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Linguagem e Argumentação, Notas de estudo de Bioquímica

Os gêneros Resumo e Resenha: Como Produzi-los?

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 08/11/2010

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andressa-previati-3 🇧🇷

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Maria Alice de Mello Fernandes - Rute Josgrilberg - UNIGRAN
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Aula 07
Os gêneros Resumo e Resenha:
Como Produzi-los?
Um escritor competente é alguém que sabe reconhecer diferentes tipos de textos e es-
colher o apropriado a seus objetivos num determinado momento [...] Um escritor competente é,
também, capaz de olhar para o próprio texto como um objeto e verificar se está confuso, ambíguo,
redundante, obscuro ou incompleto. Ou seja: é capaz de revisá-lo até considerá-lo satisfatório
para o momento. É, ainda, um leitor competente, capaz de recorrer, com sucesso, a outros textos
quando precisa utilizar fontes escritas para a sua própria mudança. PCNs (1990, p. 51-52).
Caro aluno,
Na introdução dessas aulas, comentamos sobre as dificuldades que as pessoas nos mais
diferentes níveis de escolaridade, possuem para escrever. Vimos, no entanto, no decorrer das
aulas, que não é impossível realizá-lo, uma vez que aprendemos a escrever, escrevendo. Para
aprendermos um esporte não outra forma de fazê-lo se não por intermédio de treino. Para
escrever, o caminho é o mesmo e você, com certeza, tem capacidade para desenvolver e experi-
mentar criações que valorizem o processo de escritura e não apenas o produto final.
Ao executar essa prática, você criará um estilo, desenvolverá o raciocínio lógico, a ca-
pacidade de relacionar idéias e emitir conclusões, tornando-
se um indivíduo crítico de sua própria realidade, mostrando
a sua voz.
Com relação aos textos acadêmicos, tão necessários
para o desenvolvimento das atividades de seu curso, a difi-
culdade de escrita também existe. Entre os gêneros textuais,
os mais solicitados são o resumo e a resenha. Você já os
conhece, não é? Sabe produzi-los?
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Aula 07

Os gêneros Resumo e Resenha:

Como Produzi-los?

Um escritor competente é alguém que sabe reconhecer diferentes tipos de textos e es- colher o apropriado a seus objetivos num determinado momento [...] Um escritor competente é, também, capaz de olhar para o próprio texto como um objeto e verificar se está confuso, ambíguo, redundante, obscuro ou incompleto. Ou seja: é capaz de revisá-lo até considerá-lo satisfatório para o momento. É, ainda, um leitor competente, capaz de recorrer, com sucesso, a outros textos quando precisa utilizar fontes escritas para a sua própria mudança. PCNs (1990, p. 51-52). Caro aluno, Na introdução dessas aulas, comentamos sobre as dificuldades que as pessoas nos mais diferentes níveis de escolaridade, possuem para escrever. Vimos, no entanto, no decorrer das aulas, que não é impossível realizá-lo, uma vez que aprendemos a escrever, escrevendo. Para aprendermos um esporte não há outra forma de fazê-lo se não por intermédio de treino. Para escrever, o caminho é o mesmo e você, com certeza, tem capacidade para desenvolver e experi- mentar criações que valorizem o processo de escritura e não apenas o produto final. Ao executar essa prática, você criará um estilo, desenvolverá o raciocínio lógico, a ca- pacidade de relacionar idéias e emitir conclusões, tornando- se um indivíduo crítico de sua própria realidade, mostrando a sua voz. Com relação aos textos acadêmicos, tão necessários para o desenvolvimento das atividades de seu curso, a difi- culdade de escrita também existe. Entre os gêneros textuais, os mais solicitados são o resumo e a resenha. Você já os conhece, não é? Sabe produzi-los? http://www.paragrafo.org/imagens/ wllppr01_paragrafo_org.jpg

Qualquer que seja sua resposta, optamos por esclarecer e/ou revisar tal conteúdo com a intenção de que daqui em diante o receio de produzir os referidos gêneros seja substituído por determinação e vontade de aprender. Para tanto, apresentamos, inicialmente, orientações de como efetuar o resumo.

