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Gramática Português Secundário, Resumos de Português (Gramática - Literatura)

gramática português secundario decimo, decimo primeiro e decimo segundo

Tipologia: Resumos

2021
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Gramática do 10º, 11º e 12º ano:
Morfologia e Lexicologia
Prefixo- concretiza-se através da adição de um prefixo derivacional a uma forma de base.
Ex: antienvelhecimento, desregular
Sufixação- concretiza-se através da adição de um sufixo derivacional a uma forma de
base.
Ex: lojista, evidentemente
Prefixação e sufixação- concretiza-se através da adição de um prefixo e de um sufixo à
forma base.
Ex: infelizmente, incoerentemente
Parassíntese- concretiza-se através da adição simultânea de um prefixo e de um sufixo
derivacionais a uma forma base. A palavra resultante não permite adição de apenas um
dos afixos.
Ex: amanhecer, encaixotar, anoitecer
Processos irregulares de formação de palavras
Amálgama- processo que combina partes de duas ou mis palavras, criando, assim, uma
palavra nova.
Ex: informática (informação + automática)
Diciopédia (dicionário + enciclopédia)
Sigla- palavra formada pelas letras iniciais de um grupo de palavras; as siglas soletram-se
pronunciando o nome de cada letra.
Ex: UE (União Europeia)
OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Economico)
Acrónimo- palavra formada pela primeira ou mais letras de um grupo de palavras,
pronunciando-se de forma continua.
Ex: TAP (Transportes Aéreos Portugueses)
OVNI (Objeto Voador Não Identificado)
SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida)
Onomatopeia- palavra criada para imitar um som natural, produzindo por um animal,
pela natureza, por um objeto, etc.
Ex: triim, au-au, atchim, ribombar, tilintar
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Gramática do 10º, 11º e 12º ano:

Morfologia e Lexicologia

 Prefixo - concretiza-se através da adição de um prefixo derivacional a uma forma de base.

Ex: antie nvelhecimento, des regular

 Sufixação - concretiza-se através da adição de um sufixo derivacional a uma forma de

base.

Ex: loj ista , evidente mente

 Prefixação e sufixação- concretiza-se através da adição de um prefixo e de um sufixo à

forma base.

Ex: in feliz mente , in coerente mente

 Parassíntese- concretiza-se através da adição simultânea de um prefixo e de um sufixo

derivacionais a uma forma base. A palavra resultante não permite adição de apenas um

dos afixos.

Ex: a manh ecer , en caixot ar , a noitec er

Processos irregulares de formação de palavras

 Amálgama - processo que combina partes de duas ou mis palavras, criando, assim, uma

palavra nova.

Ex: informática ( infor mação + auto mática )

Diciopédia ( dicio nário + enciclo pédia )

 Sigla - palavra formada pelas letras iniciais de um grupo de palavras; as siglas soletram-se

pronunciando o nome de cada letra.

Ex: UE ( U nião E uropeia)

OCDE ( O rganização para a C ooperação e D esenvolvimento E conomico)

 Acrónimo - palavra formada pela primeira ou mais letras de um grupo de palavras,

pronunciando-se de forma continua.

Ex: TAP ( T ransportes A éreos P ortugueses)

OVNI ( O bjeto V oador N ão I dentificado)

SIDA ( S índrome da I muno d eficiência A dquirida)

 Onomatopeia - palavra criada para imitar um som natural, produzindo por um animal,

pela natureza, por um objeto, etc.

Ex: triim, au-au, atchim, ribombar, tilintar

 Truncação - palavra formada através da redução e do apagamento de parte da palavra

que lhe dá origem.

Ex: metro (metropolitano)

otorrino (otorrinolaringologista)

foto (fotografia)

Relações de hierarquia

 Hiperonímia - relação entre palavras em que o significado de uma ( hiperónimo ), pode ser

mais global, inclui o de outras (hipónimo). O hiperónimo impõe sempre as suas

propriedades ao hipónimo, criando-se, assim, entre eles uma dependência semântica.

Um hiperónimo pode substituir, em todos os contextos, qualquer dos seus hipónimos; já

o contrário não é possível.

