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Informações agronômicas sobre nutrientes para as culturas
Tipologia: Notas de estudo
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POTAFOS - Caixa Postal 400 CEP 13400-970 Piracicaba-SP Telefone e fax: (0194) 33-3254 1
(^1) Tradução e adaptação do original "It's the Truth – Nitrogen Is Required by Plants", PPI, Norcross, EUA, por Eurípedes Malavolta.
Tabela 1. As plantas são grandes consumidoras de nitrogênio. Nível de Total produção absorvido, kg Algodão 750 kg de fibra 90 Amendoim^1 2 t de grãos 120 Arroz 3 t de grãos 103 Café^2 3 t de grãos 157 Cana 100 t de colmos 150 Eucalipto 100 m 3 de madeira 80 Feijão^1 1 t de grãos 110 Forrageiras gramíneas 1 t de mat. seca 17 leguminosas^1 1 t de mat. seca 32 Laranja 3 18 t de frutos 96 Milho 5 t de grãos 106 Soja^1 2,5 t de grãos 157 Tomate 40 t de frutos 116 Trigo 3 t de grãos 56 (^1) As leguminosas fixam parte do N do ar. (^2) Quantidade absorvida entre 5,5 e 6,5 anos de idade para uma produção de 50 sacas beneficiadas. (^3) Quantidade total contida em um pomar produzindo 2 caixas de 40,8 kg/pé, densidade de 210 plantas/ha.
Cultura
Sabia que quase 80% do ar que respiramos é constituído pelo nitrogênio (N)? É verdade. De fato, cada hectare de terra no mundo é coberto por cerca de 90 milhões de quilos de N... 90 mil toneladas. Nem um quilo deste N pode ser usado pelas plantas até que ele seja modificado por processos naturais ou por meio da pro- dução de fertilizantes comerciais. Através de vários processos de "fixação", o N atmosférico gasoso é trans- formado em forma utilizável pela plan- ta...ou amônio ou nitrato. Ele pode ser fixa- do pelo relâmpago e levado à superfície da terra através da chuva ou da neve. Ele pode ser fixado por certos organismos do solo e nos nódulos das raízes das legu-minosas.
A fixação industrial fornece as mi- lhões de toneladas de fertilizantes nitro- genados comercialmente exigidos para se cultivar plantas em todo o mundo.
O nitrogênio é o elemento exigido pelas culturas em geral em maior quan- tidade que qualquer outro macronutriente. Algumas culturas, entretanto, absorvem
mais potássio (K) do que N. A Tabela 1 mostra as quantidades de nitrogênio exigi- das pelas principais culturas.
do N do solo vem da matéria orgânica. A matéria orgânica libera o N lentamente, sendo a taxa controlada por fatores como temperatura, umidade e textura.
A quantidade de N suprida pela maioria dos solos é pequena. Muito pouco é encontrado nas rochas e minerais; muito
Em geral, cerca de 20 a 30 kg de N por hectare são liberados anualmente para cada 1% de matéria orgânica contida no solo. Assim, um solo com 2% de matéria orgânica poderia liberar 40 a 60 kg de N no ano. Um dos produtos da decomposição da matéria orgânica, mineralização é o termo correto, é o amônio, que pode ser retido pelo solo, absorvido pelas plantas ou convertido em nitrato. O nitrato pode ser usado pelas plantas, lixiviado para fora da zona das raízes ou convertido a N gasoso e perdido para a atmosfera. A relação entre N indisponível para as plantas (matéria orgânica) e N disponível para as plantas (amônio e nitrato) é ilus- trada na Figura 1.
Figura 1. Mais de 90% do N do solo estão contidos na matéria orgânica, não prontamente disponível para o uso da planta.
Como a maioria dos solos não é capaz de fornecer quantidades suficientes de N para garantir o crescimento e a produção econômica de muitas culturas, os fertilizantes comerciais são largamente usados para suprir as necessidades das plantas. Esterco, lodo de esgoto e outros resíduos são fontes aceitáveis... desde que disponíveis. Porém, estas fontes são difíceis de manejar e não são economicamente transportadas a longas distâncias.
Matéria orgânica
Amônio, Nitrato Imobilização
Mineralização
É uma verdade – o nitrogênio é exigido pelas culturas^1
ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 10
O uso adequado do nitrogênio pode otimizar as produções e os lucros e ao mesmo tempo evitar qualquer possi- bilidade de efeito negativo sobre o ambiente: é a verdade.
Tabela 2. Maiores densidades de plantio do milho e nitrogênio interagem para aumentar a produção e a eficiência da adubação nitrogenada 1. Produção, kg/ha com doses de N kg/ha 80 160 240 30.000 6.608 7.728 8.680 2. 60.000 8.456 9.958 11.312 2. 90.000 9.184 11.760 12.936 3. Resposta à população, kg/ha 2.576 4.032 4.256 1. (^1) Dados da Flórida, EUA.
A necessidade de se usar N em mui- tas culturas é mais comum que a de outros nutrientes. A Tabela 2 mostra como a co- lheita de milho aumentou com a dose de N e a densidade de plantio. A adubação nitro- genada é sempre mais rentável e mais ami- ga do ambiente quando usada juntamente com todas as Melhores Práticas de Manejo. Em virtude das culturas serem tão responsivas ao N, a dose ótima da adu- bação nitrogenada varia muito pouco em função do preço, tanto em relação à cultura quanto ao fertilizante. Isto é válido contan- to que a cultura continue responsiva. O conceito é ilustrado na Tabela 3.
