








Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Cortesão (Jaime), A expedição de Pedro Alvares Cabral e o Descobrimento do Brasil. 1922. pág. 191. Idem, A esquadra de Cabral, in História da Colonização ...
Tipologia: Notas de aula
1 / 14
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!









MARIA REGINA DA CUNHA RODRIGUES Instrutora de História da Civilização Ibérica da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.
Quando o Diretor do Departamento de História da Universida- de de São Paulo referiu-se à promoção do Instituto Histórico e Geo- gráfico do Distrito Federal apresentou-se-me a oportunidade de re- tomar um problema, ou problemas, sem outro intuito a não ser a reflexão em comum. E, eventualmente, o encaminhamento de suges- tões e troca de idéias. A tônica dêste nosso diálogo está diluida nu- ma conjuntura mais expressiva, a do descobrimento do Brasil. E sua ligação à Brasília determinoü a nossa opção. Pois lá se encontra uma estatuária imaginária de Nossa Senhora, sob a invocação da "Espe- rança", identificada como réplica de uma imagem que teria acom- panhado a esquadra cabralina, na viagem do descobrimento de nossa terra. O original, segundo consta, está na Igreja de Sant'Iago da vila portuguêsa de Belmonte e parece mesmo, inamovível. No entanto foi examinado, documentado, fotografado até mesmo por professôres que se encontram nêste conclave. Caber-lhes-á informar se há semelhança com a imagem que está em Brasília, sob a custódia dos padres capuchinhos. Há outra curiosidade a nos preocupar:
Da esquadra que zarpou do Tejo aos 9 dias de março de 1500 e regressou aos 23 de junho de 1501 teria participado, dentre outras, uma imagem de Nossa Senhora da Esperança?
Em caso afirmativo, há indício de haver sido a mesma peça sacra, acima mencionada?
Inquietação que eu desejaria compartilhar convosco. Não sômente na montagem de um eventual esquema elucidativo. Que
(.). — Comunicação apresentada ao I Congresso de Geografia e História patroci- nado pelo Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (Brasília, 26-28 de outubro de 1967). (Nota da Redação).
teria como ponto de partida pesquisas arquivais onde, possivelmente, tôda essa documentação estaria sedimentada. Ou na compreensão de textos de época contemporânea. E eventualmente assim teríamos argumentos positivos no sentido de uma melhor e mais efetiva apro- ximação da verdade histórica. Abordaremos o problema da imagem de Nossa Senhora da Es- perança nos itens que se seguem: 19). — Na inauguração de Brasília (21-4-1960). 29). — A réplica enviada (27-4-1962). 39). — Dois grupos de opiniões.
Para a festa da inauguração (21 de abril de 1960), o então presidente Juscelino Kubistschek de Oliveira enviou, ao que se saiba, três convites especiais: um para S. Santidade o Papa Pio XII, outro para o Secretário-Geral da ONU e o terceiro para a imagem de Nos- sa Senhora da Esperança, venerada em Belmonte que, como é óbvio seria transportada pelos descendentes de Pedro Álvares Cabral. Dias antes da data marcada, a imprensa foi obrigada a desmentir a vinda da imagem, publicando o seguinte telegrama:
"Lisboa, 8 (AFP) — A imagem de Nossa Senhora da Esperança que acompanhou Pedro Álvares Cabral, não irá amanhã para o Brasil, contràriamente a notícias publicadas no Rio de Janeiro. Não foi possível demover os habitantes de Belmonte (Distrito de Caste- lo Branco) onde se encontra a veneranda imagem, da sua tradi- cional oposição à saída para fora da terra. "Quem quizer vê-la ou venerá-la dizem, venha a Belmonte". E velam-na ciosamente dia e noite (1).
Hoje compreende-se e admira-se a atitude dos belmonteses que, "armados até os dentes", enfrentando ordens dos escalões superiores, conseguiram consolidar per omnia saeculorum, uma das suas mais arraigadas tradições. Assim foi que Brasília, a capital da esperança, não teve em sua festa inaugural, a presença da histórica imagem de Nossa Senhora da Esperança. Dois anos depois recebeu uma réplica, ou espécie de réplica (2).
