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Fichamento - Do Sublime - Longino, Resumos de Literatura Grega

Fichamento do livro "Do Sublime", atribuído a Longino.

Tipologia: Resumos

2021

Compartilhado em 09/07/2021

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Do Sublime
Bruno José Trevisani Walter
NºUSP: 11248661
Sobre o autor: anônimo do I d. C.
Segundo os manuscritos: “Dionísio Longino” ou “Dionísio” ou “Longino”.
Suposições dos filólogos: Dionísio de Halicarnasso, Cássio Longino ou um judeu
helenizado.
Sobre o texto: falando sobre o sublime, o autor tenta ser sublime; o texto apresenta
lacunas.
1. Introdução.
1.1. O autor escreve, a pedido de Póstumio Terenciano, após uma leitura conjunta
de um tratado sobre o sublime de Cecílio, que se mostrou insuficiente.
1.2. Duas devem ser as preocupações do autor de um texto técnico: mostrar o
assunto – o que Cecílio explorou a exaustão – e, principalmente, expor como e
por que método o leitor pode se tornar um mestre nesse assunto – o que Cecílio
negligenciou.
1.3. Definição do sublime:
1.3.1. Introdução de Filomena Hirata: “Esse homem estranho não se deixa
captar, ou melhor, ele nos escapa, tanto sua vontade não é tão grande de
classificar, quanto de dar iluminações e fulgurações”. “O sublimepode
ser representado por exemplos”, por isso o tratado acaba se tornando,
também, uma pequena antologia do sublime.
1.3.2. “Já que também é para ti que se dirige esse escrito, caríssimo amigo, que
és um mestre da cultura, sinto-me totalmente dispensado de ter de
consagrar muito tempo para estabelecer, em princípio, que o sublime é de
certa forma o ponto mais alto, a eminência do discurso, e que os maiores
poetas e prosadores jamais conseguiram o primeiro posto de um outro lugar
que daí; e que daí lançaram eles ao redor do Tempo a rede de sua glória.
Pois não é a persuasão, mas ao êxtase que a natureza sublime conduz
os ouvintes. Seguramente por toda parte, acompanhado do choque, o
maravilhoso sempre supera aquele que visa a persuadir e a agradar; já
que o ser persuadido, na maior parte do tempo, depende de nós, enquanto
aquilo de que falamos aqui, trazendo um domínio e uma força irresistíveis,
coloca-se bem acima do ouvinte. E a prática da invenção, a ordem e a
organização da matéria, nós as vemos aparecer penosamente, não a partir
de uma passagem, nem mesmo de duas, mas da totalidade do tecido de
discurso; enquanto o sublime, quando se produz no momento oportuno,
como o raio ele dispersa tudo e de imediato manifesta, concentrada, a
força do orador. Dessas coisas, a meu ver, e de outras do mesmo gênero,
meu caríssimo Terenciano, poderás mostrar o caminho graças a tua
experiência.”.
1.3.3. Não se trata do estilo sublime, que é o uso de linguagem elevada,
palavras raras, hipérbatos etc.
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Do Sublime Bruno José Trevisani Walter NºUSP: 11248661 Sobre o autor: anônimo do I d. C. Segundo os manuscritos: “Dionísio Longino” ou “Dionísio” ou “Longino”. Suposições dos filólogos: Dionísio de Halicarnasso, Cássio Longino ou um judeu helenizado. Sobre o texto: falando sobre o sublime, o autor tenta ser sublime; o texto apresenta lacunas.

