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Tipologia: Notas de estudo
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Geopolítica e poder mundial
Sonia Maria Vanzella Castellar
Elvio Rodrigues Martins
André Roberto Martin
módulo
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Governador: Geraldo Alckmin Secretaria de Estado da Educação de São Paulo Secretário: Gabriel Benedito Issac Chalita Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas – CENP Coordenadora: Sonia Maria Silva
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Reitor: Adolpho José Melfi Pró-Reitora de Graduação Sonia Teresinha de Sousa Penin Pró-Reitor de Cultura e Extensão Universitária Adilson Avansi Abreu
FUNDAÇÃO DE APOIO À FACULDADE DE EDUCAÇÃO – FAFE Presidente do Conselho Curador: Selma Garrido Pimenta Diretoria Administrativa: Anna Maria Pessoa de Carvalho Diretoria Financeira: Sílvia Luzia Frateschi Trivelato
PROGRAMA PRÓ-UNIVERSITÁRIO Coordenadora Geral: Eleny Mitrulis Vice-coordenadora Geral: Sonia Maria Vanzella Castellar Coordenadora Pedagógica: Helena Coharik Chamlian
Coordenadores de Área Biologia: Paulo Takeo Sano – Lyria Mori Física: Maurício Pietrocola – Nobuko Ueta Geografia: Sonia Maria Vanzella Castellar – Elvio Rodrigues Martins História: Kátia Maria Abud – Raquel Glezer Língua Inglesa: Anna Maria Carmagnani – Walkyria Monte Mór Língua Portuguesa: Maria Lúcia Victório de Oliveira Andrade – Neide Luzia de Rezende – Valdir Heitor Barzotto Matemática: Antônio Carlos Brolezzi – Elvia Mureb Sallum – Martha S. Monteiro Química: Maria Eunice Ribeiro Marcondes – Marcelo Giordan Produção Editorial Dreampix Comunicação
Revisão, diagramação, capa e projeto gráfico: André Jun Nishizawa , Eduardo Higa Sokei , José Muniz Jr. Mariana Pimenta Coan , Mario Guimarães Mucida e Wagner Shimabukuro
Caro aluno, Com muita alegria, a Universidade de São Paulo, por meio de seus estudantes e de seus professores, participa dessa parceria com a Secretaria de Estado da Educação, oferecendo a você o que temos de melhor: conhecimento. Conhecimento é a chave para o desenvolvimento das pessoas e das nações e freqüentar o ensino superior é a maneira mais efetiva de ampliar conhecimentos de forma sistemática e de se preparar para uma profissão. Ingressar numa universidade de reconhecida qualidade e gratuita é o desejo de tantos jovens como você. Por isso, a USP, assim como outras universidades públicas, possui um vestibular tão concorrido. Para enfrentar tal concorrência, muitos alunos do ensino médio, inclusive os que estudam em escolas particulares de reconhecida qualidade, fazem cursinhos preparatórios, em geral de alto custo e inacessíveis à maioria dos alunos da escola pública. O presente programa oferece a você a possibilidade de se preparar para enfrentar com melhores condições um vestibular, retomando aspectos fundamentais da programação do ensino médio. Espera-se, também, que essa revisão, orientada por objetivos educacionais, o auxilie a perceber com clareza o desenvolvimento pessoal que adquiriu ao longo da educação básica. Tomar posse da própria formação certamente lhe dará a segurança necessária para enfrentar qualquer situação de vida e de trabalho. Enfrente com garra esse programa. Os próximos meses, até os exames em novembro, exigirão de sua parte muita disciplina e estudo diário. Os monitores e os professores da USP, em parceria com os professores de sua escola, estão se dedicando muito para ajudá-lo nessa travessia. Em nome da comunidade USP, desejo-lhe, meu caro aluno, disposição e vigor para o presente desafio.
Sonia Teresinha de Sousa Penin. Pró-Reitora de Graduação.
