Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


irrigaçao e gotejamento, Manuais, Projetos, Pesquisas de Matérias técnicas

uso da agua em sistemas de irrigação

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2019

Compartilhado em 02/10/2019

usuário desconhecido
usuário desconhecido 🇧🇷

1 / 76

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
Manejo da
água de irrigação
Waldir Aparecido Marouelli
Áureo Silva de Oliveira
Eugênio Ferreira Coelho
Luis Carlos Nogueira
Valdemício Ferreira de Sousa
Capítulo 5
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c

Pré-visualização parcial do texto

Baixe irrigaçao e gotejamento e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Matérias técnicas, somente na Docsity!

Manejo da

água de irrigação

Waldir Aparecido Marouelli Áureo Silva de Oliveira Eugênio Ferreira Coelho Luis Carlos Nogueira Valdemício Ferreira de Sousa

Capítulo 5

160 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças

Mesmo quando as irrigações são realizadas em excesso, prática comum em região com disponibilidade de água, as plantas são, muitas vezes, submetidas a condi- ções de deficit hídrico, comprometendo o desempenho da cultura. Isso ocorre porque o agricultor tende a aplicar quantidades de água maiores do que o solo pode armazenar e espaça em demasia o intervalo entre irrigações (MAROUELLI et al., 2008c). Além de suprir as suas necessidades hídricas, a água proporciona a solubilização e a disponibilização dos nutrientes do solo para as plantas. Ademais, cultivos submetidos a condições de excesso ou falta de água são, respectivamen- te, mais predispostos a doenças e ao ataque de pragas (LOPES et al., 2006). Por conseguinte, é possível aumentar a produtividade da maioria das culturas entre 10% e 30% e, ao mesmo tempo, reduzir o uso de água em até 30% somente por meio da adoção de estratégias apropriadas de manejo de irrigação (MAROUELLI et al., 2008c).

Segundo Rosegrant et al. (2002), ações para melhorar a eficiência do uso de água na agricultura irrigada devem ser focadas nos níveis técnico, gerencial e institu- cional. Melhorias técnicas incluem a adoção de sistemas de irrigação mais avança- dos, como a aspersão e, principalmente, o gotejamento e a microaspersão, o uso conjunto de águas superficiais e subterrâneas, além do conceito de agricultura de precisão, incluindo estratégias para o monitoramento da demanda de água pelas plantas. Melhorias gerenciais, em nível da propriedade, incluem a adoção de estra- tégias de manejo de água com base na demanda da cultura e melhoria da manu- tenção de equipamentos. Em termos institucionais, a melhoria envolve a criação de comitês para o estabelecimento de regras sobre direitos e uso eficiente da água e a introdução de tarifas para a cobrança da quantidade de água utilizada.

Aumentar a eficiência de aplicação de água na agricultura irrigada por meio da reconversão de sistemas de irrigação de baixa eficiência é, muitas vezes, a primei- ra opção a ser considerada. Todavia, a adoção de tal estratégia não garante redu- ção do uso de água em níveis sustentáveis. Segundo Kongyan (2005) e Rosegrant et al. (2002), para aumentar a eficiência do uso de água, os agricultores, além de sistemas de irrigação mais eficientes, necessitam investir em novas tecnologias poupadoras de água, como aquelas relacionadas ao manejo racional de água, à redução das perdas de água por evaporação e à irrigação com deficit hídrico controlado. A adoção de tais tecnologias geralmente permite, segundo Kongyan (2005) e Lima et al. (1999), reduzir o gasto de água entre 10% e 50%, inclusive com incremento de produtividade.

Em quase todo o Brasil, é reduzida a frequência e fortes são as resistências ao uso de qualquer método de manejo racional da água de irrigação. O baixo índice de

Capítulo 5 | Manejo da água de irrigação^161

adoção dessas tecnologias deve-se, segundo Marouelli et al. (2008c), ao fato de os produtores acreditarem que são caras, complexas, trabalhosas e não propor- cionam ganhos econômicos compensadores, ou seja, está relacionado a questões de ordem econômica e social.

