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TÉCNICA ISOLAMENTO ABSOLUTO
Tipologia: Notas de estudo
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ISOLAMENTO ABSOLUTO
SÃO PAULO 2010
UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
LARA FERNANDES NOGUEIRA
ISOLAMENTO ABSOLUTO
SÃO PAULO 2010 INTRODUÇÃO
Na Odontologia, é essencial o uso do isolamento absoluto para alcançar a mais alta qualidade do material restaurador, pois é o único meio de se obter um campo totalmente livre de umidade. Além disso, há uma série enorme de outras vantagens:
protegendo os lábios, a língua e as bochechas do paciente e eliminando a presença de umidade.
VANTAGENS DO ISOLAMENTO ABSOLUTO
-Manter o campo operatório limpo e seco: o profissional consegue uma melhora em seus procedimentos clínicos como remoção de tecido cariado, preparo cavitário e inserção dos materiais restauradores. Há um menor de risco de problemas pós- operatórios provenientes da contaminação com os fluidos bucais. O tempo ganho pelo operador em trabalhar em um campo limpo com uma boa visibilidade compensa o tempo gasto para a colocação do isolamento absoluto.
-Melhor acesso e visibilidade: o afastamento gengival conseguido promove um melhor acesso e visibilidade dos aspectos gengivais dos preparos cavitários, pois afastam as bochechas, o lábio e a língua e controlam a umidade no campo de trabalho.
-Aumenta as propriedades dos materiais: os materiais restauradores diminuem as suas propriedades �sicas se u�lizados em um campo úmido. Mesmo a aplicação tópica de flúor deve ser preferencialmente realizada com isolamento absoluto, pois a umidade interfere na liberação de flúor, diminuindo a efe�vidade deste procedimento.
-Proteção do paciente e operador: impede o paciente de engolir ou aspirar pequenos instrumentos, produtos provenientes dos procedimentos restauradores ou qualquer outro �po de elemento estranho, protege os tecidos moles da cavidade bucal de irritação pelos materiais u�lizados ou danos pelos instrumentais. O operador fica protegido das infecções presentes na boca do paciente.
-Eficiência operatória (aumento da produ�vidade): mantêm a boca do paciente aberta durante todo o procedimento, desencoraja pacientes excessivamente falantes, a irrigação que pode ser u�lizada é imediatamente eliminada, facilita procedimentos restauradores em todo o quadrante, pode ser realizado pela auxiliar.
-Tempo gasto: esta desvantagem pode ser eliminada com o simples uso como ro�na. Demoraria de 3 a 5 minutos que é pra�camente o tempo necessário para a anestesia produzir efeito;
-Dificuldade de aplicação em determinados casos: dentes pouco erupcionados, alguns terceiros molares e dentes mal-posicionados;
-Dor e desconforto ao paciente;
MATERIAIS E INTRUMENTAIS USADOS NO ISOLAMENTO ABSOLUTO
Materiais u�lizados nos procedimentos de isolamento absoluto:
-Dique de borracha;
-Arco porta-dique;
-Perfurador de borracha;
-Pinça porta-grampos;
-Grampos;
DISPOSITIVOS AUXILIARES
O dique de borracha pode ser fornecido em rolos ou pré-cortados, além de diferentes espessuras: 0,15mm (fino), 0,2mm (médio), 0,25mm (grosso), 0,3mm (extra-grosso). A borracha espessa tem boa resistência ao rompimento e promove o máximo de afastamento e proteção aos tecidos moles subjacentes. Com relação à cor, as borrachas escuras são mais indicadas, pois contrasta com o dente e reflete menos luz.
-Tesoura
-Guardanapo de papel
-Tira de lixa de aço
-Fio dental
-Vaselina
-Godiva / Lâmpada à álcool
-Caneta esferográfica
-Grampos especiais:
-26 => Molares
Alguns grampos podem ser adaptados para determinado dente através de desgastes. Por exemplo, o grampo 212, de Ferrier, indicado para retração gengival, necessita em alguns casos, modificações que consistem na curvatura da garra lingual para incisal e da ves�bular para apical, da seguinte maneira: as garras são aquecidas em lâmpada a álcool, mantendo-se o grampo em posição com um alicate 121; com outro alicate do mesmo �po, faz-se a curvatura das mesmas. Este �po de grampo deve sempre ser imobilizado com godiva às super�cies dentárias. Visando facilitar o acesso ou, ainda, trabalhos simultâneos em dois dentes, o grampo 212 pode ainda sofrer outras modificações, removendo-se a alça de um dos lados, além das garras de preensão.
Antes de se iniciar a colocação do isolamento absoluto na boca do paciente, devem ser realizadas algumas operações prévias na boca do paciente a fim de se remover qualquer empecilho que possa atrapalhar o bom andamento do isolamento, e também no dique de borracha.