Ex: flor ( hiperónimo ) / margarida, cravo, rosa (hipónimos)

 Hiponímia - relação entre palavras em que o significado de uma ( hipónimo ), por ser mais

específico, se encontra incluído no de outra (hiperónimo). O hipónimo , além de

apresentar as propriedades semânticas do hiperónimo, possui os seus próprios traços

específicos.

Ex: visão ( hipónimo ) / sentido (hiperónimo)

 Holonímia - relação entre palavras em que o significado de uma ( holónimo ) refere um

todo do qual a outra palavra (merónimo) é parte constituinte. O holónimo não impõe

obrigatoriamente as suas propriedades ao merónimo.

Ex: livro ( holónimo ) / capa (merónimo); mão ( holónimo ) / dedo (merónimo)

 Meronímia - relação entre palavras em que o significado de uma ( merónimo ) remete

para uma parte constituinte da outra (holónimo). O merónimo cria uma relação de

dependência ao implicar a referência a um todo (holónimo).

Ex: raiz ( merónimo ) / planta (holónimo)

Estruturas lexicais

 Campo lexical- conjunto de palavras associadas, pelo seu significado, a um determinado

domínio conceptual, ou seja, a um mesmo conceito ou realidade.

Ex: campo lexical de teatro: palco, bastidores, ator, bilhete, espectador, peça

 Campo semântico- conjunto de significados que uma palavra pode ter nos diferentes

contextos e que ocorre.

Ex: campo semântico de pé: Dói-me um pé. [parte do corpo]; Moro ao pé do mar. [junto de];

Plantei um pé de laranjeira [planta].

Determinante

Tipo de determinante

Masculino

Singular

Masculino

Plural

Feminino

Singular

Feminino

Plural

Artigo definido o os a as

Artigo indefinido um uns uma umas

Determinante

demostrativo

este,

esse,

aquele

estes,

esses,

aqueles

esta,

essa,

aquela

estas,

essas,

aquelas

Determinante

possessivo

meu,

teu,

seu,

nosso,

vosso

meus,

teus,

seus,

nossos,

vossos

minha,

tua,

sua,

nossa,

vossa

minhas,

tuas,

suas,

nossas,

vossas

Determinante

indefinido

certo,

outro

certos,

outros

certa

outra

certas,

outras

Determinante relativo cujo cujos cuja cujas

Determinante

interrogativo

Variável- qual?, quais?

Invariável- que?

Quantificador

Existencial- não expressa uma quantidade

exata nem remete para a totalidade de um

conjunto.

algum(ns), bastante(s), muito(s), muita(s),

pouco(s), tanta(s), vário(s), vária(s)

Relativo- surge numa oração relativa e tem

como antecedente a grupo nominal.

quanto(s), quantas(s)

Universal- é relativo a todos os elementos de

um conjunto.

todo(s), toda(s), qualquer, quaisquer,

nenhum(ns), nenhuma(s), ambos, cada

Interrogativo- identifica o constituinte

interrogação.

quanto(s)?, quanta(s)?

Numeral Cardinal- expressa uma

quantidade inteira precisa.

um/uma, dois/duas, três, quatro, cinco…

Multiplicativo- expressa um

múltiplo de uma quantidade.

dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo…

Fracionário- expressa uma fração

de uma quantidade.

meio/metade, terço, quarto, quinto…

Preposição

Preposições Locuções prepositivas

a, ante, após, até, com contra, de, desde, em,

entre, para, perante, por, segundo, sem,

sobre, trás

abaixo de, acerca de, acima de, a fim de,

além de, antes de, através de, de acordo

com, dentro de, depois de, em frente a…

Conjunções e locuções conjuncionais coordenativas

Coordenação Conjunções Locuções conjuncionais

Copulativas e, nem

não só… mas também,

não só… como também

Adversativas mas

Disjuntivas ou

ou… ou, ora… ora, quer…

quer, seja… seja

Conclusivas logo

Explicativas pois, portanto

Conjunções e locuções conjuncionais subordinativas

Subordinação Conjunções Locuções conjuncionais

Causal

porque, pois, como, que

(=porque)

