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A cabeça é formada pelo crânio e face. Ao avaliarmos o crânio devemos avaliar a forma, tamanho, suturas, fontanelas, protuberâncias e deformidades.
suturas
As fontanelas fazem com que os ossos do crânio possam se movimentar, permitindo assim que a cabeça do bebê passe de maneira mais fácil pelo canal do parto.
- A sutura lambdoide se fecha aos 2-3 meses;
- A sutura bregmática se fecha aos 9-18 meses. A craniossinostose é o fechamento antes da hora dos ossos do crânio. O fechamento prematuro de qualquer uma das suturas gera consequências em que os sinais e sintomas vão depender de quais suturas estão envolvidas, da ordem em que elas se fundem e do momento do fechamento. Quanto mais precoce ocorrer a craniossinostose, mais grave serão as consequências sobre a forma do crânio e do cérebro em crescimento. Essa fusão precoce resulta em microcefalia. Também pode ocorrer deformidade secundária a vício postural.
deformidades por craniossinostose
A craniossinostose modifica a forma do crânio, o que resulta em deformidades.
- Normal : o formato normal da cabeça é um pouco alongado, sendo o comprimento cerca de 1/ maior que a largura; o A região posterior é arredondada; o Ambos os lados são simétricos.
- Plagiocefalia : é possível observar um achatamento de um dos lados. O formato se assemelha a um paralelogramo; o Pode-se ter a impressão de que um dos lados é mais alto que o outro; o Uma orelha pode estar mais próxima do ombro em um dos lados.
- Braquicefalia : a largura é maior em relação ao comprimento. A região posterior da cabeça é chata ao invés de arredondada; o A cabeça é curta na medida ântero-posterior; o A parte posterior é achatada; o Há uma elevação posterior do topo da cabeça.
- Escafocefalia : a cabeça é longa e estreita. É a mais comum. o A cabeça é comprida na medida ântero- posterior.
Cabeça e pescoço
O tratamento pode ser cirúrgico pela remodelação da abóboda cranial ou pelo uso de um capacete de correção. Perímetro cefálico (PC) O PC pode ser medido com uma fita métrica no ponto da região frontal logo acima da glabela e, posteriormente, a protuberância occipital externa. O comprimento é aferido pela distância ântero- posterior (DAP), usando como referência a glabela até a protuberância occipital externa, passando sobre a sutura sagital. Deve ser medido rotineiramente até os 2 anos de idade (24 meses). tamanho da cabeça Como ocorre crescimento rápido, principalmente no primeiro ano de vida, espera-se que com 1 ano de idade o perímetro cefálico tenha aumentado cerca de 12cm , sendo 2cm por mês no primeiro trimestre , 1cm por mês no segundo trimestre e 0,5cm mensalmente no segundo semestre de vida – importante saber. MICROCEFALIA É uma cabeça anormalmente pequena para a idade, indicador de redução do tamanho do cérebro. Normalmente a medida é que 2 DP da média normal para a idade e sexo ( percentil inferior a - 2 ).
- Score-z: - 2 para idade e sexo. MACROCEFALIA Cabeça anormalmente grande para a idade por causa do aumento da circunferência cefálica. O PC está acima de 2 DP para a idade e sexo.
- Score-z: +2 para a idade e sexo. Pode ter várias causas, mas, a principal dela é a hidrocefalia , que pode ser causada por toxoplasmose ou meningomielocele, por exemplo. O olhar de sol poente é um sinal de alerta para lesão cerebral grave característico da hidrocefalia.
- Características da macrocefalia e, consequentemente, hidrocefalia : o Aumento do volume do crânio o Diástase das suturas (suturas afastadas); o Abaulamento da fontanela anterior e saliência dos vasos do couro cabeludo (fica para cima e pontuda); o Olhar de sol poente caracterizado pelo desvio ocular, revelando a esclera acima da íris e, por vezes, paralisia do nervo abducente. Na hidrocefalia, a dilatação do ventrículo cria uma espécie de vácuo que puxa o tecido nervoso para as laterais do crânio, comprimindo o tecido nervoso. É chamada de ex-vacum.
palpação
A palpação das fontanelas e das suturas também deve ser realizada. Em crianças normais, a termo, a fontanela anterior é a única que se consegue palpar após o nascimento. Pode estar diminuída logo após o parto, associada ao cavalgamento das suturas, como adaptação ao trabalho de parto – o cavalgamento é a sobreposição das bordas dos ossos do crânio.
