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Minera o e meio ambiente, Notas de estudo de Engenharia de Minas

apostila sobre mineraão e meio ambiente.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 10/03/2007

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rafaela-santos-5 🇧🇷

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ÍNDICE
1.Mineração e Meio ambiente - Conceitos Gerais
2.A importância dos recursos minerais para a humanidade
3.Elementos da Mineração
4.Fases da Mineração
5.Classificação dos Métodos de Lavra
5.1.Lavra Subterrânea
5.2.Lavra a Céu Aberto
6.Beneficiamento de Minério
7.Resíduos Sólidos
8.Impactos ambientais causados pela mineração e formas de controle
8.1.Conceitos Gerais
8.2.Poluição ambiental
8.3.Impacto visual e formas de controle
8.4.Impacto pela poluição do ar e formas de controle
8.5.Impacto pela poluição das águas e formas de controle
8.6.Impacto relativo aos solos e formas de controle
8.7.Impactos relativos a ruído e formas de controle
8.8. Impactos causados pelos resíduos de mineração e formas de controle
9.Recuperação de Áreas Degradadas – Conceitos Gerais
9.1.Objetivos da Recuperação
9.2.Princípios da Recuperação
9.3.Objetos da Recuperação
9.3.1.Áreas Lavradas
9.3.2.Áreas de Disposição de Resíduos Sólidos e Líquidos
9.3.3.Áreas de Infra-estrutura
10.Medidas de Recuperação Ambiental de Áreas Degradadas
10.1.Medidas aplicadas às áreas lavradas
10.2.Medidas aplicadas às áreas de disposição de resíduos
10.3. Medidas aplicadas às áreas de infra-estrutura
10.4. Medidas aplicadas a obras civis
11.Planejamento da recuperação de áreas degradadas
11.1 Técnicas de recuperação de áreas degradadas
11.1.1 Erosão e drenagens superficiais
11.1.2. Manejo do solo
11.1.3.Reconformação das áreas degradadas
11.1.4.Revegetação
11.1.5.Monitoramento
12.Referências Bibliográficas
1 MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE - Conceitos gerais
Minerar é arte de extrair economicamente bens minerais da crosta terrestre, utilizando técnicas
adequadas a cada situação. Estas técnicas visam minimizar os impactos ambientais ao meio ambiente,
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ÍNDICE

1.Mineração e Meio ambiente - Conceitos Gerais 2.A importância dos recursos minerais para a humanidade 3.Elementos da Mineração 4.Fases da Mineração 5.Classificação dos Métodos de Lavra 5.1.Lavra Subterrânea 5.2.Lavra a Céu Aberto 6.Beneficiamento de Minério 7.Resíduos Sólidos 8.Impactos ambientais causados pela mineração e formas de controle 8.1.Conceitos Gerais 8.2.Poluição ambiental 8.3.Impacto visual e formas de controle 8.4.Impacto pela poluição do ar e formas de controle 8.5.Impacto pela poluição das águas e formas de controle 8.6.Impacto relativo aos solos e formas de controle 8.7.Impactos relativos a ruído e formas de controle 8.8. Impactos causados pelos resíduos de mineração e formas de controle 9.Recuperação de Áreas Degradadas – Conceitos Gerais 9.1.Objetivos da Recuperação 9.2.Princípios da Recuperação 9.3.Objetos da Recuperação 9.3.1.Áreas Lavradas 9.3.2.Áreas de Disposição de Resíduos Sólidos e Líquidos 9.3.3.Áreas de Infra-estrutura 10.Medidas de Recuperação Ambiental de Áreas Degradadas 10.1.Medidas aplicadas às áreas lavradas 10.2.Medidas aplicadas às áreas de disposição de resíduos 10.3. Medidas aplicadas às áreas de infra-estrutura 10.4. Medidas aplicadas a obras civis 11.Planejamento da recuperação de áreas degradadas 11.1 Técnicas de recuperação de áreas degradadas 11.1.1 Erosão e drenagens superficiais 11.1.2. Manejo do solo 11.1.3.Reconformação das áreas degradadas 11.1.4.Revegetação 11.1.5.Monitoramento 12.Referências Bibliográficas

1 MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE - Conceitos gerais

Minerar é arte de extrair economicamente bens minerais da crosta terrestre, utilizando técnicas adequadas a cada situação. Estas técnicas visam minimizar os impactos ambientais ao meio ambiente,

dentro dos princípios da conservação mineral, e têm como compromisso a recuperação das áreas mineradas durante a extração e após a desativação, dando a estas áreas um outro uso apropriado.

