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Estática, Notas de estudo de Engenharia Civil

vectores,momentos,

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 27/03/2011

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jeniffer-barreto-8 🇧🇷

4.3

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bg1
Capítulo 3
Sistemas de vectores
3.1 Grandezas
Algumas grandezas físicas são representadas matematicamente por um escalar,
isto é, basta uma quantidade para as definir. (Exemplo: massa de um corpo, o seu
volume, a sua superfície, etc.)
Outras são grandezas vectoriais que necessitam de três quantidades para serem
definidas num espaço tridimensional. (Exemplo: forças, deslocamentos, velocida-
des, etc.)
Um vector é uma entidade matemática definido por intensidade, direcção e sen-
tido e geometricamente representada por uma recta orientada: direcção, ponto de
aplicação, sentido, e módulo
A
B
~a
ponto de aplicçao - A
sentido A B
direcçao(recta)
modulo k~ak
Figura 3.1: Representação de um vector.
A maioria das grandezas mecânicas são representáveis por vectores e por isto o
instrumento matemático se baseia nas operações vectoriais.
Outras ainda são grandezas físicas tensoriais. Uma grandeza tensorial definida
num espaço tridimensional de ordem ntem 3ncomponentes. Para representar o
estado de tensão e deformação em torno de um ponto em 3D usa um tensor de 2a
ordem (32). Definem-se (num espaço tridimensional):
escalar: o tensor de ordem 0, com 30= 1 componentes;
vector: o tensor de primeira ordem, com 31= 3 componentes;
tensor: o tensor de segunda ordem, com 32= 9 componentes;
Em geral, num espaço de ordem mum tensor de ordem ntem mncomponentes.
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pfa
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pfe
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pf2a

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Capítulo 3

Sistemas de vectores

3.1 Grandezas

Algumas grandezas físicas são representadas matematicamente por um escalar,

isto é, basta uma quantidade para as definir. (Exemplo: massa de um corpo, o seu

volume, a sua superfície, etc.)

Outras são grandezas vectoriais que necessitam de três quantidades para serem

definidas num espaço tridimensional. (Exemplo: forças, deslocamentos, velocida-

des, etc.)

Um vector é uma entidade matemática definido por intensidade, direcção e sen-

tido e geometricamente representada por uma recta orientada: direcção, ponto de

aplicação, sentido, e módulo

A

B

~a

ponto de aplicçao - A

sentido A → B

direcçao(recta)

modulo ‖~a‖

Figura 3.1: Representação de um vector.

A maioria das grandezas mecânicas são representáveis por vectores e por isto o

instrumento matemático se baseia nas operações vectoriais.

Outras ainda são grandezas físicas tensoriais. Uma grandeza tensorial definida

num espaço tridimensional de ordem n tem 3

n componentes. Para representar o

estado de tensão e deformação em torno de um ponto em 3D usa um tensor de 2

a

ordem ( 3

2

). Definem-se (num espaço tridimensional):

  • escalar: o tensor de ordem 0, com 3

0 = 1 componentes;

  • vector: o tensor de primeira ordem, com 3

1 = 3 componentes;

  • tensor: o tensor de segunda ordem, com 3

2

= 9 componentes;

Em geral, num espaço de ordem m um tensor de ordem n tem m

n componentes.

8 CAPÍTULO 3. SISTEMAS DE VECTORES

3.2 Sistemas de vectores

Os vectores podem ser classificados em:

  • vector aplicado ou fixo: não pode ser movido sem modificarem as condições

do problema. Exemplo - peso das várias partículas.

  • vector deslizante: o ponto de aplicação pode mover-se ao longo da linha de

acção.

Casos particulares de vectores deslizantes:

- vectores iguais: mesma - intensidade, direcção e sentido - pode ser

diferente o ponto de aplicação.

- vectores opostos: mesma - intensidade, direcção - sentido oposto -

pode ser diferente o ponto de aplicação.

~a

~a

~a

−~a

vectores iguais vectores opostos

Figura 3.2: Vectores deslizantes: iguais e opostos.