Pró-Reitoria de Graduação
Caro aluno, Com a efetiva expansão e a crescente melhoria do ensino médio estadual, os desafios vivenciados por todos os jovens matriculados nas escolas da rede estadual de ensino, no momento de ingressar nas universidades públicas, vêm se inserindo, ao longo dos anos, num contexto aparentemente contraditório. Se de um lado nota-se um gradual aumento no percentual dos jovens aprovados nos exames vestibulares da Fuvest — o que, indubitavelmente, comprova a qualidade dos estudos públicos oferecidos —, de outro mostra quão desiguais têm sido as condições apresentadas pelos alunos ao concluírem a última etapa da educação básica. Diante dessa realidade, e com o objetivo de assegurar a esses alunos o patamar de formação básica necessário ao restabelecimento da igualdade de direitos demandados pela continuidade de estudos em nível superior, a Secretaria de Estado da Educação assumiu, em 2004, o compromisso de abrir, no programa denominado Pró-Universitário, 5.000 vagas para alunos matriculados na terceira série do curso regular do ensino médio. É uma proposta de trabalho que busca ampliar e diversificar as oportunidades de aprendizagem de novos conhecimentos e conteúdos de modo a instrumentalizar o aluno para uma efetiva inserção no mundo acadêmico. Tal proposta pedagógica buscará contemplar as diferentes disciplinas do currículo do ensino médio mediante material didático especialmente construído para esse fim. O Programa não só quer encorajar você, aluno da escola pública, a participar do exame seletivo de ingresso no ensino público superior, como espera se constituir em um efetivo canal interativo entre a escola de ensino médio e a universidade. Num processo de contribuições mútuas, rico e diversificado em subsídios, essa parceria poderá, no caso da estadual paulista, contribuir para o aperfeiçoamento de seu currículo, organização e formação de docentes.
Prof. Sonia Maria Silva Coordenadora da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas
Secretaria de Estado da Educação
Este módulo analisa a dimensão do poder mundial a partir da Geopolítica. Um dos seus objetivos é fazer com que se compreenda a espacialização das relações de poder, o significado do papel do Estado e dos conflitos militares e civis.
Atualmente, cabe uma atenção especial para as mudanças que ocorreram nos territórios, como as divisões políticas, a formação de novos países ou a reorganização de outros que haviam no passado. Fronteiras, Estado, Nação, Poder e Território são alguns conceitos importantes para a estruturação do conhecimento geográfico que vocês irão estudar.
Queremos que esse módulo seja instigante e que desperte a curiosidade em se pensar o cotidiano a partir de uma leitura de mundo um pouco diferen- te, com mais profundidade sobre as demarcações territoriais dos lugares onde vivemos, comparando os conflitos existentes no dia-a-dia com os que ocor- rem no mundo, fazendo análises em diferentes escalas.
Nosso objetivo é contribuir para que você possa desenvolver conceitos, confrontar hipóteses e praticar habilidades como a leitura de mapas e gráficos e motivar sua competência na leitura e na escrita. Além disso, convidamos vocês a ser desafiados ao realizar as atividades com uma atitude crítica, pois queremos tornar o ensino de Geografia um pouco mais desafiador. Espera- mos ter conseguido.
Apresentação
do módulo
Introdução
Um início de conversa
com a Geopolítica
Organizadores Sonia Maria Vanzella Castellar Elvio Rodrigues Martins Elaborador André Roberto Martin
O texto que se segue contém uma discussão acerca do conceito de “poder mundial”, apoiada numa série de exemplos históricos, e também uma apre- sentação sucinta da disciplina “Geopolítica”, trazendo informações a respeito dos seus principais idealizadores, e das teorias que lhes são correspondentes. Não se trata, como se verá, de um conhecimento trivial. Nem muito menos, de algo corriqueiramente exigido nos exames vestibulares. Assim, para os mais apressados, e desinteressados, poderá parecer constituir-se em material abso- lutamente dispensável. Mas para aqueles estudantes mais curiosos, e inconformados com o nível habitual de explicação dos fenômenos políticos contemporâneos, em especial dos conflitos, trabalhar este texto poderá trazer algumas compensações: talvez eles se surpreendam ao verificar como a His- tória torna-se muito mais fácil de ser compreendida, a partir da utilização dos conceitos oriundos do pensamento estratégico. E talvez venham a se surpre- ender ainda mais, com a capacidade da Geopolítica de “prever os conflitos futuros”, característica esta que acabaria lhe valendo o apelido de “ciência demoníaca”, juízo este utilizado tanto por detratores, como por admiradores da nova disciplina.
De fato, muitas vezes, parece que as guerras são mero resultado das teo- rias geopolíticas. Outras vezes, ao contrário, é como se as teorias geopolíticas fossem conseqüência das guerras. Este paradoxo precisa ser esclarecido, e é o que tentaremos fazer neste texto. Mais ainda, a intenção final do mesmo é contribuir para que os estudantes venham a desenvolver a habilidade de racio- cinar geopoliticamente , isto é, tornem-se capazes de estabelecer correlações políticas entre os lugares , nas mais variadas escalas. Para tanto, é preciso reconhecer que o elemento-chave para a análise é o Estado , que se expressa como “um pedaço de humanidade e um pedaço de Terra“ , segundo Friedrich Ratzel.
