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fisiologia do trato digestório
Tipologia: Resumos
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II. Secreções Exócrinas
1. Secreção Salivar
Funções da Saliva a- A diluição, pelo volume secretado, e o efeito lubrificante da mucina (uma glicoproteína) são convenientes para a deglutição. A ritmos máximos de secreção, as glândulas salivares podem secretar até 1 ml/min.g de tecido, isto é o próprio peso por minuto. A dissolução de
alimentos sólidos é importante para a percepção gustativa. b- Mantendo úmida a mucosa bucal e faringeana, é importante para a higiene, prevenção de infecções e cárie. Importante para a fala. A Xerostomia é síndrome caracterizada pela secreção
salivar deficiente. c- Função digestiva pela secreção da α 1,4 amilase (ptialina). Outras enzimas,, como a
RNAase, DNAase, lipase, lisozima, peroxidase e calicreína, também são secretadas.
ação resultam, portanto, maltose, maltotriose e isomaltose (dextrinas de limite α ).
Estrutura das glândulas salivares
a- Classificação quanto à natureza da secreção: Serosas: as parótidas Mistas: as sublinguais, as submaxilares e as pequenas glândulas espalhadas pela
mucosa. A mucina, na secreção destas glândulas torns a solução mais viscosa. b- Estrutura das glândulas: ácinos e dutos intercalares, que produzem a saliva primária, duto estriado e dutos excretores que modificam a composição eletrólitica da solução salivar. As células zimogênicas (secretoras de ptialina) e as células produtoras de mucina estão
localizadas nos ácinos das glândulas mistas. c- A circulação do sangue pelas glândulas se dá por um sistema porta-venoso: das arteríolas orginam-se capilares que irrigam os dutos e coalescem em vênulas; estas formam a rede
capilar que perfunde os ácinos. d- O controle da secreção está sob estrito controle do sistema neurovegetativo. Ambos, simpático e parassimpático, são estimulantes da secreção, havendo, porém, diferenças nos efeitos. As fibras pós-ganglionares do simpático vem do gânglio cervical superior. As fibras pré-
ganglionares parassimpáticas correm nos nervos glossofaríngeo e facial.
Composição eletrolítica e mecanismos celulares de secreção da saliva
a- A saliva é uma solução sempre hipotônica ao plasma. Os principais eletrólitos são o Na+,
o K +, o Cl-^ e o bicarbonato. Outros íons, como o iodeto, são secretados. b- As concentrações dos eletrólitos são dependentes do ritmo de secreção salivar. Para taxas muito baixas de secreção, a solução é ácida, com concentrações de K +^ acima de 20 mM, muito maiores que as concentrações plasmáticas. Aumentando-se as taxas de secreção, elevam-se as concentrações de Na+^ , K+^ e bicarbonato. A concentração de bicarbonato excede
a concentração plasmática, o que torna alcalino o pH da saliva. c- As evidências experimentais levaram ao seguinte modelo para a secreção salivar: os ácinos produzem uma solução primária, de composição eletrolítica e osmolaridade muito semelhantes à do plasma. Ao passar pelos dutos a composição e modificada, com reabsorção de Na+^ e Cl -^ e secreção de K +^ e do bicarbonato. Há reabsorção resultante de osmóis, com
diluição da saliva, pois os dutos, impermeáveis à água, não a reabsorvem. d- Nas membranas basolaterais das células acinares há a bomba de Na+-K +, canais para
K+, por onde estes recirculam, o trocador Na +-H +, e o cotransporte Na+^ -2Cl--K +. Este cotransporte eleva o potencial eletroquímico do Cl-^ acima dos valores de equilibrio e provê a força para a transferência deste para a luz, através de um canal na membrana apical. O trocador Na+^ -H+^ desloca a reação de hidratação do CO 2 no sentido da formação de HCO 3 -^ e H+, elevando a concentração intracelular de bicarbonato a valores acima do equilíbrio. O bicarbonato passa também pelo canal para ânions da membrana apical. A secreção de ânions torna a luz do ácino eletricamente negativa e o campo elétrico move cátions, Na + principalmente, por via paracelular. Como o epitélio é permeável à água há secreção desta,
