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EUCALIPTO • OPORTUNIDADES PARA UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Índice
O Conselho de Informações sobre Biotecnologia ( www.cib.org.br ) é uma organização não-gover- namental e uma associação civil sem fins lucrativos e sem nenhuma conotação político-partidária ou ideológica. Seu objetivo básico é divulgar informa- ções técnico-científicas sobre a Biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema.
EXPEDIENTE Coordenadora-Geral: Alda Lerayer Editor Executivo: Antonio Celso Villari Redação: Débora Marques Consultores Técnicos: Dario Grattapaglia – Embrapa Giancarlo Pasquali – UFRGS Ismael Pires – UFV/SIF Luciana Di Ciero – USP/Esalq Abraf – Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura Apoio Operacional: Jacqueline Ambrosio Marina Lourenção Projeto Gráfico: Sérgio Brito Fotos: Celso Foelkel – Site: http://www.celso-foelkel.com.br Ipef – Instituto de Pesquisas Florestais
- Um pouco de história
- Origem 4
- Linha do tempo 4
- Cenário brasileiro 5
- Importância do setor florestal para o Brasil 5
- Genética
- Melhoramento convencional 6 e 7
- Como produzir um híbrido de eucalipto 6
- Aplicação da Biotecnologia 8
- Presente e futuro 8
- Segurança ambiental
- Biossegurança do eucalipto GM 9
- Principais questões avaliadas 10
- Normas para liberação planejada do eucalipto GM 10
- Eucalipto GM no Brasil
- Potencial econômico
- Competitividade do eucalipto no mercado mundial 12
- Produtividade: Brasil X mundo 13
- Aplicações
- Madeira, madeira roliça, madeira industrializada, 14 celulose e madeira serrada
- Etanol, folhas, flores, seqüestro de CO 2 e outras utilidades 15
- Mitos e verdades
- Principais questões sobre a produção de eucalipto 16 e 17
- Apêndice
- Tabelas com dados nacionais e internacionais 18 e 19
Um pouco de história
Origem
- O eucalipto é uma árvore nativa da Austrália, do Timor e da Indonésia, sendo exótico em todas as outras partes do mundo. Os primeiros plantios datam do início do sé- culo XVIII, na Europa, na Ásia e na África. Já no século XIX, começou a ser plantado em países como Espanha, Índia, Brasil, Argentina e Portugal (Pryor, 1976; FAO, 1981).
- As principais espécies cultivadas atualmente no Brasil incluem oEucalyptus grandis, oEucalyptus camaldulensis, oEucalyptus saligna e oEucalyptus urophylla, entre ou- tras. Além disso, foram desenvolvidos cruzamentos en- tre as espécies, resultando em híbridos, como é o caso doEucalyptus urograndis (E. grandis XE. urophylla).
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Linha do tempo
1868 Introdução do eucalipto no Brasil: as primeiras mudas da planta chegam ao Rio Grande do Sul;
- Engenheiro agrônomo, brasileiro, dedicou-se à silvicultura nacional e foi considerado o pioneiro do reflorestamento no Brasil.
1903 Edmundo Navarro de Andrade* dá início às pesquisas com o eucalipto na Companhia Paulista de Estradas de Ferro;
1950 O eucalipto passa a ser plantado para fornecer matéria-prima para o abastecimento das fábricas de papel e celulose;
1967 Com a demanda crescente de madeira no País, nasce o programa de incentivos fiscais;
1970/ O desenvolvimento de clonagem, ou propagação vegetativa, ganha escala comercial;
O Brasil é referência mundial na eucaliptocultura.
