Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Métodos Numéricos Resumos, Resumos de Métodos Numéricos em Engenharia

Resumos matéria, métodos numéricos computacional

Tipologia: Resumos

2020

Compartilhado em 29/10/2020

renata-amorim-21
renata-amorim-21 🇧🇷

1 documento

1 / 178

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
Fa c u l da d e d e En g e n h a r i a d a U n i v e r s i d ad e d o P o r t o
Licenciatura em Engenharia Electrot´
ecnica e de Computadores
Apontamentos de An´alise Num´erica
An´ıbal Castilho Coimbra de Matos
Setembro de 2005
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Métodos Numéricos Resumos e outras Resumos em PDF para Métodos Numéricos em Engenharia, somente na Docsity!

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Licenciatura em Engenharia Electrot´ecnica e de Computadores

Apontamentos de An´alise Num´erica

An´ıbal Castilho Coimbra de Matos

Setembro de 2005

Conte´udo

Cap´ıtulo 1

Fundamentos

1.1 Introdu¸c˜ao

Sempre que se pretende tratar algum problema cuja solu¸c˜ao toma a forma do c´alculo de um valor num´erico ´e habitual ter de considerar n˜ao s´o conceitos de car´acter mais abstracto (que fornecem um modelo consistente para a an´alise do problema) mas tamb´em quest˜oes de natureza mais pr´atica relacionadas com os c´alculos a efectuar ou com os n´umeros necess´arios `a realiza¸c˜ao de tais c´alculos.

Exemplo 1.1.1. Suponha-se que se pretende determinar o volume V de um paralelip´ıpedo a partir dos comprimentos de trˆes arestas a, b e c, perpendiculares entre si. Neste caso, o modelo abstracto consiste na express˜ao V = abc, que permite calcular o volume a partir dos comprimen- tos das trˆes arestas. Para aplicar esta express˜ao ´e ent˜ao necess´ario come¸car por medir cada uma das arestas. Ora, `a medi¸c˜ao de cada uma das arestas est´a associado um erro (erro de medida). Ou seja, o processo de medi¸c˜ao fornecer´a valores aproximados dos comprimentos das arestas, sendo eventualmente poss´ıvel obter alguma caracteriza¸c˜ao dos erros de medida. Ao efectuar, em seguida, o produto das medidas dos trˆes comprimentos ir-se-´a obter um valor que apenas po- der´a ser considerado uma aproxima¸c˜ao do volume do paralelip´ıpedo. Obviamente que este valor aproximado ter´a associado um erro que depender´a dos erros cometidos nos processos de medida.

A situa¸c˜ao descrita neste exemplo de n˜ao se conseguir obter um valor num´erico exacto para muitos problemas ´e a mais comum. Esta impossibilidade pode ter origens diversas, de que s˜ao exemplos erros associados a processos de medida, modelos abstractos aproximados, ou c´alculos efectuados de forma aproximada. Contudo esta situa¸c˜ao n˜ao ´e necessariamente m´a, pois na grande maioria (ou at´e talvez na totalidade) dos problemas bastar´a obter um valor num´erico suficientemente pr´oximo do valor exacto.

De uma forma simples, pode dizer-se que a An´alise Num´erica abrange o estudo de m´etodos e t´ecnicas que permitam obter solu¸c˜oes aproximadas de problemas num´ericos de uma forma

1

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 2

eficiente. E por natureza uma disciplina que se situa na fronteira entre a Matem´´ atica e a Ciˆencia de Computadores.

Neste cap´ıtulo apresentam-se os conceitos fundamentais necess´arios `a compreens˜ao e utiliza¸c˜ao dos m´etodos num´ericos que ir˜ao ser estudados nos cap´ıtulos subsequentes.

1.2 Valores exactos e aproximados: erros

Consideremos um problema cuja solu¸c˜ao ´e um n´umero real. Este n´umero ´e designado por valor exacto do problema e, no que se segue, ser´a representado por x.

Designa-se por valor aproximado ou aproxima¸c˜ao, e representa-se por x ∗^ , qualquer valor que se pretende utilizar como solu¸c˜ao do problema. Associado a um dado valor aproximado x ∗ define-se o erro de aproxima¸c˜ao como a diferen¸ca entre o valor exacto e o valor aproximado, isto ´e, ∆x ∗^ = x − x ∗^.

x* x

Δ x*

Figura 1.1: Valor exacto e aproxima¸c˜ao.

