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Manicômios Prisões e Conventos, Notas de estudo de Direito

Erving Goffman - Psicologia - FAA - Segundo Periodo

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 01/08/2010

joao-ricardo-paiva-ricardinho-show-
joao-ricardo-paiva-ricardinho-show- 🇧🇷

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RR Próxima lunçamento ta tios Mamririsino: O Mundo cora Lekimato ate Ee il ES aicoloai ses ate psicologia os, Prisbes e Conventos faz um levantamento crítico da vi instituições fechadas e mostra como este tipa de segregação uluu sobre 0 indivíduo. O exemplo privilegiado é o do manicômio e por meio d explica por que o comportamento do doente mental em face da insúih . erving goffman respeito mnito mais à sua condição de internado do que propriamente à sun ÔMIOS doença. Erving Gulf, do Departamento de Sociologia da Universidade da ' pu r Califórnia em Berkeley, cientista social vom vários trabalhos publi E PRI Ss OE Ss uetende sen ponto de vista auxiliado por erande massa de dados e mn informação socivlógicu. O Lema é polêmico e se integra nos estudus muis | recentes que tratam de forma conjugada problemas de saúde mental e vida ; E CO NVE NTOS comunitária. ú titulo do origina! inglês ASYLUMS — on the social situnior of menta! perttents and others itmates & by Erving Coffmam, 1961 Dndos Internacionais de Catalogação na Publicação (CiP) (Câmara Brasileira do Livio, SP. Brasil) Gofiman, Erving Manicómios, prisões e conventos é Frving Coflman [tradução Dante Moreira Leite”. — 5, cd, São Pauio : Perspectiv: 2008, -- (Debates ; 91 * dirigida por 1. Guinsourz) Titulo original; Asylums : essuys on the soci: mental patients and otier intrates ISBN 978-45-273-0202-9 situation of 1. Asilos 2. Doentes mentais - Cuidados c tratamento iquiátricos - Aspectos sociológicos 4, Se-viços de mental 1. Guinsburg, 1.1 Titulo. (1. Série. 0-8 CDD-5622! Índices para catálogo sistem 1. Asitos para doentes menteis : Problemas sociais 362.21 2, Doentes mentais ; Situação social ; Hospitais psigurárricos : Problemas sociais 262.21 &º edição Dixeitos em língua portuguesa rescrvados à EDITORA PERSPECTIVA S.A, Av, Brigadeiro Luis Antônio, 3025 UI4QI-000 São Paulo-SP Brasil Teteiax: (0--11) 2885-8388 — vosiditopeperiram STE j 2008 t CESVA jBtBLIOTEGA ú L Data: ê SUMÁRIO PREFÁCIO ...... decnaa res crcaaania 2.7 INTRODUÇÃO 11 AS CARACTERÍSTICAS DAS INSTITUIÇÕES TOTAIS ..ccisccissscceectrercrera Introdução .lolcccisse css creo . 15 O Mundo do Internado ......ccicsccts 23 O Mundo da Equipe Dirigente .......... [3] Currimônias Institucionais .......cccciio 84 Restrições e Conclusões ........cctreiioo 99 mundo social do internado em hospital, na medida em que esse mundo é subjetivamente vivido por ele. Comecei o trabalho como assistente do diretor de atletismo, — quan- do obrigado a confessar ser um estudante de recreação e vida comunitária — e passava o dia com os pacientes, evi- tando contatos com a equipe médica € sem ter chave para sair do local. Não dormia nas cefermarias, e à direção central do hospital sabia quais os meus objetivos. Acreditava, e continuo a acreditar, que quaiquer grupo de pessoas — prisionciras, primitivos, pilotos ou pacientes — desenvolve uma vida própria que sc torna significativa, razoável, c normal, desde que você se aproxime dcla, e que uma boa forma de conhecer qualquer desses mundos é sub- meter se à companhia de seus participantes, de acordo com as pequenas conjunturas a que estão sujeitos. São evidentes os limites de meu método e de sua apli- cação; não fiquei, sequer nominalmente, internado, e, se o tivesse feito, minha amplitude de movimentos c papéis e, consequentemente, meus dados, teriam sido ainda mais limi- tados do que o são. Como desejava obter dados elnográfi- cas com relação a determinados aspectos da vida social dos pacientes, não empreguei os tipos usuais de medidas > con- troles, Supus que o papel e 0 tempo exigidos para remir dados estatísticos necessários a algumas afirmações impe- driam que eu obtivesse elementos sobre a estrutura da vida dos pacientes, Men método lem ainda outras limitações. A interpretação do mundo dada por um grupo atua de modo à manter seus participantes e deve dar a eles uma detinição antojustificadora de sua situação e uma interpre- tação preconceituosa aos não-participantes — reste caso, médicos, enfermeiras, atendentes e parentes. Descrever fic merte a situação do paciente equivale, necessariamente, a apresentar uma interpretação parcial. (Quanto a esta última deformação, em parte desculpo-me ao sustentar que o des: quilíbrio está, pelo menos, no lado certo da balança, pois quase toda a literatura especializada sobre os doentes men- tais é escrita do ponto de vista do psiquiatra e este, social- mente, está do outro lado.) Além disso, desejo udvertir que minha interpretação lan, provavelmente, muita coisa de um homem de classe média; talvez vu tenha sofrido indire- tamente vom condições que pacientes de