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Ficha de exercicios -serie numero 3
Tipologia: Exercícios
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Não perca as partes importantes!








































Começamos considerando fluidos estáticos em equilíbrio. Sobretudo fluidos incompressíveis, o que significa líquidos, mas aqui e ali algumas propriedades importantes dos gases serão abordadas. Muitos dos assuntos neste capítulo serão certamente uma revisão de conhecimentos, que não é uma má forma de começar.
A densidade de uma porção qualquer de matéria é a razão entre a sua massa e o seu volume: ρ =
m V
A letra grega ρ (ró, que corresponde ao nosso r ), é frequentemente usada para representar a densidade. Muito importante é considerarmos as unida- des. É claro que no Sistema Internacional de unidades (a partir de agora SI) esta grandeza se exprime em kg/m^3. É muito comum usar também g/cm^3 , onde a densidade da água tem o valor de 1 g/cm^3. É muito importante notar que na maior parte das situações são as unidades SI que é conveniente usar. Em qualquer cálculo envolvendo outras grandezas expressas em unidades SI temos de usar o valor da densidade expressa em kg/m^3. Desde já recomendo que simplesmente decorem o facto elementar que 1 g/cm^3 = 1000 kg/m^3. Assim o valor normal a usar para a densidade da água neste texto é 1000. Prometo que evitarão cometer muitos erros graves se fixarem já isto. Resul- tados que diferem de um factor de mil da verdade são erros graves. Não se admirem se houver pessoas que fiquem verdadeiramente indignadas com a ideia de um elefante com 4 kg ou um ecrã de computador com 300 m. Dispa- rates equivalentes resultam de usar 1 para uma densidade que vale 1000, ou vice versa. É mesmo importante ser coerente nas unidades. Devemos usar o valor 1 apenas se tudo o mais está em cm e gramas. Outro conceito talvez já
conhecido e relacionado é a massa específica , que é na mesma a razão entre a massa e o volume duma determinada substância. Este conceito aplica-se correctamente apenas a porções homogéneas de matéria, mais comummente a uma substância específica. Por exemplo, uma esfera de ferro sólida tem uma densidade idêntica à massa específica do ferro, mas uma esfera oca de ferro tem uma densidade inferior à massa específica do ferro. Como densi- dade serve para todas as situações, só por distracção é que tornarei a falar de massa específica.
Para considerar as forças e as suas consequências quando estamos a tratar de fluidos, é fundamental o conceito de pressão. Nos sólidos podemos considerar as forças aplicadas num ponto. Nos fluidos as forças estão distribuídas sobre superfícies. Por isso temos de pensar em termos de pressão, que como sabem, é “qualquer coisa como força por unidade de área”. Vamos ver isto com um pouco de cuidado. Imaginem um recipiente com água. Para tornar o exercício mais efi- caz, façam-no bonito. Pode ser um aquário, mas como ainda só estamos a considerar fluidos estáticos, tirem de lá os peixes e desliguem os filtros, etc. Agora imaginem um ponto onde a água encontra o vidro, pode ser a meia altura, mas só se quiserem. Agora imaginem uma pequena área da superfície vertical do vidro em contacto com a água em torno do ponto que ainda estão a imaginar. A água em contacto com esta pequena área está a exercer uma pequena força sobre a parede de vidro.^1 A pressão que a água exerce sobre o vidro na área em torno do ponto que ainda estão a imaginar é a razão entre a valor da força que a água exerce sobre esta área de vidro e o valor da própria área.
p =
A força de pressão é perpendicular à superfície de contacto. Sempre. Nesta altura pode ser útil olhar para a Figura 1.1. Agora vamos levar o argumento uns pontos mais adiante, pois todo este trabalho de imaginação não foi para ficar só por aqui. O vidro exerce uma força igual, mas oposta, sobre a água,^2 (por isso é que o aquário é um recipiente). Assim falamos também da pressão exer- cida pelo vidro sobre a água, que tem certamente o mesmo valor. Agora podemos deixar a superfície da água e mergulhar no interior. Apaguem da mente o ponto na superfície, para poderem imaginar um ponto no meio da água. Agora imaginem uma qualquer pequena superfície plana que contém
(^1) A palavra pequena aqui significa que podemos sempre considerar uma porção de área aproximadamente plana, mesmo para superfícies menos regulares que a parede dum aquário. (^2) Isto é a terceira lei de Newton em acção, mas isso agora não interessa.
contramos para a pressão. Outros conhecidos são a atmosfera (atm), o bar (bar), o torr (Torr), o milímetro de mercúrio (mmHg), e vou parar por aqui. Temos de saber o que são estas coisas, porque aparecem na vida real. Não quer isto dizer que temos de saber de cor todas as conversões entre estas unidades e o pascal, mas quer dizer que não é má ideia. Uma noção importante a reter é que o pascal é uma unidade pequena. Na realidade, uma atmosfera é pouco mais de 100 000 Pa. O bar é exactamente 100 000 Pa, pelo que os valores duma pressão expressa em bar e em atm diferem pouco mais de 1%. A lista seguinte resume a situação.