pois que, visto que, já que,

por isso que, pelo muito que,

tanto mais que, uma vez que

Comparativa

como, conforme, segundo,

(tal) qual, (tanto) quanto

mais… do que, menos… do

que, bem como, assim como,

tal… qual

Completiva que, se

Concessiva embora, conquanto, que

ainda que, apesar de que,

mesmo que, posto que,

ainda quando, se bem que,

sem que, por menos que, por

mais que

Condicional se, caso

a não ser que, contanto que,

salvo se, desde que, a menos

que, no caso de, exceto se

Consecutiva

que (antecedido de tal, tanto,

de tal maneira…)

de maneira que, de modo

que, de forma que, de sorte

que

Final que, para

para que, a fim de que, por

que

Temporal

quando, enquanto, mal,

apenas, que

antes que, depois que, logo

que, assim que, desde que,

até que, primeiro que,

sempre que, todas as vezes

que, tanto que, à medida

que, ao passo que, senão

quando

Funções sintáticas internas ao grupo verbal

Função sintática Definição Exemplos Predicativo do sujeito Função sintática que ocorre com um verbo copulativo. Pode ser constituído por um grupo nominal (1) , um grupo adjetival (2) , um grupo adverbial (3) ou um grupo preposicional (4). (1) A cidade de Guimarães foi capital da cultura. (2) A cidade de Guimarães é histórica. (3) O castelo permanece ali , há séculos. (4) A cidade está em festa. Complemento direto Função sintática selecionada por um verbo transitivo direto (1) , direto e indireto (2) e transitivo-predicativo (3). Pode ser constituído por um GN, pelos pronomes que desempenham a função de complemento direto (o, a, os, as) (4) ou por uma oração subordinada completiva, substituível pelo pronome demostrativo átomo o (5). (1) Ontem, visitei um museu. (2) Dei um livro ao João (3) Eu acho o museu muito luminoso. (4) Conheço bem a cidade e acho- a interessante. (5) O professor disse que a cidade era histórica ./ O professor disse- o. Predicativo do complemento direto Função sintática selecionada por um verbo transitivo-predicativo (achar, considerar, nomear, tratar, eleger…) e que predica, ou seja, que atribui uma qualidade/característica ao complemento direto (1), (2), (3). (1) Considero a cidade do Porto uma cascata. (2) Acho a cidade do Porto lindíssima. (3) Todos os estrangeiros tratam o Porto com consideração. Complemento indireto Função sintática selecionada por um verbo transitivo indireto (1) ou transitivo direto e indireto (2). É sempre constituído por um grupo preposicional iniciado pela preposição a ou pelos pronomes com função de complemento indireto (lhe), (lhes) (3). (1) Falei ao pai. (2) Dei um presente à Joana. (3) Como são alunos novos, apresentei- lhes os colegas. Complemento oblíquo Função sintática selecionada por um verbo transitivo indireto (1) ou transitivo direto e indireto (2). Pode ser constituído por um grupo preposicional ou por um grupo adverbial (3). Não pode ser substituído pelos pronomes lhe, lhes, nem, o, os, a, as (1) Eles vão a Paris. (2) Coloquei o livro na mochila. (3) Elas moram aqui. Complemento agente da passiva Função sintática desempenhada por um grupo preposicional, introduzindo pela preposição por, simples (1) ou contraída (2) , e que ocorre numa frase passiva. (1) O atleta foi aclamado por todos. (2) A arquitetura foi apreciada pela comunidade local. Modificador (do grupo verbal) Função sintática desempenhada por constituintes não selecionados pelo verbo e que pode, por isso, ser omitida sem que se perca a boa formação da frase (1). Pode ser constituído por grupos adverbiais (2) e grupos preposicionais (3). (1) Li o livro [ calmamente ]. (2) Elas leem devagar. (3) Eles trabalham em Leiria.