ORIENTAÇÕES PARA REDIGIR RESUMOS

Resumir é reduzir o texto original, ou seja, apresentar as idéias principais do autor com suas próprias palavras. Ao resumir, não se permite copiar frases ou partes do texto, pois tal atividade representa a reprodução parcial e não o resumo. A literatura apresenta-nos diversos tipos de resumos e metodologias para produzi-los. Entre as citações efetuadas por autores como Platão & Fiorin (1994), Feitosa (1991), Andrade & Henriques (1992), Azevedo (1996) e Severino (2002), optou-se pelo resumo que obedece às seguintes etapas do processo: 1ª) leitura atenta com o objetivo de saber do que se trata o texto; 2ª) leitura com interrupções para grifar os vocábulos desconhecidos a fim de recorrer ao dicionário; 3ª) leitura por fragmentos, ou seja, por parágrafos ou grupos de parágrafos, observando a segmentação das idéias; 4ª) anotação dos pontos relevantes de cada parte; 5ª) leitura das anotações para ordená-las de forma a encadear as idéias com progressão visando a um texto coeso e coerente; 6ª) não emita opinião.

Observações:

1. O resumo deve conter mais ou menos 1/3 do texto original. 2. Observe as normas da ABNT. Para ampliar seu conhecimento, observe, agora, como Platão & Fiorin (1994) explicam resumo; a seguir, veja o exemplo:

Resumo

Resumo é uma condensação fiel das idéias ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto significa reduzi-lo ao seu esqueleto essencial sem perder de vista três elementos: a) cada uma das partes essenciais do texto; b) a progressão em que elas se sucedem; c) a correlação que o texto estabelece entre cada uma dessas partes.

Em seguida, com palavras abstratas e mais abrangentes, tenta-se resumir a idéia ou as idéias centrais de cada fragmento.

  1. Dar a redação final com suas palavras, procurando não só condensar os segmentos, mas encadeá-los na progressão em que se sucedem no texto e estabelecer as relações entre eles. Exemplo de resumo apresentado por Platão & Fiorin (1994):

Texto comentado

Nós, antropólogos sociais, que sistemati- camente estudamos sociedades diferentes, fazemos isso quando viajamos. Em contato com sistemas sociais diferentes, tomamos consciência de modali- dades de ordenação espacial diversas que surgem aos nossos sentidos de modo insólito, apresentando problemas sérios de orientação (...). E foi curioso e intrigante descobrir em Tóquio que as casas têm um sistema de endereço pessoalizando e não imp- essoal como o nosso. Tudo muito parecido com as cidades brasileiras do interior onde, não obstante cada casa ter um número e cada rua um nome, as pessoas informam ao estrangeiro a posição das moradias de modo pessoalizado e até mesmo íntimo: “A casa do Seu Chico fica ali em cima...do lado da mangueira...é uma casa com cadeiras de lona na varanda...tem janelas verdes e telhado bem velho...fica logo depois do armazém do Seu Ribeiro...”. Aqui, como vemos, o espaço se confunde com a própria ordem social de modo que, sem entender a sociedade com suas redes de relações sociais e valores, não se pode interpretar como o espaço é concebido. Aliás, nesses sistemas, pode-se dizer que o espaço não existe como uma dimensão social independente e individualizada, estando sempre misturado, interligado ou “embebido”- como diria Karl Polanyi- em outros valores que servem para orientação geral. No exemplo, sublinhei a expressão “em cima” para revelar precisamente esse aspecto, dado que a sinalização tão banalizada no universo social brasileiro do “em cima” e do “embaixo” nada tem a ver com as altitudes topograficamente assinaladas, mas exprimem regiões sociais conven- cionais e locais. Às vezes querem indicar antiguidade (a parte mais velha da cidade fica mais “em cima”), noutros casos pretendem sugerir segmentação social e econômica: quem mora ou trabalha “embaixo” é mais pobre e tem menos prestígio social e recursos econômicos. Tal era o caso da cidade de Salvador no período colonial, quando a chamada “cidade baixa, no dizer de um historiador do período, “era dominada pelo comércio e não pela religião” (dominante, junto com os serviços públicos mais importantes, na “cidade alta”). “No cais - continua ele dando razão aos nossos argumentos - marinheiros, escravos e estivadores exerciam controle e a área muito provavelmente fervilhava com a mesma bulha que lá se encontra hoje em dia” (Cf. Schwartz, 1979: 85). Do mesmo modo e pela mesma sorte de lógica social, são muitas as http://www.angraviagem.com/casas/bracuhy/ imagens/casa-norte-varanda.jpg