classe baixa supor» tavam com pouco solrimento. Hinalmente, ao contrário do que ocorre com alguns pacientes, fui para o hospital sem grande respeito pela psiquiutria, ou pelas instituições satis- feitas com sua prática atual, Gostaria de agradecer de mancira muito especial o apoio que recebi das instituições que patrocinaram mei trabalho. A permissão para estudar o Hospital St. Fliza- beths foi obtida através do então primeiro médico assistente, 8 o falecido Dr. Jay Hoffman. Admitia que o hospital teria o direito de fazer críticas antes da publicação do trabalho, mas que não exerceria censura fin) c nem daria autoriza- ção para a publicação, o que caberia ao NIMH, em Be- thesda. Concordou que nenhuma observação feita a respeito de qualquer pessou idensificada da equipe médica ou inter- nado seria apresentada à ele ou « cualquer ontra pessoa, e que, como observador, não estava nbrigado a interferir de qualquer modo no que pudesse observar, Concordou em dar qualquer informação sobre o hospital e, durante o es- tdo. fez isso com uma gentileza, uma rapidez c uma efi- ciência que nunca esquecerei, Depois, quando o superin- tendente do hospital, o Dr, Winifred Overholser, reviu os rascunhos de meus artigos, fez algumas correções valiosas quanto a crros de fato, além de dar sugestões úteis quanto à explicitação de meu povto de vista e de meu método. Durante o estudo, o Laboratório de Estudos Sócio-Ambien. tais, então chefiado pelo seu primeiro diretor, John Clauscn, deu-me um sulário, recursos para trabalhos de secretárias, crítica universitária e estímulo para ver O hospilal através da sociologia, e não de psiquiatria de estudante universitá- rio. Os direitos de divulgação foram exercidos pelo Labo- ratório e pela sua direção superior, o NIM!I; e lembro-me de que a única consequência disso foi o Falo de. numa oportunidade, ter sido solicitado a substituir um ou dois adjetivos pouco delicados. Descjo salientar que essa liberdade e essa oportunidade para fazer pesquisa pura foram-me permitidas numa repar- tição oficiaí, com o apoio financeiro de outra repartição oficial, embora ambus precisassem atuar na armasfera pre- sumiveimente delicada de Washinglon, e numa época em que algumas universidades dos Estados Unidos, tradicional- mente defensoras da pesquisa livre, teriam oposto maiores obstáculos a meus trabalhos. Por isso devo agradocer à mentalidade aberta e justa de psiquiatras e cientistas sociais do governo. Exvino GorrManN INIRODUÇÃO Uma instituição total pode ser detinidy como um local de residência v trabalho onde um grande número de indi- víduos com situação semelhanie, separados da sociedade mais ampla por considerável período de tempo, levam uma vida icchada e formalmente administrada. Às prisões ser- vem como exemplo clara disso, desic que consideremos que o aspecto característico de prisões pode ser encontrado em instituições cujos participantes não se cormportaram de forma ilegal. Este livro trata dz instituições totais de modo geral e, especificamente, de mn exemplo, o de hospitais para doentes mentais, (O principal foco refere-se ao mundo do internado, e não 20 mundo do pessoal dirigente. O seu interesse fundamental é chegar a uma versão sociológica da estrutura do em. Cada um dos quatro ensaios do livro pode ser consi- 11 Ê INTRODUÇÃO T Os estabelecimentos sociais — instituições, no sentido diário do termo, — são locais, tais como salas, conjuntos de salas, edifícios ou fábricas em que ocorre atividade de determinado tipo. Na sociologia, não temos uma forma bem adequada para sua classificação. Alguns estabelecimentos, como a Grand Central Station, estão abertos para quem quer que se comporie de maneira adequada; outros, como a Union League Club of New York, ou os laboratórios de Los Alamos, restringem um pouco mais a sua fregién- cia. Outros, como lojas e correios, têm alguns membros fixos que apresentam um serviço é uma corrente continua 15 a de pessoas que o recebem. Outros ainda, como moradias « fábricas, incluem um conjunto menos mutável dz parti pantes. Algumas instituições fornecem o local para ativi- dades, nas quais o indivíduo tem consciênsia de obter sen status social, não importando quão agradáveis ou deseui- dadas elas possam ser; outras instituições, ao contrário, proporcionam um local para agremiações consideradas como opcionais e de distração, que exigem como contribui- ção o tempo que sobrou dz atividades mais sérias. Neste livro, outra categoria de instituições é isolada « considerada como natural e produtiva porque scus participantes pare- cem reunir muitos aspectos em comum — na realidade, tantos são estes aspectos que, para conhecer uma dessas instituições, é aconselhável considerar também as outras. N Toda instituição conquista parte do temps c do inte- resse de seus participantes c lhes dá algo de um mundo; em resumo, toda inslituição tem “tendências de “fecha- mento”, Quando resenhamos as diferentes instituições de nossa sociedade veidental, verificamos que algumas