O acesso do irrigante à tecnologia é ainda restrito, tanto pela falta de informação quanto pelo custo dos equipamentos e instrumentos destinados ao manejo. Em muitas regiões onde se pratica agricultura irrigada, o baixo nível de instrução dos irrigantes dificulta a implantação de estratégias mínimas de manejo. Acrescente- se o fato de que a água é barata ou sem custo e ainda tida como um recurso natu- ral inesgotável. Nesse contexto, a prática da irrigação é desvinculada de técnicas de manejo reconhecidamente capazes de proporcionar aumentos de produtivi- dade e racionalização do uso da água.

Na agricultura irrigada, assim como em qualquer outro empreendimento, os benefícios da adoção de uma tecnologia devem superar os custos. A adoção de estratégias apropriadas para o manejo da água de irrigação é comumente viável do ponto de vista econômico e ambiental, já que possibilita incrementos de produtividade, melhoria da qualidade de frutas e hortaliças, redução do uso de água, energia e agroquímicos, e contribui para a mitigação do problema da redução gradual de fontes de água de boa qualidade (MAROUELLI et al., 2000; WESTHUIZEN et al., 1996).

O objetivo deste capítulo é apresentar e discutir os principais indicadores e mé- todos de manejo de irrigação, assim como os parâmetros necessários ao manejo adequado de água nas principais hortaliças e fruteiras cultivadas no Brasil.

Considerações gerais sobre

manejo da água de irrigação

As questões sobre o momento de irrigar e a quantidade de água a aplicar são bá- sicas no manejo da água de irrigação. O manejo deve ser feito visando a fornecer água às plantas em quantidade suficiente para prevenir o estresse hídrico, favo- recendo incremento de produtividade e qualidade da produção, e minimizar o desperdício de água, a lixiviação de nutrientes e a degradação do meio ambiente. Isso envolve a decisão de irrigar em quantidades que possam ser armazenadas no solo, na camada correspondente à zona radicular, e em intervalos suficientes para atender à demanda de água das plantas.

Capítulo 5 | Manejo da água de irrigação^163

  • Manutenção da salinidade na zona radicular das plantas em limites acei- táveis por meio de lixiviação planejada e controlada de sais.
  • Redução de problemas de encharcamento do solo, reduzindo problemas de aeração e necessidade de drenagem.
  • Aumento de produtividade das culturas e da qualidade dos produtos.
  • Redução de despesas com água, energia, mão de obra, agroquímicos e manutenção do sistema de irrigação.
  • Redução das perdas de água por percolação profunda, escoamento su- perficial e, consequentemente, a erosão dos solos.
  • Melhoria da qualidade das águas subterrâneas e/ou superficiais a jusante.
  • Potencialização do retorno do investimento pelo aumento da receita bru- ta e redução de custos.
  • Ampliação da área irrigada, especialmente na época seca, em razão da economia de água. Para fruteiras e hortaliças, as estratégias de manejo de água com o objetivo de ma- ximizar o rendimento econômico são, em geral, bem semelhantes às estratégias visando ao máximo rendimento físico (produtividade/qualidade). Isso porque os custos variáveis associados à irrigação (água, energia e mão de obra) são peque- nos (<5%) comparados ao custo operacional total para a produção da maioria das fruteiras e hortaliças (MAROUELLI et al., 1990, 2008a). Assim, as estratégias apre- sentadas a seguir visam a maximizar a produtividade/qualidade das culturas por unidade de área, reduzindo-se ao máximo a quantidade de água aplicada às cul- turas. Em várias situações, a maximização da produtividade/qualidade somente é alcançada manejando-se a irrigação com um determinado nível de deficit hídrico, durante um ou mais estádios de desenvolvimento da cultura.

Indicadores para manejo da água de irrigação De maneira geral, as irrigações devem ser realizadas quando a deficiência de água na planta causar decréscimo acentuado em suas atividades fisiológicas e, conse- quentemente, afetar o seu desenvolvimento e a sua produtividade. Na prática, a decisão de quando irrigar é simplificada de acordo com cada caso particular ou

164 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças

estratégia de manejo adotada, sendo, muitas vezes, tomada com base na avalia- ção da deficiência de água no solo ou conjuntamente por meio de indicadores com base na planta, no solo e/ou na atmosfera.

