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FTA , engenharia de manutenção
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 21/09/2014
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resumo
Este trabalho apresenta a utilização da metodologia FTA – Análise de Árvore de Falhas ( Fault Tree Analysis ) em plantas de metalurgia com o objetivo principal de construir um programa de confiabilidade para a redução de falhas em equipamentos e processos de sistemas altamente complexos.
Após a utilização do FTA foi possível obter um conhecimento aprofundado do sistema e de sua confiabilidade, possibilitando assim, a tomada de decisões assertivas para a eliminação de falhas incipientes e potenciais, garantindo aumento da confiabilidade geral e incremento ao valor do negócio da empresa.
1.1. Histórico
A utilização prática da teoria da confiabilidade surgiu primeiramente na indústria aeronáutica após a primeira guerra mundial. No início da década de 60 os laboratórios Bell desenvolveram o conceito de FTA para um projeto da força aérea americana. Pouco tempo depois a Boeing utilizava extensivamente a metodologia FTA para o estudo de eliminação de falhas do sistema de trem de pouso de aeronaves. Devido aos excelentes resultados obtidos pela Boeing a metodologia FTA foi rapidamente absorvida por outros segmentos industriais (automobilística, petroquímicas, nucleares, etc).
Atualmente a metodologia FTA é reconhecida como uma das melhores ferramentas de abordagem sistêmica de falhas, sendo o seu uso amplamente utilizado para produtos complexos, tais como, aviões, alto-forno e automóveis, além de ser utilizada também para a abordagem sistêmica de problemas organizacionais das empresas.
(1) Engenheiro Eletricista (UFMG), Especialista em Tecnologias para Manutenção em Sistemas Industriais (CEFET-MG), Engenheiro de Confiabilidade Sênior da Votorantim Metais, unidade Três Marias/MG.
1.2. A Metodologia
FTA é uma ferramenta de análise de confiabilidade em que a técnica de análise de falhas pode ser do tipo qualitativa ou quantitativa. Na análise qualitativa, o objetivo reside na determinação das causas básicas que levaram um evento qualquer a falhar. Para a análise quantitativa, o objetivo é determinar a probabilidade de ocorrência de falhas para o evento estudado. Os itens abaixo apresentam as principais vantagens do uso de FTA:
Figura I – Base de construção de um FTA.
A figura IV ilustra o funcionamento das portas lógicas “E” e “OU” quando submetidas aos eventos-falha A e B. A porta “E” é utilizada quando o evento topo C ocorre devido às falhas simultâneas dos eventos A e B. A porta “OU” é utilizada quando o evento topo C ocorre devido à falha de A ou de B, simultaneamente ou não.
Figura IV – Exemplos de utilização das portas “E” e “OU”.
1.3. Construção da Árvore de Falha
A figura abaixo exemplifica uma aplicação de FTA para a análise de falha (explosão) num depósito de combustível. A porta “OU” conecta duas possibilidades de falhas (simultâneas ou não) que originam a fonte de ignição, se esta fonte de ignição estiver em contato com um vazamento de combustível (falhas simultâneas), ocorre então a explosão (falha no evento topo) do depósito.
Figura V – Exemplo de árvore de falha.
2.1. Introdução
O FTA foi uma ferramenta amplamente utilizada para toda a planta de metalurgia de zinco da Votorantim Metais, unidade Três Marias/MG. O motivo desta utilização deve-se a necessidade inicial de se conhecer, de forma sistêmica, uma árvore de falhas para os equipamentos do setor, e desta forma, conhecer quais os equipamentos são de maior importância para a produção, e conseqüentemente, a representatividade financeira das falhas destes equipamentos para o negócio zinco.
A tabela abaixo mostra os índices de aplicação desta ferramenta. No final do ano de 2003, 73% de todo o processo metalúrgico havia sido implementado com o FTA.
A partir da análise do FTA observou-se que 83% dos equipamentos são vitais para a produção e que uma indisponibilidade, i.e, não disponibilidade dos mesmos, afeta diretamente o processo produtivo. Devido a esta particularidade do setor metalúrgico ficou evidenciado a importância de se criar um programa de confiabilidade para o setor.
Área % Realização FTA
Número de Equipamentos
Equipamentos Porta (OU)
Equipamentos Porta (E)
Eletrólise 100% 44 82% 18%
Fundição 20% 26 100% 0%
Óxido de Zinco 100% 62 66% 34%
Total 73% 132 83% 17%
Tabela I – Dados sobre a utilização do FTA em 2003.
2.2. Índices e Custos em 2002
O primeiro passo para as ações de melhoria da confiabilidade foi identificar o percentual de não disponibilidade dos principais equipamentos do processo de produção de zinco que foram evidenciados pela análise dos FTA’s elaborados.
A Figura VI apresenta os índices de não disponibilidade para os seis mais representativos equipamentos/sistemas da metalurgia.