são muito mais “fechadas” do que outras. Seu “fechamento” ou seu caráter total! é simbolizado pela barreira à relação social com o mundo externo e por proibições à saida que muitas vezes estão incluídas no esquema [ísico — por exem- plo, poftas fechadas, paredes altas, arame farpado, [ossos, água, florestas ou pântanos, À tais estabelecimentos dou o nome de instituições totais, e desejo explorar suas carac- terísticas gerai As instituições totais de nossa soziedade podem ser, grosso modo, cnumeradas em cinco agrupamentos. Em pri- meiro Tugar, há instituições criadas para cuidar de pessoas que, segundo se pensa, são incapazes e inofensivas; nesse vaso estão as casas para cegos, velhos, óriãos e indigentes. Em segundo lugar, há locaís estabelecidos para cuidar de pessoas consideradas incapazes de cuidar de si mesmas e (2) A categoria de instituições tntais foi indicada, diversas vezes, na Hteratura sociológica, sob diferenius nomes, e algumas dos características da casse foram tumhém sugeridas, € isso talvez tcnhy sido feito de maneira mais notável num esquecido artigo de HOWARD Rowan, “Segregated Comununities and Mental Heatik?, em Mental Hrallh Publicatons of the Americam Association for the Advancement of Science, N.º 9, organizado par F. R. MOULTON. 1939, Uma apresentação preliminar deste artigo é feita cm Group Processes, Transactons of lhe Third (1956) Conference, organizada PO BERTRAM SCHAFFNER, New York, Josiah Macy, Jr. Foune datica, 1957. O termo “total” foi tembém usado, no contexto aqui aceita, por Amira ErHons The Organizaronal Siucinre of “Closed” Beça tional Institutions in Israel, Harvard Educationa! Review, XVII (1957), o. ts, 16 que são também uma amvaça à comunidade, embora de ma- neira não-intencional; sanatórios para tuberculosos, hospi- fais para doentes mentais o leprosários, Um terceiro tipo de instifuição total é organizado para proteger à comunidade contra perigos injencionais, e 9 bem-estar das pessoas assim isoladas não constitui o problema imediato: cadeias, peni- tenciárias, campos de prisioneiros de guerra, campos de con ceutração, Em quario gar, há instituições estabelecidas com a intenção de realizar de modo mais adequado aguma tarefa de trabalho, e que sc justificam apenas através de tais fundamentos instrumentais: quartéis, navios, escolas interras, campos de trabalho, colônias e grandes mansões (do ponto de vista dos que vivem nas moradias de empre- gados). Finalmente, há os estabelecimentos destinados a servir de refúgio do mundo, cinbora muitas vezes sirvam tamhém como locais de instrução para os religiosos; entre exemplos de fais instituições, é possível citar abudias mos. teiros, conventos e outros claustros. Esta classificação de instituições totais não é clara ou exaustiva, nem tem usa analítico imediato, mas dá uma di inição puramente deno- tativa da categoria como um ponto dz partida concreto. Ao firmar desse modo a definição inicial de instituições totais, cspero conseguir discutir as características gerais do tino, sem inc tornar tautológico. Antes de tentar extrair um perfit geral dessa lista de estabelecimentos, gostaria de mencionar um problema con- ecitual: nenhum dos elementos que irei descrever pareçe peculiar às instituições totais, e nenhum parece comparti- lhado par todas elus; o que distingue as instituições totais é O fato de cada uma delas apresentar, em grau intenso muitos itens dessa família de atributos. Ao far de “care, teristicas comurs”, usarei a frase de uma forma limitada Mas que me purece logicamente defensável. Ao mesme, tempo, isso permite usar o método de tipos ideais. através do estabelecimento de aspectos comuna, com a esperança de posteriormente esclarecer diferenças significativas. HE Uma disposição básica da sociedade moderna é que o indivíduo tende a dormir, brincar e trabalhar em diferentes lugares, com diferentes co-participantes, soh diferentes aus foridades € sem um plano racional geral. O aspecto central das instituições rotaiz pode ser descrito com a ruptura das barreiras que comumente separam essas três esferas da vida. Em primeiro lugar, todos os aspectos da vida são realizados no mesmo local c sob uma única autoridade. Bm segundo 17 Como muitos pacientes estão ansiosos por ver o médico em suas visitas, os assistentes precisam agir como mediadores entre os prejentes e O médico, pera que este rão fique assoberbado. Na enfermaria 30, parece que geralmente os pacientes sem sinto- mas físicos e que estavam nos dois grupos inferiores de privi- legiadus mnca podiam falar com o médico, a não ser que O Dr, Baker perguntasse por eles. Tntre cs do grupo dos persis- tentes, imporsunos e delirantes, — e que na gítiz dos assistea- tes exam denominados “verrugas”, “chatos”, “ções de caça” — muitos tentavam [reqiiculemente romper a barreira de media- cão do assisterte, mas eram sumariamente enfrertados quando tertavam fazê-los, Assim como há restrição para conversa entre us fron- teiras, há também restrições à transmissão de