. — Da notícia d'O Estado de São Paulo, edição de sábado, 9 de^ abril de 1963, ("Não virá a imagem de Nossa Senhora da Esperança"). . — Ferreira (Evaldo Dantas), Nossa Senhora da Esperança ficará em Portugal, in "Fõlha de São Paulo", edição de sexta-feira, 18 de maio de 1962. 19 página do 29 caderno (Fõlha Ilustrada).
Comprovando o texto acima, enviou-me uma cópia datilografa- da do Documento DCCIII (6), que lhe foi oferecida pelo cronista da família Cabral.
Assim pudemos redigir um artigo, cuja publicação (7) provo- cou uma onda de opiniões diversificadas. Destacamos apenas duas: Uma, captada pela invulgar sensibilidade do saudoso maes- tro Vila Lobos que nos disse da sua idéia de escrever uma sinfonia para Brasília: do topo da nau capitânea, a Esperança que é canção, estaria guiando a esquadra, sob o compasso das ondas, até a apo- teose de um ãltar fincado na terra virgem de um "pôrto seguro"! Outra do Cardeal Dom Carlos Carmelo Vasconcelos Mota, em entrevista concedida à Gazeta (8), além de apoiar a idéia de um retôrno da imagem ao Brasil ou para o Brasil, declarou o propósito de levar o problema à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, de que era o presidente, com reunião marcada para a última semana de julho de 1958. Ainda valeu-se da oportunidade para esclarecer o culto que os católicos prestam a Nossa Senhora sob todos os seus títulos, dentre outros, o de Nossa Senhora da Esperança, Nossa Se- nhora da Piedade, que representada também num painel, vei o na es- quadra descobridora — informação baseada no Prof. Vilhema de Moraes, então diretor do Arquivo Nacional — e Nossa Senhora da Aparecida, a padroeira do Brasil.
Aos 63 bispos, 11 arcebispos e 3 cardeais reunidos em Goiânia, foi entregue tanto o histórico da pesquisa, como uma cópia do postal de Nossa Senhora da Esperança, enviado por Dom Clemente Maria da Silva-Nigra. Quanto aos pronunciamentos, ouçamos o então ar- cebispo de Niterói, que informou:
"A C.N.B.B. tomou conhecimento e dá todo apôio ao movi- mento de redescoberta da Virgem da Esperança, que em tôda ver- dade não é outra que a Virgem do Brasil. Todavia, os problemas atinentes a um possível retôrno ao Brasil, não poderiam, naquela assembléia, ser estudados com os detalhes requeridos.
. — Documento DCCIII, já citado. . — Rodrigues (Maria Regina da Cunha), Nossa Senhora da Esperança. Loca- lizada a Imagem que acompanhou a esquadra cabralina, in "A Gazeta", sábado, edição de 2 de janeiro de 1958, 19 página do 29 caderno. . — Palavras do Cardeal Dom Carlos Carmelo sôbre a "Imagem que acom- panhou a esquadra cabralina", in "A Gazeta", segunda-feira, 13 de ja- neiro de 1958, pág. 7.
Decidiu-se credenciar para o planejamento necessário a Comis- são de Educação e Cultura, para a qual foram eleitos três membros: o ExmQ Sr. Dom Antônio Maria Alves Siqueira, Arcebispo Auxiliar de São Paulo, Dom João J. de M. Albuquerque, Bispo de Afogados do Ingazeiro e o Bispo de Niterói. Comissão que ainda não está ins- talada, porquanto foi criada muito recentemente" (9).
