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Catedrático de Entomologia
Tipologia: Notas de estudo
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1 .º TOMO
CAPÍTULO I - XXI
DA COSTA LIMA
CAPÍTULO XI
Ordem PHASMIDA
É a e s t a o r d e m q u e p e r t e n c e m os i n s e t o s m a i s l o n g o s q u e se c o n h e c e.
As n o s s a s m a i o r e s e s p e c i e s são: B a c t r i d i u m grande R e h n , 1920, c u j o t i p o ( f e m e a ) t e m 265 rum., Otocrania aurita
(Bruto., 1839), cuja femea pode apresentar até 245 mm., e
P h i b a l o s o m a p h y l l i n u m ( G r a y , 1835) c o m f e m e a s q u e a t i n - g e m a 220 r u m. de c o m p r i m e n t o. T o d a v i a , é n a r e g i ã o O r i e n - t a l q u e v i v e m os v e r d a d e i r o s g i g a n t e s d e s t a o r d e m e a l i á s de t o d a a c l a s s e de i n s e t o s , c o m o s e j a m P h o b a e t i c u s kirbyi B r u n n e r & R e d t e n b a c h e r , 1907, e P h a r n a c i a serratipes ( G r a y ,
Se ha nesta ordem insetos tão grandes, nela tambem se encontram algumas especies relativamente pequenas, com
pouco mais de 1 cm. de comprimento, do genero Abrosoma, t a m b e m d a r e g i ã o O r i e n t a l.
c u r a s , o u m e s m o b r i l h a n t e m e n t e c o l o r i d a s , c o m o a s a s a s d a s
b o r b o l e t a s e m a r i p o s a s. Q u a n d o n u m a e s p e c i e u m d o s s e x o s é a p t e r o e o o u t r o a l a d o , este é s e m p r e o m a c h o. P e r n a s do t i p o a m b u l a t o r i o , g e r a l m e n t e l o n g a s e r e l a t i - v a m e n t e d e l g a d a s , p r i s m a t i c a s o u s u b - c i l i n d r i c a s , p r o v i d a s de d e n t e s o u s a l i e n c i a s f o l i a c e a s , q u e m a i s c o n t r i b u e m p a r a a u - m e n t a r a s e m e l h a n ç a d e s t e s i n s e t o s c o m g a l h o s. P e r n a s pos- t e r i o r e s do m e s m o t i p o d a s m e d i a s ; e x c e p c i o n a l m e n t e p o d e m apresentar os femures consideravelmente dilatados. Pernas anteriores tão ou mais longas que as outras, com os femures
PHASMIDA 191
Fig. 90 - Acanthoderus 20-spinosus (Redtenbacher,
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nogenetico dos Fasmideos tem a aptidão de evoluir por si mesmo no sentido de uma ou de outra sexualidade.
(1916) verificou que o Carausius morosus, num periodo de
postura de 225 dias, poz, em media, 480 ovos, tendo tambem o b s e r v a d o u m m a x i m o de 712 o v o s. No Rio de Janeiro o Sr. CARLOS ALBERTO SEABRA , tendo apanhado a 27 de Setembro, em postura, uma femea de Phi-
Fig. 91 - Ovos de Fasmideos: 1 , de Phi- balosoma phyllinum, X 5; 2, de Pseudol- cyphides tithonus (Gray, 1835) (sub-fab. Pseudophasminae), X 10; 3 , de Prisopus ohrtmanni (Lichtenstein 1802), X 3,5 (sub- fam. Pseudophasminae).
balosoma phyllinum e alimentando-a com folhas de Ficus, ob- teve da mesma 152 ovos. As primeiras formas jovens nasce-
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rama 18 de Janeiro do ano seguinte. Por esta observação, ve- rifica-se quão lento é o desenvolvimento embrionario nesta es- pecie (103 dias para os primeiros ovos colhidos).
As femeas, em geral, não escolhem um lugar especial para a postura; como se acham quasi sempre pousadas sobre as plantas, deixam cair os ovos no solo. Ha mesmo algumas. especies que os projetam a alguns metros de distancia. Os ovos dos Fasmideos são os que me parecem mais curio- sos, lembrando sempre uma produção vegetal.
Assim os ovos de Phyllium bioculatum Gray, 1832, da re- gião O r i e n t a l , s e g u n d o HENNEGUY, t ê m a f o r m a d e u m a q u e -
nio de Umbelifera. Em geral, porém, sâo muito semelhantes
a sementes, apresentando, além do operculo num dos pólos, p o r o n d e s a e a f o r m a j o v e n , u m a d e p r e s s ã o l a t e r a l a n a l o g a a uma micropila. O interessante é que, em alguns desses ovos, a estructura do corium, observada ao microscopio, tambem o f e r e c e g r a n d e s e m e l h a n ç a c o m a de u m t e c i d o v e g e t a l ,
As formas singulares de alguns desses ovos podem ser apreciadas no trabalho de KAUP (1871). Das especies brasi- leiras este autor apenas descreveu os ovos de Phibalosoma p h y l l i n u m , de H e r p u n a n e p t u n u s ( K a u p , 1871) e de P r i s o p u s s p i n i c e p s B u r m , 1839. M a i s t a r d e GOELDI (1886) d e s c r e v e u e figurou os ovos de Phibalosoma phyllinum e de Ceroys per- foliatus ( G r a y , 1835). H a t e m p o s tive o e n s e j o de a p r e s e n t a r os d e s e n h o s q u e a q u i r e p r o d u z o , f e i t o s p o r C. LACERDA, d e ovos de P h i b a l o s o - m a p h y l l i n u m , de Pseudolcyphides t i t h o n u s ( G r a y , 1835) e d e
Prisopus o h r t m a n n i ( L i c h t e n s t e i n , 1802). Os ovos d e s t a u l -
t i m a especie s ã o i n t e r e s s a n t i s s i m o s , pois, a o c o n t r a r i o do q u e s u c e d e c o m os d e m a i s F a s m i d e o s , s ã o colados, e m serie l i n e a r , n u m s u p o r t e q u a l q u e r.
