Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Guia Silagem, Notas de estudo de Agronomia

Guia para produzir silagem

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 03/01/2014

mateus-valdir-muller-6
mateus-valdir-muller-6 🇧🇷

4.6

(179)

591 documentos

1 / 22

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
GuiadoCampo
Sementes Agroceres
Milho&Sorgo
GuiadoCampo
Sementes Agroceres
Milho&Sorgo
SILAGEM
0800 156265
www.sementesagroceres.com.br
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Guia Silagem e outras Notas de estudo em PDF para Agronomia, somente na Docsity!

Guia do Campo

Sementes Agroceres

Milho

Sorgo

Guia do Campo

Sementes Agroceres

Milho

Sorgo

S I L A G E M

www.sementesagroceres.com.br

tem exigido adequado manejo alimentar, para melhor atender os mais exigentes requerimentos nutricionais. Em decorrência da distribuição irregular de forragem, durante o ano na região central, ocasionada por fatores climáticos e pela diversidade de forragens durante o inverno na Região Sul, torna-se indispensável um adequado planejamento alimentar, tanto na

conservação de volumosos de alto valor nutritivo, especialmente silagem de milho e de sorgo, quanto de alimentos concentrados energéticos, pela elevada participação em rações. Nesse caso, destaca-se também a silagem de grão úmido por ser a forma mais eficiente e econômica de conservação de grãos de cereais para a alimentação animal.

No Brasil, pela tradição dos colonizadores em agricultura, a pecuária de corte e a de leite têm sido sempre relegadas às áreas de solo de baixa fertilidade ou de topografia imprópria à mecanização que, aliada à criação de raças não selecionadas para precocidade, tem refletido no alongamento do ciclo reprodutivo do rebanho, resultando em baixos índices de desfrute.

Com a globalização do mercado, a pecuária vem sofrendo profundas modificações no sentido de atingir índices mais competitivos, principalmente nas regiões de terras mais valorizadas, ante a outras alternativas do uso do solo. As técnicas de inseminação artificial e de transplante de embriões permitiram grandes avanços na qualidade genética do rebanho, o que paralelamente

A conservação de plantas forrageiras através da ensilagem é um processo muito antigo. Pinturas encontradas no Egito ilustram que os habitantes daquela região conheciam a técnica no período de 1.000 a 1.500 a.C., entretanto, os primeiros ensaios técnicos foram realizados no século XIX, na França e Alemanha, quando foi possível armazenar com sucesso o milho em fossos cavados no solo.

Apesar do conhecimento antigo da ensilagem como técnica de conservação, a mesma se tornou popular apenas no fim do século XIX quando, em 1877, o fazendeiro, francês A. Goffart, publicou o primeiro livro sobre o tema com base na sua experiência de ensilagem de milho. Um ano depois, aproximadamente, uma tradução inglesa do seu livro foi publicada nos Estados Unidos, quando a técnica de preservação foi rapidamente assimilada pelos fazendeiros americanos.

No Brasil não se tem idéia exata da introdução da ensilagem, mas é provável que ela tenha sido iniciada já no fim do século XVIII. Uma publicação de 1913 descrevia o processo com a afirmação de que “para nós a ensilagem não representa tão grande valor, porque mais ou menos durante o inverno – o clima de nosso país é ameno –, pode-se conseguir alimentos verdes e forragens substanciais por meio da cultura”.

Entretanto, a produção de inverno de qualquer planta forrageira é em torno de 10 a 20% da produção anual, tornando indispensável a conservação de forragem de qualidade para a adequada alimentação dos animais durante o ano todo.

O processo de expansão da ensilagem teve seu início no fim da década de 1960, graças aos esforços de órgãos de extensão rural, fundações, universidades e departamentos técnicos de grandes cooperativas, resultando no começo dos trabalhos experimentais sobre os processos fermentativos. Nesse caso, o milho e o sorgo foram utilizados com sucesso por serem plantas de alta produção de volumoso e de grãos, conferindo à silagem um alto valor energético.

A silagem de plantas de milho ou sorgo no Brasil passou por 4 fases tecnológicas distintas, de acordo com a evolução do mercado:

  • Na primeira foi dada ênfase à maior produção de volume de massa verde, como meio de obtenção de muito alimento a custo baixo e/ou para suprir as necessidades da época da seca no período do inverno no Brasil central.
  • Na segunda fase, com o incremento do nível genético do rebanho, iniciou-se a busca por silagem de melhor qualidade, visando economia no uso de concentrados energéticos, na dieta animal que tinha o custo elevado. Todavia, sem conhecer a qualidade da forragem das plantas, foi dado enfoque à maior

Processo de ensilagem - Histórico

participação de grãos como meio de melhoria da qualidade da silagem. Esta afirmação baseia-se em estudos das décadas de 1960 e 1970, demonstrando que os grãos são mais digestíveis – 85,8%. Já as folhas têm índice de digestibilidade de 61,2% e o colmo de 48,2%.

  • Na terceira fase, pode-se combinar as duas situações com o conhecimento da fração forragem das plantas. Estudos recentes demonstraram que híbridos que possuem alta digestibilidade da fração verde da planta, combinados com a alta produtividade de grãos, resultavam em silagem de melhor qualidade, independentemente da contribuição das partes da planta na composição da silagem.
  • Na quarta fase, segundo trabalhos pioneiros realizados por pesquisadores na França (Tabela 1) e no Brasil (Tabela 2), a textura dos grãos influencia significativamente a sua digestibilidade, sendo os grãos tipo mole ou dentado, de maior digestibilidade do que os do tipo duro (que mostraram alta taxa de passagem pelo trato digestivo, resultando em significativas perdas de amido nas fezes dos animais, principalmente quando cortados em estágios mais avançados de maturidade).

