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gramática português secundario decimo, decimo primeiro e decimo segundo
Tipologia: Resumos
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Compartilhado em 29/05/2021
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Função sintática Definição Exemplos Predicativo do sujeito Função sintática que ocorre com um verbo copulativo. Pode ser constituído por um grupo nominal (1) , um grupo adjetival (2) , um grupo adverbial (3) ou um grupo preposicional (4). (1) A cidade de Guimarães foi capital da cultura. (2) A cidade de Guimarães é histórica. (3) O castelo permanece ali , há séculos. (4) A cidade está em festa. Complemento direto Função sintática selecionada por um verbo transitivo direto (1) , direto e indireto (2) e transitivo-predicativo (3). Pode ser constituído por um GN, pelos pronomes que desempenham a função de complemento direto (o, a, os, as) (4) ou por uma oração subordinada completiva, substituível pelo pronome demostrativo átomo o (5). (1) Ontem, visitei um museu. (2) Dei um livro ao João (3) Eu acho o museu muito luminoso. (4) Conheço bem a cidade e acho- a interessante. (5) O professor disse que a cidade era histórica ./ O professor disse- o. Predicativo do complemento direto Função sintática selecionada por um verbo transitivo-predicativo (achar, considerar, nomear, tratar, eleger…) e que predica, ou seja, que atribui uma qualidade/característica ao complemento direto (1), (2), (3). (1) Considero a cidade do Porto uma cascata. (2) Acho a cidade do Porto lindíssima. (3) Todos os estrangeiros tratam o Porto com consideração. Complemento indireto Função sintática selecionada por um verbo transitivo indireto (1) ou transitivo direto e indireto (2). É sempre constituído por um grupo preposicional iniciado pela preposição a ou pelos pronomes com função de complemento indireto (lhe), (lhes) (3). (1) Falei ao pai. (2) Dei um presente à Joana. (3) Como são alunos novos, apresentei- lhes os colegas. Complemento oblíquo Função sintática selecionada por um verbo transitivo indireto (1) ou transitivo direto e indireto (2). Pode ser constituído por um grupo preposicional ou por um grupo adverbial (3). Não pode ser substituído pelos pronomes lhe, lhes, nem, o, os, a, as (1) Eles vão a Paris. (2) Coloquei o livro na mochila. (3) Elas moram aqui. Complemento agente da passiva Função sintática desempenhada por um grupo preposicional, introduzindo pela preposição por, simples (1) ou contraída (2) , e que ocorre numa frase passiva. (1) O atleta foi aclamado por todos. (2) A arquitetura foi apreciada pela comunidade local. Modificador (do grupo verbal) Função sintática desempenhada por constituintes não selecionados pelo verbo e que pode, por isso, ser omitida sem que se perca a boa formação da frase (1). Pode ser constituído por grupos adverbiais (2) e grupos preposicionais (3). (1) Li o livro [ calmamente ]. (2) Elas leem devagar. (3) Eles trabalham em Leiria.
Função sintática Definição Exemplos Complemento do nome Função sintática desempenhada por um grupo preposicional selecionado pelo nome e que surge à sua direita (1) ou por um grupo adjetival colocado à direita do nome e que com ele forma uma unidade de sentido (2). (1) A inclinação da torre de Pisa é emblemática. (2) Os atos médicos só podem ser exercidos por médicos. Modificador do nome (restritivo e apositivo) Função sintática desempenhada por um constituinte não selecionado por nenhum elemento do grupo sintático de que faz parte, neste caso, o nome (1). Os modificadores do nome podem ser restritivos (quando restringem a referencia ao nome que modificam) ou apositivos (quando não restringem a referencia o nome que modificam). Os modificadores do nome podem ser desempenhados por grupos nominais (2) , grupo adjetivais (3) , grupos preposicionais (4) , orações subordinadas adjetivas relativas restritivas (5) e explicativas (6). (1) No apartamento espaçoso havia um plano. [restritivo] (2) António Gedeão, o poeta , é o pseudónimo de Rómulo de Carvalho, o cientista. [apositivo] (3) No apartamento, amplo e arejado , havia um piano. [apositivo] (4) O encontro com os amigos tinha lugar na saleta. [restritivo] (5) O piano que estava na saleta era novo. [restritivo] (6) O piano, que foi afinado , era um objeto precioso. [apositivo]
Função sintática Definição Exemplos Complemento do adjetivo Função sintática desempenhada por um grupo preposicional selecionado pelo nome e que surge à sua direita (1) ou por um grupo adjetival colocado à direita do nome e que com ele forma uma unidade de sentido (2). (1) Eles estão satisfeitos por terem obtido o primeiro prémio. (2) Eles estão contentes com a vitória.
