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Ipea portos 2009, Notas de estudo de Geografia

Cadernos do IPEA

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 15/06/2014

humberto-almeida
humberto-almeida 🇧🇷

4.6

(40)

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TEXTO PARA DISCUSSÃO No 1408
PORTOS BRASILEIROS 2009:
RANKING
, ÁREA DE INFLUÊNCIA,
PORTE E VALOR AGREGADO
MÉDIO DOS PRODUTOS
MOVIMENTADOS
Carlos Alvares da Silva Campos Neto
Bolívar Pêgo Filho
Alfredo Eric Romminger
Iansã Melo Ferreira
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TEXTO PARA DISCUSSÃO N

o

PORTOS BRASILEIROS 2009:

RANKING, ÁREA DE INFLUÊNCIA,

PORTE E VALOR AGREGADO

MÉDIO DOS PRODUTOS

MOVIMENTADOS

Carlos Alvares da Silva Campos Neto

Bolívar Pêgo Filho

Alfredo Eric Romminger

Iansã Melo Ferreira

Governo Federal

Ministro de Estado Extraordinário de Assuntos Estratégicos – Roberto Mangabeira Unger

Secretaria de Assuntos Estratégicos

Fundação pública vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos, o Ipea fornece suporte técnico e institucional às ações governamentais – possibilitando a formulação de inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiro – e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus técnicos.

Presidente Marcio Pochmann

Diretor de Administração e Finanças Fernando Ferreira

Diretor de Estudos Macroeconômicos João Sicsú

Diretor de Estudos Sociais Jorge Abrahão de Castro

Diretora de Estudos Regionais e Urbanos Liana Maria da Frota Carleial

Diretor de Estudos Setoriais Márcio Wohlers de Almeida

Diretor de Cooperação e Desenvolvimento Mário Lisboa Theodoro

Chefe de Gabinete Persio Marco Antonio Davison Assessor-Chefe da Assessoria de Imprensa Estanislau Maria de Freitas Júnior

Assessor-Chefe da Comunicação Institucional Daniel Castro

URL: http://www.ipea.gov.br Ouvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoria

ISSN 1415-

JEL L92, H41, F

TEXTO PARA DISCUSSÃO

Publicação cujo objetivo é divulgar resultados de estudos direta ou indiretamente desenvolvidos pelo Ipea, os quais, por sua relevância, levam informações para profissionais especializados e estabelecem um espaço para sugestões.

As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e de inteira responsabilidade do(s) autor(es), não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ou da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas.

SUMÁRIO

SINOPSE

ABSTRACT

1 INTRODUÇÃO 7

2 APRESENTAÇÃO E APLICAÇÃO DA METODOLOGIA UTILIZADA 8

3 ANÁLISE DOS PORTOS 14

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS 53

REFERÊNCIAS 55

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 55

ANEXO 57

SINOPSE

Tendo como motivação o forte crescimento do comércio internacional brasileiro, a retomada de investimentos públicos e privados na infraestrutura econômica e os resultados positivos apresentados no Texto para Discussão, n. 1.164, intitulado Portos brasileiros: área de influência, ranking , porte e os principais produtos movimentados (Campos Neto, 2006), considerou-se relevante a atualização desse trabalho em termos temporal e metodológico.

A movimentação total de comércio internacional teve um crescimento de 131,7% no período 2003-2007, passando de US$ 121,4 bilhões ( Free On Board – FOB) para US$ 281,3 bilhões (FOB). De posse dos microdados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) de 2007 e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2006, foi possível refazer o trabalho anterior, voltado para análises de variáveis econômicas relacionadas com a movimentação de cargas de comércio internacional. A relevância do trabalho também se deve ao fato de que a participação da movimentação de cargas nos portos brasileiros no produto interno bruto (PIB) nacional alcançou um valor de aproximadamente US$ 187,9 bilhões (2007), cerca de 76,7% do valor do comércio internacional do país.