A escolha da fonte correta de N deve se basear em vários fatores, incluindo disponibilidade, preço, cultura a ser adu- bada, época e métodos de aplicação, sistemas de manejo e outros. Sob o ponto de vista de uma eficiente nutrição de planta, entretanto, um kg de N é um kg de N... desde que a fonte escolhida seja usada adequadamente. Além disso, qualquer fon- te de N, orgânica ou mineral, se não for aplicada corretamente – dose, época, loca- lização – apresenta a possibilidade de cau- sar acumulação de níveis excessivos de nitrato na água de beber.
População plantas/ha
Resposta a N kg/ha
O nível adequado de N produz folhas com coloração verde-escuro, devido ao alto teor de clorofila. A deficiência resul- ta em amarelecimento (clorose) das folhas devido à diminuição de clorofila.
Os sintomas de deficiência apa- recem primeiro nas folhas mais velhas, depois desenvolvem-se nas mais novas conforme a situação se torna mais severa. Outros sintomas da deficiência de N incluem:
Tabela 3. As doses ótimas de N (kg/ha) variam pouco com as mudanças nos preços do milho e do adubo. Preço do N (R$/kg) 0,24 0,32 0, 4,00 192 174 166 5,00 189 180 172 6,00 192 184 176
Preço do milho R$/saco
Deficiência de nitrogênio em milho (Original: EMBRAPA-CNPMS).
Deficiência de nitrogênio em feijoeiro, à direita (Original: Quirino A.C. Carmello).
Deficiência de nitrogênio em citros (Original: Eurípedes Malavolta).
Deficiência de nitrogênio em cafeeiro (à esquerda, ramo normal).
Ninguém tenha dúvida – não há vida sem fósforo.
Os fatores que afetam a disponibilidade de P para as plantas incluem: tipo e quan- tidade de minerais de argila, níveis de P no solo, aeração, compactação, teor de umida- de, temperatura, pH, disponibilidade de outros nutrientes essenciais às plantas e cultura que está sendo cultivada.
As análises do solo e da planta (folhas geralmente) podem predizer se é necessá- rio suplementar a capacidade do solo em fornecer P para a cultura.
A pesquisa vem estabelecendo quais os níveis de P no solo que estão associados com o crescimento e a produção ótimos da maioria das culturas. Do mesmo modo determinou os teores ótimos nas folhas, os quais podem variar com a idade da cul- tura.
Se há mais remoção de P do solo do que reposição, os níveis indicados pela análise do solo e a disponibilidade irão diminuir com o tempo. Por outro lado, se há maior fornecimento de P do que remo- ção, os níveis dados pela análise do solo e a disponibilidade aumentarão.
O fósforo é adicionado ao solo como adubo comercial, esterco de curral ou de galinha, lodo de esgoto, restos de colheita ou outros subprodutos. A reciclagem de fósforo contido nos estercos animais, pra- ticada há séculos, e a de subprodutos não é, entretanto, suficiente. Há a necessidade de se usar outras fontes. A indústria de fertilizante fosfatado foi desenvolvida para suprir esta necessidade e fornecer formas prontamente disponíveis de P, que podem ser facilmente transpor- tadas e aplicadas. Vários métodos são uti- lizados para converter a rocha fos- fatada em adubos. O produto final pode ser um material seco (pó, farelado ou granulado) ou fluido (solução ou suspensão). Alguns solos, ácidos geralmen- te, reagem prontamente com o adubo fosfatado, reduzindo sua disponibilidade para as plantas (fixação). Essas condições podem ser compensadas pela aplicação de P bem próximo ao período de utili- zação pelas plantas ou aplicando- se os fertilizantes em faixas con- centradas quando diminuem essas reações. As condições de estresse ambiental, que
diminuem a disponibilidade de P para as plantas, podem ser contornadas pela colo- cação de P próximo à semente (adubação de arranque)... mesmo quando a dispo- nibilidade no solo for alta.
A adubação fosfatada aumenta as produções e os lucros do agricultor. Os dados da Tabela 2 ilustram a impor- tância do P para o aumento das produções das culturas, melhorando a eficiência do uso do N, diminuindo os custos de produção por unidade e aumentando a lucratividade da cultura.
Tabela 2. Doses adequadas de P aumentam a produção de trigo, melhoram o aproveitamento do N, diminuem os custos de produção e aumentam a lucratividade 1. Eficiência Custo de Lucro do N produção líquido sacos/kg N R$/saco R$/ha 75 0 43 0,57 7,82 - 35, 75 20 64 0,85 5,68 84, 75 30 70 0,93 5,28 120, 75 40 76 1,01 4,98 154, 75 50 80 1,06 4,84 172, (^1) Solo com baixo teor de P. P 2 O 5 = R$ 0,44/kg; Trigo = R$ 7,00/saco.
Colheita sacos/ha
N P 2 O (^5)
- - kg/ha - -
Deficiência de fósforo em citros (Original: PPI).
Deficiência de fósforo em milho (Original: EMBRAPA- CNPMS).
Deficiência de fósforo em soja, à direita (à esquerda, folha normal).
Deficiência de fósforo em cana, à frente; ao fundo, plantas normais (Original: J. Orlando Filho).
