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Capítulos 7 a 11 do Livro 2 do Moysés, resolução dos capítulos 7 a 9
Tipologia: Notas de estudo
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no plano (P, V) que definem um dado ciclo de Carnot, mais uma terceira isoterma qualquer T;, que intercepta as duas adiabáticas nos pontos e, f, conforme ilustrado na Fig. 10.12. Podemos construir três ciclos de Carnot, abcd, dcef e abef com essas iso- Figura 10.12 — Ciclos de Carnot termas e adiabáticas. Sejam Q4. Q» e Q3 as quan- Pq + e 0 ———— — 10.5 — A ESCALA TERMODINÂMICA DE TEMPERATURA 215 desses ciclos, ab, cd e ef, respectivamente (note que o ciclo aber pode ser considerado como resultante de percorrer sucessivamente abcd e dcef, onde Q; é transferido em cd e removido em dc). Aplicando a (10.5.1) a cada ciclo, vem Qrr to [o (Tu To) O trt) 4 = erta pr 1] o HT T)= ET) (10.5.2) A=f(ToT;) us Qs O Q'Q Q 0/0; | Como T; pode ser escolhido de forma arbitrária, a (10.5.2) só é possível se o 2º membro é efetivamente independente de T, ou soja, a função universal ftem de ser da forma Q gm, 1,)- ELO qd o que leva à propriedade (10.5.2) qualquer que seja T3. Na (10.5.3), FU) é uma função universal da temperatura, independente das propriedades específicas de qualquer substância. Conforme foi percebido por Kelvin, esta é a situação ideal para permitir a introdução de uma escala termodinâmica absoluta de temperatura, que não só não depende de propriedades específicas de uma dada substância, como a escala termométrica empírica de mercúrio, por exemplo (pág. 160), mas também independe da existência e propriedades de uma classe de substâncias, como os gases, na qual se baseia a escala de gás ideal (pág. 162). Definimos esta nova escala absoluta de temperatura 1 escolhendo a função F na (10.5.3) por (10.5.3) F(m)=T (10.5.4) ou seja, , | Q mn. = (10.5.5) Q To Entretanto, isto define apenas a razão de duas temperaluras absolutas. tim princípio, para medi-la, bastaria medir as quantidades de calor trocadas com fontes a essas temperaturas num ciclo de Carnot. Para definir completamente a escala absoluta, basta atribuir um valor a uma dada temperatura de referência padrão, que se escolhe como à do ponto triplo da água (pág. 162), a saber, ty =273,16K A temperatura termodinâmica absoluta tde um corpo qualquer fica então definida através de uma máquina de Carnot que opere entre a temperatura deste corpo c a do ponto triplo, por (10.5.6) 10.5 — A ESCALA TERMODINÂMICA DE TEMPERATURA 217 Conforme Carnot afirmou em 1824: “A potência motriz do fogo é independente dos agentes utilizados para aproveitá-la: é determinada exclusivamente pela temperatura dos corpos entre os quais se produz uma transferência de calor”. O que Carnot chama de “potência motriz”" é o rendimento. Como foi mencionado no final da Seção 10.4, o ciclo de Carnot pode ser realizado utilizando, em lugar de um gás, qualquer outro agente, tal como, por exemplo, uma mistura de líquido e vapor em equilíbrio, nos processos de vaporização e condensação. Conforme é bem conhecido, durante o processo de vaporização a uma dada temperatura (temperatura de ebulição), a pressão permanece constante (pressão de vapor), e a absorção de calor é utilizada para aumentar a proporção de vapor na mistura (calor latente de vaporização), até que todo o líquido esteja vaporizado. O inverso ocorre durante a liquefação. Assim, O diagrama (P, V) de um ciclo de Carnot com este sistema teria a forma ilustrada na Fig.10.13 (compare com a Fig. 10.9). A porção a > b corres- ponde à vaporização isotérmica à temperatura T, e pressão de vapor P,, e c > d à condensação isotérmica à temperatura T; e pressão de vapor P;;b > ced 5a continuam correspondendo a uma expansão e uma compressão adiabáticas, respectivamente. Este ciclo definiria uma máquina a vapor ideal, Figura 10.13 — Ciclo de Carnot de de eficiência máxima, em que a > b representariaa máquina a vapor ideal vaporização na caldeira e c > d a condensação no condensador. Numa máquina a vapor real, esquematizada na Fig. 10.1, a porção d > a é substituída pela transferência do condensador à caldeira produzida pela bomba de alimentação, após o que a água ainda tem de ser aquecida na fornalha até a temperatura T,. Este processo é irreversível, bem como muitos outros que não foram levados em conta (atrito entre o pistão e o cilindro, condução de calor, etc.), de modo que o rendimento de uma máquina a vapor real é muito inferior ao ideal, dado pela (10.5.13). Exemplo: Suponhamos que a caldeira de uma máquina a vapor esteja a 180ºC (T, = 453 K) que o vapor escape diretamente na atmosfera, conforme acontece numa locomotiva a vapor. Isto significa que a pressão de vapor P, na Fig. 10.13 é igual à pressão atmosférica, à qual a temperatura de ebulição da água é de 100ºC, de modo que T> = 373 K. Pela (10.5.13), o rendimento máximo ideal seria n-h.8% og To 453 ou seja, de cada 100 calorias geradas na caldeira, somente 18 no máximo estariam produzindo trabalho útil. Na prática, o rendimento atingido seria pouco mais da metade deste valor. A vantagem do condensador numa máquina a vapor é não somente evitar que o vapor se perca na atmosfera, permitindo reciclá-lo em circuito fechado, mas também permitir que ele seja resfriado (por exemplo, por água corrente, numa serpentina) a uma temperatura T> próxima da temperatura ambiente, To - 300 K . Isto aumenta o rendimento ideal, no exemplo - acima, para 5 153 2. =0,33 453 ou seja, permite quase duplicá-lo. 218 Capítulo 10 — A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA Como é difícil, na prática, utilizar uma fonte fria a temperatura menor que a ambiente, procura-se aumentar o rendimento por elevação da temperatura da fonte quente. Assim, elevando-a para 400ºC, o rendimento ideal passa a (T; — Ta) T; = 370/673 = 55% . Hoje em dia, com turbinas a vapor especialmente projetadas, atingem-se rendimentos próximos de 50%. A eficiência de um motor de automóvel a gasolina é - 25%; a de um motor Diesel é - 40%. Zero absoluto A (10.5.6) se aplica obviamente a temperaturas T abaixo de Ty = 273,16 K, que são definidas por T=Jr q (10.5.14) Qr onde Q é o calor transferido isotermicamente à temperatura T da fonte fria (T'< Tr) entre duas adiabáticas, num ciclo de Carnot entre T e Tr. O menor valor possível de Q, obtido fazendo Q =0, define portanto o menor valor possível de T, a temperatura zero absoluto. Por conseguinte, um sistema estaria à temperatura zero absoluto se um processo isotérmico reversível nessa temperatura ocorresse sem transferência de calor (Q = 0). Logo, no zero absoluto, isotermas e adiabáticas se confundiriam. Pela (10.5.13), a eficiência ideal de uma máquina térmica só poderia atingir 100% se pudéssemos utilizar como fonte fria um reservatório térmico à temperatura zero absoluto (To=0). Uma série de considerações, que não podemos desenvolver aqui, levou à formulação da 3º lei da termodinâmica: Não é possível, por qualquer série finita de processos, atingir a temperatura zero absoluto. Logo, é impossível, mesmo em princípio, existir uma máquina térmica 100% eficiente. Temperaturas inferiores a de milikelvin (T < 0,001 K) já foram atingidas por técnicas especiais. 10.6 — O teorema de Clausius Vimos na (10.5.11) que, quando uma máquina térmica executa um ciclo reversível entre dois reservatórios térmicos de temperaturas Ty e To (ciclo de Carnot), vale a relação OQ T, T, onde Q, > O é a quantidade de calor fornecida ao sistema pela fonte quente e Q; > 0 é a quantidade de calor fornecida pelo sistema à fonte fria. Esta convenção de sinal para Q», conforme foi enfatizado à pág. 207, é oposta à que havia sido adotada desde a Seção 8.5 (pág. 177). Vamos agora (e daqui por diante) voltar à convenção da Seção. 