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Introdução à Algebra Geométrica Aplicada ao Eletromagnetismo, Notas de estudo de Química

Uma breve introdução à algebra geométrica (ag) aplicada ao eletromagnetismo (em), mostrando como as equações de maxwell se reduzem a uma única equação nesta linguagem muito concisa. O texto aborda os conceitos básicos da ag, como os n-vetores, produtos interno e externo, multivetores e o produto clifford.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 30/08/2010

Alexandre98
Alexandre98 🇧🇷

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Revista Brasileira de Ensino de ısica, v. 28, n. 4, p. 441-443, (2006)
www.sbfisica.org.br
Uma mini-introdu¸ao `a concisa ´algebra geom´etrica do eletromagnetismo
(A very short introduction to the concise geometric algebra of the electromagnetism)
G.F. Leal Ferreira1
Instituto de ısica de ao Carlos, Universidade de ao Paulo, ao Carlos, SP, Brasil
Recebido em 12/4/2006; Aceito em 13/7/2006
Faz-se uma brev´ıssima introdu¸ao `algebra geom´etrica aplicada ao eletromagnetismo para mostrar como as
equa¸oes de Maxwell se reduzem a uma ´unica equa¸ao nesta linguagem muito concisa.
Palavras-chave: ´algebra geom´etrica, multivetores, eletromagnetismo, equa¸oes de Maxwell.
A very short introduction of the geometric algebra applied to the electromagnetism is carried out in order to
show that the Maxwell equations are contained in a single equation when such a concise formalism is employed.
Keywords: geometric algebra, multi-vectors, electromagnetism, Maxwell equations.
1. Introdu¸ao
Estamos todos acostumados com a formula¸ao do Ele-
tromagnetismo (EM) segundo Gibbs-Heaviside, em que
as entidades ao, essencialmente, escalares e vetoriais:
temos quatro equa¸oes especificando a divergˆencia e o
rotacional dos campos el´etrico e magn´etico. Confronte-
mos esta situa¸ao com a formula¸ao do EM segundo
a´
Algebra Geom´etrica (AG): temos aqui uma ´unica
equa¸ao! Nesta, as entidades ao mais complexas, ge-
radas por opera¸oes geom´etricas: temos os escalares, os
vetores, os bivetores e os trivetores. Do que conhece-
mos do EM, ao ´e natural associar ao campo magn´etico
uma circularidade? De fato, na AG ele ser´a um bivetor
en˜ao um (pseudo)vetor.
Evidentemente, apresentaremos aqui somente uma
mini-introdu¸ao `a AG aplicada ao Eletromagnetismo
que, mesmo bastante incompleta, poder´a ter a virtude
de atrair a aten¸ao do leitor devido a sua concis˜ao e
conte´udo ısico, na opini˜ao do autor, ainda ao total-
mente esclarecido. Uma apresenta¸ao minuciosa da AG
por Jayme Vaz Jr. foi publicada nesta revista [1] e no
final deste artigo apresentamos bibliografia complemen-
tar.
2. As entidades e seus produtos
As entidades da AG em trˆes dimens˜oes ao os n-vetores
ou vetores de grau n: os escalares, com a= 0, os veto-
res, com a= 1, os bivetores com a= 2 e os trivetores,
com a= 3. Isto ´e, al´em dos conhecidos escalares, λ,e
vetores, a, temos o bivetor ˆ
Brepresentando o ‘plano’
orientado gerado por dois vetores ordenados, aeb. sua
magnitude sendo ab se aebao perpendiculares e re-
presentado por ˆ
B=ab(pronunciado ‘a cunha b’)
ou por - ˆ
B=aa(ver Fig. 1) A ´ultima entidade ´eo
trivetor de grau 3, T, representado por T=ab
c, sendo a entidade volum´etrica gerada pela terna or-
togonal orientada a,bec, de magnitude abc, Fig. 2,
A unidade I, gerada quando os vetores ao unit´arios,
´e, na verdade, em um pseudo-escalar, cujo quadrado ´e
igual a 1,como o quadrado do imagin´ario i. A terna
ordenada negativamente gera o trivetor -I.
Figura 1 - Os vetores aebgerando o bivetor anti-hor´ario ˆ
B`a
esquerda e bea,`a direita, gerando o bivetor hor´ario - ˆ
B.
Figura 2 - Os vetores ortogonais a,becgerando o trivetor
T=(abc)Ipositivo. Com a ordem dos vetores trocada, por exem-
plo, b,a,c, o trivetor resultante ser´a negativo.
Copyright by the Sociedade Brasileira de F´ısica. Printed in Brazil.
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Revista Brasileira de Ensino de F´ısica, v. 28, n. 4, p. 441-443, (2006) www.sbfisica.org.br

Uma mini-introdu¸c˜ao `a concisa ´algebra geom´etrica do eletromagnetismo

(A very short introduction to the concise geometric algebra of the electromagnetism)

G.F. Leal Ferreira^1

Instituto de F´ısica de S˜ao Carlos, Universidade de S˜ao Paulo, S˜ao Carlos, SP, Brasil Recebido em 12/4/2006; Aceito em 13/7/

Faz-se uma brev´ıssima introdu¸c˜ao `a ´algebra geom´etrica aplicada ao eletromagnetismo para mostrar como as equa¸c˜oes de Maxwell se reduzem a uma ´unica equa¸c˜ao nesta linguagem muito concisa. Palavras-chave: ´algebra geom´etrica, multivetores, eletromagnetismo, equa¸c˜oes de Maxwell.

