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Trabalho elaborado como pré-requisito para Colação de grau. Trata da espécie Momordica charantia, seus extratos e frações das folhas, frutos e sementes frescos e secos. A atividade antioxidante também foi verificada. Foi realizado ensaios microbiológicos com as diferentes amostras.
Tipologia: Notas de estudo
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EIDLA MIKAELLE MACIEL DO NASCIMENTO
CRATO, CE 2010
EIDLA MIKAELLE MACIEL DO NASCIMENTO
Monografia apresentada ao Curso de Ciências Biológicas da Universidade Regional do Cariri como requisito para obtenção do Título de Bacharel em Ciências Biológicas.
ORIENTADOR: Prof. Dr. José Galberto Martins da Costa CO-ORIENTADORA: Prof. Msc. Fabíola Fernandes Galvão Rodrigues
CRATO, CE 2010
Dedico aos meus pais, Maria Gleci e Cícero Lobo, pelo apoio em cada instante da minha vida e pelo incentivo para que este momento fosse possível. E ao meu avô materno, Francisco Correia ( in memoriam)****.
A Deus , por absolutamente tudo que já ocorreu em minha vida, em especial a conclusão desta graduação e a busca da concretização de sonhos futuros. Aos meus pais , Maria Gleci e Cícero Lobo, pelo incentivo constante a continuar na pesquisa, e por todo o apoio não apenas durante a faculdade, mas em todos os momentos da minha vida. A minha avó materna , Luzia Maciel, obrigada por acreditar em mim! A minha irmã , Géssica Kelly, pelo apoio e paciência para ouvir por horas minhas apresentações, apesar das reclamações. Aos parentes e amigos, e ao meu namorado , John Webert, pelo apoio, paciência e incentivo. Ao meu orientador , Prof. Dr. José Galberto, pela oportunidade concedida a mim para o desenvolvimento deste e de outros trabalhos, tanto quanto importantes para o meu crescimento profissional. A minha Co-orientadora , Profª. Msc. Fabíola Fernandes, pela paciência, apoio e desenvolvimento da pesquisa. As minhas grandes amigas, Carla e Samara, pelo incentivo, paciência e principalmente, amizade, que me ajudou e me ajudará na concretização de muitas etapas que espero cumprir. A toda equipe do LPPN (Thiago Silva, Walmir Emanuel, George Souza, Liana Oliveira, Manuele Eufrásio, Stefânio Barreto, Erlânio Oliveira, Fábio Galvão, Helenicy Veras e Aracélio Viana), pela coletas e trabalhos desenvolvidos no laboratório, assim como pela amizade. Aos colegas de outros laboratórios pela amizade e companheirismo. A Universidade Regional do Cariri – URCA , aos funcionários e aos meus colegas de turma e de outros semestres. A Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento e Pesquisa – FUNCAP. Os meus sinceros agradecimentos a TODOS aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho e aos que aqui não foram mencionados, e espero contar com todos vocês para a execução dos próximos que virão.
Muito Obrigada!Muito Obrigada! Muito Obrigada!Muito Obrigada!
LISTA DE ABREVIATURAS, SÍMBOLOS E SIGLAS ........................................ ix
LISTA DE FIGURAS ............................................................................................... xii
LISTA DE TABELAS .............................................................................................. xiii
RESUMO
ABSTRACT
2.1. Família Curcubitaceae e gênero Momordica ............................................. 18
2.2. Momordica charantia ................................................................................. 18
3.1. Metabolismo secundário ............................................................................ 21
3.1.1. Taninos ............................................................................................ 22 3.1.2. Flavonóides ..................................................................................... 23
3.1.3. Alcalóides ........................................................................................ 25 3.1.4. Esteróides ........................................................................................ 26
3.1.5. Triterpenóides ................................................................................. 27 3.1.6. Xantonas .......................................................................................... 27
3.2. Toxicologia e microbiologia ...................................................................... 28 3.3. Efeito antioxidante ..................................................................................... 29
9
% por cento; percentual
< menor que, inferior a
= igual a
> maior que, superior a
± mais ou menos
Abs absoluto
Ac absorbância do controle não incubado com as fases
ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária
At absorbância das amostras incubadas em diferentes concentrações
ATCC American Type Culture Collection
BHI Broth Heart Infusion
BHT Hidroxitolueno butilado
C – Controle negativo
C + Controle positivo
CE Ceará
CE 50 Concentração efetiva capaz de sequestrar 50 % do material testado
CIM Concentração Inibitória Mínima
CL 50 Concentração letal para 50 % dos indivíduos
CL 90 Concentração letal para 90 % dos indivíduos
CLSI Manual Clinical and Laboratory Standards Institute
DMSO Dimetilsufóxido
DPPH radical livre; 1, 1-difenil-2-picrilhidrazil
EFF Extrato Etanólico das folhas frescas
ix
10
EFS Extrato Etanólico das folhas secas
ET AL****. E colaboradores
EtOH Etanólico
Ext. Extrato
F. ACET Fração Acetato de etila
F. CLO Fração Clorofórmio
F. HEX Fração Hexano
F. MET Fração Metanol
FIOCRUZ Fundação Oswaldo Cruz
FUNCAP Fundação Cearense de Apoio ao desenvolvimento e Pesquisa
g gramas; peso
h hora; tempo.
