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Uma pesquisa sobre o processo de formação de professores de matemática e as experiências de formação contínua de professores. O autor propõe uma nova abordagem para o curso de formação de professores, considerando as dificuldades enfrentadas pelos professores e os estudos relacionados à formação de professores. Além disso, o texto discute a importância da monitoria e da formação continua no desenvolvimento profissional do professor.
Tipologia: Trabalhos
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NÚCLEO PEDAGÓGICO DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO –NPADC
Dissertação apresentada à Comissão Julgadora do Núcleo Pedagógico de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Federal do Pará, sob orientação do Professor Doutor Tadeu Oliver Gonçalves e co-orientação do Professor Doutor Renato Borges Guerra, como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E MATEMÁTICAS na Área de concentração: Educação Matemática.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) MENDES, MARIA JOSÉ DE FREITAS. M538r Reflexões sobre a formação do professor de Matemática: investigando a Prática de Ensino no Curso de Licenciatura da UFPA / Maria José de Freitas Mendes; orientador: Tadeu Oliver Gonçalves; co-orientador: Renato Borges Guerra – Belém: [s.n.], 2004. Monografia (Mestrado) – Núcleo Pedagógico de Apoio ao Desenvolvimento Científico, Universidade Federal do Pará, 2004
À memória de meus pais, cujos exemplos foram os alicerces de minha formação.
À Deus por me ter dado a força necessária para superar a dor e levar-me à concretização deste trabalho. Ao Tadeu, meu orientador e principal responsável por esta realização, pela confiança, estímulo, amizade e competência com que me acompanhou durante todo este percurso. Ao Renato, pela amizade e pelo apoio manifestados desde a primeira hora, pelas críticas e sugestões sempre bem-vindas e importantes na construção deste trabalho. À Lúcia, minha amiga da última hora, pelo companheirismo e estímulo neste período de nossa vida. O carinho com que, junto com o Gilberto, me acolheu em sua família, representou um ganho significativo para quem vinha de tantas perdas. Aos sujeitos da pesquisa, pela confiança e boa vontade com que participaram deste estudo. Aos colegas e professores dos Grupos de Formação de Professores e Educação Matemática, pelas discussões e reflexões compartilhadas na construção deste trabalho. À Monica Rio, minha ex-aluna, pela revisão gramatical, e na pessoa de quem abençôo todos aqueles que participaram de minha trajetória profissional.
The aim of this study is to investigate the process of formation of the mathematics teacher. The target of this study lies in the contribution on the subject teaching training of mathematics on the formation of teachers facing the new paradigms of formation with professional development and as a reflexive teacher. The study involved three undergraduate students of Mathematics from Universidade Federal do Pará (UFPA), during the development of the subject teaching traing of mathematics and the teachers from the school where these students were training who were in continuos formation enroled on a graduate program of specialization at Universidade Federal do Pará (UFPA). The basicmaterial for this study was gotten through semi-structured interviews, etnographic reports and observation carried out with activities at Núcleo Pedagógico de Apoio ao Desenvolvimento Científico (NPADC) and at public schools in Belém. Besides describing and contextualizing historically courses of formation teachers, it also analyses the separation theory-practice clearly seen on those courses, and the lack of pedagogical and epistemology focus on the contents to be worked. Results show the need to be given a more pratical look at the pedagogical formation at undergraduate courses, leading the future teachers to develop autonomous, reflexive and investigative attitudes towards teaching.
Reflexões sobre Formação do Professor de Matemática
APRESENTAÇÃO
Esta pesquisa tem por objetivo investigar o processo de formação do professor de Matemática e como este professor se constitui na prática. A opção por esse estudo tem origem nas inquietações que se fizeram presentes no decorrer de minha trajetória pessoal e profissional. Assim, a partir de experiências vividas, procuro refletir sobre questões que envolvem o processo de formação e desenvolvimento profissional dos professores de Matemática, com fundamentação teórica em D’AMBRÓSIO, DARSIE & CARVALHO, FIORENTINI, FREIRE, GATTI, GONÇALVES, IMBERNÓN, LARROSA, NASCIMENTO, SCHÖN, ZEICHNER entre outros. Prossigo buscando, na concepção desses autores, o significado de formar professores, chegando assim ao entendimento de que na formação do professor é essencial criar uma tradição de pensamento e de reflexão, para que, na prática educativa, essa reflexão contribua para o desenvolvimento do profissional. A seguir apresento os sujeitos da pesquisa, descrevo o processo usado na investigação e destaco os instrumentos que foram utilizados para realizar a investigação. Após a apresentação da metodologia usada na realização da pesquisa, é feita uma descrição histórica da educação e dos cursos de formação do professor, particularmente da Licenciatura em Matemática na Universidade Federal do Pará, contextualizada com as falas e os relatos dos sujeitos da pesquisa. A análise da descrição dos cursos de formação de professor, com base nas falas e nos relatos dos sujeitos da pesquisa, faz-me chegar à conclusão de que há uma crise dos paradigmas em educação, e que a mudança no modelo dos cursos de licenciatura é necessária e urgente.
Reflexões sobre Formação do Professor de Matemática Em vista disso, apresento uma proposta para o curso de formação do professor de matemática, levando em consideração os vários aspectos detectados na pesquisa, ou seja, os anseios dos professores e dos futuros professores participantes da pesquisa, a literatura pertinente ao assunto formação de professor, e ainda as pesquisas e experiências realizadas em diversas universidades, tanto de nosso país quanto do exterior. Esse Curso de Licenciatura em Ensino de Matemática, cujo projeto está anexado a este trabalho, tenta romper com a dicotomia teoria/prática, e pretende proporcionar formação geral, matemática e pedagógica, ligadas à prática educativa, que entendemos essenciais ao desenvolvimento profissional do educador reflexivo e investigativo que vai atuar neste século XXI.