1990 - presente
Cenário brasileiro
O Brasil se destaca no cenário mundial por possuir excelente desempenho no setor flo- restal, fruto de nossas condições climáticas e da tecnologia desenvolvida pelas empre- sas e instituições de pesquisa do País. Como resultado, as taxas nacionais de crescimento do eucalipto são bastante superiores às observadas em outros países(ver gráfico, pág. 18). Além dos ganhos de produtivida-
Um pouco de história
- Em todo o mundo, as florestas planta- das ocupam apenas 4,8% da área flo- restal total, ou o equivalente a 187 mi- lhões de hectares;
- Da madeira consumida para fins in- dustriais, 65% ainda são explorados de florestas nativas;
- As florestas plantadas ocupam apenas 0,6% da superfície terrestre do Brasil, que, nesse parâmetro, fica atrás de paí- ses como China, Turquia, Japão e EUA, entre outros;
- O Brasil é o terceiro maior consumidor de madeira do mundo e, segundo a So- ciedade Brasileira de Silvicultura (SBS), apenas um terço dos 300 milhões de metros cúbicos de madeira consumidos por ano, no País, provém de áreas plan- tadas;
- Há potencial de uso do sistema agro- florestal (SAF) para garantir melhor apro- veitamento das áreas utilizadas na pro- dução de eucalipto com outras diferen- tes culturas, a exemplo de soja, feijão, mandioca e amendoim, entre outras, além de pastagens. Dessa forma, o pe- queno agricultor consegue diversificar sua atividade e ter um rendimento sus- tentável ao longo do tempo.
- Atualmente, as plantações de eucalipto no Brasil ocupam 3.751.867 hectares (Abraf, 2007). O setor florestal responde por 3,5% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) e gera 4,6 milhões de empregos diretos e indiretos. A exportação de produtos deri- vados de florestas plantadas, em 2007, so- mou US$ 6,1 bilhões, dos quais 70% fo- ram resultantes do cultivo de eucalipto. Toda essa cadeia é responsável por inúme-
Está mais do que na hora de o Brasil aproveitar todo o potencial que a eucaliptocultura pode oferecer
Além disso...
- São enormes os benefícios ambientais, sociais e econômicos que os plantios de eucalipto trazem para o Brasil. E eles po- derão ser ainda maiores. Estima-se que ainda exista uma fronteira agrícola con- siderável a ser desenvolvida no País – cerca de 90 milhões de hectares, de acor- do com o Ministério da Agricultura –, o que representa uma boa oportunidade de crescimento para o setor. Ocorre que a área do cultivo de eucalipto no Brasil é muito inferior às extensões plantadas com grandes culturas agrícolas.
Importância do setor florestal para o Brasil
de, a redução na rotação das florestas plan- tadas (colheita) propicia também a dimi- nuição dos custos dessa produção. O me- nor preço da madeira proveniente desse cultivo no Brasil, em relação aos demais paises do Hemisfério Norte, tem criado im- portantes vantagens comparativas e com- petitivas na cadeia de produtos florestais (ver tabela, pág. 19).
Saiba também que...
ros produtos essenciais ao bem-estar da so- ciedade, como papel para livros, cadernos, higiene pessoal e embalagens e madeira para fabricação de móveis, geração de ener- gia, carvão vegetal e construção civil, além de óleos essenciais com os quais são fabri- cados alimentos, produtos de limpeza, per- fumes e remédios, entre outras aplicações (Abraf 2007).
Genética
1. Aumento da produtividade total da floresta; 2. Melhor qualidade da madeira (densidade, tipo de fibra, teor de lignina e celulose) para aplicações industriais; 3. Maior homogeneidade da matéria-prima para a indústria; 4. Melhores rendimentos de operação (florestais e industriais); 5. Melhor aproveitamento de áreas de valor marginal (menos produtivas); 6. Melhor planejamento e prognóstico da produção; 7. Redução significativa dos custos de produção e do impacto ambiental do processo industrial.
Mudas de eucalipto selecionadas para a plantação
Matrizes de clones de eucalipto fornecem brotações utilizadas na produção de mudas
- Além de ter experimentado as vantagens da hibridação, o setor florestal brasileiro foi igualmente beneficiado pela possibilidade de propagação vege- tativa, ou clonagem, das melhores árvores de eucalipto. A clonagem de árvores “superiores”, provenientes de cruzamentos, e a utilização em larga escala dessa tecno- logia foram dois dos principais fatores que levaram o Brasil a alcançar reputação mundial na produção de eucalipto de alta qualidade e de baixo custo. Esse pro- cesso trouxe os seguintes benefícios:
Visão geral de um minijardim de clones de eucalipto selecionados, a partir dos quais se propagam milhões de mudas para plantio comercial
Aclimatação das mudas antes de seu plantio no campo
Aplicação da Biotecnologia
Genética
- Um novo desafio para o melhoramento do eucalipto está na integração da Biotecnologia a seu cultivo, o que compreende a identificação de genes controladores das características de importância econômica e ambiental e a transferência desses genes entre árvores por meio de cruzamento controlado ou modificação direcionada. O uso da Biotecnologia no melhoramento genético florestal envolve hoje, basica- mente, os métodos de cultura e propagação de plantas e tecidosin vitro e o emprego de marcadores moleculares.