cidades brasileiras que possuem a sua “rua Direita” mas que jamais terão, penso eu, uma “rua Esquerda”! Foi assim no caso do Rio de Janeiro, que além de ter a sua certíssima rua Direita, realmente localizada à direita ao largo do Paço, possuía também as suas ruas dos pescadores, Alfândega, Quitanda (onde havia comércio de fazenda), Ourives - dominada por joalheiros e artífices de metais raros - e muitas outras, que denunciavam com seus nomes as atividades que neles se desenrolavam. Daniel P. Kidder, missionário norte-americano que aqui residiu entre 1837 e 1840, escreveu uma viva e sensível descrição das ruas do Rio de Janeiro e do seu relato alguma surpresa pelos seus estranhos nomes e sua notável, diria eu, metonímia ou unidade de contingente e conteúdo. Ora, tudo isso contrasta claramente com o modo de assinalar posições das cidades norte-americanas, onde as coordenadas de indicação são positivamente geométricas, decidida- mente topográficas e, por causa disso mesmo, pretendem-se estar classificadas por um código muito mais universal e racional. Assim, as cidades dos Estados Unidos se orientam muito mais em termos de pontos cardeias - Norte/Sul, Leste/ Oeste - e de um sistema numeral de para rua e avenidas, do que por qualquer acidente geográfico, ou qualquer episódio histórico, ou - ainda - alguma característica social e/ou política. Nova Iorque, conforme todos sabemos, é o exemplo mais bem-acabado disso que é, porém, comum a todos os Estados Unidos. Se lá então é mais difícil para um brasileiro navegar socialmente nas cidades e estradas, é simplesmente porque ele (ou ela) não está habituado a uma forma de denotar o espaço onde a forma de notação surge de modo muito mais individualizado, quantificado e impessoalizado. DA MATTA, Roberto. A casa e a rua: espaço, Cidadania, mulher e morte no Brasil. São Paulo, Brasiliense, 1985. p. 25-27. Após ler o texto do começo ao fim, vemos que ele trata do modo distinto como cada sistema social organiza o espaço. Depois, percebemos o movimento do texto: afirmação de que existem diferentes maneiras de ordenação espacial e, em seguida, ilustração dessa idéia, compa- rando a maneira de ordenar e denominar o espaço nas cidades brasileiras e a de fazer a mesma operação nas cidades-americanas. O texto divide-se em duas grandes partes: proposição e ilustração. A segunda parte divide-se segundo o critério de oposição espacial: Brasil X Estados Unidos (Tóquio não é levada em conta, porque a observação a respeito dos endereços no Japão serve apenas para introduzir o problema da indicação dos endereços no Brasil). Para facilitar, podemos segmentar o texto em três partes: 1) “Nós, antropólogos sociais” até “problemas sérios de orientação”; 2) “E foi curioso e intrigante” até “unidade de continente e de conteúdo”; 3) “Ora, tudo isso contrasta” até o fim. As partes resumem-se da seguinte maneira:

  • informações sobre o autor: vida, obras e conhecimento em relação ao assunto. b) O resumo deve apresentar a organização geral da obra, mostrando os pontos relevantes (observar orientações para redigir resumo). c) A crítica é composta por comentários e opiniões sobre a obra resenhada que respon- dam aos seguintes questionamentos:
  • o(s) objetivo(s) do autor(es) foi/foram alcançados? Justificar;
  • qual a importância do texto?
  • para qual leitor é recomendada a obra?
  • qual a sua opinião geral sobre a obra? (linguagem / estrutura / teoria(s)). Obs.: Você pode ainda comparar com outras obras e ser polido em suas críticas.

Exemplo de resenha:

BUYS, Bruno. Impactos ambientais urbanos no Brasil. In: MACHADO, Anna Rachel (Org.). Resenha. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 43-45. Impactos ambientais urbanos no Brasil é uma coleção de artigos de diferentes autores, organizados por Antônio Teixeira Guerra e Sandra Baptista da Cunha, que analisam os impactos ambientais enfrentados por cidades brasileiras em diferentes contextos econômicos, sociais e históricos da ocupação do território brasileiro. Em sua grande maioria, as cidades brasileiras nasceram e se desenvolveram sem nen- huma preocupação de adequada utilização do solo e do espaço. Conceitos como sustentabilidade, qualidade do ar e da vida aqui por estas plagas são coisa recente, talvez impulsionadas pelo Rio-92. Os artigos escolhidos abordam problemas ambientais em cidades estudadas pelos orga- nizadores e pelos demais autores de capítulos: pequenas cidades como Açailândia, no Maranhão, cujo nascimento e crescimento estiveram ligados à economia da madeira e da extração de ferro de Carajás. Sorriso, no Mato Grosso, tema de um capítulo, é um assentamento criado pelo governo federal através de políticas públicas de ocupação do cerrado brasileiro, no começo da década de