Funções sintáticas internas ao grupo nominal

Função sintática Definição Exemplos Complemento do nome Função sintática desempenhada por um grupo preposicional selecionado pelo nome e que surge à sua direita (1) ou por um grupo adjetival colocado à direita do nome e que com ele forma uma unidade de sentido (2). (1) A inclinação da torre de Pisa é emblemática. (2) Os atos médicos só podem ser exercidos por médicos. Modificador do nome (restritivo e apositivo) Função sintática desempenhada por um constituinte não selecionado por nenhum elemento do grupo sintático de que faz parte, neste caso, o nome (1). Os modificadores do nome podem ser restritivos (quando restringem a referencia ao nome que modificam) ou apositivos (quando não restringem a referencia o nome que modificam). Os modificadores do nome podem ser desempenhados por grupos nominais (2) , grupo adjetivais (3) , grupos preposicionais (4) , orações subordinadas adjetivas relativas restritivas (5) e explicativas (6). (1) No apartamento espaçoso havia um plano. [restritivo] (2) António Gedeão, o poeta , é o pseudónimo de Rómulo de Carvalho, o cientista. [apositivo] (3) No apartamento, amplo e arejado , havia um piano. [apositivo] (4) O encontro com os amigos tinha lugar na saleta. [restritivo] (5) O piano que estava na saleta era novo. [restritivo] (6) O piano, que foi afinado , era um objeto precioso. [apositivo]

Funções sintáticas internas ao grupo adjetival

Função sintática Definição Exemplos Complemento do adjetivo Função sintática desempenhada por um grupo preposicional selecionado pelo nome e que surge à sua direita (1) ou por um grupo adjetival colocado à direita do nome e que com ele forma uma unidade de sentido (2). (1) Eles estão satisfeitos por terem obtido o primeiro prémio. (2) Eles estão contentes com a vitória.

Valor das orações subordinadas relativas

Valor restritivo Orações subordinadas adjetivas relativas restritivas A sua inserção permite restringir o sentido do antecedente e a sua omissão altera o sentido da subordinante. Ex: O livro que ele leu é muito interessante (= lido). Os ladrões que me roubaram o carro foram apanhados. A criança cuja mãe apareceu na escola tem graves problemas de comportamento. Entreguei o trabalho o qual foi resultado de uma profunda pesquisa. Valor apositivo ou explicativo Orações subordinadas adjetivas relativas explicativas A sua omissão não altera o sentido da subordinante, surgindo, por isso, entre vírgulas. Ex: O escritor, que nasceu no Ribatejo , ganhou o prémio Nobel. A casa, onde Saramago nasceu , é muito modesta.

Modalidade

Definição Exemplos Modalidade epistémica O locutor pretende expressar um valor de certeza. O sermão de santo António aos Peixes foi pregado em São Luís de Maranhão. O locutor pretende expressar um valor de probabilidade/possibilidade. É possível que o orador tivesse sofrido ameaças. Talvez a Inquisição tivesse pressionado os colonos. Modalidade deôntica O locutor pretende agir sobre o interlocutor através de um enunciado com valor de imposição/obrigação. Tem de estar atento à mensagem. Deves ler o Sermão na íntegra. O locutor pretende agir sobre o interlocutor através de um enunciado com valor de proibição/permissão. Não desvirtues a mensagem. Podes ir ao cinema com os teus amigos. Modalidade apreciativa O locutor pretende exprimir uma opinião/apreciação sobre o conteúdo de um enunciado. É pena que a crise corte o futuro a tantos jovens! Desagrada-me tal situação.

Dêixis

Tipo de dêixis Marcas linguísticas Exemplos Dêixis pessoal  Pronomes pessoais  Determinantes / pronomes possessivos e demostrativos  Vocativo e formas de tratamento  Flexão verbal (pessoa) Eu fiquei grata com a homenagem ao meu pai. [1º pessoa] Vós trouxestes uma nova dinâmica à empresa. [2º pessoa] Dêixis espacial  Advérbio e locuções adverbiais com valor locativo (aqui, aí, além…)  Preposições e locuções prepositivas (ao lado de, atrás de…)  Verbos que indicam movimento (ir, vir…)  Determinantes / pronomes demostrativos Aqui não faz frio, mas ali a temperatura é mais baixa. A caixa está ao lado do sofá. Vim da exposição Aquele relógio é bonito. Dêixis temporal  Advérbio de tempo/ de designação (eis)  Determinantes / pronomes demostrativos  Adjetivos (atual, contemporâneo, hodierno, futuro…)  Nomes (véspera, antevéspera…)  Preposições e locuções prepositivas (após, antes de, depois de…)  Flexão verbal (tempo) Hoje é dia de jogo e amanhã dia de polémica. Esta semana vou a um concerto. Saramago é contemporâneo de Eça. Não estudo na véspera dos exames. Antes de jantar vou ao ginásio. Dêixis textual  Expressões que organizam o tempo e o espaço do texto, recorrendo à anáfora e à catáfora (acima, como atrás se referiu, como veremos mais adiante…). Como veremos mais tarde , todo este trabalho será essencial.