No caso de x ∗^ < x, a aproxima¸c˜ao diz-se ser por defeito, verificando-se ent˜ao que ∆x ∗^ > 0. No caso de x ∗^ > x, a aproxima¸c˜ao diz-se ser por excesso, tendo-se ent˜ao que ∆x ∗^ < 0.

Exemplo 1.2.1. E sabido que´ π " 3. 14159265359. Ent˜ao,

3 3. 1 3. 14 3. 141...

s˜ao aproxima¸c˜oes de π por defeito e

4 3. 2 3. 15 3. 142...

s˜ao aproxima¸c˜oes de π por excesso.

O valor absoluto do erro de aproxima¸c˜ao, |∆x ∗^ | = |x − x ∗^ |, ´e designado por erro absoluto.

Note-se que de um modo geral, n˜ao ´e conhecido o erro ∆x ∗^ associado a uma dada aproxima¸c˜ao x ∗^. De facto, se ambos fossem conhecidos, o valor exacto x poder-se-ia calcular por interm´edio da express˜ao x = x ∗^ + ∆x ∗^ , e ent˜ao n˜ao se utilizaria tal aproxima¸c˜ao!

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 4

Para uma dada aproxima¸c˜ao x ∗^ , o erro m´aximo relativo pode ser calculado a partir do erro m´aximo absoluto conhecido e vice-versa, ainda que de uma forma aproximada. Habitualmente, os erros m´aximos quer absolutos quer relativos s˜ao indicados com um n´umero reduzido de casas decimais (raramente mais do que duas).

Exemplo 1.2.4. Seja x ∗^ = 3. 45 com ε = 0. 01. Ent˜ao ε′^ " 03 ..^0145 " 3 × 10 −^3. Seja x ∗^ = − 2. 7 com ε′^ = 0. 07. Ent˜ao ε " 0. 07 × 2. 7 " 0. 19.

A utiliza¸c˜ao abusiva do majorante do erro relativo dado por (^) |xε ∗ (^) | ´e justificada pelo facto de normalmente se ter que ε % |x|, ou, equivalentemente, ε′^ % 1, resultando em que os valores (^) |xε ∗ (^) | e (^) |εx| sejam muito pr´oximos. Isto ser´a tanto mais verdade quando mais pequeno for ε′^.

1.3 Algarismos significativos

Um n´umero real x ´e representado na forma decimal (base 10) pelo seu sinal (+ ou −) e por uma sequˆencia (finita ou n˜ao) de algarismos do conjunto { 0 , 1 , 2 , 3 , 4 , 5 , 6 , 7 , 8 , 9 } posicionada relativamente ao ponto (ou v´ırgula) decimal (.), ou seja,

x = ± dn dn− 1... d 1 d 0 .d− 1 d− 2 d− 3...

A necessidade de representar n´umeros de diferentes grandezas de uma forma compacta con- duziu `a introdu¸c˜ao da designada nota¸c˜ao cient´ıfica, que mais n˜ao ´e do que a introdu¸c˜ao na representa¸c˜ao de um factor multiplicativo correspondente a uma potˆencia inteira da base de representa¸c˜ao, ou seja, de base 10. Assim, teremos

x = ± dn dn− 1... d 1 d 0 .d− 1 d− 2 d− 3... × 10 e

A parte da representa¸c˜ao dn dn− 1... d 1 d 0 .d− 1 d− 2 d− 3 ´e designada por mantissa e o n´umero in- teiro e designa-se por expoente. A localiza¸c˜ao do ponto decimal na mantissa pode ser alterada, bastando para tal modificar o valor do expoente de forma correspondente. Por exemplo, o n´umero 10.23 poder´a ser tamb´em representado por 1. 023 × 10, 0. 1023 × 102 , 102. 3 × 10 −^1 , etc.. Note-se que mesmo a representa¸c˜ao decimal tradicional permite representar certos n´umeros de mais do que uma forma (o n´umero 2 pode tamb´em ser representado por 1. 9999999999.. ., embora esta ´ultima seja infinita!).