A quantidade de água que deve ser aplicada por irrigação é comumente a neces- sária para que o solo retorne a sua condição de capacidade de campo na cama- da de solo correspondente à profundidade efetiva do sistema radicular da cul- tura. Essa quantidade pode ser determinada, fundamentalmente, com base na avaliação da disponibilidade atual de água no solo ou na quantidade de água evapotranspirada pela cultura entre duas irrigações consecutivas. Havendo risco de salinidade, que pode ocorrer em regiões áridas e semiáridas ou em ambiente protegido, deve-se aplicar uma fração de água adicional para manter o balanço de sais no solo em nível adequado.

Vários são os indicadores disponíveis para a determinação do momento de irrigar e da quantidade de água a ser aplicada, podendo ser agrupados como segue:

  • Indicadores de manejo com base na planta.
  • Indicadores de manejo com base no solo.
  • Indicadores de manejo com base na atmosfera (evapotranspiração).

Os indicadores com base na planta possibilitam apenas estabelecer o momento de irrigar, enquanto aqueles com base na atmosfera permitem somente estimar a quantidade de água a ser aplicada por irrigação. Já os indicadores com base no solo geralmente possibilitam determinar quando e quanto irrigar. Na prática, é comum utilizar conjuntamente mais de um indicador do sistema solo-planta- atmosfera para fins de manejo da água de irrigação.

A seguir, são apresentados os principais indicadores com base na planta, no solo e na atmosfera, que conjugam, em parte ou no todo, praticidade de operação, e custo competitivo de aquisição e de implantação, além da vantagem de poderem ser aplicados a um amplo elenco de culturas.

Indicadores de manejo

de irrigação com base na planta

O organismo vegetal (planta) integra os efeitos das condições ambientais e faz a interface entre o solo (reservatório de água) e a atmosfera (“sumidouro”).

166 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças

Ao contrário de outras espécies, plantas de cebola e alho geralmente não mur- cham quando submetidas a condições de deficiência hídrica. Assim, sintomas imediatos de deficiência hídrica moderada para essas espécies são difíceis de ser visualizados em condições de campo (BOSCH SERRA; CURRAH, 2002).

Como a resposta das plantas ao deficit hídrico depende da espécie e da variedade cultivada, experiência e cuidados são importantes na aplicação desse indicador. Algumas culturas, mesmo quando bem hidratadas ou em solos com umidade próxima à capacidade de campo, podem apresentar sinais visuais de estresse em torno do meio-dia e início da tarde, em dias quentes e secos.

A aparência visual, como estratégia de manejo, pode ser melhorada quando da observação conjunta das condições hídricas da planta e do solo. A avaliação da umidade do solo deve ser feita na posição e profundidade corretas em relação à planta e ao seu sistema radicular efetivo.

Potencial de água na folha

Para uso do potencial de água na folha, é necessário dispor de um equipamento para avaliação do estado hídrico da planta, conhecido como câmara de pressão tipo Scholander (SCHOLANDER et al., 1965). É um equipamento de custo relativa- mente alto e que exige pessoal qualificado para sua utilização. A metodologia de determinação do potencial consiste em colocar uma parte da planta, geralmente a folha, no interior da câmara e medir a pressão requerida para forçar a saída da seiva existente nos tecidos da folha através do pecíolo. O potencial hídrico da fo- lha (yf ) deve ser lido assim que a seiva surgir no pecíolo. O potencial deve então ser comparado a um valor de potencial crítico (yfc ) para a cultura de interesse. Deve-se irrigar sempre que o valor absoluto de yf for maior ou igual a yfc. Na Tabela 1, são apresentados valores médios de yfc que acarretam reduções significativas da taxa de transpiração e da produtividade de algumas fruteiras e hortaliças.

Tem sido comumente apresentado na literatura técnica que o potencial de água na folha é, teoricamente, o indicador mais apropriado para avaliar vários proces- sos fisiológicos, inclusive para indicar quando irrigar. Entretanto, Jones (2004) re- latou que o potencial de água na folha é pouco preciso em razão de estar sujeito a rápidas flutuações temporais, em virtude de variações ambientais, como uma simples passagem de nuvens, e da regulação homeostática entre diferentes regi- mes hídricos no solo.

