0: “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assim[...] profissão de natureza intelectual e comercial que visa buscar textos, encontrar autores, liga-los ao editor, controlar o processo que vai da impressão da obra até a sua distribuição. ” (p.50); Séc. XIX – Hanchette, Larousse, Hetzel. Séc. XX (Paris): Gallimard, Flammarion (fundador-família) capitalismo editorial reagrupamentos (empresas multimídia) – enfraquecimento na relação editor-edição Empreendedor singular (intelectual tal como o autor) – relações conturbadas. Séc. XVI-XVIII (Platin – Panckoucke): não existe atividade editorial Livreiro-editor/gráfico-editor, definido pelo comércio, em que a atividade de livraria se organiza a editorial (p.58) Relações de proteção e posição (relação de lealdade com a monarquia “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimA perpetuação desses privilégios impede que se abra um domínio público do livro” (p.54) Sistema inglês – Sistema Francês. b) Falsificações: França, feitas por livreiros-editores da província (Províncias Unidas, principados alemães e cidades da Suíça), em vista dos privilégios que reformam a centralização da edição, logo, uma atividade essencial de defesa econômica Séc. XVI, época das Luzes – “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assim[...] a falsificação tornou-se uma atividade econômica muito importante” (p.58) 1780 , direito supra estatal (afim de evitar falsificações). c) Reações dos autores : direito do autor (gratificações e proteções de soberanos); Séc. XVIII – autor-proprietário (visando os interesses do livreiro-editor); 1709 – 1777 – direitos dos autores autores-editores. d) Estado : Inglaterra: Limitação do copyright ; França: reconhecimento da escrita como profissão. propriedade literária + prazo = domínio público. e) Desmaterialização do manuscrito : Séc. XXI – o livro deixa de ser o foco da essência da obra; Multimídia: o valor estético recai sobre o valor intelectual da obra ao leitor os vários recursos unificam a essência da obra.
Cultura escrita (inquietações): temor da perda, desaparecimento e preservação, preservação dos textos reprodução mecânica. a) Iletrismo na juventude : Sociedades europeias e Estados Unidos 12,5% de jovens iletrados – 1% fora da cultura escrita Oralização obrigatória e escrita fonética (exposição e introversão no meio de leitura) A escrita e a leitura se tornam mais complexas = Classes mais jovens não leem cânones, mas leem. b) Aprendizagem : Rousseau Autodidatismo – a partir do analfabetismo e iletrismo (Jean Goulemot e Jean Hébrard - Apropriação indireta da cultura escrita: ilustrações e estrutura repetitiva) / a partir da educação familiar (cultura escrita dominada); Europa e aprendizagem: Proliferação dos leitores (séc. XIX – Antigo Regime) prioridades estatais: concepções econômicas (Controle do poder) c) Multiplicação das leituras e perigos da urbanização : “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimAbertura democrática permite a mobilidade social” (p.108); Leitura acadêmica: segue restrita; Mulheres e leitura: mediação do Clero Lutero (1520) interpretações política e socialmente perigosas d) O medo do excesso de livros : Invenção de Gutenberg Séc. XIX industrialização séc. XX multiplicação: leituras incontroladas e leitores incontroláveis (Livro de bolso) e) Ruptura da ideia de mestre-escola (bibliotecário): Escola - Igreja – Família – Biblioteca conteúdos diversos, instrumentos de imposição semelhante Distanciamento do mundo social. A biblioteca entre reunir e dispersar Biblioteca universal (utopia) o mito de Alexandria. a) A instituição (valor simbólico e valor de demanda): Biblioteca imaterial - o lugar do texto e do leitor podem então estar separados pesquisadores e curiosos, silenciosos e falantes; Convivência: o silencio das bibliotecas (séc. VIII e XIV) regulamentos. França: jamais houve idade de ouro para as bibliotecas públicas política de leitura pública (dois momentos): 1850-1870 – incapacidade das bibliotecas assegurarem a leitura como atividade pública; Pós-Primeira Guerra – aplicação do modelo americano (bibliotecas circulantes); Estados Unidos: cultura protestante do livro – cultura comunitária b) Acadêmicos e a leitura pública : Posse particular do saber torna-se impossível diante do crescimento de professores e proliferação de revistas e pesquisas Biblioteca: recurso. c) Ameaça : invasora, ameaçadora e incontrolável: Revolução Industrial: Crise do livro – superprodução (Séc. XIX) – abandono do modelo Gutenberg Mutação técnica
(industrialização da impressão); 1910-1914 – crise de superprodução – alavanque das grandes casa publicadoras do séc. XX d) Leitor, bibliotecário e arquivista : (No contemporâneo) superação da capacidade de conservação necessidade absoluta de triagem; Historiadores do livro - O texto eletrônico (expansão e evolução) Leitor – leitura e experiência. O numérico como sonho de universal Séc. XVIII – Progresso das Luzes Comunicação à distância. ausência de referência comum de cultura justaposição de identidades singulares O mundo contemporâneo dividido em particular e universalidade. O texto eletrônico : universalidade e interatividade Gutenberg – promessa de universal; Kant – leitor-autor: juízos compartilhados; Enciclopédia : texto, imagem e som (conservação e transmissão); “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimdisponibilidade universal das palavras enunciadas e das coisas representadas.” (p.13)5) organização, classificação e ordem = Revolução eletrônica; Jornal (séc. XVIII): “revolução nas estruturas do suporte material do escrito assimA composição na tela, a transmissão ao leitor, a recepção, a leitura e o armazenamento na memória informática são efetuadas sem que em nenhum momento haja inscrição em papel [...]” (p.13)7) micro-edição; Leitor e percepção : decisão do editor efeito significativo produzido pela forma. a) Universalidade (obstáculos): Condorcet (séc. XVIII): Limites da comunicação impressa – pluralidade das línguas Esperanto (proposta falha); Cultura impressa – cultura manuscrita texto eletrônico: mesmos processos de construção em funcionamento, porém, com a fragmentação de diferenciação e divulgação futuro: mediação fria – afetividade do leitor (livro físico); Comunicação universal – Interação nula: retorna a leitura no espaço doméstico e privado (mais do que a de biblioteca) costume vindo do Antigo Regime Leitura em voz alta (sociabilidade compartilhada): Séc. XIX – ensino e pedagogia (controle da leitura silenciosa), igrejas, universidade e tribunal = mobilização cultural e política; Contemporâneo: apenas na relação adulto-criança e locais institucionais. Leitura silenciosa (ambígua e mista) isolamento, a menos que compartilhada em espaço público. Eletrônico: reversão definitiva. b) Fragmentação da leitura e revolução eletrônica (edição e editores): dois extremos – liberdade (autor-editor-distribuidor) revista eletrônica República das Letras (comunicação intelectual).