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POTÁSSIO
É uma realidade –
o potássio é essencial para todas as plantas
1
O POTÁSSIO (K) é um nutriente mineral essencial para plantas e animais. Por exemplo: ele é o terceiro mineral mais abundante em nossos corpos, excedido somente pelo cálcio (Ca) e pelo fósforo (P). Mais de 85% do K do corpo humano é encontrado em órgãos essenciais tais como músculos, pele, sangue e trato digestivo. Nem animais nem plantas podem sobre- viver sem um suprimento adequado de K; seus efeitos são reais.
As plantas exigem mais potássio do que qualquer outro nutriente, exceto o nitrogênio (N). As culturas de importância econômica contém aproximadamente as mesmas quantidades de N e K mas o conteúdo de potássio de algumas altamen- te produtivas pode ser maior que o de ni- trogênio. Ao contrário de outros nutrien- tes, o K não forma compostos nas plantas, mas permanece livre para "regular" muitos processos essenciais... incluindo ativação enzimática, fotossíntese, uso eficiente da água, formação de amido e síntese de pro- teína. A Tabela 1 mostra a absorção de K por algumas culturas brasileiras.
(^1) Tradução e adaptação do original "It's for Real – Po- tassium Is Required by Plants", PPI, Norcross, EUA, por Eurípedes Malavolta.
A maioria dos solos contém centenas de quilos de K ... freqüentemente 20.000 quilos ou mais por hectare. Porém, somente uma pequena quantidade está dis- ponível para as plantas em todo o período de desenvolvimento, provavelmente menos que 2%. O K no solo existe em três formas:
Tabela 1. As culturas absorvem grandes quanti- dades de potássio^1. Total absorvido kg K 2 O Algodão 500 kg de fibra 42 Amendoim 2 t de grãos 92 Arroz 3 t de grãos 144 Café^2 3 t de grãos 187 Cana 100 t de colmos 201 Eucalipto 100 m 3 de madeira 35 Feijão 1 t de grãos 119 Forrageiras gramíneas 1 t mat. seca 27 leguminosas 1 t mat. seca 27 Laranja 3 18 t frutos 73 Milho 5 t grãos 106 Soja 2,5 t grãos 100 Tomate 40 t 230 Trigo 3 t grãos 51 (^1) Para converter K 2 2 O em K multiplicar por 0,83. Quantidade absorvida entre 5,5 e 6,5 anos de idade para dar uma produção de 50 sacas beneficiadas. (^3) Quantidade total contida em um pomar produzindo 2 caixas de 40,8 kg/pé, densidade de 210 plantas/ha.
Cultura Nível deprodução
O potássio movimenta-se por difu- são no solo, um processo vagaroso. As raízes da cultura geralmente contactam menos que 3% do solo na qual elas cres- cem. Isto significa que os solos devem ser bem supridos com K para garantir a dispo- nibilidade e o suprimento adequado para cada estádio de desenvolvimento, até a colheita. A Figura 1 ilustra como o K se "difunde" para as raízes da planta.
Não há uma maneira ideal de se aplicar fertilizantes potássicos. Os métodos dependem das várias condições de solo e cultura e de outras práticas de manejo... crescimento da cultura, sistema de cultivo, fertilidade do solo, mão-de-obra disponí- vel e equipamento, tipo de solo, uso de defensivos em combinação com fertili- zantes e outras. Os diversos métodos de aplicar adubos potássicos são variações dos 2 extremos: faixas ou linhas e a lanço, neste caso geralmente com incorporação na camada arável. A combinação da aplicação na linha com a aplicação a lanço é, com freqüência, a melhor maneira de se aplicar K. Esta combinação proporciona um crescimento inicial rápido e fornece uma reserva do elemento por longo tempo. O ponto im- portante é fornecer uma nutrição adequa- da de K que se manterá do plantio à colheita. Há várias fontes de fertilizante potássico. Cada uma tem sua vantagem. A fonte mais comumente usada é o cloreto de potássio (KCl), ou muriato de potássio. Porém, as necessidades de culturas especiais freqüentemente justificam o uso de outras fontes, incluindo sulfato de potássio (K 2 SO 4 ), sulfato de potássio e magnésio (K 2 SO 4 .2MgSO 4 ) e nitrato de
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Não deixe a reserva de cálcio (Ca) do seu solo baixar. Esse nutriente essencial, classi- ficado como macronutriente secundário na legislação brasileira de adubos, tem um grande papel a desempenhar no processo de formação da colheita. Muitas vezes, porém, nos programas de fertilidade preparados para muitas culturas de alta produção e alta qualidade, não se pensa nele. Existem exceções. Plantadores de amen- doim e de algodão, por exemplo, dão ênfase a uma boa nutrição com Ca. O que eles conhecem sobre o Ca que outros não conhecem? A resposta está no entendimento das contribuições do Ca para a fertilidade e para as culturas sob manejo intensivo ou estresse (falta d'água, salinidade).
O cálcio contribui para a formação da fertilidade do solo da seguinte forma:
O cálcio é vital para várias funções na planta, incluindo:
CÁLCIO
Todo o mundo sabe –
o cálcio é exigido pelas culturas
1
(^1) Tradução e adaptação do original "It's Well Known – Calcium Is Required by Plants", PPI, Norcross, EUA, por Eurípedes Malavolta.