Capítulo 5 | Manejo da água de irrigação^167

Visando a minimizar os problemas levantados por Jones (2004), recomenda-se que as determinações de yf sejam feitas pouco antes do amanhecer, pois a hidratação dos tecidos da planta ainda estará sendo controlada pelo teor de água no solo. Durante o período diurno, a hidratação dos tecidos é controlada pelas condições meteorológicas. O deficit hídrico na planta pode ser várias vezes maior durante o período de calor do dia do que antes do amanhecer. Além disso, as leituras não serão consistentes de um dia para outro por razão de variações de nebulosidade, temperatura e umidade do ar, velocidade do vento e inclinação do sol. Outro problema do indicador potencial de água na folha é que o equipamento usado para realizar as medições é inadequado a plantas com pecíolos muito frá- geis, que se rompem facilmente antes que qualquer leitura seja feita, como é o caso das cucurbitáceas (melancia, melão, abóbora, pepino, etc.).

Temperatura da folha e índice de estresse hídrico da cultura A estimativa do estado hídrico da planta com base na temperatura pode ser feita por meio de medidas de temperatura do ar e da folhagem, usando-se um ter- mômetro portátil de infravermelho. A técnica tem como base o fato de que as folhas de uma planta que se encontra em estado túrgido refletem mais luz infra- vermelha do que as de uma planta com folhas murchas (HAISE; HAGAN, 1967) e a temperatura da planta aumenta em relação ao ambiente em resposta ao fato de o sistema radicular não ser capaz de suprir a demanda de transpiração.

Tabela 1. Potencial crítico de água na folha ( yfc ), o qual acarreta reduções da eva- potranspiração e produtividade para algumas fruteiras e hortaliças. Cultura y fc (MPa) Fonte Abacate -0,90 a -1,20 Chartzoulakis et al. (2002) Banana -0,35 a -1,00 Turner (1994) Batata -0,40 a -0,80 Phene et al. (1992) e Wright e Stark (1990) Citros -1,20 a -2,30 Syvertsen e Lloyd (1994) Manga -1,20 a -1,80 Coelho et al. (2000) Maracujá -2,50 Menzel e Simpson (1994) Pimentão -0,60 a -0,75 Thompson et al. (2007) Tomate -0,40 a -0,60 Thompson et al. (2007) Uva -1,00 a -1,60 Williams e Matthews (1990)

Capítulo 5 | Manejo da água de irrigação^169

Embora o IEHC tenha-se mostrado vantajoso nas condições áridas do Arizona, onde foi desenvolvido, Jones (2004) relatou que, em regiões de clima mais úmido e nublado, a metodologia tem-se mostrado menos precisa. Apesar de algumas deficiências, o uso de termômetros de infravermelho, como uma ferramenta para manejo da água de irrigação, tem aumentado principalmente em regiões áridas. Existe no mercado aparelho capaz de fornecer em tempo real, além da tempera- tura da folhagem e do ar e da umidade relativa do ar, o valor do IEHC no instante da medição e compará-lo com um valor crítico para definição do momento de irrigar.

Indicadores de manejo de irrigação com base no solo

Informações sobre o teor de água do solo existente na zona radicular das plantas, bem como sobre a energia com que a água está retida no solo, têm sido uma das estratégias mais utilizadas para definição do momento de irrigar. Ao contrário de dados com base na planta, os indicadores com base no solo possibilitam deter- minar, além do momento da irrigação, a quantidade de água a ser aplicada por irrigação. Esses indicadores podem ser expressos por meio do teor de água no

Figura 1. Linhas-base para milho-doce com e sem deficit hídrico conforme a di- ferença entre a temperatura da folhagem ( T (^) f ) e do ar ( Ta ) e em razão do deficit de pressão de vapor de água do ar ( DPV ), para determinação do índice de estresse hídrico da cultura ( IEHC ). Para o exemplo dos pontos A, B e C, o IEHC será de 0,42. Fonte: adaptado de Silva (2004).

170 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças

solo, tensão de água no solo e/ou uma junção dos dois, utilizando-se a curva de retenção de água no solo.

Segundo Jones (2004), os principais problemas desses indicadores são: a) variabi- lidade espacial do solo, o que exige a amostragem ou instalação de sensores em vários locais da área; b) dificuldade de selecionar a distância da planta e a profun- didade de instalação que efetivamente represente a zona radicular; c) a maioria dos sensores não mede teor de água diretamente, necessitando de calibração.