Extrair economicamente significa que todos os bens minerais implicam na existência de procedimentos e aproveitamento com lucro das riquezas minerais existentes na natureza. A utilização de técnicas adequadas ao meio ambiente implica na manutenção da qualidade ambiental do local e em menos dispêndio de recursos a serem gastos na recuperação das áreas mineradas no futuro.

A conservação mineral caracteriza-se pela ativa descoberta e conseqüente aumento das reservas disponíveis; pela completa extração, evitando-se desperdício na lavra e no beneficiamento; e pela adequada utilização de materiais, não se lançando mão dos nobres quando as necessidades puderem ser atendidas com a utilização de outros, de menor qualidade.

A recuperação de áreas degradadas pela mineração já é uma realidade e faz parte de um compromisso assumido pela empresa desde o início da exploração mineral. Esta recuperação pode ser efetuada durante a lavra, quando da exaustão de algumas frentes e após a desativação da mina. Para que isso ocorra e a área recuperada tenha um uso apropriado, é necessário um planejamento desde o início das atividades mineiras e que este planejamento seja revisto periodicamente ao longo da vida útil da mina.

Os tipos de mineração e as características do depósito mineral, em particular, afetam a paisagem. A lavra subterrânea causa, usualmente, pequenos danos à superfície e a reabilitação de áreas como barragens de rejeitos, remoção das construções e equipamentos fazem da área mais segura. A lavra a céu aberto resulta da destruição da vegetação existente e no perfil do solo. Remoção do capeamento e rocha estéril colocada em pilhas ou cava extinta, podem significar mudanças na topografia e estabilidade da paisagem. Alguns materiais do capeamento podem liberar sais ou conter material sulfídrico os quais podem gerar drenagem ácida de mina. Estes materiais podem e devem ser selecionados e dispostos de maneira que não causem problema ou podem requerer tratamentos especiais e reabilitação. Um exemplo da necessidade de tratamentos especiais é a utilização do cianeto na extração do ouro através da lixiviação em pilhas.

Com todas estas atividades, o meio ambiente sofrerá as conseqüências com a provocação de impactos visuais, no ar, qualidade da água, no solo, etc. Estes impactos, na sua maioria, destroem o meio ambiente, gerando áreas degradadas e passivos ambientais, nada que não possa ser recuperado total ou parcialmente.

2.A IMPORTÂNCIA DOS RECURSOS MINERAIS PARA A HUMANIDADE

Assim como a agricultura, a mineração é uma das primeiras indústrias básicas da civilização, sendo a agricultura, a primeira, e a mineração, a Segunda atividade da espécie humana.

A importância da mineração para a humanidade remonta de milhares de anos atrás, quando os recursos minerais eram utilizados para a confecção de ferramentas para a caça e pesca, com a finalidade de se alimentar, e armas para a guerra; ornamentos e decoração através de pedras preciosas; moeda (ouro, prata e bronze) para a compra de alimentos e utensílios; energia (carvão mineral e petróleo) para a iluminação e combustível para automóveis e geração de energia elétrica; e mais recentemente, energia nuclear gerada por minerais radioativos para a geração de energia e armas nucleares.

Um bom exemplo da importância dos recursos minerais do nosso cotidiano é uma casa, onde todos os utensílios que a compõem provêm dos recursos minerais. Figura

Figura 1 Exemplo da importância da mineração para sociedade (Fonte: UNESP, 1999)

  1. Lavra – é a fase de verdadeiro aproveitamento econômico e industrial da jazida, isto é, são conjuntos de trabalhos de desmonte, extração e beneficiamento mineral, visando as operações à manutenção e segurança destes serviços;
  2. Recuperação Ambiental – é a fase de verdadeiros trabalhos de preparação para a devolução das terras degradadas pela mineração à comunidade ou ao governo ou a particulares.

Com estas fases fecha-se o ciclo da mineração com responsabilidade ambiental, passando a mineração a ser encarada como uma atividade meio e não como atividade fim como era no passado.

5. CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE LAVRA

5.1. Lavra a subterrânea

A lavra é executada no subsolo. É aplicada a depósitos mais profundos. É conduzida pelos princípios de desmonte (desagregação) e escavação.

Para garantir a extração dos minerais, pelos métodos de lavra subterrânea, é necessário seguir os princípios a seguir:

  • Alargamentos mantidos abertos por escoramentos mecânicos ou da própria rocha (manutenção da escavação);
  • Enchimento com estéril das escavações executadas, depois de mineradas (retirada do minério);
  • Abatimento controlado das escavações quando da extração do minério.