Assim, nos próximos anos, os híbridos recomendados para silagem de planta inteira serão mais específicos e diferentes daqueles que buscamos atualmente para grãos. Híbridos de grãos duros alaranjados com alta resistência ao acamamento podem apresentar altos níveis de lignina ou fibras, podendo resultar em menor digestibilidade da fração verde e do amido.

Dentado Duro Mat. Seca Amido

Textura do Grão Parâmetros

Fração rapidamente Degradável (%) Degradabilidade Efetiva (%)

Tabela 1. Influência da textura de grão de milho Dentado x Duro, na degradação ruminal da matéria seca e do amido.

Mat. Seca Amido 13,

42,

Adaptado de Philippeau et alii 1999.

Os trabalhos indicam que os híbridos de grãos duros possuem digestibilidade semelhante à dos dentados até a fase de linha de leite na metade do grão, entretanto, a redução na digestibilidade ocorre quando a linha de leite passa da metade até a maturidade fisiológica indicando uma menor “janela de colheita”. Esse fato deve-se à formação de uma densa matriz protéica de baixa digestilibilidade em volta do amido muito comum em grãos tipo duros.

A ensilagem de grãos úmidos de cereais é um processo mais recente. Os primeiros trabalhos científicos que evidenciaram o aumento na eficiência alimentar em animais que receberam silagem de grãos de alta umidade, tanto de milho quanto de sorgo, datam do fim da década de 1950. Nos Estados Unidos, na década de 1970 a silagem de grão úmido de milho já era um procedimento rotineiro para muitos confinadores de ruminantes e monogástricos.

No Brasil, a silagem de grão úmido de milho foi introduzida a partir de 1980, na região de Castro - PR, sendo inicialmente utilizada na alimentação de suínos e mais tarde na alimentação de bovinos leiteiros e de corte. Entretanto, as primeiras publicações científicas brasileiras datam da década de 1990, período no qual a tecnologia foi definitivamente aceita pelo setor produtivo nacional.

O conceito da silagem

Silagem é o produto oriundo da conservação de forragens úmidas (planta inteira) ou de grãos de cereais com alta umidade (grão úmido) através da fermentação em meio anaeróbico, ambiente isento de oxigênio, em locais denominados silos.

A silagem de planta inteira (volumoso energético) é um alimento distinto da silagem de grão úmido (concentrado energético). Portanto, são alimentos complementares e não substitutivos.

Na alimentação de ruminantes (bovinos de leite e de corte, bubalinos e ovinos), a silagem de grãos úmidos, por ser uma alternativa de um alimento com concentrado energético, complementando a silagem de planta inteira, que é o volumoso, resulta em uma dieta eficiente e de menor custo.

Na alimentação de monogástricos (suínos, aves e eqüinos) a silagem de grão úmido substitui total ou parcialmente os grãos de cereais, que tradicionalmente são conservados na forma de grãos secos.

Tabela 2. Degradação ruminalin Situ dos grãos de milho tipo Dentado e Duro em 3 estágios de maturidade.

% Degradabilidade 24h

% Resíduo 72h

Textura de grão*

Duro (formação grão) Duro (1/2 linha leite) Duro (maturação fisiológica) Dentado (formação grão) Dentado (1/2 linha leite) Dentado (maturação fisiológica)

% Vitreosidade % Matéria Seca 59, 67, 74, 38, 46, 47,

*Grãos Flint/Duro (AG 9010, TORK) e Grãos Dentados (AG 1051 e AG 4051). Fonte: Celestine, G.A. et alii, 2001, Universidade Federal de Lavras, Lavras - MG.

7

Silo grão úmido Concentrado energético Ruminantes (corte/leite) Monogástricos

Silo planta inteira Alimento volumoso Ruminantes (corte/leite)

Segundo o pesquisador Marcos Neves, da Universidade Federal de Lavras, silagem não é fonte de proteínas, minerais e gorduras (aproximadamente 15% da matéria seca), mas sim de fibras, carboidratos (amido) e açúcares (85% da matéria seca). Desse modo, se quisermos desenvolver híbridos mais específicos para silagem, no futuro, deveremos selecionar melhor em digestibilidade das fibras e do amido dos grãos, atuando em quantidade e textura de grãos mais dentados.

O milho é considerado a “cultura-padrão” para a produção de silagem, entretanto, em condições adversas de clima ou em épocas de plantio tardio, o milho perde desempenho e qualidade onde, neste caso, o sorgo silageiro é considerado como cultura-padrão e complementar ao milho. Veja os resultados comparativos na Tabela 3.

O sorgo tem sido desenvolvido para silagem e atualmente apresenta condições semelhantes às do milho através da introdução de caracteres genéticos como o colmo seco, a alta produtividade de grãos e o aumento da digestibilidade, além de permitir a elaboração de dietas mais econômicas e a possibilidade de mais um corte. O sorgo também é recomendado, próximo aos grandes centros, onde existe o risco de roubo de espigas, comprometendo o valor da silagem do milho.

O amido dos cereais é digerido no rúmen pelas bactérias e, no intestino, pelas enzimas digestivas. No rúmen, o amido é utilizado muito mais como substrato para as bactérias crescerem e se proliferarem, enquanto no intestino é fonte primária de energia para o animal. Além disso, cerca de 65% da energia de um bovino advém da produção de ácidos graxos voláteis, resultantes da fermentação e da digestão do amido no rúmen.

