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resolução de imagens
Tipologia: Notas de estudo
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Parâmetros da imagem no domínio digital: o que é pixel, resolução de imagem, resolução de captura e outras características da imagem digital ou digitalizada. Júlio Cesar Martins da Silva^1
Resumo: O artigo examina as questões que determinam a reprodução (e/ou digitalização) e impressão, de imagens nos impressos, com boa qualidade, definição e fidelidade cromática, e recupera os conceitos que há muitos anos são utilizados no meio gráfico, com a finalidade de garantir máxima ampliação dos originais, com máxima definição, sem o aparecimento de moiré e do pixel , e indica quais os procedimentos adequados (independente dos aplicativos a serem usados) para a conversão de resolução e de formatos de arquivo, os princípios básicos que orientam tais procedimentos.
Palavras-chave: Resolução; pixel; imagem digital; câmera digital; dpi.
Introdução Os usuários de câmeras digitais têm se deparado com questões inusitadas que têm resultado em fotos ruins e/ou inadequadas à impressão em gráfica causando dores de cabeça aos birôs^2 de editoração, gráficas, agências de publicidade, e aos seus clientes, quando o aspecto da imagem impressa deixa muito a desejar em termos de cores e definição. O problema existe igualmente quando se trata de imagens digitalizadas^3 , seja a partir de originais opacos ou de transparentes (cromos). Dores de cabeça em gráficas e birôs sempre vão existir, mas para estas, causadas por problemas de resolução de imagem, padrão de cor e formatos de arquivo, já existe remédio há algum tempo, então é inexplicável que estejamos presenciando essa avalanche de impressos com problemas elementares de reprodução, resultantes do uso de formatos de arquivo impróprios e/ou conversões (reamostragem) para resolução de imagem inadequada. A fotografia convencional, já com mais de 150 anos, alcançou um estágio tão avançado de disseminação que qualquer bar de esquina ou farmácia vende filmes, faz revelações, e os vendedores sabem até explicar diferenças entre sensibilidade dos filmes. Já a foto digital, com seus 25 anos de idade 4 tem muitas questões obscuras e difíceis de explicar que, para simplificar, fabricantes têm instruído seus revendedores com respostas prontas, supostamente adequadas à maioria das situações que, definitivamente não resolvem os problemas. Não! Os equipamentos
(^1) O autor é professor do Departamento de Comunicação da Ufes, no Curso de Publicidade, e é pesquisador em Comunicação, semiótica e percepção. Contato: [email protected] 2 Birôs, uma palavra aportuguesada do inglês bureau (escritório), são empresas de editoração, sucessoras dos estúdios gráficos. Estas recebiam artes-finais e preparavam os fotolitos e provas. Hoje os birôs recebem arquivos e dão saída em fotolitos. A propósito fotolitos são matrizes em filme transparentes, contendo as separações de cor, e sempre em P&B, para gravação dasmatrizes de impressão. (^3) Doravante (exceto quando mencionado) para simplificar o texto, a denominação de imagem digital inclui tanto aquelas geradas em câmera digitais como aquelas digitalizadas de originais opacos ou transparentes.
