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Manual de orientação e edificacao
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Aprovado pela Portaria ME nº , de de de 201 9 , publicada no Diário Oficial da União em de de 2019 , seção , página MINISTÉRIO DA CIDADANIA Ministro OSMAR TERRA Secretário Especial do Esporte DÉCIO DOS SANTOS BRASIL Diretor de Infraestrutura de Esporte MARIO BRASIL DO NASCIMENTO Engenheiro responsável pelo conteúdo técnico do Manual GEORGES EMMANUEL KIAMETIS – Engenheiro Civil
A existência de grande quantidade de edificações e espaços esportivos implantados em todo o País, com significativa parcela de recursos federais, enseja a forte necessidade de manutenção para preservar os bens públicos. A manutenção do patrimônio permite a contínua oferta de oportunidades para as práticas de atividades físicas e esportivas pela população. A legislação que trata da transferência voluntária de recursos da União, mediante convênios e contratos, a qual proporciona a implantação de obras de infraestrutura de esporte, registra que são da responsabilidade dos convenentes: operar, manter e conservar adequadamente o patrimônio público gerado pelos investimentos. Nessa perspectiva, o presente Manual tem o propósito de orientar e incentivar os gestores responsáveis pelas edificações e espaços esportivos a manter os empreendimentos em plenas condições de uso, a priorizar a manutenção preditiva e preventiva, bem como a elaborar e a fazer cumprir planos de manutenção. Elaborado a partir da coleta de dados nacionais e internacionais, o Manual visa proporcionar informações objetivas e práticas voltadas à tarefa de manutenção. Cabe ressaltar que este Manual não se constitui em um manual de operação, uso e manutenção de edificações conforme prevê as NBR 14037:2011, versão corrigida 2014, mas um documento com as principais orientações a serem observadas pelos responsáveis pelas edificações e espaços esportivos. Finalmente, cabe recordar que cuidar do patrimônio público significa zelar por aquilo que é de todos. Significa, também, lembrar que edificações e espaços destinados ao público requerem que todos tenham responsabilidade de preservação e conservação sobre aqueles bens. Boa leitura!
Art. 1º Este Manual tem por finalidade apresentar orientações para a manutenção das edificações e espaços esportivos implantados mediante a participação de recursos da União. Art. 2º O Manual propõe, como sugestão, orientações para um programa de manutenção preventiva dos componentes, instalações e equipamentos relacionados à segurança e salubridade da edificação. Abordou-se, suscintamente, os componentes mais importantes, relacionados aos riscos de falta de manutenção. Finalmente, recomenda-se que o Manual de Operação, Uso e Manutenção das Edificações, elaborado pelos responsáveis pela produção da edificação, seja obrigatoriamente revisado periodicamente ou quando da modificação da edificação em relação à originalmente construída.
Art. 3 º O principal objetivo a ser alcançado com este Manual é orientar os gestores públicos responsáveis pelas edificações e espaços esportivos a elaborarem os planos de manutenção e a fiscalizarem a execução das atividades de manutenção, conservando as instalações usáveis, seguras, limpas e adequadas às práticas de atividades físicas e desportivas. Além disso, pretende-se: I – Conscientizar os gestores públicos da importância da manutenção preditiva e da manutenção preventiva como instrumentos para a redução de gastos com a manutenção corretiva; II – Contribuir com os conhecimentos necessários para a quantificação dos custos de manutenção das edificações e espaços esportivos; e III – estabelecer parâmetros para a manutenção das edificações e espaços esportivos.