Tabela 3. Comparativo de qualidade de silagem de milho e sorgo* sob situação normal e de estresse.**

MS - Matéria Seca FDN - Fibra Detergente Neutra FDA - Fibra Detergente Ácida DIG - Digestibilidade (in vitro) LIG - Lignina NDT - Nutrientes Digestíveis Totais CV - Consumo Voluntário IMS/d - Ingestão Matéria Seca/diária IE - Índice Energético PV - Peso Vivo

MS

Qualidade t/ha % Milho silagem Situação favorável Situação desfavorável Sorgo porte alto

17, 15, 20,

FDN 47 58 57

FDA 27 34 33

DIG 67 62 63

LIG 4, 7, 5,

NDT 68 63 65

CV 2, 2, 2,

IMS/d

Qualidade Ex. Vaca 500kg PV Milho silagem Situação favorável Situação desfavorável Sorgo porte alto

MS

Qualidade t/ha Litros Milho silagem Situação favorável Situação desfavorável Sorgo porte alto

17, 15, 20,

NDT 11, 9, 13,

Leite/ha

*Média de 8 híbridos de milho: **Média sorgo forrageiro Volumax.

12, 10, 10,

IE 2, 1, 1,

Lt. Leite/cab. 25, 19, 20, Fonte: Departamento de Desenvolvimento de Produtos Sementes Agroceres, 2002.

Práticas de implantação e tratos culturais para os híbridos de milho e de sorgo destinados à produção de silagem devem ser rigorosamente respeitados, tendo em vista que irão refletir na quantidade e na qualidade da silagem produzida, conseqüentemente na economia do processo.

A extração de nutrientes é maior quando a cultura é destinada à produção de silagem em relação à produção de grãos, pela retirada total da parte aérea (Tabela 4). Portanto, a reposição dos nutrientes deve ser feita de forma criteriosa com base na análise de solo, atendendo às relações ideais entre os nutrientes no complexo coloidal do solo e nos níveis de produtividade pretendidos (Tabelas 5 e 6). Por causa da alta extração de potássio devemos procurar manter uma relação Nitrogênio e Potássio aplicado próximo de 1:1.

Adubação do milho e do sorgo para produção de silagem.

Tabela 4. Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e de silagem em razão de diferentes níveis de produtividade. Produtividade (t/ha) (^) N P K Tipo de exploração Nutrientes extraídos

Grãos

Silagem (matéria seca)

3, 5, 7, 9, 10, 11, 15, 17, 18,

77 100 167 187 217 115 181 230 231

9 19 33 34 42 15 21 23 26

83 95 113 143 157 169 213 259 271 Fonte: Coelho et alii (dado não-publicado): citado por Coelho e França (1995).

Percentuais ideais e equilíbrio de elementos no solo para silagem:

P: 15 a 20 mg/dm^3 (Melich) K: 5% da CTC Ca: 45 a 50% da CTC Mg: 12 a 15% da CTC H + Al < 20% da CTC V (saturação de base) = 70%

CTC = Capacidade de Troca de Cátions Fonte: Mcleam (1984); citado por Corsi e Nussio (1992).

Ca Mg 10 17 27 30 32 35 41 52 58

10 17 25 28 33 26 28 31 32

Outro fato interessante a ser considerado é a altura de corte das plantas. Estudos demonstram que aumentando a altura de corte das plantas de 10 cm para 50 cm, pode-se reduzir a extração de potássio em mais de 40%, além de melhorar a digestibilidade e o valor energético da silagem.

Cerca de 80% do Potássio (K), mais de 50% do Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg) ficam nos restos culturais, portanto, quando se faz a silagem deve-se repor maiores quantidades desses elementos.

Reconheça a deficiência de Potássio, conhecida como “queima dos bordos” e presente nas folhas baixeiras da planta, muito comum em áreas de silagem de média a baixa fertilidade do solo quando se utiliza adubação convencional para grãos. Veja as figuras a seguir:

  • Índices Baixo, Médio e Alto se referem aos resultados de análise do solo a ser avaliado.

Tabela 5. Recomendação de adubação da cultura do milho para silagem para o Estado de Minas Gerais.

Plantio

**N P 2 O 5 K 2 O N *Baixo *Médio *Alto *Baixo Médio Alto Cobertura

Nutrientes (kg/ha) Produtividade matéria verde(t/ha) 30 a 40 40 a 50

50

1 0 a 20 1 0 a 20 1 0 a 30

80 100 120

60 80 100

30 50 70

100 140 180

80 120 180

40 80 160

80 130 180 Fonte: 5O Aproximação – EPAMIG/EMBRAPA.

Tabela 6. Recomendação de adubação da cultura do milho e do sorgo para silagem para o Estado de São Paulo.

Plantio

**N P 2 O 5 K 2 O N *Baixo *Médio *Alto *Baixo Médio Alto Cobertura

Nutrientes (kg/ha) Produtividade matéria verde(t/ha)

20 a 30 30 a 40 40 a 60

10 20 30

60 80 90

40 60 80

20 20 20

50 50 50

40 50 50

20 20 30

40 60 90 Fonte: Adaptado Boletim Técnico, 100, IAC, 1996.

Deficiência de potássio em folhas e espigas de milho e sorgo

Escalonamento da semeadura e programação do corte da forragem para

ensilagem

Atenção especial deve ser dada ao escalonamento de áreas para ensilagem, seja em áreas separadas ou grandes áreas. Deve-se plantar híbridos recomendados de pelo menos 2 ciclos de maturação diferentes, como meio de redução de risco e aumento na janela de corte. Muitos estudos têm apontado relações aproximadas de 40% de híbridos de ciclos precoces e 60% de híbridos de ciclos semiprecoces.

