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Helmintos parasitologia e imunologia
Tipologia: Notas de estudo
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HELMINTOS Helmintos são parasitas multicelulares ou vermes que habitam o corpo humano e outros animais, causando infecções conhecidas como helmintíases. Eles se dividem principalmente em dois grandes grupos: Nematelmintos (vermes cilíndricos) e Platelmintos (vermes achatados).
1.1 – MORFOLOGIA O Necator americanus é um nematódeo pertencente à família Ancylostomatidae. Sua estrutura é adaptada ao parasitismo intestinal, apresentando dimorfismo sexual evidente. Adultos: Possuem corpo cilíndrico, de coloração esbranquiçada a rósea. A extremidade anterior apresenta uma curvatura dorsal acentuada (daí o nome "hookworm" ou verme em gancho). o Cápsula Bucal: É a principal característica diferencial. Ao contrário do Ancylostoma duodenale (que possui dentes), o N. americanus possui um par de lâminas cortantes semilunares na borda ventral e um dente liso na porção dorsal, utilizados para fixação e laceração da mucosa intestinal. o Machos: Medem de 7 a 9 mm. A extremidade posterior termina em uma estrutura em forma de leque chamada bursa copulatora (ou bolsa), sustentada por raios musculares, que serve para fixação na fêmea durante a cópula. Apresentam dois espículos copulatórios longos que se unem na ponta. o Fêmeas: Medem de 9 a 11 mm. A extremidade posterior é afilada e termina em ponta romba, sem espinho terminal. A vulva localiza- se na região anterior do terço médio do corpo. Ovos: Possuem formato elíptico, casca fina e transparente. Quando eliminados nas fezes, geralmente já se encontram em estágio de clivagem celular (mórula, contendo de 4 a 8 blastômeros). Larvas: o Larva Rabditóide (L1 e L2): Fase jovem, móvel e esofago-bulbada (esôfago com um bulbo cardíaco nítido). Apresenta vestíbulo bucal longo e estreito. É a fase que se alimenta no ambiente. o Larva Filarióide (L3): Fase infectante. É mais longa, possui esôfago cilíndrico (sem bulbo) e uma cutícula protetora (bainha). Não se alimenta e apresenta alta mobilidade. 1.2 – CICLO BIOLÓGICO (ATÉ A FORM A INFECTANTE) O ciclo do Necator americanus é monoxênico (necessita de apenas um hospedeiro) e obrigatoriamente do tipo heteroxênico ambiental (passa por fases de vida livre).
A patogenia do N. americanus divide-se de acordo com a localização e migração do parasito no hospedeiro: Fase Cutânea (Penetração das L3): Causa a chamada "dermatite por penetração" ou "coceira da terra". Há eritema, edema, pápulas e intenso prurido no local da invasão, frequentemente agravados por infecções bacterianas secundárias. Fase Pulmonar (Migração Larvária): Ao romper os capilares alveolares para entrar nos alvéolos, as larvas causam micro-hemorragias e focos inflamatórios. Clinicamente, manifesta-se como a Síndrome de Loeffler , caracterizada por tosse seca, febre baixa, dispneia e eosinofilia periférica acentuada. Fase Intestinal (Fixação dos Adultos): É a fase crônica e mais grave. o Lesão Mecânica e Química: A fixação na mucosa do jejuno e íleo por meio das lâminas cortantes destrói as vilosidades intestinais. O verme secreta enzimas proteolíticas que digerem o tecido e anticoagulantes para manter o fluxo de sangue. o Anemia Ferropriva Crônica: O principal impacto patológico é a espoliação sanguínea. Cada verme consome cerca de 0,03 mL de sangue por dia. O sangramento contínuo (tanto pela ingestão do verme quanto pelas lesões que continuam sangrando após a mudança de sítio do parasito) leva à depleção das reservas de ferro, resultando em anemia microcítica e hipocrômica grave ("amarelão"). o Hipoproteinflamação: A perda de proteínas plasmáticas (como a albumina) pelo trato gastrointestinal pode gerar quadros de desnutrição proteico-calórica e edema generalizado (anasarca) em infecções maciças. 