Art. 4 º A vida útil de uma edificação ou espaço esportivo se enquadra perfeitamente no previsto pela Norma NBR 15575 - 1 / 2013 : “O período de tempo em que um edifício e/ou seus sistemas se prestam às atividades para as quais foram projetados e construídos considerando a periodicidade e a correta execução dos processos de manutenção especificados no respectivo manual de uso, operação e manutenção” (original sem grifo) Art. 5 º A manutenção da edificação é fundamental para a vida útil e para a funcionalidade do empreendimento. Estudos acadêmicos mostram que edificações sem a adequada manutenção têm uma considerável redução da vida útil. Verifique o gráfico a seguir:
Art. 8 º Para efeitos deste Manual, considera-se: I – Ação de Manutenção: sequência de atividades elementares de manutenção efetuadas com uma dada finalidade. Como exemplo de tais ações, tem-se o diagnóstico da pane, a localização da pane, a verificação do funcionamento e suas combinações (NBR 5462-1994). II – Anomalia: irregularidade, anormalidade, qualquer acontecimento diferente do usual (CSGM). III – Ciclo de vida: tempo durante o qual um item conserva sua capacidade de utilização, envolve desde a aquisição até que seja substituído, ou seja objeto de uma reabilitação (CSGM) IV – Defeito: qualquer desvio de uma característica de um item em relação aos seus requisitos NBR5462-1994). V – Diagnóstico: conhecimento da natureza de uma falha baseada nos sintomas detectados (GSGM). VI – Engenharia de Manutenção: função consultiva que compõe o sistema de controle da gerência de manutenção para corrigir, melhorar e dar suporte à gestão. Sua missão é aperfeiçoar as técnicas de organização, métodos e procedimentos, favorecendo a implantação da Política de Manutenção mais adequada e o desenvolvimento e aplicação de novas ideias e métodos de trabalho. VII – Falha: término da capacidade de um item desempenhar a função requerida. Depois da falha, o item tem uma pane. A falha é um evento, enquanto a pane é um estado (NBR 5462-1994). VIII – Lista Técnica de Manutenção: lista que compõe a estrutura de um objeto técnico (equipamento ou local de instalação), contendo os materiais relevantes com seus respectivos códigos cadastrados. Esses materiais podem ser componentes ou peças de reposição, estocáveis ou não. Essa lista poderá ser utilizada como apoio no momento de intervenções e consultas (GSGM). IX – Manutenção: combinação de todas as ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida. A manutenção pode incluir uma modificação de um item (NBR 5462-1994).
X – Manutenção antes da falha: inspeção das características que alertam sobre falhas iminentes e execução da manutenção preventiva após o ponto de aviso, mas antes de ocorrer a falha total (GSGM). XI – Manutenção corretiva: manutenção efetuada após a ocorrência de uma pane, destinada a recolocar um item em condições de executar uma função requerida (NBR 5462 - 1994). XII – Manutenção preditiva: manutenção que permite garantir uma qualidade de serviço desejada, com base na aplicação sistemática de técnica de análise, utilizando-se de meios de supervisão centralizados ou de amostragem, para reduzir ao mínimo a manutenção preventiva e diminuir a manutenção corretiva (NBR 5462 - 1994). XIII – Manutenção preventiva: manutenção efetuada em intervalos predeterminados, ou de acordo com critérios prescritos, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do funcionamento de um item (NBR 5462-1994). XIV – Nível de manutenção: conjunto de ações de manutenção a serem efetuadas em um nível de intervenção especificado (NBR 5462-1994). XV – Ordem de manutenção: documento que define o trabalho a ser realizado, coleta e registra dados das intervenções (GSGM). XVI – Pane: estado de um item caracterizado pela incapacidade de desempenhar uma função requerida, excluindo a incapacidade durante a manutenção preventiva ou outras ações planejadas ou pela falta de recursos externos (NBR 5462 – 1994). XVII – Plano Mestre de Manutenção: conjunto de atividades de manutenção preventiva sistemática. Equivale ao Plano de 52 semanas (GSGM). XVIII – Política de Manutenção: descrição das inter-relações entre os escalões de manutenção, os níveis de intervenção e os níveis de manutenção a serem aplicados para a manutenção de um item (NBR 5462-1994). XIX – Reparo: restituição de um item à condição admissível de utilização por intermédio do conserto ou reposição das partes danificadas, desgastadas ou consumidas. XX – Reposição: substituição completa de um item avariado por outro novo, que pode ou não acarretar melhores características de produção e rendimento (GSGM). XXI – Tempo médio entre manutenções: média de tempo entre qualquer tipo de ação, corretiva ou preventiva (GSGM). XXII – Vida útil: Intervalo de tempo ao longo do qual a edificação e suas partes constituintes atendem aos requisitos funcionais para os quais foram projetadas, obedecidos os planos de operação, uso e manutenção previstos(NBR 14037 - 2014 ).