Valor restritivo Orações subordinadas adjetivas relativas restritivas A sua inserção permite restringir o sentido do antecedente e a sua omissão altera o sentido da subordinante. Ex: O livro que ele leu é muito interessante (= lido). Os ladrões que me roubaram o carro foram apanhados. A criança cuja mãe apareceu na escola tem graves problemas de comportamento. Entreguei o trabalho o qual foi resultado de uma profunda pesquisa. Valor apositivo ou explicativo Orações subordinadas adjetivas relativas explicativas A sua omissão não altera o sentido da subordinante, surgindo, por isso, entre vírgulas. Ex: O escritor, que nasceu no Ribatejo , ganhou o prémio Nobel. A casa, onde Saramago nasceu , é muito modesta.
Definição Exemplos Modalidade epistémica O locutor pretende expressar um valor de certeza. O sermão de santo António aos Peixes foi pregado em São Luís de Maranhão. O locutor pretende expressar um valor de probabilidade/possibilidade. É possível que o orador tivesse sofrido ameaças. Talvez a Inquisição tivesse pressionado os colonos. Modalidade deôntica O locutor pretende agir sobre o interlocutor através de um enunciado com valor de imposição/obrigação. Tem de estar atento à mensagem. Deves ler o Sermão na íntegra. O locutor pretende agir sobre o interlocutor através de um enunciado com valor de proibição/permissão. Não desvirtues a mensagem. Podes ir ao cinema com os teus amigos. Modalidade apreciativa O locutor pretende exprimir uma opinião/apreciação sobre o conteúdo de um enunciado. É pena que a crise corte o futuro a tantos jovens! Desagrada-me tal situação.
Tipo de dêixis Marcas linguísticas Exemplos Dêixis pessoal Pronomes pessoais Determinantes / pronomes possessivos e demostrativos Vocativo e formas de tratamento Flexão verbal (pessoa) Eu fiquei grata com a homenagem ao meu pai. [1º pessoa] Vós trouxestes uma nova dinâmica à empresa. [2º pessoa] Dêixis espacial Advérbio e locuções adverbiais com valor locativo (aqui, aí, além…) Preposições e locuções prepositivas (ao lado de, atrás de…) Verbos que indicam movimento (ir, vir…) Determinantes / pronomes demostrativos Aqui não faz frio, mas ali a temperatura é mais baixa. A caixa está ao lado do sofá. Vim da exposição Aquele relógio é bonito. Dêixis temporal Advérbio de tempo/ de designação (eis) Determinantes / pronomes demostrativos Adjetivos (atual, contemporâneo, hodierno, futuro…) Nomes (véspera, antevéspera…) Preposições e locuções prepositivas (após, antes de, depois de…) Flexão verbal (tempo) Hoje é dia de jogo e amanhã dia de polémica. Esta semana vou a um concerto. Saramago é contemporâneo de Eça. Não estudo na véspera dos exames. Antes de jantar vou ao ginásio. Dêixis textual Expressões que organizam o tempo e o espaço do texto, recorrendo à anáfora e à catáfora (acima, como atrás se referiu, como veremos mais adiante…). Como veremos mais tarde , todo este trabalho será essencial.
