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Tipologia: Resumos
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LEONARDO MONTES
Concorde-se ou não com atendimentos mediúnicos em casa, o fato é que eles existem. Todos os dias, milhares de médiuns vestem-se de branco, tomam seus banhos de ervas, vão até o quintal ou a um cômodo nos fundos de suas casas, incorporam seus guias e atendem amigos, familiares e, por vezes, desconhecidos que os procuram em busca de uma palavra amiga, um socorro espiritual, uma caridade.
O assunto, porém, é controverso. Muitas pessoas não concordam com essa modalidade de prática mediúnica e alguns a condenam veementemente, apontando problemas e perigos.
Como em todo assunto tabu o problema está nos extremos. De um lado, encontramos pessoas que afirmam trabalhar em casa sem uma mínima preocupação com as firmezas; de outro, encontramos uma multidão taxativamente negando qualquer possibilidade de êxito em trabalhos dessa natureza e, no meio dessas duas opiniões, oferecemos um caminho, sugestões para quem decidiu trabalhar de forma solitária ou em pequenos grupos numa residência ao invés de um terreiro formalmente constituído.
Mas, não é errado? Muitos me perguntam... Ao que sempre respondo: Se fosse errado, seu guia viria? Quando Kardec começou suas pesquisas as reuniões não aconteciam em casa? Quando Zélio começou a atender, não foi em sua própria casa? Então, como pode ser errado?
Por fim, devo deixar claro (e farei isso novamente em outros trechos) que este livreto se destina aos médiuns já desenvolvidos, que conhecem suas entidades, que já sabem
Permaneci pouco mais de um ano em meu primeiro terreiro. Um ano parece pouco, mas foi o suficiente para desenvolver a minha mediunidade. Eu já estava trabalhando com a direita e com a esquerda, mas, como todo médium iniciante, tinha muita insegurança e receios.
Diversos problemas fizeram com que eu e alguns companheiros nos afastássemos dessa primeira casa. Entre esses companheiros, alguns tinham laços de amizade mais fortes e passamos a nos encontrar, periodicamente, para conversar, confraternizar, essas coisas.
Todos sentiam falta do trabalho espiritual e tínhamos, a nossa frente, um dilema: Parar com tudo ou encontrar uma nova casa?
Muitos desses companheiros visitaram outros terreiros, mas acabaram não se identificando. Eu preferi esperar um pouco. O tempo passou e, certo dia, um amigo me disse que, durante o Culto do Evangelho no Lar, o seu preto-velho havia incorporado sugerindo que começássemos, ali mesmo, um trabalho mediúnico.
A princípio, receio. Eu nunca incorporei em casa e não concordava com atendimento mediúnico em casa. Casa é um ambiente privativo, pessoal, não serve para essas coisas, pensava... Marcamos, então, de nos reunirmos para uma
confraternização quando comecei a sentir a vibração do meu exu.
Disfarcei o quanto pude, mas meus amigos acabaram percebendo e me deixaram muito à vontade para recebê-lo e eu acabei permitindo a manifestação. A entidade veio na garagem da casa e disse que devíamos começar a trabalhar no quintal daquela mesma casa.
Começamos, então, semanalmente, um pequeno trabalho mediúnico praticamente para nós mesmos. Algum tempo depois, os guias pediram para chamarmos pessoas conhecidas. Meses depois, autorizaram a abertura dos portões da casa a desconhecidos e, ao final de quase um ano, autorizaram a constituição formal da nossa Casa de Umbanda União.
Assim, caro leitor, minha intenção ao escrever este livreto é apenas o de compartilhar a minha experiência como médium que atendeu em casa por quase um ano e oferecer apontamentos que possam ajudar outros médiuns que estejam passando pela mesma situação, não pretendendo incentivar ninguém a trabalhar em sua própria residência, mas busco orientar os que assim desejarem.
e poderá viver situações decepcionantes. Escute-o. Ele é seu melhor amigo e sabe o que é melhor para você segundo a sua programação reencarnatória.
Se a resposta dele for sim, passe para o próximo capítulo.
Muito bem! Seus guias concordaram que você trabalhe fora do terreiro, mas, onde? Lembre-se que, em espiritualidade, energia é tudo. Se em sua casa o ambiente for desequilibrado emocionalmente, cheio de brigas e discussões, não será o melhor local para você iniciar o trabalho. Neste caso, melhor trabalhar na casa de um amigo, parente, enfim, um local onde a vibração espiritual seja mais harmônica.
A escolha de um local é de suma importância. Não deixe de ouvir seus guias. Decidido o local é necessário pensar no espaço.
Muitos médiuns começam na garagem ou no quintal, que são espaços maiores e mais neutros da casa.
Não recomendo, de forma alguma, que você trabalhe em quartos. Quarto é algo privativo, íntimo e deve ser respeitado. Se você mora num apartamento sem garagem ou quintal, restam a sala ou a cozinha.
Estes, sem dúvida, não são os locais mais adequados, mas são melhores que os quartos e podem ser utilizados. Muitos médiuns trabalham assim: arrastam sofá, mudam estantes de lugar, arreda uma coisa aqui, outra ali e assim ganham algum espaço.
Antes de qualquer coisa, ganhe espaço. Ainda que você espere apenas duas ou três pessoas, é fundamental que haja espaço para aguardarem tranquilamente e onde você possa se mover sem barreiras. Consiga, portanto, algumas cadeiras.
