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Manual de redação, Manuais, Projetos, Pesquisas de Engenharia Metalúrgica

redação - redação

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

Antes de 2010

Compartilhado em 03/02/2010

amanda-costa-17
amanda-costa-17 🇧🇷

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PEQUENO MANUAL DE REDAÇÃO: ARGUMENTAÇÃO
1 Introdução
No desenvolvimento do meu trabalho como professor de Língua Portuguesa e Redação, tanto no
Ensino Médio quanto no Ensino Superior tenho percebido que, observadas as diferenças de grau, as
dificuldades demonstradas pelos alunos na produção / recepção de textos escritos são sempre as mesmas.
Essas dificuldades parecem ser decorrentes de uma outra dificuldade, situada na base do problema: de
modo geral, os alunos demonstram enfrentar problemas sérios na percepção da articulação e das “relações
lógicas existentes entre as várias partes de um texto”. A produção de textos sem uma estrutura adequada,
sem organização e sem coesão é uma constante em qualquer nível de escolaridade. Essa constatação, que
não é minha, tem motivado a elaboração de muitos trabalhos que objetivam contribuir para a
amenização do problema. Várias publicações têm surgido com novas propostas, novos métodos, novas
estratégias, no intuito de levar o aluno a melhorar sua competência na produção / recepção de textos
escritos.
A respeito desse problema, pode-se dizer também que a dificuldade demonstrada pelos alunos é maior
quando se trata de textos ditos argumentativos. É comum, por exemplo, nas atividades em que se propõe
a redação de um texto argumentativo, o aluno produzir um texto claramente narrativo. Embora não se
pretenda, aqui, discutir as causas do problema, vale fazer essa referência por se tratar de um fato que,
certamente, já foi observado por todos os professores que lidam com a prática da produção e interpretação
de textos.
Em sua dissertação de mestrado, Costa Val (1999, p.121), na análise do corpus, constituído por
redações elaboradas por candidatos ao Curso de Letras, no vestibular de 1983 da UFMG, constatou que
(1) As falhas que se mostraram mais relevantes, dos pontos de vista quantitativo e qualitativo,
dizem respeito à informatividade e a dois requisitos de coerência (a não-contradição externa e a
articulação) e têm a ver, mais propriamente, com os aspectos cognitivos da macroestrutura.
Entre os fatores considerados por Costa Val (1999), a informatividade parece ser o único que ainda
não mereceu um estudo mais cuidadoso, que fornecesse subsídios para um trabalho destinado a melhorar
a competência do falante como produtor de textos escritos. O trabalho que aqui se propõe não busca, em
primeiro lugar, apresentar nenhuma contribuição específica nesse sentido. Entretanto, por entender que o
que se chama de informatividade deve ser avaliado de maneiras diferentes conforme o gênero textual e,
mesmo, conforme o tipo de texto, entendo também que, de certa forma, o estudo dos mecanismos
lingüísticos envolvidos no processamento do texto argumentativo, objetivo deste trabalho, poderá trazer
alguma contribuição para o assunto, fornecendo subsídios que possibilitem ao aluno perceber o jogo de
relações e articulações que compõem o texto argumentativo.
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PEQUENO MANUAL DE REDAÇÃO: ARGUMENTAÇÃO

1 Introdução

No desenvolvimento do meu trabalho como professor de Língua Portuguesa e Redação, tanto no Ensino Médio quanto no Ensino Superior tenho percebido que, observadas as diferenças de grau, as dificuldades demonstradas pelos alunos na produção / recepção de textos escritos são sempre as mesmas. Essas dificuldades parecem ser decorrentes de uma outra dificuldade, situada na base do problema: de modo geral, os alunos demonstram enfrentar problemas sérios na percepção da articulação e das “relações lógicas existentes entre as várias partes de um texto”. A produção de textos sem uma estrutura adequada, sem organização e sem coesão é uma constante em qualquer nível de escolaridade. Essa constatação, que não é só minha, tem motivado a elaboração de muitos trabalhos que objetivam contribuir para a amenização do problema. Várias publicações têm surgido com novas propostas, novos métodos, novas estratégias, no intuito de levar o aluno a melhorar sua competência na produção / recepção de textos escritos. A respeito desse problema, pode-se dizer também que a dificuldade demonstrada pelos alunos é maior quando se trata de textos ditos argumentativos. É comum, por exemplo, nas atividades em que se propõe a redação de um texto argumentativo, o aluno produzir um texto claramente narrativo. Embora não se pretenda, aqui, discutir as causas do problema, vale fazer essa referência por se tratar de um fato que, certamente, já foi observado por todos os professores que lidam com a prática da produção e interpretação de textos. Em sua dissertação de mestrado, Costa Val (1999, p.121), na análise do corpus, constituído por redações elaboradas por candidatos ao Curso de Letras, no vestibular de 1983 da UFMG, constatou que

(1) As falhas que se mostraram mais relevantes, dos pontos de vista quantitativo e qualitativo, dizem respeito à informatividade e a dois requisitos de coerência (a não-contradição externa e a articulação) e têm a ver, mais propriamente, com os aspectos cognitivos da macroestrutura.