Abaixo a relação da faixa de período de colheita ideal média (em dias) das Sementes Agroceres recomendada para silagem no Sul e Centro do Brasil:

AG 4051 AG 1051 AG 5011 AG 7000 AG 2040 AG 2060 AG 122

2

Número de dias propício ao corte* Híbridos Ponto de ensilagem 4 6 8 10 110-120 DIAS 110-120 DIAS 105-115 DIAS 105-115 DIAS 105-115 DIAS 105-115 DIAS 100-110 DIAS

  • 32 a 37% MS. Fonte: Departamento de Desenvolvimento de Produtos - Sementes Agroceres, 2004.

Número de dias insuficiente para colheita Número de dias limitado para colheita Número de dias ideal para colheita

Vejam os exemplos a seguir:

A) Cálculo da necessidade de silagem por cabeça:

Para este cálculo deve ser considerada a proporção de volumoso concentrado empregado nas dietas (Tabela 11). Levar também em consideração peso e estágio de produção animal. (Tabelas 7, 8, 9 e 10).

Exemplo: Animais de média performance, 500 kg de peso vivo e produção de 20 kg leite/dia.

Consumo diário de matéria seca (MS) por animal = 3,2% do peso vivo (tabela 7) 3,2% x 500 kg = 16 kg de matéria seca/dia Considerando o exemplo de relação % volumoso: concentrado = 60: Consumo do volumoso diário = 60% x 16 kg= 9,6 kg matéria seca silagem/dia

Categorias % do Peso vivo em MS Vacas em manutenção Touros Novilhas Bezerros

1,3 a 1, 1,4 a 1, 2,3 a 2, 2,5 a 2,

Tabela 9. Outras categorias de bovinos.

Fonte: Adaptado do NRC (1989) e de Faria (1988).

*Unidade Animal (UA) = 450 kg de peso vivo.

Categoria Consumo de silagem (kg/dia) Bezerras 6 a 12 meses Novilhas 13 a 20 meses Novilhas prenhas Vacas secas Vacas em lactação

5 10 15 20 25

Tabela 10. Consumo médio de silagem / UA / dia em rebanho leiteiro.*

Proporção % Volumoso: Concentrado Performance Produtiva Animal 50: 60: 70:

Média Performance Produtiva Alta Performance Produtiva Baixa Performance Produtiva

Tabela 11. Proporção volumoso x concentrado de acordo com a performance produtiva animal.

Volume de Silagem = 9,6 kg / 0,35 (Silagem de boa qualidade tem em média 35% MS)= 27,4 kg silagem/cabeça/dia

As paredes devem ter de 15 a 25% de inclinação para a melhor compactação através do chamado efeito de cunha. Acima de 3 m de largura inferior, considerar 15% de inclinação.

No dimensionamento do silo deverá assumir como constante a largura inferior (o dobro da largura do rodado externo do trator) quando a unidade de estocagem for destinada a volumes pequenos, caso contrário quando o volume de estocagem for grande a altura deverá ser a constante. O comprimento por sua vez está na dependência da capacidade de enchimento do silo. Portanto, deve-se construir vários silos pequenos em vez de um silo muito grande.

B) Cálculo do volume necessário de silagem Exemplo: 100 cabeças, consumo diário silagem/cabeça de 27,4 kg, período de uso igual a 180 dias VNDS* = 100 cabeças x 27,4 kg x 1,10** VNDS = 3.017 kg de silagem/dia VNSP*** = 3.017 kg x 180 dias = 543.085 kg silagem = 543 toneladas/período

  • Volume necessário Silagem/dia (VNDS) **Fator de correção de perdas naturais do processo = 10% *** Volume necessário silagem por período (VNSP)

C) Cálculo da área a ser plantada

  • Milho Exemplo: Milho híbrido com produtividade média 35 toneladas massa verde/ha CAPM* = 543 t / 35 t/ha CAPM = 15,5 ha área plantada, ou seja, 16 hectares de área plantada
  • Cálculo área plantada de milho (CAPM)
  • Sorgo silageiro Exemplo: Sorgo híbrido com produtividade média 50 toneladas massa verde/ha CAPS* = 543 t / 50 t/ha CAPS = 10,9 ha área plantada, ou seja, 11 hectares de área plantada *Cálculo área plantada de sorgo (CAPS)

D) Cálculo do volume necessário de silo Exemplo: necessidade 543 t/período, considerando a densidade da silagem 600 kg/m^3 (média para milho e sorgo) VST* = 543.000 kg / 600 kg/m^3 VST = 905m^3 de silo *Volume Silo Trincheira (VST)

E) Cálculo da fatia retirada diária Exemplo: necessidade de 3.017 kg silagem/dia, considerando a densidade da silagem de 600 kg/m^3 , e área frontal do silo tipo trincheira 26,3m^2 (B = 10 m, b = 7,5m e altura = 3m). VNSD* = 3.017 kg / 600 kg/m^3 = 5,03m^3 diário CF** = 5,03m^3 / 26,3m^2 = 0,19m = 19cm

  • Volume Necessário de Silagem Diário (VNSD) ** Cálculo da Fatia de corte (CF)

F) Cálculo do comprimento do silo Exemplo: área frontal do silo 26,3m^2 , volume total necessário 905m^3. CS* = 905m^3 / 26,3m^2 = 34,4m – aproximadamente 35m de comprimento

  • Comprimento do Silo (CS)

Processo de ensilagem

A ensilagem como processo de conservação consiste no conjunto de operações destinadas à produção de silagem:

A - Determinação do ponto de colheita B - Colheita e picagem C - Taxa de enchimento do silo D - Fechamento do silo

Estádio de maturidade

MS %

Produção de forragem

Composição de forragem Seca t/ha

Espiga (%)

Folha (%)

Haste (%)

Grãos leitosos

Grãos farináceos

Grãos vítreos

43,

30,

19,

21

35

46

10,

11,

9,

30,

56,

56,

20,

14,

13,

49,

28,

30,

Tabela 12. Composição e qualidade da planta de milho para silagem em diferentes estádios de maturidade.