  • vector livre: pode mover-se livremente no espaço - o ponto de aplicação

pode ser qualquer ponto.

Os sistemas de vectores podem ser:

  • sistema de vectores quaisquer;
  • sistema de vectores concorrentes: aplicados num ponto - caso dos vectores

actuantes sobre uma partícula ou com linhas de acção concorrentes;

  • sistema de vectores complanares: vectores contidos no mesmo plano;
  • sistema de vectores colineares: têm a mesma linha de acção;
  • sistema de vectores paralelos: têm as linhas de acção paralelas;

3.3 Operações vectoriais

3.3.1 Revisão das operações vectoriais básicas

Produto por um escalar Definição: C ~a = ~a C, onde C pode ser zero, positivo

ou negativo.

O resultado é um vector da mesma direcção e ponto de aplicação.

10 CAPÍTULO 3. SISTEMAS DE VECTORES

Operações não permitidas : adição de um escalar e um vector, divisão de dois

vectores.

3.3.2 Decomposição de um vector em direcções concorrentes

Qualquer vector pode ser decomposto em duas ou mais componentes desde que

tenham o mesmo efeito.

A decomposição de um vector segundo duas direcções concorrentes pode ser feita

utilizando a regra do paralelogramo (triângulo) de forma inversa.

O

O

b) a)

~a

~a

~ b

~c

~ b‘

~ c‘

Figura 3.6: Decomposição de um vector em duas direcções concorrentes

~a =

b + ~c =

b

c

Casos:

  • Conhecem-se as direcções de acção dos vectores componentes 3.3.2.a;
  • Conhece-se um dos vectores componentes 3.3.2.b;
  • As direcções de acção dos vectores componentes são perpendiculares.

A utilização da regra do paralelogramo (triângulo) requer o uso de trigonometria

(lei dos Senos ou dos Cosenos) ou a resolução gráfica.

b

α

β

γ

a c

β α

β

α

  • Triângulo: - Soma dos ângulos: α + β + γ = 180

;

- Lei dos Senos:

a

sin α

b

sin β

c

sin γ

- Lei dos Cosenos: c

2

= a

2

  • b

2

− 2 a b cos γ;

Caso particular γ = 90

⇒ Lei da Pitagora.

  • Paralelogramo: - Soma dos ângulos: 2 α + 2 β = 360

;

3.3. OPERAÇÕES VECTORIAIS 11

3.3.3 Exemplos de operações vectoriais

Problema 3.1 Adição de dois vectores:

F =

F

1

F

2

a) b)

c)

15

o

~ F 1

= 60N

~ F 2

= 30N

20

o

15

o

15

o

~ F 2

20

o

α

β

α

~ F 2

~ F

~ F 20

o

γ

~ F 1

~ F 1

Resolução:

  • Graficamente: desenhar a escala, usar a regra de paralelogramo e me-

dir |

F |

  • Resolução trigonométrica: γ =

360 − 2 [90 − (20 + 15)]

F | - Lei dos Cosenos: |

F | =

F 1 |

2

  • |

F |

2

2

F | 1 |

F | 2 cos γ

F | =

2

  • 30

2 − 2 60 30 cos 125

◦ = 81. 02 N

- β - Lei dos Senos:

F |

sin γ

F | 2

sin β

⇒ β = 17. 25

- Direcção do |

F : α = 90 − (

  • β) = 90 − 37 .65 = 52. 34

Problema 3.2 Uma jangada é puxada por dois rebocadores. Se a resultante das

forças exercidas pelo rebocador for F = 22240 N dirigida segundo o eixo da

jangada, determine:

  • a) a força de tracção instalada em cada uma das cordas, sabendo

que α = 45

;

  • b) o valor de α para qual a força de tracção instalada na corda 2 é mínima.