Entre os fatores considerados por Costa Val (1999), a informatividade parece ser o único que ainda não mereceu um estudo mais cuidadoso, que fornecesse subsídios para um trabalho destinado a melhorar a competência do falante como produtor de textos escritos. O trabalho que aqui se propõe não busca, em primeiro lugar, apresentar nenhuma contribuição específica nesse sentido. Entretanto, por entender que o que se chama de informatividade deve ser avaliado de maneiras diferentes conforme o gênero textual e, mesmo, conforme o tipo de texto, entendo também que, de certa forma, o estudo dos mecanismos lingüísticos envolvidos no processamento do texto argumentativo, objetivo deste trabalho, poderá trazer alguma contribuição para o assunto, fornecendo subsídios que possibilitem ao aluno perceber o jogo de relações e articulações que compõem o texto argumentativo.

A decisão de se trabalhar aqui com o texto dito argumentativo se deve, em grande parte, ao fato de que esse tipo de texto tem sido, nos últimos anos, muito prestigiado nos vários níveis de ensino, desde o Fundamental até o Superior. Além disso, em quase todo concurso público e praticamente em todo vestibular realizado no País, vem sendo cobrada a redação de texto argumentativo. Ainda que assim não fosse, a verdade é que, na prática do dia-a-dia, saber argumentar é um trunfo importante para qualquer pessoa. Assim, como professor de Língua Portuguesa em um Curso de Letras e em um Curso de Direito e sabendo o que pode significar para a vida profissional de um professor ou de um advogado a competência argumentativa, entendo ser minha obrigação buscar subsídios para ajudar os alunos a melhorar sua capacidade de produzir e interpretar textos argumentativos. Sabendo que a maior dificuldade demonstrada pelos alunos na produção de textos é o baixo nível de informatividade que seus textos apresentam, acho necessário fazer algumas considerações sobre o problema. Em primeiro lugar, é importante dizer que o desempenho do aluno nesse quesito varia bastante conforme esteja desenvolvendo um texto narrativo, descritivo ou argumentativo. No texto narrativo, que, na maioria das vezes, baseia-se apenas em fatos fictícios, o aluno tem muito o que dizer, já que sua imaginação possibilita criar situações, fatos, argumentos, eventos, e, assim, alimenta a capacidade informativa do aluno. No texto dissertativo ou argumentativo, porém, a informatividade vai resultar do conhecimento sobre o assunto, da opinião a ser defendida e da sua competência para construir e desenvolver argumentos capazes de provocar a adesão à sua tese. Por isso, a informatividade nesses tipos de textos é geralmente baixa. Somente com um certo conhecimento prévio do assunto, um conhecimento geral satisfatório, uma vivência significativa, aliados a uma razoável competência textual, pode-se conseguir um texto argumentativo com um bom nível de informatividade. Aliás, neste trabalho, entende- se que informatividade não é o termo mais adequado quando se trata de texto dissertativo ou argumentativo. Principalmente quando se trata deste último, o termo mais apropriado seria argumentatividade , já que a finalidade do texto argumentativo não é, primordialmente, informar, mas convencer, persuadir, pela argumentação. Em segundo lugar, é importante lembrar também o seguinte: mesmo quando o aluno tem muita coisa a dizer, ou seja, quando a informatividade poderia ser alta, é comum ouvir-se do aluno um lamento do tipo “Professor, eu sei o assunto, mas não sei como passar para o papel”. De fato, esse é um problema real vivido por alunos e professores. Na verdade, a produção de qualquer gênero ou tipo de texto esbarra em duas grandes dificuldades: o que dizer e como dizer_._ Como se afirmou anteriormente, o grau de informatividade varia conforme o tipo de texto. Nos textos narrativos, tem-se muito mais o que dizer do que nos textos argumentativos. A dificuldade, porém, na produção do texto continua, uma vez que o como dizer é outro sério desafio a ser enfrentado. Em se tratando de textos argumentativos, não basta dizer. Nesse tipo de texto adquire importância fundamental o como dizer. A informatividade em um texto argumentativo está em tornar forte um argumento aparentemente fraco. Na argumentação, é preciso levar o alocutário a enxergar um outro aspecto do assunto, aquele aspecto cujo valor se quer que seja tido como

