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Momento Angular - Exercícios, Exercícios de Física Quântica

Momento Angular - Exercícios e demais

Tipologia: Exercícios

2019

Compartilhado em 10/12/2019

daniel-suarez-lopes-8
daniel-suarez-lopes-8 🇧🇷

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bg1
Momento Angular na Mecˆanica Quˆantica
O desenvolvimento da Mecˆanica Quˆantica est´a intimamente associado ao estudo do ´atomo
de hidrogˆenio, mais precisamente, ao estudo dos espectros de emiss˜ao e absor¸ao oriundos
deste ´atomo. A primeira formula¸ao te´orica que teve sucess˜ao na explica¸ao destes espectros,
pelo menos num primeiro momento, foi proposta pelo ısico Niels Bohr em 1913. O ponto de
partida de Bohr foi o modelo atˆomico proposto por Rutherford, que descreve o ´atomo como
um sistema solar em miniatura, com um ucleo no centro, positivamente carregado, contendo
quase toda a massa atˆomica, e tendo el´etrons leves e negativamente carregados girando em
torno desse ucleo, em ´orbitas circulares. No caso de ´atomos hidrogenoides, o movimento do
el´etron em torno do n´ucleo corresponde na mecˆanica cl´assica ao problema de uma part´ıcula
em um potencial central, onde o potencial neste caso ´e o potencial eletrost´atico:
U(r) = kZe2
r,(1)
onde Zdenota o umero de pr´otons e k= 1/4π0. Como o for¸ca ´e central, ou seja, ~
F=f(rr,
o momento angular ~
L=~r ×~p ´e conservado, como ´e demonstrado abaixo:
d~
L
dt =d~r
dt ×~p +~r ×d~p
dt =m~v ×~v +f(r)~r ׈r= 0.(2)
Como o momento angular ´e conservado o movimento do el´etron ´e restrito a um plano, ou
seja, se consideramos o plano xyent˜ao a lagrangiana do sistema ´e:
L=TU=m
2˙x2+ ˙y2U(r),(3)
e em termos de coordenadas polares x=rcos(θ) e y=rsin(θ):
L=m
2˙r2+r2˙
θ2U(r),(4)
sendo os momentos conjugados determinados pelas seguintes express˜oes:
pr=dL
d˙r=m˙repθ=dL
d˙
θ=mr2˙
θ, (5)
e como Lao depende de θtem-se que o momento dL
d˙
θ´e conservado. Ele corresponde a
magnitude do momento angular ~
L:
L=pθ=mr2˙
θ. (6)
1
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff

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Momento Angular na Mecˆanica Quˆantica

O desenvolvimento da Mecˆanica Quˆantica est´a intimamente associado ao estudo do ´atomo

de hidrogˆenio, mais precisamente, ao estudo dos espectros de emiss˜ao e absor¸c˜ao oriundos

deste ´atomo. A primeira formula¸c˜ao te´orica que teve sucess˜ao na explica¸c˜ao destes espectros,

pelo menos num primeiro momento, foi proposta pelo f´ısico Niels Bohr em 1913. O ponto de

partida de Bohr foi o modelo atˆomico proposto por Rutherford, que descreve o ´atomo como

um sistema solar em miniatura, com um n´ucleo no centro, positivamente carregado, contendo

quase toda a massa atˆomica, e tendo el´etrons leves e negativamente carregados girando em

torno desse n´ucleo, em ´orbitas circulares. No caso de ´atomos hidrogenoides, o movimento do

el´etron em torno do n´ucleo corresponde na mecˆanica cl´assica ao problema de uma part´ıcula

em um potencial central, onde o potencial neste caso ´e o potencial eletrost´atico:

U (r) =

kZe

2

r

onde Z denota o n´umero de pr´otons e k = 1/ 4 π 0

. Como o for¸ca ´e central, ou seja,

F = f (r)ˆr,

o momento angular

L = ~r × ~p ´e conservado, como ´e demonstrado abaixo:

d

L

dt

d~r

dt

× ~p + ~r ×

d~p

dt

= m~v × ~v + f (r)~r × rˆ = 0. (2)