Teor de água no solo

O nível de umedecimento do solo é representado pelo volume (ou massa) de água contido em um volume (ou massa) de solo, conhecido como conteúdo ou teor de água no solo. Constitui informação fundamental para a determinação da quantidade de água necessária a restabelecer o nível adequado de umidade do solo na zona radicular da cultura, sem que ocorram perdas significativas de água por percolação profunda. Além de permitir calcular a quantidade de água por evento de irrigação, a informação sobre o teor de água no solo também pode ser utilizada para indicar o momento de irrigar (SHOCK et al., 2007).

A determinação da umidade do solo pode ser feita por vários métodos e equi- pamentos. Pode ser estimada por métodos bem práticos e simples, como o do tato-aparência, ou medida por meio de modernos instrumentos e sensores ele- trônicos. Uma ampla discussão sobre esses métodos encontra-se disponível na literatura (CAMPBELL; MULLA, 1990; EVETT, 2007; PHENE et al., 1992).

Entre os indicadores de mais baixo custo para fins de manejo de água em áreas de produção, estão os métodos do tato-aparência, gravimétrico direto (padrão de estufa) e das pesagens (BERNARDO et al., 2005; MAROUELLI; GUIMARÃES, 2006). O método gravimétrico direto é referência para comparação e calibração de to- dos os outros métodos indiretos de determinação da umidade do solo. Sua des- vantagem para fins de manejo de água é fornecer o resultado da umidade do solo somente 24 horas após a sua amostragem.

Uma grande variedade de sensores dielétricos, usando tecnologias de reflecto- metria no domínio do tempo ( TDR ) e de capacitância – também referenciados como reflectometria no domínio da frequência ( FDR ) –, está disponível para es- timativa do teor de água no solo. Os sensores do tipo TDR são os mais precisos, porém de maior custo, o que tem inviabilizado seu uso para manejo em áreas de produção comercial. A umidade do solo é estimada a partir da medição direta da constante dielétrica do solo, que varia com a quantidade de água no solo. No

172 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças

do guia prático apresentado nessa tabela permite ao produtor estimar a fração de água disponível no solo por meio de observações da consistência (tato) e da aparência do solo (método do tato-aparência).

Tabela 2. Guia prático para estimativa da água disponível no solo ( AD ) conforme a textura, a consistência e a aparência do solo.

AD (%)

Textura do solo Grossa Moderadamentegrossa Média Fina 0–25 Seco, solto, escapa entre os dedos

Seco, solto, escapa entre os dedos

Seco, por vezes formando torrão que raramente se conserva

Duro, esturricado, às vezes com grânulos soltos na superfície

25–50 Seco, não forma torrão

Sinais de umidade, mas não forma torrão

Forma torrão, algo plástico, mas com grânulos

Maleável, formando torrão

50–75 Seco, não forma torrão

Tende a formar torrão que raramente se conserva

Forma torrão, algo plástico, que às vezes desliza entre os dedos ao ser comprimido

Forma torrão que desliza entre os dedos na forma de lâmina ao ser comprimido 75–100 Tende a se manter coeso; às vezes, forma torrão que se rompe facilmente

Forma torrão que se rompe facilmente e não desliza entre os dedos

Forma torrão muito maleável que desliza facilmente entre os dedos

Ao ser comprimido, desliza entre os dedos na forma de lâmina escorregadiça 100 (CC)(1)

Ao ser comprimido, não perde água, mas umedece a mão

Ao ser comprimido, não perde água, mas umedece a mão

Ao ser comprimido, não perde água, mas umedece a mão

Ao ser comprimido, não perde água, mas umedece a mão (1) (^) CC = capacidade de campo. Obs.: o torrão se forma comprimindo-se, na palma da mão, um punhado de solo. O solo desliza entre os dedos polegar e indicador ao ser comprimido, ao tentar fechar os dedos. A amostra de solo a ser avaliada deve ser retirada entre ¼ e ½ da camada de solo representativa da profundidade efetiva das raízes da cultura. Fonte: adaptado de Irrigation... (1959).