*Atribuiu-se ao estádio farináceo índice = 100. Fonte: McCullough (1970).

Verde t/ha

Consumo MS*

74

100

74

A. Determinação do ponto de colheita

Esta é a etapa primordial para obtenção de silagem de alta qualidade.

O ponto de corte também influencia muito na qualidade da silagem, pois cortada no antigo ponto de pamonha (% MS abaixo de 30%), temos a falsa ilusão de alta produtividade de massa verde por hectare no campo, por causa da maior presença de água, porém perdemos em % de matéria seca, acúmulo de amido, e, conseqüentemente, em qualidade de valor nutricional e de fermentação da silagem.

De acordo com o professor Luís Gustavo Nússio (ESALQ), a qualidade da silagem é de suma importância, pois cada 1% de aumento na produção de Matéria Seca (MS) corresponde a 2,5% de decréscimo nos custos de corte e transporte do material. A matéria seca é o principal fator, pois o milho ou o sorgo cortados no ponto correto, ainda possuem cerca de 62 a 65% de água.

A eficiência do processo de fermentação da massa ensilada depende, fundamentalmente, da idade em que a planta é ensilada e do tamanho de partícula, por causa do teor de matéria seca, carboidratos solúveis e poder tampão, bem como das condições de acondicionamento e da vedação do silo.

O milho deve ser cortado para a silagem quando a planta inteira apresentar de 32 a 37% de matéria seca, no ponto em que os grãos estiverem no estádio farináceo. Essa situação é geralmente alcançada após 100 a 110 dias após a emergência, possibilitando a obtenção de maior produção de matéria seca por unidade de área (Tabela 12), estádio no qual as espigas representam mais de 50% da matéria seca do pé inteiro, resultando em maior consumo de silagem pelos animais. (Tabela 13).

Teste do microondas Pode ser adotado o teste em forno de microondas utilizando-se uma balança de alta precisão. Colocar a amostra de 200 a 300g em prato de papelão, após a pesagem inicial colocar 1/2 copo com água para não queimar a superfície da amostra e colocar na potência média por alguns minutos (cerca de 2 a 4 min) até atingir o peso constante. A diferença de peso será a umidade.

Teste em novos equipamentos Muitos pecuaristas já utilizam equipamentos (Exemplo: Koster) cujo custo aproximado é U$ 500,00, em que o teor de matéria seca da silagem pode ser determinado eficientemente, pois esses aparelhos possuem balança de precisão. A amostra de cerca de 300g é colocada sobre um recipiente que possui uma peneira no fundo, que deixa passar um fluxo de ar quente por até 25 minutos aproximadamente, para secagem da amostra até atingir o peso constante na balança, onde a leitura é feita imdediatamente.

IMPORTANTE! Como regra geral para o corte do milho para silagem, o início do período ideal ocorre cerca de 36 dias após a polinização ou espigamento, com “janela de colheita” variando em torno de 5 a 12 dias, conforme a ilustração abaixo. Observe também as seguintes características:

  1. As plantas apresentam palhas externas das espigas amarelecidas;
  2. Os grãos do meio da espiga se apresentam dentados;
  3. A seção transversal da espiga revela a evolução da linha de leite entre 1/2 a 3/4 na seção longitudinal dos grãos.

Estádios fenológicos da cultura de milho.

Fonte: Fancelli, 1986, Adaptando de Hanway, 1996; e Nec & Smit, 1978.

Atenção: A coloração das folhas não é um bom indicativo de momento de corte, já que plantas bem nutridas deveriam apresentar todos os pares de folhas ainda verdes no momento do corte, enquanto folhas provenientes de plantas mantidas em regime de deficiência nutricional apresentam-se prematuramente senescentes (envelhecem mais cedo), não refletindo o status de umidade e maturidade da planta toda, podendo levar a erros de julgamentos. Além disso, raramente as folhas apresentam mais de 14% do total da massa produzida pela planta.

No caso do sorgo, recomenda-se colher num estádio muito semelhante ao do milho, quando os grãos estiverem no ponto farináceo no meio da panícula, ocasião na qual a planta inteira apresentará teor de matéria seca indicado para silagem e as panículas representarão elevada proporção na matéria seca da planta como conseqüência ocorre o aumento no valor nutritivo da silagem (Tabela 15).

Em geral, o sorgo, conforme o híbrido, atinge o ponto de corte entre 95 e 120 dias de crescimento vegetativo, com “janela de colheita” na ordem de 7 a 12 dias. O sorgo possui plantas mais flexíveis que permitem eventuais atrasos no seu corte para silagem, e, mesmo após o período limite ideal, não interfere no corte do material, bem como na sua compactação e na fermentação. Veja mais indicações técnicas sobre os híbridos silageiros de sorgo nas páginas 33 e 34.

Embora haja uma pequena perda de grãos nas fezes dos animais, o melhor aproveitamento ocorre na fase de grãos farináceos por causa da maior produtividade de grãos acumulada. As menores perdas de grãos nas fezes dos animais deve-se ao corte antecipado das plantas (menos que 30% de matéria seca) prejudicando sua qualidade nutritiva.

Grão Leitoso Grão Pastoso Grão Farináceo Grão Farináceo Duro Grão Duro

Estádio de maturação

Grãos da forragem ensilada (%)

Grãos nas fezes (%)

Produção de grãos (kg/MS/ha)

Perdas grãos (kg/MS/ha)

Grãos digeridos (%) 35, 45, 48, 51, 47,

Tabela 15. Porcentagem de aproveitamento de grãos pelos animais na

silagem de sorgo

Fonte: Adaptado de Demarchi (1993).

