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Este capítulo aborda os conceitos de polaridade e defasamento angular em transformadores elétricos, além de apresentar métodos para medir a relação de transformação de transformadores trifásicos. O documento também discute a importância de determinar a polaridade em transformadores monofásicos e trifásicos, bem como a importância de saber diferenciar delta, estrela e ziguezague em transformadores trifásicos.
Tipologia: Esquemas
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O objetivo deste capítulo é apresentar os conceitos de polaridade e defasamento angular de transformadores e as metodologias para a medição da relação de transformação de transformadores trifásicos (considerando-se todas as conexões padronizadas), a partir do conhecimento prévio de seu defasamento angular.
Introdução O conceito sobre polaridade de transformadores deve ser estabelecido como base para o entendimento do funcionamento do transformador, pois, com a instalação de dois ou mais transformadores em paralelo, as conexões dos secundários formarão uma malha. Se todos possuírem a mesma polaridade, as forças eletromotrizes anulam-se, ou seja, a tensão resultante será zero. Quando a soma das forças eletromotrizes resultarem em um valor diferente de zero, surgirá uma corrente de circulação com valores elevados, pois é limitada apenas pelas impedâncias secundárias. Assim, tem-se que umas das principais condições para estabelecer o paralelismo de transformadores é a de possuírem a mesma polaridade. Nos circuitos de medição e proteção são utilizados transformadores de corrente (TC) e transformadores de potencial (TP). A inversão da polaridade nesses circuitos ocasionará a inversão
Por Marcelo Paulino*
da corrente de circulação no secundário, promovendo uma atuação indevida da proteção ou leitura enganosa, principalmente em circuitos de medição de energia. No caso de transformadores trifásicos, apenas o conceito de polaridade é insuficiente para apresentar uma relação definida entre as tensões induzidas nos enrolamentos primário e secundário. Isso se deve aos diversos tipos de conexões dos enrolamentos (delta, estrela ou ziguezague), como será abordado neste texto. Nestes casos, utiliza-se a diferença de fases (defasamento) ou deslocamento angular entre as tensões dos terminais de tensão inferior e tensão superior. No caso da verificação da relação do número de espiras dos enrolamentos do transformador, o mantenedor disporá de um recurso valioso para se verificar a existência de espiras em curto- circuito, de falhas em comutadores de derivação em carga e ligações erradas de derivações. Para determinar a correta relação do transformador, podem ser utilizados diversos métodos para execução do teste de relação de espiras ou relação de tensões, sendo que o método do transformador de referência de relação variável, conhecido como TTR, é o mais comum.
Polaridade de um transformador A polaridade de um transformador é a marcação existente nos terminais dos enrolamentos dos transformadores, indicando o sentido da circulação de corrente em um determinado instante em consequência do sentido do fluxo produzido. Em outras palavras, a polaridade é uma referência determinada pelo projetista, fabricante ou usuário para determinar a marcação da polaridade dos terminais dos enrolamentos e a condição dos enrolamentos conforme sua disposição, isto é, a relação entre os sentidos momentâneos das forças eletromotrizes nos enrolamentos primário e secundário. Portanto, a polaridade depende de como são enroladas as espiras que formam os enrolamentos primário e secundário. O sentido da queda de tensão (força eletromotriz) será determinado pelo sentido do enrolamento e pela marcação realizada. A Figura 1 mostra duas situações distintas para as tensões induzidas em um transformador monofásico. Na primeira figura, as tensões induzidas U 1 e U 2 dirigem-se para os bornes adjacentes H 1 e X 1. Na outra figura, a marcação é feita de maneira contrária, sendo as tensões induzidas dirigidas para os bornes invertidos. Nota-se também que, na Figura 1a, as tensões possuem mesmo sentido (estão em fase) ou “mesma polaridade instantânea”. Na outra, elas estão em oposição (defasadas de 180 o) ou com polaridades opostas.
Figura 1 – Sentidos instantâneos nos terminais do enrolamento de um transformador monofásico.