Como na pr´atica apenas podemos utilizar representa¸c˜oes finitas e por vezes n˜ao queremos ou n˜ao podemos utilizar mais do que um dado n´umero de algarismos da mantissa surge a quest˜ao de como representar um valor suposto exacto que `a partida n˜ao ser´a represent´avel. Concreta- mente, suponhamos que temos um valor com a mantissa d 1 d 2... dn dn+1 dn+2... (n˜ao interessa

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 5

a localiza¸c˜ao do ponto decimal, visto que pode ser alterada por simples manipula¸c˜ao do expo- ente) e que apenas pretendemos utilizar os n primeiros algarismos. Podemos aqui utilizar dois processos: a truncatura e o arredondamento.

No caso da truncatura, ignoram-se os algarismos da mantissa a partir do ´ındice n + 1, tendo em aten¸c˜ao que os que correspondam a algarismos inteiros devem ser substitu´ıdos por zeros e posteriormente eliminados por altera¸c˜ao de expoente. A representa¸c˜ao assim obtida diferir´a do valor original menos do que uma unidade da ´ultima casa decimal n˜ao eliminada.

Exemplo 1.3.1. Ao truncar os n´umeros 123. 56 e 123. 51 `as d´ecimas, obtemos em ambos os casos 123. 5. Ao truncar o n´umero 7395 para as centenas, obter´ıamos 73 × 102.

No caso do arredondamento, o objectivo ´e escolher o n´umero represent´avel mais pr´oximo do valor original. Para tal, utilizam-se as seguintes regras

  1. se 0.dn+1 dn+2... > 0 .5 soma-se uma unidade a casa decimal n (e alteram-se se necess´ario as casasa esquerda desta), ou seja, arredonda-se para cima;
  2. se 0.dn+1 dn+2... < 0 .5 mant´em-se a casa decimal n, ou seja, arredonda-se para baixo;
  3. se 0.dn+1 dn+2... = 0.5 arredonda-se para cima ou para baixo de forma a que o algarismo da casa decimal n seja par (neste caso ´e tamb´em poss´ıvel utilizar o arredondamento para cima).

Estas regras asseguram que toda a representa¸c˜ao aproximada obtida por arredondamento difere do valor original n˜ao mais do que 5 unidades da primeira casa n˜ao representada.

Exemplo 1.3.2. Arredondar `as d´ecimas os n´umeros: 1. 26 , 1. 24 , 1. 25 e 1. 35. De acordo com as regras acima temos: 1. 3 , 1. 2 , 1. 2 e 1. 4 , respectivamente.

A utiliza¸c˜ao da nota¸c˜ao x = x ∗^ ± ε, atr´as introduzida, para indicar que x ∗^ ´e uma aproxima¸c˜ao de x com um erro m´aximo absoluto ε tende a ser algo extensa e por tal pouco pr´atica. Uma forma de tornar mais simples a representa¸c˜ao de aproxima¸c˜oes ´e considerar majorantes do erro absoluto apenas da forma 0. 5 × 10 n^ e representar apenas a aproxima¸c˜ao at´e a casa decimal 10n^ , ficando impl´ıcito qual o majorante do erro absoluto. Quando se utiliza esta conven¸c˜ao, os algarismos da mantissa de uma representa¸c˜ao, com excep¸c˜ao dos zerosa esquerda, designam-se algarismos significativos. E de notar que esta simplifica¸´ c˜ao da nota¸c˜ao acarreta uma perda de informa¸c˜ao, pois o erro m´aximo absoluto inicial, ε, ser´a sempre substitu´ıdo por um seu majorante da forma

  1. 5 × 10 n^.

A passagem de uma aproxima¸c˜ao da forma x ∗^ ±ε para uma representa¸c˜ao apenas com algarismos significativos ´e normalmente efectuada em dois passos: primeiro majora-se ε por um n´umero da forma 0. 5 × 10 n^ , depois arredonda-se x ∗^ para a casa decimal 10n^.

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 7

Teorema 1.3.1. Uma aproxima¸c˜ao com n algarismos significativos tem um erro relativo apro- ximado inferior ou igual a 5 × 10 −n^.

Demonstra¸c˜ao. Se x ∗^ ´e uma aproxima¸c˜ao com n algarismos significativos, ent˜ao x ∗^ ´e da forma

x ∗^ = ±d 1 d 2 · · · dn × 10 k^ ,

para algum k ∈ Z e com d 1 &= 0. De acordo com a conven¸c˜ao utilizada, esta aproxima¸c˜ao ter´a um erro m´aximo absoluto ε = 0. 5 × 10 k^ (metade da ´ultima casa decimal representada).