  1. Ocupado principalmente por população vinda do sul do país, Sorriso vive da agricultura de grande escala mecanizada, às margens do Rio Teles Pires, um subafluente do Rio Madeira, que deságua no Amazonas. Teresópolis, Florianópolis e Petrópolis e seus problemas ambientais são tema de capítulos específicos, assim como Rio de Janeiro e São Paulo. O que mais chama atenção do leitor ao longo da obra, independente do tamanho ou das características da cidade, é a falta de planejamento do setor público. Talvez seja esta a maior con- stante, similar nos casos extremos desde de Sorriso e Açailândia até São Paulo e Rio de Janeiro. Os assentamentos humanos brasileiros carecem de qualquer esboço de planejamento, sendo seu

crescimento orientado pela lógica do maior lucro, até onde as questões ambientais começam a impor um ônus tão grande que se invoca a ação pontual e emergencial do Estado. Neste sentido, apesar da diversidade de autores e estilos, o livro é uma séria crítica à ação do Estado nos três níveis, municipal, estadual e federal. Setores da população urbana brasileira convivem com problemas ambientais sérios, capazes de provocar mortes como deslizamentos, desbarrancamentos e enchentes. Falta de infra-estrutura básica como saneamento e esgoto em áreas residenciais de classe baixa fornecem o material perfeito para o desenvolvimento de voçoro- cas, grandes ravinas formadas por erosão do solo, que podem, em estados avançados, provocar deslizamentos de terra. Em Sorriso, Mato Grosso, uma cidade fundada há apenas quinze anos, o estado de deterioração ambiental chama a atenção para a facilidade e o curto prazo em que o homem pode modificar o ambiente natural, tornando-o inadequado à vida. A cidade é pontilhada por voçorocas que castigam os habitantes cotidianamente. Ruas inteiras somem dentro delas, principalmente as de bairros mais pobres, é claro. A poluição das águas do rio Teles Pires pelos defensivos e insumos agrícolas tornam a água inadequada ao consumo. A população urbana brasileira, principalmente a de grandes centros, vive constantemente em situação ambiental muito ruim. Tênues esforços públicos são levados a cabo em véspera de desastre, para evitar o mal maior. Mas, de maneira geral, o brasileiro não está educado nem conscientizado para a necessidade de mudar de hábitos e efetivamente melhorar o ambiente e a qualidade de vida urbana, em vez de só evitar o mal maior. Iniciativas - tímidas - como o rodízio de carros particulares em São Paulo, entre 1996 e 1998, deram mostras de seu potencial em mel- horar a qualidade do ar e de reduzir o caos no transporte. Porém, esbarram no individualismo da solução automotiva e do status que o carro tem na nossa contemporaneidade. No Rio de Janeiro, habitações de classe baixa proliferam em áreas de risco de desliza- mento. O poder público faz vista grossa, por não poder oferecer melhores condições de habitação a esta população. No verão e nas enchentes, o salve-se-quem-puder dos resgates e o denuncismo da mídia são a tônica. Embora utilize conceitos e terminologias de várias áreas de conhecimento dedicadas a questão ambiental, a obra é basicamente um livro de geografia. Os organizadores são geógrafos e professores do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Univer- sidade do Brasil. Embora tenha sido planejado para alunos e pesquisadores não só de geografia, mas de áreas com preocupação ambientais como engenharia civil e agronômica, ciências da terra, biologia/ecologia e geografia, a obra fica aquém do que se esperaria no quesito clareza de expressão e preocupação com jargões e terminologias específicas da geografia. O leitor não- geógrafo poderá sentir alguma dificuldade. Por outro lado, o livro é muito bem-sucedido na escolha dos problemas relevantes a serem tratados, que devem interessar a todo o universo-alvo escolhido, bem como ao brasileiro em geral que esteja preocupado com os destinos do país. A conservação da natureza, da Amazônia, e a preservação da biodiversidade são temas constantes nos nossos diários e noticiários. Estão na pauta do dia, junto com esforços de grandes organismos internacionais como a ONU e o Banco Mundial. É preciso dizer com igual clareza