B. Colheita e picagem

No momento da ensilagem as plantas devem ser picadas de tal forma que apresente tamanhos de partículas uniformes, a fim de garantir densidade mínima de 550 a 650 kg/m^3 , para a boa preservação da silagem e menor sobra no cocho por seleção do animal. A variação do tamanho das partículas deve estar entre 0, a 2,5 cm, o que vai facilitar a compactação do material e a eliminação do ar na massa ensilada. A variação entre o maior e o menor tamanho da partícula não deve ultrapassar 20%.

Há animais de alta performance, com dieta energética mais intensa, que necessitam um maior tamanho de partículas (até 5 cm), para formação de uma “malha” no rúmen, mantendo bons níveis de fibra, com bom funcionamento do rúmen e evitando problemas de casco (laminite). Neste caso, o importante é manter a uniformidade de 80% entre as partículas.

Normalmente, 10% da massa já contém partículas acima de 2,5 cm, que é adequado ao funcionamento do rúmem, composta pelas folhas e brácteas. A dieta de um ruminante deve conter níveis mínimos de fibra provenientes de volumoso. A fibra estimula a ruminação com conseqüente produção de saliva que, por conter íons bicarbonato e fosfato, age como tamponante neutralizando os ácidos produzidos pela fermentação ruminal, mantendo o pH em níveis toleráveis.

Para garantir o tamanho médio das partículas é preciso redobrar a atenção com a manutenção e afiação das facas e contra-facas da ensiladeira, durante a ensilagem.

A altura do corte das plantas, tanto do milho quanto do sorgo, é feito normalmente com 15 a 20 cm do solo. A altura do corte entre 30 a 50 cm melhora o valor nutritivo da silagem e a digestibilidade, pois a maior porcentagem de lignina e potássio encontra-se no terço inferior da planta. Entretanto, quanto maior a altura do corte, menor será o volume colhido por hectare.

C. Taxa de enchimento do silo

A taxa de enchimento influi no valor nutricional final da silagem. O enchimento lento, a falta de compactação e o atraso na vedação são procedimentos que concorrem para aerar a massa e promover perdas no processo. Não deve haver intervalos no enchimento do silo superiores a 10 horas, e o fechamento total deve ocorrer entre 3 a 5 dias do seu início.

Dessa forma, é importante que o enchimento do silo seja o mais rápido possível estabelecendo condição de anaerobiose, por meio da compactação e da vedação hermética.

Como regra, o trator utilizado na compactação deve apresentar peso igual ou superior a 40% da massa de forragem que chega no silo por hora de trabalho efetiva. Exemplo:

Massa de forragem que chega ao silo = 10 t/hora Peso do trator: 10 t/ha x 40% Resultado: peso mínimo do trator deverá ser de 4 t

A forma mais eficiente de compactação é quando se utiliza tratores que apresentam maior peso por área. Evite tratores para compactação com pneus largos e/ou com rodado duplo, por causa do menor peso por área.

A distribuição do material que chega ao silo deve ser uniforme. Efetuar a compactação, logo após a descarga, de forma contínua. O trajeto de trator sobre a massa ensilada deverá ser em toda largura do silo, deixando a superfície plana, sem sulcos ou ondulações, uma vez que efetivamente a compactação ocorre nos 30 a 50cm superior à massa que está sendo ensilada. Portanto, a camada de distribuição da silagem não deve ultrapassar esta faixa de altura. A compactação deve ser feita até que as marcas dos pneus do trator não sejam mais visivelmente acentuadas.

Picagem Tamanho da partícula

Processo de fermentação

Veja como acontece a fermentação da silagem, com o fechamento do silo.

Quando todo o processo de ensilagem é cuidadosamente executado ocorre, basicamente, duas fases distintas até a completa formação da silagem:

1 a^ fase: denominada de aeróbia , ocorre logo após o fechamento do silo, quando pela presença do oxigênio ocorre respiração celular da massa ensilada ainda viva e respiração dos microrganismos aeróbios (bactérias, como o Clostridium, Coliformes e fungos) presentes na massa ensilada. Na respiração são utilizados os carboidratos solúveis presentes na massa, produzindo o gás carbônico, a água gerando o calor, com conseqüente elevação da temperatura. A fase cessa quando todo o oxigênio é exaurido com duração de pouco mais de 24 horas, e o pH da silagem inicia a queda nos seus valores.

Nesta fase ocorre perda de matéria seca, na forma de açúcares ricos em energia, que poderia ser usada pelos microrganismos produtores de ácido lático ou pelos animais como fonte de energia. Portanto, quanto mais rápido ocorrer o fechamento do silo, menores serão as perdas de carboidratos e, conseqüentemente, melhor será a qualidade da silagem.

2 a^ fase: denominada anaeróbia , inicia-se assim que ocorre a total eliminação do oxigênio da fase aeróbia, quando se desenvolvem as bactérias anaeróbias que também estavam presentes na massa ensilada. As Enterobactérias são as primeiras bactérias a se desenvolverem produzindo Ácidos Graxos Voláteis (AGVs), principalmente ácido acético, com abaixamento do pH de 6,5 para 5,5. Ao mesmo tempo se desenvolvem as bactériasStreptococcus faecales com produção de ácido lático e o abaixamento do pH de 5,5 para 5,0.

Em seguida ocorre intenso desenvolvimento da bactériasLactobacillus plantarum, produtoras de ácido lático, promovendo a redução do pH de 5,0 para 4,2 a 3,8, quando ocorre a estabilização da fermentação da massa e conseqüentemente, a completa formação do silagem.

Nesse momento todo o processo de fermentação estará finalizado, com segurança, cerca de 15 a 20 dias após o fechamento do silo. No entanto, como cerca de 90% do processo ocorre nas 72 horas iniciais (3 dias) após o fechamento do silo, em caso de emergência, por falta de alimentação para os rebanhos, essa silagem já poderá ser consumida.