Como o momento angular ´e conservado o movimento do el´etron ´e restrito a um plano, ou

seja, se consideramos o plano x − y ent˜ao a lagrangiana do sistema ´e:

L = T − U =

m

2

  • ˙y

2

− U (r), (3)

e em termos de coordenadas polares x = r cos(θ) e y = r sin(θ):

L =

m

r ˙

2

  • r

2 ˙ θ

2

− U (r), (4)

sendo os momentos conjugados determinados pelas seguintes express˜oes:

p r

dL

d r˙

= m r˙ e p θ

dL

d

θ

= mr

2 ˙ θ, (5)

e como L n˜ao depende de θ tem-se que o momento

dL

d

˙ θ

´e conservado. Ele corresponde a

magnitude do momento angular

L:

L = pθ = mr

2 ˙ θ. (6)

A hamiltoniana ´e escrita da seguinte maneira:

H =

p

2

r

2 m

p

2

θ

2 mr

2

  • U (r),

p

2

r

2 m

L

2

2 mr

2

  • U (r), (7)

Um dos primeiros obst´aculos encontrado por Bohr na formula¸c˜ao do seu modelo diz

respeito a estabilidade atˆomica. Segundo a eletrodinˆamica cl´assica, uma carga acelerada

emite radia¸c˜ao logo, um el´etron em movimento circular em torno do n´ucleo tenderia a

colidir com o n´ucleo ap´os um certo intervalo de tempo. De posse desse fato, como ´e poss´ıvel

explicar a estabilidade atˆomica? A solu¸c˜ao dada por Bohr n˜ao ´e nada satisfat´oria, ele

simplesmente postula que o el´etron s´o pode ocupar determinadas ´orbitas. Embora esta n˜ao

seja realmente uma resposta, partindo desta e de outras hip´oteses, ele conseguiu explicar os

espectros de emiss˜ao e absor¸c˜ao do hidrogˆenio, obtidos experimentalmente. O modelo de

Bohr assume os seguintes postulados:

Postulado 1: O movimento do el´etron ao redor do n´ucleo atˆomico ´e descrito pelas leis

de Newton.

Postulado 2: O el´etron pode ocupar apenas certas ´orbitas especiais ao redor do n´ucleo.

Estas ´orbitas especiais s˜ao determinadas impondo, como condi¸c˜ao, que o momento angular

do el´etron ao redor do n´ucleo s´o pode ter valores que s˜ao m´ultiplos inteiros da constante de

Planck dividida por 2π:

L = nℏ , n = 1, 2 , 3 ,... (8)

Postulado 3: Essas ´orbitas especiais s˜ao ´orbitas estacion´arias. Isto significa que, quando

o el´etron ocupa uma delas, ele n˜ao emite radia¸c˜ao eletromagn´etica. Os estados atˆomicos

correspondentes s˜ao estados estacion´arios.

Postulado 4: O ´atomo pode passar de um estado estacion´ario para outro por emiss˜ao

ou absor¸c˜ao de radia¸c˜ao eletromagn´etica com frequˆencia dada por:

ν =

|∆E|

h

onde ∆E = Ef − Ei ´e a diferen¸ca de energia entre os estados estacion´arios final f e inicial i.

A quantiza¸c˜ao do momento angular apresentada no postulado 2 pode ser justificada da

seguinte forma: segundo as rela¸c˜oes de de Broglie, E = hν e p = h/λ, podemos associar

uma onda ao el´etron em movimento numa dada ´orbita estacion´aria. Se associarmos uma

´orbita estacion´aria ao el´etron, o comprimento da ´orbita deve ser igual a um n´umero inteiro

de comprimentos de onda. Em outras palavas,

2 πr n

= nλ = n

h

mv

⇒ mvr n

= nℏ, (17)

ou seja,

L

n

= nℏ. (18)

Dessa forma, o postulado 2 parece estar associado de alguma forma ao comportamento

ondulat´orio do el´etron.