2.3. O Programa de Confiabilidade (Matriz de Confiabilidade)
Devido ao grande impacto econômico da não disponibilidade nos equipamentos, conforme visto pela figura VII, foi elaborado no início de 2003 uma matriz de ações de confiabilidade para todos os equipamentos da planta de metalurgia. Esta matriz tem como principal objetivo propor ações de melhorias na manutenção para se obter um aumento da disponibilidade dos equipamentos e, conseqüentemente, redução de custos devido à indisponibilidade dos mesmos.
A tabela abaixo ilustra um exemplo de aplicação desta matriz para os equipamentos referenciados na figura VI.
Ferramentas de Confiabilidade Aplicada
Ações Propostas
Equipamento FTA RCM Planos de Manutenção
Reprojetos
Máquina de Estripar 01 Sim Não Sim Sim
Máquina de Estripar 02 Sim Não Sim Sim
Máquina de Escovar Sim Sim Sim Não
Bateria ZnO 01 Sim Não Sim Não
Bateria ZnO 02 Sim Não Sim Não
Bateria ZnO 03 Sim Não Sim Não
Tabela II – Exemplo de aplicação da matriz de confiabilidade.
As principais ações advindas desta matriz residiram na elaboração de planos de manutenção e alguns reprojetos para determinados componentes críticos dos equipamentos. O FTA foi uma ferramenta essencial em todo o processo, principalmente na identificação de falhas fundamentais.
As ações da matriz foram implementadas e acompanhadas durante todo o ano de
- Aumento do conhecimento das equipes de manutenção sobre a criticidade dos equipamentos e de suas falhas; - Melhoria na elaboração dos planos de manutenção (foco confiabilidade); 2.4. Resultados Obtidos em 2003
Durante todo o ano de 2003 foi possível verificar os ganhos crescentes em disponibilidade para os equipamentos, refletindo diretamente em ganhos para a produção. A figura a seguir ilustra um exemplo de aumento progressivo do MTBF (tempo médio entre falhas) para a linha de produção de Óxido de Zinco (Bateria II).
Figura VIII – MTBF (h) acumulado para a linha de ZnO da Bateria II (2003).
As figuras IX e X retratam a melhoria nos índices de não disponibilidade percentual para os equipamentos e também o custo para esta não disponibilidade em 2003. Pela análise destas figuras observam-se os principais ganhos entre 2002 e 2003:
Índice de Não Disponibilidade (%)
Custo da Não Disponibilidade (kR$) Equipamento 2002 2003 2002 2003
Máquina de Estripar 01 8,15 4,45 11.138 7.
Máquina de Estripar 02 7,76 5,83 10.600 9.
Máquina de Escovar 3,97 3,34 10.859 11.
Bateria ZnO 01 3,94 0,95 779 230
Bateria ZnO 02 3,69 0,58 388 75
Bateria ZnO 03 2,16 0,56 342 107
Total 4,95 2,62 34.106 28.
Tabela III – Ganhos entre os anos de 2002 e 2003.
Foi evidenciado neste trabalho o poder e a versatilidade do emprego da metodologia FTA na condução e no estabelecimento de um programa sólido de confiabilidade para a planta de metalurgia da Votorantim Metais, unidade Três Marias/MG. O grande mérito desta ferramenta residiu na simplicidade de aplicação da análise de falhas para sistemas complexos de manutenção.
Todo o trabalho do FTA resultou, além do aprendizado e crescimento das equipes, no estabelecimento de planos de manutenção sistematizados e propostas de reprojetos para os componentes críticos dos equipamentos. Este resultado foi fundamental para a obtenção dos ganhos em disponibilidade e, principalmente, no ganho de 5,25 milhões de reais em custos (produção e manutenção) devido à redução de 47% dos índices de não disponibilidade dos equipamentos.
Em 2003 o cenário econômico sofreu variações, que apesar de benéficas para a produção do zinco, poderiam ter um impacto negativo para os custos caso os índices de disponibilidade permanecessem iguais aos praticados em 2002. As alterações de cenário foram as seguintes:
Atualmente o emprego do FTA na manutenção da metalurgia está cada vez mais abrangente e consolidado, tendo como principal objetivo, o conhecimento das falhas nos equipamentos e sistemas, assim como a sistematização das ações corretivas para estas falhas.
[1] EBELING, C. E. An Introduction to Reliability and Maintainability Engineering. McGraw-Hill Book Co, Singapore, 1997.
[2] LAFRAIA, J. R. B. Manual de Confiabilidade, Mantenabilidade e Disponibilidade. Qualitymark: Petrobras, Rio de Janeiro, 2001.
[3] NUREG-0492. Fault Tree Handbook. U.S. Nuclear Regulatory Commission. USA.
[4] SCAPIN, C. A. Análise Sistêmica de Falhas. Editora de Desenvolvimento Gerencial, Belo Horizonte, Brasil, 1999.