Para construir o ranking dos portos brasileiros, foram utilizadas seis variáveis econômicas: a ) área geográfica de influência (hinterlândia); b ) porte (grande, médio ou pequeno); c ) participação do porto no comércio internacional do Brasil; d ) número de setores de atividade econômica atendidos (acima de US$ 100,0 milhões); e ) âmbito de atuação dos portos (nacional, regional ou local); e f ) valor agregado médio dos produtos transacionados. Primeiramente, foram gerados critérios que permitiram quantificar as variáveis. Em seguida, estabeleceram-se pesos para os critérios de acordo com sua importância no cenário do comércio internacional. Por fim, o somatório ponderado das variáveis deu origem ao ranking nacional dos portos brasileiros.

Analisaram-se 34 portos envolvidos com o comércio externo do país: Antonina – PR, Aracaju – SE, Aratu – BA, Belém – PA, Corumbá – MS, Fortaleza – CE, Ilhéus – BA, Imbituba – SC, Itajaí – SC, Itaqui – RS, Cabedelo – PB, Macaé – RJ, Macapá – AP, Maceió – AL, Manaus – AM, Munguba – PA, Natal – RN, Niterói – RJ, Paranaguá – PR, Pecém – CE, Porto Alegre – RS, Porto Xavier – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro – RJ, Rio Grande – RS, Salvador – BA, Santarém – PA, Santos – SP, São Francisco do Sul – SC, São Luís – MA, São Sebastião – SP, Itaguaí (Sepetiba) – RJ, Suape – PE, Vitória – ES.

ABSTRACT

Motivated by several factors as the strong growth of Brazilian international commerce, the recover of public and private investments on economic infrastructure, and the good feedback granted by the Texto para Discussão, n. 1.164 of 2006, we decided to redo that Texto para Discussão, updating it’s methods and data.

The Brazilian international trade has grown 131,7% from 2003 to 2007, going from US$ 121,4 billions (Free On Board – FOB) to US$ 281,3 billions (FOB). Than holding to Secex/MDIC 2007’s and Rais 2006’s micro-data, we were able to redo the previous study, focusing on the analysis of economic variables which relate to international traded cargos. The importance of this work is also due to the fact that the international commerce made

through ports in Brazil has reached approximately US$ 187,8 billions in 2007, which settles for 76,7% of Brazilian international trade in that year.

In order to set a ranking to Brazilian ports, we used six economic variables: a ) area influenced by the port (hinterlândia); b ) loading capacity (small, medium or large); c ) port’s share on Brazilian international trade; d ) number of economic sectors – trading sums larger than US$ 100,0 million – through each port; e ) port’s commercial range (national, regional or local); and f ) average aggregate value of traded products. First, we generated values out of each variable, than we weighted these values according to their importance for international trading. Finally, the sum of the weighted variables generated a ranking for the ports in focus.

We analyzed thirty four ports that deal with international trade in Brazil: Antonina – PR, Aracaju – SE, Aratu – BA, Belém – PA, Corumbá – MS, Fortaleza – CE, Ilhéus – BA, Imbituba – SC, Itajaí – SC, Itaqui – RS, Cabedelo – PB, Macaé – RJ, Macapá – AP, Maceió – AL, Manaus – AM, Munguba – PA, Natal – RN, Niterói – RJ, Paranaguá – PR, Pecém – CE, Porto Alegre – RS, Porto Xavier – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro – RJ, Rio Grande – RS, Salvador – BA, Santarém – PA, Santos – SP, São Francisco do Sul – SC, São Luís – MA, São Sebastião – SP, Itaguaí (Sepetiba) – RJ, Suape – PE, Vitória – ES.

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portos contemplados, ressaltando suas principais características e pautas de comércio internacional. Por fim, faz-se uma análise geral dos resultados obtidos na seção 4.

2 APRESENTAÇÃO E APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

UTILIZADA

2.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Ao longo do trabalho considera-se a classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) a quatro dígitos, base de dados utilizada, como produto. No caso das exportações foram identificadas, para o ano de 2007, 1.209 NCMs a quatro dígitos, ou seja, 1.209 produtos. Quanto às importações, foram identificadas 1. NCMs a quatro dígitos (1.208 produtos). Capítulo é o conjunto de produtos classificados a dois dígitos (NCM).