8.5, segundo a qual Q sempre representa a quantidade de calor fornecida ao sistema. Por conseguinte, na (10.6.1), devemos fazer a substituição Q, > Q», o que leva a (10.6.1) QOPM (10.6.2) noob num ciclo de Carnot (reversível) 220 Capítulo 10 — A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA o que também equivale à (10.6.2), pois - AQ é a quantidade de calor que S'“recebe” da fonte fria S. Num trecho como c > d, percorrido cm sentido oposto a a — b (Fig. 10.16), continua valendo o mesmo resultado, mas AQ e AQ'são ambos < 0, e a máquina de Carnot S'funciona como refrigerador, entre S como fonte fria, à temperatura T'da isoterma cd, e a fonte quente à temperatura To. Se formos aumentando o número de adiabáticas que recobrem C, formando uma malha cada vez mais fina, podemos passar ao limite em que as trocas de calor são infinitesimais, com AQ > d'Q (diferencial inexata), AQ' > d'Q”, e a quantidade total de calor Q'removida da fonte quente, ao longo de todo o ciclo C, é dada por Q= ao! =” f dq onde fc indica a integral ao longo do ciclo C. Pela (10.6.5), foda n4. E (10.6.6) Note que a temperatura T varia ao longo de cada porção infinitesimal de C, e representa sempre a dos trechos infinitesimais de isotermas pelos quais substituímos trechos correspondentes de C. Como essas isotermas fazem parte dos ciclos de Carnot da máquina de Carnot S/, podemos dizer que T é a temperatura do sistema auxiliar S'durante a transferência a S da quantidade de calor d'Q. Completado o ciclo C, tanto S como S“voltaram aos seus estados iniciais, e o único efeito resultante do ciclo é remover a quantidade de calor Q” da fonte quente à temperatura To e realizar uma quantidade de trabalho equivalente (área interna ao ciclo C; cf. pág. 180). Pelo enunciado de Kelvin da 2º lei (pág. 207), isto só é possível se for Q'<0, ou seja, pela (10.6.6), se do <0 (10.6.7) cT Se o ciclo C é reversível, o mesmo raciocínio pode ser repetido com C descrito em sentido inverso (cada d'Q > d'Q), o que dá 4 I09 (10.6.8) cT Combinando as (10.6.7) e (10.6.8), obtemos o teorema de Clausius, que generaliza a (10.6.2), (º2 =0 para Creversível (10.6.9) Para que C seja reversível, todas as trocas de calor d'Q têm de ser feitas isotermicamente, como vimos, de modo que S precisa estar à temperatura T de S"durante a troca. Logo, para C reversível, T também representa a temperatura do sistema S durante a troca de calor d'Q. Para demonstrar a (10.6.7), não foi utilizada a hipótese da reversibilidade de C. Ela só entrou quando passamos da (10.6.7) à (10.6.8). Logo, se C é irreversível, a (10.6.7) permanece válida, e é chamada de desigualdade de Clausius: (10.6.10) 10.7 — ENIROPIA. PROCESSOS REVERSÍVEIS 221 Neste caso, só é válida a interpretação de T como temperatura do sistema auxiliar S” durante a transferência de d'Q a S. No caso irreversível, a temperatura de S pode até não ser bem definida ao longo de C. Exemplo: Dadas uma fonte quente à temperatura T, c uma fonte fria à temperatura T; < Ty, vimos que o rendimento [cf. (10.3.3), (10.3.4)] de uma máquina térmica reversível (de Carnot) operando entre essas fontes é dado pela (10.5.13), Wa Qu-Qr 4 Qu, To = Qu Qu 4 Qu 4 Do (10.611) o” Om [a onde o índice R significa “reversível”. A última igualdade resulta da ( 10.5.11) que, como vimos, com Q> > Q», equivale à (10.6.2), ou seja, ao teorema de Clausius neste caso. Vimos também que a eficiência n; de uma máquina térmica real, como uma máquina a vapor, por exemplo, é sempre menor (na prática, bem menor) que np, devido à irreversibilidade, ou seja, (o índice I significando “irreversível”, Wi Qu-Qr 4 QU, To 1 Sula q Cy q lo (10.6.12) Qu Oy Qu Tr Isto significa, por exemplo, que a máquina real, funcionando como motor térmico, produz menos trabalho que a idcal (de Carnot), para a mesma quantidade de calor removida da fonte quente (se Q = Qua, tem-se W, < Wp, ou séja, uma quantidade de calor Qo > Que É desperdiçada). A (10.6.12) equivale a m= (10.6.13) na notação em que Q,,> 0. Voltando à convenção da Seção 8.5, com Qu >-— Qop à (10.6.13) fica -Qw , Qu Qu (Qu (o (10.6.14) To Llh o que ilustra a desigualdade de Clausius (10.6.10) neste caso 10.7 — Entropia. Processos reversíveis À consegiiência mais importante do teorema de Clausius é a existência de uma nova função de estado associada a um estado de equilíbrio termodinâmico de um sistema, a entropia. Da mesma forma que a 1º lei da termodinâmica corresponde à existência da energia interna U