Maria José de Freitas Mendes
CAPÍTULO I AS ORIGENS DO PROBLEMA E A CONSTRUÇÃO DESTE ESTUDO
A história de vida do professor, seus relatos de experiência eo resgate de sua prática educativa podem contribuir na formaçãovalores e suas crenças, fazendo-o posicionar-se como ser de sua identidade profissional, revelando seus humano, susceptível às mais complexas experiências com opúblico estudantil. (TEIXEIRA, 2002:41)
Nas últimas décadas, os especialistas da educação têm tentado racionalizar o ensino, procurando controlar a priori os fatores aleatórios e imprevisíveis do ato educativo, apartando o cotidiano pedagógico de todas as práticas, de todos os tempos, que não contribuem para o trabalho escolar propriamente dito. (PERRENOUD, 1988) Entretanto não é possível reduzir a vida escolar às dimensões racionais, os atores da educação têm características pessoais distintas e que por isso reagem de maneira diversa a cada ação e reflexão. O professor ao construir sua identidade profissional, se apropria de sua história pessoal que é composta de lembranças marcantes, as quais muitas vezes foram determinantes em suas escolhas. Ao longo desse processo identitário é que o professor adere a princípios e valores, adota maneiras de agir e decidir, e desenvolve o pensamento reflexivo capaz de gerar mudanças em sua ação pedagógica. Pretendo na abertura deste capítulo, ao relatar minha trajetória profissional, a um só tempo confirmar essa concepção de construção de identidade profissional, justificar a opção por esse estudo, e introduzir o trabalho a que me proponho.
Maria José de Freitas Mendes
incidental do professor. Estes autores, mostram em suas pesquisas, que conforme as situações vivenciadas como alunos, essa formação ambiental pode ou não ser significativa, entretanto de forte influência no trabalho do professor em sala de aula, “porque corresponde a experiências reiteradas relativas ao ensino, à aprendizagem, à avaliação, à relação professor- aluno, ao papel do professor e do aluno em aula (...)”. (CAMARGO,1998). Autores como Darsie & Carvalho (1998) também defendem a importância das experiências e conhecimentos trazidos pelos alunos-professores ao iniciarem o curso de formação inicial. Compartilham da idéia de Feinman-Nenser e Buchmann (1987), de que,
ofreqüentarem os cursos de formação de professores; por isso temos que ter processo de aprender a ensinar começa muito antes dos alunos em conta as idéias anteriores e as regras que os alunos aliam à experiência, edevemos ajudá-los a exteriorizá-las e elaborá-las segundo concepções mais apropriadas (p.62)
E concluem: a formação inicial deverá ser capaz de levar os alunos-professores a exteriorizarem suas concepções, conhecimentos e experiências anteriores e, fundamentalmente, levá-los a refletir sobre estas com o objetivo de analisá-las, revê-las e reelaborá-las, de acordo com concepções, contextos epistemológicos, didáticos e ideológicos mais apropriados.(DARSIE & CARVALHO,1998) Assim, ingressei no curso de Matemática da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde após dois anos em que estudávamos cálculo, álgebra e geometria, precisávamos fazer opção pelo bacharelado ou pela licenciatura. A influência do contexto ainda me deixou em dúvida, afinal, estava estudando apenas Matemática e envolvida com derivadas e integrais. Mas o sonho falou mais alto e optei pela Licenciatura. A esta altura eu já atuava em sala de aula, o que acontecia desde o segundo ano de universidade: ensinava matemática e desenho na primeira e na segunda séries ginasiais no
Reflexões sobre Formação do Professor de Matemática
Colégio Estadual Avertano Rocha, na vila de Icoaraci, e ali permaneci até o final do curso de Licenciatura. Hoje percebo que essa experiência de, enquanto estudante, já atuar em sala de aula, não acontece com tanta freqüência com os alunos da licenciatura, o que de certa forma impede que o futuro professor tenha vivência da escola ao mesmo tempo em que realiza a formação inicial, caracterizando uma prática antecipada defendida hoje por vários autores, entre eles Gonçalves (2000)^1. Ao optar pela Licenciatura, voltei a ter contato com disciplinas como Didática e Psicologia, que já havia estudado no Curso Pedagógico, e que foram de grande ajuda na minha formação como educadora. Num reflexo do modelo vigente na época – e ainda vigente hoje na maioria dos cursos - que cumpria a racionalidade técnica tão criticada por Schön, apenas no último ano cursei as disciplinas Prática de Ensino e Estágio Supervisionado, as quais, pela forma como foram abordadas, pouco contribuíram para minha atuação em sala de aula; o pensamento era este: o conteúdo de matemática tinha sido estudado nas séries anteriores e como já estava na prática, não havia nada a acrescentar, bastava escolher o assunto das aulas que contariam para o estágio, ministrar estas aulas e estava formada. Ainda hoje, infelizmente, este é o pensamento da maioria dos professores de Prática de Ensino. Os licenciandos realizam o estágio apenas para cumprir a carga horária, sem nenhum retorno para reflexão acerca do que é observado e vivido nesses momentos. A experiência que vivi ao assumir, no ano de 2002, turmas de Prática de Ensino junto com meu orientador, deu origem a este trabalho. Essa experiência, ao dar à Prática de Ensino uma conotação diferente da habitual, tinha por objetivo analisar as relações e as interações que se estabelecem no cotidiano escolar, e experienciar reflexivamente atividades e situações docentes nas escolas tais como: monitorias, atendimento complementar a alunos
(^1) Terezinha Valim Oliver Gonçalves, em sua tese de doutorado “Ensino de Ciências e Matemática e Formação de professores: marcas da diferença”