Outro ponto importante refere-se ao Princ´ıpio de Correspondˆencia. Este princ´ıpio imp˜oe

que as suas previs˜oes para o comportamento de qualquer sistema f´ısico devem corresponder

`as previs˜oes da Teoria Cl´assica no limite em que os n´umeros quˆanticos que especificam o

estado do sistema se tornam muito grandes. O princ´ıpio foi introduzido em 1923, por Bohr,

para poder inferir algumas propriedades dos sistemas atˆomicos, especialmente as intensida-

des das linhas espectrais, a partir das propriedades dos sistemas macrosc´opicos cl´assicos.

Quando aplicado ao modelo de Bohr tem-se o seguinte resultado: como En = −|E 1 |/n

2

tem-se que:

∆E

n

E

n

E

n+

− E

n

E

n

2 n − 1

(n + 1)

2

logo,

lim

n→∞

∆E

n

E

n

Esse resultado mostra que a diferen¸ca de energia entre dois n´ıveis de energia adjacentes

´e desprez´ıvel quando comparada `a energia de qualquer desses n´ıveis, no limite em que o

n´umero quˆantico n ´e muito grande. Em outras palavras, para n muito grande, os valores

permitidos para a energia do ´atomo, segundo o modelo de Bohr, est˜ao distribu´ıdos de modo

praticamente cont´ınuo, como esperado classicamente.

Por outro lado, de acordo com o modelo de Bohr, os raios das ´orbitas poss´ıveis para o

el´etron ao redor do n´ucleo de ´atomos com um el´etron s˜ao dados por:

r n

∝ n

2

, (21)

logo,

∆r n

r n

r n+

− r n

r n

(n + 1)

2 − n

2

n

2

2 n + 1

n

2

ou seja,

lim

n→∞

∆rn

r n

Portanto, a diferen¸ca de comprimento entre os raios de duas ´orbitas adjacentes ´e des-

prez´ıvel quando comparada ao raio de qualquer uma dessas ´orbitas, no limite em que o

n´umero quˆantico n ´e muito grande. Em outras palavras, para n muito grande, os valores

permitidos para os raios das ´orbitas atˆomicas, segundo o modelo de Bohr, est˜ao distribu´ıdos

de modo praticamente cont´ınuo, como esperado classicamente.

I. MOMENTO ANGULAR

O procedimento adotado por Bohr na dedu¸c˜ao do espectro do ´atomo de hidrogˆenio fez uso

da quantiza¸c˜ao do momento angular. O nosso pr´oximo passo consiste em obter a descri¸c˜ao

quˆantica do momento angular em termos do formalismo de Dirac. Na Mecˆanica Cl´assica o

momento angular ´e dado pela express˜ao:

L = ~r × ~p, (24)

onde ~r ´e vetor posi¸c˜ao de uma part´ıcula com rela¸c˜ao a algum eixo e ~p o momento linear da

part´ıcula. O momento angular ´e um observ´avel logo, segundo o formalismo da Mecˆanica

Quˆantico, possui um operador hermitiano associado a ele, denotado por

L. Este operador ´e

definido como:

L ≡ rˆ × p,ˆ (25)

onde ˆr = (ˆx, y,ˆ zˆ) e ˆp = (ˆp x

, pˆ y

, pˆ z

). Segundo as defini¸c˜oes usuais de ˆr e ˆp, tem-se que:

[ˆri, pˆj ] = iℏδij , [ˆri, rˆj ] = [ˆpi, pˆj ] = 0, (26)

onde i, j = x, y, z. Essas rela¸c˜oes mostram, por exemplo, que uma medida da posi¸c˜ao

da part´ıcula em uma dire¸c˜ao n˜ao interfere na medida do momento linear em uma dire¸c˜ao

ou seja,

[

Ji,

Jj ] = iijkℏ

Jk. (33)

Note que as componentes do momento angular n˜ao comutam entre si, ou seja,

J

x

J

y

J

z

s˜ao observ´aveis incompat´ıveis. Portanto, de acordo com o princ´ıpio da incerteza:

∆J

x

∆J

y

〈[

J

x

J

y

]〉∣

∣ =^

J

z

∣.^ (34)

Isso mostra que n˜ao existe um conjunto completo de autoestados comum aos operadores

J

x

J

y

J

z

. Portanto, embora classicamente seja permitido conhecer o momento angular

L,

isso n˜ao acontece na teoria quˆantica. Da mesmo forma que uma part´ıcula n˜ao pode ter

simultaneamente um valor bem definido de posi¸c˜ao e momento linear, uma part´ıcula n˜ao

pode ter uma vetor de momento angular bem definido. Por exemplo, se

Jz tem um valor

bem definido, ent˜ao

Jx e

Jy n˜ao o tˆem.