IBAMA Instituto Chico Mendes
K 2 Cr 2 O 7 Dicromato de potássio
LPPN Laboratório de Pesquisa de Produtos Naturais
MH Muller-Hilton
mL Mililitro; volume
MR Multiresistente
MSC Melão-de-São-Caetano
NCCLS Nattinal Committee for Clinical Laboratory Standards
PDA Potatum Desxtrose Ágar
PF Extrato Etanólico da polpa fresca
PS Extrato Etanólico da polpa seca
SF Extrato Etanólico das sementes frescas
SS Extrato Etanólico das sementes secas
x
13
01. Usos terapêuticos atribuídos à espécie M. charantia ............................................ 19 02. Metabólitos secundários presentes em EFF e EFS e suas respectivas frações ..... 40 03. Classes de compostos evidenciados em extratos da polpa e sementes de M. charantia ...................................................................................................................... 40 04. Concentrações utilizadas para o cálculo da CL 50 e valores encontrados para os extratos......................................................................................................................... 41 05. Screening antibacteriano de M. charantia ............................................................ 43 06. Screening antifúngico de M. charantia ................................................................. 44 07. Concentração Inibitória Mínima (CIM) para EFF e EFS e suas frações .............. 45 08. Atividade antibacteriana por contato direto (Modulação) do EFF e suas frações ................................................................................................................................. 47 09. Atividade antibacteriana por contato direto (Modulação) do EFS e suas frações ................................................................................................................................. 48
xiii
OF Mormodica charantia (CURCUBITACEAE)
Mormodica charantia , popularly known as “Melão-de-São-Caetano” is a herbaceous
vine, common in many Brazilian states and other tropical regions. It´s used in
traditional medicine to treat diverse affections, as skin diseases (eczema, acne,
pityriase versicolor and scabies), diabetes, furuncula, hemorrhoids, helminthosis and
others. This work reports the study of leaves extracts and its fractions, besides the
fresh and dried pulp and seed extracts that present many metabolites classis as
tannins, flavonoids and alkaloids. These metabolites are referred to present many
therapeutic applications as that ones suggested to the extracts and fractions. The
toxicity evaluated ranged between moderate to low, what is a biosecurity guarantee.
The microbiology assays were significative, featuring the low concentration that was
able to inhibit the bacteria growth. The results of antifungical screening were
significative against Candida albicans and Penicillum notatum (14 mm). The fresh
leaves extract antioxidant activity was effective in comparison to BHT, being
efficient as free radical scavenger (EC 50 = 81,00 μg/mL).
Key-words: Momordica charantia ; Melão-de-São-Caetano; Curcubitaceae.
As plantas medicinais têm sido utilizadas com finalidades terapêuticas há milhares de anos e propagadas de geração em geração, sendo descritas em diversas farmacopéias. Com o desenvolvimento da química orgânica, tornou-se possível a obtenção de substâncias puras através do isolamento de princípios ativos de plantas, provocando desinteresse por estudos de substâncias de origem vegetal (TUROLLA, 2006), além do fato de que a maioria dessas plantas ainda não foi estudada quanto aos seus efeitos tóxicos, composição química, e reais indicações terapêuticas (PEREZ,
A partir da década de 1980, foram desenvolvidos novos métodos que possibilitaram o isolamento de substâncias ativas, permitindo a identificação de substâncias em amostras complexas como os extratos vegetais, despertando novamente o interesse por esses compostos, os quais pudessem ser utilizados no desenvolvimento de novas drogas (TUROLLA, 2006).
A etnobotânica, ciência que busca conhecer e resgatar a visão tradicional botânica, principalmente no âmbito da flora, traz perspectivas metodológicas, assim como estratégias utilizadas por comunidades e suas relações com os recursos biológicos (OLIVEIRA et al. , 2007). Há relatos na literatura de estudos que evidenciam os chamados metabólitos secundários, derivados dos produtos naturais, indicando-os como benéficos em aplicações a enfermidades diversas. (PAULA JUNIOR, 2004).