Tire do ambiente quaisquer objetos que possam distrair a atenção ou oferecerem perigo (ex.: tire a mesa de centro do local. Você não vai querer que seu caboclo escorregue e caia em cima dela, vai?).
Lembre-se de manter o local limpo e conservado. Ninguém quer se consultar com as entidades num lugar sujo. Não há necessidade de luxo, apenas a boa e velha limpeza básica.
Se você quiser decorar o ambiente, decore. Flores, velas, quadros são sempre bem-vindos. Deixe o ambiente confortável para você e para os consulentes.
A única imagem fundamental é a de Jesus. Você pode colocá-la fixada numa parede ou em cima de uma mesinha, estante, algo em que possa apoiá-la. Se você for colocá-la em uma mesa, lembre-se de estender um pano branco por
cima. Acenda uma vela branca e coloque junto um copo com água.
Lembre-se que, ao posicionar a imagem, acender a vela e colocar o copo com água, isso se torna uma firmeza e deve ser feito com o máximo de respeito e sempre em oração.
Consiga um pedaço de ardósia ou madeira onde possa riscar o ponto do chefe da casa (pergunte às entidades quem será). Em todos os trabalhos esse ponto deverá ser riscado e firmado perto do altar.
Lembre-se, também, de deixar à vista ou bem localizado todos os elementos de trabalho de suas entidades, pois se for preciso pegá-los rapidamente, qualquer um poderá fazê- lo.
Pronto, seu ambiente está preparado para receber pessoas e logo o trabalho mediúnico começará. Mas, antes, vamos olhar para o lado de fora.
Se for possível, convém que você construa uma tronqueira de tijolos ou de madeira e deixe-a em um local fixo e passe a por nela estes elementos.
Do outro lado do batente da porta, coloque um punhal (você compra em casas religiosas) fincado no chão, um copo com cachaça e outro com sal grosso e carvão. Se não puder fincar o punhal, caso o chão seja de piso, mantenha o copo com carvão e sal grosso.
A primeira firmeza é de onde os guardiões tirarão a força necessária para estabelecer o campo vibratório de proteção e, a segunda, servirá para atrair quaisquer cargas negativas das pessoas que passarão pelo trabalho.
Você deve fazer esse procedimento antes da chegada da primeira pessoa para atendimento. Eu sugiro uma hora antes.
Se você é um médium desenvolvido já sabe que, antes de todo trabalho, pelo menos 24 horas antes, você precisa se abster de sexo, carne, bebidas alcoólicas e fumo , além de redobrar seus cuidados com os pensamentos e com a oração, certo? Isso continua valendo!
Deve tomar seu banho higiênico e, em seguida, um banho de ervas. Em caso de dúvidas sobre quais ervas utilizar, converse com seus guias e veja o que é melhor para você.
Da mesma forma, você deve continuar atendendo de branco: Calça cumprida e camisa branca para homens e o mesmo para mulheres, tendo acima da calça uma saia branca.
Antes de o primeiro consulente chegar você já deve estar pronto e convém que você mesmo os recepcione na entrada, caso trabalhe sozinho ou deixe alguém para receber e encaminhar os consulentes.
Se possível, deixe um pequeno aparelho de som tocando músicas instrumentais ou new-age, isso ajuda a relaxar.
A abertura do trabalho continua a mesma: saudação aos Orixás, aos guias, aos guardiões, à linha que irá trabalhar, ponto de defumação, abertura da gira, bater cabeça, etc. Nada muda!
Se tiver alguém para tocar atabaque, toque. Se não tiver, cante você mesmo. Cante os pontos com fé e faça todo o processo normalmente.
Ainda que seja apenas um médium, o ritual deve ser, em essência, o mesmo que se veria num terreiro, pois ele é fundamental para harmonização do ambiente e favorece a concentração mediúnica.
Para ajudar, você pode deixar tocando pontos da linha de trabalho num pequeno aparelho de som. Você baixa da internet e coloca num pendrive e deixa tocando enquanto incorpora e atende.
Aqui fazemos assim e é muito bom.
Nunca deixe de lado a defumação. Ela é de vital importância em quaisquer trabalhos umbandistas e você precisará fazê- la, não importa se houver apenas um consulente ou dezenas.
Para isso, você precisará de um recipiente. Não precisa ser um turíbulo, pode ser uma panela pequena que você não usa, mas que se destine apenas a isso. Você pode adaptar nela uma corrente ou mesmo um arame para fazer de alça.
Queimar o carvão não é tão fácil. Compre álcool de posto (pois queima melhor), jogue um pouco e acenda o carvão. Tome muito cuidado para não se queimar. Deixe o carvão arder até começar a ficar vermelho. Não deixe para queimar em cima da hora ou o carvão não fará brasa. Uns 20 minutos antes do início dos trabalhos é o suficiente.
Tenha, de antemão, um preparo com ervas secas numa vasilha (você pode plantar, colher e deixá-las secar ou comprar em casas de artigos religiosos).
A mistura das ervas tende a ser uma mistura forte para limpeza e para harmonização do ambiente. Recomendo: Arruda, guiné, casca de alho, casca de cebola, manjericão, alecrim, alfazema, benjoim, incenso, etc. Faça a sua própria mistura e veja o que fica melhor ou consulte as entidades sobre quais ervas utilizar, lembrando que normalmente se combinam ervas em números ímpares (cinco normalmente bastam).