1.4 – RESPOSTA IMUNE INATA E ADAPTATIVA O sistema imune responde ao helminto de forma coordenada, embora os parasitos consigam frequentemente estabelecer infecções crônicas. RESPOSTA IMUNE INATA Barreira Epitelial e Alarme: A penetração cutânea e o dano tecidual ativam os queratinócitos e células epiteliais intestinais a liberarem alarminas, como TSLP, IL-25 e IL- 33. Ativação Celular: Essas alarminas ativam as células linfoides inatas do grupo 2 ( ILC2 ), que passam a secretar grandes quantidades de IL-5 e IL-13. Eosinófilos e Mastócitos: Ocorre um recrutamento massivo de eosinófilos induzido por eotaxinas. Os eosinófilos tentam destruir as larvas/vermes teciduais liberando grânulos citotóxicos, como a Proteína Básica Maior (MBP) e a Proteína Catiônica Eosinofílica (ECP). Mastócitos teciduais sofrem degranulação, liberando histamina e proteases que aumentam a permeabilidade vascular e a motilidade intestinal. RESPOSTA IMUNE ADAPT ATIV A Perfil Th2 Direcionado: O ambiente de citocinas gerado na imunidade inata direciona a diferenciação de linfócitos T CD4+ virgens em perfil Th2 (auxiliar tipo 2). Ação das Citocinas Th2: o IL-4 e IL-13: Estimulam os linfócitos B a realizarem a troca de isotipo (class switch) para a produção de IgE. Também promovem a hiperplasia de células caliciformes (aumento da produção de muco) e o aumento do peristaltismo intestinal (mecanismo conhecido como "weep and sweep" ou chorar e varrer, que tenta expulsar o verme). o IL-5: Promove a proliferação, maturação e sobrevivência dos eosinófilos na medula óssea. Citotoxicidade Celular Dependente de Anticorpos (ADCC): A IgE circulante liga-se aos antígenos da superfície da larva, e a porção Fc desse anticorpo se acopla aos receptores FcϵRI nos eosinófilos e mastócitos. Isso engatilha uma degranulação direcionada e destrutiva sobre a cutícula do parasito.
cilíndrico e longo (filarióide), ocupando cerca de 1/4 do corpo. Possui uma cutícula protetora (bainha), cauda afilada e pontiaguda, apresentando grande mobilidade hidrotópica e termotópica. 1.2 – CICLO BIOLÓGICO (ATÉ A FORM A INFECTANTE) O ciclo do Ancylostoma duodenale é monoxênico (hospedeiro único humano) e depende de uma fase exógena (no ambiente) para o desenvolvimento das formas larvárias.
causar desnutrição proteica secundária e edemas (anasarca). 1.4 – RESPOSTA IMUNE INATA E ADAPTATIVA A imunidade contra o Ancylostoma duodenale segue o padrão clássico de resposta a macroparasitos extracelulares (helmintos), orquestrada pelo perfil Th2. RESPOSTA IMUNE INATA Sinalização Epitelial (Alarminas): A agressão mecânica promovida pelos dentes e enzimas do parasito nas células epiteliais do intestino ou da pele induz a liberação imediata de alarminas, principalmente TSLP, IL-25 e IL- 33. Ativação de ILC2: Essas alarminas ativam as Células Linfoides Inatas do grupo 2 (ILC2), que respondem rapidamente produzindo as citocinas IL- 5 e IL- 13 independentemente da apresentação de antígenos pelos linfócitos T. Recrutamento de Eosinófilos e Mastócitos: A IL-5 recruta e ativa eosinófilos. Estas células migram para o sítio do parasito e liberam grânulos citotóxicos proteolíticos (Proteína Básica Maior - MBP; e Proteína Catiônica Eosinofílica - ECP) na tentativa de perfurar a cutícula do helminto. RESPOSTA IMUNE ADAPT ATIV A Polarização Th2: Células dendríticas capturam os antígenos exógenos do parasito e migram para os linfonodos, onde apresentam os antígenos aos linfócitos T CD4+ virgens. Sob a influência do microambiente citocínico inicial, ocorre a diferenciação em Linfócitos Th. Função das Citocinas Th2: o IL-4 e IL-13: Estimulam os Linfócitos B a realizarem a troca de classe de imunoglobulina para a síntese de IgE. Além disso, a IL- 13 induz a hiperplasia de células caliciformes (aumento dramático na produção de muco) e hiperatividade do músculo liso intestinal, acelerando o peristaltismo (mecanismo de expulsão conhecido como "weep and sweep" ). o IL-5: Atua na medula óssea expandindo e estimulando a linhagem de eosinófilos (causando a eosinofilia periférica marcante no hemograma do paciente). Mecanismo de ADCC (Citotoxicidade Celular Dependente de Anticorpos): A IgE antígeno-específica liga-se à superfície da larva ou do adulto. Eosinófilos e mastócitos, através de seus receptores de alta afinidade para a porção Fc da IgE ($Fc\epsilon RI$), acoplam-se a esses anticorpos. Ocorre a degranulação maciça dessas células diretamente sobre o helminto, lesionando seu tegumento. 