movida pelo gradiente osmótico, criado pelo transporte de íons. e- As células dos dutos são de um fenótipo diferente. Na membrana basolateral há as bombas de Na +^ -K +, o trocador Na+^ -H+^ e canais para Cl -^ e K +. Na membrana apical há três
tipos de trocadores: Na+-H +, K+-H +^ e Cl-^ -HCO 3 -. A operação destes mecanismos resulta na secreção de K +^ e de bicarbonato e na reabsorção de Na+^ e Cl -. A magnitude da reabsorção, em
moles, excede a da secreção, com diluição do fluído luminal. O epitélio é impermeabel à água. f- A modificação das concentrações pelos dutos dependerá do tempo de contato. Para fluxos altos, com menor tempo de contato, as concentrações tenderão para as produzidas pelos
ácinos. g- As proteínas secretadas são encapsuladas em vesículas do Aparelho de Golgi. A secreção
se dá por exocitose das vesículas.
O controle da secreção salivar a- As glândulas salivares estão sob controle exclusivamente do sistema neurovegetativo. Tanto o simpático como o parassimpático estimulam a secreção. Contudo, o efeito estimulatório do simpático é transitório, enquanto o do parassimpático é persistente. O simpático agindo sobre os vasos causa vasoconstrição e contração da células mioepiteliais. Vasodilatação causa o parassimpático. Este possue ação trófica sobre as glândulas: a desnervação parassimpática
causa atrofia delas. b- O mediador simpática é a epinefrina (adrenalina). As terminações pós-ganglionares
parassimpáticas usam acetilcolina e VIP (peptídio intestinal vasoativo). c- As células acinares tem receptores adrenérgicos, a e b , receptores para VIP, ACh e substância P. Os receptores b -adrenérgico e para VIP, acionam a cascata do cAMP, ativando proteína G, que ativa a adenilato ciclase. Já os receptores a -adrenérgicos e os receptores para
ACh e substância P acionam a cascata do IP 3 e do diacilglicerol (DAG).
d- As células epiteliais ativadas produzem uma protease, a calicreína, que hidrolisa a a 2 - globulina, produzindo a bradicinina, um nonapeptídio (-Arg-Pro-Pro-Gly-Phe-Ser-Pro-Phe-Arg)
com potente ação vasodilatora.
Fisiopatologia
a- Redução na produção de saliva:
Questões orientadoras do estudo
fisiológica da hidrólise do amido por esta enzima.
abundantes?
eletrólitos de que resulta a formação da saliva.
e receptores b -adrenérgico que utilizam o cAMP como mensageiro intracelular. Receptores para acetilcolina e para gastrina e CCK mobilizam a cascata do DAG e IP 3.
As células secretoras de muco da superfície gástrica. Estas células secretam mucina e bicarbonato. A mucina é uma glicoproteína, com o esqueleto peptídico rico em serina, treonina e tirosina. Às hidroxilas destes resíduos ligam-se, por ligações éster, os açúcares galactose e a N-acetilglicosamina. A ligação dos açúcares protege a cadeia peptídica da hidrólise enzimática. As terminações da cadeia peptídica são ricas em cisteínas, e pontes de dissulfeto podem reunir as moléculas em um tetrâmero, que, em concentrações adequadas, forma gel. O gel recobre a mucosa. Como esta secreta também bicarbonato, e o gel restringe o movimento de bicarbonato para a luz e de H +^ da luz para a superfície da célula, o pH na camada de gel vária da acidez luminal até um valor relativamente alcalino na superfíce das células. Como a junção das 4 moléculas sofre ataque da pepsina, a mucina tem de ser continuamente secretada para a preservação da camada de muco. Estimulantes da secreção de muco, como a ACh e o Ca2+^ reforçam a camada protetora. Os inibidores da secreção, como os agonistas a -adrenérgicos, a aspirina e os anti-inflamatórios não esteroides, colocam a mucosa em risco de
agressão pelo pH ácido e pela pepsina.
