Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Polaridade e Relação de Transformação em Transformadores: Conceitos e Medição, Esquemas de Engenharia de Pesca

Este capítulo aborda os conceitos de polaridade e defasamento angular em transformadores elétricos, além de apresentar métodos para medir a relação de transformação de transformadores trifásicos. O documento também discute a importância de determinar a polaridade em transformadores monofásicos e trifásicos, bem como a importância de saber diferenciar delta, estrela e ziguezague em transformadores trifásicos.

Tipologia: Esquemas

2017

Compartilhado em 26/10/2021

arthur-figueiredo-13
arthur-figueiredo-13 🇧🇷

2 documentos

1 / 5

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
68
Apoio
Manutenção de transformadores
O objetivo deste capítulo é apresentar os
conceitos de polaridade e defasamento angular de
transformadores e as metodologias para a medição
da relação de transformação de transformadores
trifásicos (considerando-se todas as conexões
padronizadas), a partir do conhecimento prévio
de seu defasamento angular.
Introdução
O conceito sobre polaridade de transformadores
deve ser estabelecido como base para o entendimento
do funcionamento do transformador, pois, com
a instalação de dois ou mais transformadores em
paralelo, as conexões dos secundários formarão
uma malha. Se todos possuírem a mesma
polaridade, as forças eletromotrizes anulam-se,
ou seja, a tensão resultante será zero. Quando a
soma das forças eletromotrizes resultarem em um
valor diferente de zero, surgirá uma corrente de
circulação com valores elevados, pois é limitada
apenas pelas impedâncias secundárias. Assim,
tem-se que umas das principais condições para
estabelecer o paralelismo de transformadores é a
de possuírem a mesma polaridade.
Nos circuitos de medição e proteção são
utilizados transformadores de corrente (TC) e
transformadores de potencial (TP). A inversão da
polaridade nesses circuitos ocasionará a inversão
Por Marcelo Paulino*
Capítulo V
Polaridade e relação em
transformadores de potência
da corrente de circulação no secundário,
promovendo uma atuação indevida da proteção
ou leitura enganosa, principalmente em circuitos
de medição de energia.
No caso de transformadores trifásicos,
apenas o conceito de polaridade é insuficiente
para apresentar uma relação definida entre as
tensões induzidas nos enrolamentos primário e
secundário. Isso se deve aos diversos tipos de
conexões dos enrolamentos (delta, estrela ou
ziguezague), como será abordado neste texto.
Nestes casos, utiliza-se a diferença de fases
(defasamento) ou deslocamento angular entre as
tensões dos terminais de tensão inferior e tensão
superior.
No caso da verificação da relação do número
de espiras dos enrolamentos do transformador, o
mantenedor disporá de um recurso valioso para
se verificar a existência de espiras em curto-
circuito, de falhas em comutadores de derivação
em carga e ligações erradas de derivações.
Para determinar a correta relação do
transformador, podem ser utilizados diversos
métodos para execução do teste de relação
de espiras ou relação de tensões, sendo que
o método do transformador de referência de
relação variável, conhecido como TTR, é o mais
comum.
pf3
pf4
pf5

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Polaridade e Relação de Transformação em Transformadores: Conceitos e Medição e outras Esquemas em PDF para Engenharia de Pesca, somente na Docsity!

68^ Apoio

Manutenção de transformadores

O objetivo deste capítulo é apresentar os conceitos de polaridade e defasamento angular de transformadores e as metodologias para a medição da relação de transformação de transformadores trifásicos (considerando-se todas as conexões padronizadas), a partir do conhecimento prévio de seu defasamento angular.