informações, sobretudo informação quanto aos planos dos dirigentes para Os internados. Geralmente, estes não têm conhecimento das decisões quanto ao seu destino. Tanto no caso em que os fundamentos oficiuis são militares, por exeraplo, ocnltar o destico da viagem dos soldados: ou médicos, ocultando o diagnóstico, plano de tratamento e demora aproximada de ternamento para tuberculosos”, essa exclusão dá à equipe dirigente nma-base específica de distância e controle com relação aos internados. Presumivulmente, todas essas restrições de contato aju- em a conservar os estereótipos antagônicos?. Desenvolvem- -se dois mundos sociais e culturais diferentes, que cami- nham juntos com pontos de contato vficial, mas com pouca interpenetração. É significativo observar que v edifício du instituição € seu nome passem a ser identificados tanto pela equipe dirigente como pelos intemados como algo qne per- tence à equipe dirigente, de forma que quando qualquer dos grupos se refere às interpretações ou 2os interesses “da instituição”. implicitamente se relerem (tal como o farci) às interpretações e aos interesses da equipe dirigente. A divisão equipe dirigente-irternado é uma conssgiiên- cia básica da direção burocrática de grande número de pes- soas; uma segunda consequência refere-se ao trabalho. Nas condições asuais de vida de nossa sociedade, a autoridade do local de trabalho páru quando o Irabalhador recebe um pagamento em dinheiro; o Tato de gastá-lo em t6% BELKNA?, Ivan, Human Problems of a State Mental Hospital. New York, MeGraw-Fil), 1956, po 197, 47) Uma descrição bom completa a respeito & apresentada num canftuio intituiado “informação e o Consrele ee Tratamento”, numa me- nografia a ser nublicada por Jutmos À. Rota « respeito de um hospital para fubeteulosos. Seu trabalho aromete ser um estudo saudelar de ume imgtieição toral, Alguma: apresentações prefiminarçs podem ser obtidas em sen artigo, Wher. is em A Etc, XV, duiono, 1956, pp. 54-56, e Rim asá Muge in lhe Control of Contagua, American Suciolagical Review, XXIT (1957), pp. 3014, (8) “Sugerida em OHrIN, op, cit, p. 20 20 asa ou em local de diversões é um problema pessoal do trabalhador e constitui um mecanismo pelo qual a autori- dade do local de trabalho é mantida dentro de limites bem restritos. Mas, dizer que os internados de instituições totais têm todo o dia determinado, para eles equivale a dizer que todas as suas necessidades essenciais precisam ser plancja- das. Portanto, qualquer que seja o incentivo dado ao traba- lho, esse incentivo não terá à signiticação estrutural que tem no mundo externo. Haverá diferentes motivos para o trabalho c diferertes atitudes com relação a ele, Este é um ajustamento básico exigido dos internados e dos que pre- cisam levá-los a trabalhar. Às vezes, é exigido tão pouco trabalho que os interna- dos, freguentemente pouco iustruídos para atividades de lazer, sofrem extraordinário aborrecimento. O trabalho exi. gido pode ser realizado em ritmo muito lento e pode estar Higado a um sistema de pagamentos secundários, frequen- temente cerimoniais — por exemplo, a ração semanal de tabaco ou os presentes de Natal —, e que levam alguns doentes mentais à continnar em seu trabalho. Evidente- mente, em outros casos, exige-se mais do que um dia in- legral de trabalho, induzido, não por prêmios, mas por ameaça de castigo físico. Em algumas instituições totais — Por exemplo, acampamentos de corte de árvores, navios mercantes — a prática de economia obrigatória adia a rela. São usual com o mundo, que pode ser obtida com dinheiro; todas as necessidades são organizadas pela instituição e o pagamento só é dado depois de uma estação de trabalho, quando os operários saem do locel. Em algumas irstituí. sões, existe uma espécic de escravidão, e o tempo integral do internado é colocado à disposição da equipe dirigente: neste caso, o sentido de en e de posse do internado pode tornar-se alienado em sua capacidade de trabalho. T. E. Lawrence dá um exemplo disso em seu registro de serviço Do treinamento da R.Á.F. (Royal Air Force): Os homens de seis semauas que encontremos na faxina chocavam nosso sentimento moral por sua indiferença. “Vocês são uns bobos - - vocês que são recrutas, não deviam suar tanto” Será nosso zelo de novatos, ou um resto de civilidade «ue ainda guardamos? Pois a R.A.P, nos pagará vinte e quatro horas por dias, à razão de três mícios pences por hora: pagos para trabalhar, pagos para comer, pagos para dormir: esses meics pences estão sempre somando. Por isso, é impossível dignitizas um trabelho ao fazêlo bem. É presiso pastar o maior tempo possível nele, pois depois não haverá uma lareira À nosca espera, mas apenas um outro trabalhos, (9) Lawuence, T. E. The Min. Londres, Jonathan Cape, 1955, p. 40. 