Tensão de água no solo

A tensão de água na matriz do solo (valor positivo do potencial matricial) é um importante indicador de disponibilidade de água para as plantas, pois caracteriza o estado da energia da água que interage com a matriz do solo, representando uma medida da quantidade de energia requerida pelas plantas para extrair água do solo (SMAJSTRLA; PITTS, 1997). Quanto mais fortemente a água estiver retida no solo, maior será a quantidade de energia que a planta terá que despender para absorver a água necessária a atender às suas necessidades metabólicas, com des- taque para a transpiração. Desse modo, medidas de tensão podem ser utilizadas para avaliar indiretamente a deficiência hídrica das plantas, pois a taxa de transpi-

Capítulo 5 | Manejo da água de irrigação^173

ração é controlada, dentro de certos limites, pelo próprio solo (HEERMANN et al., 1990; SILVA et al., 1999). Assim, segundo Allen et al. (1998) e Evett (2007), a taxa de extração de água do solo pelas raízes da planta é influenciada mais diretamente pela tensão de água no solo e sua condutividade hidráulica associada do que pelo teor de água.

Medidas de tensão tomadas no perfil do solo permitem ainda estimar a quanti- dade de água a ser aplicada por irrigação, seja de forma empírica (por tentativa, com auxílio dos sensores), seja a partir da curva de retenção de água no solo (curva característica). Nem toda a água presente no solo está disponível para as plantas de maneira similar. À medida que o solo vai secando, mais difícil se torna à planta extrair água por meio de suas raízes. Por outro lado, excesso de água no solo não é garantia de bom desenvolvimento das plantas. Embora, nesse caso, a água esteja livremente disponível (tensão próxima a 0), pode saturar grande parte dos espaços porosos do solo, comprometendo a aeração e afetando negativamente o bom funcionamento das raízes. Como regra, as informações apresentadas na Tabela 3 podem ser usadas para interpretar a condição da disponibilidade de água no solo, conforme as principais faixas de tensão.

Valores de tensão crítica de água no solo para reinício das irrigações são apre- sentados na Tabela 4 para hortaliças irrigadas por aspersão, na Tabela 5 para hortaliças irrigadas por sulco e gotejamento e na Tabela 6 para fruteiras. Con- forme indicado nas tabelas, verifica-se que a tensão crítica é também função do sistema de irrigação, do estádio de desenvolvimento da cultura, da textura do solo e da demanda evaporativa da atmosfera (SHOCK et al., 2007; THOMPSON et al., 2007). Vários equipamentos têm surgido para a medição da tensão de água no solo e utili- zados para fins de manejo de água por agricultores em diferentes países, com desta- que para o tensiômetro e os blocos de resistência elétrica (EVETT, 2007; HEERMANN et al., 1990; SANDERS, 1997). No Brasil, vários produtores de hortaliças, flores e mudas de fruteiras e espécies florestais têm utilizado o sistema Irrigas®^ (CALBO; SILVA, 2006).

Tensiômetros

Embora seja o mais antigo método para medir a tensão de água no solo, datando do início do século 20, o tensiômetro é ainda, provavelmente, o sensor mais utili- zado para medição do estado da água no solo (EVETT, 2007). Segundo Silva et al. (1999), suas principais vantagens comparativas em relação a outros indicadores

Capítulo 5 | Manejo da água de irrigação^175

Hortaliça Tensão crítica (1) (kPa) Fonte Melancia 25–50 Hegde (1987) Melão 30–60 Sanders (1997) Milho-doce 45–100 Sanders (1997) e Taylor (1965) Morango 20–30 Haise e Hagan (1967) Pepino 40–80 Sanders (1997) Pimentão 20–50 Batal e Smittle (1981) Repolho 25–60 Enciso et al. (2007) e Sanders (1997) Tomate de mesa 30–100 Silva e Simão (1973) Tomate industrial 30–400 Marouelli e Silva (2005) (1) (^) Valores à esquerda devem ser utilizados durante os períodos críticos de deficit hídrico, condições de alta demanda evaporativa da atmosfera (ETo > 6 mm dia -1^ ) e/ou solos arenosos.

Tabela 4. Continuação.

