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Este artigo aborda a lombalgia, uma condição comum em atletas de futebol, explorando suas causas, mecanismos de lesão, métodos de diagnóstico e estratégias de prevenção e tratamento. O texto destaca a importância da avaliação médica criteriosa, da estabilização do core abdominal e do treinamento isocinético para minimizar o risco de lesões e promover a recuperação dos atletas.
Tipologia: Resumos
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Anderson Alves Dias UFTM - Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Paulo Sérgio Machado Rodrigues Uberaba Sport Club
Luis Fernando de Faria UNIUBE - Universidade de Uberaba
José Martins Juliano Eustaquio UNIUBE - Universidade de Uberaba
10.37885/
Palavras-chave: Dor Lombar, Futebol, Medicina Esportiva.
RESUMO
A dor lombar é um sintoma de causa multifatorial e que afeta um grande público de atletas de futebol. Fatores como a dinâmica do esporte, os desequilíbrios de força e de ativação muscular, os traumas musculoesqueléticos, dentre outros, estão relacionados ao seu surgimento. A grande maioria dos casos é de causa inespecífica, de prognóstico excelente e sem a necessidade de investigação diagnóstica. Porém, os quadros de dores recidivantes ou associados a sinais de alarme, demandam a realização de exames de imagem complementares. Cada vez mais são estimulados os exercícios que preconizam a estabilização do segmento do tronco, comuns em todos os protocolos de prevenção de lesões no futebol.
Porém, outras patologias condicionam dor lombar persistente e comprometem a par- ticipação nas atividades esportivas. Nesses casos resistentes ao tratamento conservador inicial, ou relacionados a sinais de alarme como trauma, emagrecimento sem causa justi- ficada, febre, uso crônicos de corticóides, dentre outros, são necessários exames deima- gem complementares.
A espondilólise é definida com um defeito da pars articularis e pode estar associada à espondilolistese (deslizamento anterior do corpo vertebral sobre a vértebra adjacente). Ocorre em torno de 85% dos casos ao nível de L5. Existe uma correlação da presença do defeito com movimentos repetitivos da coluna lombar, o que pode levar a fraturas por stress na pars articularis. O defeito pode ser unilateral ou bilateral. Na maioria dos casos é assintomática. Entretanto, a forma sintomática pode apresentar evolução gradual da dor e ser exacerbada por movimentos de hiperextensão combinado a rotação da coluna lombar como, por exemplo, em movimento no ar para cabecear a bola. Pode surgir também após um trauma durante a partida e pode permanecer sintomática mes- mo no repouso. Geralmente a dor é lombar, mas pode eventualmente apresentar irradiação para membros inferiores, associado a parestesia. Quando a dor lombar persiste por mais de 03 a 04 semanas, deve ser investigada por exames de imagens. A propedêudica diagnóstica é iniciada com a realização de radiografias nas incidências anteroposterior, perfil da coluna lombar e oblíquas. Nessa última incidên - cia, pode ser identificado o defeito na pars articularis através do sinal do colar do cachorro de Le Chapelle (Figura 1). Entretanto, apenas um terço das lesões podem ser diagnostica - das com radiografias simples. O complemento da investigação é feito através da tomografia computadorizada da coluna lombar.
Figura 1. Radiografia em incidência oblíqua da coluna lombar, no qual são observados aimagem do cachorro de Le Chapelle e a fratura da pars articularis.
Fonte: Próprio autor.
Para identificação do tempo de lesão (aguda ou crônica), a cintilografia óssea torna-se um exame importante. A ressonância nuclear magnética da coluna lombar é outra alternativa para o diagnóstico, além de permitir analisar com maior acurácia o acometimento neural. O tratamento geralmente é conservador. Atividades que envolvam extensão da coluna lombar devem ser evitadas. É preconizado o início precoce de fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna. Para os atletas com sintomas recidivantes, orienta-se o uso de colete durante tempo máximo de 12 semanas, de acordo com a evolução do quadro clínico. O retorno à atividade esportiva deve ser gradual e assistida, assim que o atleta estiver assintomático. A indicação cirúrgica nas espondilólises associadas a espondilolisteses ocorre apenas quando há falha de tratamento, que ocorre geralmente nas listeses de alto grau.