Controle da secreção nas células parietais. Há, na membrana basolateral destas células, receptores colinérgicos para a ACh liberada pelas terminações dos neurônios dos gânglios entéricos. Estes receptores acionam a cascata do DAG e IP 3. Há também receptores para a
gastrina, um hormônio liberado pelas células G da mucosa do antro. Estes receptores também utilizam o DAG e o IP 3 como mensageiros intracelulares. Os estimulos para a liberação da gastrina são a ação colinérgica das terminações dos neurônios dos gânglios entéricos, o pH mais alcalino da luz do estômago, peptídios e aminoácidos do quimo. Tanto os neurônios colinérgicos como a gastrina estimulam a liberação de histamina pelas células enterocromoafins (ECL). A histamina estimula a secreção de HCl por meio de receptores H2, bloqueados por cimetidina, por exemplo, usam o cAMP como mensageiro intracelular. Há inibidores endógenos da secreção de HCl, que ao se ligarem aos respectivos receptores ativam uma proteína Gi, inibidora da adenilato ciclase e, portanto, da produção celular de cAMP. O somatostatina, as prostaglandinas E e I e o fator de crescimento epidérmico (EGF) agem
assim. A secretina e o GIP inibem a secreção gástrica ao reduzirem a liberação de gastrina.
Controle da secreção de pepsinogêno pelas células principais. A secreção nestas células é estimulada pelo VIP e secretina e pela ação b -adrenérgica. Os dois tipos de receptores elevam a produção celular de cAMP. A ACh , agindo sobre receptor M3, e a Gastrina e CCK, ligando-se
a receptor comum, estimulam a secreção ativando a cascata do DAG e IP 3.
Fases do controle da secreção gástrica.
a- Fase cefálica: Os estimulos gustativos, visuais e olfativos desencadeiam o reflexo, que utiliza o vago para a estimulação das várias vias que a nível da mucosa levam à produção da secreção. Há diversas áreas no SNC operando no controle da secreção. Certamente no hipotálamo há destas áreas. Esta fase foi estudada com a coleta da secreção gástrica em
animais com fístula esofágica.
b- Fase gástrica. Os estímulos para o reflexo são mecânicos (distensão) e químicos (pH, aminoácidos, peptídios, Ca2+^ ). Os receptores são neurônios que integram arcos reflexos locais ou longos, abrangendo o SNC, ou as próprias células endrócrinas, no caso as G, produtoras de
gastrina. O estímulo à secreção dá-se por neurônios colinérgicos, gastrina e histamina.
c- Fase intestinal. A entrada do alimento no duodeno leva, por circuitos neurais e endócrinos, à modificação da atividade motora e secretora do estômago. Peptídios e aminoácidos no duodeno estimulam a liberação de gastrina e de oxintina, que aumentam a motilidade e a secreção gástricas. Se o pH o quimo que penetra o duodeno é menor que 5, há liberação de secretina e de GIP que ao inibir a liberação de gastrina, reduz a secreção gástrica. Gorduras estimulam o duodeno a secretar a CCK que sendo um agonista pouco potente para o receptor da gastrina, inibe a ação deste. Outro hormônio inibitório, ainda desconhecido quimicamente, é
a bulbogastrona.
Questões orientadores do estudo.
.
a- Discuta os principais componentes da secreção gástrica, concentrações em relação com o ritmo de se creção. Discuta os mecanismos celulares da secreção. Discuta a barreira mucosa
na sua dinâmica, função e as conseqüências de sua dissolução. b- Discuta a composição da secreção gástrica e os mecanismos de seu controle em um animal
que é alimentado após fístula esofágica. Que efeito teria sobre a secreção a vagotomia? c- Discuta o controle na secreção gástrica com o alimento no estômago e após a chegada do quimo também ao duodeno. Analise a importância fisiológica do controle intestinal da
motilidade e da secreção gástricas. d- Discuta como cimetidina bloqueia a secreção gástrica. Que usos clínicos terá está
substância?