1.5 – MECANISMOS DE EVASÃO IMUNE Apesar da robusta resposta Th2, o A. duodenale consegue persistir por anos no hospedeiro através de estratégias moleculares de evasão: Indução de Células T Reguladoras (Treg): O parasito secreta Produtos de Excreção/Secreção (NES) que mimetizam fatores endógenos do hospedeiro, promovendo a secreção de TGF-$\beta$ e IL- 10. Essas citocinas anti-inflamatórias induzem a diferenciação de células Treg, que suprimem a atividade efetora de Th1 e Th2, gerando um estado de tolerância imunológica (anergia). Inibidores de Proteases e Anticoagulantes: O parasito secreta proteínas específicas (como a família das proteínas estruturais Ancylostoma secreted proteins - ASPs e inibidores de serino- proteases). Elas não apenas impedem a coagulação do sangue do hospedeiro para facilitar sua alimentação, mas também neutralizam as enzimas digestivas e lisossomais liberadas por neutrófilos e eosinófilos. Neutralização do Estresse Oxidativo: Para combater os Radicais Livres de Oxigênio (ROS) e de Nitrogênio (RNS) despejados pelas células fagocíticas na tentativa de destruir sua cutícula, o A. duodenale expressa e secreta grandes quantidades de enzimas antioxidantes, como a Superóxido Dismutase (SOD) e a Glutationa S-Transferase (GST).
Alarminas e Epitélio: O dano celular mecânico causado pelo parasito na pele ou na mucosa intestinal induz as células epiteliais a secretarem alarminas como TSLP, IL-25 e IL- 33. Ativação de ILC2: Essas alarminas ativam de forma potente as Células Linfoides Inatas do grupo 2 (ILC2), que atuam como os primeiros amplificadores da resposta de perfil tipo 2, secretando grandes volumes de IL-5 e IL-13 antes mesmo da ativação dos linfócitos T. Ação de Neutrófilos e Eosinófilos: Diferente de outros helmintos em que os eosinófilos dominam isolados, na estrongiloidíase os neutrófilos desempenham um papel cooperativo crítico na imunidade inata inicial, auxiliando os eosinófilos no aprisionamento e destruição das larvas L nos tecidos. RESPOSTA IMUNE ADAPT ATIV A Polarização Th2: Células dendríticas processam os antígenos larvários e direcionam a diferenciação de linfócitos T CD4+ virgens para o perfil Linfócito Th. Função Efetora das Citocinas Th2: o IL-4 e IL-13: Promovem a troca de isotipo nos linfócitos B para a síntese de IgE (sistêmica) e IgA secretória (nas mucosas). A IgA secretória bloqueia a fixação de larvas no epitélio intestinal, reduzindo a autoinfecção. A IL- 13 promove a hiperplasia de células caliciformes (induzindo hipersecreção de muco) e o aumento do peristaltismo intestinal. o IL-5: Estimula a produção massiva e ativação de eosinófilos na medula óssea. Mecanismo de ADCC: A IgE específica liga-se aos antígenos da cutícula da larva L3. Eosinófilos ligam-se à porção Fc da IgE via receptores FcεRI e sofrem degranulação direcionada, liberando a Proteína Básica Maior (MBP) e a Proteína Catiônica Eosinofílica (ECP), que causam danos estruturais e letais ao parasito. O Gatilho dos Corticosteroides: Os glicocorticoides exógenos ligam-se a receptores do próprio parasito que mimetizam seus hormônios de muda (ecdisosteroides), sinalizando e acelerando a transformação de L1 para L3. Simultaneamente, suprimem a imunidade Th2 e causam apoptose de eosinófilos, desarmando o hospedeiro e deflagrando a hiperinfecção. 1.5 – MECANISMOS DE EVASÃO IMUNE O Strongyloides stercoralis apresenta estratégias sofisticadas para sobreviver por longos períodos no corpo humano: Mimetismo de Sinalização Hormonal: Conforme citado, o parasito possui receptores internos capazes de se ligar aos corticosteroides circulantes do hospedeiro. Ele se aproveita do estresse ou da imunossupressão farmacológica do hospedeiro para acelerar sua reprodução e muda larvária, sobrepujando o sistema imune antes de uma resposta adaptativa eficaz. Velocidade de Migração Tecidual: O padrão de movimentação rápida da Larva Currens no tecido subcutâneo impede que o sistema imune organize um foco inflamatório celular estável (como a formação de granulomas estruturados) para cercar, aprisionar e neutralizar o parasito. Indução de Redes Regulatórias (Treg): Moléculas de secreção do parasito estimulam a diferenciação de Células T Reguladoras (Treg) no microambiente intestinal. Estas passam a produzir IL- 10 e TGF-$\beta$ , citocinas imunorreguladoras que suprimem a atividade inflamatória dos eosinófilos e diminuem a resposta Th2 protetora. Neutralização do Estresse Oxidativo: Macrófagos e neutrófilos tentam destruir o helminto através do burst oxidativo (liberação de espécies reativas de oxigênio
do próprio ovo, transformando-se em larva de segundo estágio (L2). o Estudos biológicos contemporâneos demonstram que ocorre uma segunda ecdise ainda dentro do ovo, convertendo a L em larva de terceiro estágio (L3).