IV – antes Dos jogos, na parte da manhã, varrer o piso com o escovão; V – Ao meio dia, parar as atividades, efetuar a varrição e a aspersão de água sem formar espelho d’água. Deve-se repetir o procedimento no meio da tarde. VI – Em dias quentes, a manutenção descrita anteriormente pode ser repetida por mais vezes, mantendo a quadra úmida. Imagem 2 - Aspersão de água em campo de terra batida Fonte: Baseball Field Maintenance / a General Guide for Fields of All – Página: 21 VII – semanalmente, deve-se realizar a manutenção das canaletas de drenagem. VIII – se o piso for novo, recomenda-se o uso de rolo manual pelo menos três vezes por dia para manter a compactação do solo. Após chuvas e depois de a superfície estar seca, deve passar o rolo sobre o piso. Imagem 3 - Rolo manual 1 Fonte: A Basic Guide for Baseball & Softball Fields of All Levels - Página: 06
IX - no caso de surgimento de trincas iniciais, a correção deve ser feita com saibro. Despois de lançado o material, o piso deve ser molhado e efetuada a varrição. X – A pintura das quadras de tênis também faz parte da manutenção da edificação. XI – recomenda-se que edificações e espaços esportivos com pavimento e/ou piso de terra sejam utilizados com calçados desportivos de solado flexível, sem cravos e travas. Art. 11 Superfícies de grama natural – manutenção I – As superfícies de grama natural podem ser utilizadas em campos de: 1) futebol;
c. Golfe – o green é cortado entre 3 e 6 mm, o tee é cortado de 6 a 12 mm e o fairway de 10 a 18 mm (Tapia 2003) IX – A frequência do corte é variável e dependerá do tipo de grama, da época do ano, do tipo de esporte praticado. Por exemplo: um campo de futebol pode ser cortado de 1 a 4 vezes por semana, enquanto os greens do golfe devem ser cortados diariamente. X – a direção do corte deve ser alternada para se evitar a formação de pelos e contrapelo. XI – a aeração do gramado também deve ser realizada. O processo consiste na realização de furos de diferentes tamanhos e profundidade nos solos dos campos. Há máquinas específicas para esse tipo de ação. Segundo Tapia, as épocas do ano mais propícias para a aeração de um campo esportivo são aquelas quando as gramas apresentam o maior crescimento ativo (Tapia 2003). Imagem 6 - Máquina para aeração profunda Fonte: Manager’s Guide to Natural Grass Football Pitches – Página 24 XII – cobertura top dressing é a cobertura do gramado com diferentes materiais, em diferentes períodos do ano, para nivelar o campo e cobrir o pisoteio. Pode-se utilizar areia pura e/ou areia pura com matéria orgânica. XIII – a utilização de rolos (manuais ou tracionados) sobre o gramado pode ampliar a velocidade de rolamento de bolas sobre a superfície. Art. 1 2 Superfícies de grama sintética – manutenção I – As superfícies de grama artificial podem ser utilizadas em campos de: futebol; rúgbi; beisebol; softbol; tênis; e hockey.
Imagem 7 - Campo de grama Sintética de Hóquei e Futebol Fonte: Artificial Surfaces for Outdoor Sport / Updated guidance for 2013 – Página 34 II – a grama artificial procura imitar a grama natural. Muitos dos problemas de manutenção da grama natural são mais fáceis e baratos de manter com a grama sintética. III – a manutenção da grama sintética abrange a limpeza da superfície, o nivelamento, os cuidados com a textura e drenagem. Para isso, deve-se: a. Diariamente: realizar inspeção e intervir preventivamente sobre a superfície, retirando lixos, gomas de mascar ou material abrasivo; b. Semanalmente: providenciar a varrição, escovamento da superfície e a aplicação profilática contra mofo, líquens e fungos. Eventualmente, fazer redistribuição da areia abaixo dos tapetes de grama sintética; c. Mensalmente: verificar os níveis de areia e borracha; d. Semestralmente: verificação criteriosa para fungos, líquens e mofo; verificação das costuras e linhas de marcação; e e. Anualmente: trate o gramado com antimofo e fungicida. f. A periodicidade sugerida acima pode ser afetada pelas condições climáticas da região, por isto, é importante avaliar as particularidades do local. Imagem 8 - Manutençao do nível da Borracha (descompactação) Retirada do Site:http://www.grupoplacar.com.br/artigos/manutencao-eventual-campos-futebol-como- fazer
V – Reparação de pequenos buracos e fissuras no piso: esse tipo de manutenção é corretiva e deve ser realizada tão logo se identifique a anomalia. Para isso, devem ser seguidas as instruções técnicas previstas nos produtos utilizados para reparar a retração do concreto. Imagem 10 - Reparo de buraco Retirada do site: https://localtenniscourtresurfacing.com/tennis-court-resurfacing-repair-kansas-city/tennis-court- crack-repair-kansas-city/ VI – Lixamento mecanizado da superfície da quadra: essa ação destina-se a regularizar o piso, mantendo os caimentos previstos para se evitar o empoçamento de água. VII – a pintura da quadra e demarcação das linhas de jogo deve ser realizada anualmente ou após reparos ou o lixamento da superfície. Imagem 11 - Demarcação de linhas Retirada do site: https://sealmaster.net/sport-surfacing-2/ Art. 1 4. Superfícies de material plástico, linóleos e vinílicos - manutenção I – As superfícies de material plástico, linóleos e vinílicos podem ser utilizadas em:
artística/rítmica/artes marciais/lutas; 7) pistas para esgrima; 8) salas para academias de ginástica; 8) salas para halterofilismo; e 9) ginásios poliesportivos. II – A manutenção preventiva para aqueles tipos de pavimento começa com: 1) uso de calçados adequados ao pavimento; 2) controle do uso de resinas ou magnésio sobre os pisos; 3) proteção dos pavimentos no caso de reparos ou outras atividades de grande afluxo de pessoas sobre o pavimento; 4) colocação de tapetes de limpeza dos pés nas áreas de acesso aos pavimentos; e proibição de colocação de cargas pesadas sobe o pavimento. III – a inspeção do piso faz parte da manutenção preditiva e preventiva. Deve-se verificar eventuais sinais de deterioração ou descolamento do material por meio de inspeção visual a ser realizada, no mínimo, uma vez por semana. Em se verificando fissuras ou danos nas juntas termo soldadas, deve-se providenciar a recuperação da parte afetada. IV – A limpeza diária do piso plástico, linoleico ou vinílico, como operação de manutenção, deve ser feita com uso de panos úmidos para a retirada do pó e sujeiras que possam danificar o material. Caso se use algum tipo de sabão, esse deverá ter pH neutro. V – A limpeza do piso de pistas de atletismo deve ser feita com água sob pressão e sabão neutro. É recomendável o uso de máquinas apropriadas, bem como profissionais qualificados. Imagem 12 - Limpeza pista de atletismo com agua sob pressão Retirada do site: https://www.megacurioso.com.br/estilo-de-vida/107006-antes-e-depois- 20 - fotos-que- provam-o-poder-da-limpeza.htm
IX – A manutenção corretiva deve ser realizada por profissionais qualificados, objetivando evitar o aumento dos danos ao pavimento. Art. 15. Superfícies de madeira - manutenção I – As superfícies de madeira podem ser utilizadas em: a. Quadras para futebol de salão; b. Quadras para basquete; c. Quadras para vôlei; d. Quadras para handebol; e. Quadras de badminton; f. Quadras para ginástica artística/rítmica/artes marciais/lutas; g. Pistas para esgrima; h. Salas para academias de ginástica; i. Salas para halterofilismo; j. Pistas de ciclismo indoor ; k. Ginásios poliesportivos; e l. Pista de rolamento de velódromo II – A manutenção preventiva para aquele tipo de pavimento começa com: a. Uso de calçados adequados ao pavimento; b. Controle do uso de resinas ou magnésio sobre os pisos; c. Proteção do pavimento no caso de reparos ou outras atividades de grande afluxo de pessoas sobre o pavimento; d. Colocação de tapetes de limpeza dos pés nas áreas de acesso aos pavimentos; e e. Proibição de colocação de cargas pesadas sobe o pavimento III – a inspeção do piso faz parte da manutenção preditiva e preventiva. Deve-se verificar eventuais sinais de deterioração, verificando fissuras ou danos nas juntas, deve- se providenciar a recuperação da parte afetada. No caso de pisos de madeira flutuantes, que preservam o sistema biomecânico, é necessário avaliar, periodicamente, a capacidade de absorção de impactos, efetuando os reparos especializados que forem identificados. IV – A limpeza diária de madeira, como operação de manutenção, deve ser feita com uso de panos ligeiramente umedecidos para a retirada do pó e sujeiras que possam danificar o material. O piso não deve ser lavado com água para se evitar o apodrecimento da madeira.
Imagem 15 - Retirando pó de piso de madeira Retirada do site:https://neufertcdn.archdaily.net/uploads/product_file/file/52028/Bona_Sport_Systems V – Há esportes que requerem o uso de determinados produtos (magnésio, por exemplo) para aumentar a aderência das mãos ou dos pés. Normalmente, aqueles produtos são ofertados sob a forma de pó. Eventuais restos ou sobras dos produtos que venham a cair sobre o piso devem ser retirados imediatamente para se evitar incrustações e danos. VI – Em algumas situações, há necessidade de lixamento da superfície de madeira para regularização do pavimento. Para isso deve-se utilizar equipamentos especializados operados por profissionais qualificados para garantir a qualidade do serviço. VII – a aplicação de verniz se dá após o lixamento de toda a superfície ou nos reparos de pequenas áreas. Deve-se verificar o tipo de verniz necessário para aplicação, seguindo as especificações previstas em projeto. Imagem 16 - Lixamento de piso de madeira Retirada do site: https://noticias.botucatu.com.br/2019/04/05/ginasio-de-escola-passa-por-reformas-em- sao-manuel/