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Guias e Dicas
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Mulheres Sustentáveis, Trabalhos de Sustentabilidade

Grupo de mulheres que se jundaram a favor da sustentabilidade.

Tipologia: Trabalhos

2025

Compartilhado em 24/06/2026

ruthe-rebello-pires-12
ruthe-rebello-pires-12 🇧🇷

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Essas Mulheres Sustentáveis

Volume IV

Sumário

Prefácio Página 05

Prólogo Página 08

O

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ge

n

s

gin

a 53

C o m p r o miss o s

Págin

a^1 25

D e s p e r t a r P á g i n a 1 1

Re ge ne ra r Pág ina (^93)

5

Eu me chamo Marcele Maria, e o Maria também está no nome da minha mãe, avós e tias. É característica nossa, de mulheres brasilei- ras, e eu adoro carregar esse símbolo comigo. Hoje, escrevo este pre- fácio com três títulos na mão: jovem – no auge dos 26 anos, ativista

  • num mundo onde não se pode ser o contrário, e mulher – numa sociedade que um dia tentou nos limitar da própria escrita. Apesar disso, olha a gente aqui, prestes a virar páginas que falam sobre mu- lheres e sustentabilidade. Elza Soares, quando dizia “eu sou mulher do fim do mundo e eu vou até o fim”, certamente falava conosco. Em crise climática e colapso social, o fim parece cada dia mais próximo e, ainda assim, seguimos escrevendo com a esperança de mudá-lo. Mu- lheres fazem assim, reinventam. Desde criança, ouvimos muitas vezes: sente com as pernas fecha- das, fale baixo, isso não é coisa de mulher! Ainda bem que falamos alto e nos esparramamos em casa, na rua, no bar, no trabalho, na aca- demia e onde a gente quiser. Inclusive na sustentabilidade, pois as mulheres são, historicamente, as cuidadoras do mundo. Somos nós, mulheres, que cuidamos, semeamos, regamos, protegemos e paga- mos o preço por tanta dedicação a esses cuidados. Passamos a vida inteira na luta por autonomia, direitos e dignidade e, sem constrangi- mento digo: um mundo bom para as mulheres é um mundo bom para todos os seres do planeta. Segundo a UNICEF, o mundo tem atualmente 61 conflitos armados ativos, o maior número desde 1946, e as principais pessoas afetadas são

Prefácio

Marcele Oliveira Jovem Campeã Climática da Presidência da COP30, Diretora Executiva do Perifalab e Co-fundadora da coalizão O Clima é de Mudança linkedin.com/in/oliveiramarcele/

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Me honra muito ter essas mulheres como inspiração, saber que minha formação está sendo forjada pelo exemplo de tantas que vieram antes de mim, que lutaram por formulações políticas, por direitos e justiça. Onde houver necessidade de proteção da sociobiodiversidade, haverá mulheres. Haverá Mulheres Sustentáveis como essas aqui, do Volume 4, que tive a honra de ser convidada para prefaciar.

Boa leitura!

Marcele Oliveira

8

Quatro anos depois, entre avanços e retrocessos no enfrentamento às emergências climáticas, chegamos, otimistas-realistas, à quarta edi- ção da publicação Essas Mulheres Sustentáveis. O projeto nasceu em 2022, quando ideias, dores e desafios compar- tilhados em um grupo de mulheres especialistas em sustentabilidade se transformaram em um gesto de resistência e compartilhamento. Desde então, a publicação tem se mantido independente, colaborativa e fiel ao propósito de valorizar mulheres que, com inteligência, coragem e sensibilidade, atuam nos mais diversos campos da sustentabilidade, em todas as camadas da economia. Às vésperas da COP30 , o Brasil volta a ocupar o centro do debate climático global. Mas o pano de fundo é turbulento: guerras em curso, narrativas anti-ESG, retrocessos ambientais, fake news , supertaxa- ções e diluição de compromissos internacionais desde o Acordo de Paris, além de leis brasileiras que fragilizam regulações ambientais. A lista é grande.