A very short introduction of the geometric algebra applied to the electromagnetism is carried out in order to show that the Maxwell equations are contained in a single equation when such a concise formalism is employed. Keywords: geometric algebra, multi-vectors, electromagnetism, Maxwell equations.

1. Introdu¸c˜ao

Estamos todos acostumados com a formula¸c˜ao do Ele- tromagnetismo (EM) segundo Gibbs-Heaviside, em que as entidades s˜ao, essencialmente, escalares e vetoriais: temos quatro equa¸c˜oes especificando a divergˆencia e o rotacional dos campos el´etrico e magn´etico. Confronte- mos esta situa¸c˜ao com a formula¸c˜ao do EM segundo a Algebra Geom´´ etrica (AG): temos aqui uma ´unica equa¸c˜ao! Nesta, as entidades s˜ao mais complexas, ge- radas por opera¸c˜oes geom´etricas: temos os escalares, os vetores, os bivetores e os trivetores. Do que conhece- mos do EM, n˜ao ´e natural associar ao campo magn´etico uma circularidade? De fato, na AG ele ser´a um bivetor e n˜ao um (pseudo)vetor. Evidentemente, apresentaremos aqui somente uma mini-introdu¸c˜ao `a AG aplicada ao Eletromagnetismo que, mesmo bastante incompleta, poder´a ter a virtude de atrair a aten¸c˜ao do leitor devido a sua concis˜ao e conte´udo f´ısico, na opini˜ao do autor, ainda n˜ao total- mente esclarecido. Uma apresenta¸c˜ao minuciosa da AG por Jayme Vaz Jr. foi publicada nesta revista [1] e no final deste artigo apresentamos bibliografia complemen- tar.

2. As entidades e seus produtos

As entidades da AG em trˆes dimens˜oes s˜ao os n-vetores ou vetores de grau n: os escalares, com a = 0, os veto- res, com a = 1, os bivetores com a = 2 e os trivetores, com a = 3. Isto ´e, al´em dos conhecidos escalares, λ, e vetores, a, temos o bivetor Bˆ representando o ‘plano’

orientado gerado por dois vetores ordenados, a e b. sua magnitude sendo ab se a e b s˜ao perpendiculares e re- presentado por Bˆ = a ∧ b (pronunciado ‘a cunha b’) ou por - Bˆ = a ∧ a (ver Fig. 1) A ´ultima entidade ´e o trivetor de grau 3, T , representado por T = a ∧ b ∧ c, sendo a entidade volum´etrica gerada pela terna or- togonal orientada a, b e c, de magnitude abc, Fig. 2, A unidade I , gerada quando os vetores s˜ao unit´arios, ´e, na verdade, em um pseudo-escalar, cujo quadrado ´e igual a − 1 , como o quadrado do imagin´ario i. A terna ordenada negativamente gera o trivetor -I.

Figura 1 - Os vetores a e b gerando o bivetor anti-hor´ario Bˆ a esquerda e b e a,a direita, gerando o bivetor hor´ario - Bˆ.

Figura 2 - Os vetores ortogonais a, b e c gerando o trivetor T =(abc)I positivo. Com a ordem dos vetores trocada, por exem- plo, b, a, c, o trivetor resultante ser´a negativo. (^1) E-mail: [email protected].

Copyright by the Sociedade Brasileira de F´ısica. Printed in Brazil.

442 Ferreira

Entre estas entidades est˜ao definidos dois produtos, com sentido geom´etrico bem definido: o externo e o interno. Por exemplo, o produto interno de dois veto- res, a e b, ´e o conhecido produto escalar a.b, enquanto que o produto externo, n˜ao comutativo, de a e b ´e o bivetor, a ∧ b. Na ´algebra de Gibbs, o produto cor- respondente ´e o produto vetorial axb que, na verdade, n˜ao gera um vetor, mas um pseudovetor. De fato, se o resultado do produto fosse um vetor, por uma invers˜ao espacial, a opera¸c˜ao deveria gerar o seu negativo, mas tem-se (-a)x(−b)= axb. Mostra-se que o bivetor Bˆ pode ser expresso como o produto do pseudo-escalar I pelo campo magn´etico B, isto ´e,

B^ ˆ = I B. (1)

Claro que os produtos interno e externo entre os n-vetores s˜ao consistente e geometricamente definidos, em particular o externo obedecendo a associatividade, de forma que, por exemplo, (a ∧ b) ∧ c = a ∧ (b ∧ c). Em [2] h´a uma ampla cobertura da geometria dos produtos entre os v´arios n-vetores. Esse foi, grosso modo, o desenvolvimento da AG se- gundo o matem´atico alem˜ao, H. Grassmann, no meio do s´eculo XIX. Um pouco mais tarde, W. Clifford no Reino Unido, completou sua formula¸c˜ao.