Se o professor, ao propor a produção de um texto argumentativo, pedir que o aluno fale, por exemplo, sobre namoro , estará dificultando, e muito, o trabalho do aluno. Observe-se que o assunto namoro é muito amplo, e isso pode levar o aluno a sentir uma certa dificuldade na delimitação desse assunto. Falar o quê, sobre namoro? Esse é, realmente, um grande desafio para o aluno. Observe-se, agora, como essa tarefa se torna mais fácil se o professor, em vez de mandar falar sobre namoro , fizer uma pergunta como esta: Você acha que um namoro aos quinze anos de idade pode ser levado a sério? Sem dúvida, qualquer um responde a uma pergunta dessa sem maiores dificuldades. Você já reparou como os bebês aprendem a falar? Geralmente, ele é induzido a isso: a mãe (quase sempre) pega a criança nos braços, encara-a e diz: - Fala: mamãe! E insiste nisso diariamente, até que, um dia, a criança balbucia: - Papai. É claro que pronunciar papai , cujos sons são todos orais, é mais fácil que pronunciar mamãe , palavra repleta de sons nasais, mais difíceis de articular que os orais. Brincadeira à parte, o certo é que, induzida, a criança articula suas primeiras palavras. Depois que a criança está mais desenvolvida, ainda nos primeiros anos de vida, a mãe já lhe faz perguntas do tipo: - Neném qué dedeira? Neném tá com soninho? Neném gosta mais papai ou gosta mais mamãe? Nessa fase, a criança ainda não sabe responder, mas já sabe repetir. E repete a parte final da pergunta: Qué dedeira! Tá com soninho! Gosta mais mamãe! Daí em diante, sempre induzida pelos adultos, a criança vai aprendendo a falar e a produzir seus próprios discursos. O que se quer demonstrar com tudo isso é que, por meio de perguntas, facilita-se muito para qualquer um a tarefa de produzir um texto, seja ele oral ou escrito. Tome-se, também, como exemplo, a velha prática do questionário, ainda bastante utilizada pelos professores em sala de aula. Às vezes, naquelas disciplinas em que a quantidade de informação é muito grande, o aluno costuma pedir ao professor que passe um questionário. Será por quê? Ora, é fácil entender: se o professor não dá o questionário, o aluno ficará sem saber o que o professor pode querer dentro de um assunto tão amplo. O questionário mostra ao aluno o rumo a seguir. A pergunta delimita o assunto e, ao mesmo tempo, estipula o objetivo. Assim, o aluno sente-se mais seguro para produzir o texto como resposta. Ora, se a pergunta facilita a produção do texto, facilita também a formulação da frase-tese, que é a introdução do texto. Na verdade, a frase-tese pode ser a resposta a uma pergunta do tipo das seguintes:

  1. Qual sua opinião sobre a idéia de...? proposta intenção decisão sugestão realização etc.
  2. O que você acha da idéia de...? proposta intenção

decisão sugestão realização etc.

  1. Você concorda com a idéia de...? proposta intenção decisão sugestão realização etc.
  2. Você acha oportuna a idéia de...? viável proposta adequada decisão apropriada sugestão exeqüível intenção inteligente realização etc. etc.

Na resposta a qualquer uma dessas perguntas, deve-se assumir uma posição favorável ou contrária ao que está sendo colocado em julgamento: a idéia de..., a proposta de..., a decisão de..., a sugestão de..., a intenção de..., a realização de..., etc. É claro que se pode assumir uma posição neutra, mas não é essa a atitude aconselhável. É importante ter em mente que não existe opinião certa nem opinião errada. Uma opinião não pode ser considerada falsa ou verdadeira. Cada um defende a que lhe interessa defender. Na verdade, ninguém é, aprioristicamente, favorável ou contrário a nada. Dependendo da situação e do interesse, cada um defende ora uma ora outra opinião. Quem diz, por exemplo, que é a favor da pena de morte ou contra o aborto diz isso sem se encontrar realmente diante do problema. Quase sempre, porém, sua opinião varia conforme o caso concreto o afeta de uma forma ou de outra. É importante observar também que a própria pergunta já orienta o aluno quanto a dois pontos fundamentais na produção do texto; a delimitação do assunto e o objetivo proposto. Suponha que você tenha que produzir um parágrafo argumentativo em resposta à seguinte pergunta:

Qual sua opinião sobre a decisão da equipe econômica do governo de aumentar a taxa de juros?

Ora, o que está em julgamento é a decisão da equipe econômica do governo de aumentar a taxa de juros. Se é isso que está em discussão, é isso que deve constituir o assunto do seu texto. Então, na formulação do da frase-tese, que deve ser a resposta à pergunta formulada, use como sujeito o assunto que está em discussão. A frase-tese poderia, então, começar da seguinte maneira:

A decisão da equipe econômica do governo de aumentar a taxa de juros é...

proposta concretizada etc. etc.

  1. Embora muitos achem que não, a verdade é que a idéia de ... sugestão intenção proposta etc.
  2. Não há como negar que a idéia de ... sugestão intenção proposta etc.
  3. Jamais se deveria admitir a idéia de ... aceitar sugestão apoiar intenção pôr em prática proposta etc. etc.
  4. Não há como negar que a idéia de... sugestão intenção proposta etc.

É preciso ter em mente que não existe uma forma única de estruturação de texto. As frases acima são apenas sugestões e como tais devem ser consideradas. A grande vantagem de empregar frases desse tipo como frases-tese é que elas servem de guia para o desenvolvimento do texto e não deixam que o autor se desvie do assunto e do objetivo. Às vezes, a proposta de redação não vem em forma de uma pergunta. É comum ser apresentada em uma frase imperativa tal quais as seguintes:

  1. Redija um texto argumentativo, defendendo a idéia de... condenando sugestão explicando intenção justificando proposta explicitando decisão etc. opinião etc.
  2. Redija um texto argumentativo, confrontando as opiniões de... fazendo um paralelo entre decisões relacionando propostas etc. etc. Observe-se que, também nesse tipo de proposta, é dado o assunto (a idéia de..., a sugestão de..., a proposta de..., a decisão de..., as opiniões..., as decisões..., as propostas..., etc.) e o objetivo, que é expresso por um verbo no gerúndio (defendendo..., condenando..., explicitando..., justificando..., confrontando..., fazendo um paralelo..., relacionando..., etc).