O estudo é feito com base nas informações de produtos oriundos do comércio internacional realizado pelas unidades da Federação, porém, o banco de microdados tem como origem as exportações e as importações realizadas por cada empresa (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ), que permite identificar as operações no nível dos municípios.

A localização do município de origem do produto alvo de exportação é originada do cruzamento do banco de dados da Secex/MDIC com o da Rais. Os dados da Secex estão atualizados até 2007 e os da Rais são de 2006. Por consequência, existe uma perda de informação de 14,4%, isto é, o Brasil exportou, em 2007, US$ 160, bilhões, dos quais foram identificados, pelo CNPJ, a origem de US$ 137,5 bilhões, uma diferença de US$ 23,1 bilhões. No caso das importações, existe uma perda de informação de 10,9%, isto é, o país importou, em 2007, US$ 121,4 bilhões, dos quais foi identificada, por CNPJ, a origem de US$ 108,2 bilhões, uma diferença de US$ 13,2 bilhões. Portanto, este estudo trabalha com valor de movimentação total para 2007 de US$ 245,7 bilhões. A razão destes fatos é a entrada e a saída de empresas do comércio internacional entre o ano de 2006 e o de 2007. Contudo, há que se observar que o valor de US$ 245,7 bilhões é referente ao total da movimentação comercial brasileira, incluindo todos os modais de transporte. Em 2007, os portos movimentaram a cifra de US$ 187,9 bilhões, o que representou 76,7% do comércio internacional brasileiro. Cabe destacar que toda vez que se fizer menção aos valores de comércio internacional brasileiro, refere-se ao valor de US$ 187,9 bilhões movimentados nos portos analisados.^1

Para o desenvolvimento deste estudo, foram gerados arquivos contendo os produtos de exportação e de importação movimentados em cada porto, com análise focada naqueles que apresentaram valores superiores a US$ 10 milhões por ano, isto significa 362 produtos de exportação e 368 produtos de importação. Assim, apenas os portos com produtos importados ou exportados que movimentaram valores superiores a US$ 10 milhões foram considerados e, deles, apenas os produtos que superaram esse ponto de corte foram considerados. Os resultados estão apresentados na seção 3.

  1. Optou-se por utilizar dólar corrente tendo em vista que no período de 2003 a 2007 a inflação brasileira – 34,0% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – esteve muito próxima da desvalorização do dólar (37% em relação ao real), o que permite comparar o estudo de 2006 com o atual.

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Em suma, para a realização do estudo foi utilizada a metodologia desenvolvida por Campos Neto (2006), procurando adaptá-la, de modo a permitir a análise das várias características dos portos brasileiros de acordo com a realidade atual do cenário do comércio internacional no país. Foram analisados 34 2 portos brasileiros que apresentaram movimento de produtos exportados e importados com registro na Secex, no ano de 2007: Antonina – PR, Aracaju – SE, Aratu – BA, Belém – PA, Corumbá – MS, Fortaleza – CE, Ilhéus – BA, Imbituba – SC, Itajaí – SC, Itaqui – RS, Cabedelo – PB, Macaé – RJ, Macapá – AP, Maceió – AL, Manaus – AM, Munguba – PA, Natal – RN, Niterói – RJ, Paranaguá – PR, Pecém – CE, Porto Alegre – RS, Porto Xavier – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro – RJ, Rio Grande – RS, Salvador – BA, Santarém – PA, Santos – SP, São Francisco do Sul – SC, São Luís – MA,^3 São Sebastião – SP, Itaguaí (Sepetiba) – RJ, Suape – PE, Vitória – ES. 4

Ainda, com base em observações ao longo do processo de tratamento e análise dos dados atualizados, percebeu-se que algumas alterações na metodologia original precisavam ser realizadas, de modo a adequá-la à realidade atual dos portos brasileiros. Na pesquisa de Campos Neto (2006), o ranking dos portos estava sujeito aos parâmetros sobre porte, Hinterlândia, número de estados operando no porto, participação do porto no PIB, quantidade de setores de atividade econômica (NCM a dois dígitos), valor movimentado e valor agregado médio dos produtos movimentados pelos portos. Neste estudo, optou-se por mensurar a participação de cada porto no comércio exterior do Brasil, em vez de sua participação no PIB nacional, gerando um impacto direto no ranking e na análise final dos portos brasileiros.