Tabela 1 – Valores de K em função de Kn para as diVersas conexões Ligação
K =
Dd
KN
Yy
K (^) N
Dy Dz Yd Yz
enrolamentos uma tensão igual ou menor que a sua tensão nominal, bem como a frequência igual ou maior que a nominal. Para transformadores trifásicos, apresentando fases independentes e com terminais acessíveis, opera-se indiferentemente, usando-se corrente monofásica ou trifásica. No caso da utilização de um teste com correntes monofásicas, o fechamento do transformador deve ser observado para realização das conexões de teste, conforme já exposto. Os métodos usados para o ensaio de relação de tensões são:
A ABNT NBR 5356 estabelece que este ensaio deve ser realizado em todas as derivações, o que se constitui uma boa prática, principalmente na recepção do transformador. Observa-se que as tensões deverão ser sempre dadas para o transformador em vazio. A citada norma admite uma tolerância igual ao menor valor entre 10% da tensão de curto-circuito ou ± 0,5% do valor da tensão nominal dos diversos enrolamentos, se aplicada tensão nominal no primário. A seguir são apresentados os métodos do voltímetro e do transformador de referência de relação variável, por serem os mais utilizados.
Método do voltímetro O princípio deste método é alimentar o transformador com certa tensão e medi-la juntamente com a induzida no secundário. A leitura deve ser feita de forma simultânea com dois voltímetros. Se necessário devem-se utilizar transformadores de potencial. No caso do uso de instrumentação manual, sem automatismos, recomenda-se que se faça um grupo de leituras, permutando-se os instrumentos visando compensar seus eventuais erros. A média das relações obtidas desta forma é considerada como a do transformador. Observe que, em geral, por facilidade e segurança, a alimentação do transformador é feita pelo lado de AT com níveis reduzidos de tensão em relação nominal do tap considerado. Tal prática, entretanto, resulta em dois problemas fundamentais,
Manutenção de transformadores
a saber:
Em ambas as situações, os erros e as incertezas descaracterizam os objetivos de se medir a relação de transformação. Atualmente, equipamentos de teste microprocessados têm oferecido soluções adequadas para o teste de relação de transformação, com tensões estabilizadas e medidas precisas. Entretanto, cabe ao mantenedor e responsável pelo teste a avaliação de tal instrumentação, antes da realização dos ensaios. A Figura 3 mostra uma aplicação com um equipamento microprocessado multifuncional (CPC100 Omicron), realizando um ensaio de relação de transformação utilizando uma fonte de tensão alternada e um voltímetro. Adicionalmente, a corrente de excitação é medida em amplitude. Também é obtida a diferença de fase entre as tensões primária e secundária.
TTR A siglaTTR (iniciais deTransformerTurn Ratio) tornou-se sinônimo de equipamentos para medição da relação de transformação. Em sua concepção original, incorpora um transformador monofásico padrão com número de espiras variáveis, que é posto em paralelo com o que se quer medir. Na atualidade, esse modelo tradicional
Figura 3 – Medida da relação de tensões com CPC100 Omicron.
Figura 4 – TTR, (a) analógico monofásico (MEGGER), (b) trifásico digital (RAYTECH).
é chamado de TTR “monofásico”, pois existem os “trifásicos” e os eletrônicos. No TTR monofásico, quando a relação de seu transformador monofásico com número de espiras variáveis se iguala à do que se quer medir, não há diferença de potencial em seus secundários, nem corrente de circulação. Assim, o valor correto pode ser verificado em um indicador (microamperímetro) nulo. A conexão do equipamento às buchas do transformador a ser testado é executada por meio de quatro conectores, sendo dois conectores, normalmente do tipo “sargento” para serem ligados aos enrolamentos de baixa tensão e dois conectores do tipo “jacaré” para serem ligados aos enrolamentos de alta tensão. As polaridades destas bobinas possuem grande importância, pois, se estiverem invertidas, o TTR não fornecerá leitura. Apesar de a finalidade básica do TTR ser a de fornecer a relação do número de espiras (KN) com precisão, pode ser empregado para a obtenção da relação de tensões dos transformadores trifásicos. Nesse caso, como nem sempre K e KN são iguais, é necessário que se aplique os fatores da Tabela 1.
REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. T. L.; PAULINO, M. E. C. Manutenção de transformadores de potência. Curso de Especialização em Manutenção de Sistemas Elétricos – Unifei, 2012.
* Marcelo eduardo de carvalho Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela escola Federal de engenharia de itajubá (eFei). atualmente, é gerente técnico da adimarco |[email protected].
Continua na próxima edição Confira todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e comentários podem ser encaminhados para o e-mail [email protected]