21 Haja muito cu pouco trabalho, o individuo que no mundo externo estava orientado para o trabalho tende à tornar-se desmoralizado pelo sistema de trabalho da insti- tuição total. Um exemplo dessa desmoralização é a prática, em hospitais estaduais para docules mentais. de “tapcar” ou “usar o Lrahalho de outro” em troca dz uma moeda de dez. ou cinco centavos que pode ser gasta na cantina. As pc: soas fazem isso — às vezes com certa insolência —, em- bora no munda externo considerem tais ações coma abaixo de seu umor-próprio. (Os membros da equipe dirigente, que interpretam esse padrão através de sua orientação “civil” para a abtenção de dinheiro, tendem a considerá-lo como um sintoma de doença mental e como uma outra pequena prova de que os internados realmente não estão bem.) Portanto, existe incompatibilidade entre as instituições totais v à estrutura básica de pagamento pelo trabalho de nossa socicdade. As instituições totais são também jncom- patíveis com outro clemento decisiva de nossa sociedade — a família. A vida familial é às vezes contrastada com a vida solitária, mas, na realidade, um contraste mais adequado poderia ser feito com a vida em grupo, pois aqueles que comem e dormem no trazalho, com um grupo de compa- nheiros de serviço, dificilmente podem manter uma cxis tência doméstica significativa”, Inversamente, o fato de manter as famílias fora das instituições sociais muitas vezes permite que os membros das cquipes dirigentes continuem integrados na comunidade externa e escapem da tendência dominadoca da instituição total. Independentemente do tato de determinada instituição total agir como fo:ça boa ou má na sociedade civil, certa- mente terá força, e esta depende em parte da supressão de um círculo completo de lares reais ou potenciais. Inversa- mente, a formação de lares dá uma garantia estrutural de que as instituições totais não deixarão de enfrentar resis- tências. A incompatibilidade entro essas duus formas de orgarização social deve esclarecer algo a respeito das fun- sões sociais mais amplas de ambas. A inslituição total é um híbrido social, parcialmente comunidade residencial, parcialmente organização formal; aí reside seu especial interesse sociológico, Há também ou- tros motivos que suscitam nosso inferessc por estube- lecimentos. Em nossa sociedade, são as estufas para mudar pessoas; cada uma é um experimento natural sobre o que se pode fazer ao eu. (10) Um inleressance caso raa-ginal seria sui o Kits de Israci Ver Merrorb E. Seo, Kibbuir, Venture in Utopia, Cambtidgs, Harvsrd Uulvessity Press, 1956, e ETIZIONK, op. ci 22 Aqui toram sugeridos alguns aspectos básicos das ins- tituições lotais. Agora, desejo considerar tais estabelecinen- tos à partir de duas perspectivas: em primeiro lugar, o mundo do internado; depois, o mundo da equipe dirigente. Finalmente, desejo dizer algo a respeito dos contatos entre os dois, O MUNDO DO INTERNADO É característico dos internados que cheguem à institui- ção com uma “cultura aparenic” (para modificar uma frase psiquiátrica) derivada de om “mundo da família” — uma forma de vida c um conjunto de ulividades aceitas sem discussão até o momento de admissão na instituição. (Por- tanto, existem razões para excluir os orfanatos e casas de crianças enicitadas da lista de instituições totais, a não ser na medida cm que o órfão passa a ser socializado no mun- do externo, por algum processo de osmose cultural, mesmo que esse mundo lhe seja sistematicamente negado.) Qual- quer que seja à estabilidade da organização pessoal do no- vato, era parte de um esquema mais umplo, encaixado em seu ambiente civil — um conjunto de experiência que con- Tirnava uma concepção tolerável do eu e permitia um con= junto de formas de defesa, exercidas dz acordo com sua vontade, para enfrentar conflitos. dúvidas e fracassos Aparentemente, as instituições totais não substitucin algo já formado pela sua cultura específica; estamos diante de algo mais limitado do que acultaração ou assimilação. Ne ocorre mudança cultural, talvez se refira ao alastamento le algumas oporrunidades de comportamento e 40 Eracasso para acompanhar mudanças sociais recentes no mando ex- terno. Por isso, sé a estada do internado é muito Jonga, pode ocorrer. caso ele volte para o mundo exterior, o que Já foi denominado “descultnramento”? — isto é, “destrei- numento” - que o torna temporariamente incapaz de en- Jrentar alguns aspectos de sua vida diária. Pura O internado, o sentido completo de estar “dentro” ao existe independentemente do sentido específico que pura ele tem “sair” on “ir para fora”. Nesie sentido, as (0) Um termo empregado po: Rowkr SUMMER, Patiznts wlo grow att do 2 mental iospiul, Gerlatties, XIV, (19592, np. 58687. O termo lessociatizução”, às vezes usado neste contexto, paiece muito forte, su. muda à perda de capacidades fundamentais pera comunicação e cóope- tação 23 quanto à regras, designar um local para O internado!” Os processos de admissão talvez pudessem ser denominados “arrumação” ou “programação”, pois, ao ser “enquadrado”, o novato admite ser conformado é codifizado num objeto que pode ser culncado na máquina administrativa do esta- belecimento, modelado suavemerte pelas operações