No entanto, existe um operador hermitiano compat´ıvel com cada uma das componentes

do momento angular:

J

2

J

2

x

J

3

y

J

2

z

Para ver isso note que:

[

J

2

,

J

z

]

[

J

2

x

J

2

y

J

2

z

J

2

z

]

[

J

2

x

J

z

]

[

J

2

y

J

z

]

J

x

[

J

x

J

z

]

[

J

x

J

z

]

J

x

J

y

[

J

y

J

z

]

[

J

y

J

z

]

J

y

= −iℏ

J

x

J

y

− iℏ

J

y

J

x

  • iℏ

J

y

J

x

  • iℏ

J

x

J

y

Aplicando o mesmo procedimento mostra-se que:

[

J

2

,

J

x

]

= 0 e

[

J

2

,

J

y

]

Estes resultados mostram que:

[

J

2

,

J

]

Dessa forma, podemos encontrar um conjunto completo de autoestados comum a

J

2 e

uma dada componente de

J. No que segue a componente escolhida ´e aquela na dire¸c˜ao z,

ou seja,

J

z

. O eixo z ´e chamado eixo de quantiza¸c˜ao. Vale ressaltar que n˜ao h´a nada de

especial com esse eixo, o procedimento que ser´a empregado para determinar os autoestados

de

J

z

seria mesmo se tiv´essemos escolhido

J

x

ou

J

y

Assim como no caso do oscilador harmˆonico, ´e interessante construir dois operadores n˜ao-

hermitianos, tamb´em denominados operadores escada, denotados por

J

e

J

e definidos

como:

J

±

J

x

± i

J

y

com

J

J

, pois

J

x

e

J

y

s˜ao hermitianos. Podemos escrever

J

2 da seguinte forma:

J

2

=

J

2

z

J

J

J

J

Fica como exerc´ıcio mostrar que:

[

J

2

,

J

±

]

[

J

z

J

±

]

J

±

[

J

J

]

J

z

Como

J

2 e

J

z

s˜ao observ´aveis compat´ıveis ´e poss´ıvel determinar um conjunto completo

de autoestados |v〉 comum a ambos observ´aveis, ou seja:

J

z

|v〉 = μ |v〉 ,

J

2

|v〉 = λ |v〉.

No que segue adota-se a nota¸c˜ao |v〉 = |λ, μ〉 de forma tal que:

Jz |λ, μ〉 = μ |λ, μ〉 ,

J

2

|λ, μ〉 = λ |λ, μ〉.

Para determinar as caracter´ısticas do espectro mostra-se inicialmente que se |λ, μ〉 ´e um

autoestado de

J

2 e

J

z

ent˜ao

J

±

|λ, μ〉 tamb´em ´e um autoestado. Primeiro, note que

J

2

J

±

|λ, μ〉

J

±

J

2

|λ, μ〉

J

±

(λ |λ, μ〉) = λ

J

±

|λ, μ〉

mostrando que

J

±

|λ, μ〉 tamb´em ´e um autoestado de

J

2 com o mesmo autovalor λ. Analo-

gamente,

J

z

J

±

|λ, μ〉

J

z

J

±

J

±

J

z

|λ, μ〉 +

J

±

J

z

|λ, μ〉 ,

J

±

|λ, μ〉 + μ

J

±

|λ, μ〉 ,

= (μ ± ℏ)

J

±

|λ, μ〉 ,

Seja jℏ o autovalor de

J

z

deste estado m´aximo, ent˜ao:

Jz |vM 〉 = jℏ |vM 〉 e

J

2

|vM 〉 = λ |vM 〉.