Para redigir o texto, você não pode, em hipótese alguma, mudar nem o assunto nem o objetivo. A frase-tese do seu texto, também nesse caso, pode ser elaborada de forma semelhante às anteriormente sugeridas. Tenha sempre em mente o seguinte: quando a proposta manda, por exemplo, redigir um texto argumentativo, explicando..., ou justificando..., ou explicitando..., etc., a idéia de..., a decisão de..., a proposta de..., etc., a explicação, ou a justificativa, ou a explicitação, etc., não deve vir na frase-tese. Deve vir no desenvolvimento do texto. A frase-tese deve apenas sugerir que a explicação, ou a justificativa, ou a explicitação será apresentada em seguida. Observe-se como poderia ser formulada a frase-tese nesse caso: Proposta 1: Redija um texto argumentativo, explicando a teoria defendida pela oposição sobre as eleições para presidente da República. Frase-tese: A teoria defendida pela oposição sobre as eleições para presidente da República é explicável. pode ser explicada é bem simples é de fácil compreensão é fácil de entender não tem mistério etc.

Proposta 2: Redija um texto argumentativo, justificando a decisão do governo federal de vetar o aumento do funcionalismo público.

Frase-tese: A decisão do governo federal de vetar o aumento do funcionalismo público justifica-se. tem seus motivos é justificável é compreensível etc.

Proposta 3: Redija um texto argumentativo, confrontando as opiniões defendidas pelo governo e as defendidas pela oposição sobre a Previdência Social.

Frase-tese: As opiniões defendidas pelo governo e as defendidas pela oposição são conflitantes. são opostas são até parecidas têm pontos em comum apresentam divergências etc.

Formulada a frase-tese, em que o autor expressa sua opinião sobre o assunto que está em julgamento, é preciso que o autor apresente o motivo que o levou a defender aquela opinião. Às vezes, o

substitutos textuais adequados. Conforme se afirmou anteriormente, o emprego consciente de elementos anafóricos e catafóricos; de pró-formas nominais,verbais e adverbiais; de hipônimos e hiperônimos; de conectivos e operadores argumentativos diversos, responsáveis, em grande parte, pela coesão do texto, é uma prática pouco freqüente na produção textual acadêmica. Para ilustrar o que se disse acima, veja-se o seguinte parágrafo muito parecido com tantos outros encontrados em textos produzidos por pré-vestibulandos:

(2) A situação econômica do Brasil é muito complicada, pois uma grande parte da população ganha mal e não tem condições de sustentar a família, levando muita gente a buscar outros meios às vezes até desonestos para aumentar a renda deles, onde faz crescer a criminalidade do país, o que por sua vez gera mais violência para toda a sociedade, tornando nosso país um lugar cada vez mais difícil de viver.

Observe-se que o texto, fundamentado a partir de uma relação de causa / conseqüência, foi estruturado em uma única frase. A tese, ou seja, a opinião defendida, é a de que “A situação econômica do Brasil é muito complicada”. A causa, introduzida pelo conector pois , é, segundo o texto, que “uma grande parte da população ganha mal e não tem condições de sustentar a família”. Isso, ainda de acordo com o texto, gera uma conseqüência, introduzida por um verbo no gerúndio: “levando muita gente a buscar outros meios às vezes até desonestos para aumentar sua renda”. Essa situação leva a outra conseqüência, introduzida pelo item lexical onde : “faz crescer a criminalidade”. Esse fato traz outra conseqüência, introduzida pela expressão o que : “gera mais violência para toda a sociedade”. Essa violência produz uma outra conseqüência, introduzida por outro verbo no gerúndio: “torna o nosso país um lugar ainda mais difícil de viver”. Veja-se, abaixo, que o texto poderia ser estruturado em seis frases curtas em vez de em uma única frase longa: (3) A situação econômica do Brasil é muito complicada. Uma grande parte da população ganha muito mal e não tem condições de sustentar a família. Essa situação leva muita gente a buscar outros meios, às vezes até desonestos, para aumentar sua renda. A prática de atos ilícitos para conseguir algum dinheiro faz crescer a criminalidade no País. Esse fato, por sua vez, gera ainda mais violência para toda a sociedade. A violência incontrolável torna o País um lugar cada vez mais difícil de se viver. Essa versão é muito mais bem estruturada do que a original. Mas, então, por que o aluno não costuma usar esse tipo de estrutura? O grande problema é, sem dúvida, a dificuldade de encontrar os elementos de coesão adequados. Conforme se afirmou anteriormente, a maioria dos alunos usa, quase sempre, para fazer a articulação, as conjunções causais , o verbo no gerúndio , as palavras e expressões onde , o que , fato este que. Como a característica sintática marcante desses articuladores é ligar elementos de uma mesma frase, o aluno não sabe onde encerrar a frase, a não ser quando diz tudo quanto pensa sobre o assunto. Eis aqui, portanto, um trabalho importante a ser desenvolvido pelo professor: ensinar o

aluno a fazer frases curtas. Para tanto é preciso treinar o aluno a usar adequadamente os elementos de coesão textual. Conforme já se explicitou, a frase-argumento expressa, geralmente, o motivo que leva o autor a defender a opinião expressa na tese. Constitui, assim, a prova ou a demonstração do que se afirma na tese. Em razão disso, a articulação da frase-argumento com a frase-tese é feita, geralmente, por meio de articuladores que expressam relação lógica de causa ou explicação adequados para articular frases. Eis alguns deles:

. A razão disso é... . A causa disso... dessa situação... desse fato... de se pensar assim... . Motiva isso o fato de... . Explica isso... . Justifica isso... . Isso é fácil de entender. . Basta dizer o seguinte: ... . A explicação é simples: ... . Explica-se: ... . Justifica-se: ... . Isso tem explicação: ... . Isso tem seus motivos: ... . Motivo existe para isso. . Existe explicação para isso. . Tome-se como explicação o seguinte: ... . Tal atitude pode ser explicada. . Essa situação pode ser explicada da seguinte forma: ... . Não é difícil entender por quê. . Veja-se por quê. . Observe-se o seguinte: . Uma prova disso é... . Uma demonstração clara disso é... . Demonstra isso o fato de... . Prova isso o fato de que... . Etc.

Pode ser, também, que a articulação se dê simplesmente pela justaposição, sem a presença de qualquer um desses articuladores sugeridos. É o que se observa entre as duas primeiras frases do texto (3), reapresentadas abaixo:

(3) A situação econômica do Brasil é muito complicada. Uma grande parte da população ganha muito mal e não tem condições de sustentar a família.

descompromissado com a politicagem e com bom-senso bastante para livrar o telespectador de tão grande castigo. (Valdemar Carlos de Deus. Texto inédito, [sd])

(5) Tempo perdido e irritação em cada esquina Os semáforos em Sete Lagoas parecem coisa de maluco. Em todos os cruzamentos onde estão presentes, esses sinais luminosos ficam, a maior parte do tempo, fechados para todas as direções. Exagero? Claro que não! Basta pegar o carro e fazer a experiência: inclua no seu trajeto o maior número possível de locais onde eles existem. Não será nenhuma surpresa se, em cada dez, a luz vermelha estiver acesa em, pelo menos, sete deles. Dificilmente se encontra um sinal aberto. E isso não é, definitivamente, uma questão de sorte, azar ou coincidência. É puramente matemática O mesmo sinal que timidamente se apresenta verde durante uns acanhados quinze ou vinte segundos escancara pernosticamente seu farol vermelho por quase dois minutos em cada esquina. E isso é feito de forma a interromper o trânsito em qualquer sentido ou direção. A irritação é crescente quando se tem de permanecer, em cada esquina, durante tanto tempo parado. Torna-se maior ainda quando a fila de carros diante do sinal é grande. Nesse caso, a paciência tem de ser inesgotável: quando se consegue arrancar, o sinal já está outra vez fechado. E o pior é que, devido ao pouco tempo em que o sinal permanece aberto, a fila de carros é sempre enorme. Além de irritante, é também incompreensível. Pode-se até teorizar com a alegação de que a disparidade de tempo para o verde e o vermelho visa a garantir o fluxo de veículos e a harmonia do trânsito. A prática, porém, tem mostrado justamente o contrário: a cada dia, o trânsito da cidade está mais lento e confuso. E a sinalização só faz dificultar ainda mais as coisas. Há casos em que realmente se torna necessário manter o sinal fechado por um tempo maior. Mas esses casos não são uma regra; são uma exceção. Deve ser muito bem avaliada a possibilidade de sua utilização. A lógica torna forçoso admitir que, se houvesse equilíbrio na distribuição do tempo nos semáforos, o trânsito se tornaria bem mais ágil, sem comprometimento da segurança. Se a lógica faz supor, a prática o comprova: nos locais onde esse equilíbrio é percebido, tudo funciona de forma muito mais tranqüila. Seria muito oportuno, portanto, que o responsável pelo assunto mostrasse um interesse maior e competência bastante para resolver o problema. (Valdemar Carlos de Deus. Texto inédito, [sd])

No texto (4), aparece a frase-tese: Deveria ser extinto, para sempre, do rádio e da televisão o horário eleitoral gratuito. A seguir, vem a frase-argumento: A razão disso é bastante simples: essa praga que invade diariamente os lares brasileiros transformou-se no maior tormento para as pessoas que têm, no rádio ou na tevê, sua principal fonte de lazer. Observe-se que essa frase está articulada com a tese por meio da expressão articuladora de causa: A razão disso é bastante simples. Essa frase poderia vir justaposta à frase-tese, ou seja, sem a presença da expressão articuladora.As frases seguintes, com exceção da última, são as frases-comentário, destinadas a demonstrar o tormento em que se transformou a vida dos ouvintes de rádio e dos telespectadores, em virtude do horário eleitoral gratuito. A última frase constitui a conclusão do parágrafo. O texto (5) apresenta estrutura semelhante. A primeira frase é a frase-tese: Os semáforos em Sete Lagoas parecem coisa de maluco. A segunda é a frase-argumento: Em todos os cruzamentos onde estão presentes, esses sinais luminosos ficam, a maior parte do tempo, fechados para todas as direções. A articulação dessa frase com a frase-tese apresenta uma diferença em relação à do texto (4): aqui não aparece nenhuma palavra ou expressão articuladora. A articulação se dá por justaposição. A seguir, vêm as frases-comentário, que tentam demonstrar a veracidade do que se afirmou sobre os sinais luminosos e as conseqüências que isso traz para o trânsito da cidade. Assim como no texto anterior, a última frase constitui a conclusão do parágrafo.