de ro- tina, Muitos desses processos dependem de alguns atributos -— por exemplo, peso ou impressões digitais — que o indi- viduo possui apeoas porque é membro da mais ampla e abstrata das categorias sociais, a de ser humano. À ação realizada com base em tais atributos necessariamente ignora a maioria de suas bases anteriores de auto-identificação. Como uma instituição total lida com muitos aspectos da vida dos ictervedos, com a consegiente padronização complexa na admissão, existe uma necessidade especial de conseguir a cooperação inicial do covato. A equipe diri- gente muitas vezes pensa que a capacidade do novato para apresentar Tespeito adequado em seus encontros isiciais face à face é um sinal de que aceitará o papel de internado rotineiramente obediente, O momento em que as pessoas da equipe dirigente dizem pela primeira vez ao internado quais são às suas obrigações de respeito pode ser estruturado de tal forma que desafic o internado a ser um revoltado per- manente ou a ohedecer sempre. Por isso, os momentos ini- ciais de socialização podem inclnir um “teste de cbediên- cia” ou até um desafio de quebra de vontade; um internado que se mostra insolente pode receber castigo imediato e visível, que aumenta até que explicitamente peça perdão ou sé humilhe. Um hom exemplo disso é dado por Brendan Bchan, ao recordar sua disputa com duis guardas ro momento em que foi admitido na prisão de Walton: “E levante a cabeça quando falo com você" “Levante a cabeça quando o Sr. Whilbread falar com voçê”, disse v Sr. Holmes. Olhei para Charlie, Seus olhos encontraram os meus é rapidamente os baixou para v chão. “O que é que você está procurando, Behan? Olhe para Olhei para o Sr. Whitbreud. “Estou olhando para o senhor. Falei. (15), Ver, por exeruplo, J. Keermore, How Thin the Veil: A News papermar's Story of His On Mental Crack-up amd Recovery, New York, Greenberg, 1952, p. 110; Eure À. COREN, Fumar Behavior in the Con centration. Camp, Londres, Jonathan Cape, 1984 Pp. 118122: EUGEN Kucux, The Theory amd Practice of Hell, New York, Beskley Publishing Corp, 3 G pp. 65-68, 26 “Você está olhando para o Sr, Whitbread - - olhando o quê?” Perguntou o Sr. Holmes. “Estou olhando para o $r, Whitbread.” O Sr. Holmes olhou sério para o Sr, Whi:bread, levou para trás sua mão aberia c me baleu no rosto; segarou-me com a outra mão e bate novamente, Fiquei tonto, minha cabeça doía c queimava, e figuei imaginando se isso ocorreria de novo. Esqueci e levei outre bufetada, e esqueci, e depois outra, c me movimentei, e fui sustentado por uma mão firme, quase delicada, e depois outra. Minha vista apresentava uma visão de lampojos vermelhos e brancos e borrados. “Você está olhando para o Sr. Whitbread. É isso, Behan”" Fngoli saliva e fiz força para falar; engoli de novo e afinal consegui. “Por favor, meu senhor, estou olhando para o senhor, quero dizer, estou olhando para o Sr. Whitbread, meu senhor", Os processos de admissão e os testes de obediência podem ser desenvolvidos numa forma de iniciação que tem sido denominada “as boas-vindas” — onde à cqnípe diri- gente ou Os internados, ou os dois grupos, procuram dar “o novato uma noção clara de sua situação!” Como parte desse rito de passagem ele pode ser chamado por um termo como “peixe” on “euluuro”, que lhe diz que é apenas um internado, e, mais ainda, que tem uma posição baixa mes- mo nesse grupo baixo. O processo de admissão pode ser caracterizado como uma despedida e um começo, e o ponto médio do processo pode scr marcudo pela nudez. Evidenicinente, o fato de sair exige uma perda de propriedade, 0 que é importante porque as pessoas atribuem sentimentos do eu àquilo que possvem. Talvez a mais significativa dessas posses não seja física, pois É nosso nome; qualquer que seja a maneira de ser cha- mado, a perda de nosso nomc é uma grande mutilação do eulê, Uma vez que q internado seja despojado de seus bens, o estabelecimento precisa providenciar pelo menos algumas substituições, mas estas se apresentam sob forma padroni- (6) Araras, Brendan. Borstal Doy. Londres, Hutchinscn, 1953, p, 4. Ver tamhém ANTHONY HECKSTATL-SMITH, Eighteem Months, Londres, Allan Wingate, 1954, p, 26, (17) Para mma versão desse processo em campos de concentração, ver COHEN, Op. cif., à. 120. 