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Irrigação e agronegocio, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

Apostila basaico sobre informações a respeito do Agronegócio

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 11/02/2013

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rossini-daniel-5 🇧🇷

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Importância da irrigação no
desenvolvimento do agronegócio
Profs. Responsáveis
Roberto Testezlaf
Edson Eiji Matsura
João Luiz Cardoso
EMPRESA JÚNIOR DE ENGENHARIA AGRÍCOLA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
Faculdade de Engenharia Agrícola
julho, 2002
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Importância da irrigação no

desenvolvimento do agronegócio

Profs. Responsáveis

Roberto Testezlaf Edson Eiji Matsura João Luiz Cardoso

EMPRESA JÚNIOR DE ENGENHARIA AGRÍCOLA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

Faculdade de Engenharia Agrícola

julho, 2002

Importância da irrigação no desenvolvimento do agronegócio

  • APRESENTAÇÃO.........................................................................................
  • A IRRIGAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DO AGRONEGÓCIO
    • Agronegócio brasileiro.................................................................................
    • Garantia de produção e redução dos riscos na produção de alimentos
    • Aumento de produtividade das culturas
    • Melhoria da qualidade do produto................................................................
    • Aumento no número de safras agrícolas e colheita na entresafra.....................
    • Desenvolvimento socioeconômico ................................................................
  • A IRRIGAÇÃO NO BRASIL E NO MUNDO
    • Situação brasileira......................................................................................
    • Situação mundial .......................................................................................
    • Potencial brasileiro de áreas a serem irrigadas ..............................................
  • A IRRIGAÇÃO E A QUESTÃO AMBIENTAL................................................
    • A irrigação e a demanda de água ................................................................
    • A irrigação e a demanda de energia.............................................................
    • A irrigação e os recursos naturais ................................................................
    • A irrigação e o desenvolvimento tecnológico .................................................
  • POLÍTICAS E AÇÕES GOVERNAMENTAIS NO SETOR DE IRRIGAÇÃO
    • Políticas de incentivo à irrigação ..................................................................
    • relacionadas à irrigação .............................................................................. Algumas considerações sobre o financiamento institucional para atividades
    • Regulamentações na área de recursos hídricos..............................................
      • Outorga de direito de uso da água............................................................
      • A cobrança pelo uso da água ...................................................................
      • Licenciamento ambiental de projetos de irrigação .......................................
  • BIBLIOGRAFIA CONSULTADA..................................................................

A IRRIGAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DO AGRONEGÓCIO

A obtenção do produto agrícola visa a satisfazer uma necessidade humana primordial. Em geral, esta função é assegurada por um conjunto de atividades que se iniciam no segmento da própria produção agrícola, mas que também necessitam percorrer outros segmentos até atingir o consumidor final. Na fase atual do desenvolvimento agrícola, há um sistema complexo, composto de diversas etapas, a ser entendido e que se relaciona à própria compreensão do agronegócio. Evidentemente, a etapa da produção agropecuária é importante porque, sem a própria existência desta etapa, não seria gerada a matéria-prima indispensável para o funcionamento do referido sistema. A irrigação é, tipicamente, uma técnica que se aplica aos cuidados operacionais na fase de produção vegetal, mas cujos equipamentos básicos são comumente oriundos do processo de fabricação industrial. Assim, o propósito a seguir é no sentido de apresentar algumas noções relacionadas ao agronegócio, mostrando a importância da irrigação para o desenvolvimento do complexo agroindustrial.