Alargamentos Abertos

Alargamentos Enchidos

Alargamentos Abatidos Métodos • Salões e Pilares

  • Subnível
  • *Recalque
    • *Recalque
    • Corte Enchimento
      • Abatimento em Bloco
      • Abatimento por Subnível Aplicações Minério e rochas encaixantes fortes

Minério e rochas encaixantes frágeis

Utilizado em ambos os casos Lavra Frontal ou ascendente

Ascendente ou descendente

Ascendente

Impactos Ambientais

Pouco impacto cuidado com a resistência dos pilares.

Muito pouco impacto, o estéril ou rejeito é colocado no subsolo para servir de suporte.

Causa subsidência (abatimento da superfície) depende da profundidade

  • A classificação deste método depende de autores. Quadro 1 Resumo dos métodos de lavra subterrânea, aplicações e impactos ambientais.

Fatores que determinam a escolha do método de lavra

  • Forma do corpo, comprimento, largura e espessura do corpo de minério determinam a dimensão máxima da abertura do alargamento;
  • Mergulho do depósito – determina o uso da gravidade nas operações;
  • Profundidade da operação – em grandes profundidades, os fraturamentos e as fraturas são mais pronunciados ficando as aberturas muitas vezes frágeis, sendo necessário, às vezes, recorrer a outros princípios;
  • Fator Tempo – a razão tensão X deformação em rochas expostas modificam-se com o tempo, com a alteração e oxidação das rochas, tornando-as menos resistentes;
  • Teor dos depósitos – depósitos de baixo teor requerem, por razões econômicas, métodos de produção não seletivos que freqüentemente limitam a porcentagem de recuperação possível. Minérios de alto teor justificam métodos que determinam maior recuperação e menor seleção;
  • Tensões e características físicas do minério, das rochas encaixantes e do capeamento, isto é, poderão influenciar na competência, subsidência, facilidade de perfuração, características de fragmentação, meios adequados de remoção do desmontado, necessidade de ventilação e bombeamento.
  1. Lavra a céu aberto

Ë toda extração que se desenvolve ao ar livre. É dirigida a depósitos superficiais. É conduzida pelos princípios de desagregação, escavação, dissolução, captação, etc.

Os principais métodos utilizados neste tipo de lavra são: em tiras horizontais, (decapeamento) e lavra por bancos em encostas (em morros) e lavra em cava (buracos no solo).

As principais etapas para se executar a lavra a céu aberto são:

  • Desmatamento – retirado de espécies vegetais de pequeno porte para posterior armazenamento;
  • Destocamento – retirado de árvores de grande porte para diversas utilizações. Ex. móveis construção de casas, replantio, celulose, etc.
  • Decapeamento – retirada da camada fértil de solo rica em húmus para armazenamento posterior junto com as etapas anteriores, para reutilização futura na recomposição do sítio minerado;
  • Extração do mineral por meio dos métodos citados anteriormente; diversas
  • Recuperação Ambiental da área minerada de acordo com um plano pré-determinado.

Métodos Lavra em tiras horizontais

Lavra em cava Lavra em encostas

Aplicações Corpo mineral horizontal ou pouco inclinado

Corpo mineral com grandes inclinações em superfície plana

Corpo mineral com grandes inclinações em morros Lavra Frontal com pequenas profundidades

Bancadas descendentes atingindo grandes profundidades

Bancadas ascendentes

Impactos Ambientais

Paisagem/relevo, solo, ar, água, fauna, flora, etc.

Paisagem/relevo, solo, ar, água, fauna, flora, etc.

Paisagem/relevo, solo, ar, água, fauna, flora, etc.

Quadro 2 Resumo dos métodos de lavra a céu aberto, aplicações e impactos ambientais.

Fatores que determinam a escolha do método de lavra:

Concentrar os úteis para serem aproveitáveis em processos metalúrgicos;

O Tratamento de Minérios visa constantemente aumentar o valor do bem mineral, mas o custo do processo deve ser compatível com o preço de mercado.

Algumas definições importantes sobre o beneficiamento mineral:

Minério bruto: minério que vem diretamente da mina - ROM: “run of mine”

Mineral útil: num minério é o objeto de interesse econômico. Um minério pode ter um ou mais minerais úteis.

Engenho de beneficiamento ou de concentração: Instalação onde se processa a concentração do mineral útil, geralmente constituída das seguintes seções básicas:

  • Cominuição : britagem e moagem F 0E 0 liberação do mineral útil
  • Classificação : calibragem preparatória que garanta pelo menos 90% do mineral útil esteja liberada.
  • Concentração : flotação, mesas, etc. F 0E 0 separação do mineral útil.

Partículas livres - constituídas de uma só espécie mineral.

Partículas mistas (cativas) - quando formada de mais de uma espécie mineral.