Olhos
- Observar o formato e posição do olho, de forma a avaliar uma possível doença genética;
- Na pediatria devemos nos atentar ao retinoblastoma, que é diagnosticada pelo teste do olhinho. Além desse, devemos avaliar se há estrabismo;
- Devemos sempre estar atentos aos fatores de risco (problemas de saúde, doenças sistêmicas ou uso de medicações) que estão associadas à doença ocular ou alterações visuais). o Prematuridade (necessidade da falta de O 2 que leva à má perfusão do nervo e retina, fazendo com que o olho seja menor do que deveria, hemorragia da retina. Anemia na prematuridade também pode causar alterações na retina) – a prematuridade é um importante fator – e baixo peso ao nascimento ; o Complicações perinatais (avaliação ao nascimento e aos 6 meses): eclampsia, fórceps, rubéola; o Uso sistêmico crônico de corticosteroide ou outra medicação (hidroxicloroquina, vigabatrina) que possa provocar doença ocular (glaucoma de ângulo fechado). Observação: o colírio administrado como prevenção de conjuntivite oftálmica por clamídia em criança é feita com o nitrato de prata, o que pode causar conjuntivite química e induzir uma possível cegueira. exame ocular O exame ocular é feito pela inspeção, acuidade visual, reflexo vermelho e motilidade ocular. No que devemos nos atentar?
- Olhos : formato e posição;
- Pupila : a linha hemipupilar deve estar rente a fenda labial. Além disso, devemos avaliar se estão isocóricas (têm o mesmo diâmetro e reagem igualmente à luz) e fotorreagentes (pupila que se adapta a quantidade de luz no ambiente → miose e midríase); - Iris : coloração, doença de Wilson (causada por acúmulo de cobre. Observa-se um anel circundando a íris); - Escleras ; - Movimentos oculares : se não completos e simétricos; - Presença de nistagmo ; - Pregas epicânticas : característica física determinada pela pálpebra superior, que fica mais esticada que o normal, formando uma “dobra”. É comum na síndrome de Down, intoxicação medicamentosa e doenças neurológicas. exames oftalmológicos; roteiro - Questionário pré-consulta para os pais; - Exame externo: face, olhos e anexos; - Avaliação da acuidade visual; - Reflexos fotomotores direto e consensual; - Teste de Hirschberg; - Teste da cobertura (cover test); - Teste de Bruckner (do reflexo vermelho). Observação: não precisa saber os testes, apenas o do olhinho. Os outros só serão mencionados. inspeção - Avaliar simetria : comparar com o olho contralateral, observar as pupilas, órbitas, pálpebras (ptose palpebral) e rima palpebral; o A ptose pode ocorrer por compressão no nervo ocular ou por paralisia do nervo troclear oposto à lesão. - Verificar a presença de cabeça rodada e/ou cabeça inclinada. É uma posição compensatória por causa da acomodação do olho que não está com sua função normal; o Paciente com cabeça inclinada sobre o ombro esquerdo: diagnóstico de paralisia do músculo oblíquo superior direito; o A cabeça vira contralateral à lesão. Movimento compensatório contralateral – vira a cabeça para o lado que não enxerga. - Irritação ocular: olho vermelho, olho cor-de-rosa, estrabismo.
teste do olhinho O teste do olhinho é feito principalmente nas duas primeiras semanas de vida – pode ser feito depois, mas deve ser feito o mais precocemente possível a fim de diagnosticar uma possível alteração. Exemplo: catarata. O exame é realizado pelo médico pediatra, de preferência ainda na maternidade, antes da alta do RN. Também pode ser feito em consultas pediátricas de rotina, que são realizadas, pelo menos, duas a três vezes ao ano, nos três primeiros anos de vida. É um exame simples, rápido, indolor e de baixo custo realizado em RN. OBJETIVO DO EXAME O teste do olhinho verifica a coloração naturalmente vermelha do fundo do olho do RN. Dessa forma, vai diagnosticar o mais precocemente quadros que causem obstrução no eixo visual:
- Cegueira ou baixa visão;
- Retinoblastoma: câncer ocular que tem início na retina;
- Catarata congênita, glaucoma congênito;
- Leucoma: córnea com aspecto branco, geralmente se desenvolve após contato com doenças infecciosas, como na herpes ocular;
- Retinopatia da prematuridade;
- Descolamento de retina. Ao incidir a luz, devemos observar se há o reflexo da luz. Caso a cor seja branca, opaca ou amarelada, significa que o RN possui alguma patologia a ser tratada. visão e o DNPM O DNPM deve ser acompanhado pela visão. A percepção de cores, formato do rosto humano e visão com nitidez só começa com 3 - 4 meses de vida. Normalmente aos 7 meses que a visão se assemelha com o do adulto.