3. Secreções pelo intestino
3.1- Estrutura da mucosa 3.2- Secreções intestinais: muco, solução de composição eletrolítica semelhante à do
plasma, enteropeptidase e células escamadas.
4. Secreções pancreáticas
4.1- Pâncreas exócrino e endócrino. 4.2- Estrutura do pâncreas exócrino: lóbulos, ácinos e dutos. 4.3- Água e eletrólitos: os principais e relação entre concentração e ritmo de secreção. Secreção nos ácinos e nos dutos e, quanto a estes, diferenças entre os vários segmentos. Mecanismos celulares da secreção e modulação desta por secretina e pela colecistocinina
(CCK). 4.4- Enzimas. As enzimas são secretadas pelos ácinos das glândulas pancreáticas. A colecistocina intestinal é o estímulo hormonal importante, que é potencializado pela secretina. A gastrina ocupa o receptor da CCK, pois as moléculas são semelhantes, mas o efeito estimulatório é pouco. A inervação parassimpática colinérgica estimula a secreção das
proteínas. 4.4.1- Proteases. As proteases, por razões óbvias, são secretadas na forma de pró- enzimas, inativas. A enteroquinase secretada pelo intestino delgado hidrolisa o tripsinogênio a tripsina que, uma vez produzida, cliva mais tripsinogênio e o precursores da quimotripsina, carboxipeptidase A e B e elastase. Sob a catálise por estas enzimas as proteínas são convertidas a aminoácidos e pequenos peptídios. Os aminoácidos e peptídos com até quatro aminoácidos são transportados por carregadores da membrana apical. Os peptídios são hidrolisados por proteases em organelas intracelulares. Pequenos peptídios inibidores das proteases são também produzidos pelas células acinares. Estes se ligam com afinidade elevada as proteases respectivas e as mantém inativas. Previnem ação proteolítica por
ativação precoce das proteases ainda nos dutos.
4.4.2- α -1,4-amilase. Em tudo semelhante à salivar. 4.4.3- Lipases. A triacilglicerol hidrolase hidrolisa as ligações éster 1 e 1' de triglicerídios, produzindo monoglicerídios. São lipases que agem na interface lipídio-água e devem ser protegidas dos ácidos biliares pela colipase, de secreção também pancreática. A emulsificação das gorduras é fundamental para ação eficiente da lipase. A hidrolase de ésteres do colesterol produz colesterol e ácidos graxos. Finalmente, a fosfolipase A 2 hidrolisa a ligação éster dos
fosfolipídios, produzindo ácido graxo e lisofosfatídio.
4.4.4- RNAase e DNAase
4.5- Controle da secreção. Fases cefálica, gástrica e intestinal. 4.5.1- Ácinos: Gastrina, CCK ACh e subst. P estimulam a secreção via InsP 3 e DAG como mensageiros. A insulina têm sobre os ácinos efeito trófico e estimulante da síntese e secreção
dos grânulos. A somatostina tem efeito inibitório. 4.5.2- Dutos: Secretina e VIP estimulam a secreção. O estímulo é amplificado pela ação simultânea da CCK. A ACh não tem efeitos enquanto a somatostatina, o glucagon e o peptídio
pancreático têm efeito inibitório. 4.5.3- Secretina e CCK são hormônios produzidos pela mucosa do intestino delgado, nas regiões do duodeno e jejuno superior. O primeiro é liberado quando o pH do quimo que entra no duodeno é ácido, inferior a 5. A colecistocinina é liberada quando na luz do intestino delgado há gorduras ou peptídios ou aminoácidos.