Nos atletas submetidos a movimentos de extensão da coluna combinados a rotação, assim como a movimentos explosivos como corrida, há uma maior incidência de sobrecar- ga dos elementos posteriores, com destaque para as facetas articulares, desencadeando a chamada Síndrome Facetária. Depois da espondilólise, é a causa mais comum de lom- balgia no atleta. Os sintomas são muito parecidos com a da espondilólise sintomática. A contratura da musculatura profunda da coluna pode estar presente e os exames de imagem geralmente não mostram alterações significativas, a não ser por alterações inflamatórias nas facetas, nos casos mais sintomáticos.
pois age como fulcro da força entre o tronco e os membros inferiores. As principais causas de dor na articulação sacroilíaca estão listadas na Tabela 1.
Tabela 1. Principais causa de acometimento da articulação sacroilíaca. Causas de acometimento da articulação sacroilíaca Infecção Sindrome de Reiter Doença de Crohn Artrite psoriática Espondilite anquilosante Fratura por estresse do sacro O quadro clínico de lesão na sacroilíaca geralmente inicia-se com dores lombar e em topografia dos glúteos, de caráter insidioso e progressivo, e que apresenta piora à ex- tensão da coluna. Ao exame clínico, podem apresentar testes de Trendelenburg, Faber e Gaeslen po- sitivos, além de dor à palpação da articulação sacroilíaca. A avaliação radiológica pode ser realizada através de tomografia ou cintilografia para avaliação de fratura por estres- se. Em casos de suspeita de infecção e/ou doença reumatológica, a avaliação laboratorial com exames de velocidade de hemossedimentação (VHS), fator reumatóide (FR), reação em cadeia da polimerase (PCR), fator antinuclear (FAN) e antígeno leucocitário humando B-27 (HLA-B27) deve ser realizada. Para o tratamento, as atividades que causam dor devem ser interrompidas temporaria- mente e reiniciadas de forma gradual e progressiva. O tratamento inicial deve incluir criote- rapia e anti-inflamatórios não esteroidais, além de fisioterapia. Exercícios de estabilização da pelve e de fortalecimento abdominal devem ser encorajados.
Em casos de movimentos de flexão e extensão de forma repetitivas e bruscas, podem ocorrer lesões das placas terminais. O quadro clínico geralmente é caracterizado por dor lombar com retificação da lordose e contratura muscular. No exame de imagem pode ser observados avulsões da região apofisária da vértebra, em topografia anterossuperior do corpo vertebral na radiografia em perfil. Na ressonância nuclear magnética pode ser observado processo inflamatório em topografia da placa terminal e nódulo de Schorml. O tratamento inicial inclui o uso de anti-inflamatórios associados a analgesia e exercí- cios de estabilização do core abdominal.
Para prevenção das lesões da coluna no futebol, o atleta deve passar por avaliação criteriosa para identificação de fatores de risco para lesões e outras doenças musculoes- queléticas que não tenham sido completamente reabilitadas. Sabe-se, por exemplo, que atletas de futebol com dor lombar apresentam maior fraqueza isocinética da musculatura do tronco (HO et al., 2005). Fatores semelhantes a esse devem ser avaliados e corrigidos, de forma preventiva e terapêutica. Nos atletas de uma forma geral, com foco nos da base, a frequência e a intensidade da atividade física devem ser monitoradas com atenção, principalmente devido à especialização cada vez mais precoce e a sua consequente sobrecarga musculoesquelética. No futebol, observa-se uma preocupação crescente na necessidade de se diminuir a incidência de lesões, devido aos prejuízos técnicos e financeiros envolvidos nessa situação. Por isso, foram criados diferentes protocolos de prevenção de lesões, todos focados na estabilização neuromuscular dos segmentos lombopélvico e quadris (CORE). Atualmente, o treinamento isocinético do tronco ganhou destaque como medida de prevenção da dor lombar em jogadores de futebol (NAMBI et al., 2020).
A dor lombar é um sintoma comum na população de jogadores de futebol, principal- mente pelos movimentos pliométricos e rotacionais exercidos pelos atletas e por outros desbalanços biomecânicos existentes nessa população. Apesar de apresentar causa multi- fatorial, esse sintoma pode ser controlado através da adoção de protocolos de prevenção de lesões, com foco no segmento do CORE e também na execução de treinamento isocinético da musculatura do tronco.