Agora (verifique!),

J

2

=

J

±

J

J

2

z

J

z

portanto,

J

2

|vM 〉 = λ |vM 〉 ,

J−

J+ +

J

2

z

Jz ) |vM 〉 ,

= (0 + j

2 ℏ

2

  • jℏ

2 ) |v M

logo,

λ = ℏ

2

j(j + 1). (36)

Da mesmo maneira, existe um estado “m´ınimo” |v m

〉 tal que:

J

|v m

cujo autovalor de

J

z

´e denotado por ˜jℏ. Neste caso,

J

2

|v m

〉 = λ |v m

J

J

J

2

z

J

z

) |v m

= (0 + ˜j

2

2

jℏ

2

) |v M

logo,

λ = ℏ

2 ˜ j(˜j − 1). (37)

Comparando as equa¸c˜oes (36) e (37) obt´em-se j(j + 1) = ˜j(˜j − 1) cujas solu¸c˜oes s˜ao:

j = j + 1 ou ˜j = −j. A solu¸c˜ao ˜j = j + 1 deve ser descartada pois se ela fosse adotada o

autovalor associado ao estado “m´ınimo” seria maior que o autovalor associado ao autoestado

“m´aximo”, um absurdo! Logo, ˜j = −j. Portanto o espectro de

J

z

´e limitado, ou seja,

−jℏ ≤ μ ≤ jℏ. Denotando μ = mℏ tem-se que −j ≤ m ≤ j. Como a a¸c˜ao do operador

J

resulta na adi¸c˜ao de uma unidade de ℏ s˜ao necess´arias N (n´umero natural) aplica¸c˜oes

do operador para sair de −jℏ e chegar jℏ, ou seja, j = −j + N , logo j = N/2. Em outras

palavras, l deve ser um n´umero inteiro ou semi-inteiro. Com isso,

J

z

|j, m〉 = mℏ |j, m〉 e

J

2

|j, m〉 = j(j + 1)ℏ

2

|j, m〉 , (38)

em que

j = 0,

,... e m = −j, −j + 1,... , j − 1 , j ⇐⇒ |m| ≤ j. (39)

Para cada valor de j, h´a 2j + 1 valores poss´ıveis de m.

II. MOMENTO ANGULAR ORBITAL: REPRESENTAC¸ ˜AO DE POSIC¸ ˜AO

O objetivo desta se¸c˜ao ´e apresentar a descri¸c˜ao do momento angular orbital na repre-

senta¸c˜ao de posi¸c˜ao. Esta descri¸c˜ao implica a introdu¸c˜ao de trˆes dimens˜oes espaciais. No

ˆambito da Mecˆanica Cl´assica um ponto no espa¸co ´e representado pelas coordenadas x, y, e

z. Estas coordenadas satisfazem as rela¸c˜oes {i, j} = 0 com i, j = x, y, z. Aplicando a quan-

tiza¸c˜ao canˆonica obtemos trˆes observ´aveis

X,

Y , e

Z. Como estes observ´aveis comutam

entre si, eles possuem uma base comum de autovetores, denotada por |r〉 = |x, y, z〉, tal que:

X|r〉 = x|r〉,

Y |r〉 = y|r〉,

Z|r〉 = z|r〉,

Os operadores associados ao momento angular orbital s˜ao:

L

x

L

y

L

z

, e

L

2

. Para

ilustrar o procedimento utilizada na dedu¸c˜ao da representa¸c˜ao espacial destes operadores

vamos determinar a representa¸c˜ao de

L

z

. Como visto anteriormente:

L

z

= ˆxpˆ y

− yˆ pˆ x

Usando,

〈r|

P|ψ〉 =

i

∇ 〈r|ψ〉 , (41)

tem-se que

〈r|

L

z

|ψ〉 =

i

x

∂y

− y

∂x

ψ(r) (42)

onde ψ l,m

(r) ≡ 〈r|l, m〉. Como as equa¸c˜oes acima n˜ao envolvem a vari´avel r, podemos

reescrever a fun¸c˜ao de onda como:

ψ l,m

(r) = f (r)Y

m

l

(θ, φ), (49)

com

π

0

dθ sin(θ)

2 π

0

dφ|Y

m

l

(θ, phi)|

2

= 1,

0

r

2

dr|f (r)|

2

= 1,

As fun¸c˜oes Y

m

l

(θ, φ) s˜ao denominados harmˆonicos esf´ericos. Notem que os ˆangulos θ e φ

definem uma dire¸c˜ao no espa¸co. Por conta disso, ´e comum usarmos a nota¸c˜ao |l, m〉 = |nˆ〉

onde ˆn denota uma dire¸c˜ao espec´ıfica no espa¸co. A fun¸c˜ao |Y

m

l

(θ, φ)|

2

´e interpretada como

a probabilidade de encontrar o sistema na dire¸c˜ao nˆ.