- A nitidez vem no primeiro mês, tendo o ápice no segundo mês (marco de desenvolvimento: acompanha objeto e faz sorriso social). Tem preferência por rostos humanos, pois é o que a criança está “acostumada” a enxergar. Conforme vai ficando mais nítido, mais atraída a criança vai ficando. Até 6 semanas olhos podem se mover independente, podendo parecer estrábico, mas é normal e fisiológico. - Devemos nos atentar para algumas situações: prova o Ausência de acompanhamento e fixação; o Inatenção visual (olhar fixo); o Movimentos oculares aleatórios; o Falta de sorriso social com 6 semanas (em torno de 2 meses a visão começa a ficar mais nítida); o Nistagmo, estrabismo (fisiológico ou não), fotofobia; o Reflexo vermelho alterado. exame da fixação central Verificamos a motilidade ocular, fazendo com que o paciente acompanhe um objeto de fixação em diferentes posições do olhar (direita, esquerda, para cima e para baixo). Para cada lado que ele olhar iremos avaliar um par de nervo craniano. Devemos nos perguntar: “a criança fixa o objeto?” - Verificamos os movimentos de seguimento de cada olho separadamente e ocluindo o olho contralateral. acuidade visual É recomendado para todas as crianças com 3 anos de idade. A acuidade visual pode ser avaliada por dois testes: - Símbolos LEA para medida da acuidade visual em crianças na fase pré-verbal;
implantação da orelha A orelha deve estar posicionada na linha horizontal que conecta os cantos externos dos olhos. Na implantação baixa das orelhas elas são posicionadas abaixo de onde as orelhas tipicamente estão posicionadas na cabeça. Essa anormalidade está associada a várias síndromes genéticas e, muitas vezes, a atrasos no desenvolvimento. deformidades da orelha
- Anotia: ausência total da orelha;
- Microtia: ausência parcial da orelha, que varia de acordo com o grau de deformidade;
- Macrotia: aumento das dimensões da orelha. apêndices pré-auriculares Os apêndices pré-auriculares são anormalidades de orelha externa, comumente assintomática. Podem ser fístulas pré-auriculares, linfonodos, massas, inflamação, sensibilidade e edema da mastoides Comumente pacientes com apêndices pré-auriculares tem hidronefrose (dilatação do rim porque a urina não consegue passar até à bexiga), isso porque a origem embrionária auricular é semelhante a origem embrionário renal. teste da orelhinha O objetivo desse teste é avaliar se a criança possui alteração na condução óssea do ouvido (martelo, bigorna e estribo) ou perda coclear. Deve ser feita em crianças até os 3 meses de vida. É feito pelo fonoaudiologista, que, através de uma sonda que envia e recebe sons (emissões otoacústicas), é colocada no ouvido do RN. O som emitido (semelhante a um clique) vibra no tímpano, passando pelo ouvido médio até chegar à orelha interna (cóclea). Quando estimulada, a cóclea vibra.
- O som faz o caminho de volta e o microfone capta a vibração. Caso isso aconteça o bebê está saudável.