não têm aquele botão que, ao ser pressionado, escolhe os melhores parâmetros, que determinarão que, uma foto digital ou digitalizada, sairá impressa impecavelmente. Podemos sonhar com isso, sim... Mas está longe esse dia! O foco deste artigo é o uso profissional, de imagens digitais ou digitalizadas, em impressos de quaisquer tipos. Uma coisa é preciso ficar bem clara: no nosso ponto de vista é obrigação de todo e qualquer profissional de comunicação (publicitário, jornalista, relações públicas, cineasta, produtor editorial, etc.), e até mesmo, de áreas próximas como designers gráficos, por exemplo, conhecer as regras para reprodução e impressão de imagens nos diversos processos de impressão. É instrumento de trabalho; não é algo que se possa contemporizar. Ou se domina o assunto ou a competência fica comprometida. Com um analogia simples o leitor poderá compreender em profundidade o nosso ponto de vista: Quantas vezes vemos médicos comuns (não vamos falar dos famosos...), desconhecidos, mas experientes, consultarem o farmacêutico sobre como diagnosticar e tratar para uma doença?... Quantas vezes vemos engenheiros consultarem os gerentes (ou proprietários) de uma construtora, sobre como calcular e construir sapatas de sustentação em terrenos pantanosos?... Então porque deveria ser diferente com a área de Comunicação, Design Gráfico e outras afins? Infelizmente o que mais tem acontecido atualmente na área de comunicação é a busca de informações, sobre parâmetros técnicos, com fotógrafos, operadores dos birôs, gerentes de produção (das gráficas), etc. Obviamente, não se trata de desqualificar a contribuição que estes profissionais podem vir a dar. É que está sendo transferida para eles uma responsabilidade que não lhes compete. Quando algo dá errado (o que acontece muitas vezes!) eles são responsabilizados injustamente. Pergunte a qualquer fotógrafo... e sente para escutar a resposta, porque não vai ser rápido. Certamente ele desfiará um enorme rosário de queixas, tamanha é quantidade de questões que lhes é cobrada a responder. Se tiver tempo, converse com um operador de birô. Vocês irão se espantar com a quantidade de barbaridades que eles têm que corrigir todos os dias. E se não o fizerem, certamente ocorrerão erros nas etapas seguintes (impressão por ex.), pelos quais serão injustamente responsabilizados. De quem é a culpa então? ... Bom o levantamento das possibilidades tomaria muito mais espaço do que dispomos então fiquemos com uma especulação de cunho mais genérico. Uma das causas possíveis é a extrema crença na infalibilidade do digital, que ao longo dos anos foi reproduzida ao incansavelmente pela literatura, teatro, cinema e TV. Aquele agente secreto que senta na frente de um computador, e através de um telescópio num satélite, consegue ler o artigo o que um sujeito está lendo no jornal, sentado no branco da praça... Ou o policial que por comando de voz instrui o computador para dar zoom numa imagem captada pela câmera de
(^4) Tudo começou com a Mavica, a primeira câmera digital, inventada pela Sony e lançada em agosto de 1981. As imagens eram gravadas num disquete de 3 ½. Conheça mais sobre a história em .
1 - Pixel e resolução Pixel 5 é o menor elemento de uma imagem digital, é uma representação abstrata da imagem no domínio digital_._ Na fotografia com filme o menor elemento de uma imagem é o grão da emulsão (do papel ou filme), que equivale ao pixel. Este não tem tamanho previamente definido; depende da resolução de captura. Por exemplo, uma fotografia com 1200 x 1800 pixels resulta em uma imagem de 2.160.000 pixels ou 2,16 MP. Não importa se a imagem está com resolução de 72, 150, 300 ou 600 dpi... A quantidade de pixels é a mesma. Mas a resolução da imagem não. A resolução depende do tamanho do pixel e é dada pela quantidade de pixels em uma polegada, daí pontos por polegada ou dpi^6 (dots per inch). Para se descobrir o tamanho do pixel basta dividir uma polegada (ou 25,4 mm) pelo Nº de pontos, por exemplo: 25,4/300= 0,084666 mm (é importante trabalhar com seis casas decimais após a vírgula); Isto significa que o pixel de uma imagem com 300 dpi mede 0,084666. Já o pixel de uma imagem de câmera digital com 72 dpi mede 0,352777 mm. Na tabela 1 estão os tamanhos do pixel para cada resolução, dentre as mais comuns: R ESOLUÇÃO ( EM DPI) T AMANHO DO PIXEL (MM ) R ESOLUÇÃO ( EM DPI) T AMANHO DO PIXEL ( MM ) 36 0,705555 240 0, 72 0,352777 300 0, 96 0,264583 400 0, 120 0,211666 450 0, 144 0,176388 500 0, 150 0,169333 600 0,
Então se o pixel tem um tamanho, mesmo que dependa da resolução, temos como saber o tamanho real de cada imagem. Eis aí uma causa freqüente de problemas: o desconhecimento do tamanho real da imagem digital. Uma rápida busca no sítio de buscas Google pode dar uma idéia da confusão que pode tomar conta de um usuário disposto a entender o problema. Existem explicações, das mais absurdas, sobre o assunto, e também explicações corretas, mas... em qual delas confiar? Para saber o tamanho real de uma imagem, há um meio simples e prático, usando o aplicativo Photpaint da Corel (versões 8 a 12). Deve-se clicar em Imagem\ reamostrar, (mas sem finalizar a operação). Pode-se conhecer o tamanho, em mm, pol, cm, ou pixel, e também, a resolução. O outro meio é fazer uma conta simples: se você conhece a resolução se sabe quantos pixels tem a imagem de largura e comprimento, é fácil. Usemos como exemplo uma imagem de 1024 x 768 pixels a 96 dpi: conforme a tabela acima, o pixel de 96 dpi mede 0,264583 mm;
(^5) É o acrônimo de Picture Element. É o menor elemento de uma imagem digital ou digitalizada. São aqueles ‘quadradinhos’ (como preferem resumir os alunos...) que aparecem quando você amplia muito uma imagem, no computador, durante a visualização. 6 Dots per inch ou pontos por polegada (ppp).