O ano da COP30,

entre espirais

Christiane Cralcev

Consultora Sênior em Sustentabilidade e Impacto Social linkedin.com/in/christianecralcev/

Isabel Camarero Consultora Especialista em Sustentabilidade linkedin.com/in/isabel -camarero-50066924/

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- Despertar – Reflete o ponto de ebulição em que vivemos, expondo retrocessos, contradições, a dor de recomeçar e a coragem para romper com o velho. - Origens – Celebra ancestralidade, raízes culturais e espirituais, mostrando o pertencimento e valorização de identidades como ponto de partida estratégica para a cura e novos pactos. - Regenerar – É o capítulo do “nutrir” – de pessoas, organizações, territórios e sistemas, onde práticas regenerativas e valores do cui- dado, maternidade e afetos inspiram novos e melhores caminhos. - Compromissos – Textos que projetam futuros possíveis e desejáveis, reivindicam esperança e convocam à ação coletiva, baseada em diá- logo, alianças, novos pactos e responsabilidade compartilhada.

Longe de qualquer ingenuidade, as autoras dialogam com a dura re- alidade da política climática global que, mesmo após sucessivos acordos

  • de Paris a Belém do Pará –, metas de mitigação e adaptação permane- cem frágeis frente aos interesses econômicos e geopolíticos. O Brasil, apesar de sua imensa responsabilidade socioambiental e econômica e oportunidade histórica, ainda oscila entre o velho modelo extrativista e a promessa de uma nova economia regenerativa. Este livro é um território de escuta e memória. Uma travessia cole- tiva onde a COP30 não é um destino final, mas uma parada, um olhar que se volta para dentro de nós mesmas – e nos aponta um horizonte onde sustentabilidade precisa deixar de ser discurso e se tornar prá- tica cotidiana, onde gênero deixe de ser um marcador de desigualdade e passe a ser fonte de potência transformadora. É este movimento, que o tornar-se – tornar-se consciente, tornar-se responsável, tornar-se ativa – atravessa este projeto. Que este seja um livro que inspire recomeços – não só para o Brasil na COP30 , mas para todos nós, que seguimos escrevendo com as pró- prias mãos os caminhos possíveis para um presente e futuro habitáveis. E que esta leitura te inspire tanto quanto nos inspirou escrever este prólogo. Que você reconheça, em cada voz, uma centelha de futuro.

Boa leitura!

Christiane Cralcev e Isabel Camarero

Regenerar

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O desenvolvimento científico e tecnológico gerou melhorias nas condições de vida humana, como acesso a procedimentos na área da saúde, acesso à educação e aumento do bem-estar. No entanto, essa combinação se mostra incompleta à medida que as consequências ne- gativas do progresso são negligenciadas. Diante da COP30, tardiamente há o raciocínio: além do acesso desigual aos benefícios, há uma preocupante aceitação e baixa com- preensão das dinâmicas ecológicas prejudiciais. É essencial que o ser humano busque soluções para a preservação do meio ambiente, garan- tindo, assim, a sua própria subsistência a longo prazo. Afinal, a relação entre humanidade e natureza é de extrema dependência: ciclos vitais como os da água e do ar sustentam a vida, e o ser humano continua in- capaz de produzir seu próprio alimento ou prescindir de abrigo – sua “toca” moderna. A casa para morar, além de estar intrinsecamente ligada à pre- servação da vida, representa organização social, pertencimento e segurança. Com o crescimento dos centros urbanos, os processos cons-

Engenheiras civis

sustentáveis: mulheres

na construção da

sustentabilidade

Ruthe Rebello Pires Engenheira civil, docente, analista de crédito de carbono. linkedin.com/in/ruthe-rebello-pires-49a45635/