Resolução trigonométrica

a)

b)

30

α

1

2

α = 60

~ F

30

45

~ F

~ F 1

~ F 2

~ F 2

30

~ F 1

A (^) B A B

3.3. OPERAÇÕES VECTORIAIS 13

~a = ~a x

  • ~a y

= |~a x

|~e x

  • |~a y

|~e y

= a x

~e x

  • a y

~e y

|~a| =

a

2

x

  • a

2

y

onde ~e x

, ~e y

e ~e 1

, ~e 2

são versores do referencial xOy (x 1

Ox 2

) segundo os eixos

(x, y) e x 1

, x 2

), respectivamente.

3.3.5 Componentes Cartesianas de um vector no espaço

O referencial Cartesiano é um referencial direito - aplica-se a regra da saca-rolha

ou da mão direita.

O

~e x

y

z

x

O

~e 3

x 3

x 1

x 2

O

~ez

z

x

y

saca − rolhas

~e y

~ex

~ez

~e y

~e 2

~e 1

Figura 3.8: Referencial Cartesiano

As componentes do vector ~a no espaço seguindo as direcções do referencial Car-

tesiano são: ~ax,~ay,~az.

~ez

~e y

~ex

x

O

~ax

~ay

~az

~a

z

y

x

z

y

~ey

~e z

O

~a

~e x

θ z

θx

θy

Figura 3.9: Componentes Cartesianas

~a = ~a x

  • ~a y

  • ~a z

= a x

~e x

  • a y

~e y

  • a z

~e z

14 CAPÍTULO 3. SISTEMAS DE VECTORES

|~a| =

a

2

x

  • a

2

y

  • a

2

z

Um vector no espaço necessita três ângulos para definir a sua direcção: θ x

, θ y

e θ z

medidos partir da direcção positiva dos eixos.

a x

= |~a| cos

(~a, x) = |~a| cos

(~a, ~e x

) = |~a| cos θ x

a y

= |~a| cos

(~a, y) = |~a| cos

(~a, ~e y

) = |~a| cos θ y

a z

= |~a| cos

(~a, z) = |~a| cos

(~a, ~e z

) = |~a| cos θ z

onde se verifica a relação: cos

2 θ x

  • cos

2 θ y

  • cos

2 θ z

Se

λ a

for o versor do vector ~a com os cosenos directores cos θ x

, cos θ y

, cos θ z

então é possível expressar esse vector com a ajuda do seu versor:

~a = |~a|

λa

O versor do vector ~a obtêm-se:

λ a

~a

|~a|

|~a| cos θ x

~e x

  • |~a| cos θ y

~e y

  • |~a| cos θ z

~e z

|~a|

λ a

= cos θ x

~e x

  • cos θ y

~e y

  • cos θ z

~e z

3.3.6 Vector definido pela sua intensidade e por dois pontos da

sua linha de acção

O vector

F é definido se conhece sua intensidade |

F | e pelo menos dois pontos da

sua linha de acção AB.

x

y

~e y

O

~e ~ex z

dx

d y

dz

~ F

A(xA, yA, zA)

B(xB , yB , zB)

z

~ λAB

Figura 3.10: Vector definido pela intensidade e linha de acção

16 CAPÍTULO 3. SISTEMAS DE VECTORES

Problema 3.4 Uma força de 500 N forma os ângulos de 60

, 45

e 120

, respec-

tivamente com os eixos x, y, z_. Determine as componentes_ F x

, F

y

e F z

Resolução

~e y

~e z

O

~e x

θz

θx

θ y

~ F

~ Fy

~ F x

~ F z

z

x

y

|

Fx| = |

F | cos 60

= 500

= 250N

Fy| = |

F | cos 45

= 500

= 354N

Fz | = |

F | cos 120

= 500

| = − 250 N

Problema 3.5 Determine a direcção e o sentido da força:

F = 320 ~e x

  • 400 ~e y

250 ~e z

[N]

Resolução: F x

= 320 N; F

y

= 400 N; F

z

= − 250 N;

F | =

F

2

x

+ F

2

y

+ F

2

z

2

  • 400

2

  • 250

2 = 570 N

cos(

F , x) =

F

x

F |

= 0.561; ⇒ θ x

cos(

F , y) =

Fy

F |

= 0.701; ⇒ θ y

cos(

F , z) =

Fz

F |

= − 0 .438; ⇒ θ z

λ F

= 0. 561 ~e x

    1. 701 ~e y

− 0. 438 ~e z

~ey

θx

  1. 56

y

~ F

x

~ez

z

O

  1. 70

~e x

θz

θy

  1. 44

~ λF

Problema 3.6 Uma placa rectangular é suportada por três cabos. Sabendo que

a força de tracção instalada no cabo AB é de 408 N , determine as componentes

da força exercida na placa em B.