O problema, por assim dizer, é que estas unidades são todas usadas na vida real, dia-a-dia. Se estiver a tratar da pressão dos pneus do carro, usará o bar, se referir o valor da tensão arterial, será em mmHg, e quantas vezes não usou já atmosferas? Os meteorologistas normalmente exprimem a pressão do ar em hPa, que antigamente chamavam de mbar... Veja-se o mapa meteorológico da Figura 1.3. Notemos também que torr e mmHg parecem também ser a mesma coisa.^4 Vale mesmo a pena pensar no que significa o pascal ser uma unidade pequena. Em comparação com o quê ao certo? Se a pressão atmosférica é da ordem de 105 Pa, então sobre 1 m^2 duma tampa de mesa o ar está a exercer uma força de 100 000 N. Será possível? E sobre uma pessoa? A área superficial de um ser humano varia muito de pessoa para pessoa claro, mas 1,75 m^2 é um bom valor indicativo. Então sobre uma imaginária pessoa média, o ar estaria exercendo uma força de pressão de 175 000 N. Isto é o peso de 12 automóveis relativamente grandes. Talvez é a pressão atmosférica que afinal é bastante grande, ou talvez estes números sejam absurdos e é melhor pensar mais no caso. Se fosse assim eu não seria esmagado? E de onde poderia vir uma força tão grande?
A Lei de Stevin quantifica a trivial observação de que a pressão aumenta com a profundidade num líquido. O resultado é simples, importante, e fácil de deduzir, por isso vale a pena fazê-lo agora mesmo. No texto principal apenas
(^4) Apesar de serem coisas ligeiramente diferentes, poderão nesta fase da vida ignorar essa diferença. Também podem optar por investigar este assunto.
Figura 1.3: Mapa meteorológico com indicação da pressão do ar, em hPa (mbar)[? ].
haverá lugar para algumas deduções simples, algumas outras deduções teóri- cas mais sofisticadas, ou menos importantes, serão relegadas para apêndice, onde podem seguramente ser ignoradas sem prejuízo para a continuidade da leitura. Ao mergulharmos alguns metros abaixo da superfície da água rapida- mente notamos os efeitos do aumento da pressão, nomeadamente nos nossos ouvidos. Suponham então que temos um líquido em equilíbrio estático. Pode ser a mesma água do mesmo aquário que já usamos antes. Conside- rem uma porção do interior desse líquido, que tem um formato cilíndrico, porque dá jeito e é fácil de desenhar, como na Figura 1.4. Sobre este cilindro de fluido actuam as forças devido à pressão da água circundante, e ainda o seu peso, a atracção gravitacional da Terra. As forças de pressão exercidas sobre os lados do cilindro anulam-se por simetria evidente, e por isso na água não surgem espontaneamente correntes horizontais ou remoinhos, que seriam contrárias à hipótese de equilíbrio estático. Podemos seguramente considerá-las interessantes por existirem, mas irrelevantes para o que preten- demos analisar, que é a variação da pressão com a profundidade. Realmente o que tem interesse são as forças verticais, portanto. O peso, F~g , e as forças de pressão exercidas sobre o topo, F~t e sobre a base, F~b , do cilindro. É claro que tendo em conta os sentidos destas forças verticais, o equilíbrio significa que Ft + Fg = Fb
Sendo A a área comum do topo e da base do cilindro, e designando por pt e por pb os valores da pressão da água no topo e na base do cilindro, os
F~b
F^ ~t
F^ ~g
h
Figura 1.4: Forças verticais sobre uma porção de fluido
da aplicação do cálculo infinitesimal, e fica relegada para apêndice. No final do semestre poderá constituir um interessante exercício de aplicação destes conceitos entretanto lecionados na matemática. Ou não. Seja lá como for, a equação escreve-se:
p = p 0 e −^
M g RT ( y − y^0 )^ (1.5)
Aqui p é a pressão do gás à altitude y , sendo p 0 a pressão à altitude y 0. M é a massa molar do gás, T é a temperatura absoluta (em kelvin), enquanto g é a aceleração gravítica e R é a constante dos gases ideais, bem conhecida da equação de estado do gás ideal
pV = nRT (1.6)
( R = 8,314 J/mol·K, em unidades SI). Uma consequência directa e assi- nalável da eq.(1.6) é que a densidade do gás com massa molar M (que se exprime em kg/mol no SI) à pressão p e à temperatura T vale
ρ =
M p RT
Devo fazer notar que a dedução da equação barométrica (apêndice A.1) supõe que a temperatura, constante, não varia com a altitude, o que com- promete pelo menos um pouco a precisão dos resultados, mas como primeira aproximação é certamente muito útil.
O Princípio de Pascal afirma que:
Uma variação na pressão aplicada a um fluido incompressível confinado é transmitida de forma idêntica a todo o fluido e às paredes do recipiente.