- No entanto, se sonda não captar a vibração de retorno, existe uma alteração auditiva e o bebê precisará fazer outros exames. otoscopia A otoscopia é uma etapa fundamental do exame físico otológico, que integra a semiologia da cabeça e do pescoço. Ela consiste na inserção de um instrumento (otoscópio) no meato acústico para visualização de estruturas internas. Auxilia no diagnóstico de doenças na orelha, a exemplo da otite média aguda (OMA) e da perfuração timpânica. OTOSCOPIO
- Lentes: tem a capacidade de aumentar em até duas vezes a imagem;
- Espéculos auriculares: especula descartável usada para examinar a membrana timpânica. A manutenção do aparelho deve ser sistemática: a troca regular de pilhas, baterias e lâmpadas. Atualmente, existem otoscópios que utilizam tecnologia em vídeo (vídeo-otoscópio), proporcionando visão amplificada da membrana timpânica. EXAME Ao exame, o pavilhão é tracionado pósteros- superiormente nas crianças maiores e inferiormente nos recém-nascidos, o que retifica o conduto externo (deixa ele mais reto e fácil para visualização), facilitando a introdução do espéculo e promovendo boa visualização do conduto e da membrana timpânica (MT). Deve-se sempre evitar a pressão do espéculo contra a parede do conduto auditivo externo, principalmente na sua porção óssea, região de maior sensibilidade à dor. É comum a presença de cerúmen, o que impede a boa visualização do conduto e da MT.
- A membrana timpânica normal deve estar translúcida, de superfície lisa e refletindo, à luz do otoscópio, uma pequena área triangular no seu quadrante ântero-inferior.
8 CONSIDERAÇÕES DO EXAME DO CONDUTO AUDITIVO EXTERNO E DA MEMBRANA TIMPÂNICA
- No lactente: puxar o ouvido para baixo e para trás;
- Em crianças pré-escolares: puxar para trás e para cima;
- Após idade escolar não há necessidade desse artificio. Mobilizar delicadamente o otoscópio para cima e para baixo com o espéculo de tamanho adequado;
- Pode ser possível visualizar, no canal auditivo externo, corpo estranho, furúnculos, inflamação, estenose e rolhas de cerume. otite média aguda (OMA) PROVA É uma infecção e/ou inflamação da orelha média com aumento na produção de secreção e, consequente, aumento da pressão intra-auricular (sensação de ouvido tapado, assim como acontece quando descemos a serra). A secreção empurra o tímpano para fora e o deixa abaulado.
- É uma das principais complicações do resfriado comum;
- É uma das doenças infecciosas mais comuns em pediatria: até os 3 anos de idade 85% das crianças já apresentaram ao menos um episódio de OMA.
- Do hospedeiro: idade < 3 anos, fenda palatina, síndrome de Down, DRGE, atopias e falta de aleitamento materno;
- Ambientais: inverno, creches/escolas, tabagismo passivo, uso de mamadeiras (mamar deitado), chupeta e baixo nível socioeconômico. :
- Anatomia: a tuba auditiva mais curta e mais inclinada na criança até 3 anos de idade dificulta a ventilação da orelha média e facilita a progressão de vírus e bactérias (contiguidade);
- Imunologia: imaturidade imunológica. A incidência diminui à medida em que aumenta a produção de IgA, IgG e IgM próprias. Normalmente é precedida por um quadro de resfriado comum no qual a infecção viral predispõe uma infecção bacteriana secundária (lesão epitelial).
- Vírus: até 40% dos casos, a depender da faixa etária;
- Bactérias: pneumococos, H. influenzae e Moraxella catarrhalis. O diagnóstico é feito através da história clínica + exame físico. Não há um padrão ouro para o diagnóstico da OMA. No entanto, é importante diferenciar a OMA de etiologia bacteriana da efusão (presença de líquido) da orelha média (infecção viral).
- MT levemente opaca + hiperemia difusa leve ou moderada + ausência de abaulamento: sugere OMA viral ;
- MT opaca + hiperemia intensa + presença de abaulamento + diminuição da mobilidade: sugere OMA bacteriana. IMAGEM DE PROVA: saber se é bacteriano ou viral através da história. Ambas são OMA. OMA OM com efusão secreção hiperemia
Boca e faringe
Devemos realizar a inspeção e palpação, também, de estruturas extrabucais como mandíbula e articulação temporomandibular.
- Região parotídea ; o A partir do 4º mês de vida as glândulas salivares começam a produzir saliva como um preparo para o nascimento dos dentes e introdução alimentar que será iniciada aos 6 meses (digestão química); o A caxumba é caracterizada pelo aumento de uma ou mais glândulas salivares, geralmente a parótida.