- A geração de árvores geneticamente modificadas (GM) representa o próximo passo dessa evolução, na medida em que permite a criação de plantas de crescimento mais rápido ou ambientalmente mais econômi- cas, que dão origem a madeiras com características ainda mais adequa- das ao beneficiamento industrial e menos impactantes ao meio am- biente. Essa tecnologia possibilita também a obtenção de árvores mais resistentes a doenças e pragas e mais tolerantes a diversos tipos de estresse, como a seca e o frio. Ao contrário do que ocorre nas culturas agrícolas, nas quais os genes provêm de outros organismos, as espécies de eucalipto GM têm sido desenvolvidas com genes encontrados no próprio gêneroEucalyptus, dada sua ampla variabilidade.
- À semelhança do que se observa em culturas agrí- colas, uma nova revolução está ocorrendo no setor florestal. Tal movimento deriva da utilização de fer- ramentas da Biotecnologia disponíveis em diversos laboratórios de pesquisa e produção do Brasil e do mundo.
- Novas características, a exemplo do maior rendi- mento industrial, estabelecem a realidade recente da produção florestal brasileira. As características de interesse são obtidas por melhorias introduzidas nas fibras, nas composições químicas e nas proprieda- des físicas da madeira, favorecendo o crescimento volumétrico, a tolerância a estresses ambientais (frio, salinidade e estresse hídrico), a resistência a pragas e doenças e o uso racional dos recursos naturais.
Presente
- A Biotecnologia também criará oportunidades ambientais significativas, uma vez que processos in- dustriais serão beneficiados pelo menor emprego de recursos químicos e energéticos, assim como pela redução das emissões de efluentes e da produção de resíduos.
- Uma vez que a Biotecnologia permite produzir maior quantidade de madeira, de melhor qualidade, em espaços cada vez menores, será possível reduzir significativamente a extensão da área plantada.
- Áreas de baixa produtividade, de encostas e de uso restrito para o plantio de outras culturas agríco- las poderão ser efetivamente utilizadas para o culti- vo de eucalipto, trazendo retorno ambiental e a re- cuperação do valor investido pelo produtor.
- Produtos antes inimagináveis mudarão, em breve, os conceitos de produção e emprego da floresta plan- tada. Um exemplo são os combustíveis “limpos”, como o etanol celulósico. Uma nova fronteira está aberta e o Brasil poderá ser, mais uma vez, um país pioneiro.
Futuro
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Principais questões avaliadas
Segurança ambiental
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Fluxo gênico
- Como o eucalipto é uma planta exótica no Brasil e nas Américas, não existe, no continente americano, nenhuma espécie nativa com capacidade de cruzar naturalmente com essa árvore.
- A germinação espontânea do eucalipto nos cam- pos, nas florestas nativas e nas florestas plantadas ocorre muito raramente, pois suas sementes são muito pequenas e sensíveis ao ambiente, além de possuírem baixíssima reserva energética e resistên- cia. Adicionalmente, os tratos normais das áreas plan- tadas com eucalipto eliminam as mudas não-inten- cionais ainda em estágios iniciais de formação.
Eucalipto e biodiversidade
- Para variedades de eucalipto GM, as análises de biossegurança seguem os mesmos princípios das ava- liações de culturas agrícolas geneticamente modifi- cadas, ou seja, são feitas caso a caso, e vêm mos-
trando que essas árvores não oferecem maiores ris- cos do que as variedades convencionais quando o assunto é biodiversidade.