Além disso, o cálculo do ranking utilizou uma escala ponderada que pontua os portos por âmbito de atuação – nacional, regional ou local – e não por valor movimentado, uma vez que este está presente de forma indireta na contabilidade da participação no comércio internacional. Deve-se ressaltar que a utilização da classificação pela NCM a quatro dígitos para a identificação dos produtos e do valor de comércio de movimentação para cada porto é a mesma classificação da Tarifa Externa Comum (TEC) utilizada por Campos Neto (2006).

2.2 IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DOS PORTOS BRASILEIROS

- HINTERLÂNDIA

Com base na metodologia desenvolvida por Campos Neto (2006) para a identificação da área de influência dos portos brasileiros, foi considerada a importância dos portos, inclusive sua participação no comércio internacional, dentro da economia de cada estado.

Foi desenvolvido um primeiro critério metodológico que incorpora a importância relativa dos portos no comércio exterior de cada unidade da federação (UF). Dessa forma, tomamos como base o universo dos produtos (aproximadamente 1.200 de exportação e 1.200 de importação). Totalizamos as exportações e as importações por município (estrutura da nossa base de dados), o que nos permitiu

  1. As principais informações geradas a partir do tratamento de dados sobre os mais importantes portos brasileiros estão apresentadas na forma de tabelas no anexo 1.
  2. O chamado porto de São Luís inclui três instalações portuárias: porto de Itaqui (atende principalmente à Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), porto Ponta da Madeira e porto Grande (atende exclusivamente a Alumar).
  3. Os dados sobre o porto de Vitória incluem a movimentação de cargas do porto de Tubarão.

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c) Hinterlândia terciária:

Critério 1: Participação do porto no comércio internacional da UF > 10%. Critério 2: Total do comércio movimentado pela UF por meio do porto < US$ 100 milhões.

Os resultados referentes à determinação das áreas de influência dos portos brasileiros com participação considerável no comércio internacional estão consolidados na tabela A.2.

2.3 O PORTE DOS PORTOS BRASILEIROS

Para a classificação do porte dos portos brasileiros analisados, a metodologia adotou os seguintes critérios:

a ) Pequeno porte : são portos que apresentaram, em 2007, valores de comércio internacional (importação e exportação) de até US$ 500 milhões.

b ) Médio porte : são portos que apresentaram, em 2007, valores de comércio internacional entre US$ 500 milhões e US$ 5 bilhões.

c ) Grande porte : são portos que apresentaram, em 2007, valores de comércio internacional iguais ou superiores a US$ 5 bilhões.

Os resultados gerados na aplicação da metodologia para a classificação do porte dos portos brasileiros estão apresentados na tabela A.1.

2.4 CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS POR SETORES ECONÔMICOS

Foi necessário, para o desenvolvimento do trabalho, classificar os produtos de exportação e importação por setores de atividade econômica. A metodologia empregada teve por base os capítulos da classificação NCM (dois dígitos). Foram definidos 14 setores, conforme apresentados na tabela 1 a seguir:

TABELA 1 Classificação dos produtos por setores de atividades econômicas Setores de atividades Capítulos NCM

  1. Agroindústria e madeira 1 a 15; 24; e 44 a 46
  2. Alimentos e bebidas 16 a 23
  3. Calçados e couros 25 a 27
  4. Celulose e papel 28 a 38
  5. Eletroeletrônicas 39 a 40
  6. Indústria química 47 a 49
  7. Indústria têxtil 50 a 63
  8. Indústria mecânica 41 a 43 e 64 a 67
  9. Instrumentos de precisão 72 a 83
  10. Material de transporte 84
  11. Metalurgia 85
  12. Plástico e borracha 90 a 92
  13. Produtos minerais 68 a 71 e 93 a 97
  14. Outros 86 a 89 Fonte: Campos Neto (2006)

O resultado dessa classificação é apresentado na tabela A.3.