polarização de macrófagos para o perfil Alternativamente Ativado (M2) , que atuam no isolamento de larvas mortas e promovem a cicatrização e remodelação tecidual dos danos causados pela migração. RESPOSTA IMUNE ADAPT ATIV A Polarização Th2 Clássica: Células dendríticas capturam antígenos salivares e cuticulares do parasito, migram aos linfonodos e promovem a diferenciação de linfócitos T CD4+ virgens em perfil Th. Efeitos das Citocinas Th2: o IL-4 e IL-13: Agem cooperativamente nos linfócitos B induzindo o class switch (troca de isotipo) para a produção de IgE policlonal e específica. A IL- 13 promove o mecanismo intestinal de "weep and sweep" (chorar e varrer), estimulando a hiperplasia de células caliciformes (hipersecreção de muco) e a hipercontratilidade do músculo liso intestinal para tentar expelir os vermes. o IL-5: Amplifica a resposta eosinofílica sistêmica via medula óssea. Citotoxicidade Celular Dependente de Anticorpos (ADCC): A IgE circulante liga-se a epítopos na cutícula da larva. Eosinófilos se ancoram à porção Fc da IgE via receptores de alta afinidade ($Fc\epsilon RI$). A ativação dos eosinófilos engatilha a degranulação exocítica de proteínas altamente citotóxicas, como a Proteína Básica Maior (MBP) e a Proteína Catiônica Eosinofílica (ECP), lesionando o tegumento larvário. 1.5 – MECANISMOS DE EVASÃO IMUNE Apesar da vigorosa resposta Th2, o A. lumbricoides estabelece infecções crônicas duradouras por meio de sofisticados mecanismos moleculares: Indução de Tolerância via Células T Reguladoras (Treg): Os produtos de excreção e secreção (NES) do verme adulto promovem ativamente a secreção de IL- 10 e TGF-$\beta$ pelo hospedeiro. Essas citocinas anti-inflamatórias estimulam a expansão de linfócitos Treg, que suprimem a atividade efetora Th2 e Th1, reduzindo a inflamação tecidual no intestino e gerando um estado de anergia/hiporresponsividade local tolerada. Inibidores de Proteases (Serpinas): O parasito secreta potentes inibidores de serino-proteases e metaloproteases. Essas moléculas neutralizam as enzimas digestivas do hospedeiro (preservando o verme no intestino) e bloqueiam as proteases degradativas liberadas por eosinófilos e neutrófilos contra a cutícula do parasito. Resiliência Cuticular Extrema: A cutícula do Ascaris é uma estrutura acelular espessa, multiestratificada e rica em colágeno reticulado. Essa barreira física é altamente resistente ao ataque enzimático, à perfuração mecânica por grânulos de eosinófilos e impede o reconhecimento de antígenos mais internos. Neutralização do Estresse Oxidativo: Macrófagos e eosinófilos tentam destruir as larvas gerando Espécies Reativas de Oxigênio (ROS). Para sobreviver, o helminto expressa elevados níveis de enzimas antioxidantes superficiais e secretadas, como a Superóxido Dismutase (SOD) e a Catalase , que degradam os radicais livres antes que danifiquem o parasito. Shedding Antigênico Dinâmico: O nematódeo possui a capacidade de alterar e descamar periodicamente os componentes glicoproteicos da sua membrana externa culicular. Os anticorpos (IgE/IgG) que conseguem se ligar à cutícula são "descartados" (shedding) no lúmen intestinal, inutilizando a sinalização por ADCC e opsonização. RESPOSTA IMUNE GERAL INTRODUÇÃO Os parasitas incluem [...] vermes multicelulares complexos (helmintos) [...]. A esquistossomose [uma infecção por helmintos] é transmitida pela exposição à água em que residem caracóis infectados. Muitas infecções parasitárias são crônicas, por causa de uma imunidade inata fraca