- Com o desenvolvimento do melhoramento gené- tico do eucalipto, seja o convencional, seja o feito por ferramentas da Biotecnologia, é possível obter materiais de maior produtividade e qualidade. Des- sa forma, pode-se diminuir a pressão sobre as flo- restas nativas e outros ecossistemas naturais, tor- nando produtivas áreas degradadas ou, então, des- tinando-as à conservação.
Resistência a pragas e a doenças
- As variedades GM de espécies arbóreas têm sido avaliadas quanto aos aspectos de suscetibilidade a pragas e a doenças. Até o momento, os estudos cien- tíficos realizados mostram que essas plantas não são mais vulneráveis do que outras variedades conven- cionais já existentes.
Normas para
liberação planejada
do eucalipto GM
no Brasil
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) estabeleceu regras claras para a instalação de experimentos de eucalipto GM no Brasil. Tais normas garantem a biossegurança das pesquisas, antes de sua aprovação comercial. Entre outras questões, as regras determinam a distância de isolamento da área experimental em relação aos pomares de sementes de polinização aberta, que deve ser de mil metros.
Sistema de irrigação de clones de eucalipto em viveiro, durante processo de aclimatação
Normas estabelecidas pela CTNBio para a instalação de experimentos de eucalipto GM garantem a biossegurança das pesquisas, antes da aprovação comercial
Eucalipto GM no Brasil
Aprovações
- A aprovação para experimentação progride, em- bora de forma ainda limitada. Entre 1999 e 2007, 11 processos para liberação planejada em campo passaram pela CTNBio. Desses, seis estão efetiva- mente aprovados, três ainda tramitam e dois foram indeferidos exclusivamente em decorrência da alte- ração da Lei no^ 8.974/95 para a Lei n o^ 11.105/05, que limitou o uso de algumas tecnologias. Dos seis projetos aprovados, cinco já se encontram em de- senvolvimento.
- É evidente que a falta do teste de campo impossi- bilita a avaliação dos benefícios e possíveis outras considerações relacionadas às espécies florestais ge- neticamente modificadas.
- Portanto, faz-se necessária uma maior agilidade no processo de aprovação dos pedidos de liberação planejada envolvendo eucaliptos geneticamente mo- dificados, uma vez que, sem essas pesquisas, a so- ciedade não poderá tomar conhecimento e usufruir dos benefícios da Biotecnologia na área florestal – um dos poucos segmentos em que o Brasil ainda figura como um dos líderes mundiais.
É necessária uma maior agilidade no processo de aprovação, pois, sem as pesquisas, não há como conhecer e utilizar os benefícios da Biotecnologia na área florestal
Potencial econômico do eucalipto
Fonte: Abraf, 2006
- O gêneroEucalyptus encontrou, no Brasil, as con- dições ideais para seu crescimento. A produtividade desses plantios em terras brasileiras chega a ser até dez vezes superior à de países como Finlândia, Por- tugal e Estados Unidos. Em algumas empresas flo- restais do País, que, na década de 70, produziam uma média de 20 m 3 /ha/ano, hoje é possível atingir de 40 m 3 /ha/ano a 50 m 3 /ha/ano com o uso de ma- terial genético melhorado e das tecnologias atual- mente disponíveis. Já não é mais surpresa ver, no Brasil, áreas produzindo em torno de 70 m^3 /ha/ano. Mesmo em comparação com a Austrália, país de ori- gem da espécie, a produtividade brasileira é muito superior, o que se atribui às nossas condições climá- ticas e aos investimentos em melhoramento genéti- co e em tecnologias de silvicultura(gráfico 1).
- Apesar de as perspectivas no comércio internacio- nal serem bastante promissoras, muito ainda preci- sa ser feito em tal direção, mesmo porque outros países têm procurado abocanhar fatias desse mer- cado e, assim, ameaçam uma provável hegemonia brasileira. É o caso da China, da Índia e da Indonésia. Daí a necessidade de o setor florestal brasileiro não se acomodar e continuar avançando de forma efeti- va e sustentável, como sempre fez. Entre as oportu- nidades de avanço para a silvicultura do País está o emprego cada vez maior e mais racional da Biotecnologia Florestal.