Agronegócio brasileiro Na estrutura do sistema agroalimentar, pode-se considerar, inicialmente, o segmento da produção propriamente dita (vegetal e animal), a etapa da transformação (agroindústria) e a fase da distribuição, a fim de que os produtos, com diferentes graus de elaboração, possam atingir o consumidor final. Deve-se acrescentar que, para o funcionamento do sistema, são necessários diversos elementos auxiliares, como bens e serviços de várias naturezas, tais como: assistência técnica, financeira e de gestão, entre outros. A técnica de irrigação pode ser vinculada aos últimos aspectos mencionados, além de estar diretamente associada à fase de produção agrícola propriamente dita. Evidentemente, todo o sistema se relaciona ao conceito de cadeias agroalimentares que envolvem itinerários seguidos pelos produtos, nas diversas etapas do “aparelho” de produção – transformação – distribuição e diferentes fluxos de utilização de energia, de trabalho e, em última instância, de capital. Todos estes elementos são importantes nos diferentes estágios de elaboração e, evidentemente, para a formação do valor de mercado

do produto final (MALASSIS, 1979). Todas estas noções, apresentadas de forma bastante sintética, relacionam-se ao chamado “agronegócio”. Uma análise sobre a evolução das características que marcaram um período relativamente recente do processo de desenvolvimento agrícola indica que a agricultura passa a comprar mais produtos industriais (insumos, máquinas) para melhorar sua produtividade e intensificar a sua produção. Por outro lado, fornece cada vez mais matérias-primas às indústrias de transformação e também produtos às empresas comerciais intermediárias. A função alimentação não é mais assegurada unicamente pela agricultura, mas por numerosas unidades de produção e distribuição que constituem o campo da economia agroalimentar, do qual a agropecuária passa a ser apenas um componente. Ao mesmo tempo, a agricultura e alimentação se internacionalizam e, por suas novas relações de troca, a agricultura se torna mais sensível às influências internacionais (GHERSI E BENCHARIF, 1992). De modo particular, para a agropécuária brasileira, sobretudo na última década, pode-se considerar que há um processo intenso de transformação, acelerando-se a respectiva inserção na chamada “fase agroindustrial” do desenvolvimento agrícola. A importância do agronegócio no Brasil pode ser evidenciada pela Figura 1 representando dados, para o Brasil, fornecidos pela Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG).

Valor da produção Emprego Exportações

Figura 1: Dados da participação do agronegócio na economia brasileira. Com relação a esses dados, a ABAG (2002, p. 203) apresenta algumas considerações. “O valor da produção brasileira – mercadorias e serviços – está por volta de 1,30 trilhão de reais por ano. Desse total, 25 %, ou 330 bilhões de reais, são provenientes do complexo agroindustrial. Ou seja, um em cada quatro reais produzidos na economia tem alguma coisa a ver com a agropecuária, que é a fonte de alimentos, de fibras e de produtos da biomassa para fins energéticos, além de madeira, para a produção de móveis, papel e celulose. Além disso, o complexo agroindustrial tem sido o único setor da economia a

riscos envolvidos durante o processo de produção de uma determinada cultura, processamento, armazenamento, até a comercialização. O Brasil tem contado, tradicionalmente, com diversos instrumentos de política agrícola que auxiliam o desenvolvimento rural e que abrangem a agricultura, pecuária, florestas, preservação ambiental e pesca. Dentre eles, mencionam-se o crédito rural, o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (PROAGRO) e o seguro rural. A partir de 1996, um novo instrumento de apoio à política agrícola do Governo Federal foi cientificamente elaborado e introduzido: o zoneamento agrícola. Mediante o mapeamento de áreas ou regiões do país, com características climáticas adequadas para o plantio das culturas, zoneadas por municípios, e relacionado com o tipo da cultura, o ciclo da semente, o tipo de solo e a oferta hídrica existente em cada região, é possível reduzir os riscos climáticos para uma determinada cultura, desde o plantio até a colheita. Assim, o zoneamento agrícola passa a ser ferramenta importante para auxílio a outros instrumentos de política agrícola (como nos casos do crédito rural e do seguro) e nas tomadas de decisão. O objetivo de se adotar o zoneamento como sistema de apoio ao financiamento e ao seguro é procurar minimizar os riscos climáticos para as principais culturas brasileiras, como: algodão, arroz, milho, feijão, soja e trigo. Entretanto, devido às variações sazonais e espaciais, ainda existem grandes dificuldades para suprir as necessidades hídricas, sobretudo quando comparamos com outros parâmetros climáticos e/ou edáficos necessários à produção de uma determinada cultura. O zoneamento agrícola aliado à utilização de novas técnicas de produção, com ajuda da irrigação, será sempre elemento importante para auxiliar a obtenção de boas safras e, por conseguinte, para estimular o agronegócio no Brasil. A irrigação, quando utilizada de forma complementar à chuva, principalmente nas regiões onde o total de precipitação natural permite o desenvolvimento e a produção das culturas, proporciona melhor aproveitamento, aumentando a eficiência do uso da água aplicada pela chuva. A complementação da demanda hídrica da cultura pela irrigação, nos momentos corretos, proporciona o aproveitamento da água da chuva de modo a resultar em produção efetiva. Caso contrário, a presença da precipitação pluviométrica durante quase todo o ciclo da planta não seria uma garantia de ocorrência da produção final, da forma desejada, se faltasse água em momentos críticos do ciclo vegetativo.