7.RESÍDUOS SÓLIDOS EM MINERAÇÃO

Em geral, na mineração, os principais resíduos sólidos são gerados pela lavra (subterrânea ou céu aberto), Estéril de mina e pelo beneficiamento de minérios, Rejeitos de beneficiamento e são definidos como:

Estéril de Mina

Corresponde ao material desmontado e removido durante a lavra, contendo rochas encaixantes e minério de baixo teor, não apresentando valor econômico associado. Quando possível, o material deve ser disposto na própria cava, em local onde a reserva explorável já se tenha esgotado. Caso não seja possível, o material pode ser disposto em vales ou planícies próximos, observando sempre os critérios geotécnicos de estabilidade e estudando o impacto ambiental que irá provocar.

Metodologia de Construção

Uma das informações mais importantes para caracterizar a disposição de estéril é o seu caráter temporal, isto é, se ela é provisória ou permanente. Caso a disposição seja considerada temporária, implica em que outros destinos finais serão dados ao estéril de mina, como o retorna à própria cava de origem para o seu preenchimento, servindo para recompor aspectos topográficos ou paisagísticos. Caso não sejam temporários termos que conviver com alguns problemas tais como: estabilidade dos depósitos de estéril, drenagem, revegetação e uso futuro do mesmo.

O estudo preliminar engloba:

  • Estudos de localização da mina e o seu tamanho através do tempo - nesta fase se definem os pontos de descarga do material, a rapidez do avanço da lavra e o volume final que as áreas de disposição deve conter.
  • Topografia – O relevo do terreno é que definirá o tipo ou forma de depósitos de estéril. Figura 3

Figura 3 Principais tipos de disposição de estéril de mina

  • (^) Volume de rocha estéril e suas fontes – conhecimento prévio do fator de empolamento (aumento do volume do material rochoso depois de desmontado em relação ao volume de material “in situ”) e o ângulo de repouso do material para rochas secas e blocos soltos altura ente 26 a 30^0 ;
  • Existência de vias de drenagem – necessária à previsão e desvio desta vias para evitar a instabilidade do depósito;
  • Condição da fundação – fazer teste na fundação para evitar recalque no terreno.

Remoção da cobertura vegetal do local que será disposto o estéril, principalmente árvores de grande porte.

Desmonte e armazenamento da camada de solo fértil para posterior aproveitamento, evitando assim, a utilização de áreas de empréstimo para a revegetação do depósito de estéril. Drenagem da fundação, através de desvio de cursos d’água ou vias preferenciais de escoamento superficial.

Disposição controlada do estéril no local determinado pelas condições anteriores. Controle da erosão e drenagens superficiais dos depósitos por meio de canaletas de drenagens superficiais.

Preparo da superfície para a revegetação; revegetação; monitoramento da revegetação e da estabilidade do depósito e uso futuro do depósito de estéril.

Rejeitos do Beneficiamento

Dentro da atividade da mineração, rejeito é todo o resíduo sólido oriundo das operações de tratamento dos minerais. A grande maioria dos processos de beneficiamento é por via úmida resultando em rejeitos em forma de polpa, constituindo-se por tanto, numa fração sólida e outra aquosa.

A disposição de rejeitos provenientes do processo de beneficiamento pode ser realizada em cavidades subterrâneas, em meio subaquáticos (condenado por razões óbvias de impactos negativos aos ecossistemas aquáticos) ou na superfície, onde precisamos construir reservatórios contidos por aterros. Este sistema é sem dúvida o mais usado.

As características mineralógicas, geotécnicas e físico-químicas dos rejeitos são determinadas segundo o tipo de processamento pelo qual o minério foi beneficiado. São estas características associadas à topografia regional, que irão determinar quais as melhores formas de armazenamento, ou seja, que tipo de reservatório será o mais conveniente para aquela polpa. Figura 4.

Figura 4 Tipos e forma de reservatórios para rejeito.

As estruturas para contenção dos resíduos em superfície podem ser divididas em dois grupos:

Barragens ou diques tipo convencional: são construídas de acordo com as técnicas consagradas de barragens utilizando materiais provenientes de áreas de empréstimo. Estas estruturas são uma boa alternativa quando temos grandes volumes de água ou efluentes industriais não recirculáveis estocados

  • A saúde, segurança e o bem estar da população;
  • As atividades sociais e econômicas;
  • As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
  • A qualidade dos recursos ambientais.