  1. Introdução. 1.1. O autor escreve, a pedido de Póstumio Terenciano, após uma leitura conjunta de um tratado sobre o sublime de Cecílio, que se mostrou insuficiente. 1.2. Duas devem ser as preocupações do autor de um texto técnico: mostrar o assunto – o que Cecílio explorou a exaustão – e, principalmente, expor como e por que método o leitor pode se tornar um mestre nesse assunto – o que Cecílio negligenciou. 1.3. Definição do sublime: 1.3.1. Introdução de Filomena Hirata: “Esse homem estranho não se deixa captar, ou melhor, ele nos escapa, tanto sua vontade não é tão grande de classificar, quanto de dar iluminações e fulgurações”. “O sublime só pode ser representado por exemplos”, por isso o tratado acaba se tornando, também, uma pequena antologia do sublime. 1.3.2. “Já que também é para ti que se dirige esse escrito, caríssimo amigo, que és um mestre da cultura, sinto-me totalmente dispensado de ter de consagrar muito tempo para estabelecer, em princípio, que o sublime é de certa forma o ponto mais alto, a eminência do discurso , e que os maiores poetas e prosadores jamais conseguiram o primeiro posto de um outro lugar que daí; e que daí lançaram eles ao redor do Tempo a rede de sua glória. Pois não é a persuasão, mas ao êxtase que a natureza sublime conduz os ouvintes. Seguramente por toda parte, acompanhado do choque, o maravilhoso sempre supera aquele que visa a persuadir e a agradar ; já que o ser persuadido, na maior parte do tempo, depende de nós, enquanto aquilo de que falamos aqui, trazendo um domínio e uma força irresistíveis, coloca-se bem acima do ouvinte. E a prática da invenção, a ordem e a organização da matéria, nós as vemos aparecer penosamente , não a partir de uma passagem, nem mesmo de duas, mas da totalidade do tecido de discurso ; enquanto o sublime, quando se produz no momento oportuno , como o raio ele dispersa tudo e de imediato manifesta, concentrada, a força do orador. Dessas coisas, a meu ver, e de outras do mesmo gênero, meu caríssimo Terenciano, poderás mostrar o caminho graças a tua experiência.”. 1.3.3. Não se trata do estilo sublime, que é o uso de linguagem elevada, palavras raras, hipérbatos etc.

1.3.4. O sublime não está limitado à poesia, mas está também na historiografia, na filosofia e na oratória, enfim, não se prende a um gênero em particular.

  1. Existe uma técnica do sublime? Natureza x Técnica. 2.1. “...se se considerar que a natureza, assim como muito frequentemente, nos momentos de patético e de elevação, se dá a si mesma uma regra , assim também não tem costume de entregar-se ao acaso, nem de ser absolutamente sem método; e que é ela que fornece o elemento primeiro e arquetípico para a gênese de toda produção, mas que, no que concerne as quantidades e ao tempo , para cada coisa, e a prática e a utilização as mais seguras, é o método que é capaz de circunscrever os limites e colaborar. A grandeza, abandonada a si mesma, sem ciência, privada de apoio e de lastro, corre os piores perigos, entregando-se ao único impulso e a uma ignorante audácia; pois, se frequentemente precisa de aguilhão, precisa também de freio.”.
  2. Três defeitos de arte: de quantidade e tempo. 3.1. Exagero de grandeza, o inchaço, ir além do sublime, levando a irrisão – é um defeito difícil de evitar, para quem visa o sublime. Exemplo: Górgias de Leontium – “Xerxes, o Zeus dos persas”. 3.2. Baixeza, frieza, puerilidade, pequenez de alma, completamente avessa ao sublime – o pior defeito. Caem nesse erro os que visam o excepcional, o fabricado e, principalmente, o prazeroso. Exemplo: Platão - "A respeito das muralhas, Megilo, concordaria com Esparta em deixar dormir as muralhas, deitadas sobre a terra, e não as fazer levantar.”. 3.3. Da paixão fora de hora ou fora de medida.
  3. Como evitar os vícios que se mesclam ao sublime? É preciso ter um conhecimento e um julgamento puros do que é o sublime. 4.1. “Nenhuma coisa cujo desprezar tenha grandeza é grande”. Exemplos: riquezas e distinções. A grandeza é de alma. Assim se deve escolher a matéria do discurso. 4.2. “Pois, por natureza de certa forma, sob o efeito do verdadeiro sublime, nossa alma se eleva e, atingindo soberbos cumes, enche-se de alegria e exaltação, como se ela mesma tivesse gerado o que ouviu ”. 4.3. É sublime o discurso que possui grandeza de pensamento, ou seja, que diz mais do que é efetivamente dito, que não tem seus efeitos diminuídos após reiterados reexames e que tem uma força irresistível, deixando uma lembrança forte e difícil de apagar. 4.4. Introdução de Hirata: Diz que os três critérios anteriores podem ser explicados pelo princípio de separar o essencial do acessório. 4.5. “Em suma, eis a regra: é seguramente e verdadeiramente sublime o que agrada sempre e a todos ”. Universalidade no tempo e no espaço é afirmada como critério estético. 4.6. Hirata: “A capacidade de reduzir o número à unidade e de articulá-lo como um corpo vivo”. Exemplo: Fragmento 31 de Safo. Hirata: “Safo coloca os acontecimentos [...] na ordem em que vêm e na sua verdade. Entre os elementos constitutivos ela escolhe os mais eminentes [...] os da mais alta tensão, e liga-os uns aos outros. Ela é estranha àquilo que lhe acontece, àquilo que toca seu corpo. A pluralidade dos acontecimentos, sua tensão contraditória, o concurso dessas paixões, ela as traz para um mesmo lugar, que não é mais seu corpo, mas que é o corpo constituído do poema. [...] O sublime está aí, na capacidade de se desprender de si e de constituir um outro corpo, essencial, desvencilhado do acessório, do não-significante, do tumulto confuso.”.
  4. Cinco fontes capazes de produzir o sublime:

5.2.3. A composição digna e elevada – engloba todas as outras: harmonia rítmica.

  1. Amplificação, imitação e aparição. Hirata: aparecem entre as discussões das fontes naturais e técnicas do sublime, como se fossem fontes esquecidas por Longino. 6.1. A amplificação: “para defini-la precisamente, é a ação de levar a termo, tomando como ponto de partida todas as partes e todos os lugares que se referem ao assunto, dando força, pela insistência, ao que é elaborado.” Consiste, portanto, na quantidade, enquanto que o sublime provém da elevação (qualidade); não se pode confundi-los. 6.2. A imitação: “a imitação dos grandes escritores e poetas do passado e com eles o espirito de emulação”. Hirata: “ela supõe a faculdade de eleição e admiração; mas entendamos uma admiração louca, totalmente entregue a si mesma”. Daí também deriva a rivalização com os grandes. 6.3. A aparição: “quando o que tu dizes sob efeito do entusiasmo, tu crês vê-lo e tu o colocas sob os olhos do auditório”. Na poesia, sua finalidade é o choque, enquanto que nos discursos é a descrição animada, donde se depreende que o exagero é mais perdoável aos poetas que aos retóricos, que devem preferir o verossímil.
  2. O sublime pressupõem o risco. 7.1. É preferível a grandeza com defeitos em alguns lugares à ausência de erros e harmonia do conjunto. 7.2. É preferível a grandeza das qualidades à quantidade delas. 7.3. “Quanto a mim, sei que as naturezas superiores são as menos isentas de defeito; pois a vigilância minuciosa em tudo faz correr o risco da pequenez; e na grandeza como na excessiva riqueza, é preciso que subsista também um pouco de negligencia. Já as naturezas baixas e medíocres talvez também seja uma necessidade que, pelo fato de jamais correrem riscos e jamais aspirarem às alturas, na maior parte do tempo permaneçam impecáveis e mais seguras; as grandes, ao contrário, caem por causa da própria grandeza”.
  3. Leituras Hirata: 8.1. Comparações com outras artes: A comparação com outras artes serve para mostrar a superioridade da literatura e para utilizar conhecimentos de outras áreas para ilustrar o sublime. 8.2. O trágico moderno: asilo impossível.