Um bom exemplo dessa visão é o que vem acontecendo nos últimos anos com o milho “safrinha”, modalidade distinta da safra normal que se desenvolve sob condições climáticas não favoráveis, principalmente pela menor disponibilidade hídrica e térmica durante o ciclo produtivo. Essa prática vem se desenvolvendo como uma alternativa econômica importante nos estados do Sudoeste brasileiro, contribuindo de maneira expressiva na produção total de milho. No entanto, é considerada ainda uma cultura de risco, alternando-se safras com boas produções e outras de perdas quase totais, sendo bastante incerto o nível de produtividade a ser obtido pelo produtor. A Figura 2 apresenta as áreas pla ntadas e as respectivas produções para o milho “safrinha”, no período de 1998 a 2001, para o Estado de São Paulo.

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Área (1000 ha) Produção (1000 t) Figura 2: Variação da produção do milho safrinha no Estado de São Paulo (Fonte: IEA/SP, 2002) Fica evidente, observando-se estes dados que, apesar da variação da área plantada não ser muito acentuada em relação aos demais anos, a produção do ano 2000 foi significativamente afetada pela condições climáticas que caracterizaram o referido ano (estiagem e geada). Nesse sentido, fica evidenciada a importância da técnica de irrigação, diminuindo os riscos e prejuízos, podendo incrementar a produção nesta modalidade de cultura, que tem crescido muito nos últimos anos. A irrigação já é um fator considerado no zoneamento agrícola de alguma culturas, como se pode visualizar na cultura do café, aonde a sua implantação para os estados de Rondônia, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio de janeiro, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco está prevista, de acordo com a Figura 3 (ROSSETTI, 2000).

Figura 4: P rodutividades médias brasileiras comparadas com culturas irrigadas (Fontes diversas) O incremento de produtividade e a participação da irrigação na produção de alimentos ficam evidenciados quando se constatam, através de dados, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, 2000), que apenas uma parcela de 1/6 da área mundial cultivada é irrigada, sendo responsável por 2/5 da produção de alimentos. Para o Brasil, Machado^1 , citado por CHRISTOFIDIS (1997), estimou que em 1996 a área irrigada brasileira eqüivalia a 4,8% da área plantada, correspondendo a 16% da produção agrícola total e a 35% do valor desta produção (Figura 5).

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Participação em % Área Produção Valor

Figura 5: Participação da irrigação na área plantada, na produção total e no valor da produção no Brasil. Desta forma, a definição de políticas ou ações que limitem o uso da irrigação poderia levar a uma queda expressiva na disponibilidade de alimentos, com graves

(^1) José Raimundo Machado dos Santos. Irrigar é precis o. Revista Agroanalysis, FGV, março 1998.

conseqüências, visto que, atualmente, segundo o Banco Mundial, 840 milhões de pessoas não têm meios suficientes para comer e, em 2025, segundo estimativas, serão mais de 2 bilhões de pessoas na mesma condição, no mundo. Além de ser um fator de incremento nos volumes de produtos agrícolas em geral, deve-se lembrar que numerosas culturas de ciclo curto, como tomate, alface e outras hortaliças, particularmente exigentes em água, são viabilizadas somente com o uso da irrigação.