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2.5 IDENTIFICAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DOS PORTOS NO COMÉRCIO

INTERNACIONAL

O cálculo para identificar a participação dos portos no comércio internacional (exportação e importação) no ano de 2007 foi realizado da seguinte forma:

a) Levantamento dos valores nominais importados e exportados, em dólares, através da base de dados Secex/MDIC. b) Cálculo do valor nominal da balança comercial, em dólares, de cada porto. c) Cálculo do valor nominal total do comércio internacional dos portos brasileiros no ano de 2007. d) Cálculo da participação percentual de cada porto selecionado no comércio internacional brasileiro. Os resultados obtidos na identificação da participação percentual dos portos no comércio internacional são apresentados na tabela A.5.

2.6 ÂMBITO DE ATUAÇÃO DOS PORTOS – NACIONAL, REGIONAL OU LOCAL

Identificados o porte; as Hinterlândias; os setores de atividades econômicas atendidas por cada porto; e a participação de cada porto no comércio internacional podemos, então, classificá-los em nacionais, regionais ou locais, a partir dos seguintes critérios:

a) Ser de grande porte. b) Possuir pelo menos quatro estados em suas hinterlândias primárias ou secundárias. c) Atender a mais de 70% dos estados brasileiros – 19 estados. d) Ser responsável por 25% ou mais do comércio internacional total realizado pelos 34 portos analisados. e) Ter ao menos nove (70%) setores de atividade econômica com mais de US$ 100 milhões transacionados pelo porto. Com base nesses critérios, o enquadramento de cada um dos 34 portos estudados no âmbito de atuação foi realizado da seguinte forma:

a ) Nacional: Atende aos cinco critérios estabelecidos. b ) Regional: Atende a quatro dos cinco critérios. c ) Local: Atende a até três dos critérios estabelecidos. Os resultados dessa etapa estão apresentados na tabela A.6. 2.7 VALOR AGREGADO MÉDIO DOS PRODUTOS MOVIMENTADOS NOS PORTOS BRASILEIROS

Outra variável relevante para a análise dos portos brasileiros foi o valor agregado médio movimentado por eles. O cálculo do valor agregado médio do porto é feito pela soma do total movimentado pelo porto, em dólares, dividido pelo total movimentado pelo porto, em toneladas. Assim, o valor agregado médio de cada porto é expresso em dólares/t.

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2.9 CONSIDERAÇÃO RELEVANTE

Ao longo do trabalho, algumas dificuldades metodológicas, naturalmente, subsistem. Uma delas está relacionada à atuação de trading companies, que representam algo em torno de 7% das exportações da indústria de transformação. Como mencionado anteriormente, a base de microdados utiliza como ponto de partida o CNPJ das empresas que apresentaram movimento de comércio internacional registrado na Secex/MDIC. Por conta deste fato, algumas transações comerciais podem ocorrer em uma UF e a trading company apresentar registro (CNPJ) em outra UF. Isto pode, nesses poucos casos, dar a impressão de que houve movimentação física de mercadoria de um estado para outro (onde ela foi embarcada), sendo que, de fato, a mercadoria pode ser originária do próprio estado onde se localiza o porto, apenas o registro (CNPJ) da companhia encontra-se no estado descrito como de origem (CAMPOS NETO; SANTOS, 2006).

3 ANÁLISE DOS PORTOS

3.1 PORTO DE ANTONINA (PR)

Trata-se de um porto cuja hinterlândia resume-se ao Estado do Paraná, sob o status de secundária (tabela A.2). Antonina movimentou, ao todo, US$ 354,84 milhões (2007) de comércio internacional, o que significou 0,2% das transações internacionais do país (tabela A.5). É classificado como porto local, e alcançou apenas a 25a^ posição no ranking brasileiro (tabelas A.6 e A.7). Dez UFs utilizaram esse porto para suas transações internacionais (tabela A.1). Seu movimento de comércio internacional envolveu dez setores de atividade, dos quais quatro ultrapassaram os US$ 30,0 milhões: agroindústria e madeira (US$ 166,68 milhões); metalurgia (US$ 92,53 milhões); indústria química (US$ 49,04 milhões); e celulose e papel (US$ 37,81 milhões) (tabela A.3). Como resultado desse movimento de comércio, os produtos transacionados por Antonina apresentaram um alto valor agregado médio, de US$ 616,26/t (tabela A.4).