De outra parte, porém, é forçoso admitir que a crescente pressão sobre os recursos naturais, e a intensificação das trocas de bens, capitais e serviços, vem ensejando o surgimento de organizações supra-estatais – os chamados “blocos de países” –, o que muitas vezes ocasiona uma colisão com as estru- turas jurídico-espaciais anteriores. Em outras situações, no entanto, estas novas barreiras inter-blocos podem ser vistas como espécies de freios à globa- lização, (seria este o caso da União Européia?); e em outras ainda, o naciona- lismo, contraditoriamente, pode servir como um estímulo à penetração dos
interesses do capital internacional, o que se viu aliás, nas recentes desintegra- ções da União Soviética, Iugoslávia e Tchecoeslováquia.
De qualquer modo, independentemente das variadas formas que o fenô- meno pode assumir, a questão de fundo é a da eterna luta pelo “ poder ” (isto é, pela capacidade de controlar espaços e homens, o que nos remete à política ), poder este que, no caso, está “limitado”, isto é, referido, ao planeta “ Terra ” ( Gea para os gregos, e que vulgarmente era confundido com a noção de mun- do , à época do Renascimento). Por isso mesmo, a melhor forma de examiná- lo é através da “geopolítica do poder mundial”.
AAAAA TIVIDADETIVIDADETIVIDADETIVIDADETIVIDADE 11111 Na apresentação do módulo você leu termos comoblocos de países, poder, geopolítica. Esses termos são exemplos que aparecem em discussões sobre a globalização, blocos econômicos e as guerras civis e militares atuais. Vamos fazer um exercício um pouco diferente, não inicie o seu raciocínio pensando no mundo, mas no local onde mora.
a) Escreva um texto em uma outra escala de análise (a local), tendo o seu bairro ou município onde você mora, utilizando os termos que destacamos em itálico. Procure relacionar esses termos com situações do dia-a-dia que representem semelhanças. Por exemplo, analise o poder local, relacione os blocos de países com os grupos sociais ou “as tribos do bairro”. Como você articulou os termos com a política local?
É por essa razão que o estudo da distribuição do poder político mundial tornou-se tão importante hoje em dia. Conhecer as razões que levaram a ta- manha discrepância de poder entre os Estados, e entre as várias regiões em que se pode dividir o espaço geográfico planetário, apresenta-se como pré- condição para imaginarmos uma alternativa que de um lado, possa conduzir a uma divisão mais justa do poder e da riqueza mundiais, e de outro, não neces- site do recurso à guerra para se alcançar tal objetivo. Portanto, a Geopolítica, como disciplina que se propõe a compreender “o poder do espaço”, e a Geohistória das Relações Internacionais, que analisa as transformações do “poder no espaço” apresentam-se como as duas ferramentas indispensáveis para que se possa obter uma visão mais clara e mais precisa acerca do “aqui” e do “agora” que estamos vivendo.
Neste estudo, trataremos inicialmente de apresentar as teorias e temas bá- sicos da Geopolítica, contextualizando o período histórico e a posição ideoló- gica e política dos principais autores. Em seguida, discutiremos o surgimento e a evolução do “poder mundial”, enquanto conceito, e como realidade, ob- servando de modo panorâmico, a situação geopolítica contemporânea dos vários continentes. Neste ponto, uma reflexão sobre o significado dos atuais “blocos geoeconômicos” poderá ser bastante útil, a fim de julgarmos, em termos geoestratégicos, se estas novas formas de organização do espaço ten- dem realmente a substituir o Estado, ou ao contrário, a se transformarem elas próprias em novos Estados, no futuro. Para concluir, procuraremos avaliar os principais condicionamentos e possibilidades do “ espaço e poder mundiais ”, relacionados ao Brasil.