O erro m´aximo relativo (aproximado) ε′^ satisfaz

ε′^ = (^) |xε ∗ (^) | = 0.^5 ×^10

k d 1 d 2 · · · dn × 10 k^ =^

d 1 d 2 · · · dn^.

Como d 1 &= 0 tem-se que 10n−^1 ≤ d 1 d 2 · · · dn < 10 n^ , concluindo-se finalmente que

ε′^ ≤ (^100) n.^5 − 1 = 5 × 10 −n^.

1.4 Sistemas de v´ırgula flutuante

A representa¸c˜ao mais comum de n´umeros reais em sistemas computacionais ´e realizada em v´ırgula flutuante. Um sistema de v´ırgula flutuante ´e caracterizado por 4 parˆametros: a base de representa¸c˜ao (β), o n´umero de d´ıgitos da mantissa (n) e os valores m´aximos e m´ınimos do ex- poente (m e M , respectivamente). Tal sistema ´e habitualmente representado por FP(β, n, m, M ). Assim, dizer que x ∈ FP(β, n, m, M ) ´e equivalente a ter

x = ±(0.d 1 d 2... dn ) × β e

onde e ´e um inteiro tal que m ≤ e ≤ M , e di , para i = 1,... , n, s˜ao d´ıgitos na base β. Note-se que habitualmente se tem que m < 0 < M , de forma a tornar poss´ıvel representar n´umeros com valores absolutos menores e maiores do que a unidade.

Habitualmente, os sistemas computacionais utilizam sistemas de v´ırgula flutuante de base 2, de forma a que apenas seja necess´ario utilizar os d´ıgitos “0” e “1”.

Obviamente que um sistema de v´ırgula flutuante apenas permite representar um subconjunto finito de n´umeros reais. Nestes sistemas, o conjunto de expoentes permitidos limita a gama de valores represent´aveis e o n´umero de d´ıgitos da mantissa caracteriza a precis˜ao com que se podem aproximar n´umeros que n˜ao tenham representa¸c˜ao exacta.

Diz-se ainda que um sistema de v´ırgula flutuante se encontra normalizado se apenas permitir representa¸c˜oes de n´umeros cujo primeiro algarismo da mantissa seja diferente de zero, isto ´e, d 1 &= 0, isto para al´em de permitir a representa¸c˜ao do n´umero zero.

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 8

Independentemente de se tratar de um sistema normalizado ou n˜ao, qualquer sistema de v´ırgula flutuante ter´a a si associado o n´umero diferente de zero com menor valor absoluto represent´avel bem como o n´umero com o maior valor absoluto represent´avel.

Quando se utiliza um sistema de v´ırgula flutuante, as opera¸c˜oes aritm´eticas ser˜ao realizadas so- bre n´umeros represent´aveis nesse sistema. Contudo, em muitas situa¸c˜oes o resultado da opera¸c˜ao n˜ao ter´a representa¸c˜ao exacta nesse sistema. Desta forma o valor fornecido pelo sistema com- putacional ser´a um valor aproximado (tipicamente obtido por arredondamento ou truncatura). Os erros resultantes de tais aproxima¸c˜oes ser˜ao analisados na sec¸c˜ao seguinte.

Situa¸c˜oes h´a, todavia, em que o resultado de uma dada opera¸c˜ao se encontra fora da gama de valores represent´aveis, seja porque o seu valor absoluto ´e n˜ao nulo mas inferior ao menor valor absoluto represent´avel, seja porque o seu valor absoluto ´e superior ao maior valor abso- luto represent´avel. A primeira destas situa¸c˜oes ´e designada por underflow e a segunda por overflow. Nestes casos n˜ao ´e aconselh´avel utilizar um n´umero do sistema de v´ırgula flutuante para representar o resultado, pois o erro relativo de tal aproxima¸c˜ao poder´a ser arbitrariamente elevado. Por tal motivo, ´e comum os sistemas computacionais tratarem as situa¸c˜oes de over- flow e underflow como situa¸c˜oes de erro. Refira-se tamb´em que muitos sistemas computacionais n˜ao sinalizam a ocorrˆencia de underflow, limitando-se a fornecer o valor 0 como resultado da opera¸c˜ao em causa.

Exemplo 1.4.1. Consideremos um hipot´etico sistema de v´ırgula flutuante FP(10, 3 , − 10 , 30) normalizado. Sejam ainda os n´umeros

x = 0. 200 × 10 −^8 y = 0. 400 × 10 −^5 z = 0. 600 × 1028

todos com representa¸c˜ao exacta neste sistema.