Tabela 5. Faixas de tensão crítica de água no solo em que se deve promover a irrigação para obtenção de produtividade máxima para algumas hortaliças irrigadas por sulco e gotejamento. Tensão crítica (kPa) (1)^ Hortaliça Sistema por sulco 20 a 40 Abóbora, alface, alho, batata, berinjela, brócolis, cebola, cenoura, feijão- vagem, folhosas em geral, melancia, melão, morango e pimentão 40 a 70 Batata-doce, beterraba, couve-flor, milho-doce, pepino, repolho e tomate 70 a 200 Ervilha, grão-de-bico e lentilha Sistema por gotejamento 10 a 20 Abóbora, alface, alho, batata, berinjela, brócolis, cebola, cenoura, feijão- vagem, folhosas em geral, melancia, melão, morango e pimentão 20 a 40 Batata-doce, beterraba, couve-flor, milho-doce, pepino, repolho e tomate (1) (^) Valores à esquerda devem ser utilizados durante os períodos críticos de deficit hídrico, condições de alta demanda evaporativa da atmosfera (ETo > 6 mm dia -1^ ) e/ou solos arenosos. Fonte: adaptado de Marouelli (2008).

Tabela 6. Faixas de tensão crítica de água no solo em que se deve promover a irri- gação para obtenção de produtividade máxima para algumas fruteiras.

Fruteira Tensão crítica(kPa) (1) Fonte Abacate 35–55 Coelho et al. (2000) Abacaxi 25–60 Oliveira et al. (2006) Acerola 25–55 Oliveira et al. (2006) Banana 25–45 Coelho et al. (2000) Continua...

176 Irrigação e fertirrigação em fruteiras e hortaliças

com base no solo são: medição direta e em tempo real da tensão de água no solo, sendo a umidade determinada indiretamente; qualidade no manejo de água des- de que convenientemente instalado, mantido e interpretado; custo relativamente baixo; e facilidade de ser encontrado no mercado.

Informações teóricas e práticas sobre tensiômetros e seu uso podem ser encontra- das em Faria e Costa (1987), Libardi (1993) e Marouelli (2008). Os modelos de tensi- ômetros mais utilizados são os de vacuômetro metálico tipo Bourdon (Figura 2) e os de punção. As unidades de medida dos vacuômetros são geralmente expressas em kPa, cbar, mmHg e cmH 2 O, em que: 1 kPa = 1 cbar = 7,5 mmHg = 10,2 cmH 2 O. Os tensiômetros com vacuômetro de mercúrio, apesar de apresentarem excelente precisão, são de mais difícil instalação e operação. Por usarem mercúrio metálico, são menos seguros do ponto de vista ambiental e não devem ser utilizados.

Os tensiômetros de punção não dispõem de vacuômetro acoplado. A leitura é realizada por meio de um vacuômetro portátil (digital ou analógico), conhecido como tensímetro (Figura 3). Em razão do custo relativamente alto do tensímetro digital, o tensiômetro de punção somente começa a ser economicamente viá- vel quando o produtor necessita utilizar pelo menos dez unidades (MAROUELLI, 2008). O tensímetro analógico apresenta custo bem mais baixo do que o digital, porém a precisão é inferior.

O tensiômetro permite leitura de tensão até cerca de 80 kPa. Para tensões maio- res, começa a haver formação acentuada de bolhas de vapor dentro da água sob vácuo, causando o processo de cavitação no sistema, o que faz o instrumento parar de funcionar. Mesmo cobrindo apenas de 40% a 70% da água disponível no solo, os tensiômetros são recomendados para o manejo de água da maioria das culturas. Para que apresentem desempenho satisfatório, é indispensável observar

Fruteira Tensão crítica^ (1) (kPa) Fonte Citros 30–45 Coelho et al. (2000) Goiaba 10–45 Coelho et al. (2000) Mamão 15–45 Oliveira et al. (2006) Manga 15–60 Coelho et al. (2000) Maracujá 10–20 Coelho et al. (2000) Uva de mesa 15–25 Gurovich (1996) Uva vinífera 15–50 Neja et al. (1977) (1) (^) Valores à esquerda devem ser utilizados durante os períodos críticos de deficit hídrico, condições de alta demanda evaporativa da atmosfera ( ETo > 6 mm dia -1^ ) e/ou solos arenosos.

Tabela 6. Continuação.