então: 1024 x 0,264583 = 270,93 mm/ 768 x 0,264583 = 203,19 mm. Então resumindo, se você sabe quantos pixels tem a imagem de largura e comprimento, e a resolução, vc tem a informação suficiente para descobrir o tamanho real. É muito importante entender a questão do tamanho, porque os usuários trabalham com áreas de trabalho virtuais que dependem do tamanho da tela do monitor e da resolução ajustada, de modo que quase sempre o que se vê na tela não está no seu tamanho real. Então temos duas coisas distintas o tamanho em que a imagem é visualizada no aplicativo que a importou, e o tamanho real.
2 - A resolução padrão para impressos gráficos Notaram que, logo de início, citamos uma imagem resolução de 300 dpi? Este não é um número definido ao acaso. Se o leitor e fizer um teste e consultar diversas pessoas do ramo, quase todos vão dizer que a resolução adequada párea impressão é 300 dpi, mas raramente alguém saberá dizer o porquê. Há mais de dez anos o mercado gráfico segue alguns padrões definidos por grupos de estudos de tecnologia gráfica cujos resultados foram publicados na revista Seybold (USA). Se a aplicação principal à qual se destina uma imagem digitalizada, for a impressão industrial existem algumas regras a serem seguidas, é claro que se for outra qualquer o usuário pode escolher o que bem entender. Para impressão industrial existem regras claras porque os processos de reprodução e impressão não são perfeitos, mas possuem limitações que deve ser respeitadas. No caso dos 300 dpi foi definido, e adotado em nível mundial, que o tamanho de um pixel adequado aos trabalhos gráficos seria de 0,083 mm, porque fica abaixo da resolução do olho humano que é de 0,1 mm e porque foi estabelecido que a retícula (convencional, não estocástica, portanto) de maior linhatura, que poderia ser impressa, em impressoras offset , flexográficas e rotográficas, em qualquer parte do mundo, sem matrizes especiais, é a de 150 linhas, e uma resolução de 300 dpi deixa o pixel com metade do tamanho do ponto da retícula, atendendo ao requisito de melhor amostragem ( sample rate explicada adiante). Usar resoluções maiores para diminuir o tamanho dos pixels não produz ganho perceptível e aumenta desnecessariamente o tamanho dos arquivos. Uma imagem digital, já reamostrada para 300 dpi, deve ser sempre utilizada numa arte no seu tamanho original. Em casos extremos pode ser ampliada em até 20% dependendo da importância da nitidez da imagem para a peça gráfica, e pode ser reduzida à vontade, sem limites, pois na redução, é claro, o pixel ficará cada vez menor. Mas quando reduções extremas são necessárias, o mais indicado é reamostrar a imagem para diminuir o tamanho do arquivo. Devemos pensar a questão do tamanho dos arquivo a longo prazo. Pouco importa 5 MB a mais