O porto de Antonina apresentou maior destaque nas operações de exportação, com cinco produtos com movimentação significativa, acima dos US$ 30,0 milhões: (7207) produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado, com US$ 88, milhões oriundos do Paraná; (0202) carne bovina congelada, com uma movimentação de US$ 66,84 milhões, dos quais US$ 39,24 milhões originários do Estado de São Paulo; (0203) carne suína, com US$ 54,94 milhões, dos quais mais de 94% vindos do próprio Paraná; (4804) papel e cartão Kraft, com US$ 36,47 milhões vindos do Paraná e de Santa Catarina; e (0207) carne e miudezas de aves (frangos), com US$ 36,35 milhões, mais de 85% vindos do Paraná.

No que diz respeito às importações, Antonina é um porto especializado em um único capítulo de produtos: (31) adubos e fertilizantes, que representaram mais de 66% do valor das importações do porto, com destaque para (3105) outros adubos (fertilizantes) minerais ou químicos (US$ 21,60 milhões). No total, foram US$ 305, milhões em exportações e apenas US$ 49,65 milhões em produtos importados por intermédio deste porto.

Comparando com o levantamento realizado por Campos Neto (2006), Antonina teve um crescimento nominal de mais de 50% em sua movimentação

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internacional. Esse porto deixou de servir aos estados do Pará e Amazonas e sofreu uma queda de sete posições no ranking nacional. Com relação às exportações, comparado ao ano de 2003, o valor comercializado de (0207) carne e miudezas de aves (frangos) caiu para pouco mais de 1/4, em 2007, enquanto (0203) carne suína e (7207) produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado tiveram suas movimentações ampliadas em 25% e 49%, respectivamente. Mas o maior destaque se refere às exportações de (0202) carne bovina congelada, que saiu dos US$ 7, milhões, em 2003, um aumento de quase 800% no valor movimentado ao longo desses quatro anos. No que diz respeito às importações, embora o valor nominal e o produto hajam se mantido inalterados, os (3105) outros adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, que antes correspondiam a 95% do total importado, passaram a refletir apenas 43%, indicando uma diversificação no total das importações.

3.2 PORTO DE ARACAJU (SE)

O porto de Aracaju possui apenas uma hinterlândia, terciária, correspondente ao Estado de Sergipe (tabela A.2). É considerado um porto local (tabela A.6) e responde por 34,8% do comércio internacional do estado (tabela A.2). Trata-se, portanto, de um porto de pequeno porte (tabela A.1), o qual movimentou US$ 95,95 milhões, em 2007, e ocupa a penúltima posição (33o^ ) no ranking nacional dos portos (tabelas A. e A.7). Apenas cinco UFs o utilizaram para suas transações internacionais (tabela A.1). Seu movimento de comércio internacional concentra-se em três setores de atividade: agroindústria e madeira (US$ 19,28 milhões); indústria química (US$ 14, milhões); e produtos minerais (US$ 62,01 milhões) (tabela A.3). É um porto que

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3.3 PORTO DE ARATU (BA)

O porto de Aratu é considerado como local e de grande porte (tabelas A.6 e A.1). Foi classificado em 10o^ lugar no ranking dos portos nacionais (tabelas A.7) e tem como área de influência o Estado da Bahia, na hinterlândia primária, e o Estado de São Paulo, na hinterlândia secundária. Movimentou US$ 5,46 bilhões, os quais corresponderam a 47,7% do comércio internacional do Estado da Bahia (tabelas A.2). Oito UFs utilizaram esse porto para transações internacionais (tabela A.1). Atende também ao Pólo Petroquímico de Camaçari; contudo é um porto com características predominantemente locais. As transações estão concentradas em seis setores de atividade, dos quais três ultrapassam US$ 1,0 bilhão em movimentação: produtos minerais (US$ 3,02 bilhões); indústria química (US$ 1,21 bilhão); e material de transporte (US$ 1,31 bilhão) (tabela A.3). Por isso, Aratu é um porto que transaciona produtos com alto valor agregado, em média, US$ 767,26/t (tabela A.4).

