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Experimento realizado na disciplina de Laboratório de Física III do curso de Física da UFG. Realizamos mapeamento das linhas equipotenciais de um campo elétrico para vários arranjos experimentais.
Tipologia: Notas de estudo
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Guilherme Morais Spíndola¹, Eduardo Flávio de Amorim Teles² ¹Universidade Federal de Goiás / [email protected] ²Universidade Federal de Goiás / [email protected]
Resumo Neste experimento trabalhamos com mapeamento de linhas equipotenciais, com o intuito de determinar o campo elétrico em diversas situações: placas paralelas, condutor e isolante entre placas paralelas, cabo coaxial, duas cargas próximas e carga próxima a uma placa. Palavras-chave: Superfícies equipotenciais; potencial elétrico; campo elétrico Introdução As linhas de campo auxiliam a visualização de um campo elétrico. De modo análogo, os potenciais em diversos pontos de um campo elétrico podem ser representados graficamente por superfícies equipotenciais. Elas empregam a mesma ideia básica de mapas topográficos como aqueles usados por excursionistas e alpinistas. Em um mapa topográfico, as linhas de contorno ligam pontos com a mesma altura. Poderia ser desenhada qualquer quantidade dessas linhas, porém é suficiente mostrar algumas linhas de contorno para indicar alturas igualmente espaçadas. Quando um corpo de massa m se desloca ao longo de uma linha de contorno, a energia potencial gravitacional mgy não varia porque a altura permanece constante ao longo dessa linha. Logo, uma linha de contorno em um mapa topográfico é uma linha de energia potencial gravitacional constante. As linhas de contorno são agrupadas com distâncias menores entre elas em regiões nas quais ocorrem variações de altura muito grandes em uma mesma distância horizontal; a distância entre essas linhas é maior quando o terreno apresenta uma variação de altura pequena. Quando uma bola rola montanha abaixo, ela sofre maior força gravitacional para baixo nos locais onde as linhas de contorno estão agrupadas com distâncias menores entre elas. Por analogia com as linhas de contorno em um mapa topográfico, uma superfície equipotencial é uma superfície em três dimensões sobre a qual o potencial elétrico V permanece constante em todos os seus pontos. Quando uma carga de teste q se desloca de um ponto a outra sobre essa superfície, a energia potencial elétrica qV permanece constante. Em uma região onde existe um campo elétrico, podemos construir uma superfície equipotencial em qualquer local. Nos diagramas, costuma ser suficiente mostrar algumas superfícies equipotenciais mais representativas, em geral igualmente espaçadas, para indicar qual a diferença de potencial entre duas superfícies adjacentes é constante. Nenhum ponto pode possuir dois potenciais diferentes, portanto as superfícies equipotenciais não podem se cruzar nem se tangenciar. Como a energia potencial não varia quando uma carga de teste se desloca ao longo de uma superfície equipotencial, o campo elétrico não pode realizar trabalho sobre essa carga. Portanto, o campo elétrico deve ser perpendicular à superfície em todos os seus pontos, de modo que a força elétrica será sempre perpendicular ao deslocamento de uma carga que se move sobre a superfície. As linhas de campo elétrico e as superfícies equipotenciais são sempre mutuamente perpendiculares. Geralmente, uma linha de campo é uma curva e uma superfície equipotencial é uma superfície curva. No caso particular de um campo elétrico uniforme, para o qual as linhas de campo são retas paralelas e igualmente espaçadas, as superfícies equipotenciais são planos perpendiculares a essas retas.