PHASMIDA 195
É interessante ver as atitudes curiosas e ás vezes grotes- cas, que alguns Fasmideos apteros exibem, quando em repouso ou prestes a se mover.
Habitualmente ficam, horas a fio, completamente imo- veis, com as pernas dianteiras projetadas para diante, cobrin- do a cabeça e as antenas, e as outras pernas distendidas para trás. E mesmo quando elevam o corpo sobre as pernas, podem fazer movimentos, ou assumir atitudes, que ás vezes os tornam irreconhecíveis no meio em que se acham.
Ainda como especies que se confundem perfeitamente
com o local em que se assestam, devo citar especialmente os nossos Prisopi, dificilmente descobertos quando pousam num tronco revestido de liquens. Estes insetos, dizem alguns tra- tadistas, são aquaticos, pelo menos em parte. Esta noção se originou da informação contida num trabalho de MURRAY
(Ann. Mag. Nat. Hist., 1866) sobre os habitos aquaticos de
Prisopus flabelliformis (Stoll, 1815). A informação foi co- municada a MURRAY por FRY, que, por sua vez, a colhera de uma pessoa que observara o inseto, durante o dia, mergulha- do e agarrado á pedras de um riacho, numa montanha do Brasil. Bem que tal observação nunca mais fosse confirma- da, pois os Prisopi apanhados desde então têm sido sempre encontrados sobre o tronco das arvores, adquiriu, entretanto, fóros de verdade cientifica. GAHAN (1912), porém, demonstrou não haver o menor fundamento cientifico para se acreditar em habitos tão extranhos desses Fasmideos. Convem ler-se a respeito o recente trabalho de UVAROV (1935).
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Ainda como f e n o m e n o s curiosos a assinalar, relativos á biologia dos Fasmideos, d e v e m ser r e f e r i d a s a a u t o t o m i a e a a u t o f a g i a e c o n s e q u e n t e r e g e n e r a ç ã o h i p o t i p i c a dos segmen- tos ou a p e n d i c e s a m p u t a d o s , f e n o m e n o s estes b e m e s t u d a d o s p o r BORDAGE (1910). Deve ser t a m b e m l e m b r a d a a c a t a l e p s i a observada em algumas especies por PIÉRON (1913), SCHMIDT
(1913), e o u t r o s.
Talvez s e j a m os m i c r o i m e n o p t e r o s p a r a s i t o s dos ovos que mais contribuam para reduzir consideravelmente a prolifera- ção destes insetos. Ha tempos descrevi um Crysidideo- Duckeia cyanea, n. g., n. sp., que se cria em ovos de Prisopus o h r t m a n n i.
De acôrdo com o sistema proposto por KARNY (1923) com as devidas modificações feitas por HEBARD, a ordem Phasmida compreende 2 grandes familias (elevadas por alguns autores a categoria de superfamilias): Phyniidae ( Areolatae Redt., superfam. Phasmatoidea Brues & Melander) e Phasmidae
( AnareoIatae Redt., superfam. Bacterioidea ).
A família Phyniidae compreende as seguintes subfami- lias: Bacillinae, Therameninae ( Obriminae ) , Pygirhynchinae, Aschiphasminae ( Aschiphasmatinae ), Anisomorphinae, Pseu- dophasminae ( Phasminae, Phasmatinae, Prisopinae ), Hete- ropteryginae e Phylliinae.
A familia Phasmidae compreende as seguintes subfami- lias: Pachymorphinae ( Clitumninae ) , Prisomerinae ( Loncho- dinae ) , Heteroneminae ( Diapheromerinae, Bacunculinae ) , Phibalosominae ( Bacteriinae, Cladoxerinae ), Phasminae
( Acrophyllinae ) e Necrosciinae.
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84 G r. p h y l l o n , f o l h a. 85 G r. p h a s m a , e s p e c t r o. 86 G r. p y g e , p o d i c e , p a r t e p o s t e r i o r d o c o r p o , r h y n e o s , t r o m b a. 87 G r. a n i s o s , d e s i g u a l ; m o r p h e , f o r m a. 88 G r. h e t e r o s , o u t r o ; h e m a , f i o. 89 G r p h i b a l o s , f i g o ; s o m a , c o r p o.
200 INSETOS DO BRASIL
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