Via de regra as imagens das câmeras digitais nunca podem ser utilizadas como são recebidas das câmeras sem a conversão de padrão de cor e de formato. Todas as câmeras geram imagens em RGB^9 e com resolução de 72 dpi o que é inaceitável para uso gráfico. O primeiro passo é convertê-las para CMYK^10 e, antes de qualquer tratamento ou modificação, na imagem. Lembre-se de que o resultado desta mudança é quase imperceptível nas telas dos computadores, onde tudo é visualizado por RGB, mas muito significativa para os resultados na geração dos fotolitos e gravação das matrizes de impressão, que utilizam as 4 cores básicas de impressão CMYK. O segundo, é converter o formato e a resolução, para 300 dpi, o que indiretamente, auxilia a descobrir o tamanho máximo usável. A conversão para CMYK é um procedimento simples em aplicativos como Corel Photopaint entre outros^11 ; já o procedimento de conversão é denominado reamostragem, e é relativamente simples, embora seja um pouco diferente e tenha nomes diversos, nos menus, conforme o aplicativo. Aberto o arquivo da foto desejada, deve-se solicitar a reamostragem a seguinte modificação: redução de 75% (o resultado deverá ser ¼ do tamanho inicial!) e mudança de resolução para 300 dpi. O resultado geralmente não é muito animador para quem adquiriu uma câmera digital pensando estar adquirindo a oitava maravilha do mundo (às vezes cara) e acaba descobrindo que o tamanho máximo usável (em aplicações gráficas) é muito menor do que o que lhe foi informado pelo vendedor ou fabricante. Veja, uma imagem produzida por uma câmera digital (Nikon Coolpix 880 de 3 Mp, por exemplo), na sua mais alta resolução, resulta numa imagem de 54 x 72 cm que chega a impressionar, mas que, não vale nada para aplicações em impressos gráficos! Esta imagem após reamostrada para o padrão do meio gráfico (redução de 75% e mudança de 72 para 300 dpi) fica com 13 x 18 cm, com resolução de captura de 300 dpi, num total final de cerca de 1.536 pixels x 2127^12. Como estamos vendo, as coisas não são tão complicadas assim, como se pensa.
5 – Definindo a linhagem da retícula de impressão Muitos pensam que a linhagem da retícula (no fotolito) é definida automaticamente, porque raramente informam isso aos birôs. Não. Não é automático. Um birô, conhecendo as
(^9) Red, Green, Blue, ou vermelho, verde e azul violeta. São as cores primárias aditivas, ou síntese aditiva ou ainda cores básicas. (^10) Cyan (azul ciano), magenta, amarelo e preto. São as cores básicas utilizadas em qualquer processo de impressão. (^11) Embora o Photoshop da Adobe seja de longe o preferido da maioria dos diretores de arte, e nosso também, é preciso tomar cuidado. Conforme examinamos na Versão 6,7 e 8 e CS8, quando se pede para reamostrar, ele mostra de imediato que a imagem deve ser reamostrada para 300 dpi, o que leva, muita gente ao erro, dando a entender que já está em 300 dpi. Faça você mesmo o teste, abra uma imagem que você sabe estar em 72 dpi, e veja o que ele irá mostrar. Já no Photopaint, da corel (versões 8, 9, 10, 11 e 12), quando pedimos para reamostrar, a primeira informação que aparece é a informação da imagem no estágio atual. 12 13 cm ÷ 2,54 = 5,12 x 300 dpi = 1.536 // 18 cm / 2,54 = 7,09 x 300 dpi = 2127 pixels 2127 de comprimento, o que equivale a 3,27 Megapixels (obviamente = 1536 x 2127). Note que este tamanho de 13 x 18 cm é o máximo a ser usado para esta foto, comuma retícula de 150 lpi.