Melhoria da qualidade do produto Outra comprovação científica a favor da irrigação é que algumas espécies de plantas, sob o regime controlado de irrigação e de fertilizantes, apresentam melhoria de qualidade no produto final. É o caso, principalmente, de frutas e legumes, cujas qualidades desejáveis para o consumo, como tamanho e teor de açúcar, podem ser conduzidas pela irrigação. No caso do tomate consumido in natura, por exemplo, a aplicação correta de água pela irrigação é capaz de controlar o aparecimento de rachaduras e proporciona r um aumento do tamanho do fruto (PASCUAL et al., 2000 e PUIUPOL et al., 1996). Para a cultura do melão também apresenta resultados significativos na qualidade, com o aumento do teor de sólidos solúveis, responsável pelo teor de açúcar presente no produto, e por incrementar a quantidade de frutos comercializáveis dentro da lavoura, pela obtenção de frutos de maiores dimensões (SOUSA et al., 1990; FERNANDES e TESTEZLAF, 2002).

Aumento no número de safras agrícolas e colheita na entresafra A presença controlada de água na produção agrícola, mediante o uso da irrigação, permite ao agricultor, acostumado tradicionalmente a colher uma safra por ano (época das chuvas), ampliar o número de safras, passando a cultivar em diferentes épocas ou estações e tendo a possibilidade de colheitas na entresafra. Este tipo de cultivo pode melhorar a lucratividade da produção pela remuneração extra que se obtém colocando o produto no mercado no momento de falta do mesmo. Uma análise de mercado da cultura do milho verde no estado do Paraná (Figura 6), mostra claramente a relação entre a disponibilidade do produto para venda e o preço de mercado praticado. A possibilidade de se produzir na entresafra, ou seja, a partir do mês de

da comunidade Recreio, no município de Iguatu, no Ceará (KHAN, NEIVA E SILVA, 2001). Os resultados evidenciaram que o projeto de irrigação promoveu substancial contribuição para melhoria na qualidade de vida da população da comunidade cearense da região de Recreio, gerando novos empregos e melhoria da renda. Ainda, de acordo com FRANÇA (2001), o Perímetro Irrigado de Gorutuba, envolvendo os municípios de Janaúba e, hoje, Nova Porteirinha, na região norte de Minas Gerais, ocasionou mudanças socioeconômicas importantes, como:

  • criação de empregos diretos;
  • salários pagos no perímetro superiores àqueles pagos pela indústria e comércio da região;
  • aumento considerável na demanda de bens de consumo e serviços, com aumento de estabelecimentos comerciais e industriais e do emprego nestes setores;
  • diminuição no fluxo migratório rural- urbano; e
  • melhoria nas condições de saúde, educação, habitacionais e de lazer dos irrigantes. Da mesma forma, outros estudos realizados para a agricultura irrigada do Pólo Petrolina (PE) – Juazeiro (BA) mostraram que:
  • a região constitui pólo de desenvolvimento regional, baseado na produção de frutas e hortaliças;
  • houve aumento de renda “per capita”;
  • ocorreu incremento do número de estabelecimentos industriais, gerando novas ocupações;
  • o crescimento demográfico foi superior ao verificado para os estados respectivos, de Pernambuco e Bahia. Além dos empregos diretos que o uso da técnica possibilita, na condição de ser uma prática adicional a ser utilizada no processo produtivo, a irrigação tem o potencial de criar empregos indiretos, seja na indústria de processamento agropecuário ou nos setores de insumos agrícolas. A capacidade de geração de emprego da agricultura irrigada pode ser avaliada por diferentes estudos, cujos valores apresentam variações em função da cultura, período e local analisado. A Figura 7 apresenta os resultados de quatro estudos apresentados por FRANÇA (2001).