IL-4 e IL-13: Estimulam a hiperplasia de células caliciformes (aumentando a produção de muco para prender o parasita) e aumentam o peristaltismo intestinal para expulsão física. IL-5: É crucial para a ativação, recrutamento e sobrevivência dos eosinófilos. Perfil Humoral: A IL-4 induz a troca de classe nos linfócitos B para a produção massiva de IgE e IgG4. A IgE se liga aos receptores nos mastócitos. Quando o antígeno do helminto faz a ligação cruzada com essa IgE, o mastócito degranula explosivamente, liberando histamina e proteases que tornam o ambiente inóspito para o verme e aumentam a permeabilidade vascular. Anticorpos também opsonizam larvas migrantes para citotoxicidade celular dependente de anticorpos (ADCC) mediada por eosinófilos. MECANISMOS DE EVASÃO GERAL Tamanho e Cutícula Resistente: O simples tamanho físico (especialmente no Ascaris ) impede a fagocitose. Além disso, possuem uma cutícula espessa, composta de colágeno altamente reticulado, que é resistente a enzimas digestivas e toxinas liberadas pelos eosinófilos. Imunomodulação e Tolerância: Helmintos são mestres em suprimir a resposta imune. Eles secretam moléculas que induzem o hospedeiro a produzir Células T Reguladoras (Treg). As Tregs secretam IL-10 e TGF-β , citocinas imunossupressoras que inibem inflamações exacerbadas, criando um ambiente tolerogênico (bom para o verme não ser atacado e bom para o hospedeiro não sofrer anafilaxia). Clivagem de Anticorpos: Muitos secretam proteases capazes de clivar imunoglobulinas (como IgG e IgE) e proteínas da cascata do complemento, desarmando o sistema de opsonização e a ADCC. Renovação da Superfície (Shedding): Algumas larvas conseguem descamar sua cutícula externa. Quando os anticorpos do hospedeiro se ligam aos antígenos de superfície, o verme simplesmente abandona aquela camada proteica e forma uma nova. Mimetismo Molecular: Absorvem glicoproteínas do hospedeiro (como antígenos de grupos sanguíneos) e as acoplam à sua cutícula, "camuflando-se" como tecido próprio do corpo, dificultando o reconhecimento imunológico. CICLO DE LOSS O Ciclo de Looss (frequentemente grafado como Ciclo de Loss ) é o nome dado ao trajeto de migração tecidual e cardiopulmonar obrigatório que as larvas de determinados helmintos nematódeos realizam no interior do corpo do hospedeiro humano antes de se estabelecerem definitivamente como vermes adultos no intestino delgado. Esse fenômeno recebeu o nome do parasitologista Arthur Looss, que o descobriu acidentalmente ao deixar cair uma cultura de larvas de ancilostomídeo na própria pele e notar, semanas depois, ovos do parasito em suas fezes, deduzindo que elas haviam viajado por dentro de seu corpo. Para o seu fechamento de tutoria, os parasitos que realizam esse ciclo podem ser memorizados pelo acrônimo NASA : N ecator americanus A ncylostoma duodenale (quando a infecção ocorre por via transcutânea) S trongyloides stercoralis A scaris lumbricoides PASSO A PASSO DO TRAJETO ANATÔMICO Independentemente de o parasito entrar pela pele (como Necator , Ancylostoma e Strongyloides ) ou pela boca na forma de ovo (como o Ascaris ), as larvas precisam alcançar a circulação venosa para iniciar a migração. O trajeto segue rigorosamente a seguinte ordem fisiológica: [Porta de Entrada] → Circulação Venosa → Coração Direito → Pulmões (Alvéolos) → Árvore Brônquica → Faringe → Deglutição → Estômago → Intestino Delgado
o Via Transcutânea ( Necator , Ancylostoma , Strongyloides ): As larvas L3 penetram a pele, atravessam a derme e perfuram os capilares sanguíneos locais ou vasos linfáticos. o Via Oral ( Ascaris ): O ovo infectante é ingerido, passa pelo estômago e eclode no duodeno. A larva L3 liberada perfura a mucosa intestinal e ganha os capilares da circulação porta-hepática.