2.4 A frase-conclusão

A frase que funciona como conclusão do parágrafo não passa de uma frase-tese que não será desenvolvida. É preciso ter em mente que uma frase de conclusão não é, como muitos pensam, uma repetição da frase-tese. Na verdade, a frase de conclusão deve estar articulada com a frase-tese. Essa articulação deve ser percebida pela referência que se faz novamente ao assunto e à tese. Além disso, a frase de conclusão é, geralmente, introduzida por palavras ou expressões apropriadas para estabelecer a relação lógica de conclusão, conseqüência, dedução, constatação, confirmação, exortação, síntese, etc. Por isso, são bastante empregadas na conclusão palavras ou expressões como portanto , então , assim , como se vê , dessa forma , etc. É muito comum, na conclusão, a apresentação de uma sugestão, ou advertência, ou conselho, ou declaração de apoio ou de contestação em relação ao assunto debatido. É por isso que uma frase-tese pode, perfeitamente, ser usada como conclusão. Observem-se as duas frases abaixo, sugeridas como frases-tese:

(6) A idéia do prefeito municipal de proibir o trânsito de veículos em torno da Lagoa Paulino nos finais de semana é inexeqüível.

(7) A idéia do prefeito municipal de proibir o trânsito de veículos em torno da Lagoa Paulino nos finais de semana deveria ser esquecida.

A primeira afirma que a idéia do prefeito é... A segunda afirma que a idéia do prefeito deveria ser... A primeira expressa um julgamento definitivo; a segunda apresenta uma atitude a ser (ou não) assumida. Observe-se que, se uma delas for usada como tese, a outra pode, perfeitamente, ser usada como conclusão. Basta usar adequadamente um dos articuladores de conclusão e reafirmar, com outras palavras, o que foi declarado na tese. Observem-se as duas possibilidades abaixo:

(8) A idéia do prefeito municipal de proibir o trânsito de veículos em torno da Lagoa Paulino nos finais de semana é inexeqüível. ....................................................................................................................... ............................................................................................................................................................................................................ ............................................................................................................................................................................................................ ............................................................................................................................................................................................................ ............................................................................................................................................................................................................ ............................................................................................................................................................................................................ ............................................................................................................................................................................................................ .......... Dessa forma, essa idéia deveria ser esquecida. Portanto, essa proibição Melhor seria, então, que tal idéia fosse Como se vê, essa idéia Etc.

Quando se desenvolve um parágrafo argumentativo com base em mais de um argumento, é preciso deixar bem claro, ao se introduzir um novo argumento, que isso está sendo feito. Para isso, é indispensável o uso de mecanismos discursivos que evidenciem a mudança. Palavras como também, ainda, outro, um segundo, um terceiro, etc. podem demonstrar claramente que se vai tratar de um novo argumento. Além disso, é importante fazer a articulação com a tese. Essa articulação é conseguida quando se faz nova referência ao assunto e à essência da tese, ou seja, quando se retorna à frase-tese, reafirmando-a com outras palavras. O esquema apresentado a seguir dá uma idéia de como isso se realiza:

A estrutura do parágrafo dissertativo de vários argumentos

1. Frase-tese: Para a própria sobrevivência do futebol brasileiro, é fundamental que se proíba a presença de torcidas organizadas nos estádios. 2. Argumentos: F 0 B 7predisposição para a violência; F 0 B 7indução à violência dentro de campo; F 0 B 7obscenidades; F 0 B 7afastamento das pessoas de bem; F 0 B 7formação de gangues; F 0 B 7vandalismo; F 0 B 7etc. 3. Formas de introduzir um novo argumento, fazendo a articulação com a frase-tese: F 0 B 7Uma outra justificativa para a proibição de torcedores uniformizados dentro dos estádios é que ... F 0 B 7Proibir de vez a presença de torcidas organizadas nos campos brasileiros é importante, também, pelo fato de que esse tipo de torcedor... F 0 B 7Banir, para sempre, dos estádios brasileiros, esses fanáticos torcedores seria, também, uma forma de ... F 0 B 7Outra razão fundamental para se impedir que essa massa uniformizada tome conta dos campos de futebol no País é o fato de que, quando juntos, esses torcedores... F 0 B 7É importante, ainda, o afastamento das várias facções das torcidas organizadas de todos os estádios brasileiros pelo fato de que... 4. Conclusão: F 0 B 7Como se vê, se não for tomada uma atitude drástica... F 0 B 7Urge, portanto, que... F 0 B 7A solução talvez esteja, portanto, em... F 0 B 7A realidade mostra, no entanto, que...