Abertura do silo

Quando o silo é aberto, o ambiente anaeróbio responsável pela conservação da silagem passa a ser aeróbio. Nessas condições, os microrganismos se multiplicam rapidamente dando início ao processo de deterioração da silagem. Esse fenômeno manifesta-se através da elevação acentuada de temperatura e do aparecimento de fungos. Portanto:

Depois de aberto o silo e iniciada a retirada da silagem, o processo não pode ser interrompido.

Abertura do silo

Idade da silagem em dias

Ácido lático

Mudança pH

1

6,0 4, 4, 3,

28,0 ºC

32,2 ºC

21 ºC

2 3 4 7 12 20

Temperatura

Fonte: Costa, C. UNESP, Botucatu - SP (2000).

Transformações no processo de silagem

O método mais efetivo de diminuir as perdas é a remoção e o fornecimento imediato da silagem aos animais, com a retirada de camadas paralelas de toda a superfície frontal do silo (painel), nunca inferior a 15 cm por dia.

A remoção da silagem deve ser realizada sem promover perturbações na massa remanescente. O uso de trator com pá carregadeira frontal deve ser evitado.

A retirada da silagem deve ser efetuada manualmente (com garfos) ou com máquinas específicas, em seguida misturada aos ingredientes concentrados e minerais (dieta pronta) para o imediato fornecimento aos animais.

A retirada e a distribuição lenta diminui a vida útil da silagem no cocho, que se manifesta com a elevação da temperatura. As sobras de silagem no cocho ou que sobraram na carreta após o fornecimento aos animais devem ser eliminadas. Portanto, é importante retirar do silo apenas o que será fornecido logo em seguida e de uma só vez aos animais, sem deixar sobras.

O ácido lático conserva a silagem até 24 horas depois da retirada da fatia para o consumo diário.

Lembre-se: para manter a qualidade da silagem evite a exposição direta da massa aos raios solares.

Avaliação da qualidade da silagem

O termo qualidade da silagem não é geralmente usado para designar o valor nutritivo, mas sim a extensão pela qual o processo fermentativo no silo se desenvolveu de maneira conveniente.

A ensilagem tem por objetivo preservar o valor nutritivo da planta. Entretanto, naturalmente, ocorrem perdas inerentes ao processo que são classificadas em evitáveis e inevitáveis (Tabela 16). Com exceção das condições climáticas na época de enchimento do silo, a qualidade da silagem depende das decisões tomadas pelo produtor. Portanto, todas as etapas da ensilagem devem ser cuidadosamente planejadas e executadas a fim de minimizar perdas e garantir a adequada conservação da silagem.

A. Avaliação bromatológica permanente da silagem

Uma maneira simples de fazer a avaliação é verificar diariamente se a silagem tem odor agradável, possui aspecto uniforme e, a mais importante, se está sendo bem consumida pelos animais. Os animais rejeitam silagem deteriorada. Faça uma análise de ácidos na silagem, pois se o processo de ensilagem foi bem realizado, o ácido lático deverá ocupar cerca de 60 a 80% da soma total dos ácidos (Tabela 17), com níveis aceitáveis dos indesejáveis ácidos acético, butírico e propiônico.

Processo Tipos de perdas Perdas de MS (%) Agentes causais

Respiração Inevitável

Perdas totais 7 a 30

1 a 2 Reações da planta

Fermentação Inevitável 2 a 4 Microrganismos Fermentações secundárias e efluentes

Evitável 0 a 7 (^) planta e ambiente no siloTeor de matéria seca da

Deterioração aeróbia no armazenamento

Evitável 0 a 10

Teor de matéria seca da planta, tamanho da partícula, compactação, tempo de enchimento, vedação e tipo de silo

Deterioração aeróbia no descarregamento

Evitável 0 a 15

Teor de matéria seca da planta, densidade, técnica de descarregamento e época do ano

Tabela 16. Perdas de energia na silagem de milho e de sorgo.

Fonte: Mulback (1994).

Conheça o que avaliar em uma silagem no laboratório de bromatologia, com objetivos de compor dietas econômicas e uma produtividade animal compatível e eficiente:

A Matéria Seca (MS) , representa o material isento de água, obtida através da secagem no sol ou na estufa. A matéria seca permite comparar os resultados de análises realizadas em diferentes épocas, locais ou regiões, sempre na mesma base de matéria seca (105%).

A Proteína Bruta (PB) , representa a fração nitrogenada dos alimentos, obtida através da determinação do nitrogênio total multiplicado pelo fator 6,25. Considera-se que em média toda proteína tem 16% de nitrogênio (16/100 = 6,25). Trata-se de um fator muito importante no balanceamento econômico de dietas.

O Extrato Etéreo (EE) , representa o teor de óleo ou gordura dos alimentos. As gorduras ou lipídios são substâncias insolúveis em água, mas solúveis no éter, clorofórmio, benzeno e outros solventes orgânicos chamados de extratores. Na dieta de ruminantes não se deve ultrapassar a 5% de EE, pois ocorre defaunação microbiana do rúmen em favor de protosoários. Isso acarreta a redução na digestão da fibra e na queda de consumo animal.

A Matéria Mineral (MM) , representa uma indicação da riqueza da amostra em elementos minerais, determinada através da incineração da amostra em mufla a 550OC até obter cinza bem clara, indicando ausência de Matéria Orgânica (MO). MM = MS – MO.