- Região mandibular : o Prognatia: excesso de crescimento da parte inferior da boca, em relação à maxila, localizada na arcada superior;
- Micrognatia: má formação caracterizada pelo tamanho reduzido do queixo, ou seja, mandíbula menor que o normal. Atrapalha o aleitamento materno;
- Retrognatia: é o contrário do prognatismo, pois o paciente com esse problema apresenta um crescimento ósseo insuficiente. Nesse caso, o queixo fica para trás e afundado. Micrognatia é uma mandíbula anormalmente pequena, já a retrognatia é uma mandíbula deslocada posteriormente.
- Abertura e simetria da boca (paralisia facial): desvio de rima (sorriso torto); - Cavidade oral : avaliar a mucosa das bochechas (chamada também de mucosa jugal), gengivas, sulco gengiva labial, frênulos labiais superior e inferior, língua e assoalho da boca, palato mole e duro, pilares amigdalinos, amígdalas, úvula, retrô faringe e dentes (antes dos 6 meses e após os 6 meses, número, integridade do esmalte dentário, presença de cáries, manchas dentárias, desgastes dentários por bruxismo ou refluxo). o Descida dos dentes aos 8 meses: os dentes começaram a nascer aos 8 meses; o Aos 6-7 anos a criança começa a trocar os dentes. língua A língua tem uma coloração que pode variar de rósea a vermelha. A face superior deve apresentar papilas por toda sua extensão e, na região posterior, o “V” lingual. A face ventral não apresenta papilas, e sua consistência é lisa, úmida e, algumas vezes, pode apresentar varizes constitucionais. - Observar o freio lingual, o assoalho da boca e os ductos das glândulas salivares submandibulares. o Anquiloqueilia: aderência labial; o Anquiloglossia (freio lingual curto): é uma condição na qual essa pequena estrutura de ligamento restringe os movimentos da língua. Por vezes, a língua não consegue levantar totalmente, atrapalhando a fala e alimentação. - Alterações constitucionais: o “Língua geográfica”: desenhos que normalmente têm aspecto de mapa; o “Língua fissurada”: aumento da profundidade dos sulcos); o “Língua cerebriforme”: sulcos tortuosos lembra o de um cérebro. - Sinais indicativos de doenças sistêmicas: o “Língua careca”, “língua pilosa” (língua peluda), “língua saburrosa” e macroglossia.
úvula A úvula pode apresentar “desvios patológicos”, como nos casos de comprometimento neurológico:
- Paralisia do IX par (nervo glossofaríngeo): desvio para o lado oposto da lesão;
- Lesões do XII par craniano (nervo hipoglosso): haverá desvio da língua para o mesmo lado da lesão (desvio ipsilateral).
OROFARINGE E TONSILAS PALATINAS
É uma região frequentemente acometida por processos infecciosos, inflamatórios ou até neoplásicos. Por esse motivo, devemos procurar, durante a avaliação, por hiperemia, placas purulentas, secreções ou ulcerações. Devemos nos atentar quanto ao tamanho das tonsilas palatinas (amigdalas) em crianças. Amígdalas e adenoides aumentadas em crianças podem resultar de infecções, mas podem ser normais. O aumento em geral não causa sintomas, mas ocasionalmente, podem causar dificuldade para respirar ou para engolir e, às vezes, infecções recorrentes do ouvido ou dos seios nasais ou apneia obstrutiva do sono. As adenóides estão localizadas no teto superior da nasofaringe.
- A epiglote normalmente não é visível;
- Glândulas salivares: condutos de Stenon (ducto da glândula parótida) e de Wharton (ducto da glândula submandibular).
pescoço
- Inspeção: observação do tamanho dos linfonodos, da sua simetria, coloração da pele na região e se há fistulização; o Linfonodos: avaliar a localização, mobilidade, consistência, sensibilidade; o Sinais de alerta e indicativo de malignidade: fixo, maior de 1cm, localização atípica, não doloroso, persistente.