Sabe-se que em janeiro do ano seguinte, essa e outras comissões da C .N .B .B. reuniram-se na Igreja de Nossa Senhora da Paz, no Rio de Janeiro. Mas o problema acima referido não foi abordado. — Por que? Esclarece-se que na oportunidade de uma viagem à Europa, do Arcebispo do Maranhão, pediu-se-lhe que em Portugal, procurasse auscultar, oficiosamente, a posição do bispo da Guarda, sôbre o re- tôrno da imagem. Êste, além de entrincheirar-se na recusa, chegou até a ficar doente. E a Igreja, através da C .N .B .B. , de acôrdo com a sua multi-secular prudência, pareceu haver relegado a idéia às calendas gregas. Fato que não impediu uma outra abertura. Su- gerida por Dom Carlos Coelho, um dos maiores entusiastas da idéia, ao lado, ao que se saiba, de Dom José Newton de Almeida, então bispo de Diamantina que, ao entregar ao presidente Juscelino Ku- biteschek, o postal de Nossa Senhora da Esperança, argumentou: "Senhor Presidente, no Palácio da Alvorada, eu lhe entrego a Alvo- rada do Brasil". Ainda Dom Agnello Rossi — que segundo se constatou recentemente, guarda o postal de Nossa Senhora da Esperança, entre as páginas do seu próprio breviário — então bispo de Barra do Piraí, Dom Júlio Matiol, bispo do Acre que nos escreveu mais de uma vez sôbre o andamento da idéia e Dom Antônio Fragôso, então bispo auxiliar do Maranhão, que, ao que sabe, foi o primeiro a divulgar (^) a intercessão de Nossa Senhora da Esperança em suas andanças missio- nárias. Dom Carlos argumentando que a Marinha Brasileira tem suas raizes na Marinha Portuguêsa e, de maneira mais incisiva, que era a própria Marinha Portuguêsa transplantada para o Brasil onde ficou e permaneceu em grande parte, mesmo depois do regresso da côrte joanina. Que a esquadra brasileira têm, entre seus gloriosos ascendentes, a própria esquadra cabralina, — caber-lhe-ia reivindicar uma prioridade e, ao mesmo tempo, patrocinar uma idéia de base Me- gàvelmente patriótica e popular: — o retôrno ao Brasil ou para o Brasil da imagem que abençou o seu batismo, por ocasião da inau- guração de Brasília, considerada o "redescobrimento do Brasil".
(9). — Conferência Nacional dos Bispos. São Paulo nos reconcilia com o Brasil. Em tôrno de Nossa Senhora da Esperança da esquadra cabralina.^ Fala-nos Dom Carlos Gouvêia Coelho, bispo de Niterói e presidente da Comissão de Educação e Cultura da CNBB, In "Gazeta", edição de segunda-feira, 25 de agôsto de 1958, pág. 22.
— 145 —
é inteiramente revestida de uma pintura policromada, em que predo- minam as côres blau, ouro e sinople. Poder-se-ia —, graças a recur- sos técnicos modernos, testar a época dêsse revestimento, que parece muito antigo pois, ao que se sabe, era tradição da época policromar as imagens vinculadas ao culto católico, a fim de diferenciá-las das estatuas da época greco-romana. No braço esquerdo carrega o seu Menino, que tem um esplendor na cabeça. Pousando sôbre o braço direito está a pomba que, desde o episódio da Arca de Noé, parece ser também a representação teológica da esperança. Pode-se notar o símbolo da realeza daquela que, para os católicos, é a rainha do céu e da terra, representando pela corôa que, na opinião do Dr. Antônio Augusto Meneses de Drummond, autoridade em Heráldica, é uma corôa bragantina, tipicamente pela forma fechada de quatro arcos imperiais, muito antiga, pois remonta à dinastia de Aviz. Quan- to a uma análise mais profunda, aconselhar-se-ia que se recorresse aos especialistas credenciados. Ainda uma observação: não nos foi pos- sível, por ora, ilustrar estas notas com a documentação inconográfica obtida pelo diretor do Museu de Arte Sacra da Bahia, lacuna que se procuraria preencher numa eventual publicação. Segundo a reprodução, em um clichê de jornal, da imagem trazida ao Brasil, podemos verificar haver sido ela esculpida em pedra de Ançã, mas sem cobertura policrômica e, parece-nos, sem outros orna- mentos, como sej aa corôa bragantina. Ignoramos os motivos que de- terminariam essa espécie de réplica. Permitam-nos confessar que não gostamos dela. Fria como o mármore, sem o complemento policroma- do e adornos, não nos desperta emoção de espécie alguma.