O resultado da opera¸c˜ao x × y ´e

  1. 8 × 10 −^14.

Este resultado n˜ao ´e represent´avel no sistema considerado por o expoente ser inferior ao menor expoente represent´avel. De facto o menor n´umero positivo represent´avel ´e 0. 1 × 10 −^10. Assim a opera¸c˜ao x × y resulta numa situa¸c˜ao de underflow.

O resultado da opera¸c˜ao z/x ´e

  1. 3 × 1037.

Este valor ´e superior ao maior valor (positivo) represent´avel no sistema considerado, que ´e,

  1. 999 × 1030. Verifica-se assim que a opera¸c˜ao z/x resulta numa situa¸c˜ao de overflow.

Do exposto acima, pode facilmente concluir-se que a implementa¸c˜ao de um sistema de v´ırgula flutuante pode ser bastante complexa, sendo necess´ario definir, para al´em dos parˆametros

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 10

Este exemplo mostra que ao somar n´umeros de magnitudes diferentes poder˜ao ser “perdidos” algarismos menos significativos do n´umero de menor magnitude, sendo o resultado afectado de um erro.

Este problema poder´a ocorrer tamb´em ao somar sequencialmente um elevado n´umero de parcelas de magnitudes semelhantes e com o mesmo sinal: de facto, a magnitude da soma parcial poder´a tornar-se elevada face `a das parcelas, originando erros no processo de soma. Tal efeito pode tornar-se muito nefasto, fazendo com que o resultado final obtido com aritm´etica finita esteja muito longe do verdadeiro valor. Por exemplo, se numa m´aquina com 4 d´ıgitos de mantissa tentarmos somar sequencialmente um milh˜ao de parcelas de valor 1, obtemos como resultado final o valor 10^4 , e n˜ao 10^6! Efectivamente, nessa m´aquina hipot´etica, a soma de 10^4 com 1 resulta em 10^4. Este problema poder´a ser evitado quer utilizando m´aquinas com precis˜ao (leia- se n´umero de d´ıgitos da mantissa) suficiente, ou ent˜ao, organizando os c´alculos de uma forma alternativa, por exemplo, somando as parcelas duas a duas, e depois tais somas novamente duas as duas, etc.

Outro caso que ´e necess´ario ter em aten¸c˜ao ´e a subtrac¸c˜ao de dois n´umeros quase iguais. Aqui, o resultado poder´a ter um erro m´aximo absoluto da sua ordem de grandeza, originando um erro relativo elevado. Este fen´omeno de perda de algarismos significativos ´e designado por cancelamento subtractivo.

Exemplo 1.5.2. Efectuar a subtrac¸c˜ao 2. 034 − 2. 016 utilizando 3 d´ıgitos em v´ırgula flutuante.

Resolu¸c˜ao Em primeiro lugar ´e necess´ario representar os n´umeros em quest˜ao apenas com 3 d´ıgitos. Ar- redondando os dois n´umeros dados para 3 algarismos obt´em-se 2. 03 e 2. 02 , respectivamente. O resultado aproximado da subtrac¸c˜ao, utilizando os n´umeros arredondados ´e x ∗^ = 0. 01.

O valor exacto da subtrac¸c˜ao ´e 0. 018 , pelo que o erro absoluto de x ∗^ ´e 0. 008 e o seu erro relativo ´e 44%, aproximadamente.

O cancelamento subtractivo pode levar a resultados com elevados erros relativos que s˜ao sempre indesej´aveis. No entanto, ´e por vezes poss´ıvel dispor os c´alculos de forma a evitar tal cancela- mento.

Exemplo 1.5.3. Seja x ( 1 e y =

x + 1 − √x. O c´alculo de y pela express˜ao dada pode originar um erro relativo elevado devido ao cancelamento subtractivo. Contudo, a express˜ao equivalente y = √x + 1 +^1 √x

permite calcular y, evitando tal fen´omeno.

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 11

1.6 Propaga¸c˜ao de erros no c´alculo de fun¸c˜oes

Nesta sec¸c˜ao iremos analisar como se propagam os erros de aproxima¸c˜ao no c´alculo de fun¸c˜oes. Abordaremos primeiro o caso de uma fun¸c˜ao real de vari´avel real e posteriormente o caso de uma fun¸c˜ao real de vari´avel vectorial.