Atos Ilocutórios

 Ato ilocutório assertivo

Ato de fala que o locutor realiza pela enunciação de uma preposição, com cujo valor de

verdade se compromete em maior ou menor grau. Entram na categoria de assertivos

verbos como afirmar, sugerir, crer, admitir ou colocar uma hipótese.

Ex: Parto para a Austrália na próxima semana.

José Saramago foi Prémio Nobel da Literatura em 1998.

Eles admitiram que o trabalho era difícil.

Ontem sugerimos que o programa fosse alterado.

 Ato ilocutório expressivo

Ato de fala que pretende exprimir o estado psicológico do locutor relativamente ao

conteúdo proposicional da frase. Fazem parte do paradigma dos atos expressivos verbos

como agradecer, congratular-se, irritar-se, agradar, lamentar…

Ex: lamento profundamente tudo o que aconteceu.

Parabéns!

 Elementos de coesão temporal e aspetual- processos que asseguram a

compatibilidade semântica ao nível da localização e da ordenação temporal:

 Uso correlativo dos modos e dos tempos verbais, tendo em conta o seu valor;

 Recurso a advérbios e/ou locuções adverbiais;

 Utilização de expressões preposicionais com valor temporal;

 Uso de datas e de marcas temporais;

 Recurso a articulados indicações de ordenação.

 Elementos de coesão referencial- processo que se baseiam na existência de cadeias

de referencias ou anafóricas, compostas por um elemento linguístico (o referente )

que é retomado por outro(s) (correferente(s)), cujo entendimento só é possível

atendendo ao significado do referente. Concretiza-se com o recurso a:

 Anáfora - processo pelo qual os termos anafóricos retomam, no decorrer do

discurso, o antecedente já mencionado e o respetivo valor;

Ex: Quando vi o João , ele pereceu-me muito abatido.

 Catáfora - processo semelhante ao da anáfora, mas em que os termos

correferentes surgem antes do elemento linguístico que indica o referente do

discurso;

Ex: Quando a vi, fiquei surpreendida. A Maria está recuperada.

 Elipse - processo em que os termos anafóricos ou catafóricos não surgem

lexicalmente realizados, sendo subentendidos no discurso;

Ex: O jogo começou às nove. Decorreu sem incidentes.

 Correferência não anafórica - processo que consiste na utilização de duas ou mais

expressões relativas ao mesmo referente, mas sem que nenhuma delas dependa

da outra;

Ex: Luís de Camões escreveu Os Lusíadas. O maior poeta da língua portuguesa não

foi reconhecido pelos seus contemporâneos.