gráficas do seu mercado próximo, muitas vezes não perguntam porque conhecem as limitações dele. O fato é que a linhagem da retícula é algo que pode ser definido caso a caso. Um trabalho em especial em que se quer a retícula bem visível, pode ser solicitado saída em filme, com linhagem de 2 lpi, 8, 16, 30, qualquer número até o limite da plotter. Se os clientes não especificam a linhagem, os birôs dão saída em 150 lpi. Vários usuários não sabem o que é isso, e os operadores teriam que explicar... Seria mais complicado e requereria tempo, artigo sempre em falta nos birôs... Definitivamente, não é algo totalmente automático! Note que usar resolução de imagem de 300 dpi e retícula de 150 lpi é algo tão estabelecido e difundido que se assemelha a uma espécie de lei celestial. É uma garantia de bons resultados quando não se conhece o assunto. Mas isso tem efeitos colaterais. Alguns usuários acham que se reamostrarmos uma imagem, ela poderá ser utilizada sem que o pixel apareça. Mas ao que tudo indica, está na hora de abrirmos os olhos e usarmos a regra como ela é: genérica. A Editora Três é implantou nas revistas Isto é e Isto é Gente (e talvez em outras publicações...) há quase dois anos, a retícula estocástica. Uma retícula de pontos distribuídos aleatoriamente e de tamanhos variáveis. Desde a sua invenção em 1884, a retícula foi vem usada como foi criada: um trama de pontos equidistantes, cujo tamanho varia, mas os centros dos pontos não. A retícula estocástica possui pontos aleatórios e de tamanho variável conforme a imagem. A retícula estocástica não possui linhatura como conhecemos, já que a distribuição dos pontos aleatórios. Só podemos falar de uma linhatura equivalente. Por exemplo, a linhatura da estocástica usada nas revistas citadas equivale a 200 linhas. Então não podemos continuar usando 300 dpi como regra, mas sim 400 dpi, certo? A regra estabelece que a resolução deve ser igual a 2 x a linhagem...
6 – Interpolando imagens manualmente “Mas será que em casos especiais não seria possível uma utilização de uma imagem fora desses parâmetros?!...” É uma pergunta que muito fazem. A taxa de amostragem de 2:1 foi deliberadamente definida para o pixel não aparecer, nos impressos. Igualmente, no meio gráfico, é comum, a limitação das ampliações de cromos a 6 vezes para, do mesmo modo, o grão (da película) não aparecer, quando ampliado. Não é o caso de que o grão do original físico esteja ‘censurado’ de parecer, mas como regra geral, ele não deve. Contudo, se a imagem é muito importante, mais do que a sua resolução, o que é muito comum em jornalismo, vale o conteúdo. Já na publicidade é radicalmente diferente. Quase tudo é sempre muito planejado, daí a prevalência da imagem nítida, em foco, sem pixels visíveis.
O JPG é um padrão de compactação de dados que pode variar de uma compactação mínima (preservando a maior parte da imagem), mas resultando em tamanho de arquivo maior (embora menor do que o descompactado ou TIF), ou radicalmente o inverso, e este, com menor maior compactação é justamente o preferido dos web designers. Mas é evidente que, de modo algum, se deve condenar um formato, baseado no julgamento das suas mais freqüentes aparições e/ou utilizações! O JPG é o resultado de anos de trabalho de um grupo multidisciplinar composto de vários pesquisadores, visando encontrar um denominador comum entre o menor tamanho de arquivo possível e a melhor representação de um original digitalizado, como por exemplo, aquilo que era definido no arquivo TIFF. Além do mais existem subformatos no JPG para usos diferenciados: O JPG 4:4:4 e 4:2:2 (são comuns e vêem no Corel Photopaint); detalhes importantes que a maioria desconhece porque geralmente aceita as predefinições dos aplicativos, nas indefectíveis janelinhas de diálogo, com um cursor móvel, numa escala que varia de “máxima qualidade (arquivo maior) e arquivo menor (qualidade menor)”, que devemos ajustar. Quando