Antes de encerrarmos esta introdução, seria conveniente reafirmarmos que, na perspectiva teórica aqui adotada, o mero reconhecimento dos lugares cons- titui em si mesmo um saber “geopolítico”, ao menos de forma embrionária. Isto porque quem individualiza um espaço, sempre o faz com alguma inten- ção ou sob alguma influência política. Desde esse ponto de vista, tal saber antecede ao surgimento de um poder que se possa chamar convenientemente de “mundial”, algo que só se torna justificável a partir da “Era dos Descobri- mentos”, iniciada no século XV. Em contrapartida, a disciplina “Geopolítica” só aparecerá como “ciência sistemática”, pesquisada e ensinada nas Universi- dades, após sucessivos choques entre as grandes potências em torno do “po- der mundial”. Tal situação é característica da virada do século XIX para o XX, quando só então disseminou-se a consciência do valor estratégico da Geogra- fia para a construção de projetos que visassem modificar a distribuição do poder mundial. Assim, quando parecia que a Geografia havia encerrado sua contribuição, ao revelar a face da Terra para o Homem, uma nova onda de acontecimentos viria renovar o interesse pela “bela ciência”: de um lado, a grande indústria com sua avidez por minérios, chamava a atenção para as pesquisas do subsolo; de outro, a falta de “vazios a explorar” indicava um acirramento de ânimos em torno das questões de fronteiras. Estavam assenta- das assim, as duas premissas básicas que faltavam para que a Geopolítica se tornasse, daí por diante, inseparável da política de poder das grandes, e até mesmo das pequenas potências.
ATIVIDADE 2 a) Faça uma lista com termos ou situações do cotidiano que exemplifiquem a principal questão tratada nessa parte do texto, ou seja, o significado da idéia queo estudo da distribuição do poder político mundial tornou-se tão importante hoje em dia.
b) Compare a sua lista com as dos seus colegas, percebam as diferenças e as semelhanças entre elas.
c) Discutam em classe e faça um texto síntese sobre o resultado da discussão.
d) Retome o excerto a seguir:Há que se indagar, entretanto se o instinto de preservação se encontra de fato disseminado no conjunto da espécie humana, uma vez que agora, o homem reúne capacidade de destruição suficiente para provocar a extinção não apenas do próprio homem, mas também da maioria das outras espécies que coabitam conosco o planeta Terra neste momento.
Debata sobre a segurança ou a insegurança gerada em função do instinto de preservação. Em seguida, faça um texto síntese a partir das conclusões da classe e individuais.
Unidade 2
A Geopolítica
Organizadores Sonia Maria Vanzella Castellar Elvio Rodrigues Martins Elaborador André Roberto Martin
Embora o termo “Geopolítica” tenha sido pronunciado pela primeira vez no ano de 1899, numa Conferência proferida pelo geógrafo sueco Rudolph Kjéllen, seu significado já havia sido explorado anteriormente por vários pen- sadores que alertaram para a influência do meio geográfico na organização e mesmo no caráter das sociedades. Na Grécia clássica, Aristóteles (384- a.C.) assinalou com freqüência a dependência da Ciência Política em relação à Geografia. Depois dele, Estrabão (63 a.C.-21 d.C.), considerado por muitos como o “pai” da Geografia Humana, escreveria boa parte de sua obra com o intuito de influenciar o processo de tomada de decisões dos governantes de sua polis. Mais tarde, durante a Idade Média, Alberto Magno (1206-1280) sobressaiu-se por sua vez, através dos seus extensos conhecimentos geográfi- cos, chegando a profetizar de forma surpreendente, a construção do Canal de Suez. Finalmente, já na Era Moderna, Montesquieu (1689-1755), talvez o pensador político mais influente da escola “iluminista”, não deixou dúvidas sobre sua crença em torno da influência do clima no comportamento humano, argumentando que nas regiões mais quentes, o calor tendia a produzir um estado de torpor que tornava os povos tropicais mais indolentes, e menos aptos ao trabalho duro, do que os habitantes das zonas mais frias.
Muitos outros pensadores poderiam ser colocados ao lado dos nomes acima mencionados, formando uma extensa galeria dos, por assim dizer, “geopolíticos sem carteirinha”. Eram eles os precursores da Geopolítica, só que não atendiam pelo nome de “geopolíticos”, algo que só começou a ocor- rer nas primeiras décadas do século XX quando, como já vimos, a disciplina passou a ser ensinada em Universidades. Foram, além disso, poucos os países a adotar e desenvolver esse novo ramo da Geografia nos seus primórdios: Suécia, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra e Japão. Na França, desde o princípio, o pensamento geopolítico foi mal recebido, de um lado porque foi considerado metodologicamente equivocado, ao dar um peso excessivo às influências do meio sobre o desenvolvimento das sociedades. De outro, por- que no plano político, ao interpretarem a si mesmos como um “ povo sem espaço ” que necessitava alargar seu “ espaço vital ”, os geopolíticos alemães não deixaram dúvidas a respeito das pretensões expansionistas do Estado germânico. A França, principal vizinha da Alemanha, tinha razão, portanto, em ver na nova disciplina, uma ameaça à sua integridade territorial.