Anacoluto- interrupção de construção sintática no meio do enunciado, para adotar uma outra: Ex: “ Eu, que cair não pude neste engano / (Que é grande dos amantes a cegueira, / Encheram-me com grandes abondanças, / O peito de desejos e esperanças ”. Luís de Camões Epífora ou epístrofe - repetição de uma palavra ou grupo de palavras no fim de frases ou versos seguidos; recurso simétrico da anáfora. Ex: “ Não sou nada / Nunca serei nada / não posso querer ser nada ”. Álvaro de Campos Anáfora- repetição de uma ou mais palavras no início de frases ou versos sucessivos, intensificando a ideia a expressar. Ex: “ Podias ser laranja, buganvília / Podias, fosse eu junho, ser groselha. / Podias ser […] ” Rosa Lobato de Faria Epizeuxe ou reduplicação - repetição consecutiva de uma palavra ou expressão. Ex: “ Minuciosa formiga / Não tem que se lhe diga: / leva a sua palhinha / asinha, asinha ”. Alexandre O’Neill Anástrofe ou inversão - alteração da ordem comum das palavras numa frase, antepondo o determinante ao determinado. Ex: “ Estas sentenças tais o velho honrado estava / proferindo ” Luís de Camões Hipérbato - alteração da ordem canónica das palavras, para destacar uma delas ou uma expressão. Ex: “ Casos que Adamastor contou futuros ”. Luís de Camões Assíndeto - supressão de elementos de ligação (normalmente conjunções coordenativas copulativas) entre palavras ou frases, conferindo ao enunciado um ritmo rápido. Ex: “ Rola a chuva / rega a terra / rega o rio / rega a rua ”. Cecília Meireles Paralelismo - repetição de uma frase, de uma ideia ou de uma construção frásica. Ex: “ Tanto sonho! Tanta mágoa! Tanta coisa! Tanta gente! ” António Gedeão Enumeração - exposição sucessiva de elementos da mesma classe gramatical (predominantemente nome ou verbos), apresentados de acordo com uma determinada lógica, de modo a intensificar uma ideia. Ex: “ Mandei vir os ácidos, / as bases e os sais, /as drogas usadas […] ”. António Gedeão Polissíndeto - repetição propositada do elemento de ligação entre palavras ou frases (normalmente conjunção coordenativa), conferindo à frase ou verso um ritmo mais lento. Ex: “ Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos […] ”. Sebastião da Gama Epanalepse ou repetição - repetição de uma palavra ou expressão ao longo de um enunciado. Ex: “ Eu também tive um jardim / E o jardim tinha uma fonte. / Tinha um jardim lá no monte ”. Natália Correia Quiasmos - construção frásica segundo o esquema da letra X. A segunda parte da construção contém os mesmos elementos da primeira, mas inverte-se a ordem de apresentação. Ex: “ Paixão requer paixão, fervor e extremo; / Com extremo e fervor se recompensa ”. Bocage
Aliteração - repetição de sons consonânticos semelhantes em momentos próximos da frase ou do verso, para reforçar o sentido e acelerar o ritmo. Ex: “ Olha a chuva que chega! / É a enchente. / Olha o chão que foge com a chuva ”. Cecília Meireles Assonância - repetição de sons vocálicos idênticos. Ex: “ Olha a bolha d’água no galho / Olha o orvalho! ”. Cecília Meireles
assumindo diversas modalidades: a causa pelo efeito; o concreto pelo abstrato; o autor pela obra; o instrumento pela pessoa; o conteúdo pelo continente. Ex: “[…]lia (os livros de) Proudhon, Augusto Comte, Herbert Spencer … ” Eça de Queirós uma intensificação da oposição, uma vez que os termos se excluem mutuamente. Ex: “ E como que sonhado, sem sonhar ” Miguel Torga Oxímoro - apresentação de uma ideia através do contraste entre duas características opostas da mesma realidade e forma mais intensa do que na antítese. Ex: “ Aquela triste e leda madrugada ” Luís de Camões Perífrase ou circunlóquio - apresentação de uma realidade de modo detalhado e descritivo, quanto poderia ser referida de modo mais sintético. Ex: “ A marcha escura, nítida e convexa, avançava, comia a luz imortal ”. (= eclipse do Sol) Eça de Queirós Personificação ou prosopopeia - atribuição de qualidades, sentimentos ou ações específicas dos seres humanos a seres inanimados, abstrações ou animais. Ex: “ O relógio persegue o tempo, admira-lhe a cor dos cabelos e a maneira certa de andar ”. João Pedro Mésseder Pleonasmo - repetição da mesma ideia por palavras ou expressões redundantes e desnecessárias, com o objetivo de a realçar. Ex: “ Vi claramente visto ” Luís de Camões Sinédoque - referencia ao significado de uma palavra através de outra(s) que com ele mantém uma relação de inclusão: a parte pelo todo; o género pela espécie; o singular pelo plural; a matéria pelo objeto; o traço físico pelo ser. Ex: “ ocidental praia lusitana ” (=Portugal) Luís de Camões Sinestesia - mistura de sensações que pertencem a sentidos diferentes. Ex: “ brancuras quentes ” (visual e táctil) Cesário Verde Trocadilho - emprego de palavras ou expressões dúbias, para jogar com o seu sentido. Ex: “ enfim, inda ao pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra ”. Padre António Vieira