Tabela 1. Exigências de cálcio, magnésio e enxofre de várias culturas. Total absorvido Ca Mg S
- - - - kg - - - - Algodão 500 kg de fibra 15 12 10 Amendoim 2 t de grãos 10 12 11 Arroz 3 t de grãos 27 9 12 Café^1 3 t de grãos 63 30 10 Cana 100 t de colmos 100 52 45 Eucalipto 100 m^3 de madeira 140 35 38 Feijão 1 t de grãos 58 19 26 Forrageiras gramíneas 1 t mat. seca 5 3 1 leguminosas 1 t mat. seca 13 4 2 Laranja^2 18 t frutos 160 9 9 Milho 5 t grãos 19 26 13 Soja 2,5 t grãos 42 25 5 Tomate 40 t 15 18 27 Trigo 3 t grãos 7 9 8 (^1) Quantidades absorvidas entre 5,5 e 6,5 anos de idade para dar uma produção de 50 sacas beneficiadas. (^2) Quantidades totais contidas em um pomar produzin- do 2 caixas de 40,8 kg/pé, densidade de 210 plantas/ ha.
Nível de produção
Embora desempenhe papéis importan- tes na vida da planta, as quantidades de Ca nela contidas não são tão grandes quanto as de nitrogênio e potássio. São, em geral, maiores que as de magnésio (Mg) e de enxofre (S), dois elementos que, com o cálcio, compõem a lista dos macronutrientes secundários. Note-se que essa classificação é convencional e não quer dizer que o Ca seja menos essencial que os demais elementos e nem menos importante para garantir produtividade e qualidade dos produtos agrícolas, forrageiras, frutíferas, hortaliças e grãos. A Tabela 1 mostra a necessidade de Ca, Mg e S de várias culturas.
A disponibilidade de cálcio é adequada quando os solos não são ácidos (pH entre 6,0 e 6,5) ou quando a acidez é corrigida pela apli- cação de calcário. Quando o solo se torna ácido em conseqüência da lixiviação ou perda de bases pela erosão, da adubação, e da própria cultura (que "troca" potássio, cálcio e magnésio por hi- drogênio) o desenvolvimento das plantas é fre- qüentemente prejudicado pelas concentrações tóxicas de alumínio (Al), manganês (Mn) e ferro (Fe), além da falta de cálcio. A análise de solo e um bom programa de calagem são a melhor prática de manejo (MPM) para prevenir esses problemas.
Na prática agrícola as deficiências de Ca existem, e elas devem ser evitadas ou corri- gidas. Atente para um ou mais dos seguintes sintomas:
Cultura
Um bom programa de calagem é um eficiente meio de suprir Ca para a maioria das culturas. O calcário calcítico de alta qualidade é efetivo quando os ajustes de pH são ne- cessários. Se o Mg estiver deficiente, a fonte preferida deve ser o calcário dolomítico. O gesso, gesso agrícola ou fosfogesso (sulfato de cálcio), além de melhorar o ambiente radicular
de que o Ca não se torne um fator limitante para a produção, a qualidade e o lucro.
em profundidade, é fonte de Ca e de S para as plantas. Algumas fontes de Ca mais comuns estão na Tabela 2. Notar que alguns adubos fosfatados possuem Ca.
Deficiência de cálcio em milho (Original: EM- BRAPA-CNPMS).
Tabela 2. Algumas fontes de Ca. Valor neutralizante^1 Corretivos Calcário calcítico 32-38 85- magnesiano 28-30 85- dolomítico 15-25 85- Cal extinta 52-54 120- Gesso agrícola 22 Sem Fertilizantes fosfatados Fosfato natural 28 10 "Fosmag" 18 Sem Superfosfato simples 18 Sem triplo 10 Sem Termofosfato 20 40 Outras Cloreto de cálcio 25 Sem Nitrato de cálcio 2 18 20 (^1) Em relação ao CaCO 3 puro = 100. (^2) Adubo nitrogenado.
Fonte Ca%
As seguintes MPMs podem ajudar a melhorar a nutrição da cultura com a garantia
Todo o mundo deve saber – o cálcio é exigido por todas as culturas.
Deficiência de cálcio em cafeeiro. Deficiência de cálcio em feijoeiro: morte dos pontos de crescimento, murchamento (Original: Quirino A.C. Carmello).
Deficiência de cálcio em cana-de-açúcar (Ori- ginal: G. Samuels).
muitas funções na planta. Mais notável, porém, ele é componente da clorofila, o pigmento responsável pela fotossíntese e pela coloração verde das plantas. É uma regra.
Uma vez que o magnésio é um nu- triente móvel na planta, ele é facilmente translocado do tecido mais velho para as partes novas da planta. Áreas novas da planta, que estão em crescimento, contém as maiores concentrações de Mg. Quando uma deficiência ocorre, as folhas mais velhas são afetadas primeiro:
Use a análise de solo para avaliar o estado de disponibilidade do Mg do solo. Use a análise de tecido da planta para monitorar a absorção sazonal das plantas e sua utilização. Com os resultados dessas análises junto com as quantidades exigidas, níveis de produção e práticas de manejo do solo, pode-se fazer um programa de adu- bação magnesiana do mais alto nível. As recomendações típicas para aplicação de Mg no solo variam entre 10 e 50 kg/ha. O Mg na forma de adubo pode ser aplicado no solo a lanço ou localizado na faixa, linha ou sulco, geralmente do segun- do modo. Os adubos magnesianos mais co- muns existentes no mercado brasileiro são o sulfato duplo de potássio e magnésio, o "fosmag" (contém também P 2 O 5 , Ca e S), o termofosfato magnesiano, o sulfato e o óxi- do de Mg. O magnésio pode também ser distribuído a lanço como calcário dolomí- tico ou magnesiano na prática da calagem. A Tabela 2 mostra o efeito benéfico do calcário dolomítico sobre a produção do cafeeiro no cerrado de Minas Gerais (dados da EPAMIG).