8 KOGON, Gp. cit, pp. 64-65. Para um trata mento formalizado des “boas-vindas! um refórmatório de moças, ver Sama Barxis, The Weyward Ones, New Yoik, Ney America Library, 1952, pp. 31-34. Uma versão du prisão, menos explicita, pode se: encon: trada em GrORGE DENDRICESUN c FurDERICE THOMAS, The Truih About Durimoor, Ionires, Goltancz, 954, pp. 42-57. (18) Pos exemplo, Tecmas Meetow, Th? Seven Siorey Muuntain, New York, Harcourt, Brace und Comjtny, 1948, po. 29091; CORFN, up, cit, pps 14547, 27 zada, uniformes no caráter c uniformemente distribuídas. “Tais bens substitutos são claramente marcados como pcr- tencentes à instituição e, em alguns casos, são recolhidos em intervolos regulares para, por assim dizer, serem desinfeta- dos de identificações. Com objetos que podem ser gastos — por exemplo, lápis — o internado pode ser obrigado a devolver os restos antes de conseguir uma substituição!?, O fato de não dar chaves uos inicrnados e as buscas é os contiscos periódicos de propriedade pessoal acumufada?o reforçam a ausência de beus. As ordens religiosas aveliaram muito bem as consequências, para o eu, dessa separação entre a pessoa e seus bens. Os internados podem ser obri- gados a mudar de cela uma vez por ano, a fim de que não fiquem ligados « elas. A Regra Beneditna é explícita: Para dormir, devem ter upeuas um colchão, um coberor, uma celcha e um travesseiro. Essus camas devem ser fregicn- temente examicadas pelo abade, por cansa ce propriedade par- ticular que uí pode estar guardada. Se alguém for descoberro eom algo que não recehen do “buds, deve ser severamente cas- ligado, E para que esse vício de propriedade particular possa ser completamerte clininado, todas as coisas necessárias devem ser dadas pelo abade: capuz, túnica, meias, sapatos, cinto, faca, ca- neta, agulha, lerço e tahuleres pera a escrita. Assim, É possível climicar todas as queixas de necessidades, F. o abade deve sem- pre considerar u seguiule pussugem dos Aios dos Apóstolos: “Distribnição a cada um, de acordo com suas necessidades"! Um conjunto de bens individuais tem uma reação muito grande com o cu. À pessoa geralmente espera ter erto controle da maneira de apresentar-se diante dos ou- tros. Para isso precisa de cosméticos « roupas, instrumentos para usá-los, on conscrtá-los, bem como de um local seguro para guardar esses objetos e instrumentos em resumo, O indivíduo precisa de um “estojo de identidade” para o controle de sua aparência pessoal. Tarabém precisa ler acesso a especialistas em apresentação — por exemplo, bar- beiros e costureiros. No entanto, ao ser admitido auma instituição total, é muito provável que o indivíduo seja despido de sua apa- rência usual, bem como dos equipamentos e serviços com os quais a mantém. o que provoca desfiguração pessoal. Roupas, pentes, agulha e linha, cosméticos, toalhas, sabão, aparelho de harha, recursos de banho — tudo isso pode ser tirado dele ou a ele negudo, embora alguns possam ser (19) DENDRICESON € THOMAS, cp. cit, pp. 8384; voc também Tie Hoy Ruis oi Saint Henedicr, cam. 55. (ÊD) Kixon, ap. cit, F. CE The Hui Rude” af” Sola Bemedicr, cap. 58, 28 guardados em armários ipacessíveis, para serem devolvidos se e quando saír. Nas palavras da Regra Sagrada de São Bento: Depois, no oratório, seia despido de stus roupas e seja ves- tido com es do mosteiro. Essas rounas devem ser colocadas num armário, e aí guardadas para que, se por acaso, (e que Deus não o permita), algum dia for convercido pelo Demônio a cei- xar o mosleiro possa perder o hábito do convecto e :r embora?” Como já foi sugerido, o material da instituição dado como substituto para aquilo que foi retirado é geralmente de um tipo “barato”, mal ajustado, muitas vezes velho & igual para amplas cateporias de internados. O impacto dessa substituição É descrito num reatório sobre prostiiutas presas: Eni primeiro lugar, existe o funcionário do chuveiro que as obriga a se despirens Lira suas roupas, faz com que tomem banho de chuveiro e recebam suas roupas de prisão — um par de sapatos pretos de amarrar, com saltos baixos, dois pares de meias muito remendadas, três vestidos de algcdão, duas anáguas de algodão, duas calças, e uia par de soutiens. Quase todos os sowiens estão fronxos e são inúleis. Não recebem cinias c nem cintos. Nada mais Liste do que ver alguraas das prisioneiras obesas que, pelo menos. conseguiam parecer decentes no mundo cxter- no diante da sua primeira imagem na situação de prisãoSa. Além da deformação pessoal que decorre do fato de a pessoa perder sen conjunto de identidade, existe a desfi- guração pessoal que decorre de mutilações diretas e perma- nentes do corpo - por exemplo, marvas ou perda de mem- bros. Embora essa mortificação do eu através do corpo seja encontrada em poucas instituições totais, à perda de um sentido de segurança pessoal é comum, e constitui um fun damento para angústias quanto ao desfiguramento, Panca- tlas, terapia de choque, ou, em hospitais para doentes men- fais, cirurgia — qualquer que seja o objetivo da equipe diretora ao dar tais serviços para os internados — podem levar estes últimos a sentirem que estão num ambiente que não garante sua integridade física. Na admissão, a perda de equipamento de identidade pode impedir que o indivídno apresente, aos outros, sua (32) The Hoiy Rule of Saint Benedios, enp. Sf. (22) Ver JOBS M, MURTAGU O SAnam FlaRris, Case the First Stone, New Vock, Focker Rocio, 1958, Do. 25548, solve fcapicis psiquiátricos ver, pór exemplo, KERXHOFE, OP. cit, De HO; Wan, Op. cit. p. 63. apresenta Nadsdvcl supesiai de que, em nosta socledade os Momens soirem. menos deformação do que es mulhere-. aVei do provesso tem sido considerada explicitamente pelos que trabalham