Seja ent˜ao f : R → R. A situa¸c˜ao que iremos tratar pode descrever-se do seguinte modo: conhecendo uma aproxima¸c˜ao x ∗^ de x, que valor y ∗^ considerar para aproximar y = f (x) e como relacionar os erros de aproxima¸c˜ao de x ∗^ e de y ∗^?

No caso de a fun¸c˜ao f ser cont´ınua verifica-se que `a medida que x ∗^ se aproxima de x mais o valor f (x ∗^ ) se aproxima de f (x). Nesta situa¸c˜ao, que ´e a mais usual, pode utilizar-se o valor y ∗^ = f (x ∗^ ) como aproxima¸c˜ao de y = f (x).

x x*

y*

y

f

Figura 1.2: f (x ∗^ ) aproxima¸c˜ao de f (x).

Para al´em da determina¸c˜ao do valor aproximado de y ∗^ = f (x ∗^ ), interessa tamb´em caracterizar o erro cometido nesta aproxima¸c˜ao, ou melhor, relacionar este erro com o erro de aproxima¸c˜ao de x por x ∗^. E claro que o erro´ ∆y ∗^ = y − y ∗^ depender´a do erro ∆x ∗^ = x − x ∗^ e tamb´em da fun¸c˜ao f em quest˜ao. De facto, o erro de aproxima¸c˜ao ∆y ∗^ ´e obtido pela express˜ao

∆y ∗^ = y − y ∗^ = f (x) − f (x ∗^ ) = f (x ∗^ + ∆x ∗^ ) − f (x ∗^ ).

Se a fun¸c˜ao f for continuamente diferenci´avel, a aplica¸c˜ao do teorema do valor m´edio permite escrever f (x ∗^ + ∆x ∗^ ) − f (x ∗^ ) = f ′^ (¯x) · ∆x ∗

para algum ¯x entre x ∗^ e x ∗^ + ∆x ∗^. Obt´em-se ent˜ao que

∆y ∗^ = f ′^ (¯x) · ∆x ∗^ ,

ou ainda, |∆y ∗^ | = |f ′^ (¯x)| · |∆x ∗^ |. (1.6.1)

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 13

Dados x ∈ R e uma fun¸c˜ao f , o n´umero de condi¸c˜ao de f em x ´e definido como sendo ∣∣ ∣∣^ xf^ ′^ (x) f (x)

Este valor pode ser utilizado para avaliar a perda ou o ganho de algarismos significativos no c´alculo de uma fun¸c˜ao, uma vez que caracteriza a amplia¸c˜ao ou redu¸c˜ao do erro relativo. Quando o n´umero de condi¸c˜ao for reduzido a fun¸c˜ao diz-se bem condicionada. Quando o n´umero de condi¸c˜ao for elevado a fun¸c˜ao diz-se mal condicionada e o erro relativo ´e amplificado.

Exemplo 1.6.2. Quantos d´ıgitos significativos se podem perder no c´alculo da fun¸c˜ao y = tan(x) quando x est´a pr´oximo de 1? E quando x est´a pr´oximo de 1. 5?

Resolu¸c˜ao Como dy dx = 1 + tan 2 (x) tem-se que

∣∣ ∣∣^ dy dx ·^

x y

∣ (^) x=1^ =

∣∣^ (1 + tan^

(^2) (x)) · x tan(x)

∣ x=1^ =

1 + tan 2 (1) tan(1) ≈^2.^2 >^1

podendo perder-se um d´ıgito significativo.

Repetindo os c´alculos para x = 1. 5 , obter-se-ia

∣ dy dx ·^ x y

∣ ≈^21 , concluindo-se que em tal caso se poderiam perder at´e 2 d´ıgitos significativos.

Passemos agora a analisar o caso em que y depende de diversas vari´aveis, isto ´e, quando y = f (x 1 , x 2 ,... , x (^) n ), onde f ´e uma fun¸c˜ao de R em R n^ , que se considera continuamente diferenci´avel.