Tabela 2. Efeitos do calcário calcítico e do calcário dolomítico na produção do cafeeiro (soma das 3 primeiras safras).
Tratamento Sacos/ha Testemunha 63 Calcário calcítico 67 Calcário dolomítico 97
A tetania dos pastos ocorre em gado que se alimenta de forrageiras com baixo teor de Mg, as quais podem causar sérias implicações na saúde e mesmo a morte. Às vezes chamada hipomagnesia, ela está associada com baixos níveis de Mg sérico no sangue. Pesquisadores observaram que mesmo que o Mg possa ser absorvido pe- las raízes das plantas forrageiras, ele não pode ser translocado para a parte superior se as plantas estiverem deficientes em P. Quando isso ocorre, o gado que pasta nes- tas forrageiras torna-se mais predisposto à tetania. Produtores de leite e de carne po- dem ajudar a resolver o possível problema de tetania dos pastos com uma adubação adequada de P e Mg.
O magnésio é exigido pelas culturas – é uma regra sem exceção!
Deficiência de magnésio em folhas velhas de milho (Original: ARBORE).
Deficiência de magnésio em soja (Original: EM- BRAPA-CNPSo).
Deficiência de magnésio em cafeeiro.
Deficiência de magnésio em algodoeiro, causando avermelhamento internerval (Original: IAC).
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O elo que pode faltar –
o enxofre é exigido pelas plantas
Todo o mundo sabe que uma corren- te não é melhor que o seu elo mais fraco. Em muitos programas de adubação há um elo freqüentemente esquecido – o enxofre (S).
Atualmente, o S está se tornando um nutriente limitante na produção das cultu- ras, mais que no passado. As razões para esse aumento na necessidade incluem:
A Tabela 1 mostra a absorção de S pelas principais culturas.
ENXOFRE
(^1) Tradução e adaptação do original "It's the Missing Link – Sulfur Is Required by Plants", PPI, Norcross, EUA, por Eurípedes Malavolta.
Tabela 1. Quantidades de enxofre absorvidas por várias culturas. Total absorvido kg S Algodão 750 kg de fibra 22 Amendoim 2 t de grãos 8 Arroz 3 t de grãos 12 Café^1 3 t de grãos 10 Cana 100 t de colmos 45 Eucalipto 100 m^3 de madeira 36 Feijão 1 t de grãos 26 Forrageiras gramíneas 1 t de mat. seca 1 leguminosas 1 t de mat. seca 2 Laranja 2 18 t de frutos 9 Milho 5 t de grãos 13 Soja 2,5 t de grãos 10 Tomate 3 40 t de frutos 14 Trigo 3 t de grãos 12 (^1) Quantidade absorvida entre 5,5 e 6,5 anos de idade para uma produção de 50 sacas beneficiadas. (^2) Quantidade total contida em um pomar produzindo 2 caixas de 40,8 kg/pé, densidade de 210 plantas/ha. (^3) Nos frutos somente.
Nível de Cultura produção
A deficiência de S pode ser devida a várias condições:
O enxofre é fornecido à planta pela matéria orgânica e por minerais do solo. Com freqüência, porém, está presente em quantidades insuficientes e não se encontra disponível nas épocas em que é exigido para satisfazer as necessidades de culturas alta-
mente produtivas. A maior parte do S do solo está fixada na matéria orgânica e ele só pode ser usado pelas plantas quando convertido na forma de sulfato (SO 4 ) pelas bactérias do solo. Este processo é conhecido como mineralização. O sulfato é móvel no solo e pode ser lixiviado fora da zona radicular em alguns solos sob condições de alta pluviosidade. Quando o solo começa a secar, o sulfato, juntamente com o nitrato, pode subir em direção à superfície à medida que a água se evapora. Devido a essa mobilidade do enxofre disponível (sulfato), a análise do solo nem sempre pode fornecer informa- ções seguras sobre a capacidade que o solo tem para fornecê-lo às culturas. A análise do tecido da planta, particularmente das folhas, pode dar uma indicação melhor da necessidade de S.
O enxofre é reconhecido, junto com nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K),
como um nutriente-chave necessário ao desenvolvimento da cultura. O enxofre é exigido para a formação de aminoácidos e de proteínas, para a fotos- síntese e para a resistência ao frio. As deficiências de enxofre são fre- qüentemente confundidas com as de N. Os sintomas de deficiência de S apa- recem como:
As respostas das culturas brasileiras ao S têm sido bem documentadas, como se vê na Tabela 2, a qual contém dados obtidos pelo CENA-USP em colaboração com a Faculdade de Ciências Agrárias e Veteri- nárias de Jaboticabal, Faculdade de Ciên- cias Agrárias de Botucatu, Faculdade de Agronomia de Bandeirantes, EPAMIG e empresas particulares. Usando-se doses adequadas de S aumentam-se as produções e diminuem-se os custos por unidade produzida. Menor custo de produção por unidade conduz diretamente a maiores lucratividades (Ta- bela 3). A qualidade do produto também é importante. Um ensaio de 5 anos de duração feito em Louisiana, EUA, mostrou que a adubação com S pode afetar significativa-
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Figura 1. A disponibilidade de B geralmente é máxima no pH 6,5.
Doses muito pesadas de calcário, fazendo o pH subir demasiadamente, podem diminuir a disponibilidade do B e prejudicar a produção, que volta a crescer com a aplicação de boro junto com a calagem. É o que mostram os dados do IAC resumidos na Tabela 1.