No início desta comunicação, propuzemo-nos a colocar alguns pro- blemas para a reflexão em comum. E sugestões que os senhores po- deriam aceitar ou recusar. Seja a de encomendar a um escultor por- tuguês uma réplica que seja fiel e completa, da imagem de Nossa Se- nhora da Esperança, de Belmonte, que é tanto dêles como nossa. O monge beneditino já citado, dada a situação, hoje aceita pacificamente, sugeriu que se obtivesse concessão da família Cabral para uma repro- dução fac-similar que, segundo lembra, "poderia ser feita pelo hábil escultor Diogo de Macedo, atual (falava em 1958) Diretor do Mu- seu de Arte Moderna" (de Lisboa). Seria uma bela iniciativa do Insti- tuto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, as providências rela- tivas a uma cópia dessa imagem da esquadra cabralina, para a sua sede ou para a cidade de Brasília. Uma outra ponderação. Justamente agora que o Concílio Ecumênico vem de dar diretrizes quanto a presença das imagens nas Igrejas. Como se sabe, o Con-
aio Vaticano II, logo de início, relembrou o sentido da devoção aos santos no Catolicismo. Especificamente quanto ao culto à Virgem Maria, esclareceu que o seu fundamento é a fé. Pois argumentou, o culto deve ter Cristo no centro, as principais festas são as fes- tas cristológicas. Quanto à celebração dos santos, determina-se se- jam feitas com muita moderação. O uso das imagens, recomenda-se seja dos mais discretos pois, a fim de não desorientar os fiéis, não deve haver profusão de imagens nas Igrejas (13). Determinações pru- dentes a facultar uma abolição gradativa mormente nos edifícios reli- giosos a serem construidos, por quanto não se ignora que nos monu- mentos religiosos tombados, ou melhor, nos edifícios religiosos católi- cos, as imagens fazem parte do conjunto arquitetônico. Perguntar- -se-ia da oportunidade de uma iniciativa pioneira, em que a imagem de Nossa Senhora da Esperança seria visualizada, reverenciada pre- cipuamente pelo valor histórico, num clima histórico seja no Instituto Histórico e Geográfico nesta Capital ou em outra instituição cultural congênere.
Opiniões contraditórias.
Não há e nem mesmo poderia haver unanimidade de opiniões, quanto a presença de Nossa Senhora da Esperança na esquadra cabra- lina. Pois, enquanto não for vistoriado tanto o acervo documental dos descendentes de Cabral, como os documentos eventualmente existen- tes em arquivos públicos, tanto de Portugal, como da índia (14), a problemática permanece de pé. Por ora, poder-se-ia registrar opi- niões, ou melhor, crenças que, paradoxalmente recorrem, dentre ou- tros a um mesmo argumento para justificar posições contraditórias.
"... Francisco Cabral, 5 (^9) sobrinho de Pedro Álvares Cabral, o Descobridor do Brasil, e herdeiro da Caza de Belmonte, por morte de seus irmãos Fernão, Luiz e outros, instituiu uma Capela com (^) a pensão de um Cirio para alumiar quotidianamente a Imagem de Nossa Senhora da Esperança que ha, no Convento dos Padres Ter- ceiros, junto de Belmonte". Esta Imagem de Nossa Senhora da Esperança (que ainda hoje existe, acompanhou Pedro Álvares Cabral na sua viagem à Índia (e Descoberta do Brazil), o qual, na volta de Belmonte, lhe erigiu alli,
. — Da Constituição dogmática sôbre Litúrgla. 19 parte, 19 documento publi- cado em 1963. Concílio Vaticano II (Ecumênico XX) (1962-1965). . — Keswani (Miss D. C.), Sociedades e Companhias de Comércio no (^) Oriente. As fontes arquivisticas orientais (Comunicação apresentada à II secção do VIII Congresso Internacional de História Marítima ,realizado em Beirute de 5 a 10 de setembro de 1966) (publicada na Revista de História W 72, outubro-dezembro de 1967).