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Estudo 1

Estudo 2

Estudo 3

Estudo 4

Empregos gerados

Direto Indireto Total

Figura 7: Empregos gerados pela agricultura irrigada, na região do semi -árido (autores diversos) Baseado nesses estudos, estimou-se, para a região semi-árida, “em várias condições da agricultura irrigada, que um hectare irrigado gera de 0,8 a 1,2 emprego direto e 1,0 a 1, indireto, de forma consistente e estável, contra 0,22 emprego direto na agricultura de sequeiro” (Souza, 1989, citado por FRANÇA, 2001, p. 54). Assim, esta capacidade de gerar emprego por parte da agricultura irrigada contribuía e tende ainda a contribuir para a diminuição do êxodo rural desordenado do Nordeste. CHRISTOFIDIS (1997) estimou que a agricultura irrigada brasileira é responsável por 1,4 milhão de empregos diretos e 2,8 milhões de empregos indiretos, implicando que cada hectare irrigado gera aproximadamente 1,5 emprego. Como o Brasil tem potencial para irrigar 16,1 milhões de hectares de terras altas, mantendo-se esses indicadores a irrigação teria capacidade de contribuir para a geração de empregos para cerca de 24 milhões de pessoas no país. A viabilização da produção de alimentos com redução de riscos, gerando empregos e aumento de renda para o setor rural faz da irrigação uma técnica que deveria ter a sua utilização fomentada de forma racional para permitir o desenvolvimento socioeconômico de regiões brasileiras pouco favorecidas.

“A adoção da agricultura irrigada pode significar o aumento sustentado da produção e produtividade agrícolas, a elevação dos níveis de renda e a conquista de melhoria das condições de vida da população rural, sendo fator importante para manutenção do homem no campo”.

corresponderia a 1,4 % da área agrícola explorada no país. A Figura 9 exemplifica a pouca participação da irrigação na área total cultivada do país. Sem Irrigação 94%

Irrigação Superfície 4% MecanizadaIrrigação 2%

Figura 9: Participação da irrigação na área cultivada (42 milhões de hectares).

“A área irrigada brasileira pode ser considerada pequena quando comparada com o potencial irrigável do país”.

A Figura 10 mostra a contribuição de cada região geo-econômica brasileira na área total irrigada nacional e caracteriza a área irrigada por cada método de irrigação, utilizando dados fornecidos por CHRISTOFIDIS (2001).

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Área irrigada (1.000 ha) Norte Nordeste Sudeste Sul Centro- Oeste

Superfície Aspersão Convencional Pivô Central Localizada Total

Figura 10: Participação das regiões brasileiras na área total irrigada do país.

A região Sul é a que mais participa desta área, com aproximadamente 1,2 milhões de hectares, e a região Norte é que possui a menor área irrigada entre as regiões. Esta situação é explicada pelas características de produção dos estados constituintes dessas regiões e pela característica climática de cada uma. Enquanto a agricultura do sul do país, principalmente os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se pela orizicultura irrigada (cultivo do arroz), os estados do Norte se encontram nas condições de clima equatorial, sendo a área praticamente coberta pela Floresta Amazônica. Assim, a região Sul é a que mais se utiliza dos sistema de irrigação por superfície (neste caso, a irrigação por inundação, característica de regiões produtoras de arroz), e na região Sudeste predomina o uso da irrigação por aspersão convencional e de pivô central, sendo o Nordeste brasileiro o que mais contribui com áreas irrigadas pelo sistema localizado.

Situação mundial Estima-se que, no princípio do século XX, a área total irrigada mundial estava em torno de 40 milhões de hectares. Em 1950, esse valor se elevou para 160 milhões de hectares e, segundo a FAO (2001), a área irrigada mundial em1998 era de 271 milhões de hectares. Deste total, a Índia irriga em torno de 59 milhões, a China aproximadamente 52 milhões, os Estados Unidos 22 milhões, o Paquistão 18 milhões, contribuindo esses países com 56% da área irrigada mundial. A fim de que seja possível obter uma idéia, no contexto internacional, acerca da importância das áreas irrigadas, efetuou-se uma análise comparativa utilizando países do Continente Americano, da União Européia e, pela importância que podem representar quanto ao assunto, Japão e Israel. Foram relacionados os dados (referentes às médias dos anos 1997,1998 e 1999) de terras irrigadas com os de áreas de terras aráveis mais as áreas de culturas permanentes, provenientes dos anuários estatísticos da FAO. A Figura 11 apresenta os dados comparativos para o Continente Americano e a Figura 12, para a União Européia. Valores dos índices encontrados abaixo ou acima de 100 (cem) indicam, respectivamente, usos menos intensivos ou mais intensivos da técnica de irrigação, comparativamente ao conjunto de países do mundo (tomado como referência, de base 100).