Produtividade: Brasil X mundo
Gráfico 1 – Comparação entre a produtividade do eucalipto no Brasil, na Austrália e nos EUA
0
10
20
30
40
BRASIL
m^3 /ha/ano
AUSTRÁLIA SUL DOS EUA
Eucalipto e seus derivados
Aplicações
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Celulose
- Papéis diversos (cadernos, jornais, livros e revistas)
- Absorvente íntimo
- Papel higiênico
- Guardanapo
- Fralda descartável
- Viscose e Tencel®^ (roupas)
- Papel celofane
- Filamento (pneu)
- Acetato (filmes)
- Ésteres (tintas)
- Cápsulas para medicamentos
- Espessantes para alimentos
- Componentes eletrônicos
Produção de etanol celulósico
- Há vários estudos sobre o uso de espécies florestais – como eucalipto e pínus – para a produção do etanol. Quando comparado com outras culturas, o eucalipto tem se mostrado bem mais eficiente para essa finalidade.
Madeira redonda
- Madeira roliça
- Esteios para minas
- Vedações
- Postes de redes telefônicas, telegráficas e elétricas, tanto na Austrália como em outros países
- Estacaria, usada para fundações de edifícios, pontes e portos, entre outros
Madeira industrializada
- Painéis de madeira reconstituída (MDP*, MDF, HDF e OSB)
- Painéis colados lateralmente (EGP) e compensados
Madeira serrada
- Tanoaria, usada na indústria de barris e tonéis
- Embalagens e caixotaria
- Dormentes de ferrovia
Madeira
- O principal produto do eucalipto é a madeira, que tem inúmeras aplicações:
- combustível
- carvão
- estacaria para vedações
- postes telegráficos
- dormentes de ferrovia
- esteio para minas
- estacaria para fundações
- celulose
- painéis de madeira reconstituída (MDP*, MDF, HDF e OSB)
- construção civil
- caixotaria
- marcenaria
- tanoaria (tonéis e barris)
- O aglomerado é chamado de MDP, sigla de painéis de madeira de média densidade.
O eucalipto provoca a redução da biodiversidade?
- Uma das principais preocupações do se- tor florestal é o equilíbrio ambiental entre áreas de produção e reservas naturais para a preservação da flora e da fauna. As flo- restas plantadas são consorciadas com re- servas nativas, somando aproximadamen- te 3 milhões de hectares preservados. Esse consórcio permite formar, em muitos casos, verdadeiros corredores ecológicos que pro- movem a variedade da flora e da fauna, protegem a qualidade da água e assegu- ram a sustentabilidade das áreas cultiva- das, constituindo-se num recurso natural e renovável.
- Um importante benefício da cultura do eucalipto, além de reduzir a necessidade de desmatamento das florestas naturais, é co- laborar para minimizar o aquecimento global. Isso porque as árvores plantadas são mais eficientes que muitas plantas nativas na retirada do gás carbônico (CO 2 ) da at- mosfera, o principal responsável pelo efei- to estufa.
As plantações de eucalipto secam o solo?
- Comparações entre espécies de eucalipto e outras essências florestais mostram que, no Brasil, as florestas plantadas consomem menos água que as matas nativas. Tal evi- dência é bastante consistente e se baseia em inúmeros resultados experimentais. Em relação a outras culturas agrícolas, a efi- ciência do eucalipto no aproveitamento da água garante maior produtividade a seu cultivo.
Mitos e verdades
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Principais questões sobre a produção de eucalipto
RIO LENÇOL FREÁTICO
Pesquisas demonstram que as raízes do eucalipto apresentam, em média, 2,5 m de profundidade. O consumo de água dessa árvore é semelhante ao de diversas espécies florestais encontradas em matas nativas.
20/30 m
- O consumo de água pelas florestas plan- tadas aumenta na época das chuvas, quan- do o volume hídrico no solo é elevado e suficiente para suprir os mananciais. Con- tudo, nos períodos em que o solo está mais seco, a perda de água pela transpiração das árvores diminui consideravelmente.