É um fato –
o boro é exigido pelas culturas
BORO
É um fato que o boro (B) é exigido pelas culturas para seu crescimento e produção. A deficiência de boro, entre os micronutrientes, é, juntamente com a de zinco (Zn), a mais freqüente no Brasil. A resposta ao B tem sido constatada tanto em culturas temporárias, como o algodão e o trigo, quanto em perenes, como o cacau e o café, para não falar de hortaliças (batatinha, couve-flor, tomate).
Vários fatores influenciam a dispo- nibilidade do B no solo:
Os sintomas tendem a desaparecer logo que as camadas superficiais do solo recebem a chuva. As raízes voltam a cres- cer mas a colheita pode já ter sido preju- dicada em parte.
O crescimento radicular continua, mas a produção potential freqüentemente é reduzida.
Tabela 1. Efeito da calagem (6 t/ha) e do B (1,5 kg/ha) em produção de algodão. Boro Sem Com
As culturas variam muito na sua necessidade ou capacidade de responder ao B aplicado (Tabela 2). A maioria das leguminosas, como também algumas fru- tíferas e hortaliças, são altamente res- ponsivas. Outras hortaliças e os cereais (com a possível exceção do trigo) respon- dem menos.
Tabela 2. Escala de resposta das culturas ao boro. Muito Medianamente Pouco responsivas responsivas responsivas Aipo Alface Cebola Alfafa Brócolos Centeio Algodão Cacaueiro Cevada Alho Cenoura Citros Amendoim Colza Feijões Batatinha Espinafre Frutíferas de bagas Beterraba Mamoeiro Gramíneas forrageiras Cafeeiro Milho Pepino Couve Rabanete Soja Eucalipto Repolho Girassol Tomateiro Macieira Trigo Nabo Videira
(^1) Tradução e adaptação do original "It's a Fact – Boron Is Required by Plants", PPI, Norcross, EUA, por Eurípedes Malavolta.
Em um hectare de milho em crescimento há cerca de 100.000 km de raízes – é um fato! Surpreendentemente, essa tremenda quantidade de raízes está em contato com menos de 1% de solo. Essa pequena proporção de raízes fazendo contato com o solo é uma das razões porque é tão importante manter a fertilidade do solo em um nível alto para se ter uma rendosa produção de qualquer cultura.
Calagem
Os adubos contendo B devem ser aplicados bem uniformemente, evitando-se concentrações em manchas, devido à pequena distância que separa a dose adequada da quantidade tóxica. As doses de B dependem de vários fatores: teor no solo e no tecido da planta, espécie cultivada, rotação de culturas, condições de clima,
práticas culturais, textura e teor de matéria orgânica. O boro pode ser aplicado a lanço ou localizado no sulco, cova ou faixa, casos esses geralmente preferidos pois usa-se menos. Pode também ser aplicado em pulverização foliar que, dependendo da cultura, tem que ser repetida várias vezes. No caso das culturas mais responsivas, as doses para aplicação no solo podem chegar a uns 3 kg/ha e às vezes mais. As culturas medianamente ou pouco responsivas em geral recebem 0,5-1,0 kg B/ha. A Tabela 3 mostra resultados de ensaios com batatinha e com cafeeiro, conduzidos, respectiva- mente, pelo IAC, em São Paulo, e pelo IBC, em Minas Gerais.
Tabela 3. Resposta da batatinha e do cafeeiro à aplicação de B no solo. Tratamento Batatinha Café^1 t/ha sacos/ha Sem boro 10 21 Com boro 19 31 (^1) Média de 3 safras.
Teores adequados de boro aumentam a produção ... e os lucros.
O boro é essencial para o cresci- mento das células, principalmente nas regiões mais novas da planta, gemas, pontas das raízes. Polinização, desenvolvimento das sementes, formação da parede celular, florescimento e pegamento da florada, formação dos nódulos das leguminosas, crescimento dos ramos e frutos, tudo depende do B, quase sempre “ajudado” pelo cálcio.
Outro papel do B é a formação de proteínas. Embora o B seja móvel no solo, é praticamente imóvel na planta (outra característica que partilha com o cálcio) e por isso os sintomas de deficiência aparecem nas folhas mais novas ou nos pontos de crescimento.
Alguns sintomas específicos de deficiência de B em várias culturas são os seguintes:
Deficiência de boro em citros: goma na pele e nos lóculos (Original: CATI).
Deficiência de boro em feijoeiro: secamento dos pontos de crescimento (Original: Quirino A.C. Carmello).
Deficiência de boro em algodoeiro: acima, flores com pétalas atrofiadas em plantas deficientes (Original: IAC).
Deficiência de boro em cafeeiro: à direita, ramo normal.
trigo, por exemplo, contém menos de 10 g de Cu nos grãos e na palha. Uma saca de café beneficiado tem pouco menos de 1 g e em 100 t de colmo de cana há 180 g apenas.
Os produtos mais usados para for- necer Cu às culturas no Brasil são os seguintes, com os respectivos teores (% de Cu): “fritas” (0,8-3,5% Cu); óxido (75- 89%); oxicloreto (50-59%); sulfato (25%); quelados (5-13%).