Todas as principais exportações de Aratu envolveram produtos provenientes unicamente do Estado da Bahia. O principal produto de exportação pertence à categoria (2710) óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, com US$ 860,11 milhões. Em seguida temos (8703) veículos para transporte de passageiros, com US$ 690,01 milhões. Depois aparecem três produtos do capítulo 29 – produtos químicos orgânicos –, com movimentação acima dos US$ 100 milhões. São eles: (2902) hidrocarbonetos cíclicos, com US$ 366,95 milhões; (2905) alcoóis acíclicos e seus derivados, com US$ 160, milhões; e (2901) hidrocarbonetos acíclicos, com US$ 109,87 milhões exportados. Outro produto com movimentação bastante significativa foi (2909) éteres e seus derivados, que exportou US$ 79,81 milhões, também derivados do estado baiano.

As mesmas características são constatadas na análise dos principais produtos importados pelo porto de Aratu, ou seja, são produtos minerais, químicos e petroquímicos, na grande maioria. Dos produtos movimentados com mais de US$ 100 milhões, temos em primeiro lugar (2603) minérios de cobre e seus concentrados, com uma movimentação de US$ 1,06 bilhão, destinados inteiramente ao Estado da Bahia. No capítulo 27 – combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação – aparece (2710) óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, com US$ 918,38 milhões. Em seguida, vêm (8703) veículos para transporte de passageiros, com US$ 402, milhões; e (8704) veículos para transporte de mercadorias, com US$ 189,68 milhões. Aparecem, ainda, com destaque, (3105) outros adubos (fertilizantes) minerais ou químicos (US$ 77,98 milhões); e (3104) adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, potássicos (US$ 51,12 milhões) (valores de 2007).

Quando comparado ao estudo anterior, Aratu ganhou sete posições no ranking portuário e passou a apresentar movimentos de mais de US$ 1,0 bilhão em três categorias diferentes de produtos, contra apenas uma naquele levantamento.

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3.4 PORTO DE BELÉM (PA)

O porto de Belém possui apenas duas UFs em sua área de influência: o Pará, como único estado pertencente à hinterlândia primária, com uma movimentação de US$ 874, milhões (2007) ou 14,2% do comércio internacional do estado; e o Estado do Amapá, formando sua hinterlândia terciária, com 15,3% (US$ 9,38 milhões) das suas transações internacionais realizadas neste porto (tabela A.2). Ocupa a 19 a^ posição no ranking nacional dos portos (tabela A.7). No total, 20 UFs o utilizaram para transações internacionais em 2007 (tabela A.1). O movimento de mercadorias envolveu os 14 setores de atividades, mas ficou concentrado em um único setor, o de agroindústria e madeira, responsável por US$ 707,29 milhões em transações (tabela A.3). O porto de Belém apresenta alto valor agregado médio dos produtos transacionados, US$ 821,74/t (tabela A.4).

A análise dos principais produtos exportados comprova a afirmação de que Belém é um porto local de porte médio (tabelas A.6 e A.1). Em 2007, o porto de Belém alcançou um saldo positivo de US$ 666,15 milhões em sua balança comercial. Cinco dos produtos exportados por este porto movimentaram valores superiores a US$ 30,0 milhões. Desses, três produtos pertencem ao capítulo 44 – madeira, carvão vegetal e obras de madeira –, totalizando US$ 464,38 milhões, onde (4407) madeira serrada ou fendida longitudinalmente responde por 51,5% desse total. Constam ainda desse rol de produtos: (0102) animais vivos da espécie bovina, com US$ 100, milhões, e (2804) hidrogênio, gases raros e outros elementos não metálicos, com US$ 61,63 milhões em exportação, quase totalmente originários do Pará (2007). No tocante às importações, também o Estado do Pará se destaca como destino final de