--- 148 ---
"... para apurar a verdade, a primeira consulta foi a documen- tação existente sôbre o Descobrimento do Brasil. Mas nem a Re- lação do Pilôto Anônimo, nem a carta de Mestre João; nem mesmo e sobretudo, a carta de Pero Vaz de Caminha (a mais minuciosa) fazem a mínima ereferência à presença da citada imagem; não há referência clara, na melhor historiografia brasileira (Varnhagen, Capistrano, Rodolfo Garcia, Pedro Calmon, Hélio Vianna). Dos bons trabalhos portuguêses nenhuma alusão em Da- mião Peres e Duarte Leite. Mas, uma citação no trabalho de Jaime Cortesão, chanchelada por Lopes de Mendonça. dos autores lusos, últimos, a remissão é para o monumental trabalho de Aires de Sá. Nesta fartíssima documentação genealógi- ca sôbre os Cabrais, deixa logo a segurança de que Pedro Álvares Cabral, nem foi senhor de Azurara, nem alcaide-mor de Belmonte" — Quanto a documentação arrolada na base do Tomo da Casa de Belmonte revela o seguinte..." (17).
E a notícia transcreve o trecho do documento DCIII (^) já repro- duzido.
Justifica-se lembrar, à título de informação, que a disciplina de História da Civilização Ibérica da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, sob a regência do Prof. Joaquim Barradas de Carvalho, está dirigindo um seminário de tex- tos sôbre: "O Descobrimento do Brasil, através dos textos (Edi- ções críticas e comentadas"), cujos primeiros capítulos -já foram publicados em periódico especializado (18). E trata-se das três fontes mencionadas. E' correta a informação de que não mencio- nam a imagem. Mas também não se lhe encontra mencionado, si- quer uma vez, o próprio Cabral! Ainda das 1200 pessoas, aproxima- damente, que compunham a equipagem da esquadra, sõmente umas 12 ou 13 são identificadas por Caminha.
(17). — A Tarde, Cidade do Salvador, Bahia, 9 de Junho de 1962. (18). — Carvalho (Joaquim Barradas de), O descobrimento do Brasil através dos textos (edições críticas e comentadas). 1 — A "carta" de Pero Vaz de Caminha. 1. A literatura portuguêsa de viagens na época dos Descobri- mentos, in "Revista de História". São Paulo. N9 65. págs. 197-208. 1966. — Camargo (Ana Maria de Almeida), O descobrimento do Brasil através dos textos (edições críticas e comentadas). 1. — A "carta" de Pero Vaz de Caminha. 2. — Pero Vaz de Caminha, (^) in "Revista de História". São Paulo. N° 66. págs. 495-529. 1966. — Contier (Armando), O descobrimento do Brasil através dos textos (edições críticas e comentadas). 1. — A "carta" de Pero Vaz de Caminha. 2. — O manuscrito: edições e traduções, in "Revista de História". São Paulo. N9 67. págs. 209-214. 1966. — Glezer (Raquel, O descobrimento do Brasil através dos textos (edições críticas e comentadas). V. Documentos complementares. 1. — Borrão original da primeira folha de instruções de Vasco da Gama para a viagem de Pedro Álvares Cabral, in "Revista de História", São Paulo. N9 68. págs. 4811-488. 1966.
Quanto ao balisamento dos historiadores brasileiros e portu- guêses, salvo melhor juízo, a sensação que nos transmite é de descren- ça, de desânimo. Se tudo já está feito, não se justificaria a retomada de problemas, o entusiasmo pela pesquisa. Ora, formamos ao lado da- queles que compreendem que o "passado não se modifica, mas o co- nhecimento do passado pode ser aperfeiçoado", graças aos recursos do método e das técnicas modernas aplicadas à História.