Em culturas temporárias (cereais, cana-de-açúcar) a aplicação no solo é a maneira mais comum para se corrigir a deficiência de Cu ou evitar que apareça. As doses vão de 2 a 14 kg/ha nos solos minerais e de 10 a 45 kg/ha nos orgânicos. Devido à baixa solubilidade do cobre no solo dá-se preferência às aplicações localizadas nas faixas, covas ou sulcos, junto com os demais adubos. Doses pequenas podem ser mistu- radas com a semente.
A aplicação foliar entre o perfilha- mento e o “emborrachamento” dos cereais é eficiente, porém o seu uso se faz como medida de emergência, de modo geral. Em culturas perenes (citros, cafeeiro), as apli- cações foliares são bastante eficientes. Quando se usam defensivos contendo cobre (calda bordalesa, oxicloreto ou outros), além do controle fitossanitário são fonte eficiente do elemento como nutriente.
A resposta ao Cu pode ser espeta- cular, como mostram os dados do Planal- sucar, na Figura 1: 10 kg do elemento aumentaram a produção de cana em quase 60 toneladas.
Figura 1. Resposta da cana-planta à aplição do cobre no sulco de plantio em tabuleiro de Alagoas.
Além de controlar a ferrugem, o oxicloreto de cobre pulverizado nas folhas funciona como fonte de cobre, causando aumentos na produção devido ao controle da doença: é o que mostra a Figura 2, feita com dados obtidos pela ESAL e aqui simplificados. Em solos minerais deficientes, o Cu, além de aumentar a produção, aumenta também a porcentagem de grãos cheios, como mostram os dados canadenses da Tabela 2.
Figura 2. Resposta do cafeeiro à aplicação foliar de oxicloreto de cobre (média de 5 safras, doses divididas em 7 aplicações por ano).
Tabela 2. A adubação com cobre aumenta a colhei- ta e a porcentagem de grãos de cevada e de trigo^1.
Cultura Tratamento Colheita Grãos cheios kg/ha % Cevada Sem Cu 3.875 48 Com Cu 5.750 92 Trigo Sem Cu 937 59 Com Cu 2.250 72 (^1) Dose: 10 kg de Cu/ha como sulfato de cobre.
Deficiência de cobre em cana-de-açúcar: as folhas se Deficiência de cobre em citros (Original CATI). curvam (Original: J. Orlando Filho).
Deficiência de cobre em cafeeiro, com as folhas curvadas para baixo, confundindo às vezes com estresse hídrico.
Deficiência de cobre em folhas de cafeeiro, com nervu- ras salientes.
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O ferro (Fe) é essencial para o cres- cimento das plantas e para a produção de alimentos, embora somente pequenas quantidades sejam exigidas, comparadas às de outros nutrientes, tais como nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Assim, por exemplo, uma produção de 100 sacos de milho remove apenas 60 g de Fe do solo; 100 toneladas de colmo de cana-de-açúcar contém apenas 2,5 kg de ferro.
Porém, estas pequenas quantidades de Fe devem estar disponíveis para que a cultura se desenvolva normalmente e produza milho, cana ou qualquer outro produto. Sem o Fe, os benefícios de todas as outras boas práticas de manejo terão pouco ou nenhum valor.
A maior parte dos solos contém milhares de quilos de Fe, 200.000 por hec- tare ou mais. Mesmo com todo esse ferro, normalmente muito pouco está disponível para o desenvolvimento da cultura; assim, as deficiências não são raras em muitas regiões. Existem vários fatores do solo que influenciam a disponibilidade de Fe:
O ferro está mais disponível quando o pH é menor que 6,0.
Sua disponibilidade diminui rapi- damente à medida que o pH atinge 7,0 ou mais. A calagem de solos ácidos é ne- cessária para a ótima produção da cultura, mas a calagem em excesso pode induzir à deficiência de Fe. A Figura 1 mostra a disponibilidade de Fe nos pHs normal- mente encontrados nos solos agrícolas.
sivos de P no solo podem induzir a uma deficiência de Fe. Deve-se dar especial atenção ao Fe em solos com pH alto e que também têm alto teor de P.
A combinação dos fatores de solo, incluindo calagem elevada, frio, condições de umidade e níveis altos de bicarbonato, pode levar à deficiência de Fe. Isto é espe- cialmente crítico em culturas sensíveis ao Fe, tais como sorgo (grãos) e árvores fru- tíferas. A deficiência também é comum nos viveiros de cacau e café em que os saqui- nhos contém substrato rico em matéria orgânica, são feitas muitas regas e entra pouco sol.
O ferro age como catalisador na formação da clorofila e como carregador de oxigênio. Ele é essencial para a síntese de proteínas e ajuda a formar alguns sis- temas respiratórios enzimáticos. Ele tem funções na respiração da planta, na fotos- síntese e na transferência de energia. Os sintomas de deficiência de Fe aparecem primeiro nas folhas mais novas, na parte superior da planta, na ponta dos ramos (cacau, café, citros) ou na sua base (coco, dendê) porque ele não se transloca, isto é, permanece quase todo no órgão em que primeiro se acumulou. A deficiência de Fe apresenta-se com uma coloração verde-pálido (clorose), com acentuada distinção entre as nervuras verdes da folha e o tecido internerval. A deficiência severa pode tornar a planta inteira amarelo- esbranquiçado. Às vezes, a deficiência de Fe é difícil de ser identificada porque os efeitos podem ser mascarados pela deficiência de outro nutriente ou pelo desequilíbrio nutricional. Doenças, infestação de insetos ou dano por
Não é surpresa –
o ferro é exigido pelas culturas
FERRO
(^1) Tradução e adaptação do original "It's Not Surprising
Figura 1. À medida que sobe o pH cai a disponi- bilidade do ferro.