A equa¸c˜ao associada a coordenada φ traz uma informa¸c˜ao de grande importˆancia. Na

diagonaliza¸c˜ao do momento angular na sua forma mais geral, os autovalores associados a

componente z do do momento angular podiam assumir valores semi-inteiros. Isso n˜ao ir´a

acontecer no caso do momento angular na representa¸c˜ao de posi¸c˜ao. Para ver isso, note que

a equa¸c˜ao (48) implica na seguinte separa¸c˜ao de vari´aveis:

Y

m

l

(θ, φ) = Θ

m

l

(θ)Φ m

(φ). (50)

Logo,

−i

∂φ

m

(φ) = mΦ m

(φ) ⇒ Φ m

(φ) = e

imφ

. (51)

Como a fun¸c˜ao de onda deve ser cont´ınua, ent˜ao Φ(φ + 2π) = Φ(φ). Portanto,

e

2 imπ

= 1 ⇒ 2 πm = 2kπ, (52)

onde k ´e inteiro, ou seja, como m = k ent˜ao m tamb´em ´e um n´umero inteiro. Isso mostra

que a restri¸c˜ao nos autovalores ´e uma condi¸c˜ao que surge devido o car´ater espacial da fun¸c˜ao

de onda.

A dedu¸c˜ao dos harmˆonicos esf´ericos pode ser feita a partir da resolu¸c˜ao das equa¸c˜oes

diferenciais (47) e (48). A parte associada a coordenada φ j´a foi resolvida, basta resolver

a parte associada a coordenada θ. No entanto, esse caminho n˜ao ser´a adotado aqui. Os

harmˆonicos esf´ericos podem ser obtidos atrav´es de um procedimento recursivo an´alogo ao

aplicado na da dedu¸c˜ao das autofun¸c˜oes do oscilador harmˆonico. O ponto de partida ´e obter

o harmˆonico esf´erico Y

l

l

(θ, φ). Para tanto, considere a rela¸c˜ao:

L

|l, l〉 = 0. (53)

Na representa¸c˜ao de posi¸c˜ao:

−iℏe

i

∂θ

− cot(θ)

∂φ

Y

l

l

(θ, φ) = 0. (54)

Como

Y

m

l

(θ, φ) = Θ

m

l

(θ)e

imφ

, (55)

ent˜ao, (

∂θ

− l cot(θ)

l

l

(θ) = 0, (56)

cuja solu¸c˜ao ´e:

l

l

(θ) = c l

sin

l

(θ). (57)

Logo,

Y

l

l

(θ, φ) = c l

sin

l

(θ)e

ilφ

. (58)

A constante de normaliza¸c˜ao c l

´e determinada da seguinte maneira:

π

0

dθ sin(θ)

2 π

0

dφ|Y

l

l

(θ, phi)|

2

= 2π|cl|

2

1

− 1

d(cos θ) sin

2 l

θ = 1, (59)

usando x = cos θ:

1 = 2π|c l

2

1

− 1

dx(1 − x

2 )

l = 2π|c l

2

1

− 1

dx(1 − x)

l (1 + x)

l , (60)

fazendo x = 2t − 1

1 = 4π|c l

2

1

0

dt(2t(2 − 2 t))

l

= 4π|c l

2

2

2 l

1

0

dtt

l

(1 − t)

l

, (61)

a ultima integral corresponde a fun¸c˜ao beta B(l + 1, l + 1), mas

B(p, q) =

1

0

dtt

p− 1

(1 − t)

q− 1

=

Γ(q)Γ(p)

Γ(p + q)

Logo,

1 = 4π|c l

2

2

2 l

Γ(l + 1)Γ(l + 1)

Γ(2l + 2)

= 4π|c l

2

2

2 l

l!l!

(2l + 1)!