F 0 B 7Tudo isso, entretanto, não parece preocupar aqueles que... F 0 B 7O problema só poderá ser resolvido, contudo, se... F 0 B 7Diante desse quadro, não se pode adiar...

5. Montagem do parágrafo:

(10) Para a própria sobrevivência do futebol brasileiro, é fundamental que se proíba a presença de torcidas organizadas nos estádios. Essa massa de torcedores fanáticos demonstra, quase sempre, uma incomum predisposição para a prática da violência. Raro é o fim de semana em que não se vêem, nos principais noticiários, os tristes números da estatística da violência nos campos de futebol. O fato de estarem uniformizados, seja com a camisa de seu time, seja com a da própria torcida, parece fanatizar, ainda mais, essas pessoas e torná-las dispostas a enfrentar qualquer desafio, quaisquer que sejam as conseqüências. Em grupo, pessoas assim tornam-se irresponsavelmente corajosas, ousadas, irreverentes e chegam facilmente à selvageria, quando a paixão clubística se sobrepõe à razão e ao bom-senso. Uma outra justificativa para a proibição de torcedores uniformizados dentro dos estádios são as obscenidades em que se transformaram seus gritos de guerra. Vestidos com as cores de seu time e incentivados pelo anonimato proporcionado pela multidão, esses bárbaros irresponsáveis e indecentes deliram freneticamente e se inebriam com os sonoros palavrões com que parecem alimentar seu instinto sanguinário. É deprimente o espetáculo proporcionado por esse tipo de torcedor àqueles que vão ao estádio pelo puro prazer de estar ali, com a família ou com amigos, à procura de uma diversão sadia e relaxante. Proibir de vez a presença de torcidas organizadas nos campos brasileiros é importante, também, pelo fato de que esse tipo de torcedor afasta dos campos as pessoas de bem. Indignados com tanta demonstração de brutalidade e impotentes para impedir tudo o que de mau ocorre nos estádios, os torcedores pacatos, verdadeiros amantes do futebol e admiradores do grandioso espetáculo que esse esporte pode proporcionar, abandonam, pouco a pouco, o hábito de assistir, ao vivo, aos jogos do seu time. Afinal, é muito mais cômodo e seguro acompanhar as partidas pela televisão. É claro que a emoção não é a mesma, mas, em casa, fica-se a salvo de grosserias, agressões e de outras atitudes inconvenientes, que, incompreensivelmente, infestam os campos de futebol. Como se vê, se não for tomada uma atitude drástica, os clubes brasileiros poderão se tornar vítimas dessa paixão doentia que lhes nutrem essas torcidas (des)organizadas e correrão o risco de até mesmo desaparecer como entidades capazes de despertar no povo a simpatia, a emoção, o amor e o orgulho, que o verdadeiro torcedor cultiva por eles. É importante notar que cada argumento deve ser desenvolvido, explicado, demonstrado, amplificado, detalhado pelas frases-comentário.

3. O texto argumentativo de vários parágrafos

O que vai determinar se um texto vai ser constituído de um ou mais parágrafos é a tese. Explica- se. Pode-se fazer com que a tese seja apenas uma frase-tese ou um parágrafo-tese. Se ela for apenas uma frase de um parágrafo, o texto deverá ser todo desenvolvido em apenas um parágrafo. Se, ao contrário, a tese for apresentada como um parágrafo à parte, o texto deverá ser desenvolvido em vários parágrafos. Nesse caso, cada argumento deverá constituir um parágrafo. O mesmo ocorrerá com a conclusão, que constituirá, também, um parágrafo à parte. Tome-se, como exemplo, o texto (10). Nesse texto, optou-se pelo desenvolvimento em um único parágrafo. A tese foi usada apenas como uma frase do parágrafo. Trata-se, assim, de uma frase-tese. Observe-se, ainda, que, nesse caso, cada argumento é apresentado como uma frase do mesmo parágrafo. Trata-se, então, de frases-argumento. Finalmente, a conclusão é também apresentada como uma frase do mesmo parágrafo. É a frase-conclusão. As frases-comentário, é claro, acompanham os argumentos a que

Garcia (1982: 214-230) 1 sugere as seguintes estratégias para o desenvolvimento do parágrafo: enumeração ou descrição de detalhes , confronto , analogia e comparação , citação de exemplos , causação e motivação , razões e conseqüências , causa e efeito , divisão e explanação de idéias “em cadeia” , definição. O tipo de desenvolvimento do parágrafo e, logicamente, dos argumentos, entretanto, vai depender muito do objetivo proposto na frase-tese. É preciso ter em mente que os argumentos são apresentados como comprovantes ou demonstração do que se declarou na tese. Assim, num mesmo texto ou até num mesmo parágrafo, pode-se empregar uma ou mais dessas estratégias. O importante é que cada argumento deve ser bem trabalhado para que seja aceito pelo alocutário. Apontadas por Garcia (op.cit.: 185-189) como práticas a serem adotadas para o enriquecimento do vocabulário, a amplificação e a paráfrase constituem recursos importantíssimos da produção textual: a primeira, como estratégia muito eficaz no desenvolvimento do texto; a segunda, como recurso indispensável na contestação de opiniões. É o que se pretende demonstrar a seguir.