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O manganês (Mn), juntamente com carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), enxofre (S), boro (B), cloro (Cl), cobalto (Co), cobre (Cu), ferro (Fe), molibdênio (Mo), níquel (Ni), selênio (Se), silício (Si) e zinco (Zn), é um dos elementos essenciais para a planta. Sem ele as plantas não vivem. Faz parte da lista dos micronutrientes (ao lado do B, Cl, Co, Cu, Fe, Mo, Ni, Se e Si), ou seja, dos elementos exigidos em pequenas propor- ções. Este fato, porém, não está relacionado a sua abundância relativa nos solos ou a sua importância como nutriente da planta. Quantidades relativamente grandes de Mn podem ocorrer nos solos, mas somente uma pequena fração nornalmente está disponível a qualquer hora.
O manganês funciona principal- mente como parte dos sistemas enzimáticos da planta. Funciona em vários processos importantes como a fotossíntese e a conver- são do N-nitrato em forma que a planta usa para fazer aminoácidos e proteínas. A síntese de clorofila – o pigmento verde típico das plantas superiores – depende do Mn. Por causa desta função, os sintomas de deficiência de Mn geralmente envolvem amarelecimento da folha ou clorose.
O manganês não é translocado na planta, assim, os sintomas de deficiência aparecem primeiro nas folhas mais novas.
As deficiências ocorrem com mais freqüência em solos com alto teor de matéria orgânica, em solos com pH de neutro a alcalino, e em solos que natu-
amareladas e, em casos severos, quase brancas. Diminui o número de “cerejas” nas rosetas.
Tabela 1. Teores adequados de Mn nas folhas de algumas culturas e possibilidade de resposta ao elemento aplicado como adubo. Teor adequado de Mn (ppm) Alfafa 30-100 Média Algodão 25-350 Baixa Batatinha 30-200 Média Cacaueiro 150-200 Média Cafeeiro 80-100 Alta Citros 25-100 Média Milho 30-150 Média Soja 20-100 Alta Sorgo 18-190 Alta Trigo 20-200 Alta
Causas diversas podem fazer subir ou descer o teor foliar de Mn em relação aos níveis considerados suficientes ou adequados:
Concentrações acima do nível adequado
- baixo pH do solo;
É obrigatório –
o manganês é exigido pelas culturas
MANGANÊS
(^1) Tradução e adaptação do original "It's Mandatory – Manganese Is Required by Plants", PPI, Norcross, EUA, por Eurípedes Malavolta.
ralmente têm baixo conteúdo de Mn. Os sintomas de deficiência variam pouco entre as culturas:
Cultura Resposta
A baixa disponibilidade de Mn em solo com alto pH e rico em matéria orgânica pode ser devida à formação de compostos quelatados de Mn indisponíveis.
Figura 1. Subindo o pH cai a disponibilidade de manganês.
Tabela 2. Resposta da soja ao Mn em solos de pH alto. Dose e modo de aplicação Colheita (sacos/ha) Testemunha 76 15 kg Mn/ha, a lanço 85 5 kg Mn/ha, na linha 88 0,5 kg Mn/ha, foliar 88
bilidade de Mn. As fontes de N amoniacal, que produzem acidez no solo, tais como sulfato de amônio, uréia, nitrato de amônio e amônia, aumentam a absorção de Mn pela planta. O cloreto de potássio (KCl), um sal neutro, pode aumentar a disponibilidade de Mn, especialmente em solos ácidos.
O manganês pode ser aplicado a lanço no pré-plantio, na adubação de plan- tio (sulco, faixa, cova) ou como pulveri- zação nas folhas. As aplicações a lanço raramente são feitas pois é necessário usar doses maiores que custam mais. As doses usadas a lanço vão de 10-25 kg/ha; no plantio usam-se 3-5 kg/ha e por via foliar as doses vão de 0,5-2,0 kg/ha, em média. A escolha do método de aplicação depende do custo e da cultura. Como se vê na Tabela 3, feita com dados originais do PROCAFE (MARA/SNPA), a aplicação foliar de Mn foi o método mais eficiente para corrigir a deficiência no cafeeiro cultivado na Bahia. A acidificação do solo e, portanto, o aumen- to na disponibilidade causada pelo sulfato de amônio ajudou mas não foi tão eficiente como a aplicação foliar.
Tabela 3. Tratamentos e produção de café bene- ficiado em função dos métodos de correção da deficiência de manganês. Sacos/ 1.000 covas
Para alta qualidade e colheitas rendosas as culturas necessitam de Mn – é obrigatório.
Concentrações abaixo do nível adequado
- baixos níveis de Mn nativo nos solos; - baixa disponibilidade devido ao alto pH do solo (7,0 ou maior);
A resposta das culturas a aplicações de Mn em solos deficientes ou onde o pH é alto pode ser muito lucrativa, especialmente em culturas responsivas como soja, beter- raba e cereais (Tabela 2).
- Matéria orgânica do solo: as deficiências de manganês ocorrem fre- qüentemente em solos frios, úmidos e ricos em matéria orgânica.
Os sintomas desaparecem à medida que o solo seca e as temperaturas aumen- tam. Esta condição pode ser relacionada à menor atividade microbiológica nos solos frios e úmidos.
Tratamento
Deficiência de manganês em folhas novas de milho (Original: ARBORE).
Deficiência de manganês em soja (Original: EM- BRAPA-CNPSo).