8.1 Conceitos

Com todas estas atividades o meio ambiente sofrerá as conseqüências com a provocação de impactos, visuais, no ar, qualidade da água, no solo, etc. Estes impactos, na sua maioria, degradam o meio ambiente gerando áreas degradadas a passivos ambientais, nada que não possa se passível de recuperação e reabilitação total ou parcial. Degradação Ambiental é quando a vegetação nativa, a fauna e a camada fértil do solo são destruídas, removidas ou expulsas e a qualidade dos rios, lagos, etc. são alterados.

Recuperação Ambiental (reclamation) é a estabilização de áreas degradadas para posterior utilização de acordo com um plano pré-estabelecido.

Reabilitação Ambiental (rehabilitation) é a atribuição à área degradada de um novo uso (um estágio biológico apropriado), tais como: preservações ambientais, habitacionais, industriais e comerciais, recreação, lazer, piscicultura, reflorestamento pastagem, etc.

Passivo Ambiental é a descrição do acúmulo de danos ambientais que deve ser reparado afim de que seja mantida a qualidade ambiental de um determinado local. Esta noção de passivo ambiental foi tomada emprestada das ciências contábeis e representa, num primeiro momento, um valor monetário necessário para reparar os danos ambientais. Desta forma pode-se incluir valores monetários (custos) estimados na reparação de danos causados ao meio ambiente pelo empreendimento mineiro. Representa uma “dívida” para com a geração futura.

8.2 Poluição Ambiental

É aquela que resulta de atividades que, direta ou indiretamente, prejudicam a saúde, a segurança e o bem estar da população, criando condições adversas ás atividades sociais econômicas por atividades causadoras de degradação ambiental. Poluidor é toda pessoa ou empresa, pública ou privada, responsáveis por atividades causadoras da degradação ambiental. A poluição ocorre, sobre a biosfera, através de atividades humanas de duas maneiras:

  • Liberação de resíduos tóxicos que ataquem os tecidos dos seres vivos, por absoluta falta de um melhor destino para os materiais poluentes. Ex. lixo radioativo, metais pesados, etc.
  • Pelo próprio homem através da superpopulação onde se acumulam resíduos metabólicos (gás carbônico, esgotos, etc.). Ex. grandes cidades sem infra-estrutura de saneamento, etc..

8.3 Impactos Visuais e formas de controle

São alterações paisagísticas causadas pela implantação de uma mineração em uma área onde se explora uma jazida mineral. Ex.

  • Remoção da cobertura vegetal, do capeamento e da abertura de frentes de lavra a céu aberto;
  • (^) Implantação de infra-estrutura (alojamento, oficinas, escritório, etc.);
  • Disposição de resíduos sólidos e aquosos.

O controle do impacto visual pode ser feito através de:

  • Cortinas arbóreas que confinam a região explorada, protegendo o meio ambiente dos poluentes relativos a poeira e ruídos, melhorando a paisagem visual;
  • Bancadas que quando recobertas com vegetação diminuem a agressividade da área que está sendo minerada;
  • Preparo da superfície do solo para receber a vegetação;
  • Paisagismo que tenta restabelecer a paisagem típica da região como era antes ou dar outro uso à terra.

8.4 Impactos pela poluição do ar e formas de controle

Este é definido pala presença ou lançamento na atmosfera de substâncias em concentração suficiente para intervir direta ou indiretamente na saúde, na segurança e no bem estar humano. Ex. Fontes fixas de poluição do ar:

  • Chaminés de fábricas;
  • Britagem e moagem de minérios.

Fontes móveis:

  • Movimento dos caminhões na mina

As formas de controle da poluição do ar:

  • Aspersão de água nos britadores, frentes de lavra, estradas de circulação de veículos, etc.
  • (^) Revegetação;
  • Controle de detonação.

8.5 Impacto pela poluição da águas e formas de controle

É a parte do ambienta mais afetada pela mineração. Isto acontece através do carreamento de solo para os rio, lagos, etc. e quando o tratamento de minério requer a utilização de metais pesados ou compostos orgânicos (mercúrio, alcális, etc.). As principais fontes de poluição das águas são:

  • Oficinas de equipamento (tratores, caminhões, etc.) pela liberação de óleos ou detergentes;
  • Tratamentos inadequados do ouro com mercúrio e cianetos;
  • Nitratos provenientes de explosivos não detonados;
  • Sólidos em suspensão na água que diminui a sua claridade e reduz a transmissão de luz e quantidade de oxigênio dissolvido na mesma.