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trutivos passaram também a figurar como vetores significativos de impacto: gerando desigualdades e danos muitas vezes irreversíveis ao meio ambiente. Afinal, o que aumentou foi a capacidade humana de alterar o am- biente – e não a revogação das leis básicas da natureza. Como resposta a esses desafios, surge a engenharia civil sob a ótica da sustentabilidade: uma tentativa insistente de construir com eficiên- cia energética, precisão técnica em projeto, cálculo e execução, gestão adequada de resíduos, responsabilidade ambiental, viabilidade eco- nômica e justiça social. É neste cenário que se destaca o trabalho das engenheiras civis sustentáveis. Apesar da sub-representação feminina em uma das áreas mais influentes do desenvolvimento urbano e terri- torial, muitas dessas profissionais compreendem que o interesse femi- nino pela engenharia civil ainda não cresce no ritmo esperado, mesmo não sendo mais uma profissão de perfil exclusivamente masculino. De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA, 2024), apenas 20% dos profissionais registrados na engenharia civil no Brasil são mulheres. A ausência de equidade de gênero nos espaços de tomada de deci- são técnica compromete a qualidade das soluções desenvolvidas, pois quanto maior a diversidade de perfis nos processos, mais eficazes são as respostas aos desafios. São necessárias soluções que vão desde téc- nicas construtivas menos onerosas e com menor retrabalho devido a erros, até questões de segurança contra incêndio, acessibilidade, urba- nização desigual e saneamento. A engenharia civil não é feita por pro- fissionais “frios”, ela melhora a qualidade de vida, o saneamento, por exemplo, evita que pessoas adoeçam. Contudo, para chegarmos a esse raciocínio, no ano da COP30, é ne- cessário homenagear quem começou a pavimentar essa longa estrada. Iniciativas sustentáveis notáveis, como as de Letitia Chitty, do Reino Unido (1897–1982), marcaram a história. Chitty utilizou uma aborda- gem precoce para garantir segurança e controle de risco durante e após a Segunda Guerra Mundial, atuando na análise de tensões em cascos de submarinos frente a explosões subaquáticas. Também britânica, Mar- garet Law (1928–2017) trabalhou com mitigação de riscos e consolidou a segurança contra incêndios no ensino técnico – afinal, construções protegem vidas e garantem sustentabilidade. As brasileiras também se destacam. Enedina Alves Marques (1913–1981), primeira engenheira civil negra do Brasil, atuou no Plano Hidrelétrico do Paraná e participou do projeto da Usina Capivari-Ca- choeira. Para impor respeito nos canteiros de obras, chegou a carregar uma arma. Outra pioneira foi Carmen Velasco Portinho (1903–2001)

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JOHNSON, Peter; LANE, Barbara. In memoriam: Professor Margaret Law MBE, BSc, CEng, FIFireE, FSFPE. Fire Technology, v. 53, p. 2041– 2043, 2017.

MARQUES, Enedina Alves. Trajetória da primeira engenheira civil ne- gra do Brasil. Curitiba: UFPR, 1945. (Biógrafo: José Carlos Fernandes et al., conforme registros daUFPR e Senge-PR)

PORTINHO, Carmen Velasco. Urbanismo e Habitação Popular no Bra- sil: Conjunto Pedregulho. Rio de Janeiro: Departamento de Habitação Popular, Prefeitura do Distrito Federal, 1951.

Os textos são de autoria das mulheres que os assinam e suas visões individuais não exprimem necessariamente a opinião do grupo ou da empresa em que atuam.

Idealizadora Velma Gregório

Editora-chefe Isabel Camarero Pinto

Organizadoras Christiane Cralcev, Eliane Dal Coletto e Isabel Camarero

Revisoras Christiane Cralcev, Cristiana Xavier de Brito, Eliane Dal Colleto, Fernanda G. Borger, Isabel Camarero Pinto, Lilian Medeiros Marcela Nectoux, Maurem Alves e Viviani Bleyer Remor

Designer Juliana Dischke