se trata de aplicações gráficas, devemos ter controle sobre o processo, porque muitas regras não estão incorporadas nos aplicativos, dependem de nosso raciocínio e decisão! No Photopaint, o subformato JPG 4:4:4 é destinado a aplicações profissionais com perdas imperceptíveis sem compressão e com perdas mínimas em baixas taxas de compressão, como por exemplo, 20% de compressão e 12 % de suavização, valores que você define ao exportar um arquivo, de um formato para outro. Testamos essas taxas e comprovamos que as alterações são imperceptíveis. Valores maiores, porém causam perdas mais significativas. A foto que usamos como exemplo, na primeira parte deste artigo, no formato JPG e em RGB tal e qual foi gerada pela câmera a 72 dpi, com 1.536 x 2127 pixels, ou 3,27 Megapixels, possuía 1,2 MB; Após a redução de 75%, reamostragem para 300 dpi e conversão de RGB para CMYK resultou em um arquivo com 1,52 MB, em JPG no sub-formato 4:4:4; Se for exportado para TIF, totalmente descompactado resultará em 13,33 MB; Se deste formato for novamente reexportado como JPG (4:4:4) sem nenhuma compressão (é claro que sempre tem alguma, mas mínima) resultará em 4,11 MB; se deste formato for reexportado para JPG com compressão e suavização mínima (30 e 20, compressão e suavização, respectivamente) cai para 1,31 MB. Mas aí temos distorções na imagem, embora ainda pouco perceptíveis. Note que a imagem descompactada, em JPG 4:4:4, ocupa menos de 1/3 do espaço de um arquivo descompactado, como o TIF, por exemplo. Obviamente significa menos tempo de envio pela Internet. Mas se precisamos enviar 10 fotos, de 4 MB cada, 40 MB significa muito tempo de download , e maiores possibilidades de erro, para quem vai receber. Por isso é sempre uma boa prática enviar arquivos separadamente, um em cada mensagem.
Se estamos tratando de uma imagem que precisa ser utilizada na sua ampliação máxima e queremos garantir extrema definição, é uma boa prática exportar de TIF para JPG numa resolução maior do que a que será efetivamente utilizada, por exemplo: se precisamos utilizar a foto no tamanho 13 x 18 cm, que é o máximo, pelos padrões gráficos, a 300 dpi, e desejamos reduzir o tamanho do arquivo para a remessa, devemos reamostrar a imagem para um tamanho 20% maior, no caso 15,6 x 21,6 (20%) , mantendo os 300 dpi, avisando o destinatário, que o tamanho máximo utilizável é 13 x 18; ele deverá fazer a reamostragem após receber o arquivo. Embora os números e nomes acima possam ter dado um nós nas sinapses dos neurônios dos leitores, voltemos ao mundo inteligível. A nossa conclusão é de que é possível sim, usar o JPG em aplicações profissionais, respeitando-se o uso do padrão CMYK e a resolução adequada, bem como a sample rate. Essa conclusão não é baseada simplesmente na visualização da imagem no monitor do computador, aliás a visualização no monitor, raramente é confiável, a menos que você possua um sistema de calibração profissional, e não nesses brinquedinhos de calibração, que não sabem o monitor e impressora que você tem, mas supõem... É uma longa história^14 que não pode ser explicada aqui, (ver nota 12) mas, para encurtar, as cores no monitor são construídas a partir de uma paleta RGB, ou cores luz, ou síntese aditiva de cores, composta por vermelho, verde e azul. Nos impressos é utilizada a síntese subtrativa de cores, com magenta, azul cyan e amarelo, mais o preto, ou CMYK. Então dificilmente as cores vistas no monitor podem ser impressas com CMYK. Para piorar a situação, os ajustes de brilho e contraste de cada monitor interferem drasticamente na imagem que se vê na tela, podendo não corresponder exatamente ao que está no arquivo. Por isso é que vemos tantas imagens impressas ruins, com cores, brilho e contraste distorcidos. Se há brilho demais no monitor, o operador tenta aumentar o contraste da imagem através do aplicativo; se tem contraste demais, ele tenta aumentar o brilho, para