É preciso lembrar, além disso, que desde 1870 o relacionamento entre os dois povos estava abalado pela guerra em que os prussianos liderados por
Rudolph KjéllenRudolph KjéllenRudolph KjéllenRudolph KjéllenRudolph Kjéllen Geógrafo, professor de Teoria do Estado na Uni- versidade de Uppsala, Suécia. A sua idéia prin- cipal é a de identificar o Estado a um indivíduo, um ser biológico, ou seja, que nasce, cresce e mor- re e tem uma personali- dade própria.
AristótelesAristótelesAristótelesAristótelesAristóteles (384-322 a.C.) nasceu em Estagira, na Calcídica (re- gião dependente da Macedônia).
Bismarck, haviam derrotado e humilhado os franceses comandados pelo Im- perador Napoleão III. Dessa forma, é forçoso reconhecer que o surgimento da Geopolítica como pretensa “ ciência que trata da dependência dos aconteci- mentos políticos em relação ao solo ”, como a definia a escola alemã, guarda estreita correspondência com a passagem do capitalismo à sua fase monopolista, quer dizer, quando o fenômeno da grande indústria forjou a formação das grandes empresas que hoje chamamos de “multinacionais”, e quando os pou- cos Estados industrializados, partiram febrilmente em busca de novos merca- dos e fontes de matérias-primas consubstanciando um novo tipo de colonialismo, apropriadamente denominado de “imperialismo”. Esta denominação é interessante e se justifica de uma dupla maneira: em primeiro lugar remete à história dos antigos Impérios, em cujo interior vários povos de origens culturais diferentes encontravam-se submetidos a um co- mando centralizado, o que revela uma forma de poder de tipo antinacional. Em segundo lugar, paradoxalmente, ela não deixa de sugerir a própria exacer- bação do nacionalismo, o que de fato existia, na medida em que a concorrên- cia entre as empresas vinha sendo transferida para o âmbito do sistema de Estados, pois os mercados nacionais já se mostravam pequenos para as ambi- ções do grande capital. De alguma maneira, o que o pensamento geopolítico preconizava era a “exportação” da influência de um Estado, quer para a sua vizinhança imediata, quer para áreas bem mais longínquas. A seguir, apresentaremos um breve resumo das principais idéias e dos principais autores da Geopolítica, e entre as lacunas que, inevitavelmente po- derão ser apontadas, duas ausências no caso se justificam: a dos pensadores franceses, porque recusaram-se coletivamente a reconhecerem-se como “geopolíticos”, e a dos autores japoneses, que apesar de terem no conde Komura um expoente reconhecido, não tiveram suas obras divulgadas no Ocidente. Algumas idéias destes últimos foram absorvidas e transmitidas pelo general Haushofer, um admirador explícito das doutrinas e levantamentos rea- lizados pelos geopolíticos japoneses, e por sua vez, ele próprio um autor de grande prestígio no Japão. Vamos sem mais delongas, aos três autores sele- cionados:
AAAAA TIVIDADETIVIDADETIVIDADETIVIDADETIVIDADE 33333 O quadrinho publicado na revista Newsweek (23/9/1991) ilustra o desespero dos cartógrafos para desenhar o novo mapa-múndi diante das constantes mudanças de fronteiras.
BismarkBismarkBismarkBismarkBismark
Foi chanceler da Prússia e também o construtor da Unificação Alemã.
ImperialismoImperialismoImperialismoImperialismoImperialismo
Uma fase do capitalismo, na qual as potências se expandem territorial- mente com a finalidade de consolidar seu domí- nio sobre outros países do mundo.
Geopolítica xGeopolítica xGeopolítica xGeopolítica xGeopolítica x Geografia políticaGeografia políticaGeografia políticaGeografia políticaGeografia política
No debate entre os geó- grafos e os cientistas políticos o termo Geo- grafia Política assumiu um sentido de “neutrali- dade científica” e con- templação do mundo. Já a Geopolítica está vol- tada para a ação e trans- formação. Assim a Geo- política é vista como um instrumento de inter- venção do Estado na sociedade.