O controle da poluição nos cursos d’água pode ser efetivado com drenagens convenientes (desvio da água das frentes de lavra), o controle da erosão (compactação do solo), o replantio de vegetação e e umedecimento da vegetação, além da recirculação da água utilizada no tratamento mineral.

vegetação e equipamentos

  • Assoreamento e erosão causados pela água que percola por entre a pilha de estéril ou que escorre externamente por ele

são levados pelo vento, prejudicando assim pessoa, vegetação e equipamentos

Acidentais • Enchentes causadas pelos depósitos de estéreis, quando estes estão funcionando com barragens no leito dos rios

  • Escorregamentos totais ou parciais de pilhas de estéril causados por mal dimensionamento da inclinação dos taludes, percolação de água e fundação. - Enchentes com ruptura de barragens através de percolação de água e vertedouro mal dimensionado.

A metodologia de construção e recuperação ambiental de pilhas de estéril pode ser melhor visualizada no fluxograma da Figura 9

Figura 09 Fluxograma de construção e recuperação ambiental de pilhas de estéril

  • Permitir, no local, um uso produtivo similar ao original ou uma alternativa aceitável.

O CANADÁ ( op. Cit. ), acrescenta ainda que, para satisfazer as condições anteriores é necessário que o local esteja em adequadas condições de estabilidade física (todas as estruturas da mina) e química (água superficiais e subterrâneas) protegidas contra os impactos ambientais adversos resultantes da lavra e beneficiamento, e, por último, um uso futuro da área aceitável, após a desativação da mina.

Inegavelmente, os objetivos do governo canadense são muito gerais e correspondem exatamente, ao que todos nós queremos chegar, só que para isto, é necessário que se minimizem os impactos causados pela mineração, desde o início das suas atividades e durante a sua vida útil para que se proteja e preserve o sítio da mineração, mantendo a sua estabilidade física e química. Um avanço nesta proposta é a preocupação com a desativação da mina. É nesta etapa que se pode escolher qual o tipo de recuperação que devemos adotar com base nas diversas categorias relacionadas pela EPA australiana.

É claro que estes objetivos serão executados com a participação da empresa, da comunidade envolvida e do órgão ambiental responsável. Sem a participação destes interessados não será possível alcançar os objetivos de recuperação desejados.

A recuperação e reabilitação de áreas mineradas têm como objetivo primordial:

  1. Proteção da saúde e segurança da comunidade;
  2. Minimizar ou eliminar o dano ambiental; e,
  3. Permitir, no local, um uso produtivo similar ao original ou uma alternativa aceitável.

Estes objetivos só podem ser aceitos se o local apresentar condições aceitáveis de:

Estabilidade Física – estruturas tais como: pilares e aberturas subterrâneas, cavas, barragens de rejeitos e vertedouros que devem ser estabilizados para evitar qualquer dano à comunidade local.

Estabilidade Química – águas superficiais e subterrâneas devem ser protegidas contra impactos ambientais adversos resultantes das atividades de lavra e beneficiamento.

Uso futuro da área – quando do fechamento da mina a reabilitação e recuperação dos sítios minerados devem ser compatíveis com o uso futuro das áreas vizinhas.

  • Restauração da área lavrada semelhante à área antes da lavra com a restauração do escossistema nativo;
  • Restauração da área lavrada com o retorno da vegetação nativa, restaurando as atividades anteriores à lavra, tais como: agricultura ou florestas nativas;
  • Desenvolvimento da área para usos significativos, mas diferentes do existente antes da mineração. Criação de uma nova forma de benefícios para a comunidade local. Ex.: áreas de lazer, habitação, florestas temáticas, agricultura, etc.;

Estes trabalhos geralmente compreendem os estágios de reconformação do solo e reconstrução de uma superfície estável; e a revegetação ou desenvolvimento do uso alternativo ao solo reconformado e construído.

9.2 - Princípios da recuperação de áreas degradadas

A mineração, independente do tipo ou característica do depósito mineral, pode causar distúrbios na

paisagem. A lavra subterrânea torna a área pouco impactada superficialmente, ao contrário da lavra a céu aberto que, pela maior movimentação de materiais, impacta de maneira acentuada a superfície com significativas mudanças na topografia e estabilidade da paisagem, além da remoção e disposição de rocha estéril com as aberturas de cavas.