como função de estado, a 2: lei corresponde à existência da entropia, Sejam ie f dois estados de equilíbrio termodinâmico de um sistema. Em geral, podemos passar de i para f por diferentes caminhos (processos), como 1e2 na Fig. 10.17. Vamos supor esses caminhos reversíveis, o que denotaremos indicando por d'Q (R = reversível) as trocas de calor infinitésimas ao longo deles. Decorre então do teorema de Clausius o seguinte resultado: 10.7 — ENTROPIA. PROCESSOS REVERSÍVEIS 223 variáveis (P, V, TJ, dizer que S é uma função de estado equivale a dizer que, como na (8.5.3), podemos considerar S como função de qualquer desses pares: [S=S(e,vy s=spT; s=SW,] (10.7.5) Se a variação AS = S;- S, é infinitesimal, a (10.7.4) se escreve ds So (10.7.6) ande 'Qr é a quantidade de calor infinitesimal fornecida ao sistema num processo reversível à temperatura T. Note-se que d'Qg é uma diferencial inexata (cf. pág. 181), ao passo que ds, como dU, é uma diferencial exata (dS é a diferencial da função S). Como se passa de d'Qpa dS multiplicando por 1/T, diz-se que 1/T é um fator integrante para a diferencial inexata d'Qr (veremos exemplos abaixo). A (10.7.6) pode ser consitlerada como uma formulação diferencial da 2º lei, da mesma forma que a (8.6.6), dU=d'Q-d'Ww (10.7.7) é uma formulação diferencial da 1º lei (que leva a uma diferencial exata por subtração de d'Q de outra diferencial inexata, d'W). Vimos na (8.6. 1) que, para uma transformação reversível num fluido, d'Wa =Pdv (10.7.8) Qu =dU + PdV (10.7.9) de modo que, neste caso, Casos particulares: (D Transformação adiabática reversível É caracterizada por [d0=0] (107.10) 4S=S,-S;=0] (adiabática reversível) (10.7.11) ou seja, a éntropia não muda numa transformação adiabática reversível. Por isso, uma tal transformação também se chama isentrópica (a entropia constante). Esta é a explicação do índice S colocado na derivada parcial 9P/9p no cálculo da velocidade do som (6.2.14). Logo, a (10.7.4) dá (I) Variação de entropia numa transição de fase Durante uma Lransição de fase, como a vaporização (pág. 217) ou a fusão, a pressão e a temperatura permanecem constantes, até que toda a massa m da substância se tenha vaporizado ou fundido. Se T é a temperatura de transição (ponto de ebulição, ponto de fusão) à pressão considerada, a transição pode ser efetuada como um processo isolérmico reversível, em que o calor é transferido por um reservatório térmico à temperatura T, e a (10.7.4) dá 1 f A5=S,-8;= 7 [d'Qp = Ala (10.7.12) i 224 Capímilo 10 — A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA O calor latente | é a quantidade de calor por unidade de massa necessária para efetuar a transição. Logo, para uma massa m, temos AQ = ml, e a (10.7.12) fica ag = (10.7.13) L T Por exemplo, o calor latente de fusão do gelo à pressão de 1 atm (temperatura de fusão 0ºC) é de 79,6 cal/g, de modo que a fusão de 1 kg de gelo produz uma variação de entropia —79,6x10º AS = Siqua — Sgeto = "7a, —CaL/K = 292cal /K = 12203/K (LN) Fluido incompressível, sem dilatação Se a temperatura de um fluido incompressível, a volume constante, varia de T; para Te qual é a variação correspondente AS de entropia? Seja C a capacidade térmica do sistema, que vamos supor constante no intervalo de temperatura (T, TA, o volume e a pressão permanecendo constantes. Temos então, para uma variação de temperatura dT, d'Qg =CdT (10.7.14) Para que o processo seja reversível, as variações de temperatura têm de ser efetuadas da forma descrita na Seção 8.6 (pág. 178). A (10.7.4) dá-então T f 58=S,-S,=CJ ST cm Tr (10.7.15) pT Ui de modo que podemos tomar, neste caso, S=ClnT+constante (10.7.16) (IV) Entropia de um gás ideal Vamos calcular a entropia molar, ou seja, a entropia por mol, que indicaremos por s. Combinando as (10.7.6) e (10.7.9), vem V (ag = U Pav (10.717) T T o que vale para qualquer fluido. Para 1 mol de um gás ideal, temos pela (9.3.11), dU=C(TdT (10.7.18) onde €, é a capacidade térmica molar a volume constante. A equação de estado (9.1.13) dos gases ideais, para 1 mol, dá PV=RT (10.7.19) e, diferenciando,