Para cada i = 1,... , n, seja x ∗ i , um valor aproximado de x (^) i , com erro m´aximo absoluto εx (^) i. Nestas condi¸c˜oes verifica-se que y ∗^ = f (x ∗ 1 , x ∗ 2 ,... , x ∗ n )

ser´a um valor aproximado de y = f (x 1 , x 2 ,... , x (^) n ) com erro m´aximo absoluto

εy =

∑^ n i=

∣∣^ ∂f ∂x (^) i

max

· εx (^) i

onde cada um dos m´aximos das derivadas parciais de f em rela¸c˜ao `as diversas vari´aveis inde- pendentes ´e determinado em

∏ (^) n i=1 [x^ i^ −^ εx^ i^ , x^ i^ +^ εx^ i^ ]. E tamb´´ em poss´ıvel obter o erro relativo m´aximo para y ∗^ dado por

ε′ y =

∑^ n i=

∣∣^ ∂f ∂x (^) i^ ·^

x (^) i f

max

· ε′ x (^) i

Nesta express˜ao, considera-se que ε′ x (^) i ´e um majorante do erro relativo de x ∗ i , para i = 1,... , n. As maximiza¸c˜oes s˜ao ainda realizadas no conjunto indicado acima, tomando-se agora εx (^) i = ε′ x (^) i |x (^) i |.

Cap´ıtulo 1. Fundamentos 14

Exemplo 1.6.3. O erro m´aximo absoluto no c´alculo de s = a + b pode ser obtido a partir dos erros m´aximos absolutos em a e b da seguinte forma

εs =

∣∣^ ∂s ∂a

max

· εa +

∣∣^ ∂s ∂b

max

· εb = εa + εb.

Exemplo 1.6.4. O erro m´aximo relativo no c´alculo de w = xyz, pode ser obtido a partir dos erros m´aximos relativos em x, y e z da seguinte forma

ε′ w =

∣∣^ ∂w ∂x ·^

x w

max

· ε′ x +

∣∣^ ∂w ∂y ·^

y w

max

· ε′ y +

∣∣^ ∂w ∂z ·^

z w

max

· ε′ z

=

∣∣yz · x xyz

max

· ε′ x +

∣∣xz · y xyz

max

· ε′ y +

∣∣xy · z xyz

max

· ε′ z

= ε′ x + ε′ y + ε′ z.

A terminar esta exposi¸c˜ao ´e conveniente salientar a importˆancia de nas express˜oes de propaga¸c˜ao de erros absolutos e relativos se considerar o valor m´aximo poss´ıvel para o factor de amplifica¸c˜ao (ou redu¸c˜ao do erro). Efectivamente, s´o esta maximiza¸c˜ao garante que se conseguem obter majorantes para os erros nas vari´aveis dependentes a partir dos erros nas vari´aveis independentes. Contudo, em an´alises mais simplificadas da propaga¸c˜ao de erros apenas se considera o valor de tal factor num ponto (normalmente o valor aproximado da vari´avel independente). Este tipo de an´alise ´e por vezes suficiente pois nem sempre interessa conhecer um majorante do erro, mas apenas a sua ordem de grandeza.

1.7 C´alculo de s´eries e erro de truncatura

Por vezes a determina¸c˜ao de um certo valor envolve a realiza¸c˜ao de uma sucess˜ao infinita de opera¸c˜oes. O erro cometido quando se toma uma aproxima¸c˜ao resultante da realiza¸c˜ao de um n´umero finito de opera¸c˜oes designa-se erro de truncatura.

Um dos casos em que se surge o erro de truncatura ´e no caso da aproxima¸c˜ao da soma S de uma s´erie convergente ∑^ ∞ i=0 a (^) i pela soma parcial S (^) n = ∑^ ni=0 ai. Neste caso, o erro de truncatura ser´a R (^) n = S − S (^) n.

No caso geral n˜ao ´e simples determinar o n´umero de termos a somar para calcular o valor da s´erie com um dado erro m´aximo pretendido. H´a contudo um tipo de s´eries, as s´eries alternadas, em que esta tarefa ´e bastante simples, como refere o teorema seguinte.

Teorema 1.7.1. Considere-se a sucess˜ao {an }∞ n=0 decrescente e de termos n˜ao negativos, ou seja, a 0 ≥ a 1 ≥... ≥ a (^) n ≥... ≥ 0. Est˜ao a s´erie ∑^ ∞ i=0 (−1)i^ ai ´e convergente para um n´umero S. Verifica-se ainda que a soma parcial S (^) n = ∑^ ni=0 (−1)i^ ai verifica a rela¸c˜ao

|S − S (^) n | ≤ a (^) n+1 ,