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Livro para concurseiros sobre a inteligencia em concursos para assim conseguir a tão sonhada aprovação
Tipologia: Traduções
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Não perca as partes importantes!





























































































A lógica do autor Linguagem e imaginação Aritmética versus álgebra
PARTE 4 – Apêndices
**1. Livros versus TV e computador
Agradecimentos
Sobre o autor Notas de rodapé Créditos e copyright
There are three schoolmasters for everybody that will employ them – the senses, intelligent companions and books [1].
Henry Ward Beecher (1813-1887)
Ao anunciar minha intenção de escrever um livro dedicado a “concurseiros”, muitos me perguntaram:
Nunca é tarde demais! Ler atentamente este livro e colocar em prática suas ideias é, certamente, o primeiro passo para subir a “escada da inteligência” e se livrar da escravidão que é ser um aluno; é um meio eficaz para conseguir se transformar em estudante de fato: um verdadeiro e eficiente autodidata [6]! Note que tudo o que for dito ao longo deste texto tem validade, mesmo que você, por insegurança ou por falta de acesso a informações essenciais, esteja frequentando um curso preparatório, seja ele destinado a concursos públicos ou a exames vestibulares. O que você precisa ter em mente é que as aulas, por mais bem dadas que sejam, são apenas um prelúdio para o verdadeiro trabalho: o estudo solitário. Se você não se conscientizar disso, continuará jogando seu tempo e seu dinheiro no lixo!
You don’t have to be a genius when you’re surrounded by morons [7].
Josh Lieb (1972-)
Em 1967, frequentei um curso de computação na Faculdade de Higiene e Saúde Pública da USP. Era ainda a época dos cartões perfurados e dos gigantescos mainframes.
mudanças poderiam influir na lista de aprovados. A grande surpresa (mantida em segredo por muitos anos) foi a constatação de que, se todas as provas passassem a ter peso ZERO e só fosse levado em conta o resultado do teste de Q.I., a lista de aprovados teria sido praticamente a mesma! Ou seja, quem tem mais chances de se sobressair em um concurso (bem elaborado, insisto) não é quem sabe mais, é quem é mais inteligente! Como só muito recentemente as neurociências demonstraram que inteligência , talento e vocação são qualidades aprendidas, fica óbvio o porquê do sigilo. Naquela época, acreditava-se que a inteligência fosse um fator genético (como a cor dos olhos), e que a divulgação da descoberta poderia desestimular muita gente a estudar. Agora, porém, o resultado daquela simulação, em vez de nos desestimular, nos mostra que a estratégia é simples: se tornar cada vez mais inteligente! Em um mundo onde as pessoas estão sendo cada vez mais imbecilizadas pela TV, pelo video game , pela internet etc., um candidato que se preocupe em melhorar seu nível de inteligência leva uma vantagem enorme. A inteligência é uma commodity que está escasseando. Lembre-se, portanto, da lei da oferta e da procura! Por isso, sua tarefa ao longo deste livro é aprender a se tornar cada vez mais inteligente, única maneira de garantir seu sucesso.
In Italy for thirty years under the Borgias they had warfare, terror, murder and bloodshed but they produced Michelangelo, Leonardo da Vinci and the Renaissance. In Switzerland, they had brotherly love; they had five hundred years of democracy and peace and what did that produce? The cuckoo clock [8]!
Orson Welles (1915-1985)
Durante alguns anos ensinei Teoria Geral dos Sistemas e Cibernética em um programa de pós-graduação na PUC-COGEAE de São Paulo. O curso se destinava a formar terapeutas familiares, e me vi perante a hercúlea tarefa de ensinar o conceito de entropia a pessoas de formação humanística ou, na melhor das hipóteses, biomédica. Para quem nunca estudou termodinâmica, poderia dizer que a entropia de um sistema é o grau de desordem desse sistema. E nem sempre a desordem é algo ruim, algo negativo. É na desordem gerada pelas crises que surgem novas ideias, novos conceitos e até soluções para problemas que, antes da ocorrência da desordem, eram tidos como insolúveis. Outro conceito difícil de explicar foi o de homeostase. Trata-se da tendência que sistemas têm de assumir um estado de equilíbrio.
Se não fosse a homeostase, caro leitor, você estaria agora oscilando entre febres cavalares e tremores gelados. Seu organismo é homeostático. Sua vida é homeostática! Para entender melhor essa ideia, imagine um sistema qualquer que tenta manter uma situação de equilíbrio. Por exemplo, uma bola no fundo de uma cavidade:
Se o sistema for homeostático, quanto mais desequilibrado ele estiver, mais intensas serão suas tentativas de reajuste.