- Palpação: deve ser realizada em todos os locais dos principais grupos de linfonodos. A palpação é feita de maneira delicada com as polpas digitais. o Forma: oval ou redonda; o Número: comprometimento localizado (definir número de linfonodos palpáveis em um mesmo grupo) ou generalizado (três ou mais grupos linfonodais comprometidos). LINFONODOS LOCALIZAÇÃO ÁREAS DE DRENAGEM Occipitais Região posterior da cabeça Drenagem da porção posterior do couro cabeludo. Pode ser aumentado por piolho ou corte de cabelo Mastoides ou pós- auriculares Sobre o processo mastoideo (atrás da orelha) Mastoidite, otite, rubéola e mononucleose podem gerar aumento Pré-auriculares Adiante do trago Caxumba e sinal de Romã aumentam esse linfonodo Cervicais superiores profundos Embaixo do ângulo da mandíbula Amigdalite e faringite aumentam esse linfonodo
- aumento de volume
- Congênitos: higroma cístico, cisto tireoglosso e cisto branquial;
- Adquiridos: infecciosos e neoplásicos. aumento da adenoide = falta de ar IMAGEM DE PROVA
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- diagnóstico diferencial
- Adenoidite aguda;
- Rinite alérgica em crise;
- Corpo estranho nasal. Observação: as crises esternutatórias em salva podem ser sinal de inflamação nasal como apresentação de rinite alérgica. Elas são caracterizadas por uma de 4- 5 espirros em sequência.
Respirador bucal
“Criança de 6 anos é trazida ao Pediatra por estar frequentemente com obstrução nasal, há cerca de 6 meses”. O que devemos perguntar nesse caso?
- Há obstrução nasal? Prurido? Rinorreia aquosa? Espirros?
- Amigdalites frequentes? Halitose?
- Ronca? “Baba” no travesseiro?
- Para de respirar durante o sono?
- Sonolência durante o dia?
- Dificuldade de atenção?
- Mal rendimento escolar?
- Irritabilidade? Caso a resposta seja sim para essas perguntas, o quadro é sugestivo de uma criança em respirador bucal por hipertrofia das adenoides (“carne esponjosa”). Nesse quadro o paciente substitui o padrão correto de respiração nasal por um padrão bucal ou misto (buco- nasal). Tem prevalência 0,1-13% entre 2 e 8 anos.
- causas de respiração bucal em crianças A hipertrofia das adenoides e amigdalas é a causa mais frequente de desordens respiratórias do sono.
- Grau I: obstrui 25% da orofaringe;
- Grau II: obstrui 25%-50% da orofaringe;
- Grau III: obstrui 50%-75% da orofaringe;
- Grau IV: obstrui 75% da orofaringe. Além dessa, a rinite alérgica e o desvio do septo nasal também são prováveis causadores da respiração bucal em crianças.
- Outras causas de obstrução nasal na infância: inflamatória/infecciosa, gripe/resfriado, rinite alérgica, rinossinusite, adenoidite, anatômica/adquiridas, hipertrofia da adenoide, desvio de septo, pólipo, corpo estranho, trauma, congênita, atresia ou estenose da coanas, cisto dermoide, neoplasias, hemangiomas e linfomas.
- repercussões da respiração oral
- Distúrbios do sono e neurocognitivos;
- Déficit de crescimento;
- Enurese noturna (perda involuntária de urina durante o sono);
- Mal rendimento escolar;
- Infecções respiratórias repetidas;
- Distúrbios cardiovasculares (exemplo: apneia).
- diagnóstico
- Clínico, RX cavum, endoscopia nasal e polissonografia.
- tratamento
- Tratamento da alergia, ortodôntico, fonoaudiológico e adenotonsilectomia.
estridor
O estridor é produzido pelo fluxo rápido e turbulento de ar por um segmento estreitado ou parcialmente obstruído das vias respiratórias superiores. É um ruído que acontece quando o paciente inala ar ou mesmo respira fundo. É um som bastante peculiar, um pouco agudo e com um leve chiado. O ruído pode aparecer na inspiração, expiração ou em ambas. O estridor inspiratório é característico de lesões extratorácicas, por colapso de estruturas laríngeas – é um barulho específico da laringite.
- Estridor crupe infeccioso e crupe espasmódico: é uma doença inflamatória do trata respiratório superior e inferior, comumente causa pelo vírus parainfluenza tipo 1. O paciente apresenta tosse de cachorro, disfonia com o choro, estridor inspiratório, dificuldade respiratória;
- Laringomalácia: malformação mais comum da laringe e principal causa de estridor (inspiratório) na infância, que gera colapso supraglótico. Associado com DRGE em 65 a 100% dos casos.
- Estenose subglótica congênita: estridor expiratório ou bifásico;
- Paralisia de cordas vocais: estridor bifásico;
- Hemangiomas de laringe: estridor bifásico;
- Diafragmas e atresia laríngea;
- Papilomatose laríngea.