É comum o pensamento de que as plantas de uso na medicina tradicional já tenham sido testadas devido à utilização prolongada na própria espécie humana, não necessitando, portanto, de avaliação exigida para esse tipo de medicamento. Porém, o difícil controle de qualidade químico, físico-químico, farmacológico ou toxicológico, foram as razões principais para que, a partir da década de 1950, houvesse a substituição por drogas contendo os princípios ativos extraído dessas plantas ou seus derivados sintéticos (LAPA et al ., 2007).
O comércio de medicamentos no Brasil atende apenas cerca de 30 % correspondente a faixa da população economicamente ativa, enquanto que os 130 milhões de habitantes restantes utilizam produtos de venda não registrada. Por isso a importância das análises segundo os métodos mais modernos, para que as plantas medicinais e os fitoterápicos possam ser disponibilizados para a população, a fim de que possam substituir esses produtos empregados, geralmente com toxicidade desconhecida. A intenção do uso de fitoterápicos na medicina humana não é
2.1. Família Curcubitaceae e gênero Momordica
A família Curcubitaceae consta de 90 gêneros e cerca de 700 espécies, principalmente de regiões tropicais, (como a Ásia, Amazônia, África Oriental e Caribe), e subtropicais do mundo, sendo algumas de regiões temperadas. Inclui muitas espécies cultivadas pelos frutos comestíveis, como as abóboras ( Cucurbita spp.), o melão ( Cucumis melo L.), o pepino ( Cucumis sativus L.), e o maxixe ( Cucumis anguria L.) (NEE, 2007; BRACA et al. , 2008). Além dessas, o melão-de- são-caetano ( Momordica charantia L.), também pertencente a esta família, é muito comum em vários estados brasileiros.
Diferentes aplicações terapêuticas são indicadas para espécies de curcubitáceas, como em Citrullus colocysthis , na qual são atribuídas às sementes ação hipoglicemiante e hipolipidêmica (EL-BAKY et al ., 2009). Espécies do mesmo gênero foram relatadas por vários usos inclusive os mesmos encontrados, na maioria dos casos, para a espécie em estudo, como por exemplo, M. dioica utilizada como antimicrobiano e antioxidante (SHRINIVAS et al. , 2009), e M. cymbalaria conhecida pelo seu potencial anti-ovulatório e abortivo (KONERI et al. , 2006).
2.2. Momordica charantia
Momordica charantia , conhecida como Melão-de-São-Caetano (Figura 01), é uma planta herbácea trepadeira pertencente à família Curcubitaceae, muito comum em vários estados brasileiros e em outras regiões tropicais. Apresenta flores amarelas bastante sensíveis e frutos também amarelos com espinhos moles em sua superfície que se abrem expondo as sementes vermelhas quando maduros (BOMFIM, 2008). É popularmente conhecido em outras áreas por “melão amargo” ou “cabaço-amargo”, entre várias outras denominações (BRACA et al ., 2008).
Além de seu uso como condimento, os frutos são muito apreciados em algumas regiões do mundo, devido ao seu sabor marcante e utilizados em outras áreas como alimento para animais, dentre várias outras (CHAN et al. , 2005).
É bastante utilizada na medicina popular no tratamento de enfermidades diversas, como por exemplo, na cura de várias doenças de pele (eczemas, acne, pano branco, sarna), diabetes, furúnculos, hemorróidas e helmintos, entre outras. (GÜSBÜZ et al. , 2000; BASCH et al. , 2003).
Figura 01 – Espécie Momordica charantia.
Apresentam vários compostos biologicamente ativos de diferentes grupos químicos incluindo glicosídeos, saponinas, alcalóides, triterpenos, proteínas e esteróides (RAMAN et al. , 1996), dos quais foram isoladas diversas substâncias tais como: momordicinas, momordina, cucurbitanas, curcubitacinas, momorcharinas, momordenol, momordicilina, momordolol, charantina, charina, diosgenina, eritrodiol, criptoxantina, cicloartenóis, multiflorenol, goiaglicosídeos, ácidos galacturônico, elacosteárico, gentísico, multiflorenol e goiasaponinas (HUSAIN et al ., 1994; XIE et al. , 1998; YUAN et al ., 1999; PARKASH et al. , 2002), distribuídas por todas as partes da planta e responsáveis por várias ações atribuídas à esta.
A Tabela 01 mostra as informações obtidas no levantamento de trabalhos publicados nos últimos dez anos utilizando os sites Google acadêmico, PubMed, Scirus, Scielo e Bireme com ênfase em trabalhos publicados nos últimos dez anos. Nesta tabela estão informados dados referentes aos usos, preparações, partes utilizadas e os respectivos trabalhos referenciais de origem.
Tabela 01 – Usos terapêuticos atribuídos à espécie M. charantia.
Usos Preparações Partes utilizadas Referências
Ext. aquoso Folhas UMUKORO et al ., 2006.