Introdução O conceito sobre polaridade de transformadores deve ser estabelecido como base para o entendimento do funcionamento do transformador, pois, com a instalação de dois ou mais transformadores em paralelo, as conexões dos secundários formarão uma malha. Se todos possuírem a mesma polaridade, as forças eletromotrizes anulam-se, ou seja, a tensão resultante será zero. Quando a soma das forças eletromotrizes resultarem em um valor diferente de zero, surgirá uma corrente de circulação com valores elevados, pois é limitada apenas pelas impedâncias secundárias. Assim, tem-se que umas das principais condições para estabelecer o paralelismo de transformadores é a de possuírem a mesma polaridade. Nos circuitos de medição e proteção são utilizados transformadores de corrente (TC) e transformadores de potencial (TP). A inversão da polaridade nesses circuitos ocasionará a inversão

Por Marcelo Paulino*

Capítulo V

Polaridade e relação em

transformadores de potência

da corrente de circulação no secundário, promovendo uma atuação indevida da proteção ou leitura enganosa, principalmente em circuitos de medição de energia. No caso de transformadores trifásicos, apenas o conceito de polaridade é insuficiente para apresentar uma relação definida entre as tensões induzidas nos enrolamentos primário e secundário. Isso se deve aos diversos tipos de conexões dos enrolamentos (delta, estrela ou ziguezague), como será abordado neste texto. Nestes casos, utiliza-se a diferença de fases (defasamento) ou deslocamento angular entre as tensões dos terminais de tensão inferior e tensão superior. No caso da verificação da relação do número de espiras dos enrolamentos do transformador, o mantenedor disporá de um recurso valioso para se verificar a existência de espiras em curto- circuito, de falhas em comutadores de derivação em carga e ligações erradas de derivações. Para determinar a correta relação do transformador, podem ser utilizados diversos métodos para execução do teste de relação de espiras ou relação de tensões, sendo que o método do transformador de referência de relação variável, conhecido como TTR, é o mais comum.

Polaridade de um transformador A polaridade de um transformador é a marcação existente nos terminais dos enrolamentos dos transformadores, indicando o sentido da circulação de corrente em um determinado instante em consequência do sentido do fluxo produzido. Em outras palavras, a polaridade é uma referência determinada pelo projetista, fabricante ou usuário para determinar a marcação da polaridade dos terminais dos enrolamentos e a condição dos enrolamentos conforme sua disposição, isto é, a relação entre os sentidos momentâneos das forças eletromotrizes nos enrolamentos primário e secundário. Portanto, a polaridade depende de como são enroladas as espiras que formam os enrolamentos primário e secundário. O sentido da queda de tensão (força eletromotriz) será determinado pelo sentido do enrolamento e pela marcação realizada. A Figura 1 mostra duas situações distintas para as tensões induzidas em um transformador monofásico. Na primeira figura, as tensões induzidas U 1 e U 2 dirigem-se para os bornes adjacentes H 1 e X 1. Na outra figura, a marcação é feita de maneira contrária, sendo as tensões induzidas dirigidas para os bornes invertidos. Nota-se também que, na Figura 1a, as tensões possuem mesmo sentido (estão em fase) ou “mesma polaridade instantânea”. Na outra, elas estão em oposição (defasadas de 180 o) ou com polaridades opostas.

Figura 1 – Sentidos instantâneos nos terminais do enrolamento de um transformador monofásico.

72 Apoio

Tabela 1 – Valores de K em função de Kn para as diVersas conexões Ligação

K =

Dd

KN

Yy

K (^) N

Dy Dz Yd Yz

enrolamentos uma tensão igual ou menor que a sua tensão nominal, bem como a frequência igual ou maior que a nominal. Para transformadores trifásicos, apresentando fases independentes e com terminais acessíveis, opera-se indiferentemente, usando-se corrente monofásica ou trifásica. No caso da utilização de um teste com correntes monofásicas, o fechamento do transformador deve ser observado para realização das conexões de teste, conforme já exposto. Os métodos usados para o ensaio de relação de tensões são:

  • Método do voltímetro;
  • Método do transformador padrão;
  • Método do resistor potenciométrico;
  • Método do transformador de referência de relação variável.