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Índice de áreas irrigadas

Figura 12: Representação dos índices das áreas irrigadas para o caso das áreas de terras aráveis mais as áreas de culturas permanentes, nos países da União Européia, no Mundo e no Brasil No caso da União Européia, os países que evidenciam mais elevados índices de irrigação são os Países Baixos (334) e a Grécia (208). O Brasil, com índice de irrigação de 24, encontra-se em nível abaixo dos Países Baixos, Grécia, Portugal, Itália, Dinamarca, Espanha, França e Bélgica/Luxemburgo. Observe-se ainda que Israel e Japão constituem países que utilizam a técnica de irrigação de forma expressiva. O índice de área irrigada em Israel está 154 % acima do indicador do conjunto de países do mundo, sendo ainda 3,04 vezes superior no Japão. Os dados apresentados demonstram que, apesar das ações governamentais adotadas e das iniciativas das empresas privadas em algumas regiões específicas do país, a área irrigada brasileira é bem inferior ao potencial irrigável e muito baixa quando comparada com países dotados até de níveis bem menos elevados de desenvolvimento agrícola.

“A irrigação tem enorme potencial para se expandir e se aperfeiçoar no Brasil, a fim de proporcionar contribuição importante ao incremento das disponibilidades alimentares e ao desenvolvimento econômico nacional”.

Potencial brasileiro de áreas a serem irrigadas

Estudos desenvolvidos pelo Programa Nacional de Irrigação (PRONI, 1989) indicaram que, dentre todos os países do mundo, o Brasil detinha o segundo potencial de áreas irrigadas, com 55 milhões de hectares, sendo 30 milhões de terras baixas de várzeas e 25 milhões de terras altas. Outros autores estimam que a área total de solos aptos à irrigação no Brasil é de cerca de 29,6 milhões de hectares, sendo 13,5 milhões de hectares em solos de várzeas e 16,1 milhões em solos de terras altas. Mesmo dentro de uma visão mais conservadora, o Brasil possui condições pedológicas, hídricas e topográficas, para atingir índices de utilização da agricultura irrigada idênticos ou maiores que muitos países que hoje fazem uso intensivo dessa técnica. A atual situação socioeconômica brasileira não permite prescindir de uma tecnologia que reconhecidamente proporcionou a outros países a possibilidade de atingir altos níveis de desenvolvimento agrícola. A viabilização da produção de alimentos com redução de riscos, gerando empregos e aumento de renda para o setor rural faz da irrigação uma técnica que deveria ter a sua utilização fomentada de forma racional em várias regiões brasileiras. Contudo, em áreas sujeitas a secas recorrentes e prolongadas, com recursos hídricos limitados, como algumas regiões semi- áridas do Brasil, a irrigação pode não ser a resposta para melhorar as condições locais de produção de alimentos e fornecer garantias totais contra a seca. As secas prolongadas podem limitar a utilização de fontes de água, tornando a agricultura irrigada tão vulnerável quanto a agricultura de sequeiro. Geralmente, os custos associados ao desenvolvimento da agricultura irrigada nessas áreas só se justificam na exploração de produtos de alta rentabilidade, com mercado limitado, beneficiando poucas pessoas. Portanto, o desenvolvimento da agricultura irrigada nessas áreas pode não ser a alternativa ideal para o combate da seca e, portanto, para aumentar a produção e minimizar a pobreza rural.