Figura 1 – Linhas de campo nas vizinhanças de cargas puntiformes A figura 1 mostra vários arranjos de cargas. As linhas de campo são representadas por linhas pontilhadas e as seções retas das equipotenciais, por linhas contínuas. O campo real, obviamente, é tridimensional. Em cada cruzamento de uma equipotencial, as duas são perpendiculares. Quando cargas em repouso situam-se na superfície de um condutor, o campo elétrico muito próximo à superfície tem de ser perpendicular a esta, sendo que no interior do condutor o campo é nulo. Se o campo fora tiver uma componente do campo elétrico paralela à superfície, esta componente realizará trabalho igual à qEl, mas não pode haver componente de campo elétrico paralela à superfície e que o campo elétrico, então, é perpendicular à superfície. Segue- se também que quando todas as cargas estiverem em repouso, a superfície de um condutor será sempre uma superfície equipotencial. O campo elétrico é um campo vetorial, constituído por uma distribuição de vetores, um para cada ponto de uma região em torno de um objeto eletricamente carregado, como um bastão de vidro. O campo elétrico em um ponto nas proximidades de um objeto carregado é definido da seguinte forma: primeiro colocamos no ponto uma carga positiva qₒ, chamada carga de prova. Em seguida medimos a força eletrostática F que age sobre a carga de prova. Finalmente, definimos o campo elétrico E em um ponto P qualquer devido ao objeto carregado através da equação: E=F/q O potencial elétrico é a capacidade que um corpo energizado tem de realizar trabalho, ou seja, atrair ou repelir outras cargas elétricas. Com relação a um campo elétrico, interessa-nos a capacidade de realizar trabalho, associada ao campo em si, independentemente do valor da carga q colocada num ponto desse campo. Para medir essa capacidade, utiliza-se a grandeza potencial elétrico. Para obter o potencial elétrico de um ponto, coloca-se nele uma carga de prova q e mede-se a energia potencial adquirida por ela. Essa energia potencial é proporcional ao valor de q. Portanto, o quociente entre a energia potencial e a carga é constante. Esse quociente chama-se potencial elétrico do ponto. Ele pode ser calculado pela expressão: V=U/q A unidade do potencial é Joule/Coulomb [J/C], conhecida como Volts [V]. Como a energia potencial elétrica é definida a menos de uma constante arbitr´aria, o potencial também é. Diferenças de energia potencial e de potencial elétrico, no entanto, são bem definidas:
Tensão medida na fonte: 6,0 V Valor médio de E: A teoria nos diz que para um capacitor de placas paralelas, a intensidade do campo elétrico é constante e pode ser calculada pela razão entre a ddp entre as placas e a distância entre elas: E = V/d. Sendo d = 18,3 cm e V = 6,0 V, temo que E = 32,8 V/m.
O coeficiente angular do gráfico é: (). Para o arranjo experimental do capacitor de placas paralelas com um anel condutor dentro, percebemos que o campo elétrico produzido pelas placas se torna mais forte nas proximidades da superfície do anel devido ao fato das linhas equipotenciais estarem mais próximas. Dentro do anel não houve diferença de potencial, portanto o campo elétrico no interior do anel condutor era nulo, o que está de acordo com a teoria. Para o anel isolante o efeito foi o contrário, enquanto o anel condutor distorcia as linhas equipotenciais para fora, o anel isolante as distorcia para dentro. Além disso, no interior do anel isolante houve diferença de potencial, portanto houve campo elétrico em seu interior. Neste arranjo o campo elétrico era mais forte nas proximidades do anel, devido há uma maior concentração de linhas equipotenciais. Quando utilizamos o arranjo em forma de cabo coaxial, percebemos que o campo elétrico é radial ao centro do cabo e mais intenso nas proximidades do mesmo. Já as linhas equipotenciais são semicircunferências concêntricas ao centro do cabo. Em relação ao arranjo de placas perpendiculares o campo elétrico se encontra mais intenso no espaço em que as extremidades das placas estão bem próximas. Nesse local as linhas equipotenciais estão mais próximas. As linhas de campo deste arranjo se assemelham a ¼ de circunferência. Ao traçarmos as linhas equipotenciais e as linhas de campo, para o caso de uma carga puntiforme próxima a uma placa carregada, percebemos que o campo elétrico é mais intenso na região que está próxima a carga e entre a placa e a carga. Neste local há um menor espaçamento das linhas equipotenciais. À medida que nos distanciamos da carga e da placa, as linhas equipotenciais se distanciam mais e campo elétrico se torna mais fraco. Conclusões
Se compararmos o valor do campo elétrico médio com coeficiente angular do gráfico, temos um erro de 0,94%, tendo um valor satisfatório para o campo elétrico, calculado a partir de dados do potencial elétrico em função da distância da placa ao ponto. Alguns erros nos desenhos podem ser atribuídos às poucas medidas feitas no laboratório e a má precisão na marcação dos pontos e leitura da tensão no multímetro. Porém, o experimento obteve resultados plausíveis comparando-os com os valores teóricos. Referências Bibliográficas SEARS, F., H. D. YOUNG, et al. (2009). FÍSICA 3 - ELETROMAGNETISMO. Editora Addison-Wesley
AMALDI, U. (1999). IMAGENS DA FÍSICA - As ideias e as experiências, do pêndulo aos quarks , Editora Scipcione.