A Fibra insolúvel em Detergente Neutro (FDN) , representa a quantidade total de fibra na forragem expressada pela parede celular, composta por celulose, pectina, hemicelulose e lignina. Níveis elevados de fibra de forragem limitam o consumo de matéria seca, que resultam no não-atendimento às exigências nutricionais e em maior demanda de alimentos concentrados. Valores ideais de FDN inferior a 50%.

Exemplo:

A importância da % FDN na qualidade da silagem

*Vacas 600 kg PV c/ 21 kg Leite/dia.

  • CV = 1,2% PV base FDN

Fonte: PD Monsanto, 2004.

Dados Híbrido A Híbrido P

A Fibra insolúvel em Detergente Ácido (FDA) , avalia a digestibilidade da parede celular, através dos componentes celulose e lignina da forragem, também conhecida como fração indigerível da silagem, sendo utilizada para estimar a densidade energética da forragem. Portanto, silagem contendo níveis inferiores de FDA apresenta maior concentração energética. Valores ideais de FDA inferior a 30%. A lignina constitui a fração indigerível da porção fibra e limita a digestibilidade da FDN de forragens. Baixos níveis de lignina na silagem são desejáveis, não devendo passar de 5%. Em silagem de milho e de sorgo os níveis de lignina variam entre 3% e 8%.

Os Nutrientes Digestíveis Totais (NDT) , representam a soma dos nutrientes multiplicada pelos coeficientes de digestibilidade específica. A nova metodologia proposta pelo NRC (2001), permite calcular o NDT através dos dados de composição do alimento, pelo somatório da digestibilidade dos carboidratos não fibrosos (dCNF), Proteína Bruta (Proteína Digestiva) e Digestibilidade da FDN (dFDN), conforme fórmula:

NDTa (%) = dCNF + dPBf + (dAG x 2,25) + dFDN- 7

Exemplo:

Fórmulas úteis e práticas para avaliação de silagem:

Energia Líquida de Lactação: (0,0245 x % NDT) – 0,12 = Mkcal/kg

% NDT: 87,84 – (0,70 x % FDA) % Digestibilidade MS: 88,9 – (0,779 x % FDA) % Degradabilidade efetiva: 100,6077 – 1,4085 x % FDA

A importância da % NDT na qualidade da silagem

*Vacas 600 kg PV c/ 21 kg Leite/dia. Fonte: PD Monsanto, 2004.

Dados Híbrido A Híbrido P % NDT Consumo MS/dia* Consumo MS Silagem/dia* (60%) Quantidade NDT/Cab Necessidade Diária NDT Necessidade Complementar NDT Necessidade de Concentrado kg/dia Diferença em kg Diferença em R$

68, 18 12, 8, 12 3, 4, Econ. 2,7 kg Conc./vaca/dia Econ. R$ 1,50/vaca/dia

62, 18 10, 6, 12 5, 7,

% FDN Cálculo CV CV CV UE Pot. Produtivo Diferença

45 120/ 2,67% PV 16,02kg/MS/dia 1,2 Leite/kg/MS Ingerida 19,22kg Leite 4,39kg Leite a mais/Cab

58 120/ 2,06% PV 12,36kg/MS/dia 1,2 Leite/kg/MS Ingerida 14,83kg Leite

% Ingestão de MS: 120 / % FDN Valor Relativo Alimento: % Digestibilidade MS x % Ingestão MS % Proteína Digestível: (% PB x 0,908) – 3, 1 litro de leite = 348g NDT ou 7.500 Mkcal 1 kg carne = 3,790kg NDT

Para amostrar silagens obedeça os seguintes procedimentos:

  1. Retirar 10 a 15 amostras de 300g cada de toda a superfície frontal do silo.
  2. Misturar bem e efetuar amostra composta de 500 a 600g.
  3. Colocar em saco plástico e vedar após a expulsão do ar.
  4. Identificar a amostra.
  5. Acondicioná-las em geladeira ou em caixa de isopor com gelo seco.
  6. Enviar ao laboratório o mais rápido possível.

Porcentagem de participação no custo da produção por atividade de silagem

Tabela 18. % custo de produção de silagem da planta de milho.

*Safra 2004/

Produtividade Média: 40t/ha M.V. = 14t/ha M.S. Atividades Custo R$/t M.S. Custo R$/t M.S. Custo % Implantação da cultura (insumo, M.O., H.M.) Corte e transporte (H.M. JF-Z10/MF295) Compactação (H.M. W8/MF295 Tr) Fechamento do Silo (M.O. e H.M.) Inoculante (C. Hansen) Lona plástica duplas face (150m) Custo Total R$/t

85, 34, 7, 3, 0, 1, 131,

29, 12, 2, 1, 0, 0, 46,

64, 26, 5, 2, 0, 0, 100,

Escolha do híbrido

Os híbridos de milho e de sorgo mais indicados para produção de silagem devem ser aqueles mais adaptados às condições edafoclimáticas de cada região e que reúnam características (digestibilidade, alta energia, sanidade foliar produtividade) e conjunto (longo período de colheita, flexibilidade de plantio em qualquer época e altitude) favoráveis à prática de silagem

Nos sistemas intensivos de produção com animais de elevado potencial genético, que visa a alta produtividade de carne e leite, deve-se optar pelos híbridos de sorgo e os híbridos de milho de alto potencial de grãos, respeitando-se os conceitos anteriormente descritos, uma vez que tendo satisfeito às necessidades fisiológicas de ruminação, ainda haja espaço físico no rúmen para maior consumo de grãos, que possuam alta energia, proporcionando maior eficiência alimentar.

A escolha dos híbridos de milho deve recair sobre plantas com alta digestibilidade da matéria seca e grãos de textura mole ou dentado por apresentar maior digestibilidade num estádio mais avançado, conseqüentemente, ampliando a “janela de colheita”.

Escolha do híbrido de milho