Conforme o sistema vai se alterando, quanto mais ele se aproximar do estado de equilíbrio, mais esses ajustes se tornarão gradativamente mais suaves.
Obviamente, ao atingir o estado de equilíbrio, o sistema para de mudar.
Mas essa é a questão a que quero chegar: o estado de equilíbrio que o sistema atingiu nesse momento é o melhor possível?
E o sistema começa a mudar, a buscar um novo equilíbrio. Provavelmente melhor que o anterior [9]!
Quando alguém resolve se submeter a um exame, a um teste, a um concurso ou a um vestibular, o que normalmente ocorre é um choque entrópico. Um novo equilíbrio deve ser buscado. Tentar voltar ao velho equilíbrio é, por via de regra, terrivelmente contraproducente. Já vi muitos “bons alunos” fracassarem em seus desafios por tentarem repetir os equívocos que cometeram para serem “bons alunos”.
Quer ter sucesso nos desafios em que fracassam os “suíços” da vida [11]? Tenha coragem de ser “italiano”! Pare de ser um “bom aluno” e torne-se um “bom estudante”! Dê uma sacudida entrópica na sua maneira de ser, jogue fora velhos conceitos e falsos valores e salte para patamares mais elevados de inteligência. Quantas centenas de e-mails e depoimentos pessoais tenho recebido dos leitores do volume 1 desta coleção, Aprendendo Inteligência , todos repetindo as mesmas frases: “pena que não li antes”, ou “estudei errado a vida toda”. São os “suíços” tomando consciência de que foram vítimas dos crimes cometidos pelo famigerado exército de pedagocratas, a maioria das quais agarrada com unhas e dentes a seus cargos injustamente bem remunerados no Ministério da Educação ou nas secretarias estaduais e municipais. Trate, então, de se concentrar na busca por outro estado de equilíbrio, bem mais elevado do que o atual. Como? ESTUDANDO COM INTELIGÊNCIA! Veja, por exemplo, a saia justa dos que não estudaram com inteligência. Durante um daqueles ataques do crime organizado que costumam acontecer em São Paulo toda vez que há eleição, o então governador em exercício, Cláudio Lembo, pedindo calma à população, exclamou inteligentemente: “Não vamos aumentar a entropia!”. Nenhum âncora ou repórter das várias emissoras de rádio e TV soube dizer o que era “entropia”. Uma jornalista chegou, mesmo, a buscar a definição física em uma enciclopédia, aumentando mais ainda a confusão (e a entropia!).
That is what learning is. You suddenly understand something you’ve understood all your life, but in a new way [12].
Doris Lessing (1918- )
Desde a época na qual um pai, com paciência, mostrava ao filho como lascar uma pedra de sílex para fazer uma machadinha de mão, até meados do século 20, quando um jovem de 18 anos entrou em uma sala de aula para mostrar a outros jovens como derivar um polinômio [13], os mecanismos de aprendizagem foram gradativamente sendo aperfeiçoados, inclusive na base da “tentativa e erro”. Bem ou mal, até sem querer, a escola da década de 1960 nos ensinava a ser autodidatas. Seu maior defeito era o de não estar ao alcance de todos. As que existiam, porém, funcionavam de uma forma bastante satisfatória. As moças que tinham vocação para o magistério faziam um curso de nível técnico, o chamado “Curso Normal”, e tornavam-se excelentes professoras; alfabetizavam crianças com cartilhas silábicas (tipo Caminho Suave ) e ensinavam a tabuada e as quatro operações fundamentais. Havia um exame de admissão, na passagem do primário ao ginásio, para selecionar os futuros autodidatas e permitir que os que ainda não tinham chegado ao nível mínimo exigido por esse exame, completassem sua formação antes de passar à fase seguinte [14].
Aí, começou a desgraça! As moças que tinham vocação para seguir a carreira de professoras, mas queriam ostentar um título de nível superior, foram cursar pedagogia ou letras em cursos universitários absolutamente medíocres, tornando-se vítimas e involuntárias cúmplices da elaboração de um dos piores sistemas educacionais do mundo [15]! Aquela maravilhosa formação que era dada pelo Curso Normal (Magistério) degenerou para mera corrida desvairada atrás da última moda em termos de métodos pedagógicos! E nosso país foi se transformando, gradualmente, de uma nação de analfabetos para uma nação de pseudoalfabetizados (os analfabetos funcionais). Após vinte anos de ditadura militar começamos a viver em outra muito pior: a ditadura da burrice [16] E essa não é uma opinião baseada em “achismos”. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico realiza um exame trienal (PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos) no qual é aferida a qualidade do sistema educacional dos países participantes. A situação do Brasil é VERGONHOSA!
Resultado resumido de proficiência em Ciências – PISA 2009 Classificação País 1º China 2º Finlândia 8º Japão 12º Austrália 14º Holanda 15º Nova Zelândia 16º Suíça