Resolução

A força

F tem direcção B → A e será decomposta segundo as direcções x, y, z_._

As coordenadas dos pontos que definem a linha de acção são: A(0; 480; 0) e

B(−320; 0; 360)

3.4. PRODUTO INTERNO OU PRODUTO ESCALAR 17

130 320 450

~ex

C

D

A

x

x

480

B

C

D

A

y y

360

360

z

z

~ez

~ey

~ F

~ Fy

~ Fx

~ F B z

F = |

F |

λ BA

BA = |

BA|

λ BA

BA = 320~e x

  • 480~e y

− 360 ~e z

BA| =

2

  • 480

2

  • 360

2 = 680 mm

F = |

F |

BA

BA|

~e x

~e y

~e z

= 192~e x

  • 288~e y

− 216 ~e z

F

x

= 192 N; F

y

= 288 N; F

z

= − 216 N;

3.4 Produto interno ou produto escalar

O produto interno a dois vectores dá um escalar e o resultado é obtido:

~a ·

b = |~a||

b|cos(~a,

b) = ab cos α.

Propriedades:

  • comutativa: ~a ·

b =

b · ~a

  • distributiva em relação ao adição: ~a · (

b + ~c) = ~a ·

b + ~a · ~c

  • multiplicação por um escalar: C(~a ·

b) = (C~a) ·

b

O produto interno é utilizado para determinar as componentes escalares de um

vector segundo uma direcção dada (projecção) e o ângulo entre dois vectores.

Exemplo - componentes escalares Cartesianas.

  • vectores base:

~e x

· ~e y

= 1 · 1 cos 90

= 0; ~e x

· ~e x

= 1 · 1 cos 0

= 1

  • componentes Cartesianas (projecções na direcção dos eixos do referencial):

F

x

F

x

|~e x

F

x

F

x

· ~e x

F | cos α

F

x

| = proj x

F =

F

x

· ~e x

3.5. OPERAÇÕES BÁSICAS VECTORIAIS 19

3.5 Produto vectorial a dois vectores ou produto ex-

terno

O resultado da operação é um vector e é obtido por:











~c

~ b

α

~a

Definição:

~c = ~a ×

b

O vector ~c têm caracter diferente do vector que lhe deu origem, isto do vector

b, o

que graficamente será representada por uma recta orientada com seta dupla.

3.5.1 Produto vectorial a dois vectores

Os elementos que definem o vector resultante são:

  • intensidade (módulo ): |~c| = |~a ×

b| = |~a||

b| sin (~a,

b) = |~a||

b| sin α

o ângulo α representa o menor ângulo entre os vectores ~a e

b.

  • direcção : direcção perpendicular ao plano formados pelos vectores ~a e

b.

  • sentido : pela regra da saca-rolha ou regra da mão direita.

Pela regra da saca-rolha o sentido do vector ~c coincide com o sentido de

progressão de uma saca-rolhas que rodasse acompanhando o movimento de

rotação que levaria o primeiro vector do produto externo ( ~a) a ir a ter com

o segundo vector (

b)

Propriedades:

  • NÃO é comutativa: ~a ×

b 6 =

b × ~a; ~a ×

b = −(

b × ~a)

  • distributiva em relação ao adição: ~a × (

b + ~c) = ~a ×

b + ~a × ~c

  • multiplicação por um escalar: C(~a ×

b) = (C~a) ×

b = ~a × (C

b)

O produto vectorial é utilizado para calcular o momento de um vector em relação

a um ponto e identificar um vector perpendicular a dois vectores complanares.