- A folhagem do eucalipto retém menos água das chuvas do que as árvores das matas tropicais, que possuem copas mais amplas. Por isso, nas áreas plantadas, um volume pluviométrico maior vai direto para o solo, ao passo que, na mata tropical nati- va, a água retida nas copas evapora.
CONSUMO MÉDIO DE ÁGUA EM DIFERENTES TIPOS DE FLORESTA
Amazônia: 1.500 mm/ano
O eucalipto precisa de muita água para sobreviver?
- Estudos científicos recentes têm mostra- do que não há muita diferença entre o con- sumo de água de diversas espécies flores- tais e o eucalipto durante sua fase de cres- cimento. Já em comparação com a agricul- tura, ele apresenta consumo hídrico pare- cido com o do café e inferior ao da cana- de-açúcar.
- Em países com pouca água disponível, como Espanha, Itália, Israel e Marrocos, grandes extensões vêm sendo usadas, sem problemas, para o plantio de eucalipto. Em Israel, aliás, o cultivo dessas espécies por cerca de 20 a 30 anos permitiu que áreas de deserto hoje sejam utilizadas para a agri- cultura.
Eucalipto e consumo de água
Mata Atlântica: 1.200 mm/ano
Plantação de eucalipto: de 900 a 1.200 mm/ano Fonte: VCP
Cana-de-açúcar 100-2.
Quantidade de água necessária durante um ano, ou ciclo, da cultura
Obs.: Cada milímetro corresponde a um litro por metro quadrado. Fonte: Calder et al., 1992, e Lima, W. De P., 1992
Cultura Consumo de água (mm)
Café 800-1.
Eucalipto 800-1.
Cítrus 600-1.
Milho 400-
Feijão 300-
Cerrado 1 kg de madeira / 2.500 L
Comparação entre o consumo de água do eucalipto e o de outras culturas
Fonte: Novais et al., 1996
Cultura/cobertura Eficiência do uso de água
Batata 1 kg de batata / 2.000 L
Milho 1 kg de milho / 1.000 L
Cana-de-açúcar 1 kg de açúcar / 500 L
Eucalipto 1 kg de madeira / 350 L
O eucalipto empobrece o solo?
- Por ter um ciclo de aproximadamente sete anos, o eucalipto provoca menor perda do solo e o protege por mais tempo que a agri- cultura, cujos ciclos são anuais.
- Pesquisas independentes já mostraram os efeitos benéficos do eucalipto sobre diver- sas propriedades do solo, como estrutura, capacidade de armazenamento de água, drenagem e aeração, entre outras.
- Quase tudo que tira do solo, o eucalipto devolve. Após a colheita, cascas, folhas e galhos, que concentram 70% dos nutrien- tes da árvore, permanecem no local e in- corporam-se à terra como matéria orgâni- ca. Além de contribuir para a reposição (ciclagem) de nutrientes, essa espessa ca- mada de resíduo florestal ajuda a contro- lar a erosão.
O cultivo do eucalipto requer grande volume de defensivos agrícolas?
- Resultados de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Viçosa (MG) apontam que a utilização de defensivos agrícolas pelo setor florestal é reduzida em comparação com a da agricultura. Em cul- turas agronômicas, o consumo de ingre- diente ativo por unidade de área pode su- perar em até cem vezes a demanda dos plantios de eucalipto, que, com o uso efi- ciente da resistência genética e de outras medidas de manejo integrado, tem garan- tido a proteção florestal com baixa utiliza- ção de defensivos agrícolas. Além disso, a aplicação de técnicas eficientes de contro- le biológico, como o uso de organismos vi- vos para o controle de pragas, reduz o con- sumo de produtos químicos e se mostra efi- ciente.
A silvicultura diminui os empregos no campo?
- O plantio de eucalipto é responsável pela geração de empregos diretos e indiretos em empresas florestais, particularmente em re- giões pobres, dando oportunidade a um grande contingente de pessoas sem pers- pectivas de trabalho. O fomento florestal, por sua vez, tem sido apontado como uma tendência de organização de um novo mo- delo de produção, que sai do domínio ex- clusivo das grandes empresas, criando as- sim uma fonte de renda para a agricultura familiar.