A ABNT NBR 5356 estabelece que este ensaio deve ser realizado em todas as derivações, o que se constitui uma boa prática, principalmente na recepção do transformador. Observa-se que as tensões deverão ser sempre dadas para o transformador em vazio. A citada norma admite uma tolerância igual ao menor valor entre 10% da tensão de curto-circuito ou ± 0,5% do valor da tensão nominal dos diversos enrolamentos, se aplicada tensão nominal no primário. A seguir são apresentados os métodos do voltímetro e do transformador de referência de relação variável, por serem os mais utilizados.

Método do voltímetro O princípio deste método é alimentar o transformador com certa tensão e medi-la juntamente com a induzida no secundário. A leitura deve ser feita de forma simultânea com dois voltímetros. Se necessário devem-se utilizar transformadores de potencial. No caso do uso de instrumentação manual, sem automatismos, recomenda-se que se faça um grupo de leituras, permutando-se os instrumentos visando compensar seus eventuais erros. A média das relações obtidas desta forma é considerada como a do transformador. Observe que, em geral, por facilidade e segurança, a alimentação do transformador é feita pelo lado de AT com níveis reduzidos de tensão em relação nominal do tap considerado. Tal prática, entretanto, resulta em dois problemas fundamentais,

Manutenção de transformadores

KN

KN 2

KN

3 KN

a saber:

  • A fonte, em grande parte dos casos, apresenta tensões desequilibradas, mascarando os resultados das medições;
  • Se aplicados, por exemplo, três níveis distintos de tensões, mesmo balanceadas, podem resultar em três valores diferentes de relação de transformação.

Em ambas as situações, os erros e as incertezas descaracterizam os objetivos de se medir a relação de transformação. Atualmente, equipamentos de teste microprocessados têm oferecido soluções adequadas para o teste de relação de transformação, com tensões estabilizadas e medidas precisas. Entretanto, cabe ao mantenedor e responsável pelo teste a avaliação de tal instrumentação, antes da realização dos ensaios. A Figura 3 mostra uma aplicação com um equipamento microprocessado multifuncional (CPC100 Omicron), realizando um ensaio de relação de transformação utilizando uma fonte de tensão alternada e um voltímetro. Adicionalmente, a corrente de excitação é medida em amplitude. Também é obtida a diferença de fase entre as tensões primária e secundária.

TTR A siglaTTR (iniciais deTransformerTurn Ratio) tornou-se sinônimo de equipamentos para medição da relação de transformação. Em sua concepção original, incorpora um transformador monofásico padrão com número de espiras variáveis, que é posto em paralelo com o que se quer medir. Na atualidade, esse modelo tradicional

Figura 3 – Medida da relação de tensões com CPC100 Omicron.

Figura 4 – TTR, (a) analógico monofásico (MEGGER), (b) trifásico digital (RAYTECH).

é chamado de TTR “monofásico”, pois existem os “trifásicos” e os eletrônicos. No TTR monofásico, quando a relação de seu transformador monofásico com número de espiras variáveis se iguala à do que se quer medir, não há diferença de potencial em seus secundários, nem corrente de circulação. Assim, o valor correto pode ser verificado em um indicador (microamperímetro) nulo. A conexão do equipamento às buchas do transformador a ser testado é executada por meio de quatro conectores, sendo dois conectores, normalmente do tipo “sargento” para serem ligados aos enrolamentos de baixa tensão e dois conectores do tipo “jacaré” para serem ligados aos enrolamentos de alta tensão. As polaridades destas bobinas possuem grande importância, pois, se estiverem invertidas, o TTR não fornecerá leitura. Apesar de a finalidade básica do TTR ser a de fornecer a relação do número de espiras (KN) com precisão, pode ser empregado para a obtenção da relação de tensões dos transformadores trifásicos. Nesse caso, como nem sempre K e KN são iguais, é necessário que se aplique os fatores da Tabela 1.

REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO, M. E. C. Manutenção de transformadores de potência. Curso de Especialização em Manutenção de Sistemas Elétricos – Unifei, 2012.

* Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |[email protected].

Continua na próxima edição Confira todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e comentários podem ser encaminhados para o e-mail [email protected]