Exemplo - vectores base do referencial Cartesiano (referencial direito) Os vectores

base do referencial direito obedecem as seguintes regras:

~ez = ~ex × ~ey ; ~ex = ~ey × ~ez ; ~ey = ~ez × ~ex

~e x

× ~e x

= 0; ~e y

× ~e x

= −~e z

20 CAPÍTULO 3. SISTEMAS DE VECTORES

O

~ez

~e y

~ex

z

x

y

Produto externo expresso em termos de componentes Cartesianas

Seja o vector ~a e

b expressos em componentes Cartesianas:

~a = ax~ex + ay~ey + az~ez ;

b = bx~ex + by~ey + bz~ez

O produto externo é:

~c = ~a ×

b =

~e x

~e y

~e z

a x

a y

a z

b x

b y

b z

ay az

b y

b z

~e x

az ax

b z

b x

~e y

ax ay

b x

b y

~e z

~c = ~a ×

b = (a y

b z

− a z

b y

)~e x

  • (a z

b x

− a x

b z

)~e y

  • (a x

b y

− a y

b x

)~e z

O produto externo é usada para calcular o momento de um vector em relação a

um ponto.

Se o vector representa uma força, então o momento é a capacidade de rotação de

uma força.

3.6 Momento de uma força em relação a um ponto

O vector momento é um vector fixo , pelo que varia com o ponto em relação

ao qual se calcula. O momento de uma força

F em relação a um ponto O, é a

capacidade de rotação de força em torno do ponto representado por

MO, sendo a

unidade [F m].

M

O

= ~r ×

F

onde ~r é o vector posição do ponto de aplicação do vector

F relativamente ao

ponto O.

A vector momento pode ser obtido através do produto vectorial (Secção 3.5.1),

determinando a sua intensidade, direcção e sentido ou utilizando a expressão ana-

lítica, produto externo (Secção 3.5.1) obtendo as componentes segundo os eixos

coordenados.

22 CAPÍTULO 3. SISTEMAS DE VECTORES

  1. O momento de um vector em relação a um ponto é nulo sempre que a linha

de acção do vector passe pelo ponto em causa, sendo os vectores ~r e

F

colineares (α = 0).

  1. O momento de um vector varia escolhendo um outro ponto em relação ao

qual se calcula.

O momento relativamente ao ponto O é dado por:

M

O

= ~r OA

×

F

~ F

O

~ M O

~rOA

Q

~ MQ

~ MP

A

~rP A

P

Figura 3.13: Variação do momento de uma força em relação a um ponto

Escolhendo um ponto P , o momento em relação a esse ponto será:

MP = ~rP A ×

F = (~rOA −

OP ) ×

F =

MO −

OP ×

F

Como

OP = −

P O:

MP =

MO +

P O ×

F (3.1)

A equação (3.1) representa a propagação dos momentos, com a mudança do

ponto relativamente ao qual se deseja calcular o momento.

Observação: Se o ponto (Q) for numa linha paralela a linha de acção da

força, o momento relativamente a esse ponto

MQ =

MO ( o vector

QO e

F

ficarão paralelas ou colineares).

  1. O momento resultante de várias forças concorrentes relativamente a um

ponto é igual à soma dos momentos das várias forças relativamente a esse

ponto.

~r × (

F

1

F

2

F

n

) = ~r ×

F

1

  • ... + ~r ×

F

n

= ~r ×

R

Esta relação que representa a propriedade distributiva é a Teorema de Va-

rignon.

