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Meritocracia
Tipologia: Notas de estudo
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1. MERITOCRACIA
1.1. DEFINIÇÃO
" Meritocracia é o sistema de recompensa ou promoção fundamentado no mérito pessoal. Tem mérito aquele que é mais trabalhador, mais inteligente, mais criativo, e assim por diante. Esse mérito
Meritocracia (do latim mereo, merecer, obter) é a forma de governo baseado no mérito. As posições hierárquicas são conquistadas, em tese, com base no merecimento, e há uma predominância de valores associados à educação e à competência. Essencialmente, Meritocracia é uma conquista, alcançada através de sólidas políticas de RH, associadas à Liderança Ética e a um saudável clima organizacional. Se lembrarmos que uma organização é uma comunidade de pessoas e estas têm sentimentos e percepções; quando o sistema recompensa os relapsos, os aplicados percebem, e agem.
1.2. APLICAÇÃO
A meritocracia está associada, por exemplo, ao estado burocrático, sendo a forma pela qual os funcionários estatais são selecionados para seus postos de acordo com sua capacidade (através de concursos, por exemplo). Ou ainda – associação mais comum – aos exames de ingresso ou avaliação nas escolas, nos quais não há discriminação entre os alunos quanto ao conteúdo das perguntas ou temas propostos. Assim, meritocracia também indica posições ou colocações conseguidas por mérito pessoal. Em organizações, pode ser uma forma de recompensa por esforços e reconhecimento, geralmente associado à escolha de posições ou atribuição de funções. Ser promovido é o desejo de 10 entre 10 funcionários. Todos eles desejam ser reconhecidos pelo ótimo trabalho (na visão deles) que desempenham em suas atividades dentro da empresa, gerando uma expectativa enorme em torno disto, que, muitas vezes, não é atendida conforme gostariam. Esta situação ocorre em diversas organizações mundo afora, por razões diferentes, pois cada caso é um caso, porém sempre com o mesmo rótulo “é panela”. Invariavelmente, os funcionários que não conseguem ser promovidos antes daquele colega de trabalho que não vai com a sua cara afirmam que foram “panelados” pelo chefe, ou seja, foram deixados de lado para que outras pessoas menos capazes (também na visão deles) pudessem ser promovidas. Porém, o que muitos destes funcionários não param para analisar é se realmente tinham capacidade de assumir o novo cargo, se realmente ele é melhor que a pessoa que foi promovida. Para tentar resolver estas questões, muitos gestores se utilizam de avaliações de desempenho para analisar seus colaboradores corretamente, mas nem sempre esta prática é bem vista pelos funcionários de uma organização. Geralmente, estes programas de avaliação de desempenho são inadequados e não contemplam todas as variáveis necessárias de serem avaliadas.
2. IMPLEMENTAÇÃO
2.1. A IDEOLOGIA NA BALANÇA
É sabido que a Meritocracia gera diversos problemas para a empresa, no que diz respeito à insatisfação de alguns funcionários, mas é preciso lembrar que ter um sistema de avaliação de desempenho baseado realmente no desempenho do funcionário é muito melhor do que o velho sistema de indicação e coleguismo. Por isso, os colaboradores precisam também apoiar a empresa nesta avaliação e focar mais no trabalho do que em questões afins. Assim, os melhores talentos sempre se sobressairão, chamando a atenção dos gestores para si. A meritocracia possui tantos pontos positivos como pontos negativos. Dentre os pontos positivos, primeiramente o fato de tal ideologia ter promovido o aumento de serviços prestados à sociedade, afinal um número maior de pessoas tiveram acesso, por exemplo, a maiores oportunidades de emprego e educação. Botton (2005, p. 86) afirma que nos Estados Unidos, no Governo Kennedy, surgiram muitas leis que garantiriam “uma justa oportunidade ao sucesso”, tais como a “Lei do Pagamento Igual (1963), a Lei dos Diretos Civis (1964), a Lei de Oportunidades Iguais no Emprego (1964), a Lei dos Americanos Idosos (1965), a Lei de Discriminação por Idade no emprego (1967) e a Lei dos Americanos com Incapacidade Física (1990).” Tais institutos são atualmente garantidos em nossa Constituição Federal de 1988: art. 7º, XXX; art. 22 e Lei nº. 10.406/02 (CC); art. 7º, XXXI ; art. 230 e Lei nº 10.741/03 (Estatuto do idoso); art. 7º, XXX; art.23,II, art. 203, IV,V, art. 224 e 227, respectivamente. Outro importante ponto positivo foi o fato de ela desvincular o poder público dos laços de parentesco – desconsiderando-se os cargos em comissão e os contratos temporários, por considerar que nem todos os herdeiros seriam pessoas competentes ou bons administradores. De acordo com Botton (2005), assim ocorreu, por exemplo, “abertura do serviço público a exames competitivos” na Grã-Bretanha, em 1870. Este procedimento acabou sendo adotado em muitos países liberais. Aqui no Brasil, procedimento semelhante, denominado de Concurso Público, tornou-se exigência constitucional a partir de 1988 nos termos do inciso II, art. 37. Todavia, em nosso país a desvinculação não foi completa, afinal a CF/88 manteve os cargos políticos e os de livre nomeação e exoneração, que são, na prática, aqueles do mais alto escalão, mais bem remunerados e que são os responsáveis pelas decisões econômicas e políticas. Dentre os pontos negativos da meritocracia, vale destacar o fato de ser ela uma ideologia, e, por conseguinte, como toda ideologia, visa aos interesses de alguma classe dominante e aos seus compromissos institucionais, e, não raro, servindo como instrumento de alienação. Exemplo de alienação baseada na teoria meritocrática ocorreu no campo religioso, no qual houve uma total inversão de valores. A riqueza que até então era criticada e condenada pela Religião Católica, transformou-se, para a Religião Protestante, numa prova de que o seu detentor seria possuidor do mérito em adquiri-la, e que o seu esforço por conquistá-la seria uma bênção aos olhos de Deus, pois “a longo prazo, a riqueza só vem para o homem de moral”. (LAWRENCE, 1892, apud BOTTON, 2005). Outro ponto negativo da ideologia foi desvincular totalmente as conquistas financeira, intelectual e moral do homem da sua condição social. A conseqüência natural disso seria que os pobres, em tese, teriam as mesmas oportunidades dos ricos, pois “o prestígio e os empregos bem pagos podem ser garantidos somente com base com base na inteligência e na capacidade de uma pessoa.” (BOTTON, 2005, p. 87). Destarte, os fracassados mereciam o próprio fracasso. Esta idéia acaba por gerar a falta de fraternidade e caridade entre os seres, porque o rico já não se sentiria mais na ‘obrigação’