Diante destes distúrbios causados pela mineração, a AUATRÁLIA (1995), selecionou alguns princípios básicos que podem ser seguidos.São eles:

  1. Preparar a recuperação por meio de planos no início da mineração; é necessário um plano prévio e dinâmico o suficiente, para ser aperfeiçoado ou modificado durante a vida da mina;
  2. Sempre que possível, minimizar as áreas que devem ser desmatadas, quanto menos áreas desmatadas menor a quantidade de áreas a serem recuperadas;
  3. Caracterizar e estocar o solo fértil para uso futuro, evitando assim o decapeamento de outros locais para a coleta destes solos;
  4. Recuperar progressivamente a área à medida que a lavra avança, diminuir a quantidade de áreas a serem recuperadas da mina e os seus custos de recuperação, quando da desativação da mina;
  5. Reconformar as áreas lavradas, tornando-as estáveis, drenadas e adequadas para o uso futuro do solo;
  6. Minimizar, sempre que possível, os impactos visuais causados pela mineração, isto pode ocorrer através da recuperação simultânea à lavra e instalação de cortinas arbóreas no entorno da mina;
  7. Após a lavra, reinstalar drenagens naturais existentes anteriormente, sempre que possível;
  8. Minimizar a erosão eólica e hídrica após o fechamento da mina, por meio de revegetação e instalação de drenagens naturais;
  9. Remover e controlar os materiais tóxicos e residuais, controlando o transporte, utilização e despejo de resíduos tóxicos;
  10. Preparar o solo após a lavra para permitir infiltração de ar, água e o crescimento da raiz, necessidade de descompactação do solo lavrado para permitir a instalação da vegetação;
  11. Enriquecer o solo pobre em nutrientes com o uso de corretivos e adubos químicos ou orgânicos;
  12. Revegetar da área minerada com espécies consistentes com o uso do solo após o fechamento da mina;
  13. Prevenir o avanço de ervas daninhas e pragas nas áreas recuperadas, evita trabalho de replantio e perda de espécies;
  14. Monitorar e gerenciar as áreas recuperadas até a vegetação tornar-se auto-sustentáveis e a completa integração da área reabilitada às áreas circunvizinhas.

9.3. Objetos da recuperação nas áreas degradadas

De um modo geral, as áreas degradadas pela mineração são os objetos dos trabalhos de recuperação, isto é, são todas as áreas que sofreram modificações desde o início da mineração e ao longo da sua vida útil.

Em um empreendimento, mineiro Bitar (1995) sistematizou as principais atividades e dividiu-as em três grandes áreas: áreas lavradas, áreas de disposição de estéril e rejeitos, e áreas de infra-estrutura. Neste trabalho, a área de infra-estrutura citada por Bitar ( op. Cit ) foi restrita àquelas que fornecem suporte para as atividades da mina e para os seus limites e acrescentada uma nova área chamada de obras civis e equipamentos correspondendo a todas as construções, usinas de beneficiamento, estruturas associadas e equipamentos. As definições destas áreas são descritas abaixo:

  • Áreas lavradas correspondem às áreas onde ocorreram a pesquisa e extração do bem mineral: trincheiras, poços, galerias subterrâneas, superfícies decapeadas, cavas (secas ou inundadas), frentes de lavra (bancadas, taludes), etc.

remover tanques subterrâneos e, a céu aberto, restaurar as drenagens naturais, quebra ou soterramento do concreto reconformação da topografia e revegetação.

PLANEJAMENTO AMBIENTAL DA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

A recuperação de áreas mineradas deve, sempre que possível, ser executada através de um plano estabelecido antes da implantação da mina, e, à medida que as operações mineiras estejam sendo desenvolvidas, programas de controle e preservação ambiental devem ser implementados. Findadas as operações mineiras, iniciam-se os trabalhos de recuperação ambiental destas.

Obviamente, ajustes no plano inicialmente estabelecido deverão ser realizados ao longo da vida útil da mina até a sua completa desativação quando então medidas mais concretas serão aplicadas.

Os tipos de recuperação comumente utilizados são:

  • Recuperação de áreas mineradas após a desativação completa das atividades mineira, mesmo planejada, só deve ser executada em operações que durante a vida útil da mina, não puderem ser executadas. Ex. cavas de grande porte, bacias ou barragens de rejeitos, construções, etc.
  • Recuperação simultânea à lavra ocorre geralmente após a desativação de frentes de lavra e desenvolve-se paralelamente às atividades mineiras. Utilizada freqüentemente para cavas de pequeno porte e pilhas de estéril.

Estes trabalhos, quando realizados de acordo com o citado anteriormente, têm um custo de controle, preservação e recuperação ambiental, inicialmente mais elevado, no período em que a empresa está capitalizada, tendendo a diminuir após a completa desativação da mina, período em que a mina está descapitalizada, além de reduzir ou eliminar o passivo ambiental deixado pela atividade mineira.

Dentre os trabalhos de recuperação planejada, Bitar (1995) cita ainda mais dois tipos de recuperação:

  • Recuperação provisória – implementada em áreas sem um uso final definido, ou, ainda, quando a desativação prevista estiver para se executada em longo prazo. Recupera-se a área para o período que esteja sem ocupação.
  • Recuperação definitiva – quando o uso final do solo estiver definido, devendo ocorrer simultaneamente à lavra e voltada a estabilização da área e em conformidade com a utilização prevista no Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).