3.6. MOMENTO DE UMA FORÇA EM RELAÇÃO A UM PONTO 23

3.6.1 Exemplos de cálculo de momento de uma força em rela-

ção a um ponto

Problema 3.8 Sabendo que a força de intensidade F = 600 N e com linha de

acção BC , determine o momento em relação ao ponto A_._

x

z

y

~ F

B(0, 8 , 0)

O

3 m

~rAB

4 m

A(4, 0 , 3)

~ MA

~rAC

C(0, 0 , 6)

Resolução:

M

A

= ~r AC

×

F

F = |

F |

λ BC

2

  • 6

2

(− 8 ~e y

+6~e z

) ; ~r AB

= (0−4)~e x

+(8−0)~e y

+(0−3)~e z

M

A

= ~r AB

×

F =

~e x

~e y

~e z

= 1440~e x

  • 1440~e y

  • 1920~e z

Em alternativa o momento da força

F em torno do ponto A pode ser calculada

utilizando o vector de posição ~r AC

, deslizando o vector

F ao longo da linha BC

com ponto de aplicação em C_._

M

A

= ~r AC

×

F ; ~r AC

= (−4)~e x

  • 3~e z

MA =

~e x

~e y

~e z

= 1440~ex + 1440~ey + 1920~ez

3.6. MOMENTO DE UMA FORÇA EM RELAÇÃO A UM PONTO 25

[mm]

x

B

70

102

A

y

x

d

B

102

A

y

~ P ⊥

457

~r C BC

~ F

C

~ β P

~ P‖

70

~r BA

10

  • intensidade: |

MB | = |~rBC ||

F | sin 90

= 0. 102 × 890 = 90.78 [Nm]

  • direcção: direcção do eixo z (perpendicular ao plano xOy )
  • sentido: sentido horário ( −~e z - pela regra de mão direita).

b) A intensidade da força

P aplicada no ponto A para

M

B

= 90.78 [Nm] :

M

B

= ~r BA

×

P

o

Pelo produto externo

P = P cos 10

~ex − P sin 10

~ey

~r BA

= − 0 .457 cos 70

~e x

  • 0.457 sin 70

~e y

= − 0. 156 ~e x

    1. 429 ~e y

M

B

~e x

~e y

~e z

P cos 10

−P sin 10

0

= − 90. 78 ~e z

[Nm]

P =

(0. 156. cos 10

◦ − 0 .429 sin 10

◦ )

= 229.374[N]

o

Pelo produto vectorial:

M

B

| = |~r BA

P | sin β = 0. 457 P sin 60 = 0. 474 P = 90.78 [Nm]

M

B

| = |~r BA

P | sin β = 0. 457 P sin 60 = 90.78 [Nm]

P =

0 .457 sin 60

= 229.37 [N]

o

Decompor a força

P em duas componentes, uma paralela com a di-

recção AB (

P

) e outra perpendicular a AB (

P

), sendo:

P =

P

P

Aplicando a teorema de Varignon:

26 CAPÍTULO 3. SISTEMAS DE VECTORES

M

B

= ~r BA

×

P = ~r BA

× (

P

P

) = ~r BA

×

P

︸ ︷︷ ︸

=0 (sin 0=0)

+~r BA

×

P

M

B

= ~r BA

×

P

M

B

| = |~r BA

P

| = 0. 457 P sin β

P =

0 .457 sin 60

= 229.37 [N]

c) A menor força que produz o mesmo momento (ver alinha b) − 3

o ), se obtêm

no caso em que

P =

P

, isto é sin(~r BA

P ) = 1

M

B

| = |~r BA

P | = 0. 457 P ; ⇒ P =

= 198.64 [N]

3.7 Produto misto a três vectores

Entende-se por esta operação um produto interno e um produto externo, sendo o

resultado um escalar e é usada para calcular o momento de um vector em relação

a um eixo.

~c · (~a ×

b) = ~c ·

~ex ~ey ~ez

a x

a y

a z

b x

b y

b z

cx cy cz

a x

a y

a z

b x

b y

b z

3.8 Momento de uma força em relação a um eixo

O momento de uma força

F em relação a um eixo definido por um versor

λ, é a

projecção do vector momento sobre o eixo, obtido em relação a um ponto desse

eixo M λ

O momento do vector

F em relação a um eixo representa a tendência que a força

impõe para a rotação em torno desse eixo.

M

λ

= proj ~ λ

M

O

onde O é um ponto no eixo (e) de versor

λ. O momento Mλ é obtido por um

produto misto:

M

λ

λ ·

M

O

λ · (

OA ×

F )