PREPARO DA BOCA
- Limpeza dos dentes e polimento coronário
-Proteção dos tecidos moles com um lubrificante
-Verificação dos contatos proximais (fio dental, �ra de lixa, discos de granulação fina)
-Teste do grampo
-Separação mecânica quando necessária
-Colocação de um guardanapo de papel ao redor da boca do paciente
PREPARO DO DIQUE DE BORRACHA
-Selecionar o tamanho, a cor e a espessura
-Demarcar a posição dos ori�cios na borracha
-Perfuração da borracha
-Lubrificação da borracha
O número de dentes a serem incluídos no campo a isolar deve ser o maior número possível. Deve ser isolado no mínimo 3 dentes ou 4 (dois para distal e um para mesial), com exceção no tratamento endodôn�co onde somente o dente a ser tratado será isolado. Quando for se trabalhar em dentes anteriores, até a mesial do canino, deve-se isolar de pré-molar a pré-molar. Para os procedimentos na super�cie distal do canino, deve-se isolar desde o 1o^ molar até o incisivo lateral. Quando for operar em dentes
posteriores, devem-se isolar dois dentes para distal até a região anterior, incluindo o canino do lado oposto àquele em que está trabalhando.
Com relação à posição dos ori�cios na borracha, nos dentes posteriores eles são demarcados na fossa central, enquanto que nos anteriores, na incisal. A distância entre eles deve ser igual à distância entre os eixos longitudinais dos dentes, tendo a mesma disposição dos dentes na boca. Existem alguns fatores que determinarão o espaço e a relação entre os ori�cios a serem perfurados na borracha:
-Tamanho dos dentes: quanto maiores, maior o espaço entre estes ori�cios;
-Contorno dos dentes: dentes ovóides e cônicos e com ameias V e L extensas requerem maior espaço entre os ori�cios que os �pos quadrangulares, com pequeno espaço interdental;
-Altura da gengiva interdental: quanto mais baixa a papila interdental, menor a distância entre os ori�cios;
-Espaço entre os dentes ou ausência de dentes: o espaço na borracha deve ser igual à distância entre os eixos logitudinais dos dentes adjacentes.
-Má posição dos dentes no arco dental: os ori�cios devem ser perfurados exatamente na mesma relação de posição de cada dente no arco;
-Posição da cavidade no dente: nos casos de restauração gengival, o ori�cio deve ser deslocado 2mm para ves�bular, permi�ndo uma quan�dade de borracha suficiente para invaginação apropriada na área gengival.
Métodos de demarcação e perfuração da borracha:
-divisão em quadrantes;
Estas drogas atuam sobre o sistema parassimpá�co, diminuindo o fluxo salivar, como os derivados da atropina e da escopolamina ou similares. (Ex. Atroveran, Dramamine, etc.). Podem ser observados alguns efeitos colaterais com a u�lização destas drogas como taquicardia, inibição da secreção gástrica, retenção urinária, dilatação e dificuldade de acomodação da pupila, diminuição da secreção sudorípara e aumento da pressão intra-ocular. Na eventualidade destas ocorrências a droga deverá ser suprimida.
Nos pacientes que apresentam fluxo salivar intenso pode-se administrar estas drogas trinta minutos antes do atendimento. Entretanto são contra-indicadas para pacientes portadores de glaucoma, por aumentar a pressão intra-ocular.
FIOS RETRATORES
Os fios retratores, mais comumente u�lizados para moldagens, podem também ser u�lizados quando da exigência de afastar o tecido gengival para a confecção de restaurações. Estes fios retratores controlam a saída de fluídos sulculares e/ou hemorragias. A retração gengival adequada que pode ser conseguida com a u�lização destes fios, facilita o acesso e a visibilidade de todos os tecidos em que se está operando, além de ajudar a previnir danos no tecido gengival durante a confecção dos preparos cavitários.Os fios ou cordas retratoras podem ou não estar embebidos em soluções químicas que provocam a vasoconstricção periférica, na maioria das vezes a epinefrina, mas também podem ser u�lizados o cloreto de alumínio e o sulfato de alumínio. O fio deve ser colocado parte no interior do canal e parte permanecer fora e com cerca de 3 minutos obtêm-se um afastamento sa�sfatório. A colocação do fio deve ser feita com a gengiva previamente desidratada, o comprimento do fio deve ser pouco maior que o diâmetro do dente e a colocação deve ser feita com uma espátula sem a extremidade cortante. Em hipótese alguma a saliva pode contatar com o fio, pois este perderia sua ação. No caso de lesões cervicais, o fio deve ser inserido antes do preparo cavitário, e no caso de lesões proximais antes da remoção do tecido infectado. Quando o tratamento envolver a região proximal, pode haver a necessidade de colocação de dois fios retratores para se conseguir uma melhor reprodução margem gengival e também porque a gengiva interdental é di�cil de retrair.
Com relação às substâncias químicas u�lizadas com o fio, segundo Bartled, existem relatos de pacientes que se sen�ram desconfortados com o uso da epinefrina, indo estes distúrbios de moderada sudorese até intensa taquicardia. Por outro lado, a literatura relata a possibilidade de a epinefrina provocar efeitos de retração gengival. Com qualquer �po de substância, o tempo de afastamento é importante, deve-se seguir a orientação do fabricante, mas em média o tempo é de 10 minutos no máximo.
BUSATO, A.L.S. et al. Den�s�ca: Restaurações em dentes posteriores. São Paulo, Editora Artes Médicas, 1996. 301p.
MONDELLI, J. et al. Procedimento pré-clínicos. São Paulo, Editorial Premier, 1998. 258p.
CONCEIÇÃO, E.N.; SOARES, C.G. Isolamento do campo operatório. In: CONCEIÇÃO, E.N. et al. Den�s�ca : saúde e esté�ca. Porto Alegre: Artmed, 2000. Cap.6, p.83-94.