3. Os multivetores e o produto cliffor

W. Clifford introduziu os multivetores que s˜ao a as- socia¸c˜ao numa ´unica entidade de diferentes n-vetores. Por exemplo, no E.M. cria-se a entidade uni˜ao do po- tencial escalar, U e do potencial vetor A, um multive- tor potencial de n = 0 e n =1. Note-se que estes em Relatividade formam os quadrivetores, um caso parti- cular de multivetor. O multivetor formado pelo campo el´etrico E e o bivetor magn´etico Bˆ ser´a o multivetor eletromagn´etico, com entidades n = 1, n = 2. Os spi- nores, base da formula¸c˜ao AG da mecˆanica quˆantica, s˜ao multivetores 0,2. A cria¸c˜ao dos multivetores permitiu `a Clifford ir mais al´em e generalizar o produto, unindo o produto interno e o externo. Por exemplo, o produto cliffor (no- menclatura usada em [2]) de dois vetores a e b ser´a a soma do escalar a.b e do bivetor a ∧ b,

ab = a.b + a ∧ b. (2)

Note-se que o produto cliffor pode ser definido para qualquer dois n-vetores e isto ´e feito respeitando-se a as- sociatividade. Por exemplo, ter-se-´a no produto cliffor de um bivetor por um vetor, (ab)c=a(bc)=abc, note- se, apesar da associatividade n˜ao se aplicar ao produto interno, envolvido nos quatro produtos ab, (ab)c, bc e a(bc).

4. O vetor nabla

O vetor nabla (a palavra nabla representa um instru- mento musical hebreu na forma de um triˆangulo inver- tido ∇) ´e o vetor designado `as mudan¸cas espaciais de um multivetor. Em coordenadas cartesianas ele ´e

∇ = ˆı

∂x

∂y

  • k ˆ

∂z

O produto cliffor ∇a, dando a varia¸c˜ao generalizada do vetor a ser´a ent˜ao

∇a = ∇.a + ∇ ∧ a, (4)

em que ∇.a ´e a conhecida divergˆencia de a e ∇∧ a ´e o bivetor correspondente ao rotacional de a, ∇× a, isto ´e, termo com n = 0 e outro com n = 2. Por esta raz˜ao, no caso de ∇ aplicado ao escalar λ x, considera-se ∇.λ (x ) = 0, pois λ j´a tem grau nulo, e, portanto, ∇ ∧ λ (x ) ´e definido como o familiar gradiente de λ (x ).

5. Aplica¸c˜ao ao EM

Vamos em primeiro lugar definir os muti-vetores gradi- entes generalizados, ∇′, e ∇′′, assim

∇′^ = ∇ −

c

∂t

e ∇′′^ = ∇ +

c

∂t

em que c ´e a velocidade da luz. Tendo em conta a correla¸c˜ao entre varia¸c˜oes espaciais e temporais dos fenˆomenos eletromagn´eticos, essa generaliza¸c˜ao ´e natu- ral. Vamos agora aplicar o operador ∇′^ ao multivetor potencial, n = 0, 1, −U +A, fun¸c˜oes da posi¸c˜ao e do tempo

∇′(−U + A) = (∇ −

c

∂t

)(−U + A) =

−∇U +

c

∂U

∂t

+ ∇A −

c

∂A

∂t

e usando a Eq. (4), tem-se finalmente

∇′(−U + A) =

[∇.A +

c

∂U

∂t

] + [−∇U −

c

∂A

∂t

] + [∇ ∧ A], (7)

em que os termos est˜ao separados de acordo com os graus, n = 0, a = 1 e a = 2, respectivamente, a condi¸c˜ao de Lorentz, o campo el´etrico E e o bivetor magn´etico Bˆ^2. (^2) O revisor argumentou que a defini¸c˜ao de ∇′′ (^) na Eq. (5) poderia ser omitida, pelo uso de operadores, como o de ‘gradua¸c˜ao’, que muda a componente n-vetor, Fn, do multivetor em (−1)nFn (no caso presente seria em (−1)n+1Fn), evidenciando a facilidade com que a AG transforma entidades e operadores. Agradecemos o coment´ario.