Figuras de sintaxe

Anacoluto- interrupção de construção sintática no meio do enunciado, para adotar uma outra: Ex: “ Eu, que cair não pude neste engano / (Que é grande dos amantes a cegueira, / Encheram-me com grandes abondanças, / O peito de desejos e esperanças ”. Luís de Camões Epífora ou epístrofe - repetição de uma palavra ou grupo de palavras no fim de frases ou versos seguidos; recurso simétrico da anáfora. Ex: “ Não sou nada / Nunca serei nada / não posso querer ser nada ”. Álvaro de Campos Anáfora- repetição de uma ou mais palavras no início de frases ou versos sucessivos, intensificando a ideia a expressar. Ex: “ Podias ser laranja, buganvília / Podias, fosse eu junho, ser groselha. / Podias ser […] ” Rosa Lobato de Faria Epizeuxe ou reduplicação - repetição consecutiva de uma palavra ou expressão. Ex: “ Minuciosa formiga / Não tem que se lhe diga: / leva a sua palhinha / asinha, asinha ”. Alexandre O’Neill Anástrofe ou inversão - alteração da ordem comum das palavras numa frase, antepondo o determinante ao determinado. Ex: “ Estas sentenças tais o velho honrado estava / proferindo ” Luís de Camões Hipérbato - alteração da ordem canónica das palavras, para destacar uma delas ou uma expressão. Ex: “ Casos que Adamastor contou futuros ”. Luís de Camões Assíndeto - supressão de elementos de ligação (normalmente conjunções coordenativas copulativas) entre palavras ou frases, conferindo ao enunciado um ritmo rápido. Ex: “ Rola a chuva / rega a terra / rega o rio / rega a rua ”. Cecília Meireles Paralelismo - repetição de uma frase, de uma ideia ou de uma construção frásica. Ex: “ Tanto sonho! Tanta mágoa! Tanta coisa! Tanta gente! ” António Gedeão Enumeração - exposição sucessiva de elementos da mesma classe gramatical (predominantemente nome ou verbos), apresentados de acordo com uma determinada lógica, de modo a intensificar uma ideia. Ex: “ Mandei vir os ácidos, / as bases e os sais, /as drogas usadas […] ”. António Gedeão Polissíndeto - repetição propositada do elemento de ligação entre palavras ou frases (normalmente conjunção coordenativa), conferindo à frase ou verso um ritmo mais lento. Ex: “ Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos […] ”. Sebastião da Gama Epanalepse ou repetição - repetição de uma palavra ou expressão ao longo de um enunciado. Ex: “ Eu também tive um jardim / E o jardim tinha uma fonte. / Tinha um jardim lá no monte ”. Natália Correia Quiasmos - construção frásica segundo o esquema da letra X. A segunda parte da construção contém os mesmos elementos da primeira, mas inverte-se a ordem de apresentação. Ex: “ Paixão requer paixão, fervor e extremo; / Com extremo e fervor se recompensa ”. Bocage

Figuras fónicas

Aliteração - repetição de sons consonânticos semelhantes em momentos próximos da frase ou do verso, para reforçar o sentido e acelerar o ritmo. Ex: “ Olha a chuva que chega! / É a enchente. / Olha o chão que foge com a chuva ”. Cecília Meireles Assonância - repetição de sons vocálicos idênticos. Ex: “ Olha a bolha d’água no galho / Olha o orvalho! ”. Cecília Meireles

assumindo diversas modalidades: a causa pelo efeito; o concreto pelo abstrato; o autor pela obra; o instrumento pela pessoa; o conteúdo pelo continente. Ex: “[…]lia (os livros de) Proudhon, Augusto Comte, Herbert Spencer … ” Eça de Queirós uma intensificação da oposição, uma vez que os termos se excluem mutuamente. Ex: “ E como que sonhado, sem sonhar ” Miguel Torga Oxímoro - apresentação de uma ideia através do contraste entre duas características opostas da mesma realidade e forma mais intensa do que na antítese. Ex: “ Aquela triste e leda madrugada ” Luís de Camões Perífrase ou circunlóquio - apresentação de uma realidade de modo detalhado e descritivo, quanto poderia ser referida de modo mais sintético. Ex: “ A marcha escura, nítida e convexa, avançava, comia a luz imortal ”. (= eclipse do Sol) Eça de Queirós Personificação ou prosopopeia - atribuição de qualidades, sentimentos ou ações específicas dos seres humanos a seres inanimados, abstrações ou animais. Ex: “ O relógio persegue o tempo, admira-lhe a cor dos cabelos e a maneira certa de andar ”. João Pedro Mésseder Pleonasmo - repetição da mesma ideia por palavras ou expressões redundantes e desnecessárias, com o objetivo de a realçar. Ex: “ Vi claramente visto ” Luís de Camões Sinédoque - referencia ao significado de uma palavra através de outra(s) que com ele mantém uma relação de inclusão: a parte pelo todo; o género pela espécie; o singular pelo plural; a matéria pelo objeto; o traço físico pelo ser. Ex: “ ocidental praia lusitana ” (=Portugal) Luís de Camões Sinestesia - mistura de sensações que pertencem a sentidos diferentes. Ex: “ brancuras quentes ” (visual e táctil) Cesário Verde Trocadilho - emprego de palavras ou expressões dúbias, para jogar com o seu sentido. Ex: “ enfim, inda ao pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra ”. Padre António Vieira