- São inúmeras as formas de contabilizar as riquezas geradas nas comunidades pró- ximas ao cultivo do eucalipto. Entre elas, empregos diretos e indiretos, recolhimento de impostos, investimentos em infra-estru- tura, consumo de bens de produção local, incentivo a diversos tipos de novos negó- cios, incluindo plantios em áreas improdu- tivas, e iniciativas na área social, a exem- plo de novas unidades escolares e de saú- de, que levam cidadania a regiões antes es- quecidas.
Tabela 1 – Vantagens comparativas e competitivas do setor de florestas plantadas no Brasil
Vantagens comparativas Vantagens competitivas
- Disponibilidade de áreas • Tecnologias aprimoradas para expansão florestal de silvicultura
- Condições climáticas tropicais • Melhoramento genético criativo e avançado
- Alto índice de insolação • Clonagem eficiente de árvores superiores
- Chuvas bem distribuídas ao • Qualificação de profissionais e longo do ano em várias áreas cientistas na área florestal
- Menores custos de produção • Práticas de gerenciamento e integração floresta-indústria Fonte: Dario Grattapaglia
Tabela 2 – Países com maiores plantios florestais País Superfície Total de Florestas % de florestas plantadas % de florestas plantadas terrestre florestas plantadas em relação ao em relação à área da (1.000 ha) (1.000 ha) (1.000 ha) total de florestas superfície terrestre China 932.743 163.480 45.083 27,6% 4,8% Índia 297.319 64.113 32.578 50,8% 11,0% Rússia 1.688.851 851.392 17.340 2,0% 1,0% Estados Unidos 915.895 225.993 16.238 7,2% 1,8% Japão 37.652 24.081 10.682 44,4% 28,4% Indonésia 181.157 104.986 9.871 9,4% 5,4% Brasil 845.651 543.905 4.982 0,9% 0,6% Nova Zelândia 26.799 7.946 1.542 19,4% 5,8% Chile 74.881 15.536 2.017 13,0% 2,7% Canadá 922.097 244.571 0 0,0% 0,0% Austrália 768.230 154.539 1.043 0,7% 0,1% Tailândia 51.089 14.762 4.920 33,3% 9,6% Ucrânia 57.935 9.584 4.425 46,2% 7,6% Irã 162.201 7.299 2.284 31,3% 1,4% Demais países 6.101.400 1.437.268 33.728 2,3% 0,6% TOTAL 13.063.900 3.869.455 186.733 4,8% 1,4% Fonte: FAO Forestry Department, 2005
Abraf – Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas www.abraflor.org.br
ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel www.abtcp.org.br
ACR – Associação Catarinense de Empresas Florestais www.acr.org.br
Ageflor – Associação Gaúcha de Empresas Florestais www.ageflor.com.br
AMS – Associação Mineira de Silvicultura www.silviminas.com.br
ANBio – Associação Nacional de Biossegurança www.anbio.org.br
Bracelpa – Associação Brasileira de Celulose e Papel www.bracelpa.org.br
Braspov – Associação Brasileira de Obtentores Vegetais www.abrasem.com.br
Céleres – Consultoria Empresarial www.celeres.com.br
CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança www.ctnbio.gov.br
Embrapa Cenargen www.cenargen.embrapa.br
Embrapa Florestas www.cnpf.embrapa.br
Esalq/USP – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz www.esalq.usp.br
Florestar São Paulo www.floresta.org.br
MAIO / 2008
Fupef – Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná www.floresta.ufpr.br/fupef/ IAC – Instituto Agronômico de Campinas www.iac.sp.gov.br Iapar – Instituto Agronômico do Paraná www.iapar.br IFB – Institute of Forest Biotechnology www.forestbiotech.org Ipef – Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais www.ipef.br Reflore MS – Associação Sul-Matogrossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas www.reflore.com.br SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura www.sbs.org.br SIF – Sociedade de Investigações Florestais www.sif.org.br Ufla – Universidade Federal de Lavras www.ufla.br UFPR – Universidade Federal do Paraná www.ufpr.br UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul www.ufrgs.br UFV – Universidade Federal de Viçosa www.ufv.br Unesp – Universidade Estadual Paulista www.unesp.br
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