4.1 Amplificação

Criticada, às vezes, como figura de retórica, não se pode negar, entretanto, que a amplificação seja um ótimo recurso para desenvolver um argumento. “Ela consiste em repetir, alongar, estirar uma idéia ou tema, por meio de circunlóquios, de diferentes torneios de frases, definições sinonímicas, metáforas, ou símiles excessivos e ociosos, além de outros adornos de linguagem que se esgotam em si mesmos”. (Op. cit.: 187). Vejam-se alguns exemplos de amplificação selecionados pelo autor (Op. cit.: 187-189):

(11) A vida A vida é o dia de hoje, A vida é o ai que mal soa, A vida é nuvem que voa, A vida é sonho tão leve, Que se desfaz como a neve. A vida dura um momento. Mais leve que o pensamento, A vida, leva-a o vento. A vida é folha que cai. A vida é flor na corrente, A vida é sopro suave, A vida é estrela cadente, Voa mais leve que a ave. Nuvem que o vento nos mares, Uma após outra lançou, A vida – pena caída Da asa de ave ferida – De vale em vale impelida, A vida, o vento a levou. (João de Deus, “A Vida”, Campos de flores)

(^1) GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar. 10 ed. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas: 1982.

(12) A pátria não é ninguém, são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua, da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não delatam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem,mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. (Rui Barbosa)

(13) A pátria não é a terra; não é o bosque, o rio, o vale, a montanha, a árvore, a bonina: são-no os atos, que esses objetos nos recordam na história da vida; é a oração ensinada a balbuciar por nossa mãe, a língua em que, pela primeira vez, ela nos disse: - Meu filho!” (Alexandre Herculano)

Vejam-se outros textos em que a amplificação está presente:

(14) Mudar é preciso Às vezes, as mudanças podem ser benéficas para um grupo. A mesmice, a rotina, a pasmaceira levam à acomodação, ao enfado e, conseqüentemente, à estagnação. O pior é que quem faz sempre a mesma coisa passa a fazê-la sem refletir, sem analisar o que está sendo feito e como está sendo feito. Acha que o faz da melhor maneira possível. Afinal, já o fez tantas vezes daquela mesma forma, que não consegue imaginar ser possível haver outra maneira de fazê-lo. Por isso, resiste a mudanças. Mudar traz sofrimento. Incomoda. Deixa sempre a impressão de que o trabalho feito não está agradando. Mudar implica assumir uma certa deficiência. Implica reconhecer que alguma coisa não vai bem. Mudar implica reavaliar, reprogramar, alterar cursos, fixar novos objetivos. Reciclar, enfim. Mudar é sempre um recomeço. A adoção de uma nova filosofia de vida. Mudar dói, mas, na mudança, pode estar a salvação de um trabalho. Pode estar a salvação de um projeto de vida. Talvez seja essa a atitude que pode salvar o Cruzeiro. Pode ser que não, mas a impressão que se tem é que ali falta motivação para vôos mais altos. Motivação ou coragem. Talvez a segunda. Talvez falte a coragem de acreditar mais na própria capacidade. Talvez falte a coragem de acreditar que se trata de um clube grande. Talvez falte a coragem de agir como um dos grandes do futebol brasileiro. Se isso é verdade, está na hora de mudar. E nem será tão difícil assim. Umas quatro ou cinco contratações de peso poderiam resolver o problema. Na verdade, umas quatro mudanças em posições estratégicas poderiam fazer do Cruzeiro, outra vez, um clube vencedor. E não venham dizer que, a essa altura, é impossível contratar. E não venham dizer que não se podem cometer loucuras, que não se pode concorrer com o mercado europeu. E não venham dizer que, no mercado nacional, não se encontram nomes capazes de tirar o Cruzeiro dessa situação vexatória. Quatro mudanças apenas seriam o bastante. Quatro contratações para as posições mais carentes: um presidente, um vice-presidente, um diretor de futebol e um assessor de imprensa. Será que é pedir muito? Ou se mudam os nomes ou se muda a mentalidade, mas urge que se mude, drasticamente, a perigosa trajetória seguida pelo Cruzeiro. (Carlos de Deus. Tribuna do Torcedor. Estado de Minas. Belo Horizonte: 2005).

(15) [...] Manter-se firme e constante em seus ideais. Manter-se firme e constante em seus propósitos. Manter-se firme e constante em sua crença. Manter-se firme e constante na busca de uma base sólida para a construção do interminável edifício do saber. Isso é perseverar. Isso é perseverança. E é a perseverança dos que não se abatem diante dos obstáculos. É a perseverança dos que crescem diante dos problemas. É a perseverança dos fazem das adversidades um motivo maior para a superação, que não se nega, que não se omite, que não se esconde, mas mostra-se em sua plenitude, fruto que é do trabalho de gente comprometida com o propósito de vencer. E é a mesma perseverança que, em certo momento, espantou as incertezas. A mesma perseverança que, em certo momento, desfez as dúvidas. A mesma perseverança que, em certo momento, afastou o medo de um fracasso tão doloroso quanto real. Mais que ninguém, vocês sabem que a jornada nem sempre foi feita só de sucessos. Houve desencontros. Houve desvios. Houve desacertos. Houve momentos em que a