compensar... Mas ainda pode ficar pior! Se o monitor tem uma distorção de cor, para o azul, por exemplo, o operador tenta diminuir este excesso, às vezes sem considerar que aquele desvio não está no arquivo, mas apenas no monitor. Como se vê a questão das interfaces é complicada. A redução do tamanho do arquivo facilita o transporte e/ou envio pela Internet para o armazenamento. Mas uma coisa deve ser entendida e nunca deve ser esquecida: armazenar é uma coisa, utilizar é outra. Ao utilizar arquivos JPG nas artes finais eletrônicas, nunca se esqueça de convertê-los em TIF antes de importar as imagens para os documentos de Corel, Pagemaker e/ou Quark-x-press, entre vários outros Este é o formato para o qual estão mais bem ajustadas as Imagesetters , ou impressoras de imagem, que ao fim e ao cabo, farão a impressão fotográfica dos fotolitos. Note que elas não
(^14) Os problemas de reprodução de originais estão sujeitos a inúmeras variáveis e para considerar cada uma delas devemos conhecê-las. Os problemas de reprodução foram abordados em um trabalho apresentado no SIPECs/Intercom
No exemplo abaixo, a foto do meio é a correta; à esquerda dela, a imagem está distorcida (comprimida) verticalmente; à direita está distorcida (expandida) horizontalmente. Imagine que você nunca tenha visto o produto... Qual formato estará na sua memória ao procurá-lo no supermercado? Teremos nós a capacidade de imaginar o formato e proporções corretos?... Difícil. Por incrível que pareça, isso tem sido feito com fotos de pessoas, também, aí o erro é mais dramático. Aqueles que são altos e magros aparecem como baixos e gordos, quando a imagem é comprimida verticalmente; mas ficam esqueleticamente magros quando é comprimida horizontalmente; por outro lado, os que são baixos e gordinhos, ficam anões e gordos, no primeiro caso e lindamente esbeltos, no segundo caso de compressão de imagem.
Agora com as questões técnicas esclarecidas o leitor certamente não terá mais desculpas para uso inadequado de imagens digitais, formatos e resolução. Na Produção Gráfica, área da Publicidade que cuida do orçamento e supervisão de execução de quaisquer tipos de impressos, do escaneamento à impressão, o que acabamos de explicar, na parte um e nesta parte dois, é exatamente o que se denomina como reprodução de originais. Desejando maior aprofundamento nas questões dos originais, solicite ao autor, os trabalhos apresentados e publicados nos anais dos SIPECs/Intercom^15.
R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BAER, Lorenzo. Produção Gráfica. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 1999. 288 p.
BRAUN, Eliezer. El saber y los sentidos. México: Fondo de Cultura Econômica, S. A. de C.V., 1991. 154 p.
CARRAMILLO NETO, Mário. Seminário de artes gráficas. São Paulo: Unida&Bosateli, 1985.
(^15) SIPECs/Intercom (Simpósios de Pesquisa da Intercom/ Sociedade Brasileira de estudos Interdisciplinares da Comunicação).
_______. Contato imediato com produção gráfica. 1. ed. São Paulo: Global, 1987. (Coleção contato imediato).
______. Produção Gráfica II: Papel, Tinta, impressão e acabamento. São Paulo: Global, 1997.
______. Curso Burti 2000: Fotorreprodução. São Paulo: Burti, 2000. 46 p.
MARTINS, Júlio. Nova e mais abrangente classificação em Produção Gráfica: Tipos de originais destinados à reprodução. IN: Simpósio da Pesquisa em Comunicação da Região Sudeste, 8., 2001. VIII Sipec Anais. Vitória: Intercom, 2001. 1 CD-ROM, GT4.
RABAÇA, Carlos Alberto; BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. São Paulo: Codecri,
SANTAELLA, Lúcia. A percepção: uma teoria semiótica. 2 ed.. São Paulo: Experimento, 1998. 154 p. ______. Matrizes da linguagem e pensamento: Sonora, visual, verbal. São Paulo: Iluminuras, 2001b. 432 p.
[Filename:art_02_ago_2006_foto digital e resol_03.doc] [184832 Bytes] [14 pgs.] [29114 caracteres] [5741 palavras ][gravado em 20/10/2006 11:49:00] [© 2006 - Júlio Martins]