E é por uma questão de método que se poderia admitir dois grupos de opiniões, com a devida vênia dos historiadores que citare- mos a seguir:
— 10 grupo, das possibilidades positivas, que se teria iniciado com a proposição de Dom Clemente Maria da Silva - Nigra OSB, que é ex-funcionário do DPHAN-MEC -- (Diretoria d® Patrimônio His- tórico e Artístico Nacional do Ministério de Educação e Cultura) e di- retor do Museu de Arte Sacra da Bahia, grupo ao qual gostosamente nos filiamos.
— 29 grupo, das possibilidades negativas, que teria a liderança do historiador Luiz Monteiro da Costa, ex-professor da Faculdade Católica de Filosofia da Bahia e catedrático do IEIA. Professor que de acôrdo com a notícia do periódico citado, foi o autor da comuni- cação, cujo teor exato ignoramos. A mesma nota informa que a con- ferência realizou-se na Faculdade Católica de Filosofia da Bahia e que "discutiram o trabalho os prófessôres Afonso Ruy, Luiz Henri- que, Oscar Hilário, Joildo Ataíde e os alunos do Curso de História, concluindo que mesmo como "trabalho prévio" deveria o expositor publicar, reabrindo-se os debates depois das respostas dos historia- dores portuguêses, mais interessados na verdade histórica".
Posteriormente a historiadora Manieta Alves disse-nos que a conferência fôra realizada no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. Que o assunto fôra encerrado e que ela própria, em face dos argumentos apresentados, filiava-se à tese negativa.
A premência de tempo, de um lado, ocupações muito absor- ventes, de outro, não nos permitiram uma investigação mais apro- fundada. Nestas condições, aproveitando a circunstância desta reu- nião, propomos, com a devida vênia, o seguinte:
19). — Encaminhar ofício tanto ao Instituto Histórico Geográ- fico da Bahia, como à Faculdade Católica da Bahia e especialmente ao Prof. Luiz Monteiro da Costa, solicitando informações quanto à publicação, ou mesmo cópia da conferência ou das conferências em que haja abordado a problemática da vinda da imagem.
Estatuária imaginária de Nossa Senhora da Esperança, que se encontra, inamovível, no altar de Sant'Iago, na vila portuguêsa de Belmonte. Justifica-se a reprodução por se tratar de um documento histórico, quinhentista e que, segundo a tradição teria acompanhado a esquadra cabralina que zarpou do Tejo aos 9 de março de 1500, regressando aos 23 de junho de 1501.
nhor de Belmonte e de seus descendentes que a augmentaram e lhe consignaram rendimentos. Sendo bem certo, se Pedro Alvares Cabral constituisse em sua filiação, Caza e Varonia, a essa nomearia Administradora d'aquella Capella; e d'uma Imagem que elle tanto venerava e que, no seu Titulo por elle dado, mostrava bem o animo, esforço e alento com que elle acceitára o commando d'aquella segunda expedição á índia" (20).
(20). — Obrigados, como estamos, ao sr. conde de Belmonte, pela cortezia com que correspondeu ao nosso pedido, mandando tirar copias dos documentos do seu archivo, que interessam a este trabalho, devemos notar que tal argu- mento não basta e que, representando, o mesmo senhor, a família Ca- bral, o ramo de Pedro Alvares de Gouvêa ou Cabral, descobridos do Brazil, é representado pela casa Ponte de Lima, Castello Melhor, (Vid. doc. DCXXIV e DCXXV) com seis quebras de varonia até ao actual representante. Notamos, a propósito, que as casas que hoje se intitulam representan- tes de João Gonçalves Zarco (Castello Melhor), de D. Vasco da Gama (Vidigueira), e de quase todos os homens mais famosos do século XV, perderam muitas vêzes a varonia; também a_casa Belmonte não tem a varonia Cabral.
SA (Ayres de). — Frei Gonçalo Velho. Vol. II. Lisboa, Imprensa Nacional (Quarto Centenário do Descobrimento da índia — Contribuições da Sociedade de Geographia de Lisboa), — Documento DCCIII, 488-489, 1900.