Técnicas aplicadas à recuperação de áreas degradadas

As técnicas mais usadas para assegurar um uso seqüencial produtivo são numerosas, contudo, todas compreendem as seguintes etapas:

10.1.1 Erosão e drenagens superficiais

Erosão é o processo de desagregação e remoção de partículas do solo ou de fragmentos de partículas de rocha, pela ação combinada da gravidade com água, vento, gelo e/ou organismos (plantas e animais) Salomão e Iwasa (1986) apud Salomão e Iwasa (1995). Em geral, distinguem-se duas formas de abordagem para os processos erosivos: erosão “natural” ou “geológica”, que se desenvolve em condições de equilíbrio com a formação do solo, e “erosão acelerada” ou “antrópica”, cuja intensidade, sendo superior à formação do solo, não permite sua recuperação natural Salomão e Iwasa (op. Cit.). Este último tipo de erosão será tratado neste capítulo, com relação às atividades mineiras.

O entendimento destes processos erosivos permite destacar dois importantes eventos iniciais envolvendo, por um lado, o impacto das gotas de chuva na superfície do solo, promovendo a

desagregação e liberação das suas partículas; e por outro, os escoamentos superficiais das águas, permitindo o transporte das partículas liberadas. Dependendo da forma como se dá o escoamento superficial ao longo da vertente, pode-se desenvolver dois tipos de erosão: erosão laminar ou em lençol, quando causada pelo escoamento difuso das águas de chuva, resultando na remoção progressiva e relativamente uniforme dos horizontes superficiais do solo; e erosão linear, quando causada pela concentração das linhas de fluxo das águas de escoamento superficial, resultando em pequenas incisões na superfície do terreno, em formas de sulco que podem evoluir por aprofundamento a ravinas Salomão e Iwasa (op. Cit.).

Caso a erosão se desenvolva por influência não somente das águas superficiais, mas também dos fluxos d’água sub-superficiais, em que se inclui o lençol freático, configura-se o processo mais conhecido por boçoroca ou voçoroca, com desenvolvimento de “piping” (erosão interna ou tubular) Salomão e Iwasa (op. Cit.).

Causas da erosão em trabalhos mineiros

As principais ações desenvolvidas pela mineração que provocam erosões superficiais no terreno são:

  • Manejo do solo, que é a retirada da vegetação e da camada fértil do solo, visando a abertura de minas, quer sejam subterrânea ou a céu aberto;
  • Aberturas de trincheiras, poços e posteriormente grandes cavas (buracos) no subsolo para a retirada do bem mineral; desta forma, mudam-se as drenagens existentes antes destes trabalhos;
  • Disposição de resíduos sólidos ou em forma de polpa nas encostas, planícies e vales;

Controle da erosão

O controle da erosão é importante durante a lavra e no programa de recuperação. O maior objetivo da reabilitação do solo é de estabelecer uma cobertura vegetal adequada para estabilizar o local e prevenir a erosão. Antes da cobertura vegetal, se faz necessário o controle da erosão na área minerada. As partículas do solo podem ser transportadas de três maneiras: pelo vento, pela água por deslizamento ou pela penetração no subsolo.

Os solos susceptíveis a erosão pelo vento são aqueles que contém 60% de grãos de areia desagregados e grãos individuais de dimensões que alcançam 0.1 a 0.5mm. AUSTRALIA (1995).

O controle da erosão eólica pode ser feito por:

  • a) proteção da superfície do solo com vegetação natural (palhas) ou saturação do material que compõe o solo;
  • b) manutenção do solo resistente à erosão por meio de uma mistura de solo com uma crosta compactada ou torrões;
  • c) redução da velocidade dos ventos nas áreas degradadas por meio de quebra-ventos.

A erosão pela água envolve dois estágios: no primeiro os grandes agregados de solos são quebrados em finas partículas, e no segundo, estas finas partículas são carreadas para abaixo do talude. Esta perda de solo através da água é função da erosividade ou intensidade de chuvas, da erodibilidade do solo, do comprimento e gradiente dos taludes, da quantidade de cobertura vegetal e das medidas de controle da erosão tomadas. A erodibilidade do solo depende da textura, estrutura e do grau pelo qual as partículas se desagregam em contato com a água.

Medidas de proteção à erosão são de fundamental importância, dentre elas destaca-se a drenagem externa da área minerada, por meio de canais, drenos e barragens. As barragens de sedimentos são os meios mais comuns de controlar o carreamento de sedimento causado pelo escoamento superficial das