na chamada terapia do meio. As novas audiências não apenas descobrem fatos desai- rosos a respeito da pessoa — e comumente escondidos — mas cstão também em posição para perceber diretaments alguns desses fatos. Os presos e os doentes mentais não padem impedir que os visitantes os vejam em circunstâncias humilhantes?s. Quiro exemplo é o sinal de identificação étnica usado por internados de campos de concentração?. Os exames médicos c de segurança muitas vezes expõem fisicamente 0 internado, às vezes a pessoas de ambos os sexos; uma exposição semelhante decorre de dormitórios coletivos e hanheiros sem porta”, Um extremo talvez seja aqui o do dvente mental autodestrutivo que fita nu, supos- tamente para sua proteção, e coloco numa sala com luz constantemente acesa, e que, por uma “ianelinha”, pode ser visto por quem quer que passe pela enfermaria, De modo geral, evidentemente, o internado nunea cstá inteiramente so- zinho; está semp: em posição em que possa ser visto e muitas vezes ouvido por alguém, ainda que apeuas pelos colegas de internamento*?, As celas de prisão com barras de metal como paredes permitem essa exposição. Talvez O tipo mais evidente Je exposição contamica- dora seja a de tipo diretamente físico — a sujeira c a man- cha no corpo ou em outros objetos intimamente identifi- cados com o cu. Às vezes isso inclui uma ruptura das usuais disposi ções do ambiente para isolamento da fonte de conta- minação — por exemplo, precisar esvaziar os vasos sanitá- rios%, ou precisar submeter a evacuação a um regulamento, como se descreve nas prisões políticas chinesas: Um aspecio de seu regime de isolamento, e que é muito penoso para os prisioneiros ocidentais, a disposição para elimi- neção de fezes e nrina, O “vaso sanitário” usuzlmente presente nas celas russas muitas vezas não é encontrado nas chinesas. É um costume chinês permitir, em apenas um ou dois momentos especificados do dia, a defocação e a urina usualmente pela manhã, depois do café. O prisioneiro é conduzido de sna cela (34) Evidentemente, as comunidades mais emplas na sociedade oxi dental também empregrram essa cécnica scb a [ptma de aquites € forcas públicas, aclourinho é “toncos”. Com & ecentuação pública ds mortifi ções em inviliições cslá funcionamente correlicimada a regra rigorosa. muitas vezes encontcda, de que umo pessoa de eqripe dirigente não deve humilha por à pessoa dessa equipe na presençe de intcrnados. (35) aTdi, e) at 67) Por cxmpio. a situação numa à iam, op. cit p. 128; Masster, op. ct, po 16 uução religiosa, ver HusME, op. cit, P. 8 uditivi, pets mica porca fechada das celas fadividusis é fnrmaile per fixas cortinas de algodão tp, 20) (38) TIECKSTALL-SMITI, Op. Cy T. 21; DENDRICKSON € THOMAS, DP. p. 53 autora rnbêm diseréno: una ausência de irtmidade ei 32 por ur guarda, através de um longo corredor, e tem aproxima- damente dois minutos para ficar numa latrina chinesa aberta € sutisfazer a todas as suas necessidades, A pressa c a observação pública são dificilmente toleráveis, principalmente pelas mulhe- res. Se os prisioneiros não podem completar sua ação em epro- aimadameute dois minutos, são abruptamente levados de volta para a celas, Uma forma muito comum de contaminação se reflete em queixas a respeito de alimento sujo, locais em desordem, tcalhas sujas, sapatos é roupas impregnados com o suor de quem os usou antes, privadas sem assentos e instalações sujas para o banho“, Os comentários de Orwell sobre sua escola interna podem ser considerados como exemplos: Havia os praios de estanho onde recebíumes O nosso mio- gau. Tinham bordas salientes, onde se acwnulava mingau azedo, e que podia ser retirado em longas tiras. O nosso mitgau tam- bém continha mais grumos — como fios de cabelo e coisas ne- gras deseonhecidas — do que alguém consideraria possível, a não ser que aí fossem colocados intencionalmente. Nunca era seguro começar a comer q iningau sem examiná-lo antes. Havia também o tangue de água pegajosa para o banho de imersão — tinha doz: ou quinze pés de extensão, todu à escola devia banhar-se ali todas us manhãs, e duvido que a água fosse tro. cada com muita frequência — e as toalhas úmidas com seu odor de queijo: ...2 o oder de transpiração do quarto de vestir, com suas bacias engorduradas, e, à frente, a fileira de privadas sujas e quebradas, sem trincos nas portas, de forma gue, sempre que nos sentávamos, certamente alguém entraria por eles. Para mim, não é fácil pensar na minha vida escolar sem 1er a impressão de Tespirar uma baforada fria e desagradável — uma espécie de mistura de meias usadas, toalhas sujas, cheiro de fozes nos cor- redores, varfos com alimento velho entre os dentes, carne de carmeiro, e as portus dos banheiros que batiam e o eco dos Lri- nóis nos dormitóriosti. Existem ainda outras fontes de contaminação, como o sugere um entrevistado ao descrever um hospital de cumpo de concentração: (39) Hineis Tr. L. E. e Worrr, E, G, Communist Interrugation and Indocsrination of “Enembes of